O casal Caridade Ponteviane e Homem da Trindade posando junto a um elefante abatido no Deserto do Namibe, em finais da década de 1950.
Por esta altura a fauna ainda era imensa e variada no Deserto do Namibe onde podiam ser encontrados elefantes, olongos, impalas, zebras, leopardos, chacais, raposas, cabras de leque, olongos, guelengues, avestruzes, rinocerontes, elefantes, onças e leões, paraalém de aves como perdizes, tuas, gegonhas, flamingos, pintados, avestruzes, etc. Como animais raros, havia a suricata, mamífero de 30 a 40 cm de altura que vive em buracos e adopta a posição erecta, apoiada nas patas traseiras e na cauda.
O Deserto do Namibe
Namib, na língua da tribo dos namas significa "região onde não há nada", expressão que faz referência ao aspecto extremamente árido e inóspito deste deserto que se estende por 1.900km x 50-160 km, numa faixa que corre ao longo da costa atlântica, no sudoeste da África, e que vai desde desde São Nicolau, hoje Bentiaba, no distrito de Moçâmedes (a actual província do Namibe), até ao Rio Olifants, na Província do Cabo, África do Sul, ficando a sua maior parte no Sudoeste Africano, a ctual Namibia. Ocupa uma plataforma rochosa entre o Oceano Atlântico e as escarpas do platô interior. Montanhas isoladas erguem-se do deserto e as enormes dunas de areia podem atingir 400 m de altura. O Deserto do Namibe, dos mais antigo do mundo, divide-se, pois, em três faixas: a região litorânea, muito estreita e sujeita a influências marinhas; o Namibe Exterior, que ocupa o restante da metade ocidental do deserto; e o Namibe Interior, que constitui a parte oriental. Uma linha de planaltos e maciços montanhosos separa o Namibe do deserto de Kalahari.
A aridez do Deserto do Namibe deve-se, em parte, à influência dos ventos do oceano e da corrente marítima de Benguela que temperam o seu clima costeiro, trazem vida às suas praias, permitem que os sedimentos depositados no oceano sejam transportados para o interior do deserto, formando, assim, as vastíssimas dunas do Namibe.
As dunas mais altas encontram-se na região de Sossusvlei, na Namíbia, e têm a cor vermelho-ferrugem devido à presença de óxido de ferro depositado nas suas areias, transportado durante milhares e milhares de anos, desde a foz do Rio Orange, pela Corrente Fria de Benguela, e são consideradas as dunas mais altas e mais antigas do mundo.
No Deserto do Namibe, uma das mais importantes fontes de humidade consiste em neblinas e nevoeiros que provêm do mar e que, durante a noite, penetram dezenas de quilómetros terra adentro, fenómeno que se deve à corrente fria de Benguela que, arrefecendo as águas, provoca o nevoeiro ao interagir com o ar quente - nevoeiro que representa vida e contribui para a sobrevivência das inúmeras pequenas criaturas das dunas.
Os acidentes geográficos, por pequenos que possam ser, dão à condensação da água dos nevoeiros e, assim, são depositadas pequenas gotas nas rochas, nas plantas e na superfície do solo. Quando essa condensação é em maior escala, os cactos e a vegetação que se adaptaram ao clima desértico podem germinar e se desenvolver. Devido ao nevoeiro, o teor de humidade existente ao longo da sua costa é muito elevado e as temperaturas na maioria baixas. Mais para o interior, cerca de 30 a 60 km, tanto a temperatura como a humidade variam drasticamente com o ar frio e húmido da manhã e a posterior situação quente e seca, durante o resto do dia. Quando sopra o vento quente e seco do Leste, o que geralmente acontece Abril e Agosto, as temperaturas podem disparar até aos 40 graus Celsius, ou mais, e os ventos, habitualmente fortes, transportam detritos (restos de plantas e insectos) provenientes do interior fornecem alimento aos seus pequenos habitantes e são essenciais para a conservação da vida.
A precipitação anual de chuva é muito reduzida e varia de 15 mm ao longo da costa a 100 mm nas escarpas. Todavia, essa média é por vezes alterada, podendo ser excedida em algumas centenas por cento, ao passo que, noutras ocasiões, poderá não haver qualquer registo de precipitação.
A vegetação do Deserto do Namibe é variada, mas escassa. Há três tipos de vegetação: anharas, dunas com arbustos e planície de savana com pequenos arbustos. Exclusiva da região, abunda a célebre Welvitschia mirabilis, o tumbo, planta de folhas gigantescas que se estendem pelo chão, como longos braços em busca de água, e pode atingir mais de mil anos de vida.
Um grande número de seres vivos desenvolveram métodos notáveis de sobrevivência. Um dos casos é, por exemplo, o de uma espécie de escaravelho que se coloca de cabeça para baixo nas zonas mais húmidas, a fim de que a humidade, ao condensar-se, deslize pela carapaça até à boca.
Como Zonas de Protecção Integral da Natureza, salienta-se o Parque Nacional de Iona, estabelecido como Reserva de Caça a 02-10-1937, e classificado como Parque Nacional, II, desde 26-12-1964, e o Parque Natural Regional do Namibe, estabelecido como Reserva Parcial por período limitado até a 31-12-1959, pelo Diploma Legislativo de 12-06-1957.
O Parque Nacional de Iona, classificado como Reserva Parcial, IV, desde 1960. estende-se das dunas de areia junto ao mar, até às montanhas Tchamalinde, é limitado a Norte pelo Rio Curoca, a Sul pelo Rio Cunene, a Oeste pelos Rios Cunene e Curoca e, a Leste, pelo Rio dos Elefantes. Ocupa a área 15.150 km². O centro do Parque é de planícies abertas, e possui trinta e uma fontes naturais no seu interior. Da vegetação fazem parte três tipos: anharas, dunas com várias espécies de arbustos e planície de savana com pequenos arbustos. Abunda a weltwitschia mirabilis. O antílope emblemático do Parque é a palanca negra gigante praticamente extinta, mas existem outros mamíferos como o elefante, olongo, leão, rinoceronte negro, onça, hiena, chacal, guelengue, gazela, e várias espécies de zebras.
O Parque Natural Regional do Namibe, localizado junto da cidade de Moçâmedes, a actual Namibe, ocupa área de 4.450 km², é limitado a Norte pelos rios Bero e Cubal até ao Muol, a Leste pelos rios Atchinque e Curoca, a Oeste pela linha da costa entre a Foz do Rio Bero e a Foz do Rio Curoca. Trata-se de uma área desértica com grandes dunas de areia, que termina em escarpas montanhosas. A temperatura média anual é de 20,6° C mas a escassa pluviosidade só permite a sobrevivência de plantas adaptadas ao deserto, como a welvitschia mirabilis. Apesar do meio ser pouco propício à manutenção de fauna, são observados elefantes, olongos, rinocerontes negros e zebras da montanha.
O Deserto do Namibe possui potencialidades turisticas de grande pendor, uma fauna e flora rica e diversa, vantagens naturais que permitem o desenvolvimento turismo, assim se estabeleçam
as infra-estructuras essenciais, como a construção hotéis, de um aeroporto internacional, de vias férreas modernas, e de um porto que possa receber cruzeiros turísticos. A província do Namibe a par da vizinha Namíbia surgem, pois, neste início do século XXI, como duas potencialidades que se completam, e que poderão num futuro próximo oferecer ao turista um mundo de aventura que se pode considerar impar.
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Caçadores que se distinguiram à época da formação do distrito de MossãmedesRecuando atrás, muito atrás, aos tempos da formação do Distrito, nunca é demais salientar os nomes de três caçadores que ficaram ligados a este vastíssimo e atraente Deserto, atraidos que foram pela abundância e variedade de animais que nele têm o seu habitat. Um deles foi Nestor José da Costa, filho do chefe da 2ª colónia chegada a Mossãmedes em 1850 proveniente de Pernambuco (Brasil), José Joaquim da Costa. Outro, foi José Anchieta, naturalista, que colheu no deserto do Namibe e enviou para o Museu Nacional de Lisboa milhares de exemplares entre os quais cerca de cinquenta novas espécies. Outro nome, é o do popular Dr. Lapa e Faro, facultativo da província, possuidor de um veículo que havia mandado construir para transportar pelos areais de Mossãmedes as pessoas de sua casa nas caçadas que habitualmente costumavam empreender. Tratava-se de um carro leve e comodo, que além de conduzir passageiros, servia também para o transporte de pessoas doentes ou fragilizadas.
Nota: Estas informações foram colhidas do Boletim da Sociedade de Geografia, 2ª série, nº1 de 1880, onde vem publicado um relatório da viagem de exploração efectuada pelo segundo tenente António Almeida Lima, de 1 de Janeiro de 1879.
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Já sabiamos que no Deserto do Namibe havia elefantes, mas desconhecíamos terem ali existido dinossauros. Afinal, eram só animais contemporâneos da Welwitschia Mirabilis...
Dinossauros em Angola
Uma equipa de investigadores de Angola, E.U.A., Holanda e Portugal desenvolve uma campanha de estudos paleontológicos, com trabalhos de campo no Namibe entre 2005 e 2007. Descobriram o primeiro dinossauro angolano. [ler mais]