12 Junho 2009

Jovens de então junto da velha ponte da Praia das Miragens, em Moçâmedes (actual Namibe) em 1946






Praia das Miragens, ponte, baía e falésia
Julia Jardim e Lalai Jardim, jovenzinhas daquele tempo, respeitáveis avózinhas de hoje, junto da velha ponte da Praia das Miragens em Moçâmedes (actual Namibe), ou mais propriamente, junto da parte da ponte em cimento que, assente sobre a areia da praia, fazia a ligação da zona onde eram efectuados os embarques e desembarques, ao piquete da Guarda Fiscal. Era por aqui que passavam sobre carris as «vagonetas» que transportavam as mercadorias que eram retiradas ou colocadas, através de guindastes, dos e nos batelões, nesse tempo em que não havia cais acostável e os navios ficavam fundeados a meio da baía.

Esta foto foi tirada por volta de 1946, numa época em que era comum as meninas e senhorinhas de Moçâmedes usarem tranças e andarem de bicicleta...

2ª foto: a velhinha ponte de embarque/desembarque, já sem o guindaste. (foto recente). Penso que ao ser construido o cais acostável, a ideia era a do seu desmantelamento. Tal não foi feito! 50 anos depois, ela aqui está, de pé, qual monumento histórico resistente ao tempo e aos modismos arquitecturais que por ora ainda andam arredados deste local... Por quanto tempo mais ?

03 Junho 2009

Carnaval no Recreativo de Porto Alexandre (actual Tombwa)










Carnaval 1961 no Recreativo de Porto Alexandre.
Na 1ª foto:
Os quarto amigos inseparáveis, sempre prontos para a paródia : Eduardo Faustino, Manuel da Silva, Abel Lopes e
Álvaro Faustino.Ver mais AQUI

Na 2ª foto, reconheço entre outros, Manuela Lopes e Jorge Maló de Almeida (em 5º e 6º, em cima), à dt., Arlete Pereira.

Embaixo, à dt. João Cabral Coimbra.

29 Maio 2009

Desporto automóvel em Moçâmedes: Henrique Ahrens de Novais, o campeoníssimo













Na 1ª. foto: Henrique Ahrens Novais no pódio, após ter vencido o circuito automóvel das Festas do Mar 1969. A seu lado Corte Real Pereira e Silveira Machado, os dois pilotos que ficaram em 2º e 3º lugar.

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Henrique Ahrens de Novais foi indubitavelmente, na fase de puro amadorismo, o melhor piloto angolano, quer na modalidade de ralis, quer nos circuitos automóveis, e a sua imagem traz à recordação todas as alegrias que este desporto de elite deu aos moçamedenses.

«...O «...O campeoníssimo Ahrens Novais era uma "bandeira" do automobilismo Moçâmedense. Desde o inicio com um Volkswagen, passando por um Volvo 544 (emprestado), Porsche 356, Lotus Elan e finalmente no lindo Porsche 904 GTS, fazia as delicias dos Cabeças de Peixe. Lembro-me dele ainda no inicio em provas efectuadas na avenida junto aos correios, com partida dada um a um com determinado tempo de diferença para que no final se pudesse achar o vencedor.

Mais tarde já com o Porsche 356 num circuito que passava pelo parque infantil e onde vi pela primeira vez o Eng.Eurico Lopes de Almeida com um Cooper de cor amarela, o Zé Caputo também em Cooper e o "boca de Sapo" de Amilcar Machado, penso que era de Sá da Bandeira, e julgo que também nesta prova o Volvo 122 de José Luis da Ressurreição. Isto para se ver que no inicio qualquer carro servia para fazer as delicias de quem assistia e de quem participava. Depois com o Lotus Elan começaram as provas onde as máquinas se começavam a equiparar. Lembro-me da decepção que foi facto do Lotus Elan de Ferreira Pires ter ficado completamente destruido por um incendio numa prova que prometia uma luta cerrada entre os dois.

Finalmente o Porsche 904 com o qual começou a espalhar o seu "perfume" por toda a Angola começando aí a ganhar o respeito e admiração não só de quem assistia, mas também dos seus próprios adversários. É para mim inesquecivel, numa prova onde apareceram o Nicha e o Carlos Santos em Luanda, a foto do Novais sentado junto á trazeira do 904 com a cabeça entre os joelhos e a ser confortado pelo seu amigo e mecanico se sempre, Abel. Muito mais havia para se dizer deste pioneiro do automobilismo angolano que chegou a ser apelidado de "dragão da regularidade" não só por fazer volta a volta com tempos muito aproximados, mas também por fazer as passagens de caixa precisamente nos mesmos sitios.»

Luis Bacharel in Mazungue
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«Nome inesquecivel no automobilismo angolano. Na fase de puro amadorismo foi realmente o maior e melhor corredor angolano.Refiro-me aos anos de 60/70 ,portanto antes do aparecimento das equipes patrocinadas pela BMW e Alfa... Começou num simples VW que deixava todos os outros carros a KM de distancia..Foi o 1º carro que vi meterem umas pastilhas nos cubos das rodas de traz só para alargar o rodado ,o que lhe dava uma estabilidade incrível para a altura. Assim como também foi o 1º a aparecer com as bocas do escape mais largas.Nada disso hoje é relevante mas para a época era revolucionario.Correu em varios carros:o VW,um LOTUS ELAN,um MGA que era lindissimo,um PORCHE antiquissimo que ja nem me lembro do modelo e depois em varios PORCHES por fim no belo PORCHE 904 GTS.Esta marca era a paixão dele.Aliás foi num belissimo 911 que teve o enorme desastre e que pôs fim a sua carreira. Morreu em Setúbal em Fevereiro de 1996.»

Camões Araújo in SEMANA AHRENS NOVAIS» do site Mazungue
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«Esta figura do automobilismo angolano, ficou para sempre conhecida pelos sucessos que teve ao volante de um carro raro e lindíssimo: o Porsche Carrera GTS 904.


Sobre este carro, muito se tem pesquisado e escrito, mas poucos conhecem a verdade do seu percurso.
Já se disse (por exemplo) que correu em 1965 com Stommelen em Le Mans, mas tudo indica que o carro provinha de um particular do centro da Europa.
Levado para Angola (em 1967 ?), manteve a antiga matrícula até chegar a Gil Morgado, creio, em 1971.

Henrique Ahrens Novais, como se vê, teve uma predilecção pela máquinas saídas do génio dos Ferdinand Porsche. Também correu com um 356.

Asperezas

A consultar:
Memoria recente e antiga
SportsCar
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...«Quando vivi em Moçâmedes não perdia uma corrida. Eu e o meu pai ficávamos na Fortaleza e viamos ao longe a recta da meta (a avenida marginal). Depois os carros viravam à esquerda, subiam uma grande rampa, muito inclinada, novamente à esquerda, passavam em frente à Igreja de Sto Adrião, o "S" do tribunal, sempre a descer ... curva à esquerda, capitânia,.... e novamente recta da meta. Adorava ver aquelas corridas. Velhos tempos dos Coopers, NSU TT, Ford Capri, Lotus, etc, etc. A grande disputa era entre o Novais (um moçâmedense de "gema") e um "forasteiro" chamado Herculano Areias. O Novais tinha um Lotus Elan S3 e o Herculano Areias um Lotus .. , um louts ..., bem era diferente, mais potente, mas o Novais algumas vezes ganhou ao Herculano Areias. O ppl de Moçâmedes torcia pelo "nosso" Novais. Era o nosso fã. E nas corridas que faziamos com carrinhos "Dicky Toys" lá tinha que haver um Novais. O problema era que todos queriam ser o Novais. Escusado será dizer que havia uns amassos, mas chegava-se a acordo, que um seria o Novais e os restantes, os outros. ....»
in
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HISTORIAS DO AUTOMOBILISMO ANGOLANO: Aqui vai uma historia de 1959 ,imaginem os anos passados!!!!
JORNAL DE ANGOLA,Dez.59.TITULO: 1º RALLYE AUTOMOVEL DE BENGUELA,reuniu o maior numero de "volantes" de quantos se realizaram já em ANGOLA e foi presenciado por milhares de benguelenses,constituindo o maior e mais emocionante acontecimento desportivo que a cidade viveu já!.(Um aparte para dizer que este rallye coincidiu com a inauguração do HOTEL MOMBAKA,onde ficarm hospedados todos os concorrentes de fora de Benguela)Inscreveram-se 61 concorrentes e a classificação final foi.


1º AHRENS de NOVAIS (Moçamedes)-WOLKSWAGEN
2º M.M.FRAGOSO (Sa da Bandeira) -VOLVO Marreco
3º OLIMPIO RESENDE (Sa da Bandeira)-FORD
4º ALTINO FRAGA (Lobito) -WOLKSWAGEN
5º CAMÕES ARAUJO (Sá da Bandeira)-FORD V8
6º SERGIO GARCÊS (Benguela) -MG
7º EURICO L.ALMEIDA ( Benguela)-WOLKSWAGEN
8º SANCHO SANTOS (Benguela)-SAAB
9º JOSE L:ALEXANDRE (Benguela)-OLDSMOBILE
10ºJOSE PEDRO BAULETH (Moçamedes)-FIAT 1200.

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IX Circuito da Fortaleza - Luanda
1º - Ahrens Novais - 904gts
2º - Silveira Machado - Lancia 1.3 HFR
3º - Corte Real Pereira - Lancia 1.3 HFR
4º - Carlos Conde - Cooper S
... etc

......http://s479.photobucket.com/albums/rr157/farapuso/234_1968-05-16_Luanda.jpg


Trata-se de uma prova de velocidade complementar do I Grande Rallye de Angola, ano 57. Na prova de velocidade o VW fica em posicões secundárias mas acaba arrebatando o troféu ao final de 2000 km percorridos. Ao volante, Ahrens de Novais.



Henrique Ahrens Novais
A consultar:
Memoria recente e antiga
SportsCar

LUANDA 683.jpg

LUANDA Maio de 1968: IX Circuito da Fortaleza Muito público assistiu a esta edição do Circuito da Fortaleza que viu 23 carros à partida de uma única manga onde se misturaram carros de Turismo e de Sport. O favorito ao triunfo era o Porsche 904 GTS de Ahrens de Novais, na época o melhor carro que corria na antiga Província Ultramarina de Angola. Durante algum tempo acalentou-se a esperança de que chegasse a tempo o Lotus 47 que Fausto de Figueiredo tinha adquirido no Continente a Mané Nogueira Pinto, mas gorada essa expectativa, o interesse da corrida passou a centrar-se na disputa do segundo lugar da geral, visto o primeiro estar por suposta antecipação entregue ao piloto do 904 GTS. E de facto assim sucedeu, pois Ahrens de Novais arrancou à frente e não mais deixaria o comando até ao final das 100 voltas ao circuito de 1832 metros. A seguir ao Porsche ficaram os dois Lancia Fulvia preparados na fábrica, de Silveira Machado e de Corte Real Pereira que acabaram por se impor aos Lotus Elan (que viriam a desistir por problemas mecânicos) e aos Alfa Romeo GTA.

Partida: Ahrens de Novais impôs a maior potência do Porsche e afastou-se rapidamente do enquadramento da foto. Na imagem podemos ver o Lotus Elan S2 de Francisco Barbosa, tendo atrás de si o Ford Cortina Lotus de António Lacerda. Mais à esquerda, na primeira linha da grelha (cada linha tinha 4 carros) vemos o BMW 1600 de Victor Rodrigues, o Alfa Romeo GTA de Fernando Pinhão (vindo da segunda linha da grelha), o Lancia Fulvia 1.3 HSR de Silveira Machado (um carro preparado na fábrica) e, mais atrás, o BMC Cooper S de Carlos Conde e o Abarth 1000 Corsa de José Teixeira.

O Porsche 904 GTS de Ahrens de Novais, vencedor do Circuito da Fortaleza de 1968
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Esta a minha homenagem a esse grande senhor do nosso automobilismo. HENRIQUE AHRENS NOVAIS acabaria por ser vitimado por um desastre automóvel quando se encontrava em passeio na região da Huíla, tendo a partir daí se afastado defitivamente das lides automobilísticas, nas vésperas da descolonização de Angola. Morreu em Setúbal em Fevereiro de 1996.

27 Maio 2009

Gente de Moçâmedes: a Família Madeira



























1ª foto:
Nesta foto, reconheço, entre outros, da esq. para a dt., à frente: Fernanda Lourenço, Mitsi Aboim, Sónia Madeira... Ao centro e atrás: Prazeres Madeira junto da irmã e mãe, o casal Mª de Lourdes P. Infante da Câmara e Carlos Teixeira. Retirada de Sanzalangola.

2ª foto: Reconheço, entre outros, da esq. para a dt., à frente: Fernanda Lourenço, Mitsi Aboim, Sónia Madeira... Ao centro e atrás: Prazeres Madeira junto da irmã e mãe, o casal Mª de Lourdes P. Infante da Câmara e Carlos Teixeira. Retirada de Sanzalangola.para ser lançada ao mar, reconheço a familia de Prazeres Madeira: esposa Aida e os filhos, Paulo Madeira, Sérgio Madeira, ?, Ruth Madeira, Sónia Madeira. e à esq. Gaspar Gonçalo Madeira.
Foto: Sansalangola (LaySilva)

Fica aqui mais esta recordação de gente que viveu num outro tempo naquela que foi a minha terra natal!

24 Maio 2009

Piquenique nas Hortas de Moçâmedes





1ª foto:

Piqueniques como este eram muito comuns aos fins de semana, na década de 50 em Moçâmedes. É um entretenimento que consiste na realização de uma refeição ao ar livre, como um lanche ou almoço. Geralmente os lugares escolhidos eram as várias Hortas existentes nas margens do rio Bero, mas também se faziam piqueniques na Praia Amélia ou em outras praias de Moçâmedes e do distrito. Fossem nos campos ou nas praias, era sempre uma oportunidade para vários elementos de uma mesma familia, ou de várias familias e amigos, se juntarem, confraternizarem e fruirem do prazer do contato com a natureza, fosse ela marinha ou campestre. Consulte também: GENTE DO MEU TEMPO.: Passeio domingueiro às Hortas do Torres, em Moçâmedes

2ª foto:
Também era hábito, por volta de meados da década de 1950, fazerem-se passeios às hortas em pequenos grupos de rapazes ou de raparigas, ou até mesmo de rapazes e raparigas, servindo-se para tal de bicicletas. Estes também podiam acontecer a meio da semana, uma vez que geralmente era gente jovem, estudantes ou não, gente que ainda não estava comprometida com o mundo do trabalho.

Reconheço nesta foto, da esq. para a dt, de pé: Lalai Jardim, Nide e
Claudete Figueiredo?
Sentada reconheço Júlia Castro (a 3ª à dt). Tudo gente do Atlético Clube de Moçâmedes, basquetebolistas ou adeptas do clube.

Outros piqueniques nas Hortas de Moçâmedes: clicar AQUI

13 Maio 2009

Estudantes de Moçâmedes: anos 60





























fotos: Sanzalangola

Desporto automóvel em Moçâmedes: o grupo «Os Keko's»









Este é o grupo «Os Keko's». Foi aqui que tudo começou. Reuniões com amigos na garagem da casa de Jorge Maló de Almeida, aos fins-de-semana. O pai, o Ângelo de Almeida, estava proibido de usar a garagem.

1ª foto: Jorge Maló de Almeida, Mário João de Sousa e Jorge Lopes.
2ª foto: Jorge Lopes, Jorge Maló de Almeida e Mário João de Sousa.

3ª foto: Jorge Maló de Almeida
4ª foto: idem, em Novembro de 1967
(2º lugar da Classe A)
5ª foto: Rally do Radio Clube de Moçamedes
Novembro de 1967
Fotos gentilmente cedidas por Manuela Lopes
Consultar também MOÇÂMEDES MEMÒRIAS DESPORTIVAS

11 Maio 2009

Jovens moçamedenses divertem-se em sala de convívio da Igreja Paroquial de Santo Adrião em Moçâmedes (anos 70)
















Nas décadas de 60 e 70 o mundo ocidental foi sacudido por uma onda de mudanças ao nível dos costumes e dos comportamentos, que se fez sentir principalmente entre os jovens que passaram a construir um novo estilo de vida. Na esfera do laser, os salões «românticos» cederam lugar a discotecas, onde tudo ganhava dinamismo, ritmos, luzes, corpos...

Em Moçâmedes, cidade costeira e pacata do sul de Angola, embora paulatinamente, as coisas também começavam a mudar. Os bailes e festas, antes efectuados no interior dos salões dos clubes da cidade, onde as gerações se divertiam em conjunto, começaram a ceder lugar a discotecas frequentadas por jovens, ao mesmo tempo, percebe-se no ar a crítica e o receio ao que é novo...

Em meio a um mundo em transformação, a Igreja católica toma posição. Rompendo a tradicional resistência à mudança, alguns párocos procuram chamar a si os jovens, atraindo-os para festas em salas de convívio paroquial. O objectivo era proporcionar-lhes uma opção, através de festas e bailes saudáveis e alegres, dentro de um contexto cristão, num mundo onde a juventude estava perdendo referências, e o consumo das drogas começava a despontar. Em simultâneo os eventos visavam resgatar valores familiares, a espiritualidade da juventude, a moral cristã, o sentimento de cidadania, e a promoção de valores que levassem ao fortalecimento da sociedade.
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O Padre Martinho Noronha foi disso um exemplo.
Aliás ele foi um dos promotores
do movimento vicentino entre adultos e jovens de Moçâmedes. Sobre a acção de Martinho Noronha, assim escreveu um dos seus alunos, o moçamedense Eduardo A. Correia Ribeiro:

«Martinho de Araújo Noronha marcou realmente uma geração. Professor de Religião e Moral, foi mais do que isso: inculcando nos jovens alunos do Liceu Diogo Cão (pelo menos de 1962 a 1965) alguns valores, cívicos e morais, que fazem a diferença: o gosto pela liberdade, a luta pela igualdade, o amor pelo próximo. Homem tolerante e culto, procurou transmitir aos que o rodeavam não só os valores religiosos em que acreditava, mas outros, identificadores de um ecumenismo militante pouco comum, incentivando à compreensão e tolerância pelo Outro, à ajuda aos mais necessitados, incentivando à leitura de livros onde eram tratadas as grandes preocupações do Homem perante Deus e si mesmo. Nas suas aulas era um mundo novo que se abria aos ouvidos dos estudantes, pouco habituados aos temas versados e à forma vibrante, altissonante, e desassombrada de falar. Nem sequer fugia ao assunto tabu da relação sexual entre humanos. Confessou no confessionário e aconselhou nos pátios e nas salas de aula, sugeriu livros evangélicos e de liberdade, desbastou temores e indicou caminhos. Mal parecia um padre, tal a sua linguagem, a sua entrega, o seu desempenho na sociedade, a exemplaridade da sua cidadania, participador nos interesses da comunidade, farol de tantos. Rapidamente passou a ficar sob a alçada perscrutadora das autoridades encarregadas da paz social e dos bons costumes da época.
Mais tarde, a partir de 1965, e por uns anos, foi pároco em Moçâmedes, tendo nessa nova qualidade prosseguido na mesma linha mobilizadora (dinamização do movimento vicentino entre adultos e jovens) e continuando a encantar e a tocar os espíritos mais empedernidos, quer na celebração quer aos microfones do Rádio Clube de Moçâmedes. Era como padre um exemplo para os sacerdotes e como pessoa um exemplo para as demais. As suas iniciativas ultrapassavam em muito o mero campo evangélico. A sua meta eram as pessoas, conduzi-las na vida, de acordo com um padrão moral de comportamento que dignificasse o ser humano enquanto criatura de Deus, porque agir de acordo com esses valores já era um hino e louvor ao seu Criador, independentemente da religião que professasse. Era de uma cepa de que se encontra pouco.
Os anos passaram e soube mais tarde que havia regressado à sua terra natal, GOA, que ele tanto amava. Lá o fui encontrar em 1988. A manifestar a mesma exuberância e alegria de viver, de bem fazer aos outros, de realizar coisas, fantástico! Levou-nos a Margão, a casa de uns familiares, e foi o cicerone de um passeio pela cidade e arredores, por onde conduziu da mesma maneira como viveu: em alta velocidade! Arrepiante. Na condução automóvel como na condução das nossa almas, Martinho de Araújo Noronha marcou pela diferença. Foi uma dádiva de Deus.
(...)
Bem haja Padre Noronha, pelo rasto de coisas boas que semeou nas nossas vidas .
Eduardo A. Correia Ribeiro »
( Sanzalangola)

10 Maio 2009

Moçamedenses junto do morro da Torre do Tombo e das antigas pescarias, em Moçâmedes: 1952






















1ª foto:
Mariazinha Pinto, Olimpia Aquino e Raquel Martins Nunes posam para a posteridade sobre uma das muitas pontes das primitivas pescarias que circundavam a baía de Moçâmedes. Ao fundo, o famoso «morro das inscrições» ou morro da Torre do Tombo onde se encontram as famosas «grutas» que serviram de abrigo aos primeiros mareantes que em tempos remotos por ali passaram. Por detrás podemos ver a ponte de uma das pescarias e à esq., a meio do morro, a casa de João Martins Pereira (morgado). Chamavam «morgado» porque o terreno que a mesma ocupa fora concedido ao seu proprietário por concessão régia. Ainda hoje esta construção ali se encontra resistente à voragem do tempo, e bem merecia ser preservada como património histórico-cultural que representa. Na praia podemos ver um jovem que ali se banhava como era costume na época.

2ª foto: Panorâmica da baía de Moçâmedes no tempo em que se encontravam ainda alí as primitivas pescarias que na década de 50 foram desmanteladas para darem lugar ao cais acostável e à avenida marginal.
Vae também: Moçâmedes ... Mossãmedes do antigamente...: A indústria de Pesca em Moçâmedes

05 Maio 2009

Carnaval em Moçâmedes














1ª foto

Grupo de parodiantes num Carnaval em Moçâmedes. Dos que estão mais atrás, reconheço, da esq. para a dt.:
Lalai Jardim e Silvestre e Pinto (ao fundo), Irene Amado (3ª, à esq.) Claudete Figueiredo e Irene Faustino (2ª e 3ª à dt.). De pé, à dt., Amadeu Pereira.

2ª foto
Outro grupo de parodiantes num outro Carnaval em Moçâmedes. Dos que estão mais atrás, reconheço, da esq. para a dt.:
Fernando Pólvora Dias, Henrique Minas, Luís Carlos (padre) e Leça. Dos que estão de pé, à frente: Luisa Pólvora Dias, ????
Dos que estão ajoelhados, reconheço: Fernanda Pólvora Dias, Dinah e Silvestre, à dt.

Fotos gentilmente cedidas por Lalai Jardim

30 Abril 2009

Circuito automóvel das Festas do Mar, Moçâmedes



























13º Festas do Mar Iniciados. Classificação
No podium em 1º lugar, Acácio Silva (Capri 3000). À dt., Salavessa Antunes, à esq. Jorge Maló de Almeida, 1º Clas B-2º Geral.
Na 1ª foto, à esq., Rui Manuel de Oliveira Frota.
Imagens e descrições gentilmente cedidas por Manuela Lopes

27 Abril 2009

Escola Nr. 55 de Fernando Leal, vulgo Escola Portugal, Moçâmedes, Angola, 1940.














A professora Berta e os seus alunos nas escadarias da Escola Nº 55 de Fernando Leal, vulgo Escola Portugal, Moçâmedes, Angola, 1940. Alguém me sabe dizer quem são estas meninas e estes meninos?
Foto Salvador.

30 Março 2009

Estudantes de Moçâmedes nas escadarias da Escola Portugal (Escola Nº 55, de Pinheiro Furtado)






Por esta Escola, a Escola Portugal, ou Escola N. 55 de Fernando Leal, passaram sucessivas gerações de moçamedenses, quer frequentando-a durante o ano lectivo, quer indo ali ao fim do ano prestar as suas provas.

Era a Escola das nossas aflições, na altura dos exames nacionais que decorriam segundo o modelo metropolitano. Isto quer dizer que não só os programas eram os mesmo, como os períodos das férias escolares de três meses coincidiam. Neste caso, as férias na Metrópole decorriam no Verão, e as férias em Angola e demais colónias, decorriam em pleno Inverno, uma vez que as aulas terminavam para todos em Junho. Éramos os eternos sacrificados do sistema. Em vez de estarmos na praia, estávamos encerrados no interior das salas de aulas.


Na 1ª foto, tirada por volta de 1942, encontram-se reunidas alunas de todas as idades, não apenas da Escola Portugal (primário), mas também da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes (secundário), uma vez que era nesta Escola que se faziam os exames dos alunos das escolas do NAMIBE (distrito de Moçâmedes).

Clicando sobre esta foto para a ampliar (é grande), podemos ver a carismática professora D. Aline (ao centro, no 3º degrau), bem como a professora D. Berta, (no 2º degrau, de escuro. e outra professora (em cima, à dt. Felismina?) . De entre alunos e alunas, reconheço, de cima para baixo, e da esq. para a dt:

No 1º degrau: Manuela Madeira (prima da Mimélia e da Maria do Carmo Abreu), Odete Lisboa Braz, Bernarda Cochat, Octávia de Matos, Etelvina Ferreira, Maria do Carmo Abreu, Maria Amélia (Mimélia) e Lucília Falcão.

No 2º degrau: Cremilde Victor, Né Figueiredo, Maria Luisa Ferreirim, Maria Adelaide Abreu, Edvige, Professora Berta, Maria Emilia (enteada do Coelho enfermeiro), Isilda Tomás, Elizette Gouveia, ? Coquenão, Alice Freitas, Bico (neta do velhote Bonvalot), Orlanda Teixeira (Cabeça), Salomé Inácio,Olimpia Aquino, ?, e Jaqueline Simão.

No 3º degrau: Maria Isabel Ferreirim, Aninhas Gouveia, ? Godinho (tranças), ?,?,??.

Entre as 8 mais à dt. desta fila: Emilia Coelho? de tranças, Eduarda Malaguerra, ?, um pouco mais abaixo, Madalena Freitas (Barata) , irmã da Aidinha, um pouco mais abaixo, Lili Trabulo, um pouco mais acima , Alice de Castro, Professora Benvinda (de preto), Maria do Carmo Bauleth de Almeida, Ernestina e ?.

No 4ª degrau: junto ao vão da escada, Maria Simão, Ludovina, Iolanda Freitas, Maria Helena Ramos, professora Felismina mais ao centro a caeismatica professora D. Aline, ????? e mais ´dt., Luz Gavino (com a mão na escada e laço na cabeça)

No 5º degrau: Leta Abreu (com o braço no vão da escada), ?,?,?,?, Amélia Mangericão, ? Pereira (filha do mestre Alfredo, ?????????? Noémia Bagarrã (do Baba), Lili Trabulo

No 6º degrau: ???????????????

No 7º degrau: Prof. na Escola de Pesca, filha de um capitão da Fortaleza, ? , Maria Simão (encostada ao pilar), ?. Manuela Bajouca, ?, ?, ?,?,?,?;Estrela, ??? ??????? Maria Emilia Ramos (junto ao pilar à dt.), Lida Pires Correia, ?,?,

No 8º degrau: ?,?,?,

No 9º degrau: ?, ?,?,?,?,?,?, Orbela Guedes (de laço na cabeça), a filha do Prof Freire, e um pouco à frente, Lucia Reis, ?,?, Henriqueta Barbosa-Miqueta, com laço na cabeça, Lizete Ferreira, ??, Ilda Silva, ???

No último degrau: Isabel Valente (risco ao meio e laços),?, ?,Edith Pinho Gomes (tranças)?,?, Herondina Mangericão (a 5ª, de caracois), Fátima Cunha, Maria Augusta Esteves, Elizete Costa, ?, Noémia Bagarrão Martins Pereira?,?,?,?.

Foto e nomes gentilmente cedidos por Maria Etelvina Ferreira de Almeida.


Na 2ª foto, de entre os alunos e alunas da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, reconheço, de cima para baixo, e da esq. para a dt:

1º degrau. Beto de Sousa, Mário Guedes, ?,?, José Carlos Guedes Lisboa (Lolita),?,?,?,?,? Manuela Bajouca, Fátima Duarte, ?,?,?,?,?,?,?,
3º degrau: 5. ?,?,?, Salete Bráz, Isabel Ferreirim,?,?,
4º degrau: .?,?,? Aninhas Gouveia, Luzete de Sousa,?, ?,
5º degrau: 3. ?,?,?,?, ?, ?,?,
6º degrau: 2. Fernanda Pólvora Dias, ?,?,?,?,?, Maria Emilia Ramos, ?
7º degrau: Maria Helena Ramos, ?, ?, Raquel Martins Nunes, ?, Maria Orbela Gomes Guedes da Silva, Maria Augusta Esteves Isidoro, ?,?, Maximina Teixeira, Salette Leitão, ?, Elizete Costa ...

1ª e 3ª Foto Salvador

Nota: Conto brevemente poder colocar aqui muitos mais nomes.

Himbas - Exotismo e Beleza no Deserto do Namibe














HIMBAS

No século XV, os Herero
sairam da Etiópia com os seus rebanhos, e deram início a uma extensa viagem para sudoeste em busca de pastos e sobrevivência, atravessaram a África até ao norte do actual território da Namíbia, onde se fixaram nos séculos XVII e XVII com as suas mulheres de invulgar beleza - os olhos amendoados e cintilantes, o sorriso enigmático, a cabeça enfeitada por artísticos penteados, e procederam sem delongas à conquista das áreas mais fecundas.

Os Himba, Ovahimba, que hoje vivem no Sul de Angola e no norte da Namíbia,
próximos ao Rio Cunene (rio que marca a fronteira entre os dois territórios e também no Botwana), são descendentes dos Herero.

Este povo manteve as tradições centenárias quase intactas, ainda que os que habitam a Namíbia tivessem sofrido a influência dos missionários e da voragem do progresso. Uma dessas tradições é o hábito das mulheres de cobrirem o corpo com um óleo avermelhado, mistura de banha de boi com uma pedra local, espécie de argila, que protege a pele do vento e do sol, bem como o dos penteados sumamente elaborados, enfeitados com peças de couro de metal, também eles untados com a mesma mistura, fazendo-as despender todos os dias várias horas a cuidar da sua beleza.

Peritas na arte do “coquetismo”, as himba comandam uma sociedade poligâmica, em que cada mulher pode ter vários homens.
Elas são a alma da tribo, porque mantêm a economia das suas casas e criam os filhos à sua maneira, com um carinho desvelado. São belezas africanas que muito teriam a ensinar aos entendidos, no campo da cosmética, quanto aos segredos de como possuir uma pele lisa, aveludada, e sem defeitos.

Os Mucubais e os Himbas, são praticamente a mesma raça. Ambos são povos negros bantos do Grupo Herero
que engloba vários subgrupos, incluindo o Himba, o Ovahimba, o Ovatjimba o Ovambanderu e os vaKwandu, grupos em Angola incluem o vaKuvale, vaZemba, Hakawona, Tjavikwa e Tjimba (herero pobres). Apesar de divididos em diversos subgrupos, estes povos possuem o mesmo idioma herero, além de português em angola, inglês em Botswana e inglês e africaner na Namíbia.

Secos, altivos e ferozmente independentes, e
les desconhecem fronteiras e circulam livremente entre os países e vagam pelo deserto como os leões e os elefantes, chegando a caminhar até 80 quilómetros em busca de água para o gado. Tanto esforço vale a pena: o gado bovino é o principal símbolo de status de uma família himba, e seu roubo é punido com a morte. A carne é reservada apenas para eventos especiais, como casamentos e funerais. Quando um himba morre, mata-se uma parte de seu gado e as cabeças são empilhadas ao lado da sepultura, para proteger o seu espírito. Nas aldeias himba, há sempre um curral no meio, vigiado pelo fogo sagrado chamado okuruwo. Os feiticeiros usam-no para comunicar com os ancestrais.

Presentemente estas belíssimas tribos em vias de extinção, fazem parte do roteiro turístico de quem visita o Deserto do Namibe e continua viagem até à foz do Rio Cunene e norte da Namíbia.

MariaNJardim

FILHA do NAMIBE

Filha do deserto,
da areia escaldante,
do horizonte
que não 'squeço,
do vento
que não 'spanto.


Filha do deserto!
Crestada p'las "nuances"
das miragens.
Surgida...
Envolta em neblinas.
Afagada pelo sol.


Filha do deserto!
Temperada de mar,
qu' ali tão perto,
se reflecte...
no teu olhar.


Filha do deserto!
Nada t'inibe.
Flor de welvitchia.
Filha do Namibe,
do Sol,
do Mar
dono do areal.
Filha do deserto
és tu...
Mucubal!



de:aileda/adeliavaz

26 Março 2009

Equipa tri-campeã de Angola de hóquei em patins (juniores) do Atlético Clube de Moçâmedes:











[Hóquei+Atlético+Moçâmedes+Juniores.jpg]


Recepção à chegada a Moçâmedes da equipa de hóquei em patins juniores do Atlético Clube de Moçâmedes -«Equipa Maravilha» -, após ter vencido o Campeonato de Angola em 1964, sagrando-se tri-campeã (já haviam ganho os campeonatos de Angola de 1962 e 1963). Uma autêntica proeza, caso único na história do hóquei em patins angolano!

À sua chegada a Moçâmedes esperavam-nos no aeroporto um grupo de «carolas» e dirigentes do clube (cerca de 70 pessoas) que, munidos de cartazes, manifestavam acaloradamente a sua satisfação por tão grande feito.
Em seguida, várias viaturas percorreram as ruas da cidade, por onde os vencedores foram saudados e aclamados. Mas foi uma homenagem demasiado simples para tão grande feito. Prefiro pensar que tal aconteceu porque o regresso ter-se-ia dado num dia de semana e no horário de trabalho, porque os CAMPEÕES mereciam muito mais!

Nessa altura o Atlético encontrava-se em grande luta pela sua sobrevivência, sem uma ajuda mínima do Governo Civil e da Câmara Municipal, e as forças vivas da cidade pareciam pouco ou nada sensibilizadas em relação ao desporto junior.


Como se não bastasse, em 1965, a «Equipa Maravilha» do Atlético Clube de Moçâmedes, já então como seniores, tornou a vencer o Campeonato de Angola.

Infelizmente, em 1966, esta equipa viria a ser desfeita por força da incorporação militar dos seus elementos.







[maravilha+8.jpg]















[maravilha+9.jpg]















Nesta foto, a única desta série que não está legendada, tirada no final de um jogo, reconheço, da esq. para a dt.
Em cima:
Neco Mangericão, ?????, Hemitério Alves , Manuel Rios, Mário de Andrade, Artur Trindade, Congo (irmão do Xico Bamba), Arménio Jardim (Treinador do Atlético), Laurentino Jardim (jogador), Arménio Minas, Zequinha Cruz, Chibante, Orlando Saraiva dos Santos, Faustino, José Costa, Veiga, João Germano Códinha Fernandes, ???.
Embaixo:
?, Carlos Brazão ( jogador), ?, Orlando Santos (jogador), Chico Carmo, Camilo Costa , Pedro Costa (Caála), Daniel Couto, Costa (filho de Camilo Costa), Zé Adriano, Henrique Minas, Fernando Leonel Pita (Leona), Rui Mangerição, Laurindo Couto (Jogador), João Martins (Latinhas)...


Consulte o blog MEMÒRIAS DESPORTIVAS


25 Março 2009

Caça ao elefante no Deserto do Namibe, Moçâmedes, Angola



















O casal Caridade Ponteviane e Homem da Trindade posando junto a um elefante abatido no Deserto do Namibe, em finais da década de 1950.

Por esta altura a fauna ainda era imensa e variada no Deserto do Namibe onde podiam ser encontrados elefantes, olongos, impalas, zebras, leopardos, chacais, raposas, cabras de leque, olongos, guelengues, avestruzes, rinocerontes, elefantes, onças e leões, paraalém de aves como perdizes, tuas, gegonhas, flamingos, pintados, avestruzes, etc. Como animais raros, havia a suricata, mamífero de 30 a 40 cm de altura que vive em buracos e adopta a posição erecta, apoiada nas patas traseiras e na cauda.

O Deserto do Namibe
Namib, na língua da tribo dos namas significa "região onde não há nada", expressão que faz referência ao aspecto extremamente árido e inóspito deste deserto que se estende por 1.900km x 50-160 km, numa faixa que corre ao longo da costa atlântica, no sudoeste da África, e que vai desde desde São Nicolau, hoje Bentiaba, no distrito de Moçâmedes (a actual província do Namibe), até ao Rio Olifants, na Província do Cabo, África do Sul, ficando a sua maior parte no Sudoeste Africano, a ctual Namibia. Ocupa uma plataforma rochosa entre o Oceano Atlântico e as escarpas do platô interior. Montanhas isoladas erguem-se do deserto e as enormes dunas de areia podem atingir 400 m de altura. O Deserto do Namibe, dos mais antigo do mundo, divide-se, pois, em três faixas: a região litorânea, muito estreita e sujeita a influências marinhas; o Namibe Exterior, que ocupa o restante da metade ocidental do deserto; e o Namibe Interior, que constitui a parte oriental. Uma linha de planaltos e maciços montanhosos separa o Namibe do deserto de Kalahari.

A aridez do Deserto do Namibe deve-se, em parte, à influência dos ventos do oceano e da corrente marítima de Benguela que temperam o seu clima costeiro, trazem vida às suas praias, permitem que os sedimentos depositados no oceano sejam transportados para o interior do deserto, formando, assim, as vastíssimas dunas do Namibe.

As dunas mais altas encontram-se na região de Sossusvlei, na Namíbia, e têm a cor vermelho-ferrugem devido à presença de óxido de ferro depositado nas suas areias, transportado durante milhares e milhares de anos, desde a foz do Rio Orange, pela Corrente Fria de Benguela, e são consideradas as dunas mais altas e mais antigas do mundo.

No Deserto do Namibe, uma das mais importantes fontes de humidade consiste em neblinas e nevoeiros que provêm do mar e que, durante a noite, penetram dezenas de quilómetros terra adentro, fenómeno que se deve à corrente fria de Benguela que, arrefecendo as águas, provoca o nevoeiro ao interagir com o ar quente - nevoeiro que representa vida e contribui para a sobrevivência das inúmeras pequenas criaturas das dunas.

Os acidentes geográficos, por pequenos que possam ser, dão à condensação da água dos nevoeiros e, assim, são depositadas pequenas gotas nas rochas, nas plantas e na superfície do solo. Quando essa condensação é em maior escala, os cactos e a vegetação que se adaptaram ao clima desértico podem germinar e se desenvolver. Devido ao nevoeiro, o teor de humidade existente ao longo da sua costa é muito elevado e as temperaturas na maioria baixas. Mais para o interior, cerca de 30 a 60 km, tanto a temperatura como a humidade variam drasticamente com o ar frio e húmido da manhã e a posterior situação quente e seca, durante o resto do dia. Quando sopra o vento quente e seco do Leste, o que geralmente acontece Abril e Agosto, as temperaturas podem disparar até aos 40 graus Celsius, ou mais, e os ventos, habitualmente fortes, transportam detritos (restos de plantas e insectos) provenientes do interior fornecem alimento aos seus pequenos habitantes e são essenciais para a conservação da vida.

A precipitação anual de chuva é muito reduzida e varia de 15 mm ao longo da costa a 100 mm nas escarpas. Todavia, essa média é por vezes alterada, podendo ser excedida em algumas centenas por cento, ao passo que, noutras ocasiões, poderá não haver qualquer registo de precipitação.

A vegetação do Deserto do Namibe é variada, mas escassa. Há três tipos de vegetação: anharas, dunas com arbustos e planície de savana com pequenos arbustos. Exclusiva da região, abunda a célebre Welvitschia mirabilis, o tumbo, planta de folhas gigantescas que se estendem pelo chão, como longos braços em busca de água, e pode atingir mais de mil anos de vida.

Um grande número de seres vivos desenvolveram métodos notáveis de sobrevivência. Um dos casos é, por exemplo, o de uma espécie de escaravelho que se coloca de cabeça para baixo nas zonas mais húmidas, a fim de que a humidade, ao condensar-se, deslize pela carapaça até à boca.

Como Zonas de Protecção Integral da Natureza, salienta-se o Parque Nacional de Iona, estabelecido como Reserva de Caça a 02-10-1937, e classificado como Parque Nacional, II, desde 26-12-1964, e o Parque Natural Regional do Namibe, estabelecido como Reserva Parcial por período limitado até a 31-12-1959, pelo Diploma Legislativo de 12-06-1957.

O Parque Nacional de Iona, classificado como Reserva Parcial, IV, desde 1960. estende-se das dunas de areia junto ao mar, até às montanhas Tchamalinde, é limitado a Norte pelo Rio Curoca, a Sul pelo Rio Cunene, a Oeste pelos Rios Cunene e Curoca e, a Leste, pelo Rio dos Elefantes. Ocupa a área 15.150 km². O centro do Parque é de planícies abertas, e possui trinta e uma fontes naturais no seu interior. Da vegetação fazem parte três tipos: anharas, dunas com várias espécies de arbustos e planície de savana com pequenos arbustos. Abunda a weltwitschia mirabilis. O antílope emblemático do Parque é a palanca negra gigante praticamente extinta, mas existem outros mamíferos como o elefante, olongo, leão, rinoceronte negro, onça, hiena, chacal, guelengue, gazela, e várias espécies de zebras.

O Parque Natural Regional do Namibe, localizado junto da cidade de Moçâmedes, a actual Namibe, ocupa área de 4.450 km², é limitado a Norte pelos rios Bero e Cubal até ao Muol, a Leste pelos rios Atchinque e Curoca, a Oeste pela linha da costa entre a Foz do Rio Bero e a Foz do Rio Curoca. Trata-se de uma área desértica com grandes dunas de areia, que termina em escarpas montanhosas. A temperatura média anual é de 20,6° C mas a escassa pluviosidade só permite a sobrevivência de plantas adaptadas ao deserto, como a welvitschia mirabilis. Apesar do meio ser pouco propício à manutenção de fauna, são observados elefantes, olongos, rinocerontes negros e zebras da montanha.

O Deserto do Namibe possui potencialidades turisticas de grande pendor, uma fauna e flora rica e diversa, vantagens naturais que permitem o desenvolvimento turismo, assim se estabeleçam
as infra-estructuras essenciais, como a construção hotéis, de um aeroporto internacional, de vias férreas modernas, e de um porto que possa receber cruzeiros turísticos. A província do Namibe a par da vizinha Namíbia surgem, pois, neste início do século XXI, como duas potencialidades que se completam, e que poderão num futuro próximo oferecer ao turista um mundo de aventura que se pode considerar impar.
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Caçadores que se distinguiram à época da formação do distrito de Mossãmedes

Recuando atrás, muito atrás, aos tempos da formação do Distrito, nunca é demais salientar os nomes de três caçadores que ficaram ligados a este vastíssimo e atraente Deserto, atraidos que foram pela abundância e variedade de animais que nele têm o seu habitat. Um deles foi Nestor José da Costa, filho do chefe da 2ª colónia chegada a Mossãmedes em 1850 proveniente de Pernambuco (Brasil), José Joaquim da Costa. Outro, foi José Anchieta, naturalista, que colheu no deserto do Namibe e enviou para o Museu Nacional de Lisboa milhares de exemplares entre os quais cerca de cinquenta novas espécies. Outro nome, é o do popular Dr. Lapa e Faro, facultativo da província, possuidor de um veículo que havia mandado construir para transportar pelos areais de Mossãmedes as pessoas de sua casa nas caçadas que habitualmente costumavam empreender. Tratava-se de um carro leve e comodo, que além de conduzir passageiros, servia também para o transporte de pessoas doentes ou fragilizadas.

Nota: Estas informações foram colhidas do Boletim da Sociedade de Geografia, 2ª série, nº1 de 1880, onde vem publicado um relatório da viagem de exploração efectuada pelo segundo tenente António Almeida Lima, de 1 de Janeiro de 1879.
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Já sabiamos que no Deserto do Namibe havia elefantes, mas desconhecíamos terem ali existido dinossauros. Afinal, eram só animais contemporâneos da Welwitschia Mirabilis...

Dinossauros em Angola

Uma equipa de investigadores de Angola, E.U.A., Holanda e Portugal desenvolve uma campanha de estudos paleontológicos, com trabalhos de campo no Namibe entre 2005 e 2007. Descobriram o primeiro dinossauro angolano. [ler mais]

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EcoHaria: Parque Nacional do Iona

Video DESERTO DO NAMIBE c/música

DESERTO DO NAMIBE por Newton da Silva
Clicar AQUI : DESERTO NAMIBE
Clicar AQUI ANIMAIS DE ANGOLA

24 Março 2009

A Praia das Miragens no verão dos anos 50 e 60


























































































































Quatro perspectivas da Praia das Miragens na segunda metade dos anos 50 (a preto e branco) , e nos anos 60. Artigo sobre a Praia das Miragens publicado pelo Jornal de Moçâmedes «O SUL», a 4 de Agosto de 1945, dia da comemoração do aniversário da fundação da cidade de Moçâmedes.
(retirado de Sanzalangola/LaySilva)

15 Março 2009

Excursão a Roma e Veneza de um grupo de alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes, em 1966






























Excursão a Roma e Veneza de um grupo de alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes, em 1966

1ª foto

Ainda no navio, à chegada a Lisboa, podendo ver-se ao fundo, a Ponte sobre o Tejo.
Da esquerda para a direita:
Militar amigo, Nélinha Tendinha, Lilá Fonseca, Céu Lã (em viagem até Lisboa), Marimília Inácio, Adelina, Paula Amem, Helena Alves de Oliveira (filha de Hemitério Alves de Oliveira), e Matilde Amem.

2ª foto : No interior de uma gôndola, em Veneza.

Imagine-se a euforia destas jovens, quando saídas do seu pequeno e pacato burgo, se viram projectadas nas concorridas ruas da majestosa Roma, o coração de um Império, que a História nos ensinou, ter sido alicerce daquilo que hoje somos ainda, e numa autêntica cidade museu, onde o belo se impõe a cada esquina, em pedras de magnitude milenares, estátuas magníficas, fachadas lindíssimas, pormenores encantadores, praças, ruas, villas, palácios, museus, catedrais, jardins, recantos, etc, num testemunho sem paralelo do quanto pode e é capaz a genialidade humana. Imagine-se visita à Praça de São Pedro, à Basílica, aos Museus Vaticanos, ( Download ) às Catacumbas, etc., as emoções vividas no encontro com o Papa Paulo VI e ante os magníficos afrescos do fabuloso tecto da Capela Sistina pintados por Michelangelo, e outros grandes artistas como Perugino, Ghirlandaio e Botticelli, entre outros artistas do Renascimento.

Imagine-se e excitação na visita a Veneza (2ª foto),
a bela e misteriosa Veneza, cidade das gôndulas e dos múltiplos canais transformados em ruas e em avenidas. Cidade cujas origens remontam aos tempos da queda do Império Romano e que no século XV foi a mais forte potência marítima do mundo. Cidade das pontes, das igrejas, dos museus, dos palácios ao estilo bizantino e renascentista, de Tintoretto, Ticiano e Tiepolo, das lendas e histórias de amor, das máscaras inspiradas nas tragicomédias, onde se festeja um dos mais turísticos Carnavais do mundo.

Esta seria a viagem que todos os jovens moçamedenses gostariam de fazer, mas que, infelizmente, não era acessível a todos, neste cantinho de África onde a vida, embora nesta altura já não fosse tão difícil como era dantes, não era tão fácil quanto, «romanticamente», se ouve ainda hoje por aí apregoar...


Fotos: Sanzalangola (Teresa Carneiro)

14 Março 2009

Jovens de Moçâmedes: «Grupo os Jambalaias»: 1955
















A juventude de Moçâmedes do meu tempo era uma juventude feliz. Veja-se o ar que irradiam estes jovens sempre prontos para a paródia, mas sempre, sempre, cumprindo as regras éticas e morais que norteavam a sua educação, decorrida num espaço e num tempo em que era bem mais fácil educar os filhos que nos complicados dias de hoje...

Este é o auto-intilulado grupo «Os Jambalaias», titulo adoptado por ocasião do animado carnaval de Moçâmedes de 1955. Entre eles reconheço, da esq. para a dt., em cima: Cláudia Guedes, Horondina Minas (Didi), Rosália Bento (Zala), Júlia Minas e Mª de Lurdes Pita de Sousa. Embaixo: Carlos Guedes (Carlitos), ? Andrade (Bica), Henrique Minas, Edgar Aboim e José António Guedes.

«Jambalaia»
é o título de uma canção creditada à música country americana e ao cantor Hank Williams (1923-1953), lançada em 1952, que alcançou desde então grande êxito em vários países. É uma canção sobre um amor perdido, uma mulher que deixou de ser cantora para ir com um outro homem ao «Big Texas», mas que também nos fala de festas, estereotipos de alimentos (jambalaia espécie paelha tropicalizada da gastronomia da Louisiana). Toda ela uma mistura de ritmos e tendências musicais, tal como a «folk music», a «country music», a «western music», etc., que deram o «caldo» a esse novo ritmo. Traduzida em várias línguas, deu origem inúmeras versões, uma das quais bastante popularizada entre nós, a que lançou a cantora brasileira Celly Campelo no estrelato, e ajudou consolidar o rock no Brasil.

A popularidade alcançada por esta canção, e a facilidade com que lhe eram adaptadas novas letras foi tal que até o nosso grupo carnavalesco «Os Tragateiros» a adaptou para sí, através de uma letra, que, recordo, começava mais ou menos assim
: «Tragateira é um malta porreira... , etc...»

Foto gentilmente cedida por LurdesJardim

12 Março 2009

Jovens da capital do Namibe (Moçâmedes) em desfile de beldades: 1970
















Esta foto foi publicada no Jornal «O Comércio» de Luanda do dia 4.8.1970, dia do aniversário da fundação da cidade de Moçâmedes, enquandrando um artigo intitulado: «A CAPITAL DO NAMIBE ÀS PORTAS DO ANO 2.000 COM OS PROBLEMAS DE SEMPRE.
A PRIMEIRA AVENIDA MOÇAMEDENSE SER COMIDA PELAS CALEMAS?», sem que fosse feita qualquer alusão aos nomes das candidatas. Excepto a jovem que se encontra à esquerda e que me parece a Riquita Bauleth, não reconheço mais ninguém . Alguém pode ajudar a encontrar os nomes destas candidatas?

Quanto ao artigo em causa, este manifestava a preocupação do então Presidente da Câmara Municipal, António Blanc de Sousa, face ao estado da Marginal de Moçâmedes, ainda não concluida e já a abater em alguns pontos por falta de determinadas obras... Referia-se também ao estado dos remates do passeio que, com as calemas poderiam levar ao desaparecimento do paredão da marginal em certos troços. Tudo por falta de verbas, a eterna questão !

Verbas que entretanto deveriam ter chegado, já que, 30 anos depois...a Avenida Mrginal ainda lá está, intacta, creio eu.

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PUNGUITAS (*)

São as Punguitas da minha Terra
Geradas e criadas no Sul
Bravias e Belas como o deserto
Exóticas sereias dum mar azul

Quer sejam brancas ou morenas
Todas têm beleza e sedução
Não importa a cor da pele
Mas a que trazem no coração

Graciosas como flores de Abril
E de dizer, fazem questão disso,
O mistério que a todas envolve
Não sei se é magia ou é feitiço

De olhos negros como a noite
O brilho como a luz das estrelas
Os lábios rubros de pitanga
E um sorriso no rosto delas

Mulher guerreira e valente
Como imbondeiro ou mucubal,
Singelas, mas a mais formosa,
Foi a Maior de Portugal

E como a música duma lira
São a poesia dos trovadores.
Elas são o cântico na alvorada
E do Namibe, os seus amores (*)

(*)Designação abreviada de Cabeça-De-Pungo,
assim chamados aos habitantes de Moçâmedes/Namibe

Manela Lopes 09SET2006


Concurso de Miss Luanda, Miss Angola e Miss Portugal 1971















































1. Miss Luanda 1971, Maria Filomena Ramalhoso, ladeada por Celmira Bauleth (Riquita), miss Portugal 1971, à esq. e Ana Paula Almeida de Moçambique, a 1ª damar de honor.

2. Riquita Bauleth, Miss Moçâmedes e Miss Portugal 1971 entre elementos do juri em Luanda?,

3. Filomena Ramalhoso, Miss Luanda, com Riquita, miss Angola e miss Portugal 1971, e Ana Paula Almeida, miss Moçambique e 1ª dama de honor de Riquita.

4. Grupo de concorrentes a Miss Portugal? Embaixo, à dt. Riquita.

A propósito, lembrei-me agora do refrão de uma canção dedicada à Riquita, que passo a transcrever:
«
Riquita tu és bonita
Riquita tu és raínha
Angola que te acredita
Mostrou como és natural
Riquita foste a melhor
Desta festa nacional
Angola vibrou contigo
Mais linda de Portugal! »

Riquita Miss Angola e Miss Portugal 1971



























MISS PORTUGAL E AS 6 HORAS DE NOVA LISBOA -

1. Celmira Bauleth (Riquita), ainda era uma menininha e já exibia o porte da futura rainha de beleza que veio a ser. A seu lado Rui e Vitó Torres.

2. Riquita, cerca de 9 anos depois, em 1971 quando eleita miss Portugal, a desfilar no Casino do Estoril. Foto de LaySilva - Sanzalangola.

3. Riquita, Miss Portugal 1971, junto da equipa do Independente Sport Clube de Porto Alexandre , a equipa que por três anos consecutivos foi campeã de Angola de futebol sénior.

4. Riquita, Miss Portugal 1971 3 as «6 horas de Nova Lisboa em 1972».

5. Posando para anúncios.

Encontrei na Net esta pequena "estória" de como Riquita convidada para estar nas "6 Horas" de 1971, não esteve, devido às exigências da organização que a tutelava e acabou por dar a volta de honra na edição de 1972

Em 1971, Maria Celmira Bauleth, natural de Moçamedes, ganhou o concurso de Miss Portugal, o que foi motivo de orgulho para os angolanos.
Como homenagem, a organização das “6 Horas de Nova Lisboa” endereçou-lhe um convite para assistir aquela prova como convidada de honra.
A Riquita, como era vulgarmente tratada, manifestou o desejo de aceder à distinção se, nessa data, se encontrasse em Moçamedes e tal lhe fosse permitido pela organização a que se encontrava ligada, ou seja, o semanário Notícia”
Posto o assunto aquela entidade, rapidamente, recebemos uma resposta afirmativa, mas com uma série de condições que logo rejeitámos por inaceitáveis.
Na íntegra, “Notícia” exigia: «Miss Portugal» assistirá como convidada à Prova «6 Horas de Nova Lisboa», não podendo ser utilizada em qualquer manifestação de carácter comercial ou publicitário – que teria de ser objecto de contracto específico;
«Miss Portugal» será acompanhada por uma pessoa de família e por um elemento da Organização (NOTÍCIA) a quem caberá a responsabilidade da aprovação do programa da sua estadia. Os encargos, de vossa conta serão:
- Transportes aéreos Moçâmedes – Nova Lisboa – Moçâmedes para 2 pessoas (Miss Portugal e pessoa de família);
- Transporte aéreo Luanda – Nova Lisboa – Luanda, para um elemento da Organização;
- Alojamento, em Nova Lisboa, para 3 pessoas;
- 20 000$00 (vinte mil escudos) depositados, antecipadamente, num Banco de Nova Lisboa, a favor de Maria Celmira Bauleth ou NOTÍCIA – Semanário Ilustrado.
Apreciadas estas condições, achávamos correcto e não precisava sequer estar a mencioná-lo que ao Sporting Clube do Huambo coubesse a responsabilidade de passagens e alojamento para a Riquita e para uma pessoa de família que a acompanhasse.
Mas porquê a obrigatoriedade de agregar à comitiva qualquer elemento da “Notícia” porquanto, aceite as condições, estas seriam por nós respeitadas e a própria Riquita se recusaria a transgredir, não necessitando de um mentor ou fiscal a limitar-lhe os movimentos.
Porém, o que mais nos chocou foi a exigência de um autêntico “cachet” de 20 000$00 pela “exibição” de Miss Portugal como se se tratasse, não de uma convidada de honra, mas de um fenómeno que se mostra em circos.
Lembrámo-nos da frase “não há dinheiro… não há palhaço” e, pelo respeito que a Riquita nos merecia, não houve mesmo “palhaço” como a “Notícia” a considerava.
Foi uma exigência muito infeliz e inoportuna, tornando-se mesmo ofensiva para uma Cidade que sempre acarinhou a mais bela das jovens angolanas e que nos era apresentada como objecto de negócio incompatível com as intenções que originaram o nosso convite.
Passado um ano, em 1972, ao iniciar a volta de honra, o Carlos Santos chamou o Nicha (que naquela prova, além de piloto, se estrear como “mecânico”) para o acompanhar.
Já com o carro em andamento, o Nicha viu a Riquita entre a assistência (não como convidada de honra, como havíamos desejado no ano anterior, mas como mera espectadora) e chamou-a também para o carro.
Durante toda a volta de honra, o Roger Heavens quase deixou de se ver, a assistência entusiasmada só gritava pelo Nicha e pela Riquita e o Carlos Santos comentava que ganhara a prova mas o público só aclamava os outros.
E foi assim que a Riquita impedida de ser convidada de honra em 1971, foi aplaudida e deu a volta de honra nas “6 Horas” de 1972.
E isto sem quaisquer custos para a organização…

FONTE
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Para ver e saber mais sobre a eleição de Riquita, Miss Portugal 1971, clicar
AQUI
AQUI
AQUI
AQUI
AQUI
AQUI
AQUI
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Também encontrei na Net:

«A BOLA», uma homenagem a quem derrama portugalidade por esse mundo fora...

Era assim naquele tempo de emigração e guerra colonial. A «Bola» era uma mensagem de saudade. um grito ao vento que então passava e nos calava certas desgraças. O jornal era lido com sofreguidão nalguns locais. Em Paris, sobretudo, só comparável a ela eram as quentinhas e saborosas castanhas transmontanas, sempre a fazer água na boca..

Talentos como Silva Rezende, Vitor Santos, Cândido de Oliveira, Ribeiro dos Reis, Francisco Zambujal (com as caricaturas geniais), Nuno Ferrari (com fotos extarordinárias), Carlos Pinhão, Couto dos Santos, Rebelo Carvalheira e tantos outros (que agora não lembro) formavam uma equipa com mística, com alma, com aquele brilho só ao alcance de predestinados.

Jornalismo menor, mas que na minha sensibilidade era melhor que aqueles artigos laudatórios e encomiásticos, a letras garrafais, que nada diziam. Enfim, literatura desportiva na plena acepção do termo. Galvanizante, vibrante, capaz de fazer chorar os leitores, nalgumas passagens mais emocionantes.

As vitórias do Benfica na Taça dos Campeões Europeus, a epopeia ciclista de Alves Barbosa, Joaquim Agostinho e outros, eram tratadas como se de assunto a merecer figurar nos Lusíadas!

Os emigrantes e os militares, sobretudo, devem muito a este jornal. Merece todas as homenagens.

Aqui vai a minha. Estava guardada numa mala de papéis antigos. Tinha perdido as chaves e ficou arrumada no sótão. Agora, ao fazer umas limpezas, dei com alguns poemas do tempo da guerra colonial. Este, sem título, está datado de Março de 1971 e localizado em Luanda. Só de lê-lo, fiquei de lágrimas nos olhos.

No túnel deste tempo vejo a luz
Ouço vozes bem fortes de mudança
Também sinto os bons ventos da esperança
Que a essa nova era nos conduz.

E tu, que tens visão pura e alma clara,
Reflectes este tempo com mestria
Poetaste o vazio, a nostalgia
Desta noite tão longa, ó Alda Lara (1).

Que a noite é longa e escura nós achamos
Só nos vale essa estrela que é um norte Riquita (2),
do deserto a flor mais forte
O sonho de mulher que nós sonhamos.

Aqui neste desterro tão forçado
Vamos carpindo a dor, calando as mágoas
Co'os golos do Eusébio e do Zé Águas
Bebendo uma cerveja, ouvindo um fado...

Lendo "A Bola", cordão umbilical,
Sempre atrasada, lê-se com fervor,
A longa espera dá mais sabor
Matar saudades...

é sina do jornal!

Esta "bíblia" tem nível, faz sorrir,
Imagens, reportagens, só magia,
O talento aqui mora, tem mestria
Merece a Medalha de "Bem Servir"!

Luanda, 13 de Março de 1971

Notas:(1) A maior poetisa angolana desse tempo, que divulgou muita poesia e incentivou os poetas locais. Embora fosse médica de profissão, era de uma sensibilidade grande, de uma pureza espiritual sem mácula.(2) Miss Portugal, eleita por Angola.

FONTE

Desfile de Penteados no Clube Nautico promovido pelo salão «Sandra», em Moçâmedes















Créditos de Imagem: LaySilva in Sanzalangola

Meninos e meninas de Moçâmedes: início da década de 60
















Em cima da esq. para a direita:
Paulinha Chalupa, Vitó Torres, Mário João Sousa, Finita Parreira da Cruz, Rui Brás, Eduarda Pintassilgo, Nélinha Pintassigo, falecido Rui Torres, Teresinha Chalupa, Mélita Parreira da Cruz e de branco o falecido Zé Miguel Chalupa.
Sentados:
João Pintassilgo, Tininha Sousa, Nanã e Luis Chalupa, Zé Raúl Sousa, Fátinha Pintassilgo, Cely Sousa, Filomena Sousa, Raquel Esteves, filha do Dr. Biscaia e Paula Pintassilgo, sentadas à frente.
Créditos de Imagem: publ. João C. Pintassilgo in Sanzalangola

Moçamedenses em dia de Carnaval






















Imagem: Sanzalangola