05 fevereiro 2007

Jovens senhoras de Moçâmedes no início da década de 1952. Uma geração de transição...


Finais dos anos 1940, inicios dos anos 1950, elas estavam em todo o sitio... Nesta foto um grupo de jovens senhoras colaboram com iniciativas levadas a cabo pelo Rádio Clube de Moçâmedes.   Dirigentes, locutores e colaboradores junto da sede do Rádio Clube de Moçâmedes quando esta ainda funcionava no prédio junto do antigo campo de futebol, ao fundo da Avenida da República (de cima para baixo e da esq. para a dt.) : 1. Raul Gomes, Dr Marques Mano, Raul Gomes Jr. /Lito Baía, Firmo Bonvalot, Estevão Coelho, Santos César , Martins, Alfredo Falcão, Santos Osório, Pedro Malaguerra, J. Oliveira (Maboque), Evaristo Fernandes, Norberto Gouveia (Patalim), Nito Santos, Álvaro Mendes, Armando Campos, José Luís Ressurreição, José Antunes Salvador e Carlos Cristão. 2. Leonor Bajouca, Manoca, Noelma de Sousa (Esteves), Júlia Gomes, Manuela Evangelista (Carvalho), Dr Romão Machado (Pres. do RCM) e esposa, Maria Manuela Bajouca, Julieta Bernardino, Lili Trabulo, Maria Emilia Ramos, Arminda Alves de Oliveira (pianista) e Rosa Bento (César), pianista. Foto Salvador.



Na foto: Colaboradores do RCM, no velho "campo de aviação", despedindo-se do Presidente Augusto  Cantos de Araújo. 1947 (ao centro): Mário Leitão, Raúl de Sousa Jr., José Costa Santos, Rui de Mendonça Torres, José Alves Roberto, Lúcia Reis, Eugénia Alves de Oliveira, Rosa Bento, Bernardete Cochat, Cantos de Araújo, Ana Liberato, Maria Manuela Costa, Maria Emilia Nascimento, Lurdes de Sousa Veli, Hirondina Mangericão, Lili Trabulo, Lúcia Gavino, Evaristo Fernandes, Guilherme Magalhães, Artur Caleres, Júlio Gomes de Almeida, e Adriano Parreira. Foto Salvador. 
 Jovens senhoras de Moçâmedes da JIC
  Jovens senhoras de Moçâmedes da JIC
 Jovens senhoras participantes do grupo católico "Sagrado Coração de Jesus"

 Jovens senhoras participantes do grupo católico "Sagrado Coração de Jesus"

 

Interessante foto dos primeiros tempos do RCM, que juntou  inúmeros colaboradores: Ana Liberato e Rui de Mendonça Torres. Foto Salvador

 

Aqui podemos ver Celeste Gouveia (a Néné Carracinha) e Herondina Mangericão, entusiasmadíssimas no seu trabalho. Foto Salvador
 
Colaboradores/as do Rádio Clube de Moçâmedes. Da esq. para a dt: Néné Alves de Oliveira ao acordeon, ?, Julia Gomes à guitarra (fadista) e Manuela Evangelista (viola). Inauguração da sede do RCM? Foto Salvado
 

Entre outros, da esq. para a dt: Luciano Sena, Evaristo Sena Fernandes, Sousa Santos, Soares e Silva, Domingos Barra, Embaixo: Rui Bauleth de Almeida, ?, Carlos Moutinho, Cecília Victor, Calila, ?, Antóno José Minas. Em cima, 1ª fila, Bica, Salvador, ?, Rui Torres, ?. Foto Salvador

 


Carlos Moutinho e Cecília Victos (ao centro) rodeado de outras figuras ligadas ao RCM, entre as quais  Lico de Sousa, Arlete Pereira, à dt e Rui Bauleth de Almeida atrás. Foto Salvador



Curioso nestas fotos é a forte componente de elementos femininos que entre finais da década de 1940 e o início dos anos 1950 prestavam voluntária e gratuitamente a sua colaboração ao Rádio Clube de Moçâmedes, incluso em "programas de variedades" que eram lançados para o ar.  Eram jovens senhoras cheias de vivacidade, iniciativa e vontade de participar em eventos sociais, que colaboraram em organizações festivas, programas de rádio, em grupos cristãos de juventude (JIC- Juventude Independente Católica), etc., etc...  Uma geração feminina diferente das anteriores, que já não se conformava com o papel da mulher durante séculos inteiramente dedicada ao lar e à familia, às tarefas do lar e à educação dos filhos, como foi o das nossas mães e das nossas avós, e que se dispôs a participar voluntariamente em eventos sociais quando a possibilidade de emprego faltava, pois o acesso da mulher ao mundo do trabalho entre nós esteve desde sempre dependente da evolução lenta das actividades económicas do nosso  pequeno burgo, que só ganharia mais vigôr a partir dos anos 1960, quando a par da guerra levada a cabo pelo exército português contra os movimentos independentistas, foi feito um grande esforço de recuperação económica em Angola, para o que muito contribuiu  o surgimento da Banca privada. Não foram todas, mas algumas as que ingressaram no mundo do trabalho  remunerador, como escriturárias, bancárias, professoras, etc. Sim, porque até finais da década de 1940 contavam-se pelos dedos as senhoras de Moçâmedes que exerciam uma função remuneratória fora das paredes do lar. 

Elas representaram um modelo de referência para as raparigas da minha geração, a geração que veio a seguir. Era criança mas recordo ainda o papel por elas desempenhado por ocasião do Centenário da cidade de Moçâmedes em 1849. Foram elas que, juntando-se em grupos, enfeitaram as barracas que se ergueram por todo o lado, no vasto jardim da Avenida da Praia do Bonfim. Foram elas que confeccionaram flores de papel e outros ornamentos que abrilhantaram a festa, não se poupando a esforços em actividades ligadas à venda de rifas de toda uma sorte de objectos, à organização de quermesses, sorteios, etc. etc. Foram elas que estiveram por detrás de tômbolas, roletas, serviços de bar, etc., e tudo isso graciosamente.





Na famosa casa "Santa Filomena" onde a veneranda senhora, a professora primária D Aline, ensinava o catecismo, eram muitas as jovens senhoras e senhoritas catequistas, como se pode ver por esta foto e pelas duas que seguem onde se encontram  na metade superior da foto, junto das educandas.
De baixo para cima: 1ª fila. ? M Pacheco I, Mª Inácio Tavares, Elga Weishmaster, Amélia Brás de Sousa, Manuela e Mimi Carvalho, M.PachecoII,  Mitsi Aboim e ?  2 ª fila. ?,?,?, Zézinha Grade, ?,?, Fernanda Braz de Sousa, Fernandina Peyroteu, ?, Antonieta Bagarrão (Dédé), ? e Zélia Calão. 3ª fila. Gabriela Figueira Fernandes, Calila, ?, Constantina, Carolina Mangericão, Maria Augusta Esteves, ?,?,?,?, e Susete Freitas. 4ª fila. ?;?;?; Lena Freitas, Fernanda Pólvora Dias,?, Fátima Cunha, Lizete Ferreira, Celeste Matos, ?,?,Gabriela Miranda,?, ?, Madalena Trindade; Melanie Sacramento, ?, e
 Odete Maló.  5ª fila. ????, Osvalda Sacramento, Júlia Jardim, ???? 
6 ªfila.?,?,Hélia Paulo, Lucia Gavino, ?, Lucia Reis,?,?,?. Data: 1949
 
Idêntico grupo de alunas e de catequistas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima, junto da "Casa Santa Filomena". 1949. Fotos de Antonieta Bagarrão
Clicar sobre a foto que é enorme

Grupo de alunas, mães, senhoras da JIC e da Liga Católica Feminina, 

catequistas, e irmãs do Colégio de Nossa Senhora de Fátima, junto da nesma "Casa Santa Filomena" com D. Aline . Data: 1953. Cedida por Néné Trindade

Esta foto mostra-nos um grupo de jovens senhoras de Moçâmedes, em 04 de Agosto 1949, colaboradoras  das festividades do Centenário da cidade de Moçâmedes, junto de um dos vários pavilhões representativos da cultura dos povos, o pavilhão chinês, trajadas de acordo, com coloridos quimonos em seda importados do oriente, leques, flores e pauzinhos espetados no cabelo. Da esq. para a dt: Zuleica (cabeleireira), Julinha Pestana, Jovita Carvalho (Grade), Dina Ascenso e Maria Lizete Ferreira.



 

Esta foto, tirada junto do pavilhão-bar, representa um grupo de colaboradoras de vários pavilhões. Foram elas, da esq. para a dt: Julinha Pestana (China), Alice Castro (fantasia/fada), Orbela Guedes (Holanda), Manuela Bajouca (fantasia/fada), Fátima Cunha (Holanda), ?, Zuleika (China), Celeste/Carracinha (fantasia/aero-moça), Lizete Ferreira (China), Néné Oliveira (fantasia/aero-moça), Etelvina Ferreira (Holanda), Rute Gomes (fantasia/aero-moça), Maria Helena Ramos (Holanda), Teresa Ressurreição (fantasia/fada), Maria Parreira (fantasia/aero-moça), ?.

No pavilhão do ar, da esq. para a dt: ?,  Ludovina Leitão, Maria Eugénia Alves de Oliveira, Celeste Gouveia (Carracinha), Ruth Gomes e Maria Parreira

 
O carro alegórico representativo da «Tentativa Feliz», numa evocação da barca brasileira transportando um grupo de senhoras que colaboraram nas festividades do Centenário. Da esq. para a dt.: ?, Ludovina Leitão, ?, Salomé Inácio, ?, Noelma, Cilinha, Lúcia Gavino e Arminda Alves de Oliveira.


 
Nelinha Costa Santos (à dt.) a mais nova deste grupo,  também muito cedo foi movida pelo desejo de participar. E como? Com o seu talento. Nélinha possuia uma voz melodiosa de soprano que dava gosto ouvir cantar.  Mas esta foto faz-me lembrar um momento triste acontecido na cidade de Moçâmedes no alvorecer da década de 1950 quando o namorado de Dina Ascenso, Ademar Ferreira Pinto deixou cair o avionete a pique no quintal da namorada e morreu.

 

 Teresa Ressureição, Alice Castro, Lucia Brazão e Salomé Inácio


Maria Teresa da Ressureição (à esq.) oferecia às gentes da cidade, o seu talento de poetisa. Ela ela quem escrevia as músicas das marchas da cidade, e não só, músicas que andavam na boca de toda a gente, muitas das quais ainda guardo na memória, como a Marcha do Centenário de Moçâmedes Ei-la:


Marcha do Centenário de Moçâmedes (1949)

I
Assim toda engalanada
Digo orgulhosa ao mar
Olha para mim
Como vou bela ao passar
II
Quero viver minha festa
Quero rir, quero folgar
O Mar imponente
Grita a toda a gente
Vai Moçâmedes a passar
III
Sou há um século nascida
Velhice inda não senti
Tive horas de glória
Enchi minha história
De rosas que então teci
IV
As minhas lindas Miragens
Todos vão admirar
Sorrindo ao céu
Sinto o mundo meu
Quando ouço assim cantar

REFRÃO
Num areal doirado
Pelo sol beijado
Há já cem anos nasceu
Moçâmedes gentil
Bela e juvenil
Pertinho do mar cresceu Hoje, embandeirada
Princesa encantada
Do Namibe o seu senhor
Sente mar confiante
Dizer radiante
Ai que linda vais amor.

(autoria : Teresa Ressurreição)




Fica aqui a minha vénia às senhoras desta geração, pois penso mesmo que elas foram muito mais activas e participativas socialmente que as que se seguiram, as da minha geração, cuja participação maior foi a efectuada através da modalidade de basquetebol feminino.

MariaNJardim




Nota: Algumas fotos dispensadas pelo grupo Moçâmedes/Namibe
 No entanto, devo lembrar que pelo facto de estarem disponíveis online não significa que possam ser usadas sem o respeito pelas condições em foram licenciadas. Essa licença CC significa que qualquer pessoa as pode usar desde que: 1) refira claramente quem é o autor da foto; 2) O uso da foto não seja comercial; 3) A obra resultante seja partilhada nos mesmos termos desta licença 

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