15 abril 2007

A riqueza pesqueira de Moçâmedes (actual Namibe): anos 60































1ª foto: Em cima , à dt., a ponte da pescaria de João Duarte na Praia Amélia. Ao fundo e à esq., as instalações de Venâncio Guimarães. Na praia, pescadores lavando as redes de pesca no local que normalmente aos fins de semana no verão era invadido pelos banhistas.

2ª foto: Eu que nasci e vivi em Moçâmedes já me havia esquecido que era assim tão farto o mar de Moçâmedes... Nesta foto, tirada nos anos 60, uma traineira da pescaria de João Duarte, na Praia Amélia, acabara de chegar da faina, e dela haviam sido retiradas toneladas de carapau destinadas à indústria de farinhas e óleos de peixe.

3ª foto: Esta foto retrata o momento da preparação do pescado no interior das instalações da pescaria de João Duarte, na Praia Amália. Trata-se da fase da escalagem do peixe destinado a salga e seca, em que o peixe era metido nos tanques que aqui vemos e cobertos de sal para posteriormente partirem para a secagem em giraus. Para a salga e seca de peixe eram geralmente destinadas as espécies mais nobres como era o caso das corvinas, cachuchos, tico-ticos, taco-tacos, mermas, mariquitas, sargos, ferreiras, etc. A maioria das espécies capturadas pelas traineiras eram fundamentalmente à base de sardinhas, carapaus e cavalas, as espécies menos nobres que eram destinadas à elaboração de farinhas e óleos de peixe. A partir dos anos 50 as fábricas de farinhas e óleos de peixe eram já totalmente mecanizadas . Antes o peixe era retirado das traineiras manualmente,ou seja, era colocado em enormes baldes feitos a partir de tambores galvanizados de 2ool que haviam servido para o transporte de gasolina após a necessária a
daptação para o efeito. Estes baldes ou meios tambores eram munidos de cordas e retirados das traineiras com a ajuda de um pau de carga munidos de moitões ou cadernais para facilitar a operação. Com a mecanização, a descarga das traineiras passou a ser efectuada através de chupadores que conduziam o peixe para caleiras sem-fim para ser triturado, cozido, secado, moido e finalmente transformado em farinha de peixe que era automaticamente pesada e ensacada. Quanto ao óleo de peixe este era separado das águas por decantação e embalado em tambores de cerca de 200 litros enquanto as águas remanescentes eram conduzidas para o mar. As farinhas de peixe, devido ao seu alto valor proteico, eram exportadas principalmente para rações para animais, sendo os EUA o principal importador. Os óleos de peixe eram exportadas para a industria de sabões, etc., sendo também EUA o principal importador.

Para saber mais sobre a industria de Pesca no distrito de Moçâmedes:
Fotos do livro «Recordar Angola» 2.vol
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Moçâmedes

Moçâmedes!
meu berço,
Minha terra e terra de peixes encarnados,
Disse assim meu pai
na MUSA FERIDA,
Poesia que lá se vai
Em S. Tomé perdida
Entre uma «guerra» e outra «guerra»...

Terra do Namibe
Lá onde a chuva não cai
nas areias escaldantes
E no mar que encerra em si próprio o céu azulado,
E que vem e vai
Na sua praia,
Onde correm caranguejos de terra.
Terra do atum e do pungo
E de imensas pescas,
Onde o mar em braza
É espelho do sol radiante,
Que amorena mais corpos fêmeas de donzelas
De Riquitas Bauleth,
Lembrando as gazelas do deserto do Calahari

De porte elegante,
Quando rompe o dia

Nas manhãs e tardes frescas

Tapada das Mercês, 06 de Outubro de 2002
Carlos Caldeira de Victória Pereira

1 comentário:

It's now or never... disse...

Engraçado... aos poucos vou conhecendo as minhas origens! :)

João Duarte é o meu bisavô.

Que orgulho!!!

Adorei o artigo! Parabéns.

Sara Duarte

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