29 agosto 2007

Alunos e professores: Escola Com. e Ind. Bartolomeu Dias - Porto Alexandre
























































1ª foto: Entre outros Renato,?,?, Zanga Sancadas, Jerónimo, António Júlio Bastos, Psota, , ?, Leopoldo, ?, Guerra, Prof Manuel Lopes Henriques, Jota Jota, o Prof Chicharro, Prof Palmira? , José João...
1973-74.

2ª foto: Alunos da Escola Com. e Ind.
Bartolomeu Dias : ?, Yolanda, Prof.Eurico, Prazeres, Profª.Marrão, Julieta, Lurdes França, Leopoldo.

3ª foto: Finalistas da Escola Comercial e Ind. Bartolomeu Dias- Porto Alexandre. Em cima e da esq para a dtª: ???, Renato, Jota Jota, Prof Barreto, Teacher, Prof Eurico, ? , Jeronimo, Psota e Lemos.
Em baixo e da esqª p/dtª: Zanga Sancadas, João Toucinho, Kady, Jorge, António Julio e Leopoldo. Ano 1972/73

4ª foto: Alunos da Escola Com. e Ind. Bartolomeu Dias de Porto Alexandre.
Em baixo, da esq para a dt: Zanga Sancadas, (?), Vasquinho,(?), Renato, Leopoldo e Kady.
Em cima: ?,Marçal,?,João Toucinho, Mansinho, Pessanha (meio encoberto) e Mutchada: e ainda Domingos DannyKey, Belbuto, Mandinho , Mario Zé, Lemos,e o Reginaldo Bodião e ainda entre outros: Diamantino, Joãoznho, Beto Bodião....
Só uma nota para terminar. Alguns destes nomes poderão estar enganados. Não conheço toda a gente, e foram-me fornecidos por várias pessoas que conheço. Por favor, se detectarem algo errado, peço-vos que não critiquem, mas colaborem no local destinado aos comentários. MT OBG.


















5ª foto: Professores da Escola Com. e Ind. Bartolomeu Dias - Porto Alexandre.
De cima para baixo - Esperança Traguedo (ao centro), António Ferreira e Neves -Palmira (de óculos escuros), (?), (?),Pdre Pinto Lobo (falecido), João Manuel (Chicharro) e Albano -Céu Nogueira (esposa do prof.António), (?) - (3ºdegrau)- Natália, Adélia Clara (EU), Mª Batista Paulo -(2ºdegrau)-MªRosário (Zarita) Marrão, MªAlbertina Coelho Estácio, Eurico Henriques e Padre Jaime Fernandes -(1ºdegrau)-Anabela Lara, António Machado(o Director), Sameiro e Carlitos Alves (falecido)

VINHAM DO MAR CACIMBOS
( para o Neco )

vinham do mar cacimbos
refrescar tombuas sequiosas,
calemas, submersos vulcões
e helio-fornos
provar a fibra sibilina
de homens e mulheres
que agarram a vida
pelos cornos.
vinham pinguins escorraçados
de um país ao sul,
a preto-e-branco pintados,
ond’é ignara a soma
de todas as cores
que realiza o negro.
vinham navios, botes,
arrastões e palhabotes
encalhar nos fundões ao arear,
que o leteu namibe
conforma de grão a grão
para marcar que ali
só os filhos sabem navegar.

vinham coros boatados,
e as notícias de guerra,
e as guerras de notícia,

e do deserto a garroa colava
areia nos olhos ressudados.

admário costa lindo
7.06.2005


28 agosto 2007

Gente de Moçâmedes: a familia Tito de Gouveia

                                                                    
 


Nesta foto podemos ver uma família reunida, a família Gouveia: Tito de Beires Lopes Freire de Gouveia (pai) de pé, Cecília (mãe) e os três filhos, Abílio, Maria (à esq.) e Maria Augusta (à dt.).Abilio (à janela), era um excelente guia do deserto, filho de um outro guia, Tito, que trabalhava para a DTA, as antigas linhas aéreas de Angola.

Tito de Gouveia, pai, um dos pioneiros da aviação em Angola, foi quem pilotou a avionete que trouxe a imagem de Nossa Senhora de Fátima até nós, em 1948, no decurso da peregrinação por terras de Africa.



Em Angola, distrito de Moçâmedes, Tito Gouveia era fiscal de caça
 

Maria e Maria Augusta (as irmãs Tito, como eram conhecidas nos meios desportivos da cidade) foram pioneiras do basquetebol feminino na cidade de Moçâmedes tendo alinhado nos finais da década de 40, pelo Sport Lisboa e Benfica e mantido uma longa actividade desportiva, primeiro como jogadoras deste clube, e posteriormente integrando no Atlético Clube de Moçâmedes, onde viriam a terminar a sua carreira desportiva, já na 2ª metade da década de 50.
Pioneiras de basquetebol feminino em Moçâmedes
Maria Gouveia e MariaAugusta Gouveia (as irmãs Tito), por volta de finais da década de 1940   integraram a equipe pioneira de basquetebol feminino em Moçâmedes, o Sport Moçâmedes e Benfica. Como o Benfica na época não possuia nesta modalidade clubes competidores em Moçâmedes o clube teve que criar duas equipes femininas que se disputavam entre sí, uma vestida com camisolas brancas, outra com camisolas vermelhas. Esta foto representa uma dessas equipes, a das camisolas vermelhas e dela faziam parte: Em cima: Luciana Maia, Hélia Paulo. Maria Gouveia, Esmeralda Figueiredo e Maria Guerra Em baixo: Maria Augusta Gouveia, Olga Coquenão (Lola) e Ana Liberato.
Após o surgimento das equipes femininas pioneiras de basquetebol do Sport Lisboa e Benfica em 1944, deu-se um interregno, e só muitos anos mais tarde, no princípio da década de 50, surgiram com força e determinação as novas equipes femininas de basquetebol do Atlético Clube de Moçâmedes, do Sporting Clube de Moçâmedes e do Independente Clube de Porto Alexandre. O Atlético viria a beneficiar com a entrada de Maria e Maria Augusta na nova equipa.
 
O casal Abilio e Manuela Sena Costa

photo

Manuela Sena Costa nos seus tempos de solteira também chegou a integrar uma das equipas de Basquetebol feminino do Sport Moçâmedes e Benfica. Ei-la aqui integrada  neste conjunto, envergando a camisola n.9 . São, da esq. para a dt. Em cima: Isaura Aguilar, Alice Teixeira, Manuela Costa e Carla Frota. Em baixo. Ivone Bernardino, Carolina Frota 
Em Porto Alexandre,  Manuela Sena Costa ladeada pelas amigas Eduarda Carvalho e América Pisoeiro
Abilio e as filhas do casal, Isa e Neide

[casa+Titos+1.jpg]
                                                                         
Nesta foto, tirada no decurso de uma festa de aniversário em casa da família Gouveia, reconheço, entre outras/os, no canto à esq., Maria Augusta Gouveia com o pai, o Tito Gouveia por detrás, a mãe Cecília (ao centro), ladeada pelas duas netas, Isa e Neide, e logo atrás, Maria Gouveia
Aniversário de Neide (a menina que está a apagar o bolo), filha de Manuela Costa e de Abílio Tito de Gouveia, tendo a seu lado o irmão mais novo. Ao fundo, à dt de Maria Augusta Gouveia, sentado, de óculos encontra-se António José de Carvalho Minas (Tó Zé), rodeado das filhas Milu e ?  De pé, à dt, Isabel (Isa), então com 11 anos, tendo, na foto, à sua dt. a tia Isabel Maria Sena Costa (Belita) que confeccionou o bolo, e sentada a seu lado mãe Lurdes Minas (enfermeira).  Na foto encontram-se também Tozé, Leninha, e Riquito. Em frente a Maria Augusta  de pé, Cláudia (prima) e à esquerda Felipe e Vasco Sousa Coutinho, e os vizinhos e amigos de brincadeiras Ani Abreu, Manelzinho, o irmão Paulinho e o mais velho Julinho.

Pela data escrita podemos ver que se estava a passos largos a caminhar para o 11 de Novembro de 1975, dia da independência de Angola, o mesmo é dizer para a grande fuga de portugueses, angolanos brancos, mestiços e até negros, ainda que em menor número do território, onde já nesta altura os movimentos de libertação se degladiavam entre si na luta pelo poder, perante a passividade do exército português que, pelo menos até  ao arrear da bandeira lusa, deveria estar alí para assegurar, em paz, o momento da transmissão do poder, que se pressupunha, segundo os Acordos de Alvôr, vir a ser antecipado de eleições.

A 12 de agosto desse ano a familia Gouveia desembarcaria no Rio e nunca mais voltaria a  pisar terras de Angola. E assim Moçâmedes, hoje Namibe, ainda antes da data marcada para a independência, se despojou de mais de 90 da sua população de origem europeia. Os que persistiram, acabariam por debandar nos meses que se seguiram ao 11 de Novembro de 1976.

No blog do moçamedense Roberto Correia, ANGOLABRASIL, na parte que respeita a militares portugueses que esriveram envolvidos em campanhas em Angola  e que no do século XX optaram por não regressar à Metrópole, consta o nome do 1º Cabo de Infantaria Tito Lopes Freire Gouveia (Moçâmedes).

Clicar aqui: «album de fotos de desporto na cidade de Moçâmedes»
e aqui: equipe pioneira de basquetebol feminino do Sport Moçâmedes e Benfica.
E ainda, no UTUBE, este slideshow
Créditos de imagem: http://groups.msn.com/ComunidadeVirtualdeNamibe

Ver aqui :
O BLOG DA NEIDE

Gente de Moçâmedes



1ª foto
Da esq. para a dt.
? Nunes e Reis

2ª foto:
Da esq. para a dt.
Nesta visita a um navio de passagem por Moçâmedes no tempo qm que ainda não existia a marginal nem o cais comercial, reconheço, entre outras: Josefa do Ó. Faustino e Maria Monteiro.


2ª foto:
D
a esq. para a dt.
Em cima: Adriana Varandas(2),,,,, Soledade (10),,,,,, Artur Tarira(16)
Em baixo: no canto esq., os filhos de Adriana, Edna, Cidália e Adelino Teixeira, ....,,,,
NAMIBE

Chamavam terras desertas
Ou terras do fim do mundo,
Tinham pessoas abertas,
Amizades boas, certas,
Que calavam cá bem fundo.

Ainda tenho saudades.
mas de lá, quem as não não tem,
Espaços de liberdade.
E de muitas amizades,
Traídas não sei por quem.

Por isso choro em tristeza,
Às vezes com emoção,
Por ver tamanha vileza.
Sem um resto de nobreza,
Existente na nação.

Terras nobres, boa gentes,
E por Deus abençoadas,
Não vais ficar indiferentes,
Vão olhar tudo de frente,
Apesar de mal tratadas.

E assim encontrarão
Quem acabe aquela guerra,
Vai nascer uma nação,
Já com alma e coração
Voltará a nossa terra.

João Gonçalves Costa
01.01.2002

26 agosto 2007

Snypes e banhistas na baía e Praia das Miragens: 1956

























1ª foto: snypes da Mocidade Portuguesa na praia.
Foto do livro de Paulo Salvador »Era uma vez Angola»

2ª foto: snypes da Mocidade Portuguesa na baía de Moçâmedes

3ª foto: Neste foto, tirada numa manhã de domingo, no ano de 1956 , na Praia das Miragens, reconheço, de cima para baixo e da esq. para a dt:
1º (?) e Laurentino Jardim
2º Fintas, (?), (?), Costa (Caála) e Fausto Gomes.
3º (?), (?), Dito Abano (de óculos), João Manuel Jardim, Guilherme Jardim, os irmãos Rui e José Henriques Figueiredo (Rabigas), e Arménio Minas (à dt.).
4º (?), (?), Luis Mota, (?).

Ao fundo, podemos ver a falésia da Torre do Tombo. E na baía, vários batelões, alguns barcos de pesca, um gasolina e um palhabote.

Pintura de Tchitundu-Hulu, Namibe, Angola.







Pinturas de Tchitundu-Hulu, Namibe, Angola.

"São as gravuras rupestres do “Morro Sagrado dos Mucuisses” um dos mais belos conjuntos rupestres da Pré-História de Angola. Encontram-se num morro granítico, chamado Morro do Tchitundo-Hulo ou Tchitundulo, situado em Capolopopo, a cerca de 137 km, para leste da cidade de Moçâmedes, no deserto do mesmo nome, na sua faixa semi-desértica, área do posto administrativo do Virei e nas fronteiras da concessão do Karaculo, um pouco ao Sul do Paralelo de Porto Alexandre.

Estão estas gravuras em riscos de desaparecer, pelo empolamento, por acções térmicas, de uma camada superficial que depois se fragmenta. A interpretação e conservação das pinturas do Morro do Tchitundulo, embora difícil, torna-se, por isso, urgente. Encontram-se essas inscrições no grande morro granítico que dá acesso à chamada Casa Maior que se abre sobre a falésia em forma de anfiteatro. Quase toda – talvez mesmo toda – a grande pedra de granito por onde se atinge a base Maior encontra-se atapetada de gravuras. Qual a idade daquelas gravuras e daqueles desenhos? Há quanto tempo aquelas gravuras foram executadas no morro?

Em primeiro lugar, os fragmentos das gravuras executadas sobre as placas de granito, atestam a existência de homens sobre o Tchitundulo anteriormente à clivagem da rocha. Assim, a história geológica da região e do Morro pode vir trazer dados concretos para a história dos primitivos homens das cavernas do Capolopopo.


 No interior das Covas surgem as pinturas rupestres que se afiguram mais recentes, apesar do estilo ser deveras parecido com o estilo das gravuras.
Quem teriam sido os primitivos habitantes das cavernas?
Elementos da raça Mucuisse?
O problema da raça que habitou o Morro do Tchitundulo é de difícil solução.
De qualquer maneira os Mucuisses não têm a mais pequena ideia sobre quem pudesse ter sido o autor das gravuras, mas mantêm uma certa veneração pelo monte, afirmando que os círculos concêntricos gravados no Tchitundulo são os astros, principalmente, o Sol.



Em nenhuma outra estação de arte rupestre de Angola há tão grande número de desenhos, representações de pequenos animais, como os desenhos esquematizados do Tchitundulo.
Qual o significado daquele chacal no início da vertente norte do Morro?
Haverá alguma relação entre as figurações do Tchitundulo e uma vaga manifestação em relação a determinadas plantas?
Que profundas intenções descobriremos nas figurações cruciformes e alguns desenhos "radiográficos”?

 
Haverá qualquer semelhança entre alguns sinais da escrita Bamum (1) , em diversas fases da sua evolução e alguns desenhos do Tchitundulo?
Enfim, qual o significado, qual a finalidade, quais as intenções que teriam os autores das inscrições e pinturas rupestres do Morro Sagrado dos Mucuisses?" Alguma bibliografia sobre a Pré-História de Angola.(...)
Creditos: http://www.angola-saiago.net/cuissis2.html 

Existem referências às pinturas rupestes de Angola: Tchitundo Hulo e filho de Tchitundo Hulo: Um artigo de Henri Breuil e António Almeida, "Das gravuras e das pinturas rupestres do deserto de Moçâmedes (Angola)", in Estudos sobre Pré-História do Ultramar português, vol 2º, Lisboa, Junta de Investigações do Ultramar, 1964. Essa antiga Junta de Investigações do Ultramar chama-se actualmente Instituto de Investigação Científica e Tropical. O artigo contém texto e fotografias a preto e branco de pinturas, consideradas do Paleolítico e Neolítico efectuadas por povos anteriores aos bantos e pode ser consultado no Instituto ou na Biblioteca Nacional ou outras que tenham depósito legal (até no Rio de Janeiro, no Real Gabinete de Leitura). Há muitos livros de Etnologia e História publicados por esta antiga Junta, escritos por etnólogos, missionários, geógrafos ... com a linguagem colonial mas ricos em informações. 



Noticia recente sobre estas «grutas alvejadas involuntariamente por chineses»:
http://portal.correiodigital.info/noticias.php?idnoticia=5786


VIDEO

14 agosto 2007

Jovens estudantes de Moçâmedes: Décadas de 50 (meados) e 60


 
1ªfoto:
Nesta foto, tirada na década de 60 a um grupo de rapazes reconheço, entre outros, da esq.para a dt.:
Angelino Martins, Fragata, Henriques, João Manuel Jardim, (?), Calita Maria Inácio Cabral Vieira e Modesto

2ª foto:
Nesta foto, tirada a um grupo de raparigas, estudantes da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes no ano de 1957, reconheço , entre outras, de baixo para cima e da esq. para a dt.:
1ª fila: Emilia Alves (Milocas), irmã da Boneca e Simone
2ª fila: ?, Julia Minas, Zelda Ferreira da Silva, ?, Marialia Matos e Claudia Guedes
3ª fila: Boneca, Rosália Bento, ?, Didi Minas, ?, Professora Edwige, Irene Barata, ?
4ª fila: ????? Claudino Alhinho (anocentro)
, ?,?
5ª fila: ???? Aldorindo, ? Carlos Jardim e ?

12 agosto 2007

Salão de Fotografia do Mar : 1973





























Um amigo meu teve a gentil ideia de me enviar um catálogo relativo ao «1º Salão de Fotografia do Mar» (1973), realizado na cidade de Moçâmedes pelo Grémio dos Industriais de Pesca do Distrito com o fim de promover a cultura da fotografia relacionada com a natureza marítima e suas actividades, aproveitando a celebração do 123º aniversário da chegada à Baía de Moçâmedes da 2ª Colónia de Povoadores Portugueses oriunda do Brasil.
Desse catálogo, resolvi colocar aqui, a capa, uma foto do mar de Moçâmedes com traineiras a sulcá-lo e
este belo poema do poeta moçamedense, Angelino da Silva Jardim, que vem colocado na página central:

O Mar!

Bate o mar!
Ressoa nas cavernas do meu peito!
Velho monstro a rosnar
Raivoso e eternamente insatisfeito!

Atira-se, impensado, na vertigem
Da sanha que o devora!
Os seus gestos não fingem!
Sinto a sua verdade quando atingem
A alta penedia onde o meu sonho mora!

Eterno revoltado
Inconformista e louco,
Ergue o possante dorso musculado
E atira à rocha o grito fero e rouco!

E dia e noite fora,
Na sua danação – minaz desesperança –
Luta, esbraveja, escuma a toda a hora;
Grita, tressua, salta e não se cansa!

Arrasta atrás de si, na mesma fúria louca,
A força incontrolável das marés!
E rindo e praguejando escancara a boca,
Arrepela o cabelo e escarva com os pés!

...............

Na penedia alta,
Onde o meu sonho mora,
O velho mar que salta
É a minha razão de toda a hora!

Angelino da Silva Jardim

Jornal o COMÉRCIO: Diálogo (imaginário) com Angelino Jardim: poeta moçamedense


.


















Chegou-me às maõs o 2º caderno do Jornal O COMÉRCIO, editado em Luanda no dia 4.8.1970, e dedicado à passagem do 121º aniversário da cidade de Moçâmedes, com este interessante diálogo (imaginário) com Angelino Jardim. Por se tratar de um poeta moçamedense, considerado por aqueles que conhecem a sua obra, como um dos valores mais autênticos da poesia angolana, (lamentavelmente ainda desconhecido do grande público), resolvi digitalizar esta parte do referido caderno e colocá-la aqui.
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Os poemas que integraram o diálogo:

CÂNTICO

Bendito seja quem te visionou
Aquém do grande mar,
E, escorraçando medos te encontrou
E sorriu ao teu virgem despertar!

Bendito seja quem te abriu o seio
E nele fecundou o gosto pela vida!
E misturou o trigo e o centeio
Com o maná da terra prometida!

E quem te deu a vida incondicionalmente,
Só pelo gosto puro de ser teu;
E quem por ti lutou e o sangue quente
Por ti feliz verteu!
E mais sincerasmente:
BENDITO SEJA QUEM POR TI MORREU!
..................................................................................
Bendito seja quem te pôs a água
No seio do deserto a arder em mágoa!
Bendito quem te deu cravos e rosas
E carnes sãs e frutas saborosas!
..................................................................................
Bendito quem te deu as velas brancas,
Os risos claros e as almas francas!
..................................................................................
Bendito seja quem te abriu as ruas
E que te fez linda como virgens nuas!
..................................................................................
Benditos sejam todos os que lutam,
Os que aqui vivem, sofrem e labutam,
Pioneiros do Sonho e da Verdade!
Benditos sejam todos! Que o meu grito
Repercuta sonoro no infinito
E faça eco em Deus na eternidade!

(Angelino da Silva Jardim)


 
ENCONTRO

Velho Mar,
Aqui me tens, de novo e por inteiro,
No gosto de rimar
E de me embriagar
De sal... de sol... de sul... e nevoeiro!

Funda saudade foi a que me trouxe,
Presa dentro de mim
Como o eco sem fim
Da tua voz salgadamente doce!

Nos recessos ocultos da minha alma
Sopra o leste da antiga inspiração,
Que encrespa a onda calma
Da tua sempiterna agitação!

E vislumbrando, ao longe o assomo da calema
Que faz ranger os mastros no convés,
Dou forma, vida e cor ao meu poema,
-Marinhos versos que te são fiéis!

E sinto na extensão das minhas veias
Onde, em contínuo anseio, o sangue estua e salta,
O pronúncio das grandes marés-cheias
Que hão-de trazer à praia a rima que me falta!

De novo, pois, fraternalmente unidos,
inundo-me de paz e imensidade,
Sentindo refluir nos meus sentidos
A onda...a espuma... os longes...e a saudade!

(Angelino da Silva Jardim)
.............................................................................
Poema seleccionado para o CATÁLOGO do 1º Salão de fotografia do Mar, realizado na cidade de Moçâmedes pelo Grémio dos Industriais da Pesca do Distrito, tendo como finalidade promover a cultura da fotografia relacionada com a natureza maritima e suas actividades, aproveitando a celebração do 123ª aniversário da chegada à baía de Moçâmedes da 2ª. Colónia de Pescadores Portugueses oriunda do Brasil.
O Salão esteve patente ao público na sala de exposições da Associação Comercial, Industrial e Agrícola, em Moçâmedes das 17 às 20 horas de 26 a 30 de Novembro 1973.

MAR ALTO

Ir mar em fora,
Ao sopro de ligeira e doce brisa,
Quando mal rompe a aurora
E o dia é só pronúncio e a hora se eterniza!

Sentir a alma cheia
do frio ar salino,
Livre de toda a areia
do mísero destino!

E como um deus antigo
-Desses que só existem por sonhados-
Dar ao perigo
A proa, sob os ventos admirados!

E ir e navegar!
E ser feliz,
Sem nunca achar
Nem porto, nem país!

(Angelino Silva Jardim)

11 agosto 2007

Desfile de carros alegóricos na Avenida da Praia do Bonfim, em Moçâmedes (ex-Namibe) no Carnaval de 1955

O Carnaval de 1955 foi especial. Nesse ano até houve um desfile de carros alegóricos (Corso), no qual concorreram mais de uma dezena de carros, como se pode pelas várias fotos aqui colocadas.

1ª foto:
Este bonito, se não o mais bonito carro alegórico do corso, representa o Grupo Desportivo do Banco de Angola. Repare-se no requinte dos enfeites floridos, nos tufos de papel de seda, na espécie de trono onde as raparigas se encontram sentadas, nas figuras da frente, etc, etc...
Das participantes no corso, apenas reconheço Maria Amália Duarte de Almeida e Lita Ventura, para além de alguns elementos do simpático e brilhante conjunto musical «Os Diabos do Ritmo»: Lito Baía, Frederico Costa, Albertino Gomes e Marçal. Faltam aqui o Bio Aquino (pianista) e o Sereeiro, pelo menos.

2ª foto: Nesta foto, podemos ver o carro representativo do Ginásio Clube da Torre do Tombo passando junto ao edifício dos CTT de Moçâmedes. Por curiosidade, este carro foi construido na Torre do Tombo, na garagem da casa de Olímpio Aquino, sita na Rua da Colónia Piscatória, junto à estrada para a Praia Amélia, e na sua construção colaboraram, entre outros, Eurico e José Arvela. De entre as raparigas intervenientes no desfile, na sua maioria pertencentes ao time de basquetebol feminino daquele clube, reconhece-se, da esq. para a dt: M. Nídia Almeida, Eduarda Bauleth de Almeida, Ricardina Lisboa, Celísia Calão, Manuela Bodião, Salette Braz (não jogadora) e Francelina Gomes. De entre os rapazes, reconhece-se : Osvaldo, Óscar, José Guedes Duarte (Zézinho), Eurico...
Fotos do meu album.

10 agosto 2007

A Educação em Angola: Escola 49 de Moçâmedes (1944/45) e demais escolas e colégio



Alunos e professores da Escola 49, por volta de 1944/45. Reconheço, entre outros, de baixo para cima e da esq. para a dt:

1º fila: Cambuta, Túlio Parreira, Magalhães Monteiro, Jorge, Beto de Sousa, ?, Orlando Figueira, ?, ?.
2ª fila: Serafim, Renato Veli, ?, ?, ?, Manuel Cruz, ?,?,?,?,?.
3ª fila: Castro, Alexandrino (Dino), ?, Neco Mangericão, ?,?, Guilherme Jardim, Bispo D. Daniel, José Manuel Frota ?, ??? e mais à dt. Sarmento
4ª fila: Professor Canedo, Padre ?, professor Vieira, Padre?, Costa, Julia Jardim, Esmeralda Freitas, .?.?. professora D. Aline de Campos, professora D. Berta e professora ?
5ª fila: ????? Julia Gomes.

Por esta altura D. Daniel Gomes Junqueira deslocara-se a Moçâmedes, onde visitou, entre outras escolas da cidade, a Escola 49, situada à época na Rua Calheiros, a 100 mts da Escola Portugal ou Escola N. 55 de Fernando Leal, e a uns a 30 mts da primitiva cadeia, onde reuniu todos os alunos e professores para esta foto que ficou a marcar o momento para a posteridade. D. Daniel havia sido nomeado bispo da Diocese de Nova Lisboa (1940-1970), criada nos termos do Acordo Missionário de 1940, em simultâneo com a Arquidiocese de Luanda e a Diocese de Silva Porto, para as quais foram nomeados D. Moisés Alves de Pinho para Arcebispo de Luanda, e D. Ildefonso dos Santos, para Bispo de Silva Porto. Da Diocese de Nova Lisboa fazia parte Moçâmedes, Sá de Bandeira e Benguela em desdobramento da de Nova Lisboa.


O edificio primitivo onde ficava a Escola 49, e que aqui se vê, era um edifício antigo situado na Rua Governador Calheiros, próximo da Escola Portugal, ou Escola 55 de Fernando Leal, e da cadeia antiga, que passou a ser ocupado pela Cooperativa de Consumo dos Funcionários Públicose por já não possuir as condições mínimas exigídas para o nº de alunos que a frequentava, e assim sendo na década de 1950, a Escola acabou por se deslocalizar para um local próximo do Bairro da Facada, em edifício construido para o efeito.

Na década de 1950 de acordo com um plano quinquenal estabelecido pelo Governo para Angola, Moçâmedes foi dotada com várias edifícios públicos, e o nova Escola n.49 foi um deles. Ficava em frente ao bairro da Facada e do Bairro Maria da Glória onde havia por perto uns tamarineiroscujos frutos (Tamarindos) faziam as delícias dis alunos no intervalo das aulas. As traseiras davam para a rua Governador Mata, a rua onde ficava a Praça (mercado), o Colégio... etc.


Nos anos 40 e seguintes havia as seguintes escolas primárias em Moçâmedes (cidade): 
 1. Escola 56 de Pinheiro Furtado  
 
 A Primitiva Escola 56 de Pinheiro Furtado nesta altura com as velhas instalações já em  decadência, no início dos anos 50, e com gente a habitá-la...
 



Era uma escola de madeira de tipo colonial com varanda a toda a volta, construida sobre pilares (tipo palafita) , uma construção interessante digna de ser preservada o que não aconteceu. Ficava na Torre do Tombo, entre o chamado "Bairro Feio", o do edifício de 1ºandar amarelo, propriedade do Padre Almeida, e a Padaria do Esteves. Em frente a esta Padaria e à Escola existia um chafariz, numa elevação era seguida de um grande depressão no terreno, hoje preenchida com terra . Era nesse chafariz que nesse tempo em que não havia ainda água canalizada na Torre do Tombo, as pessoas se forneciam de água. Foi director desta Escola, antes de se transferir para novas instalações, em 1951, o Professor Duarte, e aí leccionou, nos ultimos tempos, a professora Laura, esposa do Enfermeiro Rodrigues. 

Garotas da Escola n. 56 de Pinheiro Furtado, no Bairro da Torre do Tombo, São, da esq. para a dt. Atrás: Luisa Bagarrão. Lili Gois Teles, Lidia e Vitória Rosa. à frente: Victória Franco, Zazá Almeida, Guida Franco, e?


 
Garotas da Escola n. 56 de Pinheiro Furtado, no Bairro da Torre do Tombo,da esq. para a dt. Atrás: Zazá Almeida. Zelda Ferreira da Silva, Graciete Bagarrão. Guida Franco Betinha Bagarrão e Madalena Seixal. à frente:  ?Seixal, Mª Augusta, Victória Franco, Aprigio, Lidia, Victória Rosa, Claudete e?
   

 Garotas da Escola n. 56 de Pinheiro Furtado, no Bairro da Torre do Tombo,da esq. para a dt. Atrás:
?,  Fernando Matias. Maria do Carmo Domingos, ? e Eduarda Vicente. À frente: Carlos Ferreira (Miroides), Manuel Eugénio (Cocas) Ferreira da Silva, Miga Calão e Dudu Ferreira da Silva. 
 A nova Escola N. 56 , de Pinheiro Furtado, na Torre do Tombo, alunos e o Director José Duarte
As novas instalações da Escola 56 de Pinheiro Furtado passaram a ficar em local próximo da Torre do Tombo perto da zona onde foi  construida a Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique. 



2. Escola 55 , de Fernando Leal , ou Escola Portugal.
  

 
Prof. Julio Soares Marques (foi director da Escola Portugal ou Escola 55),


Grupo de alunos e alunas . com a professora Berta, na escadaria da Escola Portugal, ou Escola n. 55 de Fernando Leal. Reconhecem-se alguns rostos nesta foto dos anos 1940. Em cima á dt, Aninhas Gouveia;  A meio à dt: Eduarda Malaguerra  e  Lena Freitas (Barata).  Em frente , à esq. Calila Rodrigues. Sentadas a meio, a Dina Ascenso e a Cecilia Victor.
Na Escola Portugal, nos anos 1950, com professor Marques.
 

A Escola Portugal reunia alunos de todas as Escolas , incluso secundárias, que iam ali fazer os seus exames

 

Esta era a escola Nr 49, enquanto na rua Governador Calheiros, ao lado da Escola Portugal, num prédio perto da cadeia antiga, Esta Escola na década de 1950 foi transferida para um novo edifício lá para os lados do Bairro da Facada.

De nível secundário, liceal e técnico profissional Moçâmedes contava com a  Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes,  que passou a intutular-se Escola Comercial no inicio da década de 1950, e mais tarde  Escola Comercial e Industrial. Por fim Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique. Na Rua da Fábrica o Liceu Almirante Américo Tomás perto da rotunda Radich Junior, esta instituição apenas a partir de 1961.

 Alunas do Colégio das Doroteias de Moçâmedes, Anos 1950

   Alunas do Colégio das Doroteias de Moçâmedes, junto das novas instalações, enquanto em construção. Anos 1950


4. Colégio das Madres Doroteias 


Colégio de Nossa Senhora de Fátima ficava em frente ao Parque Infantil , e foi construido no final dos anos 50. Na década de 1950, este Colégio teve por Directora a Madre Paiva Couceiro , filha do Governador Geral de Angola Paiva Couceiro . Foi a 2ª Superiora Directora . "...A primeira foi a velhinha e paciente Madre Arraiano. Tantas , boas e amigas freiras nós tivémos, ainda hoje recordam as antigas alunas ...! Não raro ouvi-las recordar também a "terrível " Madre Torres , a bondosa Sister, sua companheira de bola no jogo das "queimadas"; a Madre Moita ; e muitas , muitas outras ".
 Foto em dia de Comunhão, em Moçâmedes. Podemos ver aqui um grupo de crianças junto do Bispo e de duas Irmãs da Doroteias, creio que no interior do novo Colégio de Nossa Senhora de Fátima. Deste grupo de crianças maioritariamente africanas, 5 europeias.  Não consigo concluir se se trata de num sector de ensino gratuito e correspondente ao das Missões, a funcionar no Colégio.



5. "Casa de Santa Filomena"
Antes o Colégio de Nossa Senhora de Fátima funcionava numa casa enorme, ao fundo da Avenida da República, a caminho da estrada da Águada , perto estação de Rádio dos CTT ,frente ao Campo de Futebol antigo. Este edifício, bastante antigo, pode ser visto em postais de finais do século XIX, de uma época em que ainda não existia a Estação do Caminho de Ferro, mas já se via por perto o edifício de estilo colonial, do Cabo Submarino, e o Matadouro Municipal, este daqs mais antigas construções de Moçâmedes. Por perto ficava também a "Casa de Santa Filomena" , construção de estilo colonial, em madeira, e com varandas a toda a volta, onde a professora D. Aline, da parte da tarde ministrava o catecismo. Ficava num recindo de terra batida, próximo do velho campo de futebol, também ele de terra batida, ao fundo da Avenida da República. Ao lado ficava um dos mais antigos edifícios da cidade, o Madouro Municipal (este uma construção que diremos ser mesmo pioneira da fundação, com um desenho original, onde na parte que ficava ao ar livre se metiam os bois destinados ao abate, e vem referida em livros bastante antigos. Há relatos de em tempos recuados irem ali hienas durante a noite em busca de vísceras de bois.) . Era alí que D. Aline, gratuitamente, dava aulas de todo o tipo aos alunos mais necessitados da terra que frequentavam o primário, formando-os para a vida, como testemunham os que viveram aquela época. Com D. Aline, tudo era gratuito , inclusivé a alimentação . Ela conseguiu um subsídio da C.M.M. para este fim ,e também era muito ajudada por amigos . A cidade como prova de gratidão deu o seu nome ao Parque Infantil, num gesto de reconhecimento pelos serviços prestados, e concedeu-lhe a medalha de honra da Cidade.

D. Aline Marques Campos Rodrigues dos Santos exerceu durante décadas em Moçâmedes, o professorado primário, tendo abrangido várias gerações de alunos e os marcado a tal ponto que ainda hoje, passados que foram mais de 70 sobre esta foto, muitos daqueles que foram seus alunos e alunas falam com carinho da veneranda senhora. Como professora na Escola Portugal, começou a leccionar a partir de 1918 o ensino das Primeiras Letras, foi professora de minha mãe, que frequentou o primário entre 1919 e 1922, e dela sempre ouvi a seu respeito os mais rasgados elogios, dirigos tanto à sua competência como à sua bondade, seguidora que era dos princípios humanistas do Cristianismo, que procurava incutir nos seus educandos. Nasceu na Freguesia de Cabanas de Viriato, Viseu - Beira Alta, a 13 de Novembro de 1891. Fez o Curso do Magistério Primário na Escola Normal de Coimbra, terminando com a classificação de dezassete valores. Ainda em Portugal, mas já destinada aos quadros de Angola, no ano de 1918, foi nomeada para exercer o professorado do Ensino Primário em Moçâmedes. Apresentou-se na Escola Portugal, a Escola Primárial Nº 55 de Fernando Leal, hoje denominada do "Pioneiro Zeca", no dia 2 de Abril de 1918, e começou a leccionar a 1 de Maio de 1918, no "inicio do cacimbo" * , de acordo com a antiga calendarização que permaneceu até meados de 1950. (*).

Era na "Casa de Santa Filomena" que D. Aline de Campos vivia na companhia de sua irmã Maria Amélia, e da mãe D.Olimpia, após a morte do marido, e quando enviuvou, em Moçâmedes, se já era católica ainda mais se agarrou à Igreja e à religião, tendo, inclusivamente, sido a fundadora da famosa "Casa de Santa Filomena". De início a Casa pertenceu aos Ingleses, proprietários da casa do Cabo Submarino. Era uma linda casa de madeira conhecida como casa de Santa Filomena , em virtude de D. Aline por ser sua devota de Santa Filomena . Infelizmente , e para grande desgosto de D. Aline , esta santa foi desclassificada pelo Concílio do Vaticano..


Na Escola N.55 de Fernando Leal, D. Aline foi contemporânea de muitos outros "ilustres mestres de escola", de entre os quais recordo os professores Júlio Soares Marques (director); Canedo; Maria da Conceição Borges (esposa do Dr. Borges, director da Escola de Pesca); Maria Alice Mendo Trigo; Lucilia Campos Rocha; Salomé Mendonça Torres; Abel Duarte; João Fontes; etc etc. A piedosa senhora aposentou-se em 23 de Fevereiro de 1957, e faleceu em Luanda, a 5 de Julho de 1971, aos 80 anos de idade, onde se encontrava a viver na companhia do seu filho, Augusto Carlos, engenheiro electrotécnico, que foi presidente da Camara Municipal de Silva Porto (Bié), posteriormente, Director da Junta de Electrificação de Angola.
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Professores do Ensino Primário:


-prof. Alina Marques Campos (prof. muito considerada, foi a última professora da Escola Feminina de Moçâmedes),

- prof. Martins, da Escola Portugal ou Escola 55 de Fernando Costa Leal

-prof. Freire da Escola Portugal ou Escola 55 de Fernando Costa Leal

-prof. Julio Sores Marques (foi director da Escola Portugal ou Escola 55),

-prof. Berta, (Escola 49)

-prof. Maria Simões, (Escola 49)

-prof Roque e esposa,

-prof. Canedo (Escola 49),

- prof. Laura Rodrigues (Escola 56 Pinheiro Furtado na Torre do Tombo),

-prof. Abel Duarte (foi Director da Escola N.56 Pinheiro Furtado na Torre do Tombo),

- prof Vieira , (Escola 49)

- prof. Maria Alice Bensabá Duarte de Ameida (Escola 56 Pinheiro Furtado na Torre do Tombo),

-prof. Maria Lucilia Campos Rocha (Escola Portugal ou Escola Nr. 55),

-prof. Maria da Conceição Borges (esposa do Dr. Borges, director da Escola de Pesca),

-profª Alice Mendo Trigo (Escola Portugal ou 55),

-prof. Auriza,

-prof. Maria Salomé Zuzarte de Mendonça,

-prof. Mercedes Campos de Menezes,

.prof. Carreira

-prof Matos

-prof. Elizabeth Marques Leitão, pprof. Gina Saavedra,

-prof. Maria do Rosário Gabriel dos Santos (Escola Portugal ou 55),

-prof. Berta (neta da 1ª),

-prof. Eulália Charneco,

-prof. Cesária Rosa Santos, prof. João Fontes e muitos outros...


Sobre a professora primária Maria Alice Trigo, da Escola 1955 Fernando Leal , Escola Portugal , enviaram-me os seguintes elementos que por achar que se encaixam aqui passarei a transcrever:

Sobre Maria Alice Trigo encontrei este texto: "...era natural de terras de Trás os Montes , Mirandela , e membro de uma família tradicional do norte do País , a famíla Mendo . Foi casada com com o Veterinário Dr .João Elias Trigo que deixaram Portugal rumo à nossa a Angola tendo chegado a Moçâmedes quase no final dos anos 30 e logo começaram a trabalhar, e a muitos e bons serviços à nossa terra; o Dr Elias Trigo , seu marido, na Inspecção dos Serviços Veterinários, tornou-se Director algum tempo depois, e veio a substituir o digníssimo Veterinário, Dr Carlos Carneiro, do qual recebeu preparação para o cargo de grande responsabilidade para a Indústria do Pescado de Moçâmedes e Porto Alexandre que iria ocupar, e que honrosamente exerceu por mais de 20 anos , com inteira dedicação à nossa terra. A professora Alice Trigo ali permaneceu até à saída de Moçâmedes, no início dos anos 1960. O casal Trigo teve duas filhas, Luisa e Marilia, tendo a mais velha, a Luisa, após ter-se formado em Lisboa, voltado para Moçâmedes , já casada , onde também foi professora. A professora Alice faleceu em Lisboa. Foi uma professora à moda antiga, bastante austera e exigente, naturalmente seguiu os hábitos da sua época que sua personalidade e instrução académica que recebeu, apurou. Era contudo uma óptima professora , respeitada , que legou aos seus alunos uma nobre conduta pelos valores do Ensino e Educação. Assim a recordam muitos dos seus antigos alunos." 
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Onde teriam sido ministradas as primeiras aulas do Ensino Primário de Moçâmedes ?
Como atrás ficou dito, naturalmente de início foi em barracões. Sabe-se que quando já existiam casas construídas a pedra e cal , algumas delas foram alugadas para funcionarem como escolas ; mas antes disso terá sido mesmo em barracões. Aliás, os habitantes do povoadoque de início se dedicaram à agricultura nas várzeas do Bero e Giraúl, e também ao comércio, viviam em feitorias onde as habitações eram, simplesmente, barracões levantados a "pau a pique" ,com coberturas de capim , caniços , palha e outras materiais muitíssimo rudimentares . Com o rodar dos tempos tudo foi melhorando. Sabe-se também que funcionou uma Escola Primária nas instalações do Palácio para alunos da Torre do Tombo. Também havia a Escola da Câmara Municipal. Mas isto foi lá muito para trás, na segunda metade do século XIX, e inícios do século XX.

Finalmente, gostaria de recuar ainda mais no tempo, ao tempo das primeiras aulas de Instrução Primária ...

Estas iniciaram-se em Moçâmedes após ter sido publicada a Portaria Nº 83 de 25 de Julho de 1849 , tendo sido nomeado para as ministrar, com a designação de "Mestre das Primeiras Letras", o 1º Sargento de Infantaria, José Inácio dos Reis, que, antes de poder exercer aquelas funções foi submetido a um exame para ser apurado se " se achava apto para o exercicio do magistério primário " 1849 foi o ano da fundação de Moçâmedes pelo primeiro grupo de pioneiros vindos de Pernambuco (Brasil), na Barca Tentativa Feliz capitaniada poelo Brigue Douro, e chefiado por Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, o director da Colónia, também professor, antes de partir, no Colégio Pernambucano (História). Não houve pois tempo a perder... Naturalmente ainda os colonos viviam no interior de grandes barracões que se ergueram naquela que conhecemos por Avenida da República, e que seria destinada a sala de visitas da cidade.

Quem na época avaliou o professor pioneiro foi o Major José Herculano Ferreira da Horta. que veio a ser o Governador do Distrito, de 10 de Agosto de 1851 a 03 de Outubro de 1852, e considerou "assaz satisfatória" tal avaliação, ainda que não possuísse todos os conhecimentos que seriam para desejar a quem tivesse para o cargo do ensino da mocidade, como não deixou de reportar superiormente. Ao "mestre" foi fixada, para o ministrar das "primeiras letras", uma gratificação de 5.00 Réis/mensais, além do seu salário enquanto 1º Sargento. E tinha como "meta oficialmente estabelecida": organizar uma escola regular com duas horas de aulas de manhã e outras duas à tarde, onde os jovens do "sexo masculino" deveriam aprender a: "ler, escrever e contar, principios de gramática e doutrina cristã, todos os dias da semana, com excepção dos dias santificados e as quintas-feiras, quando não houvesse dia santificado na semana" (Boletim Oficial Nº 204 de 25 de Agosto de 1849).

A frequência dessas aulas - segundo documentação desse tempo -, terá sido "quase nula ", tendo em conta o número de alunos que as frequentaram no período de 1849-1952, e que oscilou entre 1 e 9 (o máximo conseguido), como consta de um mapa estatístico referido a Agosto de 1851. Por razões que não se detectam, a 31 de Janeiro de 1850, foi o 1º Sargento José Inácio dos Reis, primeiramente suspenso do cargo de Mestre (Portaria Distrital Nº 6), e, pouco depois demitido, sem que se consiga descortinar, qual a portaria e a data?! Tendo sido nomeado para o substituir naquelas funções o Professor Primário Alberto da Fonseca Abreu e Costa (Portaria Nº 198 de 23 de Julho de 1850), de que se demitiu (Portaria Provincial Nº 255 de 26 de Março de 1851). E essa função foi logo preenchida por um outro professor primário Francisco António Mesquita .(Portaria Provincial Nº 267 de 22 de Maio de 1851). De assinalar que, nesses poucos anos, exerceram funções de ensino primário somente esses ditos professores primários (um deles militar e em acumulação, apenas mestre escolar) consagrados aos jovens do sexo masculino , tendo sido o número de alunos (9) muitíssimo fraco. Não existem quaisquer elementos ou referências, no que concerne ao ensino primário feminino, apenas, existe, isso sim, a nomeação de uma professora do sexo feminino, de seu nome Joaquina da Conceição Mesquita, desconhecendo-se completamente (por falta de dados) se, essa referida Sra. alguma vez ministrou aulas primárias às meninas da nossa terra ?

A cadeira de mestra de meninas, em Moçâmedes, foi criada pela portaria ministerial de 16 de Abril de 1852, que autorizou a inclusão no orçamento anual da província da verba necessária para pagar o vencimento da respectiva professora. Havia então somente duas escolas femininas em Angola, Luanda e Benguela.

No dia 2 de Maio de 1866, em portaria assinada pelo governador-geral Francisco António Gonçalves Cardoso, foi confirmada a suspensão do cargo de professor primário de Moçâmedes ao P. António Castanheira Nunes, devido a comportamento altamente repreensível como professor de instrução primária e inteiramente desregrado como eclesiástico, tendo até já por isso sido suspenso de pároco pelo bispo da diocese e não convindo que continue no desempenho de tão importante serviço do ensino um semelhante funcionário. Aproveitamos a oportunidade para dizer que encontraremos este nome em lugares destacados do ensino, com reputação sólida de mestre competente, embora pouco dedicado à escola e aos alunos, chegando no entanto a exercer funções orientadoras de grande responsabilidade. Soube aproveitar a lição! Moçâmedes estava em maré de pouca sorte, pois na mesma altura foi suspensa do cargo a sua mestra de meninas, Ana Catarina Weyer, conf. portaria de 23 de Outubro de 1866, sendo a demissão aplicada pela portaria de 28 de Dezembro. No dia em que foi suspensa era nomeada para o seu lugar outra senhora, Guilhermina Bettencourt de Almeida, senso contudo curta a sua osupação visto que no dia 29 de Agosto de 1867 era nomeada outra mestra de meninas, já carácter definitivo e permanente, Maria José Ferreira, enquanto aquela era exonerada do cargo.

Moçâmedes tinha, por esta altura, segundo documentos oficiais, 1.211 habitantes, sendo 837 escravos 99 libertos e 275 indivíduos livres. Quanto a estes, havia 210 pessoas de raça branca sendo os demais, negros e mestiços. Luanda tinha, segundo informações referentes a 18 de Janeiro de 1856, o elevado número de 14.124 escravos; o comentador da situação dizia que era altamente desproporcional à população livre da cidade. O governador do distrito, Joaquim José da Graça, afirma no seu relatório de 1867 que no dia 11 de Janeiro daquele ano começou a exercer as respectivas funções o novo pároco, acumulando com elas o cargo de professor de primeiras letras. Deveria tratar-se do P. João Bento Gil Carneiro, pois é ele que assina os mapas escolares do final do ano lectivo. Este sacerdote exerceu durante pouco tempo o professorado professorado em Moçâmedes, dado fins de 1868 já os mapas eram assinados por outro sacerdote.

Por esta altura poucas vezes as funções de mestre e de pároco se sobrepuseram em Moçâmedes, havendo quase sempre dois sacerdotes nesta povoação. Em Dezembro 1868, os mapas referentes à escola de instrução primária de Moçâmedes foram assinados pelo P. Augusto Severino Freire de Figueiredo, sacerdote que foi alvo da atenção das autoridades, conforme portaria régia de 21 de Janeiro de 1874, assinada pelo ministro João de Andrade Corvo, onde chamava atenção do governador-geral e da Junta de Saúde para o facto de este missionário exercer ilegalmente a medicina, vendendo remédios da sua invenção, para além de ser autor do livro intitulado Manual da Medicina Ecléctica, em que aconselhava o uso de certas drogas da sua lavra. Recomendava-se expressamente que fosse aplicado contra este padre todo o rigor da lei. Em 23 de Abril de 1869 o ministro Latino Coelho comunicava que os produtos oferecidos pelo P. Augusto Severino Freire de Figueiredo e por ele coleccionados tinham sido enviados à Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, a fim de serem examinados, por haverem sido reputados como medicinais, em Angola. Solicitava-se que o sacerdote completasse a notícia, enviando informações sobre o uso terapêutico dessas substâncias, assim como a fórmula e doses em que eram aplicadas, para se fazerem as experiências com maior segurança e eficácia, ficando a conhecer-se o seu préstimo como medicamento. Nas informações necrológicas publicadas no Boletim Oficial de Angola pode ler-se que morreu tragicamente, em Moçâmedes, no dia 8 de Março de 1876, por afogamento que se dizia voluntário.

Além da escola para o sexo masculino, havia em Moçâmedes por aquele tempo, 1867, a escola de meninas, a cargo da mestra régia Maria José Ferreira. Era pouco frequentada, informa o governador do distrito no relatório a que já nos referimos. As aulas haviam começado no início do ano lectivo em curso e a concorrência à matrícula não fora grande. No tempo das outras mestras, a frequência não era maior. Quanto ao sexo masculino, a situação era mais agradável, o professor desempenhava com zelo as funções do seu cargo e os resultados obtidos eram satisfatórios. O governador lembrava sobre a exiguidade do vencimento anual de 120 mil reis, pago à mestra de meninas, em Moçâmedes, insuficiente para uma vida digna numa região das mais cara da Província, e defendia que os professores de instrução primária da vila deveriam receber mais que noutros lugares, ou construir-se alí casas mobiladas onde pudessem viver sem pagar renda. E que deveriam ser nomeadas para tal cargo somente pessoas com as necessárias habilitações, provadas em exame público, como no reino, e isso para ambos os sexos, e considerava ruinoso o quase inútil o que se estava a fazer, pela ausência de resultados face à despesa efectuada com a mestra régia. A professora deveria ser a esposa ou a filha (devidamente habilitada) de algum funcionário público, porque mais fácilmente poderia suportar despesas, dado o baixíssimo vencimento que o orçamento lhes destinava.


O relatório da visita do secretário-geral de Angola, Eduardo Augusto de Sá Nogueira Pinto de Balsemão, em Março de 1868, reforça em muitos pontos a opinião do governador do distrito. Em 14 de Novembro de 1866, foi remetido para Moçâmedes um estojo com material didáctico para o ensino do sistema métrico decimal, a se adoptado no território, substituindo os antigos pesos e medidas. Juntavam-se outros objectos auxiliares para a ministração das noções a divulgar. Em Fevereiro de 1868 foi remetida à escola primária de Moçâmedes, uma colecção de pesos e medidas decimais para que os alunos pudessem ter prática directa da sua utilização. Vinte anos antes tinha sido dado conhecimento de abusos em Luanda, que consistiam no uso de pesos e medidas diferentes, conforme se tratava de compra ou de venda. Talvez por isso, para que o mercado municipal funcionasse sem enganos ao comprador.


Em Moçâmedes, nas localidades e concelho do Bumbo, salientava Joaquim José da Graça, não havia então nem igreja nem padre, apesar de se tratar de uma população branca superior à da Huíla; não havia também nem escola nem professor de instrução pública. Era o pároco da Huíla que exercia a dupla função de missionário e de professor, mas vira-se obrigado a suspender-lhe a gratificação porque não dava aula por falta de alunos, motivada pelo desinteresse manifestado por aquele sacerdote. Este procedimento deu resultado, já que logo apareceram alguns alunos e a aula recomeçou a funcionar. Apesar de pouco, agradava poder receber a gratificação mensal por tal serviço. Na mesma altura, no ano de 1868, foi cortado o abono de vencimento de professor do ensino primário ao cónego Timóteo Pinheiro Falcão, por ter encerrado a escola primária que funcionava anexa ao seminário-liceu e que durante bastante tempo foi a melhor e mais frequentada da cidade. O P. Falcão não pode ser considerado pessoa sem merecimentos ou consideração social; como nativo de Luanda, foi um dos mais destacados elementos da cidade; tinha já sido membro do Conselho Governativo, em 1865, no final do primeiro período de governo de José Baptista de Andrade. Foi agraciado, nesse mesmo ano e por diploma de 24 de Janeiro, com o grau de cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, hoje extinta. FONTE

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Para que a memória não desvaneça, quero deixar aqui expressos alguns nomes de professores/as alguns dos quais ainda recordo, que no decurso dos anos e sobretudo entre 1940 e 1975 leccionaram na ensino Primário em Moçâmedes:


Recuando bastante mais atrás, por via de terceiros,  encontramos Alcina da Cruz Sampaio Nunes. Natural de Seia-Guarda, Beira Alta, nasceu por volta de 1893. Foi professora na escola primária do sexo feminino, em Porto Alexandre (Tombwa), nomeada a 1 de Junho de 1915 por alvará do Governador do Distrito, em substituição da detentora do lugar, Elisa Lopes e Faro, e por razões de que não encontramos dados, estava impedida de exercer. A 9 de Julho foi nomeada e tomou posse, para o exercício dessa mesma docência, tendo sido, posteriormente, confirmada neste cargo (24 de Janeiro de 1916). Era diplomada por uma das Escolas Normais Portuguesas, desconhecendo-se em qual delas ?, e terá concluído o seu curso do Magistério Primário. Por falta de elementos mais detalhados sobre a sua vida e acção escolar em Porto Alexandre (Tombwa), nada mais estamos em condições de avançar, aguardando eventuais acrescentos sobre esta professora e outros professores que por Moçâmedes cidade e Distrito leccionaram em épocas recuadas.
Para além do ensino público, algumas famílias de Moçâmedes recorriam ao privado, sobretudo na educação das raparigas em determinadas classes sociais. Foi assim que apareceu na vila a ilustre senhora católica, de origem irlandesa mas educada na França

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ENSINO PARTICULAR: Preceptoras

"... Para encerrar este capítulo, faremos referência muito especial a uma ilustre senhora católica, de origem irlandesa mas educada na França e cujo nome aportuguesado é Henriqueta Deehan: Miss Herriet (Herreeth) Deehan, pessoa de maneiras muito distintas, professora consciente da sua missão, dedicada ao ensino e invulgarmente culta. Viajara por diversos países da Europa, Ásia, África e Oceania. Residira na Inglaterra e na França. Exercera o magistério em Lisboa. Deveria ter-se fixado em Moçâmedes pelo ano de 1880, mantendo-se ali em 1894. Ensinava Português, Francês, Inglês, Geografia, História, Desenho, Música, etc. A sua escola era frequentada pelas jovens do sexo feminino das mais distintas famílias da cidade, mantendo-se ali até bastante tarde, algumas só saíam para casarem... No dizer de um inspector, era a escola que em Angola ministrava mais vasto programa educativo, rivalizando com as melhores de Portugal e mesmo da Europa! Preenchia, por si só, o lugar de muitas mestras, emprestando ao ensino grande seriedade e importância, insistência e intensidade. Os desenhos e bordados das suas educandas poderiam colocar-se a par dos mais perfeitos das exposições escolares realizadas em qualquer país! Embora, em regra, recebesse só meninas, aceitava algumas vezes, por excepção, alguns rapazinhos, mas exclusivamente quando eram irmãos das suas alunas. Preenchia só ela o lugar de muitas mestras. Manteve-se na cidade cerca de pelo menos quinze ano. O moçamedense António A. M. Cristão, no seu livro «Memórias de Angra-do-Negro Moçâmedes», no cap. II.4-EDUCAÇÂO, pg.221 refere que se devia. por altura de 1920, em parte, senão muito, à elite da época, constituida por um interessante elenco de Senhoras já dali naturais, que no exterior, e, especialmente em Londres, concluiram umas o curso de alta-costura, outras o do conservatório de música e dança, formação que, então, passaram a ministrar às jovens dali naturais. A beleza e o fino porte destas jovens encantavam todos aqueles com elas conviviam. Refere entre outras, Ema Zuzarte Mendonça, solteira, diplomada com o curso do Conservatório de Música de Lisboa, que em Moçâmedes até à década de 50 foi professora particular de Música. Era um tempo em que o cultivo dessas «prendas domésticas» faziam parte da educação de uma rapariga, e faziam as delícias dos seus admiradores... Mas a vida das mulheres mudou após a II Grande Guerra Mundial (1939-1945), com a entrada decisiva da mulher no mundo do trabalho, e abertura de outras perspectivas para as suas vidas. Até aí a maioria desempenhava no interior do lar o papel tradicional de esposas e de mães.221 :




MariaNJardim





(*) Era assim na época, porém, mais tarde (1954-1955) o início e final das aulas foi radicalmente alterado - Setembro a Julho do ano seguinte - por forma a coincidir com a abertura dos Cursos Universitários em Portugal, para que os muito poucos jovens de Angola que iam prosseguir os estudos pudessem ingressar nas faculdades sem perda de tempo Ou então, para que os funcionários públicos de Angola durante esses meses, pudessem demandar a metrópole nas sua Licenças Graciosas beneficiando das águas termais de climas mais privilegiados. Foi uma mudança de horários de prejudicou muita gente em favor de uma minoria pois obrigava os alunos estarem encerrados no interior de uma sala de aula, a transpirar, vestidos e cobertos pela bata branca, quando deviam estar na praia. Recordo que Rui de Mendonça Torres assinalou publicou em defesa dos alunos que em Angola tinham de permanecer e suportar estoicamente as aulas, exactamente em períodos de escaldante Verão, como consta de um brilhante e aceso artigo publicado nos jornais de Angola.