03 agosto 2007

Alunos da Escola Prática de Pesca e Comércio de: Moçâmedes (Mocidade Portuguesa): no Cabo Negro, anos 40











Foto, tirada junto do Padrão que foi substituir o original do Cabo Negro,  colocado no decurso da viagem de Diogo Cão 

Trata-se de um grupo de alunos e alunas da então Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, que se haviam deslocado ao Cabo Negro, no decurso de uma visitade estudo, no âmbito da Mocidade Portuguesa, como se pode ver pela farda que envergam os rapazes.

Entre os participantes, reconheço, de baixo para cima e da esq. para a dt.:

1ºfila: Amadeu Pereira, Carriço, ?, Beto de Sousa, Ferreira (Laranja), ?, Arménio Jardim? (o miúdo com a bola na mão à dt.) Mário Guedes
2ºfila: Mário Telmo Frota (Mariuca), Manuel Cruz, Mário Guedes, ?,?,?
3ª fila: ?,?,?,?,?, Jesus, Carlitos Alves (Cabinda), ?,
4ª fila ?,?, Àlvaro Fonseca, Guilherme Jardim, seguem-se senhoras, das quais só reconheço Manuela Bajouca a 3ª em cima e à dt. do padrão, e Leonor Bajouca, de branco, a penúltima senhora à dt., ?,?.

 
Sem atribuir qualquer significado político a esta foto (pois todos os jovens estudantes, na altura, eram obrigados a pertencer à Mocidade Portuguesa) , fica aqui mais uma imagem do passado, um passado não muito distante, pois ainda me lembro de ver jovens estudantes da Mocidade Portuguesa  desfilarem fardados pelas ruas da cidade por ocasiao de alguma visita  de entidades oficiais, nas comemoracoes do 28 de Maio, 1 de Dezembro e a chegada da imagem de Nossa Senhora de Fatima a Mocamedes,  no decurso de uma peregrinacao por terras de Africa.  Quer queiramos ou não, são factos que fazem parte da  nossa História e da Hsitória da nossa cidade, e , como tal,  têm que ser vistas e apreciadas em contexto.



Foto encontrada no espólio de minha sogra, após 30 anos passados sobre a data da independência de Angola .

Para saber mais sobre o Padrão do Cabo Negro recomendo este site: http://www.angola-saiago.net/cabon.html
......................

Do site de Aida Saiago, tomei a liberdade de transcrever aqui este texto:

O Cabo Negro


Um facto inegável que me tem ajudado a enriquecer este trabalho é a contribuição que recebo da família, de amigos, de e-amigos...

São os moçamedenses que mais têm colaborado. Reconhecidamente orgulhosos da sua terra, jamais perdem a oportunidade de dá-la a conhecer.... e está correcto! É quase uma obrigação de quem provém de uma cidade que tem por seus eternos companheiros, de um lado o mais antigo deserto do mundo, o Deserto do Namibe, do outro o mar, o Atlântico Sul...





“Um canto da nossa terra tão desconhecido e com tanta História.”



A frase faz parte do relato que me foi feito por Manuel João de Pimentel Teixeira sobre a sua ida ao Cabo Negro, no Sul de Angola, Província do Namibe, no passado mês de Julho deste ano (2003). O que me contou assim como as fotografias que me enviou do local sensibilizaram-me: foi-me dado conhecer, ainda que virtualmente, um local que é História. Chocou-me ver a destruição a que o símbolo que o Homem lá instalou há mais de 5 séculos tinha mais uma vez sido objecto. O símbolo que não diz respeito somente a Angola e a Portugal. Porque faz parte de feitos que mudaram o mundo. É, portanto, um símbolo que ultrapassa fronteiras, atravessa o Tempo.


Em Angola, a terra que nos viu nascer, passados que estão os tempos de ânimos exacerbados, de lutas fratricidas, deve também ter-se em conta que nem tudo o foi feito estava errado, nem tudo o que se faz é correcto. Assim foi e será sempre porque o Homem não é perfeito. Mas Deus concedeu-lhe a capacidade de discernir, de se sensibilizar. Se quiser, saberá que, se se aproveitar o que foi/é bom, deixando que a História faça o seu julgamento, o povo será o grande beneficiado, a nação será engrandecida.


E porque assim sinto e vejo “as coisas”, querendo partilhar as imagens e a mensagem do Cabo Negro, pedi e obtive a anuência do autor para aqui reproduzir o que me descreveu.


Importa, também, que recordemos o que a História nos relata sobre este local. As páginas finais desta crónica disso darão conta. Basear-me-ei na obra “O Distrito de Moçâmedes”, da autoria do Dr. Manuel Júlio de Mendonça Torres, edição da Agência-Geral do Ultramar, Lisboa, 1974 (reprodução fac-similada da edição de 1950). São dois volumes considerados o melhor e mais completo estudo sobre a história do Distrito de Moçâmedes, hoje Namibe.


Deve, todavia, ter-se em conta que esse escrito reflecte o pensamento da época, o sentimento de nação, de patriotismo, de posse de terra. Como já uma vez escrevi, as ideias e os ideais alteraram-se, a História re-escreveu-se. Não pode, todavia, modificar-se o que foi escrito e que, independentemente dos ideais de cada um, transmite ensinamentos preciosos.


Os dois relatos, infelizmente, não se completam, mas é preciso que se tome conhecimento de ambos. Na esperança de que se acordem consciências. Para que este símbolo possa um dia ser reconstruído.


Porque o Padrão do Cabo Negro tem inegavelmente o seu lugar na História da Humanidade!


Visita ao Cabo Negro - 27 de Julho de 2003


Estava muito cacimbo, a estrada de asfalto molhada e escorregadia. Uma viagem agradável e serena. O ar limpo e húmido. Pouco vento. Nas praias que cercam o cabo e nas suas proximidades, tudo vazio, sem vivalma.

Subimos ao Cabo Negro. É uma marca inconfundível. Visto de longe, a Norte, percorrendo a estrada batida de terra, depois de deixar o asfalto, na direcção do mar, assemelha-se a um barco de pedra, enorme, pronto a entrar no oceano, a meio de praias rasas, solitário.

O carro avança com calma, até um ponto a quase 3/4 da altura das rochas, pela areia. Chegámos. Dirigimo-nos pelo topo, a pé, na direcção do local do Padrão, bem acima do mar, no pequeno "plateau", ponto mais elevado, mas sem grandes socalcos.

Ao longe, mais a norte, a Rocha Magalhães, com as salinas que foram as mais produtivas de Angola. 

A placa de mármore cravada na rocha de formas estranhas, que se vê nas fotos, tem cerca de 50 cm altura por 60 cm de largura, e um corte em forma de ranhura funda como moldura, a dois centímetros das margens e podia ler-se ainda, mas com dificuldade, mas sempre do lado direito no fim da primeira linha,
                  em cima .................. oyses Pinho
                  no meio, ......................... Sagres.
          depois,


          mais afastada destas linhas, lia-se por baixo, ............ nove
As letras entalhadas, muito esbatidas já. A data mencionada talvez fosse de - ou por volta de - 1939, 1949 ou mesmo 1959. Será necessário confirmá-la, possivelmente em relatos escritos sobre alguma comemoração no local.

Qualquer coisa me diz ser possivelmente uma data dessas, não sei por que causa histórica, mas parece-me já ter lido algo sobre isso há muito tempo.....em criança talvez, até relativamente á Mocidade Portuguesa, á história de Gago Coutinho, ou de qualquer coisa assim. Creio até que foi Setembro, o mês do meu aniversário. Seria Dom Moises Alves de Pinho????? Cardeal, Arcebispo, creio eu!!!!!!

Para lá ir, pode chegar-se com o automóvel (4X4, obviamente), tirando-se algum ar das câmaras de ar dos pneus, de todos igualmente, para melhor se conduzir na areia, como se faz no deserto, e indo pelo Sul para a parte mais alta, em declive macio. Depois caminha-se bem a pé, sem qualquer problema, cerca de 50 metros.

Vasculho com os olhos toda a área... Vou-me aproximando e, como num filme, em zoom, tristemente confirmo o que jamais imaginei: encontro-me perante o que restou do Padrão de Diogo Cão. A sua história, todos a conhecemos, devidamente fundamentada e largamente difundida, para quem se interessa pela História da Humanidade.

O toco, deixado por vândalos da inconsciência e das paixões políticas levadas ao extremo, nada mais é que a sua base com cerca de 40 cm de lado por cerca de 25 cm de altura até ao chão, aonde se eleva, quebrado de Poente para Nascente, num ângulo de 50 graus, com 60 cm no ponto mais alto do corte. O tronco do Cruzeiro tem cerca de 24 cm de diâmetro.

Possivelmente foi construído com algum tipo de calcário granulado, como aliás se vê no Cabo Negro, e está muito desgastado pela acção do tempo.

Quando me propus visitar o Cabo Negro, que não conhecia, perguntei a muita gente, dali mesmo e de Porto Alexandre, se sabiam aonde era a cabeça do Diogo Cam, e ninguém soube informar-me. Foi a minha teimosia e a certeza de que o que o meu Avô escrevia era absolutamente EXACTO, que me fez e ao motorista Fernando, de Benguela, escalar pedras e a falésia, perigosa, e depois, por fim, decidir-me a ir por baixo, pela praia, até um ponto mais dentro do mar... mas não muito, quando há baixa-mar (não era baixa-mar na altura). Teimosamente, dizia a mim próprio: “Se o meu Avô disse e fotografou como sendo aqui, TEM QUE SER AQUI!” (Há os que, dizendo-se conhecedores da região, se referem à “Ponta Negra” como se fosse um outro local, muitíssimo mais ao Norte, e a Norte de Mossâmedes!)

Para se ver o "busto de Diogo Cam" ou a "cabeça de Diogo Cão", deve sair-se sempre duas horas antes da baixa-mar, a partir de Porto Alexandre - ou Tombua, como erradamente se lhe designa hoje aquela angra tão bela (o nome usado pelos habitantes do Deserto para designar a welwitschia mirabilis é tumbo) - pelo Sul e pela praia junto do Cabo, até aonde o carro puder ir, o que se faz sem problema, mas tomando-se sempre as devidas e acima mencionadas precauções, até uma distância de cerca de cem metros da ponta do cabo.

É claro que é necessário saber-se dirigir em areia, fugindo sempre das curvas muito apertadas - quanto mais largas melhor, pois numa curva fechada os pneus sem pressão poderão sair das jantes - e nunca forçando movimento algum, nem acelerando demais.

Instala-se o carro em ponto relativamente mais alto que as marcas da maré-alta anterior deixadas na praia, e desloca-se a pé, sem problemas, e como que em reflexão meditativa, até á base do Cabo Negro junto ao mar, pela praia molhada, na direcção Sul-Norte.

A chegada ás rochas da base é feita sem o mínimo perigo, até para crianças, - com cuidado para não escorregar ao subir ás rochas baixas - e tem-se a admirável visão que tantos outros antes de nós tiveram, maravilhados. O meu Avô, há 100 anos, inclusive, aquele apaixonado pelas terras que adoptou como suas, sem jamais haver regressado "à Metrópole" após ter vindo para Angola, concluído que teve o seu Curso em Coimbra e no Porto, e com toda a certeza, deleitado e sentindo-se sublimado também, como Diogo Cam ter-se-á sentido há 518 anos.
 E alguns poucos mais antes de mim, há menos tempo, mais recentemente, se é que tal viram. Era perigosa a descida, diziam. Mas há caminhos mais simples e menos abruptos. É preciso sabê-los. E saber ir em Paz.

Uma rocha única, uma obra natural, desconhecida como "arte" por África e pelo Mundo. Um ornamento natural para a História de Angola. Um monumento eterno.

É realmente um espectáculo, observar-se tanta simplicidade e tanta nobreza, trabalho imponente criado pela Mãe Natureza, esculpindo com o mar, com o vento e com as areias, nas marés calmas ou no mar irado, um símbolo tão belo, como que elevando o Homem acima do Mar e do Tempo.


Escrito aos 23 de Agosto de 2003, em Luanda



O Padrão Original (1485) e o de 1892





Reportagem Fotográfica da Visita ao Cabo Negro

Julho de 2003


Paisagem do Cabo Negro





Registos da Destruição do Padrão de 1892






O Busto de Diogo Cão









O que a História nos relata acerca do Cabo Negro

in “O Distrito de Moçâmedes”, de autoria do Dr. Manuel Júlio de Mendonça Torres.



No volume “Das Fases da Origem e da Primeira Organização, 1485-1859”, na sua introdução, intitulada “Abrindo...”, o autor escreve:

Início de citação

Primeira Parte – A História

“Estuda-se, na obra que vai ler-se, o movimento evolutivo do distrito de Moçâmedes na fase da sua origem e na da sua primeira organização.



( ...)

No período da descoberta, que tivera o seu começo em 1482, com a primeira viagem de Diogo Cão, um facto memorável há apenas a consignar na História do Distrito: - a continuação do reconhecimento da costa africana, encetado naquele ano, e a consequente colocação, em 1485, do padrão do Cabo Negro, sinal expressivo da descoberta e posse do território convizinho.

( ...)

D. João II, desde que subira ao trono, mostrara ardente e decidido empenho em levar a cabo dois grandiosos projectos, cuja realização, glorificando o seu reinado, alongaria extraordinariamente os nossos domínios de além-mar: a continuação das descobertas inauguradas sob os auspícios do Infante e o prosseguimento das conquistas empreendidas por D. Afonso V.

Em África, já a bandeira portuguesa tremulava, orgulhosa, nas fortalezas de Ceuta, Alcácer, Arzila e Tânger; Azamor rendia-se; e Diogo de Azambuja, acabava de fundar o Castelo de S. Jorge da Mina. As descobertas dos Portugueses, porém, só tinham chegado até ao Cabo de Santa Catarina, a 1º 52’ de latitude austral, visitada, em 1471, pelo navegador Rui de Sequeira.

Diogo Cão, a Sua Primeira Viagem e o Padrão de S. Jorge


Logo em 1482, um ano depois de ter assumido o governo, D. João II mandou Diogo Cão, seu escudeiro, prosseguir a descoberta para o Sul. Neste propósito, Diogo Cão partiu de Lisboa com duas caravelas, no fim daquele ano, acompanhando-o o notável cosmógrafo Martim Beheim, introdutor do uso do astrolábio na navegação e autor do afamado Globo de Nuremberg.

Diogo Cão descobriu a foz do Zaire, nesse mesmo ano ou no seguinte, e colocou, no extremo da margem esquerda, um padrão para solenizar a descoberta e atestar aos vindouros a posse, que tomava, em nome do Rei de Portugal, das terras contíguas. Este padrão, que denominou de S. Jorge pela particular devoção do rei ao santo do seu nome, foi o primeiro que os Portugueses levantaram como baliza de descoberta e senhoria dos territórios ultramarinos.


Os Primitivos Sinais de Descoberta

Os antigos mareantes erguiam cruzes de madeira nos lugares que descobriram, e entalhavam nos troncos das árvores a divisa do Infante Talent de bien faire. Estes sinais, porém, além de frágeis, não simbolizavam caracterìsticamente um direito nacional. E o padrão de S. Jorge, construído de pedra e comportando inscrições, era já um monumento duradouro e expressivo.

A Segunda Viagem de Diogo Cão e o Padrão de Santo Agostinho

Diogo Cão prosseguiu ainda a derrota ao longo da costa e erigiu, como sinal de descoberta e de posse das terras adjacentes, segundo padrão, o de Santo Agostinho, no Cabo de Santa Maria, a 14º 27' 15". Regressou em seguida a Lisboa, após dezanove meses de viagem, sendo-lhe então conferido o título de cavaleiro e concedida a tença anual de dez mil reais brancos.

Terceira Viagem de Diogo Cão e o Padrão de Cabo Negro

D. João II, animado do vivo desejo de que os portugueses alcançassem o termo da costa africana, ordenou a Diogo Cão uma nova viagem. Com este desígnio, o navegador voltou, em Abril de 1484, a singrar o Atlântico, e, tendo ultrapassado o limite atingido na primeira, colocou, em princípios de 1485, no Cabo Negro, a 15º 40' 30" de latitude Sul, já portanto na costa do Distrito, um terceiro padrão: - o chamado Padrão do Cabo Negro, outro sinal a evidenciar, perante o Direito, a descoberta e a posse, em benefício da Nação, das terras circunvizinhas.

O Padrão do Cabo Cross

Diogo Cão ainda colocou, na Costa Ocidental de África, um quarto padrão, este no Cabo da Serra, também conhecido por Serra Parda e Cross Point, a 21º 48' de latitude Sul, em território administrado pela União Sul-Africana.

Substituição dos Padrões

Os padrões, carcomidos pela acção do tempo e mutilados por criminosos vandalismos, corriam iminente risco de desaparecer. Urgia, pois, evitar a completa destruição desses modestos mas irrecusáveis testemunhos dos nossos direitos sobre territórios, cuja existência fomos os primeiros a revelar ao Velho Mundo. E assim o compreendeu o governador geral Guilherme Augusto de Brito Capelo, que, em 1891, ordenou fossem substituídos e recolhidos ao Museu Colonial, criado vinte anos antes e mandado entregar, em 1892, à Sociedade de Geografia, pelo ministro Francisco Joaquim Ferreira do Amaral.

Substituição do Padrão do Cabo Negro

Em cumprimento da ordem emitida, procedeu-se, a 29 de Janeiro do referido ano de 1892, com as formalidades de uso em tais actos, à deslocação do Padrão de Cabo Negro e ao consecutivo alçamento, no mesmo lugar, dum outro, que ficou a substituir o primitivo. À cerimónia assistiram o então governador do Distrito, Luís Bernardino Leitão Xavier, autoridades locais e representantes das colónias piscatórias de Porto Alexandre e da Baía dos Tigres.

a) Descrição do antigo padrão

O antigo padrão consta duma coluna cilíndrica de mármore, sem pedestal, com cerca de dois metros e meio de alto e oito decímetros de circunferência, e dum paralelepípedo com quarenta e seis centímetros de altura, em que termina superiormente. A coluna encontra-se partida a pouca distância do paralelepípedo. Tem este duas faces mais largas: - numa estava gravado, sem a menor dúvida, o brasão nacional, pois ainda se distingue um traço da coroa; a outra, em que devia ler-se a inscrição, apresenta uma pedra lascada em toda a altura, a ponto de deixar a descoberto o embutido da cruz, que não existe, mas que teria sido presumìvelmente de ferro.

As outras duas faces parece não terem contido inscrições.

O padrão que acabámos de descrever deu entrada, nesse mesmo ano de 1892, na Sociedade de Geografia, em cujo átrio se encontra metido, com os dois fragmentos ajustados, numa forte tripeça de ferro bronzeado, que o mantém em posição vertical.

b) Descrição do novo padrão

O padrão de 1892 é constituído por um paralelepípedo, que lhe serve de pedestal, de cujo centro parte uma coluna cilíndrica, encimada por outro paralelepípedo, elevando-se deste uma cruz de bronze. Uma chapa do mesmo metal, contendo em relevo as armas portuguesas, cobre a face Oeste do paralelepípedo superior, encontrando-se gravada na face oposta uma inscrição já muito obliterada, a qual, com os dizeres que copiámos in loco e outros elementos de que dispusemos, reconstituímos do seguinte modo: - O navegador português Diogo Cão erigiu neste sítio no ano de 1485, reinando D. João II de Portugal, o padrão de Cabo Negro, em memória do descobrimento e senhorio desta costa. Os restos do primitivo padrão foram recolhidos no Museu Colonial de Lisboa no ano de 1891 em que se colocou este novo padrão. Num dos braços da cruz lê-se: D. João II; no outro, está indicada a data do acontecimento: 1485
(1) .

O Padrão do Cabo Negro, postado durante quatro séculos, em terra do Distrito, olhando dominador a vastidão do Oceano, que a imaginação popular enchera de lendas aterradoras e cujo predomínio íamos conquistando em arrancadas titânicas, evoca a quem o contempla, a rígida altivez do seu nobre aprumo, o esforço sem par do Portugal heróico e denodado de antigas eras.


(1)
Diogo Cão, separata do Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, 11ª série, nº 2, 1892.
Oliveira Martins, O Brasil e as colónias portuguesas; Pinheiro Chagas, História de Portugal.


Para mais informações sobre as viagens de Diogo Cão, recomendo uma visita a este site: http://www.dightonrock.com/asviagensglorisosasdofamosonaveg.htm

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