06 novembro 2010

Corso Carnavalesco em Moçâmedes (Namibe- Angola): 1955


O Carnaval de 1955 em Moçâmedes (Namibe-Angola) foi especial. Nesse ano até houve um desfile de carros alegóricos (Corso), no qual participaram mais de uma dezena de carros, como se pode pelas várias fotos aqui colocadas.




Este foi o que apresentou mais bonito, e por tal, foi premiado (1ª foto). Representa o Grupo Desportivo do Banco de Angola. Repare-se no requinte dos enfeites floridos, nos tufos de papel de seda, na espécie de trono onde as raparigas se encontram sentadas, nas figuras da frente, etc, etc...

 

 


Até o simpático conjunto musical «Os Diabos do Ritmo» participou, prestando maior brilhantismo e animação ao desfile, como podemos ver  na 1ª foto., onde se encontram: Lito Baía, Frederico Costa, Albertino Gomes e Marçal, o Albino (Bio) Aquino (pianista) e o Sereeiro. Das senhorinhas  participantes pelo Banco de Agola apenas reconheço Maria Amália Duarte de Almeida e Lita Ventura, sentadas atrás na espécie de trono. 





Aqui podemos ver o carro representativo do Ginásio Clube da Torre do Tombo passando junto ao edifício dos CTT de Moçâmedes. Por curiosidade, este carro, em forma de peixe, foi construido na Torre do Tombo, na garagem da casa de Olímpio Aquino, de que era proprietário o industrial e comerciante João Duarte,  sita na Rua da Colónia Piscatória, a  que termina no ponto em começa a subir para a Praia Amélia. Na sua construção colaboraram, entre outros, Eurico e José Arvela.  



Aqui o nosso grande peixe faz a sua passagem junto ao edifício do Banco de Angola, na rua da Praia do Bonfim, podendo ver-se alguns curiosos à janela. De entre as raparigas que se encontram neste carro, na sua maioria pertencentes ao time de basquetebol feminino daquele clube, reconhece-se, da esq. para a dt: M. Nídia Almeida, Eduarda Bauleth de Almeida, Ricardina Lisboa, Celísia Calão, Manuela Bodião, Salette Braz (não jogadora) e Francelina Gomes. De entre os rapazes, reconhece-se : Osvaldo Correia, Óscar, Armando Sena, José Guedes Duarte (Zézinho), Eurico...


Foi de facto para mim uma surpresa, quando, ao fim de 35 anos fui abrir uma mala que a minha sogra trouxera de Angola, e encontrei  últimas 9  fotos. Que bela recordação!




Geralmente estes eventos tinham por detrás os Clubes desportivos da cidade, a Câmara Municipal e contavam com a colaboração e até participação de casas Comerciais, industrias, Banco de Angola, etc., que se faziam representar corso. É o caso deste carro, que parece inspirado nas  ameias da Fortaleza de S. Fernando, representativo da Firma Antunes da Cunha Lda., fundada em 1917, que ostenta não apenas figuras representativas das suas actividades, como também a designação das localidades por onde estas se encontravam espalhadas: Moçâmedes, Porto Alexandre, Pinda,  no Mariquita, etc.



 
Outro carro alegórico alusivo ao mar. Parece representar um «Gasolina», que era na época, antes da inauguração do cais acostável, o tipo de barco que transportava as pessoas, visitantes e passageiros, da ponte para os navios que ficavam fundeados na baía, e vice-versa, quando escalavam Moçâmedes, no decurso nas suas idas e vindas entre Lisboa e Moçambique.




Até nem faltou no Corso um tanque de guerra «americano», excrescência da 2ª Guerra Mundial, que o imaginário do seu autor (Chico da Conceição?) procurou materializar simbolicamente, neste Carnaval de Moçâmedes ...




Este carro alegórico representa a firma João Pereira Correia, Lda. (de João Pereira Correia e José Duarte). Eram os representantes em Moçâmedes dos produtos aqui representados: máquinas de costura Oliva, produtos Nestlé, vinho do Porto da Real Vinícola, para além de toda  uma  série de  artigos  que eram vendidos nas duas lojas da Rua das Hortas (mercearia, modas, etc. ).





Três gentis senhorinhas, romanticamente vestidas, desfilam neste carro que ostenta no cimo dois cisnes brancos, desconhecendo-se porém qual a actividade que o mesmo representa.






Este foi o desfile de carros alegóricos dos mais novos. Interessante e trabalhoso este carro que ostenta um cisne e que suscitou grande curiosidade na população, europeus e africanos. Reconhecemos, entre outros, os irmãos Álvaro Andrade Vieira e Fernando Andrade Vieira (junto do cisne), tendo por detrás, Lurdes Rodrigues Costa. Ao centro, a meio da foto, Angelino da Silva Jardim e Mário de Andrade Vieira.

Fica mais esta recordação de um tempo em que, não havendo ainda à venda em Angola  determinados materiais já disponíveis nos mercados da Metrópole, procurava-se suprir a carência através da imaginação e do engenho, tendo que se recorrer ao material que havia à mão quando se pretendia organizar um evento como este. Portugal, através de medidas proteccionistas,  garantia por um lado o fornecimento de matérias primas à Metrópole, e assegurava, através delas, mercados consumidores para os produtos metropolitanos. Daí que Angola estivesse demasiado tempo com a sua industria condicionada, para além de não interessar ao regime o surgimento de um operariado nas colónias.

Fica mais esta recordação.
MariaNJardim

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