13 setembro 2007

Agência do Banco de Angola na Rua dos Pescadores- Moçâmedes







Foto meu álbum de recordações.1972



Este era o interior do edifício para onde se mudou o Banco de Angola de Moçâmedes no início da década de 1960. Ficava numa esquina da Rua dos Pescadores que convergia para a Rua Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro (nome dado à transversal que nascia na Rua da Praia do Bonfim e prosseguia até à Rua da Fábrica). Este edifício, recentemente construído, era alugado pelo Banco ao conhecido industrial da Praia Amélia, João Duarte.

Em cima (na sobreloja), ficavam o gerente, (na altura, Daniel Gavino Dias) e os funcionários de apoio à gerência. Embaixo, ficavam os serviços de atendimento ao público. No 1º andar, ficavam a secção de contabilidade e o arquivo. Nesta foto reconheço, da esq. para a dt: Ao balcão, atendendo o público: Osório e Hernâni Nunes. Um pouco mais atrás: André e Gonzaga (de pé), Mário Luis Figueiredo, Mário Cruz, Edgar Aboim (ao centro), Arménio Jardim ( à dt.). Ao fundo: Rui dos Santos Carapinha e Nunes de Andrade (ambos de pé) e à secretária João Morgado, Artur Caleres e Teixeira de Jesus.


O antigo edifício do Banco de Angola, de genuína traça oitocentista portuguesa, ainda se pode ver actualmente naquela que conhecemos como a Rua da Praia do Bonfim, a olhar a Avenida da República, ainda que em lastimável estado de degradação. O Banco de Angola tinha comprado todo o quarteirão onde este edifício se encontra, entre as Ruas da Praia do Bonfim e Pescadores, e as transversais, Rua de S. João e Rua Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro. O objectivo era construir no centro do referido quarteirão um edifício novo para o Banco de Angola, que ficaria recolhido, e com zonas ajardinadas a toda a volta, ideia que obrigava à demolição, projecto que a Câmara Municipal de Moçâmedes não aprovou para proteger o património arquitectónico e histórico de Moçâmedes .




 Seguem algumas informações sobre os primórdios do Banco de Angola:

Quanto ao regime regime bancário este foi inaugurado em Angola tal como nas colónias portuguesas, pela lei de 16 de Maio de 1864. Até então não existia em Angola qualquer instituto económico para funcionamento do crédito, o que tornava impossível a aquisição de toda e qualquer aparelhagem agrícola e industrial, impedia o aperfeiçoamento dos processos de trabalho e dificultando o movimento das transacções mercantis e a própria vida dependente dos resultados das produções.

Conforme Manuel Júlio de Mendonça Torres, na obra «Moçâmedes», no início da colonização quando de Pernambuco, Brasil, começaram a chegar os primeiros contingentes de portugueses, em parte, foi o Estado que supriu essa lacuna ao prestar-lhes a necessária assistência financeira que lhes possibilitou a compra de três engenhos de fabricação de açúcar que foram distribuídos a Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, José Joaquim da Costa e José Leite de Albuquerque, com a condição de retribuírem o seu custo com o produto de três safras consecutivas. Na mesma altura, foi ordenada, também, a remessa de três máquinas, duas das quais para descaroçar algodão dirigidas a Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, e uma terceira de prensar o algodão, a Manuel José Correia para serem pagas com os lucros das primeiras colheitas. Para além destes foram concedidos outros auxílios que seria ocioso enumerar, substituindo-se o Estado à instituição bancária nas suas funções subsidiárias de crédito.

Importa ainda referir, que, embora sem meios de prova, essa faceta também foi exercida no distrito por simples particulares (agiotas), que, tal como em toda a província, emprestavam dinheiro a juros em condições pouco inspiradoras de confiança.

Foi com o Banco Nacional Ultramarino - BNU que começaram as Emissões de Papel-Moeda nas colónias portuguesas de além mar. As emissões de papel-moeda constituíram um marco na história da circulação fiduciária das ex-colónias, uma vez que conseguiram disciplinar progressivamente a circulação monetária, acabando com a enorme variedade de moedas que corriam localmente (pesos, florins, marias teresas, águias, soberanos, luízes, etc.) e passando a ter curso legal exclusivo.

Foram ainda as emissões do BNU que retiraram da circulação as esporádicas e insuficientes emissões das Juntas da Fazenda, instituições que até então, detinham o monopólio da impressão do papel-moeda em giro. As Emissões de papel-moeda do BNU foram emitidas em diversas unidades monetárias – réis, escudos, patacas, rupias e libras esterlinas, conforme o tempo e o espaço onde circularam.

A primeira emissão impressa pelo Banco foi para a Sucursal de Luanda, em 1865. Esta emissão também circulou em Cabo Verde, S. Tomé e na Ilha de Moçambique, mas com sobrecarga do nome de cada uma das citadas províncias.

Em Angola o BNU foi emissor até 1926, ano em foi criado o Banco de Angola que recolheu do BNU o privilégio da Emissão de moeda naquele território ( Convenção de 03 de Agosto de 1926, e pelos Decretos Nºs. 12,123, 12131, de 14 de Agosto do mesmo ano), e que tomou as suas agências para prosseguimento da actividade bancária normal, tendo-se então integrado neste novo banco, a agência que o BNU tinha em Leopoldville. Nas restantes ex-colónias africanas, permaneceu como único Banco emissor até aquelas se transformarem em países independentes, tendo continuado as suas emissões até as respectivas Repúblicas emitirem notas próprias.


Quando o BNU foi extinto e em seu lugar surgiu o Banco de Angola, este edifício que havia sido mandado construir pelo colono Francisco Rodrigues Pinto da Rocha  para sua moradia, e vendido pelos herdeiros àquele primitivo Banco, passou a pertencer ao novo Banco , segundo informações fornecidas  por Neco Mangericão, neto de um colono fundador, vindo de Pernambuco, contemporâneo do 1º proprietário.




MariaNJardim

Sem comentários:

Enviar um comentário