16 outubro 2007

Gente de Moçâmedes junto da ponte rio Bero. As cheias de Moçâmedes


A ponte sobre o Rio Bero, wm Moçâmedes no inicio dos anos 1950. Da esq. para a dt.
Atrás: Olimpia Aquino e
Graciana Martins Nunes. À frente: Marizete Romão Veiga, Raquel Martins Nunes, Graciana Nunes e Violete Velhinho.  Sobre a ponte alguns curiosos.


A ponte sobre o rio Bero.  Ao volante do Morris, Olímpia Aquino e sobre a ponte alguns curiosos observando o andamento das obras.


Sobre a ponte do Rio Bero, da esq. para a dt :
e Violete Velhinho, Marizete Tmão Veiga,  Graciana Martins Nunes, Olimpia Aquino e Raquel Martins Nunes.

 Moçamedes: ponte capitão Teófilo Duarte sobre o rio Bero | CITAngola
A 1ª ponte sobre o rio Bero, a "Agapito da Silva Carvalho".


As duas pontes sobre o Bero, lado a lado. A primeira, à direita, ficou para a passagem do comboio, e esta, a segunda, a  ponte "Capitão Teófilo Duarte", voltada para o tráfego de viaturas simples e outros transportes. Foto tirada já em 1974



De onde vêm as águas do Bero?
 

O Rio Bero,   rio que desagua na baía de Moçâmedes  "recebe as águas de uma grande extensão da vertente oeste da Cordilheira da Chela e ainda de uma grande parte do seu plateau. Estas derivam da Bata-Bata pelo Calombo, Bemgolo e Cangal onde, formando o Chacuto, do Jau e Ongheria pelo Quambambe e Munhere que formam a Tampa, e do Panguero pelo Chipeio. Todos estes conservam corrente permanente até alcançarem o sopé da serra, depois de se terem despenhado pela vertente.  Além destes, outros afluentes de cursos periódicos, torrenciais com grandes trovoadas, formam o Bero, tais como o Hoke e Elephhantic que originam o Saiona e se lança nele apenas no seu terço inferior. O Cambunga, Mataca, e outros que, seguindo para norte até se unirem ao Tampa, desviam depois para noroeste.  O curso deste, em tudo iemelhante ao do Giraúl e S. Nicolau, é de todos os da zona do litoral, aquelle que conserva maior volume de águas correntes e estas se manifestam até mais próximo do mar. E isso é devido não só ao facto do seu curso ser também o mais directo entre a serra e o litoral, e à grande quantidade d' águas que constantemente recebe do planalto, e ainda à natureza dos terrenos em que abre o seu leito, o qual, sendo rochoso e duro, está atulhado de pedras e areias, não permittindo a infiltração nem facilitando a a evaporação. No terço inferior, porém, alastra sobre extensa camada arenosa, formando lençol, até ao litoral da vasta bahia de Mossâmedes, e a água, a não ser nas enchentes, só pode descobrir-se cavando na areia. O Bero é habitado no seu curso inferior junto aos Cavalleiros, e em todas as margens dos seus afuentes, no curso superior até à confluência do Saiona, sendso nalguns pontos muito densa a população, como no bata-Bata, Onghéria e Tchipeio."




As pontes sobre o rio Bero


Antes da construção da 1ª ponte sobre o rio Bero, a travessia do leito do mesmo rio era algo 
problemático. No tempo seco, o rio apresentava um leito de areia com uma poça de água aqui, outra acolá, até à foz onde vai desaguar. Em consequência, os veículos automóveis que atravessavam o rio faziam-no a custo, uma vez que constantemente os pneus enterravam nas  areias, e quando tal acontecia, o recurso era colocar folhas de bananeiras que se encontravam por perto, arbustros rijos ou uma esteira, à frente dos pneus, de modo a que, após repetidos arranques, os pneus conseguissem galgá-los, permitindo ao veículo avançar. Muitas vezes os passageiros para aliviarem a carga sobre os pneus,  atravessavam o leito do rio a pé, tendo o cuidado de evitar as poças de água e os galhos rijos, até chegarem à outra margem, era então que retomavam o seu lugar no veículo. 

Se antes da construção da 1ª ponte, no tempo seco era problemático, no tempo das cheias (1)  era o caos. Os veículos automóveis não passavam pura e simplesmente. Nem o comboio, inaugurado em 1907, conseguia chegar à Estação. Pessoas, víveres e mercadorias que circulavam entre a cidade de Moçâmedes e as zonas próximas além rio, como as Hortas, etc, confrontavam-se com muitas dificuldades, nesse vai-vem, da travessia do rio com as suas carroças  puxados por juntas de bois (espanas), introduzidos no sul de Angola pelos boers.  E o comboio que fazia a ligação com o planalto da Huila, e vice-versa, ficava parado no Saco do Giraúl, tendo as pessoas que se deslocar até lá por mar, servindo-se de "gasolinas", e sendo os víveres e as mercadorias para ali transportados através "batelões". E o mesmo acontecia com aqueles que do planalto da Huila se deslocavam a Moçâmedes, tinham que desembarcar no Saco do Giraú, apanhar um "gasolina"  que os levava até à ponte da Praia das Miragens, sendo feito o transbordo das mercadorias para batelões que seguiam o mesmo destino. Ora nestas circunstâncias, tornava-se muito difícil  toda aquela região litoral e interior progredir.  Esta situação arrastou-se até ao dia da inauguração da 1ª ponte sobre o rio Bero,  no tempo do Governador de Angola Agapito da Silva Carvalho, que exerceu o cargo entre 1947 e 11 de Junho de 1951.  O sistema politico demasiado centralizado, tudo dependia da autorização da Metrópole, as verbas  arrancadas a ferros e entregues a conta gotas, sempre com uma certa desconfiança. À essa 1ª ponte foi dado o nome "Agapito da Silva Carvalho".

A segunda ponte, Ponte "Capitão Teófilo Duarte",  sobre o rio Bero (1965) representou um grande salto qualitativo para a economia do Distrito. Com os 507 metros de comprimento, destinou-se ao tráfego de viaturas simples e outros transportes. Finalmente as viagens de Moçâmedes a Sá da Bandeira (Lubango) passaram a ser mais rápidas e as visitas mais frequentes. Ganharam substancialmente os negócios e a economia do Distrito.

Também a estrada da Leba, um empreendimento espectacular levado a cabo pela engenharia nacional sob a direcção do engenheiro Simões Raposo,  muito veio dignificar o sul de Angola, e trazer novas oportunidades de desenvolvimento económico, através de uma maior comunicabilidade entre pessoas e regiões.  Às vésperas da independência de Angola finalmente, o litoral e o planalto ficaram mais próximos um do outro.  O novo percurso Moçâmedes/Lubango além de ter passado a ser efectuado em melhores condições, foi encurtado em cerca de 50km. A nova estrada que passou a ligar Moçâmedes e Sá-da-Bandeira (Lubango) através da da Leba, abriu decisivamente as portas do Namibe ao Turismo. Mas já era tarde demais!
Porquê tanta demora?


Já o Caminho de Ferro de Moçâmedes  primeiro que arrancasse foi um problema.  Este teve o seu primeiro troço de 67 Km inaugurado em 1907, quando da visita do Príncipe D. Luís Filipe,  mas importa não esquecer que o arranque e a aceleração do mesmo aconteceram mais por motivações militares e logísticas ligadas à necessidade de defesa da fronteira sul do território de Angola, cobiçado por alemães, e à subordinação das populações indígenas insubmissas da zona, cuanhamas e cuamatos, que propriamente tendo em vista o desenvolvimento económico da região e o bem estar das populações, brancos e negros que ali trabalhavam e viviam.

Inaugurado em 1907, o comboio só viria a chegar ca Sá da Bandeira (Lubango) em 1923, isto porque  com o deflagrar da I Guerra Mundial (1914/1918) as fábricas europeias passaram a estar ao serviço do material a ela destinado e não possibilitava o andamento de outras encomendas.

 Chamavam pelo morosidade, ao primitivo comboio, o "Camacouve". As carruagens não iam além dos 2 metros de largura, os passageiros ficavam sentados em duas filas separadas por um corredor, e as malas e caixotes seguiram numa pequena carruagem de mercadorias e correio. Mas foi este comboio que permitiu deixar de lado as velhas carroças puxadas por juntas de bois, introduzidas pelos boers, tal como estas permitiram  aliviar o trabalho dos carregadores indígenas.

 Quando os primeiros 67 Km pelo deserto eram percorridos em andamento moderado, 40 e 50km/hora,  e quando a composição após 1923 começava a subir a Chela,  a velocidade ia diminuindo consoante subia,  chegando mesmo a parar nas partes mais íngremes, tendo as pessoas que sair do comboio e o acompanhar por algum tempo, ao lado, a pé. Acontecia também,  por  vezes, que  as paragens eram mais demoradas para que a caldeira da locomotiva atingisse a pressão necessária, ou para que a composição pudesse receber a água necessária. Vila Arriaga (Bibala), era o apeadeiro onde as pessoas saiam para desentorpecer as pernas, comer um farnel, ou mesmo almoçar perto da estação, antes de retomar a viagem, 1 hora depois.  Era quase o dia inteiro de viagem para se completar o percurso de 250 Km de Moçâmedes até Sá da Bandeira.

Na 1ª viagem Presidencial a Angola, com passagem por Moçâmedes, o Presidente da República, Marechal Carmona, promulgou por diploma um que compreendia um conjunto obras que deveriam ser levadas a cabo no período entre 1938/1945, que incluía o prolongamento até ao Tchivinguiro, mas  este acabou travado por força da 2ª Grande Guerra Mundial dada a impossibilidade de aquisição de apetrechamento, máquinas, etc. Em consequência do adiamento do assentamento da nova bitola o rendimento esperado foi reduzido, tendo-se, inda assim, efectuado o alargamento da plataforma para a bitola e rectificação do traçado de Moçâmedes ao quilómetro 173, e do quilómetro 205 a Sá da Bandeira, incluindo obras de arte, instalação de pessoal etc. Em 1949 o Caminho de ferro, em direcção ao sul, atinge a Chibia, em traçado de bitola estreita.

Em 1953,  prosseguindo da Chibia, atinge o Chiange. Presidiu à cerimónia da inauguração solene da 1ª fase dos trabalhos de transformação dos CFM, o Presidente da República, General Francisco Egidio Craveiro Lopes a Angola, em 1954, quando da sua passagem por Vila Arriaga, vindo de Sá-da-Bandeira de visita a Moçâmedes. Em 1955, em direcção ao leste, atinge a Matala. Com o fim da II Grande Guerra, quando as fábricas europeias deixaram de estar ao serviço da guerra,  as coisas começaram a andar e chegaram até nós as potentes GARRAT'S, bem adaptadas às lonjuras de África, que mais facilmente movimentarem comboios extensos de passageiros de mercadorias ou mistos, nesse vai-vem entre Moçâmedes (Namibe) e Sá da Bandeira (Lubango), com os seus três corpos distintos que facilitavam as manobras nas apertadas passagens das montanhas. O maquinista seguia no corpo do meio, e no da retaguarda recolhia-se o combustível (lenha, carvão). No corpo da frente, fruto das fornalhas incandescentes, acumulava-se a tremenda pressão do vapor que tornava as GARRAT'S poderosas e imparáveis.  E foi assim que  as pequenas locomotivas que rebocavam composições da ordem das 120 toneladas deram lugar às potentes Garrat´s que passaram rebocar comboio da ordem 800 a 100 toneladas, em nova linha de via alargada, num troço de 169 km. A partir daí foi possibilitado um grande avanço, quer em potência, quer na capacidade de transporte mercadorias e pessoas, o que muito contribuiu para o desenvolvimento da zona.





Habitantes de Moçâmedes apreciando a queda em cascata das águas do Bero para o interior das  chamadas «furnas» de Santo António



Esta é a Rua da Praia do Bonfim, paralela à Avenida, nas cheias que aconteceram na década de 1940.


A propósito das cheias do Bero...

Em Moçâmedes raramente chovia, mas de vez em quando era a valer. Neste ano (foto a seguir) as chuvas foram de tal modo intensas que as ruas da cidade ficaram alagadas, havendo gente que teve que utilizar "chatas", ou seja pequenos barcos, para se deslocarem de um lado para outro. Isto aconteceu porque as margens do rio Bero (rio de águas não permanentes que desagua a poucos kms da cidade), ainda não estavam reguladas, e as águas transbordaram do leito e galgaram os terrenos marginais, tendo o caudal, na sua passagem, transvasado como se de uma cascata se tratasse para o interior das «furnas de Santo António» (1), e daí avançado rumo à  zona baixa da cidade. Diziam então que  "furnas" tinham rebentado. A força da enxurrada foi de tal ordem neste ano que destruiu palhotas, plantações e tudo o que encontrava no caminho. Salvava a situação o facto de Moçâmedes não ser uma terra de muitas chuvas, pois sem as margens do Bero reguladas, a cidade encontrava-se em permanente perigo.



Rio Bero o "Nilo de Moçâmedes...

O  baixo Bero, de corrente hídrica irregular, de margens bastante largas rodeadas de areia, com uma grande percentagem de aluvião, mantinha quase permanentemente água no subsolo (salvo as devidas proporções) um pouco à semelhança do Rio Nilo. Esta particularidade foi fundamental para o nascimento de Moçâmedes, e para a sua evolução.
 
Ainda sobre este rio "de cujas águas brotou a ressurreição de Mossâmedes"  conforme vem referido na obra de José Bento Duarte -Senhores do Sol e do Vento, foi grande o desapontamento que tiveram os primeiros colonos vindos de Pernambuco, Brasil, fugidos da revolução praieira, quando, ao entrarem na baía de Moçâmedes, levados pela barca brasileira "Tentativa Feliz", capitaneado pelo Brigue Douro,  em 04 de Agosto de 1849,  enxergaram angustiados as fugidias pinceladas de vegetação da foz do rio Bero e a monotonia dos areais sem fim. dos quais sobressaia o recorte severo da fortaleza de S. Fernando, onde lhes estava destinado erguerem os seus novos lares, que de início não foram mais que meia dúzia de choupanas de pau-a-pique e alguns barracões de paredes de madeira e coberturas de palha.   
Também Bernardino Freire de Abreu e Castro ter-se-ia sentido igualmente decepcionado, ao confrontar-se com um vasto areal desértico, servido por um rio seco, mas  mais tarde viria a referir-se ao mesmo rio como o "Nilo de Moçâmedes", isto porque na época das chuvas as águaa das enxurradas ao invadirem as margens, levavam consigo fertilizantes naturais para novas sementeiras, gerando uma espécie de  microclima temperado que fazia das "Hortas" verdadeiros oásis,
Foi então que, repartindo-se pelos campos marginais do Bero, os colonos procuravam os terrenos mais aptos para as culturas, e, informados das inundações periódicas, exteriorizaram algum optimismo sobre as possibilidades da região e começaram as lides agrícolas mantendo com os cuvales das vizinhanças relações  aquilo que o autor  designaria de uma "cordialidade distante", e esquadrilharam meticulosamente os subúrbios da povoação.  Porém  o triénio de 1850 a 1852 foi um período de calores sufocantes e de águas escassas, as primeiras águas, empurradas do planalto, desapareceram com celeridade no chão martirizado, o Bero tornou-se numa língua de areias crestadas, com as margens revestidas por uma crosta acastanhada de lodo velho e seco, e dos céus patrulhados por ruidosas esquadrilhas de corvos, não se despegava um sinal de chuva, enquanto os homens vagueavam abatidos por ali acima, até muitas léguas da foz, remediando-se com cacimbas escavadas nas proximidades ou nos quintais das residências. Cobertos de andrajos e com os víveres esgotados, os colonos sobreviviam graças à caridade dos seus compatriotas de Benguela e Luanda. Foi este o quadro em que a povoação viu, apesar de tudo, ampliada a sua população branca: a 26 de Novembro de 1850 desembarcaram na baía mais cento e sete colonos oriundos de Pernambuco, e  transportados pela Barca Bracarense, igualmente capitaneada pelo brigue Douro.  Outros núcleos, mais reduzidos, se lhes seguiram, provenientes do Rio de Janeiro e da Baía. Cerca de três centenas de refugiados procuravam dar corpo ao projecto português no Sul de Angola. As águas, abundantes, chegaram de um dia para o outro, escoadas das distantes cadeias montanhosas. Juntamente com o húmus providencial vieram na correnteza algumas exóticas novidades - carcaças de elefantes, búfalos, antílopes e outros animais, arrebatados ao sertão pela violência das enxurradas.




AS CHEIAS DA MINHA INFÂNCIA



Na nossa terra, em Angola, as cheias,
sempre vieram e continuaram a vir
dos altos abruptos da Xela, de roldão,
lembro-me disso bem, não esqueci, não…

Saltavam do leito do Bero e cobriam a linha
e as muitas fazendas que nas margens tinha,
travando o Camacove(*) no Giraul, ou no Saco-Mar,
invadindo as aldeias e Hortas que podia encontrar…

Arrasando povoados e destruindo plantações,
deixavam Mossâmedes, sem o recurso à água pura
do Planalto e a beber da sua, após fortes ebulições,
filtrada em “Sanga de pedra”(1), para ser mais segura…

Cheias que, na sua imparável e imponente cavalgada,
chegavam a inundar as ruas e os ares da Baixa da Cidade,
ameaça esta contra a qual a cidadela não estava preparada(2)
pois, para um surto palustre, só a quina tinha tal capacidade…

Era ali que a inocência infantil se fazia atrevida e sem peias.
Era o tempo das crianças correrem descalços, sem meias…
Para todas, aqueles eram dias de muito rir, de muito brincar.
De pôr barcos de papel a navegar sob, um céu d’andorinhas,
de correr e tentar apanhar aquelas lindas e velozes libelinhas
paradas sobre aquelas águas barrentas que o Sol fazia brilhar.

Tudo ia bem, até que frutas e verduras começavam a desaparecer.
Vinha então o tempo de irmos todos dias p’rá porta da kitanda.
Tínhamos que comprar frescos e frutas, desse lá por onde der.
E compravam-se até ervas mais velhas que o Kaparandanda(3)…

Mas não há mau tempo que não finde, nem bom que deixe de vir.
Um dia, lá chegava o Camacove com água e frescos p’ra a gente.
Ao porto chegam Fardos de Roupa e caixas deQuinino Americano
e, só nesse dia, fomos à praia inaugurar o nosso Verão desse ano…
Aguentem lá essas cheias, Manas,
Patrícias Minhas, Australianas

KANDANDOS
Do
NECO


6.03.2010
 

(1) In Archivo pittoresco, Volume 10, pg 46








Rio Bero, o "Rio das Mortes"

Rio Bero, o "Rio das Mortes" como lhe chamou Pinheiro Furtado, por ter alli o gentio assassinado o tenente Sepúlveda e o cirurgião da fragata Luanda  e mais dois marinheiros. Eis o que a este respeito disse Furtado para o governador, barão de Moçâmedes:
"... Em 5 de agosto 1785 deu ella a fragata fundo na grande enseada do Negro, em 15 graus,  que achamos com a lastimável noticia de ter sido assassinado o tenente de artilheria José de Sousa Sepúlveda, e o cirurgião Francisco Bernardes, no dia 29, com dois marinheiros, por 34 negros do paiz. Este, muito imprudentemente, sem necessidade e mesmo contra a ordem recebida, costumava ir para terra e por entranhar-se n'ella, com o desacordo de incendiar por duas diferentes vezes as cabanas dos negros que encontrou desertas: estes negros se apresentaram, e com apparencias de sincero trato e venda de gados por fazenda, os seduziram e mataram na praia com azagaias, despojando-os dos vestidos. O tenente ainda pode retirar-se para a lancha, |porém mortalmente trespassado polo peito, e expirou logo n'ela... Os negros tinham vindo effectivamente á praia nos dias antecedentes, com carneiros que queriam trocar por facas, pannos, e ferro para azagaias, o que tudo foi referido e confirmado por dois soldados qne andavam com os assassinados e conseguiram salvar-se. "  (1)


Com interesse para este assunto segue um texto de J. Pereira do Nascimento, no livro "O Districto de Mossâmedes", 1892:



"... A rede fluvial da zona baixa comprehende os valles de S. Nicolau, Giraul (Dyraul), Bero e Koroká, cujos rios na maior parte do anno estão seccos; apenas levam agua du- rante alguns dias na estação pluvial, quando as chuvas tor- renciaes do plan'alto, depois de encherem os afílu entes do Kunene, se despenham eminnumeras cataractas pela Chella abaixo. E' então que enormes massas de nuvens conden- sadas sobre? a região alta e açoutadas pelo impetuoso vento sueste são arrastadas para a zona baixa do valle de Kapangombe, onde se desfazem em catadupas, que conduzidas por milhares de regatos e ravinas formam enormes mas- sas d'agua, que correm em rápidas e perigosas enchurra- das, que enchem e alagam os terrenos marginaes dos val- les por espaço de dias e mesmo horas.

Na facha arborisada de Kapangombe, limitrophe da Chella, as aguas permanecem por alguns mezes por causa da dureza do terreno e por serem os rios na sua primeira porção alimentados pelo excesso das aguas do plan'alto. Na facha arenosa do litoral ellas desapparecem em pouco tempo por infiltração nas areias dos leitos dos rios. Destes o que conser-va por mais tempo maior volume d'agua é o Bero, que fertilisa os terrenos de Mossamedes. Este rio é o primeiro a conduzir as aguas pluviaes da região alta e o que as conserva por maior espaço de tempo. Resulta esta circurastancia de ser o seu curso entre a Chella e o litoral mais curto e directo, formado em grande extensão por um leito de pedras e principalmente por ter a sua principal origem no plan'alto por intermédio de uma nascente que deriva para elle um grande volume de aguas colhidas na bacia do Jau(Dyau), durante a primeira parte da estação chuvosa do planalto, de outubro a dezembro, quando ainda não teem cahido as primeiras chuvas na zona baixa; em quanto que os rios Nicolau e Koroka são alimentados pelas chuvas que cahem sobre as vertentes occidentaes da Chella, o que só tem logar na quadra das grandes chuvas da zona alta, de janeiro a abril. E' de notar-se que o regimen pluvial d'esta zona diílere considerávelmente do da zona alta. N'esta apparecem as primeiras chuvas em setembro e prolongam-se até dezembro, formando a primeira parte da estação chuvosa, cha- mada das pequenas chuvas. N'esta quadra, dominando os ventos moderados do nordeste, as nuvens formadas por condensação no plan'alto descarregam sobre elle não chegando á zona baixa. Apenas de janeiro a maio, que comprehcnde a quadra das chuvas torrenciaes e dos ventos impetuosos do quadrante do sueste, e que as chuvas attingem a zona baixa e chegam á facha arenosa do litoral pro- duzindo innundações passageiras, que ainda assim são o único recurso para a fertilidade dos terrenos agricultados nas proximidades de Mossamedes, taes são: as hortas do valle do Bero e Cavalleiros e as fazendas agrícolas exploradas nos valles do Giraul, Koroka e S. Nicolau. Lançado no mar o excesso das enchurradas, fica no solo do leito dos rios uma certa humidade que se conserva por espaço de um e dois mezes e um deposito de detritos orgânicos, que constitue um rico adubo aproveitado pelos agricultores que sobre elle fazem as suas plantações em pleno leito dos rios. Estas fazendas produzem variadas espécies de cultura, taes como: algodão, cana saccharina, cereaes, legumes, hortaliças e arvores fructiferas. Empregam no arroteamento dos seus terrenos, 29 raachinas a vapor e possuem 32 en- genhos de moer cana, e outros tantos alambiques para a distillaçáo da aguardente. Pela disposição natural da zona alta, a sua maior altura corresponde á cordilheira da Chella e d'ahi para o interior desce suavemente para o sul e leste, do que resulta que a maior parte das aguas pluviaes correm ao Kunene; deriva para a zona baixa uma pequena porção, que na quadra das grandes chuvas cae sobre as vertentes occidentaes da cor- dilheira, fertilisando os terrenos do valle de Kapangombe. Sobre a facha arenosa do litoral de Mossamedes chove muito pouco, duas ou três vezes por anno. Na facha cultivada em frente á Chella chove durante dois a três mezes, emquanto que na zona alta a estação chuvosa com prebende seis mezes no anno.

Convém observar que tem havido profundas modificaões no regimen pluvial da zona baixa, cujas causas são pouco conhecidas. Em épocas remotas chovia regularmente todos os annos em quantidade bastante para encher os leitos dos rios. Os antigos agricultores estabelecidos no valle de Kapangombe e Biballa e os primeiros colonisadores de Mossamedes falavam com saudade dos primeiros annos da sua installação n'este districto, annos de chuvas abundantes e regulares; d'então para cá ellas teem diminuído progressivamente a ponto de passarem períodos de quatro e cinco annos sem cahir uma gotta de agua. Quando pela infiltração e evaporação desapparece a humidade no leito dos rios e bem assim durante os annos de estiagem, em que as aguas por successivas infiltrações nas  fi nas areias não chegam a humedecer os terrenos cultivados, recorrem os agricultores á irrigação com agua extrahida de poços praticados a profundidade de 5 a 15 metros. Na villa de Mossamedes todas as casas teem poços, que fornecem agua necessária para os usos ordinários. Esta agua é de má qualidade, pesada, salitrosa, produzindo perturbações digestivas. A existência de uma toalha liquida subterrânea na zona baixa, cujo nivel se mantém constante apezar das vicissitudes do regimen pluvial, é um facto incontestável, que nos leva a suppor que ella mantém estreitas relações com a bacia fluvial do plan'alto, que a alimenta como uma parte importante das suas aguas por infiltração atravez de camadas porosas, que seguindo as vertentes da Chella se prolongam e continuam com o subsolo da zona baixa. E' de importância capital para o desenvolvimento das fazendas agricolas do valle de Kapangombe investigar com apparelhos próprios e aproveitar por meio de poços artesianos este filão de agua, que todas as razões induzem a crer que tenha a sua origem no plan'alto, cuja altitude media sobre o valle de Kapangombe é de 1600 metros.

A agricultura n'esta zona, que foi o principal elemento de prosperidade e riqueza nos tempos áureos do districto, acha-se actualmente em estado de lastimosa decadência por falta de aguas que irriguem os seus fertilissimos terrenos. Os annos de secca succedem-se uns após outros com insistência esmagadora espalhando o desanimo por toda esta riquíssima região, cujos agricultores vão rareando, ceifados uns pela morte, e outros obrigados por falta de recursos a abandonar as suas propriedades, fructo de longos annos de trabalhos. Os mais favorecidos, que ainda assim mantem as suas fazendas a troco de penosos sacrifícios, são os que se estabeleceram nas vertentes da Chella, onde aproveitam as primeiras aguas de pequenos regatos permanentes, que descem do plan alto e formam as origens dos rios da zona baixa. E' de urgente e inadiável a necessidade de proceder a estes estudos, pois que o bom êxito dos poços artesianos é importante medida de salvação para em breve espaço de tempo elevar ao primitivo apogeu a agricultura em Mossamedes, única fonte de riqueza da população branca do districto, que se acha abatida e depauperada nos seus recursos por tão longa estiagem sem esperança de melhores tempos. O primeiro ensaio a fazer-se deve naturalmente incidir na zona de Kapangombe por estar mais próxima da Chella e oferecer por isso maiores probabilidades de bom êxito. Se d'esta tentativa sortir o desejado efeito, fácil será por suceessivas investigações animadoras estabelecer um systema de poços artesianos, que colloque a zona agricultada ao abrigo das vicissitudes de um regimen fluvial incons- tante, o que concorrerá para desenvolver as propriedades existentes com valiosas culturas, crear novos centros de producção agrícola e animar os proprietários a converter os seus capitães em produetivas fontes de receita. Esta falta d'agua torna-se sobremodo sensivel na facha de terreno sobre que assenta a estrada que parte de Mossamedes para o plan'alto, passando pelos sitios denominados: Pedra Grande, Pedra do Major, Providencia, Moninho e Kapangombe. Esta estrada é percorrida pelos vagons loers que fazem o transporte das mercadorias e productos agrícolas entre o plan'alto e o litoral, e vice versa; pelos viajantes, carregadores e manadas de gado para consumo e exportação. Nos annos ordinários, em que não chove, não se encontra uma gotta d'agua nem pasto na maior extensão d'esta facha desde o valle do Giraul até o Moninho, do que resulta morrer á sede e á fome grande numero de bois que pucham os carros e dos que são enviados do plan'alto para exportação e consumo. Cada vagou é condusido por 20 a 30 bois, dos quaes um terço e ás vezes metade succumbe por falta d'agua durante os 10 ou 12 dias de viagem fatigante por este deserto arenoso, atravez do qual os pesados veliiculos carregados com 100 a 150 arrobas de carga são penosamente arrastados pelos pobres bois famintos e sequiosos por entre densas nuvens de suffocante poeira. Está calculado que morrem annual mente n'este deserto 400 a 600 bois, o que representa um enorme prejuízo para os seus proprietários, que para compensar tão grave damno elevam cada vez mais o preço do transporte. Basta saber-se que o preço do transporte de uma arroba de carga do litoral para o plan'alto importava, ha três annos, em 1:000 réis e actualmente com a persistência das seccas e mortalidade no gado eleva-se a 1:200 réis. Independente da perda material do boi, ha a accrescentar a perda da somma de trabalho que o boer dispende para amansal-o e sujeital-o ao serviço da canga. O boi bravo comprado nos centros productores dos Gambos e Humbe importa em 10 ou 15 mil réis e depois de amansado e ensinado vale 25 a 30. Calcule-se do desanimo que lavra entre os boers e portuguezes que vivem do aluguer dos seus carros para o transporte das mercadorias, sabendo-se que durante a estiagem rara é a viagem, em que não fiquem orlando a estrada os cadáveres de um terço ou metade dos seus bois a servir de festim ás hienas e lobos que infestam estas paragens. Para de algum modo atenuar tamanho prejuízo, que ameaça aniquilar a exportação de gado por via de Mossamedes, pelo excessivo preço a que chegou, e que fere de morte os interesses commerciaes e agrícolas do plan'alto pela exhorbitante carestia e difficuldades de transporte, ordenou o governo o aproveitamento de uns tanques na- turaes cavados em uma grande rocha no sitio da Pedra Grande, a dois dias de viagem de Mossamedes, mandando construir uns paredões que conduzem para elles toda a agua das chuvas que cae sobre a enorme pedra que dá o nomc! a este sitio.  Existe n'este ponto uma casa do governo que serve de pousada aos viajantes, um curral para abrigo do gado e algumas cubatas, em que residem os soldados do destacamento. Os tanques cavados na rocha são quatro e tem bastante capacidade. Quando sobre a rocha caem chuvas torrenciaes, os tanques enchem-se d'agaa, que se conserva por bastante tempo. E' d'esta agua que bebem os viajantes e o gado. Quando ella diminue e seguem-se annos de estiagem o governo só permitte que se tire a porção indispensável para uso dos viajantes, prohibindo que seja dada ao gado e para cumprimento d'estas ordens e vigilância dos poços tem ali um destacamento militar. O que fica dito para a Pedra Grande applica-se ao ponto denominado — Pedra da Providencia, com a diferença de não haver casa para viajantes nem destacamento militar. Encontra-se agua em cavidades das rochas e poças, quando chove; fora d'estas ccmdições anormaes a monotonia do terreno prolonga-se em desesperadora aridez até ao valle do Moninho, em cujas fazendas se encontra agua em cacimbas, que servem para a rega dos terrenos de cultura. A vegetação n'esta facha é rachitica, compõe-se da welvitchia mirabilis, falso cedro, algumas euphorbiaceas, espinheiros e acácias, que vegetam nos valles, ravinas e leitos dos rios seccos. Na facha de terrenos arborisados, que correm parallelos aos contrafortes da Chella, a agua existe com abundandancia durante a estação das chuvas; nas épocas de estiagem não chega a irrigar a vasta área de terrenos cultivados.
O districto de Mossamedes abrange uma area de 176:250 kilometros quadrados, duas vez4es a superfície de Portugal. Divide-se em sete concelhos, dois na zona baoxa, que são Mossamedes, e kapangombe, e cinco no planalto: os da Humpata, Lubango, Gambos, e Humbe, dos quais os três primeiros formam a +area de colonização eiropea, que explora os seus férteis terrenos; e os dois últimos, que pelas suas consições de clima não se prestam à colonização da raça branca, formam a área de exploração commercial  europêa, que explora os seus férteis terrenos; e os dois últimos, que pelas suas condições de clima nào se prestam á adaptação da raça branca, formam a área de exploração commercial com os indígenas e são os centros de permutação do gado bovino, cuja creação constitue a principal occupação das raças indígenas, que povoam a riquissima zona do sul do planalto."













Onde antigamente transvasavam as enxurradas no Bero, nas «furnas de Santo António»  que ficavam próximo do antigo aeroporto de Moçâmedes (o velho campo de aviação),  no ano de 1972,  aproveitando a morfologia do terreno, foram ocupadas  pelo novo Estádio Municipal, que pode ser visto, no dia da sua inauguração, clicando AQUI.. 




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Moçâmedes a antiga Angra do Negro (a Little Fish Bay das cartas inglesas), chegou a ter a denominação da Baía onde desembocava o Bero, ou "rio das Mortes", rio sazonal, que  atravessa um vale fértil, seco à superfície na maior parte do ano. Só corre água ali quando chove na serra, a mais de duzentos quilómetros de distância, infiltra-se e alaga tudo, em volta. E quando seca retém as águas debaixo da areia, basta cavar, regar, cultivar mesmo na areia, vai ver vai dar. Era o que acontecia com os olivais e a vinha no tempo colonial.

O curso inferior do Bero conserva-se  todo o ano um vale, verde e extenso, aberto ao deserto  porque de um lado e outro é falésia de grés. É ai que ficam as chamadas «Hortas», onde nos primordios da colonização se cultivou primeiro o açúcar e tempos mais tarde se produziu a malfadada aguardente que salvou a economia em determinado período mas acabou difamada e proibida pelo mal que causava aos negros. Depois veio o algodão (após a crise do algodão nos EUA por virtude da guerra civil de 1862-65) e, finalmente, os inumeros produtos hortícolas que  abasteciam a população e até eram exportados para Luanda.

Já em 1859 existiam no vale do Bero oitenta explorações agrícolas a funcionar e a produzir algodão e aguardente, açúcar e hortícolas, tabaco e vinho, trigo e mandioca, milho e cevada, e a exportar sobretudo algodão em caroço, batata rena, batata doce e aguardente.

As «hortas» eram um verdadeiro celeiro para Moçâmedes, e a elas se deve o nome da principal artéria da cidade, a Rua das Hortas, que às hortas conduzia...  A rua chama-se hoje Nzinga Mbandi, chamou-se Luz Soriano, rua do Alferes, e ficou Rua das Hortas,  o nome pelo qual era conhecida até 1975.



MariaJardim
Caminho de Ferro de Moçâmedes , ver AQUI

O Buggy da miss Moçâmedes e os vencedores de um concurso levado a cabo pelo Rádio Clube de Moçâmedes: 1974?



Fotos tiradas no decurso de um Concurso levado a cabo por José Manuel Frota, radialista do Rádio Clube de Moçâmedes num Stand automóvel da cidade. Sentados no Buggy que iria ser presenteado a Ani de Freitas, a jovem que foi eleita Miss Moçãmedes, os vencedores do Concurso, o casal sempre bem disposto e pronto para a folia, Elizabete e Àlvaro Faustino (sentados no Buggy, de pijama e panelas na cabeça; foram eles que chegaram primeiro ao Stand, e portanto os vencedores...). À esq. Carlos Teixeira.
Na 2ª foto de camisa branca, José Manuel Frota.
Fotos gentilmente cedidas por Elizabete Faustino.

Porto Alexandre (actual Tombwa): bailes de Carnaval nos anos 60










































1ª Foto: Carnaval 1960. Entre outros: Abel Lopes e irmãos Peleira (em cima), e os irmãos Faustino (gémeos) em baixo.
2ªFoto: No Clube Recreativo de Porto Alexandre (actual Tombwa), Elizabete e Alvaro Faustino recebem
o título de vencedores de um concurso de dança, entregue por Rui Filipe Barreto de Lara, (dirigente do Independente Sport Clube de Porto Alexandre).

3ª foto:
Elizabete e Alvaro Faustino parodiando num baile de Carnaval no Recreativo Alexandrense. Anos 60

Meninos e meninas de Moçâmedes, em dias de festa: 1960






























1ª foto: grupo de crianças em dia de aniversário (1964). Entre elas reconheço os 3 filhos de Teixeira de Jesus (do Banco de Angola) de camisola igual, o Rui Alberto Jardim, à dt., de casaco escuro, Luis Jardim, o mais novo, à esq., e o filho de Prazeres Madeira??

2º foto:

Grupo de alunos do Liceu Almirante Américo Tomás- Moçâmedes





Comboio-bébé

Lembram-se do comboio-bébé, propriedade de Tiago Costa (campeão de Portugal de pugilismo), que fazia as delícias da criançada e não só, por alturas das Festas do Mar?

Interessantes estas memórias de alguém que passou a infância em Moçâmedes e que se referem ao comboio-bébé, à Praia das Miragens, às Festas do Mar, etc., etc.:
«...Da Praia das Miragens tenho memórias soltas, imagens como "Comboio Bébé", o Rádio Clube aos Domingos na praia ou naquele pequeno palco que existia à beira do passeio, Os cachorros quentes nas festas do Mar ou os gelados da cabana da minha mãe! Os "Cabeçudos"; Os estudantes que acampavam por detrás do Casino durante as festas de Março; Os barcos à vela na areia da praia; A grande jangada para onde íamos brincar lá mais à frente depois das ondas do mar; Os Golfinhos; O mini-Morris amarelo de um senhor mestiço que não me lembro o nome, era também o carro que abria as corridas automobilísticas; Os amigos que viviam numa das vivendas à beira-mar, a primeira, para onde eu ia ler livros aos quadradinhos toda a tarde; As barracas na praia; O carvão deixado no chão pelos comboios a caminho do porto, muito me queimava eu ao atravessar a linha do caminho de ferro... As tartarugas no jardim, ou os caranguejos que apareciam à noite a centenas de metros para o interior da cidade... Quando me lembrar de outras memórias volto...só tinha 6 aninho! E por falar em queimar, muitas vezes ia descalço da praia para casa (Sanzala dos brancos) e tinha que ir aos saltinhos pois o asfalto queimava a valer, era mesmo uma brasa!! ...» in
Mazungue

11 outubro 2007

Carnaval em Moçâmedes: anos 70






















1ª , 2ª e 3ª fotos: Grupos de moçamedenses e alexandrenses divertem-se numa festa de Carnaval realizada no campo de jogos do Ferrovia de Moçâmedes.

Na 4ª foto, reconheço o casal Beta Pessanha e Alvaro Faustino e o casal Pólvora Dias. Na 4ª foto, num Baile no Salão do Atlético Clube de Moçâmedes, surgem algumas caras conhecidas como Fernando Pessanha, a meio à dt., Renata Grade, Beta Pessanha, Quito Costa Santos, entre outros/as...

Segundo me foi dito por quem me cedeu estas fotos, elas foram tiradas em 1975 e representam o último Carnaval da comunidade branca em Angola. A partir de Junho as coisas começaram a aquecer em Luanda, em Agosto, por toda a cidade de Moçâmedes ecoava o bater martelos. As famílias começarem a preparar-se para partir, tentando encaixotar quanto de seu pudessem levar. Em Setembro, Moçâmedes era já uma cidade esvaziada da maioria dos seus habitantes. Em Outubro, com a invasão dos sul-africanos e o desembarque crescente de cubanos e de material de guerra enviado pela URSS em auxilio do MPLA, acrescido ao abandono crescente da tropa portuguesa de todos os pontos do território, o pavor apoderou-se das poucas pessoas que ainda restavam na cidade. A evacuação dos brancos de Angola, através da «ponte aérea» montada por Portugal foi facilitada pelas grandes potências, especialmelmente pelos EUA que disponibilizou o tansportes e muitas das ajudas necessárias, e também a URSS, ainda que neste aspecto, em menor escala. Estava consumada a «limpeza étnica». A 11 de Novembro desse ano, o alto-comissário de Portugal em Angola, entrega o poder ao povo e afasta-se de Luanda para as águas internacionais. Portugal lavara as suas mão. Em Luanda, o MPLA proclamara a independência de Angola. Em Nova Lisboa, a UNITA e a FNLA. O resultado foram quase 30 anos de uma guerra fraticida entre povos irmãos que deixou o novo país completamente destroçado.

Carnaval em Porto Alexandre: anos 50 e 60












































A geração de 60 e os divertidos Carnavais em Porto Alexandre (actual Tombwa)

Esta era uma geração bastante divertida que animou a vida na vizinha Porto-Alexandre entre meados da década de 50 e meados da década de 60 do século passado.
Uma geração que não perdia «pitada» para se divertir a valer em dias de festa rija, como eram os Carnavais naquele tempo. O
O amplo salão do Clube Recreativo de Porto-Alexandre, que nesses dias se enfeitava a rigor, era o ponto de encontro destes jovens foliões. Mas a festa não se fazia apenas nos salões, fazia-se também nas ruas através de batalhas de «cocotes», enfarinhadelas, desfiles de carros alegóricos,
danças de mascarados etc. etc., como a 3ª foto tão bem testemunha.

Na 1ª foto: Os incansáveis parodiantes: Álvaro Faustino e sua amada esposa, Beta Pessanha, ladeados por Mena Coutinho e Fernanda Pires - Carnaval no campo do Ferrovia. Os restantes não consigo identificar. Foto gentilmente cedida por Manuel Manita.

Na 2ª foto:
Em cima - Mindinha , Rosa , Mena e Fernanda; embaixo - Álvaro e Beta Pessanha. Foto gentilmente cedida por Manuel Manita.

Na 3ª e 4ª fotos: grupos de jovens totalmente «enfarinhados» , entre os quais reconheço, na 3ª, da esq. para a dt.: Zequinha Carvalho, Eduardo Faustino, Carminha, Tedina?, Àlvaro, ???. Na 4ª ... entre os irmãos Baptistas, ...


Na 5ª foto:
entre este grupo de foliões, reconheço: Os eternos Beta Pessanha Álvaro Faustino, ?, Baptista, ?? e Helder.
Foto gentilmente cedida por Beta Pessanha

09 outubro 2007

Paroquianos de Moçâmedes e Porto Alexandre


 


1ª foto: Igreja de Porto Alexandre
2ª foto: Grupo de paroquianos em confraternização com o padre Pinto Lobo. Entre outros, encontram-se na foto, da esq. para a dt: Mélita Parreira da Cruz, Parreira da Cruz e esposa, professora Albertina (irmã do Dr Rui Coelho), Januário Tendinha, Lurdes Ilha Tendinha. Odete Maló de Almeida e filho, e mais à dt. Ângelo Nunes de Almeida (marido)
, o casal, Mª Luísa Arrobas e marido, o Secretário da Administração de Porto Alexandre, (pais de João A. marido de Olívia Pisoeiro, Fernando, Mª Emília A.Carneiro e Mª Fernanda A.da Silva, (que casou com o Prof. Neves).

07 outubro 2007

Alexandrenses festejam na rua a vitória do Independente: 1971







Duas fotos que mostram bem a alegria dos alexandrenses que vieram para a rua festejar a conquista pelo Independente Clube de Porto Alexandre, da monumental taça CUCA .

Na 2ª foto reconheço o conhecido casal de foliões, Àlvaro Faustino e Elizabete Pessanha Faustino, que ainda hoje, mais de 36 anos depois, animam com à sua maneira de ser e de estar, alegre e divertida, muitos dos bailes realizados em salões e hotéis algarvios, sobretudo da cidade de Portimão, onde residem.
Da equipe vencedora do campeonato de futebol de Angola por três anos sucessivos (1969, 1970 e 1971), contavam: Gavino, Gancho l (treinador e capitão) , Fernando, Cardeal, Quicas, Estrela ll, Estrela I, Osvaldo, Bastos, Armandinho, Mário José, Castro, Sancho ll, Agostinho e Neto.


Originalmente escrito por zezasancadas

INDEPENDENTE,GANHOU O CAMPEONATO,
MOSTROU,QUE ERA VALENTE,
FORTE E BATALHADOR,
CHUTANDO A BOLA,CORRENDO PRA DEFESA,
FEZ JOGOS COM DESTREZA,
COM ALMA E COM AMOR.

Ó VALENTE, INDEPENDENTE,
SÓ TU ÉS A NOSSA ADMIRAÇÃO,
DO DISTRITO,COM GALHARDIA,
TU ÉS O CAMPEÃO.

Alunas do Colégio Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes













































1ª foto: Alunas do Colégio Nossa Senhora de Fátima, entre as quais reconheço, da esq. para a dt., junto à irmã Doroteia, da dt. para a esq.: Mélita Parreira da Cruz (a pequenita), de mão dada com a irmã Maria Emilia Parreira da Cruz, tendo a seu lado Madalena Rios. A 2ª da esq. para a dt., filha do Ribeiro (Pires Correia). 1958

2ª foto: Alunos/as do Colégio Nossa Senhora de Fátima, junto da irmã Doroteia, entre os quais reconheço:
Em cima, da esq. para a dt: Cecília (prima da Paula Chalupa, a 3ª), Mélita (5ª), Adiana (6ª), Teresa Rangel, ????, Paula Turra (11ª).
Em baixo, da esq. para a dt.: Paula Chalupa (2ª), Fortunata (3ª), ????????, Tininha (11ª)
Em baixo, à frente: Raquel Esteves, ??????? 1960

3ª Excursão em comboio das alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátim a Sá da Bandeira, por ocasião das festividades da Nossa Senhora do Monte. 1961
Fotos gentilmente cedidas por Mélita Parraira da Cruz

Carnaval em Porto Alexandre:desfile de carros alegóricos:1961












































































1ª foto: Desfile de carros alegóricos num Carnaval em Porto Alexandre. Reconheço, entre outras, à esq., Fernanda Barata e à dt., em cima, Bernardete Tavares e Eteldina Carvalho (Tédina).

2ª foto: Desfile de carros alegóricos num Carnaval em Porto Alexandre.
3ª foto: Desfile de carros alegóricos num Carnaval em Porto Alexandre. Reconheço, em cima, ao centro Bernardete Tavares, e em baixo, à esq., Àlvaro Faustino.
4ª foto: A mesma carrinha em frente à Casa Augusto Sanches, Lda., numa das ruas da cidade.
5ª foto: Desfile de carros alegóricos num Carnaval em Porto Alexandre (1961). Neste carro encontram-se Mário e Abel Lopes, Eduardo e Àlvaro Faustino, e Chiquinho Sena.

Contou-me um dos ocupantes que os jovens que enfeitaram este carro e nele escreveram CNN «Santa Alegria» numa brincadeira de Carnaval, pretendendo nada mais que satirizar o assalto
ao paquete «Santa Maria» em Janeiro de 1961 pelo comandante Henrique Galvão, foram interpelados pela Pide que lhes exigiu explicações sobre a sua atitude desconfiando pelos vistos de alguma actividade subversiva eventualmente escondida por detrás dos ditos escritos... Henrique Garvão, com este gesto, pretendia mostrar ao mundo a falta de liberdades políticas existente em Portugal.
Fotos gentilmente cedidas por Álvaro Faustino.

Carnaval de rua em Porto Alexandre (Tombwa)




































































1ª foto: Rua da Igreja de Porto Alexandre (actualmente Tombwa):

Fotos seguintes: Foliões divertem-se num animado Carnaval de rua nos finais da década de 50, princípios de 60

2ª e 3ª fotos: Reconheço entre outros , em cima, da dt. para a esq.: Albertino Gomes (acordeon), Eduardo, Luisa (turbante), Silvério (a meio, de óculos), Claudete ( colar), John Tavares e Antonieta (pintados de preto).
Em baixo: Helder e Àlvaro

Na 4ª foto, reconheço entre os foliões, os irmãos Àlvaro e Eduardo Faustino, Rosa Gancho (2ª à esq.), ? Carvalho e ?

5ª e 6ª fotos: O mesmo Carnaval de rua em Porto Alexandre (Tombwa)

06 outubro 2007

Gente de Porto Alexandre





























1ª foto: grupo de jovens alexandrenses em noite de festa.

2ª foto: Grupo de alexandrenses posam para a foto junto da Casa de Modas Ferreira e Faustino, Lda., em Porto Alexandre (actualmente Tombwa). Reconheço, entre outros, à dt. Navarro, e a penúltima, à esq. Zázá Faustino.

3ª foto:Nesta foto, tirada numa das ruas de Porto Alexandre, junto a vivendas pintadas de branco, reconheço Àlvaro Faustino, Manuel Silva e Abel Lopes.