07 novembro 2007

Jovens moçamedenses à época frequentadoras do Curso da Cristandade: Finais da década de 60


Esta foto, tirada nos finais da década de 60, representa um grupo de jovens de Moçâmedes, à época frequentadoras de um Curso da Cristandade.
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Sobre os Cursos de Cristandade, sabe-se que estes surgiram com certa força numa época em que o mundo ocidental estava sendo atravessado por uma onda de contestação, em que todos os aspectos da vida são questionados: o poder da família, a autoridade do Estado, a emancipação dos povos, os direitos humanos, os valores tradicionais da burguesia, o ensino enciclopédico e elitista, as relações interpessoais etc, contestação que teve o seu auge em Maio de 1968, em França.
Viva-se num mundo dividido pela guerra fria, a crise de valores e a ameaça atômica, e nos EUA o movimento hippie emergia como uma corrente anarquizante, mesclada com laivos de pacifismo romântico: «Make love, not war», que traduzia, simultaneamente, uma atitude anti-belicista e de adesão à revolução sexual.

Na Metrópole, as ideias emancipalistas de libertação dos povos, os direitos humanos, influenciaram muitos jovens urbanos que, engajados politicamente participaram em lutas estudantis e laborais, procurando acompanhar os ventos da contestação a um sistema que consideravam caduco e que teimava em persistir preconizando a revolução social, as liberdades democráticas e a queda do regime.

Mas outros jovens trilhavam diferentes caminhos. Enquanto isto,
Igreja Católica animava movimentos de jovens e grupos de reflexão cristã num movimento nascido sob a influência da renovação que o Concílio Vaticano II tinha trazido, estendeu-se também às então províncias ultramarinas.

A Encíclica Pacem in Terris, proclamada por João XXIII em Abril de 1963, os debates e resoluções do concílio Vaticano II concluído em finais de 1965, e o movimento de revisão e abertura litúrgica, teológica e ecumênica protagonizada por Paulo VI visavam aproximar a Igreja da sociedade e do mundo moderno.
As pessoas organizavam-se em movimentos cívicos que promoviam encontros, reuniões, acções de entreajuda e muitas outras formas de expressão cultural que iam proporcionando um certo enriquecimento pessoal e colectivo. No mundo católico, alguns sectores questionavam as desigualdades sociais e os desequilíbrios mundiais, e apelavam para os direitos humanos, para a democracia, para o fim da miséria, da injustiça social, da tolerância religiosa, ao interesse pelo Terceiro Mundo, à mobilização contra a guerra, etc.

Grupos de jovens católicos praticantes nas suas localidades promoviam a reflexão, o debate para além de acções concretas tendo em vista a construção de uma sociedade mais justa, mais humana, mais solidária com jovens mais conscientes dos seus problemas e valores, do seu meio e da sociedade em geral.


Os anos 60, foram o apogeu da Acção Católica, do aparecimento do Movimentos para um Mundo Melhor e dos Cursos de Cristandade, entre outros
. É desta altura o Movimento Salon movimento começado em Angola os anos 60 com o padre Luís Carlos nos tempos da guerra colonial, numa altura em que de repente algo no seio da Igreja Católica se abriam horizontes de esperança a esses jovens que sentiram então o apoio da Igreja para revolucionarem e rejuvenescerem a forma de SER Igreja e de fazer Jesus Cristo vivo! Com a independencia de Angola, estes jovens partiram e plantaram as semente do movimento em Portugal e no Brasil!


Sobre a acção católica num mundo em mudança:http://www.entreostextosdamemoria.blogspot.com/

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