06 fevereiro 2007

Vida religiosa em Moçâmedes: crianças em dia de Comunhão, junto aos pais, catequistas, padre Galhano e colegas: 1946





Grupo de pais e crianças, em 1946, após a cerimónia da Comunhão Solene, posam para a posteridade, junto à porta da «Sacristia», espaço anexo à Igreja paroquial de Santo Adrião (traseiras), onde eram guardados os paramentos sacerdotais e as alfaias litúrgicas, e onde se efectuavam, após os cerimoniais, os registos de baptismos e casamentos, e, até registos de óbitos, nesse tempo em que estes eram lavrados pelos párocos.

Nesta altura o pároco era o Padre Guilhermino Galhano, figura simpática e de grande carácter humano, que aqui podemos ver, junto dos paroquianos, com a sua batina branca, as longas barbas negras e o barrete preto, que lhe davam um ar carismático. Aos domingos, após a catequese, era vê-lo, com a batina, a jogar à bola com a garotada, no terreno que ficava entre a Igreja e o Palácio do Governador. O padre Galhano chegou a alinhar pelo Ginásio Clube da Torre do Tombo. como podemos através da foto que segue..


Quanto às crianças e jovens comungantes, uns mais cerimoniosamente vestidos, outros menos, dependendo da bolsa de cada família, eram quase todos residentes no Bairro da Torre do Tombo, em Moçâmedes.

Da esq. para a dt., na linha da frente, o casal Manuel e Maria Monteiro ladeiam o filho, Manuel Dias Monteiro (*), e no extremo oposto, o casal Alda e Urbano Canelas e o filho Jorge Canelas. Ainda na linha da frente , o Licas de Sousa, Cambuta, os irmãos Manuel (Nelinho) e Armando Esteves (Trovão), o Rui Carapinha, o Mário Ferreira, a Nídia e o Amilcar (**) junto à mãe , Olga de Almeida, Elisio Soares (***). Mais atrás, a Lurdes Sena, a Lurdes Bernardino, ??? . Mais atrás, E ainda mais para trás a Paula Ferreira (Paulita), ?, a Isaura Almeida com o irmão Quinha e a irmã Cecília , e ...



(*) Manuel Dias Monteiro, após ter concluido os estudos, em Moçâmedes e Sá da Bandeira, ingressou na Faculdade de Medicina de Lisboa , onde obteve a licenciatura. Tendo regressado a Angola (Luanda),  exerceu Clinica no Hospital Universitário de Luanda, onde foi professor. Regressado a Portugal em 1975, Clica Geral no Hospital Egas Moniz e foi professor na Faculdade de Medicina de Lisboa. Em Lisboa, enquanto estudante, foi Presidente da Casa dos Estudantes do Império.
(**) Amilcar de Sousa Almeida, apos ter concluidos os estudos em Moçâmedes, ingressou na Faculdade de Direito, em Lisboa, onde se licenciou, tendo exercido,em Lisboa, onde se radicou, os cargos de Conservador em Lisboa, e Notário em Almada. Em Lisboa, enquanto estudante, frequentou a Casa dos Estudantes do Império.
(***)  Elisio Soares, era filho Elísio Henriques Soares, comerciante e agiota, tido como o homem mais rico de Moçâmedes, também conhecido por «Passa Fome».

Crianças de Moçâmedes/actual Namibe, em dia da Comunhão, junto aos pais, catequistas, padre Galhano e colegas: 1946

Da esq. para a dt., na linha da frente, o casal Manuel e Maria Monteiro ladeiam o filho, Manuel Dias Monteiro (Necas), e no extremo oposto, o casal Alda e Urbano Canelas e o filho Jorge Canelas. Ainda na linha da frente , o Licas, os irmãos Manuel (Nelinho) e Armando Esteves (Trovão), o Rui Carapinha, o Mário Ferreira, a Nídia e o Amilcar, junto à mãe , Olga de Almeida. Mais atrás, a Lurdes Sena, a Lurdes Bernardino, ??? . E ainda mais para trás a Paula Ferreira (Paulita), ?, a Isaura Almeida com o irmão Quinha e a irmã Cecília , e ...

Vida religiosa em Moçâmedes (hohe cidade do Namibe), Acção católica,








 
Grupo de Jovens senhoras da JIC (Juventude Independente Católica) posam para a posteridade nas escadarias do páteo interior da Câmara Municipal de Moçâmedes. Entre outras, reconheço, de frente para trás e da esq. para a dt:1ª fila: Aida de Jesus, Madalena Frota, Rosa Bento, Alice de Castro, Marieta Frota, ? ?, Lurdes Ilha, Gabriela Cerqueira, Manuela Bajouca, Odete Teixeira e Ermelinda Peleira. 2ª fila: Manuela Cerqueira, Madalena Pestana, Leonor Bajouca, Fátima Freitas, Lili Cabral, Dília Martins Nunes, ?, ?, Lúcia Gavino. 3ª fila: Lurdes Velim, Adelina Teixeira, Flávia Teixeira, Isabel Ferreirim e Lili Trabulo 5ª fila: Josefina Sena, Luz Gavino, Eugénia Alves, Ruth Gomes e Aninhas Gouveia.

  Grupo do Sagrado Coração de Jesus
 Grupo do Sagrado Coração de Jesus
 Grupo de Acção cristã com mucubais
 Grupo de paroquianos com padres
 Senhoras de Porto Alexandre, com Padre Simões Serralheiro

Algumas das fotos aqui postadas são da década de 1950, as primeiras, outras já são dos anos 160. Portanto trata-se de dois periodos de actividade em Moçâmedes e em Porto Alexandre da Acção Católica, que foi a mais forte organização do laicado em Portugal.

Começou no primeiro quartel do século XX, com S. Pio X e Bento XV.  Por volta de 1920, o Papa Pio XI preocupado com a missão da Igreja diante dos desafios e das grandes mudanças na realidade mundial (processo de urbanização e industrialização), estimulou a chamada Acção Católica como espaço de participação dos leigos no apostolado hierárquico da Igreja, para difusão e a atuação dos princípios católicos na vida pessoal, familiar e social.

Na década de  1950 surgiu a Acção Católica Especializada com a JAC (Juventude Agrária Católica), a JUC (Juventude Universitária Católica), a JEC (Juventude Estudantil Católica) a JOC (Juventude Operária Católica) e a  JUC (Juventude Independente Católica, o início de um novo modelo de evangelização para os jovens, sector da população mais vulnerável e mais levado a mudanças radicais.  A década de 1960 é marcada por profundas mudanças em âmbito político, económico, social e religioso sob o signo da Guerra Fria com mundo diividido zonas influencia EUA e USS .

No anos 1960, os jovens estudantes católicos que militavam na JUC denunciavam os males do capitalismo, reivindicavam a substituição da economia de mercado, que visava lucro, por uma economia mais igualitária de acordo com os princípios sociais. Nas fileiras católicas temia-se então a infiltração das ideias comunistas e socialistas, sob a capa do progressismo. É dentro desse contexto histórico que o papa João XXIII convocou o Concílio Vaticano II, iniciado em 8/11/1962 e terminado no papado de Paulo VI em 8/12/1965, que ficou a marcar uma viragem na postura da Igreja, afastando-se da conservadora contemplativa na sua luta por alfabetizar e conscientizar politicamente as camadas populares proclamaram o direito da pessoa humana à liberdade religiosa reconheceram os valores contidos em outras religiões e chamaram seus fiéis ao diálogo com elas Igreja como uma estrutura hierárquica, mas como um conjunto de crentes iguais entre si.

A primazia do papa fica inalterada, mas os bispos, os clérigos e os laicos são convidados a se engajar mais na vida e na missão da Igreja. Em Portugal, os movimentos então surgidos foram os precursores da Acção Católica propugnada pelo Papa Pio XI, de que o grande paladino em  Portugal foi o Cardeal Cerejeira que previu as mutações do pós-guerra, o perigo comunista, com a vitória da Rússia entre os Aliados.

Com o Vaticano II, ao mesmo tempo que a Acção Católica entrava numa certa penumbra, iam surgindo com grande pujança, outros movimentos, como o Movimento por um Mundo Melhor, os Cursilhos de Cristandade,  com aspirações por uma sociedade justa, igualitária, materializadas na luta contra as desigualdades sociais, pelo acesso à educação e à cultura.o entanto, o indicador mais visível da mutação católica é mesmo a reforma litúrgica. A relegação do latim, em benefício das línguas vernáculas, desperta a oposição do monsenhor Lefebvre e de uma minoria tradicionalista. Mas estes contestam, na verdade, o espírito de abertura e reforma do Concílio.

Recordando lugares e gentes da nossa terra: Jovens divertem-se no tanque de água da Horta do Torres (anos 50)


No verão, aos domingos, era assim na Horta do Torres em Moçâmedes, e a tradição manteve-se até bem dentro dos anos 50. Era hábito as famílias juntarem-se em piqueniques à sombra das frondosas mangueiras. Aí passavam as tardes comendo, bebendo, conversando, divertindo-se, e também descansando e recuperando forças para a semana seguinte. Os mais jovens, à falta de uma piscina, utilizavam o tanque das Horta, e alí como se pode ver, reinava a folia e a animação.

Entre estes jovens, (foto tirada em 1950), podemos ver tomando banho, em primeiro plano: Mavilde e Fernando de Andrade (Caguincha), mais ao centro, Du Carvalho, Calila, Caparula, Mário Bagarrão, e ao fundo, à dt. Orlando Salvador e Álvaro Sereeiro. De pé, junto ao tanque e da esq. para a dt.: Alice Castro, Maria Fonseca, Carolina Mangericão, Fernanda Pólvora Dias e Mária Barbosa

A horta do Torres era de facto aquela que canalizava o maior número de visitantes, pelas condições que oferecia a quem quizesse passar um dia diferente, em ambiente campestre, respirando o ar perfumado que emanava das diferentes àrvores de fruto que ali facilmente encontravam; deliciosas mangas, goiabas, enormes cachos de uva, mamões, papaias, etc. etc. Moçâmedes possuia um clima favorável à vinha e à oliveira, porém a politica monopolista imposta poe Salazar e o Governo português , para favorecer as exportações do vinho e do azeite de oliveira da Metrópole, nunca permitiu ali exploração industrial da vinha e da oliveira em Angola. E assim Angola ia perdendo, até ao início da década de 60, oportunidade após oportunidade de se abrir à industrialização de uma imensidão de produtos que a natureza pródiga a contemplara.

MariaNJardin

Conjunto musical do Programa «Variedades» do Rádio Clube de Moçâmedes nos anos 50..

 

Foto Salvador


Moçâmedes em matéria de divertimentos e distrações, desde os tempos mais recuados não deixava nada por mãos alheias. Este conjunto musical participava na altura no programa «Variedades» do Rádio Clube da cidade. Estava-se por volta de 1954, nessa famosa década que mobilizou toda uma população desde os mais jovens até aos de meia idade, em que foi lançada a ideia da organização de um conjunto ou "orquestra do Rádio Clube de Moçâmedes", tendo à cabeça o venerando fotógrafo e musico amador, José Antunes Salvador, saxofonista e chefe da orquestra, para além dos pianistas Afra Leitão, Arminda Alves de Oliveira, Rosa Bento e Martins da Alfândega, dos violinistas Santos Cezar e Fernando Osório (do Banco de Angola), do acordeonista, Raul Gomes Filho (que também tocava guitarra e viola), e dos bateristas Firmo Bonvalot e Albertino Gomes, naõ esquecendo o trompetista, Anselmo de Sousa que há época trabalhava no Abilio Simões.

Segundo Orlando Salvador, filho de Antunes Salvador, "...as musicas, em pauta, eram conseguidas junto das orquestras de bordo dos paquetes que 2 vezes por mês aportavam à  baia de Moçâmedes. O Pai fazia amizades com os musicos de bordo e estes cediam, por gentileza, as músicas e canções em voga na Metrópole, que seriam cantadas aos microfones do Rádio Clube, depois de orquestradas pelo mestre Salvador. Os jovens e moças do Namibe, respondendo ao apelo, apresentavam-se para ver se tinham jeito, ( os castings de hoje...) .  

Recordando algumas das vozes que davam brilho aos programas de "Variedades"., eram elas, Isabel Maria Sena Costa, Noelma de Sousa (Velim), Maria Emilia Ramos (que se destacou no dia em que cantou La vien Rose), Octávia de Matos com as suas marchinhas brasileiras (a Carmen Miranda do Namibe). De destacar a grande fadista do Namibe, Julia Gomes, filha do Raul Gomes, o guitarrista oficial da cidade que nos surprendia em todas as actuações acompanhadas à viola pelo seu irmão "Baía" e pelo seu pai, à guitarra. No rol dos cançonetistas do RCM que dia a dia aumentava, recorde-se, ainda, as bonitas vozes de Rosa Bento, Nélinha Costa Santos, Lili Trabulo com o seu cantar lânguido, Néne Evangelista "Boneca" que casou com o Turra, o romântico José Luis da Ressureição que nos deliciava com o reportório do saudoso Francisco José. Sobre o Zé Luis, está ainda na minha memória o lindo e sentido fado, com musica e letra do juiz da Comarca Dr. Marques Mano, intitulado NAMIBE. O José Luis entregava-se de alma e coração cantando este fado com o estilo "Coimbrão" . Também cantava fados de Coimbra, o amigo Estevão que trabalhava na Robert Hudson.  Não quero esquecer Adriano Parreira, o Mário Lanza do Namibe, sempre presente nestes programas de variedades. Que me perdoem outros Amigos e Amigas que também enriqueciam este programa, a quem, por lapso momentâneo de memória, não faço agora referência».
Recordando a figura de Antunes Salvador, numa revista teatral que foi levada à cena em Moçâmedes, brincando com os seus dotes musicais, cantavam :

Tocam hinos, tocam óperas
tocam marchinhas e valsas
e o Salvador tanto assopra
que arrebenta o cós das calças ...


Fica mais esta foto  e estas recordações de doces momentos momentos passados num outro tempo naquela que sendo então Moçâmedes, é hoje a cidade do Namibe.

MariaNJardim