09 fevereiro 2007

Escola Comercial de Moçâmedes (década de 50)




As instalações da Escola Comercial de Moçâmedes (década de 50). Esta Escola nasceu como Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes

 

Concentração de alunos/as da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, no terreno que ficava em frente à antiga Secretaria da Escola e Departamento da Mocidade Portuguesa, onde foi construida a Maternidade do Sindicato dos Empregados do Comércio e Industria de Moçâmedes.  Neste dia chegava a Moçâmedes, de comboio, vindo de Sá  da Bandeira, o Presidente da República Portuguesa, Craveiro Lopes. Corria o ano 1954, o Presidente da República portuguesa tinha acabado de inaugurar, em Vila Arriaga (Bibala), a nova bitola dos Caminhos de Ferro, e vinha presidir ao lançamento da 1ª pedra do cais comercial. Sobre o Ensino Secundário em Moçâmedes clicar aqui




Finalistas do Curso Geral de Comércio da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes com a professora Albertina, nos jardins da Avenida de Moçâmedes. Da esq. para a dt. Em cima: Roberto Trindade, Daniel Santos, Leitão, Clélio Cunha, Rui Almeida Barbosa, António Pessoa, Rui Coelho, Fausto Gomes, Claudino Alhinho (Joldino). Embaixo: ?, Geni Guerra, professora Albertina, Jorge Carrilho e José Fernando Soares.


 Grupo de alunas da Escola Comercial de Moçâmedes e corpo docente, no quintal do edifício, situado nas traseiras do mesmo

 Grupo de alunas da Escola Prática de Pesca e  Comercio de Moçâmedes e corpo docente, no quintal do edifício, situado nas traseiras do mesmo, à época bastante degradado. 1950

Grupo de alunas e alunos da Escola Prática de Pesca e  Comércio de Moçâmedes em excursão à Matala. 1956


Grupo de alunas e alunos da Escola Prática de Pesca e  Comércio de Moçâmedes em excursão à Matala. 1956
 

Na fachada da Escola, a cerimónia da despedida do Dr Mário da Ressurreição Borges, director da Escola até 1954 que é substituído pelo Dr Olimpio Nunes



 Na Praia das Miragens numa abertura sem aulas. Em cima, da esq. para a dt: Lurdes Faustino (Pitorrinha) , Graça Nunes de Sousa, e Rosalina Nunes. Embaixo: Lurdes Tavares, Ricardina Lisboa, Mª Rosário e Nidia.
 Cerimónia da despedida do antigo Director da Escola Comercial de Moçâmedes, Dr Ressurreição Borges e da passagem do lugar ao novo Director, Dt Olimpio Nunes.  Do corpo docente, encontravam-se a assistir ao acto , de entre outros, o mestre Cecilio Moreira (Educação Fisica), o professor Carrilho (dactilografia e estenografia). Encontravam-se também presentes o Professor Marques, Director da Escola Portugal,  Egidio Robalo, da União Nacional,  etc, para além de alunos e alunas da referida Escola.
Alunos finalistas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, no ano de 1956 posam para a posteridade, vestidos de negro , na Avenida de Moçâmedes, após o último dia de Aula. São, da esq para a dt. Em cima: Alhinho, Violete Velhinho, Cacilda, Daniel Santos,  José Fernando Siares, Tio Coelho de Oliveira, Geni Guerra, Leitão, Antonio Pessoa, Jorfe Cattilho, Roberto Trindade e ?. Embaixo, atrás: Fernanda Almeida, Lurdes Faustino, ?, Ildete Bagarrão,  Lurdes Infante da Câmara, Eduarda Bauleth Almeida, Maria do Rosário Antunes e Aurota Vieira. Á frente; Ricardina Lisboa, Nidia Almeida e  Celisia Calão .


 Peça de Teatro no Cine Moçâmedes dos alunos e alunas finalistas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, no ano de 1956
 
  Peça de Teatro no Cine Moçâmedes dos alunos e alunas finalistas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, no ano de 1956

 
Baile dos finalistas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, no ano de 1956, no salão so Atlético Clube de Moçâmedes. Da esq. para a dt: M. Rosário, Noémia Tosado, Ricardina Lisboa, Mª de Lurdes Infante da Câmara, Fernanda Almeida, Aurora Vieira, Violete Velhinho, Lurdes Faustino, Rosalina Nunes, Esuarda Bauleth Almeida, Celisia Calão, Nídia Almeida e Ildete Bagarrão

Grupo de alunas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes. Data provável: 1955/6. 

Em cima, da esq. para a dt: Antonieta Rodrigues (Boneca) , Rosália Bento, ?, Teresa Freitas, Herondina Minas,   Professora e Irene Barata. Embaixo:  ?, Julia Minas, Zelda Ferreira da Silva, ?, Mariália Matos e Claudia Guedes. à frente: Milocas, ? , ? Rodrigues e  ?Alhinho.
 Festa dos Finalistas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes em 1956
 
 Professora Edvige com suas alunas de Formação Feminina

Professora Edvige com alunas da Escola Comercial e Industrial da Moçâmedes em 1956/7
Reconheço, entre outras: Vitória Franco, Betonha Bagarrão, Mariália Matos, e? Diogo,  à esquerda . À direita,  ?Rodrigues, ?, Simone Alhinho, Teresa Freitas e  Maria do Carmo Barra.
 

 Professora Edvige com suas alunas de Formação Feminina

As mesmas alunas com outra professora cujo nome não me ocorre
 

FIM





































Bailes de Carnaval e passagem de ano na década de 50 e princípios da década de 60.












Estas fotos levam-nos até aos animados bailes de Carnaval que se realizavam nos amplos salões do Atlético Clube de Moçâmedes e do Clube Nautico (Casino), nos finais da década de 50, princípios da década de 60.

1ª foto: Num baile de Carnaval, podemos ver em primeiro plano Noelma Coelho (basquetebolista do Sporting Clube de Moçâmedes) e José Luís Pardal.

2ª foto: Nesta foto reconheço também o moçamedense José Luis Gomes Ferreira (mais conhecido por José Luis Pardal)

3ª foto: Entre outros/as, reconheço, da esq. para a dt.: Luisa Polvora Dias, ?, Diogo Baptista e ? , Isaura Aguilar e Polvora Dias, e atrás Rui coelho de Oliveira e Rosália Bento. Ao centro e atrás, Amélia Castro.

4ª foto ao centro, Raquel Nunes e Diogo (mascarado), ensaiando uns passos de dança que Raquel tão bem sabia acompanhar.

5ª foto, um baile e passagem de ano no Club Nautico, nos finais da década de 50. Ao centro, pode ver-se, o casal Fernando(de costas) e Orlanda Cabeça, um pouco à dt., o casal Orlando e Amélia Salvador. À dt.???..

O salão de festas do Atlético Clube de Moçâmedes era um amplo salão, com todas as condições para servir os desejos de diversão das gentes da cidade do Namibe. Contudo, era o salão do Club Nautico, ou Casino, situado numa zona previlegiada, junto à Praia das Miragens,
o mais elegante da cidade, sendo frequentes em ambos, as matinées dançantes alí realizadas aos domingos, e os bailes, aos sábados à noite, em épocas festivas, como na passagem de ano, (Reveillon), no Carnaval, etc. Muitos dos jovens frequentadores dos bailes do Clube Nautico, sobretudo no Carnaval, que em  Angola decorre em pleno Verão, tinham o hábito de acabar a festa na Praia das Miragens , mesmo ali em frente., onde ficavam até à hora do almoço.  E o mesmo nos Reveillons, em fins de ano, também já considerada uma época quente, tinham o hábito de acabar dormindo na areia da praia até começar ao sol a raiar e  gente a chegar. 


Na década de 1950 os bailes e matinées dançantes eram abrilhantados pelo famoso  e muito estimado conjunto musical «Os Diabos do Ritmo», com Albino (Bio) Aquino ao piano (ou ao acodeão),  Lito Baía ao acordeão, ( ou à guitarra)  Albertino Gomes, o baterista,  Marçal ao saxofone, Frederico Costa e Serieiro com as suas maracas. Mas os «Diabos do Ritmo» também tinha os seus vocalistas. Recordo-me por ex. da voz de Henrique Minas e de José Manuel Frota, que actuavam de quando em quando. Quantos bailes de Carnaval e «Reveillons» ficamos a dever a este grupo de talentosos amadores de música cheios de vivacidade e contagiante alegria! Era quase uma orquestra! 

Quando estes «arrumaram» os seus instrumentos e deixaram de tocar, surgiram as «bandas», com menor número de intervenientes, geralmente constavam de dois à guitarra (o baixo e o solista), o sintetizador (o teclas) e o baterista, além do vocalista. Recordo a banda de Laurentino Jardim (baixo), Antero (bateria), Vieira (solista) etc. Outra banda denominada «Os Selvagens» era composta por Carlos Cristão (baterista),  Fernando Vieira (viola solo), Beto Leitão (viola ritmo) Ginho  Chalupa (viola baixo), Reinaldo Bento e Rui Vieira (vocalistas).

No Clube Nautico também se organizavam concursos infantis de máscaras de Carnaval, além de passagens de modelos esporádicas. Durante a época balnear, o Club Nautico chamava a sí a organização de competições de natação, vela, remo, e durante todo o ano, no seu campo de jogos, decorriam treinos e disputas em modalidades, como o ténis, sendo ainda este campo, frequentemente emprestado para treinos a outros clubs, como o Ginásio Club da Torre do Tombo, que alí ia treinar a sua equipe de basquetebol feminino. Nos últimos anos da colonização portuguesa, a actividade do Club Nautico, excepto os bailes que foram espaçando, mantinha-se ténis e os jogos de mesa, ou seja jogos de cartas, poker com seus «habitués», vulgo «batota». 

Chegou a haver em determinada altura, nos finais dos anos 1960, um grupo de moçamedenses que  procurou pôr em prática um projecto que consistia em fundir o Casino com o Rádio Clube sob o nome «Rádio Clube Nautico de Moçâmedes». Este projecto que nunca foi levado à prática passava pela venda do edifício do RCM  para com o produto  da mesma se proceder à conclusão do 1º andar do clube onde ficaria instalada a emissora de rádio.

Já  nos últimos anos da permanência portuguesa Marilia Cavaco  passou a explorar na cave do Clube Nautico aquela que foi a primeira Discoteca da cidade, na cave do Clube, fazendo-se a entrada para a mesma através das traseiras.Foi a partir daí que teve início uma sociabilidade separada, porquanto os jovens, principalmente as raparigas iam aos bailles do Atlético e do Casino geralmente acompanhadas da familia e amigos, gente de diferentes idades que frequentava estes  salões, e a partir daí passaram a encontrar-se com jovens da sua idade.


MariaNJardim



Foto: Era uma vez Angola...

Recordando eventos na nossa terra: baile de Carnaval no Atlético Clube de Moçâmedes em 1954


1ª foto: Os Reis de Carnaval eleitos num baile realizado no salão do Atlético Clube de Moçâmedes na década de 50. Foram eles Maria Júlia Maló de Abreu (Pitula) e ?
Ao microfone, o grande chefe de produção do Rádio Clube de Moçâmedes, Carlos Moutinho, e a seu lado sustentando o microfone, Oliveira (Maboque). À esq. Lalai Jardim e por detrás da «rainha do baile», Silvestre.

Um baile de Carnaval no salão do Atlético Clube de Moçâmedes, e para mais abrilhantada pelo conjunto musical «Os diabos do ritmo», que aqui vemos na 1ª foto, era sempre uma festa animadíssima que se prolongava até às tantas da madrugada, quando não até ao despontar do dia, acabando os mais jovens, por, muitas vezes, por sairem dalí, directamente para um banho na praia das Miragens.

Para além do Atlético, os bailes de Reveillon também se faziam salão do Clube Nautico, vulgo Casino, meso de fronte da Praia das Miragens. Nesse tempo, jovens e gente de mais idade, confraternizava e divertia-se sem problemas, como se pode verificar pela foto. As jovens raparigas apareciam sempre acompanhadas das mães ou de familares e amigas de mais idade , como era de bom tom, não fosse o diabo tecê-las...

Por esta altura, meados da década de 1950, dançava-se, ainda não, o rock-and-roll ou o twist, mas tangos, valsas, slows, boleros, músicas basileiras, marchas, etc.. Mas nos dias de Carnaval eram as marchinhas brasileiras, os baiões, rumbas e passodobles...

Nesta foto, tirada na passagem de ano 1954, podemos ver entre outros, da esq. para a dt, em primeiro plano, Rui Bauleth de Almeida e Octávia de Matos, ( filha de Octávio de Matos) Maria Nídia Almeida e Arménio Jardim (hoquista do Atlético Clube de Moçâmedes), Antunes Salvador (o mais antigo fotógrafo profissional de Moçâmedes) e Justina Salvador. Mais atrás, e também da esq. para a dt.: Monteiro, Cristão (Quitolas), e mais ao fundo, Artur Homem da Trindade (desenhador de projectos de construção civil (*). Referi aqui o nome de Antunes Salvador (no canto dt., de óculos), gostaria de registar, que este Sr., foi o mais antigo fotógrafo de Moçâmedes, e touxe consigo de Àfrica, um valioso espólio em fotos de Moçâmedes que têm vindo a ser publicadas em livro, não deixando deste modo, morrer memórias, que são afinal um património de todos nós, angolanos e portugueses. Foto gentilmente cedida por M. Carmo Matos.

(*) Artur Homem da Trindade deixou a sua marca na cidade de Moçâmedes através do grande número de casas e edificios publicos de grande qualidade estética que desenhou, entre os quais creio que o edifício dos CTT, o da Associação Comercial e grande número das mais belas vivendas que alindavam a cidade.
(*)vidé GENTE DO MEU TEMPO.: Caça ao elefante no Deserto do Namibe, Moçâmedes, Angola

Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes: Espectáculo dos finalistas no Cine Moçâmedes 1957



















1ª foto:
Uma peça do mesmo espectáculo interpretada por: Noemia Rosado, Antonieta, Guida Frota, e Maria da Graça Nunes de Sousa tirada no decurso de um espectáculo realizadio no Cine Moçâmedes, por ocasião da festa de despedida dos alunos/as do Curso de Formação Comercial da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes 1956.

2º foto:
Da esq. para a dt: Eduarda Baulleth de Almeida, Ildete Almeida Bagarrão, Lurdes Faustino (Pitorrinha), Augusta Neves Almeida, Aurora Vieira, Cacilda, Violete Velhinho, Daniel Santos, Geny Guerra, José Fernando Soares, Jorge Carrilho e Rui Coelho de Oliveira
Fez parte do espectáculo uma cena de teatro na qual José Fernando Soares sentado numa secretária imitava o Dr Ressurreição Borges no seu modo de lidar com os alunos, cena muito bem interpretada e muito aplaudida.

Fotos do meu album

Histórias tristes ocorridas na cidade de Moçâmedes: a morte da FOCA que um dia a nós viera...



Curiosos junto da FOCA na fonte de água luminosa de Moçâmedes. Foto Salvador


Curiosos observando as habilidades da FOCA. Da esq. para a dt: Daniel Santos, Camilo Costa, Passos (de óculos), ??, Anatálio Pereira, ?, Rui Figueiredo (Rabiga), Calita Guerra, Castelo Branco, ?, e Rui Coelho de Oliveira. Foto Salvador


Carlos Moutinho, radialista do Rádio Clube de Moçâmedes, simulando uma entrevista à FOCA. Uma paródia para um programa, atentamente observada por várias pessoas, entre os quais,  Fonseca e Castro, e  Bica. Foto Salvador


                                Curiosos junto da FOCA. À dt. o edifício do Banco de Angola

 
           O poeta moçamedens, Angelino da Silva Jardim, autor do poema "A FOCA", tendo a seu lado  Lurdes Jardim. Ao fundo o Palácio da Justiça

Duas fotos que retratam um mesmo trecho da Avenida da República, em Moçâmedes. Na de cima, em todo o seu esplendor nocturno.


Neste vasto jardim da Avenida da República, paralela à Rua da Praia do Bonfim,  num local em frente ao edifício do Banco de Angola, onde  ainda no início da década de 1950 existia um Coreto, foi construido um tanque/fonte de água luminosa, onde a determinada altura, entre finais da década de 1950 e início da década de 1960, foi colocada uma FOCA, uma grande FOCA que, vinda do pólo sul influenciada pela corrente fria de Benguela (1), havia chegado à nossa praia...Capturada e levada para o tanque do jardim, a FOCA ali viveu o tempo suficiente para se tonar um atractivo para quem passava e sobretudo para as crianças, dado que já familiarizada, vinha até elas para receber o alimento que lhe traziam para comer. Mais tarde, e não se sabe porque razão, a foca acabou por ser libertada e levada para o mar, e como persistisse em voltar para terra, foi ali mesmo, junto à praia, entre o edifício da Capitania e a Fortaleza, na presença de mulheres e crianças, fria e barbaramente abatida pela autoridade máxima da Capitania do Porto de então, cujo nome todos os moçamedenses conhecem, e não vou aqui citar... Acto vil que indignou muita gente e que se a outros poderia teria passado despercebido, não foi indiferente ao poeta, ser por natureza dotado de fina sensibilidade.  Este acto inspirou o poema que a seguir transcrevo, saído da pena do moçamedense Angelino da Silva Jardim, que ficará para sempre ligado a este acto e à pessoa que o praticou:


A FOCA

Foi morta, a tiros vis, a foca, a Grande foca
Que, um dia, a nós viera,
Que deixara, no polo, a neve e a sua toca,
Seguindo uma quimera.

E que, depois, aqui, no centro do jardim,
Num tanque aprisionada,
Foi o enlevo, o riso, o mágico arlequim
De toda a pequenada!

Nostálgica do mar, sofreu a sua dor
Em paz e humildade,
Até que, um dia, um pobre sonhador
Lhe deu a liberdade!

Antes não fora assim, antes não fora,a morte
Rondava à beira-mar,
Toda incarnada em ti, homem de negra sorte
E de sinistro olhar!

A frio, sem tremer, sem uma hesitação,
O ente iluminado
Atira e atravessa, a rir, um coração
Ao seu sincronizado!

Guiou-lhe a mão letal o instinto assassino
Do homem das cavernas
Que a cabeça esconde em face do destino
E pensa com as pernas!

Nero era mau e vil, um ente sanguinário,
Um monstro matricida,
Que alimentava, em si, o sonho visionário
De destruir a vida!

Mas era simplesmente um bárbaro inculto,
Um cérebro doente
E a História, ao pesar o seu viver estulto,
Se queda indiferente!

Mas tu, filho da... luz, da civilização,
Que podes alegar
Se, um dia, a tua vil e criminosa acção
Alguém quizer julgar?!

Que foste previdente e a praia libertaste
De um animal feroz?
Ou que outra razão estúpida inventaste
Para o teu crime atroz?!
Para a sociedade és sempre o ilustre capitão,
Mas, para as crianças, tu... não passas de um papão
Que fere e que destrói a frio, sem piedade,
Sem alma, sem respeito e sem humanidade|!
Olha em redor, a vida é sonho e é grandeza
E tu vives também e és bicho com certeza!

Angelino da Silva Jardim

Poeta natural de Moç
âmedes
 
***

Sabe-se que por via deste poema, o referido capitão do porto se deslocou ao Banco de Angola onde trabalhava o poeta para se inteirar de quem se tratava...




(1)
O mar do distrito de Moçâmedes era um mar riquíssimo em pescado, aspecto que se deve à corrente fria de Benguela que constitui um dos mais importantes factores de moderação climática da zona. Era comum focas e pinguins darem à costa em Moçâmedes, trazidos pela corrente fria de Benguela, acontecendo haver pinguins que vinham de zonas tão distantes como a Patagónia, na Argentina.
  Isto, porque um dos braços da corrente quente do Brasil que aparece sobre o Equador, avança para o Atlântico Sul e acompanha as costas do Brasil e da Argentina. Nos mares da Antártida choca contra as geleiras da região, apodera-se de icebergues e mistura-se com outras correntes de água fria. Então começa a desviar-se em direcção à costa ocidental de África e passa a denominar-se «corrente fria de Benguela». Arrastando grandes blocos de gelo, avança com eles em direcção à costa de Angola. Cada icebergue é um zoológico ambulante onde navegam grupos de focas e pinguins, muitos dos quais terminam a sua viagem nas praias da Baía dos Tigres, Porto Alexandre ( actual Tômbua) e Moçâmedes (actual Namibe).


Caminhando pela Rua das Hortas na década e 30


Caminhando pela Rua das Hortas na década e 30. À esq., de capacete, Florinda Jardim.
Foto encontra no espólio da minha sogra, 70 anos depois....

Gente da nossa terra (1970)

Nesta foto podemos ver três conhecidos moçamedenses. Gestrudes Ferreira, Idalinda Ferreira e Álvaro Ferreira