14 março 2007

Posto Experimental do Caraculo - Moçâmedes (actual Namibe)







Panorâmica do Posto Experimental do Caraculo 1



Panorâmica do Posto Experimental do Caraculo 2

Preparando a fecundação artificial das ovelhas indigenas para 
cruzamento com carneiros de raça

   Uma cria


 Varias crias no Posto Experimental do Caraculo
 
 
  Dr Santos Pereira inspeccionando as crias, enquanto director da Estação Zootécnica da Humpata (Huila)
 
Registo dos borregos karakul
O Presidente da Republica portuguesa Américo Tomás, na companhia do Ministro do Ultramar, inaugura a exposição do Caraculo. À dt., o moçamedense, Raúl Radich Júnior,  Presidente da Associacao Comercial de Moçâmedes.




A região do Caraculo, situada a 70 km de Moçâmedes (Namibe), na estrada para Sá da Bandeira (Lubango) foi a região escolhida pelo Estado português no início da década de 50, para instalar este posto experimental para exploração em grande escala de ovelhas Karakul destinadas ao abate nos três primeiros dias de vida, tendo como objectivo o comércio de peles.


Esta escolha ficou a dever-se ao facto da região reunir condições similares à das estepes e semi-desertos do Turquistão Oriental, actual Uzbequistão, assim como das regiões do norte do Irão e do Afeganistão, onde a raça já existia há 1.000 anos, tendo, a partir dai se espalhado gradualmente para outras regiões da Ásia Central, Ásia Menor e sul da Ásia até à India e China.

Sobre a raça Karakul, foram as condições adversas sob as quais evoluiu, que deram a estes animais força longividade, resistência, resistência aos parasitas, etc., de tal modo que, se tiverem acesso a uma alta disponibilidade de forragens, são capazes de armazenar energia, principalmente através de sua cauda gorda, para sobreviverem a períodos de falta de alimentos, situação que outras raças não aguentariam. A raça Karakul suporta grandes variações de temperatura, do frio ao calor intenso e deve ser criada e mantida em locais secos, longe de pastagens alagadiças, em regiões com vegetação típica de deserto e com disponibilidade de água limitada, uma vez que armazenam muita gordura em suas caudas, como resultado de uma adaptação desenvolvida para a sobrevivência em ambiente inóspito, tendo chegado a percorrer 30km em busca de alimento e água.

O cordeiro Karakul é abatido nos três primeiros dias de vida para se obter uma pele de qualidade superior, a nobre pele conhecida por ASTRAKAN, muito apreciada e reservada especialmente à confecção de casacos de senhora. ASTRAKEN é nome de uma cidade do Mar Cáspio onde os franceses adquiriam as suas peles, pois à medida que os cordeiros crescem, as ondulações do velo vão se espaçando e a coloração vai se tornando acinzentada , havendo também perda da maciez. 

O Posto Experimental do Caraculo, era nos últimos tempos da colonização portuguesa uma exploração modelo saída do sonho do veterinário Dr Santos Pereira  (vidé foto acima), por proposta ao Governador Geral de Angola Agapito da Silva Carvalho, ao ter presenciado no decurso de uma visita a Namibia como naquelas terras deseéticas se procedia à criação do gado ovino de raça Karkul, tendo o gado ali criado passodo a fornecer aos mercados uma das peles mais brilhantes e leves de todo o mundo. Seria o próprio veterinário a seguir para o deserto, a escolher o local e a lançar as bases da exploração modelo , cuja produção de peles viria a ganhar um prémio internacional, tendo a região do Caraculo, no distrito de Moçâmedes (Angola), sido considerado uma das regiões que produzia as melhores peles do mundo, dada a sua leveza e brilho.
Tecnicamente apoiada e incrementada por este PEC oficial, sob a orientação do seu iniciador e director, conforme refere A.M.Cristão no seu livro «Memórias de Angra do Negro-Moçâmedes» , pg. 104, nos anos 70 existiam já 17 criadores particulares, mais de 60.000 cabeças e já se haviam realizado 5 leilões de peles (sendo o último em Londres, com 800 peles). Refere ainda A.M.Cristão que não foi tarefa fácil dada a carência de ovelhas locais, já que os criadores nativos que dispunham de algumas, não queriam se desfazer delas com vista a cruzamento. Como recurso foi trazida do Quénia a «Massai» tendo em vista uma produção no mais curto espaço de tempo. E assim se conseguiu que em 1975, o número se elevasse para as 60 000 cabeças , numero que muito iria contribuir para a economia do território, pela venda das suas tão cobiçadas peles, tidas como as mais perfeitas.
                                                              
Do Boletim Geral do Ultramar XL 471-472 de 1964 retirei a seguinte passagem que passo a transcrever: "Por determinacao do Governador Geral da Provincia, realizou-se nos dias 10 e 11 de Outubro de 1964, na cidade de Mocamedes o primeiro leilao de peles caraculo, em nunero de aproximadamente 4 mil, pertencentes ao Posto Experimental e a criadores particulares. Foram leiloadas cercade  14 toneladas de la de excepcional qualidade. De toda a provincia, da Africa do Sul e do Sudoeste Africano acorriam a Moçâmedes compradores, tendo o leilão constituido um êxito.

O caraculo de Angola, que este acto público deu  a devida projecção,  constitui já uma realidade insofismável com enormes possibilidades para povoamento e ocupação de varios milharesde hectares de territorio até agora praticamente sem valor efectivo.  Estão a fixar-se em Moçâmedes criadoresd e caraculo do Sudoeste Africano comprando demarcações no Deserto para se dedicarem a criação de carneiros. Já se encontram fixados na área do Posto do Caraculo diversos criadores provenientes daquele território, todos eles com efectiva capacidade financeira."

Outras informações: http://www.crisa.vet.br/raca_2001/karakul.htm

As pescarias do Canjeque/Moçâmedes (actual Namibe): 1973



Nesta foto, tirada em 1957 encontro-me eu e o meu irmão Amilcar, e o motorista da traineira da então Sociedade Industrial da Ponta Negra. Ao remo do pequeno barco que nos transportava, o Sr. Adriano, motorista da traineira da dita Sociedade.

Uma sacada em plena faina em Moçâmedes. 1950
Eu e duas amigas, Betinha e Gracietinha na pescaria do Canjeque



Pesca à linha por amadores de fim de semana



Angelino Jardim e Leonel de Sousa, exibem o resultado de uma manhã de domingo dedicada à pesca à linha e à cana. O suficiente para que enchessem um saco de peixe de qualidade: uns poucos pargos-quissanga, garoupas, mariquitas, ferreiras e alguns polvos à mistura... O local onde se encontram, trata-se da pescaria dos então proprietários, João Viegas Ilha e António Vicente, no Canjeque (Moçâmedes/Namibe). Os jovens africanos que os ladeiam eram empregados da referida pescaria. Embaixo: Fernando Pita de Sousa (Leona), Rui Alberto e Victor Hugo Amadores. Foto tirada em Março, em  finais da década de 1960.



A zona entre o Canjeque e a Praia Amélia, "Canjeque Sul," era e ainda é a zona menos resguardada e a mais batida pelo mar em época das "calemas", que de longe em longe fustigavam a costa de Moçâmedes, por tal seria a menos indicada para a construção destas pescarias. Mas não havia muito a escolher para os proprietários deslocalizados das primitivas pescarias da Torre do Tombo, por força da construção da marginal e cais comercial.


Calemas de 1955


Ponta do Canjeque


Um rapa (traineira pequena)

Esta zona, que compreende a Ponta do Pau do Sul ou Ponta do Noronha até ao Canjeque, a 5 km de Moçâmedes, era um local privilegiado para a caça submarina. Lembro-me nitidamente de estar num dia de Verão na Praia Amélia e ter visto chegar dois aficcionados desta modalidade desportiva, João António Matins Pereira (John) e Aires Domingos com dois enormes pungos, espécie muito apreciada, que rondavam os 60 kg cada um.



Fotos reproduzidas a partir de slides e gentilmente cedidas por A. Jardim. e Amilcar

Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique: 1960


 

 

A Escola Industrial e Comercial de Moçâmedes / Escola Industrial e Comercial Infante D.Henrique, escola técnica, de arquitectura educativa, do séc.XX era um edifício urbano original composto por um volume retangular com três pisos e um pórtico ao centro, isolado, implantado num terreno que ocupa sensivelmente um quarto de um grande quarteirão na zona Oeste da cidade de Namibe, nas proximidades de um novo Cinema de arquitectura futurista, tipo sonda espacial: Arco-Iris A inexistência da tradicional galeria exterior a todo o comprimento do edifício é mascarada pela presença de elementos de betão que a substituem. Trata-se de um edifício de planta retangular, com três pisos e cerca de 135 metros de comprimento. Coberturas de telha sobre estrutura de madeira. Seguindo o modelo comum nas escolas projectadas pelo Gabinete de Urbanização Colonial neste período, procurou-se dar à entrada central um certo toque de monumentalidade, com a execução de um grande pórtico, ao centro e erguendo-se à altura do segundo piso, sobre o qual existe uma varanda de grandes dimensões. A existência deste pórtico, que se desenvolve através de uma colunata de quatro colunas em pedra, permite acentuar o carácter de simetria do edifício. Ao contrário do comum nas construções escolares projetadas pelo Gabinete de Urbanização do Ultramar, não existem galerias exteriores a todo o comprimento do edifício, tendo sido estas substituídas por elementos em betão que as simulam. Ao nível da cobertura possui uma platibanda de betão que acompanha a totalidade do comprimento da fachada. Edificio urbano, isolado, implanta-se num terreno que ocupa sensivelmente um quarto de um grande quarteirão na zona Oeste da cidade de Namibe. Nas proximidades ergue-se o Cinema Arco-Iris.  ARQUITECTO: Fernando Schiappa de Campos (1956); Lucínio Cruz (1956); Luiz Possolo. (1956).
O edifício não foi executado no terreno inicialmente previsto, tendo essa parcela de terreno sido reduzida para dar lugar a lotes habitacionais, tendo sido o remanescente ocupado pelo Liceu Américo Tomás. Construído cerca de 500 metros a Oeste do referido terreno, o edifício surge amputado do segundo corpo inicialmente previsto e que deveria acolher a biblioteca, o ginásio e oficinas, bem como o corpo dos ginásios e auditório, comuns na tipologia de escolas projetadas pelos arquitetos do Gabinete de Urbanização do Ultramar. Informações retiradas do site do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana , Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território







Nesta foto podemos ver entre outros, a esq. para a dt:
Em cima: Alegria, M. Monteiro, Vieira, Eloisa Santos, Vasco Luz, Angela Nunes de Sousa, A. Martins, Zezinha Prazeres, Elizabeth Passos Marques, Alvaro Figueiredo, Mário Rogério Silva. Embaixo: Ferro, Ana Maria, Claudio Frota, Antonieta Oliveira, Dr. José G. Balsa, Abano, Laurindo Couto, Adelina e Arnaldo Ilha Bagarrão (Nadota). Foto retirada de:www.sanzalangola.com
 

 



 


Alunas da ECIIDH de Moçâmedes com professora de Inglês, Dra Isabel Serrano

































Tiago Lourenço 2010 (projeto FCT PTDC/AURAQI/104964/2008 "Gabinetes Coloniais de Urbanização: Cultura e Prática Arquitectónica")

Actualização

 
 

Brincadeiras e «assaltos» de Carnaval em Moçâmedes



1ª foto
Assalto de Carnaval em Moçãmedes.
da esq. para a dt.
Em cima: Tolentino Alves Oliveira, Arménio Mangericão (pai), tia do João, Natália, João
, ao centro outrs tia do Joâo, a Salomé, Maria Augusta Esteves Isidoro, entre as duas, atrás, a Eugénia Oliveira, a seguir a Arminda Oliveira, ao canto Amélia Mangericão?, e a mãe, Eugénia Oliveira (Néné). Embaixo, sentado no cavalinho Rui Mangericão
, Emilia, a mãe de Joâo, Babela (irmã de Joâo), Hirondina Mangericão, a moça de preto era irmã do Zé Costa , Pedro Costa, Edite Nascimento irmão Adriano Nascimento. A descer as escadas Arménio Mangericão.

2e assaltos ª foto: Uma brincadeira de Carnaval.
Duas senhoras de Moçâmedes mascaradas , a da dt., de «Dr. Novais» num Carnaval, na década de 40: Regina Trindade enverga o fato branco, a camisa, a gravata e o capacete do Dr. Novais, médico na cidade e pessoa muito conhecida na época.
Foto gentilmente cedida pelo Dr. Farrica