26 março 2007

Alunas da pré-primária do Colégio Nª Senhora de Fátima de Moçâmedes (actual Namibe): 1971














Foto, tirada no ano de 1971, à classe pré-primária do Colégio Nossa Senhora de Fátima (turma da minha filha). A data 1966, que se vê na parede, teria sido a da inauguração desta ala do mesmo Colégio.

Professores e alunos em passeio às Hortas: 1952

Créditos de imagem: www.sanzalangola.pt
Foto cedida por João Almeida.

Professores e alunos da Escola Primária Nº. 49 em passeio às Hortas, entre os quais se reconhece ao centro o professor Vieira, à sua frente e mais abaixo Lurdes Faustino (Pitorrinha), e um pouco à esq. Boneca. À dt., de óculos, Didi Minas

Estado das ruas da baixa da cidade de Moçâmedes (actual Namibe), num dia de grandes chuvadas: anos 40?

 











Em Moçâmedes raramente chovia, mas de vez em quando chovia a valer... como se pode ver por esta foto tirada numa das ruas da baixa. 

Lembro-me de ouvir os meus pais falarem das grandes chuvadas ocorridas na década de 40 e da inundação que obrigou  as pessoas a se deslocarem de barco. Nessa altura, as margens do rio Bero ainda não estavam reguladas, o rio transbordou, encheu as chamadas «furnas de Santo António» , que ficavam no local onde, no ano de 1972, aproveitando o baixio do terreno, foi construído o novo Estádio Municipal (2ª imagem). 
 














Créditos da 1ª imagem: Livro de Paulo Salvador: «Era uma vez Angola»...

No interior da Casa Comercial de Álvaro Vieira Ascenso: o próprio e Eduardo M. Torres 1954

 
 Foto recente do então estabelecimento de Álvaro Vieira Ascenso, na Rua das Hortas.

 

Dois velhos patriarcas moçamedenses, Álvaro Vieira Ascenso (à esq o proprietário da Casa Ascenso, onde foi tirada a foto) e Eduardo Mendonça Torres (à dt), agricultor e industrial, proprietário das conhecidas Hortas do Torres, no vale do Bero. 

Eduardo Mendonça Torres era descendente de um dos casais que integraram a segunda colónia de imigrados saídos de Pernambuco e foi também o primeiro fiscal de caça do distrito de Moçâmedes. Eduardo percorria o deserto no seu Ford quatro cilindros guiado pelo seu inseparável e sempre leal motorista negro, Sabalo. Mais do que ser fiscal, o que o velho amante do deserto e da caça pretendia, era passar o fim da sua vida no deserto do Namibe, aquele mágico local a perder de vista, onde todos os dias o sol nasce imperturbável e radioso...

A propósito de Eduardo Mendonça Torres, escreveu o embaixador António Pinto da França, na ob. citada, pag. 63, reportando-se ao ano de 1963, quando acompanhou Americo Tomás na visita a Moçamedes:"Fui hóspede de Eduardo Mendonça Torres, sobrinho da minha avó. Era caçador de renome e senhor das Hortas de Moçamedes que haviam agasalhado o Príncipe D. Luís Filipe. Demiurgo do deserto em que crescera, impunha-se com uma fleuma britânica que lhe viria dos estudos em Inglaterra... Com ele descobri a variedade e a beleza do deserto. Durante longo tempo acirrámos um leopardo que preparava o salto de cada vez que o jeep o rondava a grande velocidade. 
Ver também AQUI

Foto cedida por Telmo Ascenso.

Inauguração do Estádio Municipal de Moçâmedes (actual Namibe): Estádio Municipal Telmo Vaz Pereira no ano de 1972




Foto: Esta foto eterniza o momento da abertura de portas para a cerimónia da inauguração do Estádio Municipal


No dia 26 de Novembro de 1972, finalmente, Moçâmedes, passou a dispor de um novo Estádio Municipal: o Estádio Municipal Telmo Vaz Pereira, no local chamado «furnas de Santo António».  Este local, perto do antigo campo de aviação, que se adaptou perfeitamente àquela construção, foi aproveitado para o efeito por se tratar de um baixio, onde ficavam as ditas «furnas».

 
Foto: Descerramento da tradicional placa comemorativa da inauguração do Estádio Municipal, pelo então governador do distrito de Moçâmedes


Foto: Desfile dos atletas e das modalidades desportivas do distrito de Moçâmedes (vale a pena ver esta bonita foto aumentada).
A seguir a este desfile seguiu-se o desafio de futebol entre o Independente de Porto Alexandre e o Varzim Sport Clube da Metrópole.

Este dia, para além da cerimónia tradicional de descerramento da placa comemorativa pelo então Governador do Distrito de Moçâmedes, foi marcado por um desfile de atletas de todas as modalidades desportivas e ainda por um jogo de futebol disputado entre o Independente de Porto Alexandre e o metropolitano Varzim Sport Clube.




Foto: Bancada de honra, onde pode ver-se, atrás, da esq. para a dt.- Governador do Distrito de Moçâmedes, Luís Gonzaga Bacharel (Presidente interino da Câmara Municipal de Moçâmedes), Engº Alípio Pinheiro da Silva e Lourdino Tendinha (Presidente da Câmara de Porto Alexandre). à frente, da esq.para a dt.: esposa do Governador, Ascenção Bacharel e esposa de Alípio Pinheiro da Silva

Foto:  À saída do Estádio, no final das cerimónias de inauguração. Ao centro, o Governador do Distrito de Moçâmedes e Luís Gonzaga Bacharel (Presidente interino da Câmara Municipal de Moçâmedes). À esq., a esposa do Governador e Ascenção Bacharel. À dt. Sousa Jr. (Lico), vereador da Câmara Municpal de Moçâmedes e o Secretário do Governador.
                                                            

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Finalmente Moçâmedes tinha conquistado o direito de ter um Estádio Municipal moderno e mais de acordo com o tempo que se estava a viver em Angola, e com  as necessidades crescentes da sua população.

Para trás ficara o velho campo de terra batida e sem condições onde até então se efectuavam encontros de futebol, próximo do edifício dos Caminhos de Ferro, com bancadas e balneáreos rudimentares inadequadas  ao tempo, mas que durante décadas e décadas fora para a população um local de encontros e reencontros, de aplausos e de ovações, onde se reunia não apenas aplaudir enebriadamente os clubes e os seus atletas da sua preferência, mas também para assistir a festivais de ginástica, desfiles de toda a ordem, corridas de motorizadas, puzzles, gincanas,  etc, e até sessões polítícas de esclarecimento como as que vieram a acontecer já em em 1975, tempo de descolonização. 

Nunca é demais lembrar que do velho campo de futebol de terra batida sairam «vedetas» que foram alimentar o desporto desta modalidade noutras paragens longínquas, levando consigo o nome de Moçâmedes e de Angola, como foi o caso de Fernando Peyroteo, conhecido por «o pé de canhão», que fez parte dos célebres «cinco violinos» do Sporting Clube de Portugal e da Selecção Nacional e que figurou entre os melhores do desporto português de todos os tempos, chegando a ser seleccionador nacional o ano de 1961. Fernando Peyroteo era natural da Humpata-Angola e inciou-se no futebol em 1832, aos 14 anos, no Atlético Clube de Moçâmedes. 

Lembremos também os pioneiros do futebol moçamedense, que partiram para estas lides, adquirindo equipamentos com o seu próprio dinheiro, que suportaram todos os sacrifícios e limitações,  em péssimas condições e que nunca se deixaram vencer, fazendo rejubilar de alegria uma cidade inteira.  

Deixo ainda aqui uma referência a esse punhado de «carolas»  dedicados que, com engenho e improvisação permitiram a planificação de recintos desportivos, a aquisição de equipamenos e tantas coisas mais, e a todos quantos, industriais e comerciantes da Moçâmedes de então contribuiram com sua preciosa ajuda para as salutares lides desportivas que em Moçâmedes conquistaram lugar de eleição. Recordo, entre outros o empenhamento de João Patrício Correia, o grande mecenas que possibilitou a construção da sede e do rink de patinagem do Atlético Club de Moçâmedes nos finais da década de 40, no local onde se encontrava instalado o antigo Teatro Garrett, que na época era considerada a mais bela sala de espetáculos em toda a Angola e que foi radicalmente transformada.

Os clubes no distrito de Moçâmedes, sem quaisquer subsídios por parte do Estado e das Câmaras Municipais, foram até ao fim da colonização portuguesa sempre carentes de recursos materiais e iam sobrevivendo na dependência das quotizações dos seus sócios, das poucas receitas dos jogos que se iam efectuando e de outros mecanismos como o bingo (quino), festas, etc... Restava pois o esforço e empenhamento dos atletas, a «carolice» e dedicação de uns quantos moçamedenses que nas horas de lazer se dedicavam à causa clubista, bem assim como  o incentivador calor dos aplausos da gentes de Moçâmedes no momento dos jogos.

Para se ter uma ideia da precaridade de meios,  bastaria lembrar quão difícil foi o processo de captação de donativos para a construção do mais recente complexo desportivo da cidade, o complexo do Sport Moçâmedes e Benfica. Obra inacabada é certo, mas na qual se empenharam até à exaustão «carolas» benfiquistas, para levar para a frente o seu propósito, e a mesma viesse a ser, como foi,  inaugurada em Novembro de 1960; incluso, deslocando-se a Luanda para junto do Governo Geral procurar sensibilizar as autoridades para a concretização do sonho, isto porque os apoios conseguidos junto da Câmara Municipal de Moçâmedes, de comerciantes e industriais do pequeno burgo, e através de petições junto da população em geral, não dava para mais. 





texto de MariaNJardim


Fotos gentilmente cedidas por Ascenção Bacharel.