30 maio 2008

Gente de Moçâmedes: Início da década de 1940
















Os três irmãos Trindade Abreu, filhos de Zenóbia e Raul Abreu : Fernanda (Babá), Arlete(Leta), e Nito.

Gente de Moçâmedes: 1974


Nesta foto, tirada em 1974, numa moradia situada no bairro novo, por detrás do Liceu, em dia de festa, reconheço, entre outros, da esq. para a dt.:

João Manuel da Silva Jardim (Nela), Herlander Cruz e mulher com Paulo Jorge Ferreira Jardim (a criança baptizada) ao colo, Liliana Ferreira, Marísia Pestana, Lafaiette e, Juvelino Ferreira, Irene Pita de Sousa, Leonel de Sousa e Florinda Jardim

29 maio 2008

Gente de Moçâmedes em dia de festa: 1958


Através da postagem desta foto, tirada no decurso da festa do casamento de Olimpia Aquino, temos a oportunidade de trazer para o blog mais algumas caras conhecidas da nossa terra, para muitos porém já esquecidas nas brumas da memória.
Da esq. para a dt:
Albertino Gomes (o conhecido baterista do animado e inesquecível conjunto musical «Os Diabos do Ritmo»), Tenreiro, António Araújo, Arménio Matos, Olimpia e o irmão, Albino Aquino (o inesquecível Bio, pianista do conjunto musical «Os Diabos do Ritmo» que tantos bailes animou com o seu génio para a música), Abilio Lopes Braz, José Vicente Arvela (o noivo), Silvestre, João Pinto (o conhecido jogador de futebol do Ginásio da Torre do Tombo e mais tarde também do Atlético e taxista), e finalmente, Carlos Vieira Calão no canto dt., de cigarrilha na boca.

Gente de Moçâmedes nos jardins da Avenida da Praia do Bonfim (década de 50)



Nos jardins da Avenida da Praia do Bonfim, em Moçâmedes. Da esquerda para a dt. ?. 
Marizete Romão Veiga, Gina e  Mª Helena Gomes. 1955


Precisamente no mesmo local da foto anterio, o meu irmão Amilcar, em 1956. Repare-se no pormenor da fachada alterada do edifício que fica ao fundo. Ficava alí na época os Armazéns do Minho, loja de modas de que era proprietário Gouveia da Cunha. Mais  tarde  passou   estar  ali a  agência do Banco Pinto e Souto Mayor. Na década de 60 começaram a surgir os Bancos comerciais que retiraram o monopólio ao Banco de Angola.
 
  Trecho da zona  dos jardins da Avenida da Praia do Bonfim onde fica o tanque da água que veio substituir o velho e tradicional Coreto mandado demolir pela Câmara Municipal. Interrogo-me se ao destruir-se o velho e tradicional Coreto não se destruiu parte da História da cidade,  intimamente ligada aos seus primórdios,  para dar  à Avenida um ar mais moderno?. Que o diga a velha Inglaterra que graças à conservação da sua História em termos arquitectónicos, é  hoje considerada uma preciosidade para o turismo mundial. Há que tomar consciência disso!



A mesma zona da foto anterio., onde se pode ver à esq. o prédio de 1º andar de traça portuguesa onde até meados da década de 1960 funcionou o Banco de Angola. À dt. o prédio térreo, tembém de traça portuguesa, actualmente em ruinas,  onde ficada a empresa Duarte d' Almeida que representava a Compª Nacional de Navegação. A Rua perpendicular à Avenida, tinha o nome de Rª Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro e terminava na Rua da Fábrica. Sempre me fez confusão sobre qual o critério que teria levado as autoridades da época a darem o nome do chefe da 1ª colónia e fundador de Moçâmedes a um rua de somenos importância como esta, na qual podemos vislumbrar, convergindo para a Rª dos Pescadores,  à esq., a  Casa das Noivas, a Ouriversaria Moreira, e mais adiante, já de esquina, a TAP, e à dt. À dt. o edificio dois andares de João Duarte para onde se mudou o Banco de Angola, etc . Apraz registar aqui que ainda hoje as autoridades da cidade do Namibe mantêm o 4 de Agosto como o dia da fundação de Moçâmedes e continuam com a tradição das Festas do Mar.
  
Meninos e meninas de Moçâmedes, talvez regressadas da Praia das Miragens que ficava ali mesmo ali ao lado, posam junto a um dos tanque de água da Avenida da Praia do Bonfim, situado próximo do edifício dos CTT


Euzinha na plenitude da mina adolescência, nos Jardins da Avenida da Praia do Bonfim, em Moçâmedes. Trata-se da mesma zona da fo anterior junto do  edifício dos Correios. Na foto , por detrás do tanque de água, podemeos ver o prédio de 1º andar que outrora foi propriedade de Brian Bento. Estava-se em 1955, numa época em que ainda não existiam nesta Avenida as inúmeras palmeiras que que vieram ocupar o lugar de outras árvores, tais como oliveiras, acácias, etc




Não vem a respeito, mas como hoje encontrei na Net este belo, triste, e satírico poema, dedicado à cidade do Namibe, com o qual não me identifico plenamente, vou colocá-lo aqui.






NAMIBE

Cidade pequena
de gente que vai, de gente que fica ,
de gente que vem .

NAMIBE
deserto
tem pedra bonita , planta famosa ,
tem cabra de leque e triste muceque .

E tem...
pescador lutando ,
em barco de bimba ,
subindo , descendo ,
remando ,
morrendo no mar.

E tem...
loja cheiinha
de coisa bonita ,
gente comprando ,
vendendo , trocando ,
roubando ...

que fala , critica ,
gosta não gosta ,
da MISS bonita .

E tem...
igreja vazia ,
de portas abertas ,
igreja refúgio de mulher sozinha
que vive chorando a morte do filho,
que um dia ,
coitado ,
foi morto no mato .

Cidade tem gente ,
gente com santa ,
SANTA qu ' IRRITA ,
que deixa viver
miúdo no chão ,
dormindo à chuva
e chorando por pão .

E tem...

Turismo café
que serve jantar .
Cidade não tem mais nada que ver ,
Cidade não tem mais nada que dar .
Mas tem !

E tem...

Carro que anda
depressa de mais,
apanha miúdo,
miúdo gozão ,
que sai da escola
levando sacola ,
cai no asfalto ,
d' olhos abertos ,
bata rasgada ,
rosto sangrando ,
e livro na mão !


Sérgio de Oliveira
1973
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Nota: Será que este poema foi mesmo escrito em 1973?

Jovens de Moçâmedes dourando ao sol da Praia das Miragens



A Praia das Miragens,  as pessoas, as arcadas e o Casino  numa manhã de domingo algures num verão nos anos 1960
 
Praia das Miragens... alguém resolveu um dia dar o nome a esta praia, inspirando-se para nas miragens características do Deserto do Namibe... Nada mais natural!  Esta praia, verdadeiro "ex-libris" da cidade, ficou para sempre ligada à vida de quantas crianças, adolescentes e adultos nasceram, cresceram e viveram em Moçâmedes. De fácil acesso (mesmo junto do centro), para os mais afastados moradores bastava andar uns quantos quarteirões, atravessar o vasto do jardim da Avenida da Praia do Bonfim (anterior Av^ª da República) e as antigas instalações dos bombeiros, perto do coreto, onde mais tarde foi construída a fonte luminosa, para entrar numa rua que terminava na praia, tendo do seu lado direito um aglomerado de casuarinas que, no tempo quente, ofereciam uma agradável sombra e do esquerdo o Clube Náutico (Casino), onde alguns "maduros" do pequeno burgo se dedicavam à "batota".

Outro trajecto era através da Estação dos Caminhos de Ferro de Moçâmedes, contornando um armazém onde se depositavam as mercadorias que chegavam e partiam de e para os mais variados destinos, atravessando uma espécie de portão para se alcançar outro lado, passando com todo o cuidado e atenção por sobre as linhas do caminho de ferro, ao lado de locomotivas, carruagens, etc, não fosse o diabo tecê-las e acontecer algum atropelamento.




Jovens de Moçâmedes dourando descontraidamente ao sol da Praia das Miragens. Da esq. para a dt, na 1ª foto  junto às arcadas: Vina Almeida, Teresa Ferreira, Tó Zé e João Thomás da Fonseca. Ao fundo podemos ver, para além das arcadas da praia, as cazuarinas e o Clube Nautico (vulgo Casino)
 


Nesta foto, os moçamedenses Vina, Lula e Vanda Ferreira. Ao fundo, a velha ponte.


Nesse tempo eram comuns os toldos coloridos individuais, bastante fechados onde se podia trocar facilmente de indumentária sem o perigo dos "mirones", para além, é claro, de outros, mais simples que se reduziam a um rectangulo de lona, geralmente de riscas azuis escuras e brancas, preso por grossos fios a duas traves de madeira enterradas na areia para as suportar. Mais tarde vieram as enormes e coloridas sombrinhas de abrir e fechar. 

Por baixo dos toldos reuniam-se adultos e crianças, meninas que jogavam ao "prego" com uma habilidade fora de comum, senhoras que faziam croché e, conversando umas com as outras, iam pondo a conversa em dia, gente que lia ou que simplesmente observava o ambiente à sua volta, não perdendo "pitada" do que se estava a passar, fosse em terra fosse no mar... A correr pela praia era comum nos anos 1950 verem-se rapazinhos segurando "papagaios" e "joeiras" dos mais variados tamanhos, feitos em casa com tiras de bordão e papel de seda das mais variadas cores, que exibiam um longo "rabo" composto de pequenas tiras de pano amarradas umas às outras. "Papagaios" e "joeiras" que subiam e desciam, davam voltas e piruetas lá em cima, no ar, tudo dependendo da habilidade do manipulador.

Escusado será dizer que era na areia, à torreira do sol, que a malta mais nova gostava de ficar... e o mais perto possível da água... Era de facto um local de grande sociabilidade a Praia das Miragens de Moçâmedes, ponto de encontro nas manhãs de sábado e domingo de grande parte da população que para alí ia descarregar as energias acumuladas no viver quotidiano, fosse nas actividades escolares, fosse no trabalho.

A Praia das Miragens, naturalmente frequentada na sua maioria por moçamedenses, recebia no verão a visita de muitos habitantes do Lubango e de outras terras do planalto, mais propriamente da vizinha Sá-da-Bandeira (Lubango) e Vila Arriaga (Bibala). Era a praia mais próxima que por vezes era também frequentada por toninhas, parentes dos golfinhos, animais marinhos extremamente sociais que faziam o encanto mas também o temor de quantos de mais longe ou de mais perto os observavam. 

A jangada (um estrado quadrado, de uns 3 x 3 m, que flutuava graças a tambores de ferro vazios, presos à sua parte inferior, que eram periodicamente substituídos) era o grande atractivo da rapaziada. Espécie de baliza para pequenas corridas de natação, local de exibicionismos para quantos jovens dali mergulhavam  para o mar. Mas também era na jangada, ou junto dela, sobretudo na parte traseira, a mais escondida e protegida dos olhares curiosos, que muitos namoricos acontecerem, que muitos encontros se  deram, que muitas carícias se trocaram, nesse tempo em que as raparigas eram persistentemente vigiadas e que o mais leve deslize punha em causa a sua reputação...

Finalmente resta referir o quanto esta praia e esta bela e singular cidade onde tive o previlégio de nascer, filha de pais já ali nascidos, de crescer, casar, ter filhos... e que nais parece uma estância balnear,  tem sido objecto de inspiração poética na pena de alguns admiradores:

Ai MOÇÂMEDES

Moçâmedes quer dizer infância plena 
Tempo de férias que não tem idade
Amigos de sorriso em pele morena
Alegria salgada na igualdade

Azul de mar ouro quente de areia
Toninhas assustando alegremente
Calema sai do mar à minha mente
Deserto a prender-me em sua teia

Deserto nunca só; tão habitado!
O vento morno conversa pela noite
Prolonga o tempo num gesto apaixonado

Sabor de manga nas bocas salgadas
Se bate lua no mar há quem se afoite
Ninguém no paraíso teme as vagas

(Jovita Carolina *Março2006)

Atletas e simpatizantes do Atlético Clube de Moçâmedes em dia de festa

Nesta foto, tirada nos finais da década de 50 na festa do casamento da basquetebolista do Atlético Clube de Moçâmedes, Júlia Jardim com Fernando Vilaça (que viera a ser presidente deste clube), reconheço entre outros, da esq. para a dt.:
Emilio teixeira (3º), Nunes de Andrade ( 5º), Carlos Jardim (6º), António Joaquim (7º), Arménio Jardim
(8º) e Salavessa (â dt., com as mãos na boca.

26 maio 2008

Postal à Nossa Sra. da Conceição do Quipola.


Postal editado no inicio da década de 60, onde se pode ver uma criança de origem africana rezando à Nossa Sra. da Conceição do Quipola.

A quadra que se segue (clicar na foto para ampliar), representa bem a época que se estava a viver, 3 anos após os massacres pela UPA de populações indefesas nas fazendas do norte de Angola, bem assim como a política de Salazar e do Estado Novo de defesa intransigente das colónias ultramarinas como parte integrante de Portugal, numa tentativa de afastar a todo o custo a ideia de independência do território...

24 maio 2008

Gente de Moçâmedes: início dos anos 70

Reconheço nesta foto, da esquerda para a dt: Leonel de Sousa, Fernando Leonel Pita de Sousa (Leona), Alcide e Pica Limas. Leonel e Pica Limas eram bancários no Banco de Crédito e no Banco Pinto & Sotto Maior e Alcide trabalhava na Lusolanda.

23 maio 2008

Jovens moçamedenses: anos 70



Grupos de jovens moçamedenses. In Sanzalangola.Fotos cedidas por Teresa Carneiro

06 maio 2008

Grupo de jovens moçamedenses nas vésperas da independência de Angola: 1975

Foto histórica de um grupo de jovens moçamedenses posando para a posteridade nos últimos momentos da presença portuguesa em Angola, em 1975. Em nenhum destes alegres e descontraídos rostos se vislumbra qualquer indício do que viria a seguir... Escrito nos vidros da montra do prédio que lhes fica atrás, sito na Avenida da Praia do Bonfim, podemos ler, à dt., parte do slogan do MPLA: «MPLA é o povo... »

A começar pela esq. entre outras, Carla, Vanda, Zé Madeira...

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Angola e os portugueses

Muitas vezes pergunta-se a razão de os portugueses que passaram, viveram, ou nasceram em África, nunca mais esquecem os tempos que lá estiveram. Uns dirão que os portugueses que estiveram em Angola e Moçambique foram os colonialistas exploradores das populações negras e por isso é que se sentiam bem. Não é verdade, pelo menos para as gerações a partir de 1950, os europeus que andaram nas escolas e liceus tinham amigos e conviviam com os colegas de origem africana de igual para igual. A provar está a elevadíssima mestiçagem, nada igualada nas colónias francesas e inglesas.

Os portugueses gostaram de Angola muito antes de se ter descoberto petróleo, ferro e ouro. Havia já pelos anos 50 uma importante exploração de diamantes em zonas concessionadas pelo Estado português, além da riqueza agrícola, especialmente o café, o açúcar e o milho. No entanto, a maior riqueza de Angola para as pessoas de classe média que lá viviam, era um estilo de vida optimista e descontraído, com muita esperança num futuro melhor. A população europeia era em geral constituída por gente jovem, portanto com uma visão de progresso. Não se falava em desemprego, todos os negócios eram rentáveis para quem quisesse e soubesse trabalhar. Angola tinha e tem uma beleza natural extremamente rica. Paisagens incríveis, diversidade biológica animal quase intocada, um clima ameno e agradável todo o ano, muito espaço livre, uma agricultura produtiva, além dos horizontes largos e os mais belos pôr do Sol do Mundo. As cidades construídas eram de avenidas largas, com jardins, com árvores, com ar. O regime de Salazar teve medo que Angola se tornasse num novo Brasil independente, pelo que até certa altura tudo fez para limitar o desenvolvimento económico.

Até 1950 as portugueses que iam para Angola, ou eram os condenados ao degredo, tinham de ter uma “carta de chamada” necessariamente pelas autoridades. Ainda em 1950 os portugueses brancos que nasciam em Angola eram chamados “portugueses de segunda”, pelo motivo de ficarem diminuídos os seus direitos cívicos (cargos de administração, políticos, etc.), por suspeita que essas pessoas pudessem estar na origem de ambições independentistas em relação à mãe pátria, o que na realidade acontecia (todos os nascidos em Angola, de todas as raças, queriam a, ou uma certa independência).

Os portugueses que foram para África não foram mais exploradores do que os que imigraram para França, para a Alemanha, para o Brasil ou Canadá. Apenas queriam trabalhar e governar a sua vida. Muitos investiram em África tudo ou quase tudo o que ganharam, portanto, se alguém beneficiou economicamente com a presença em África foram alguns poucos capitalistas e o governo nacional (os primeiros acumularam propriedades e o segundo acumulou ouro), mas sobretudo os próprios países. Em 1974 Portugal tinha uma das maiores reservas de ouro do Mundo relativamente à dimensão da sua população. Angola tem uma superfície 14 vezes maior do que Portugal continental (com fronteiras definidas e defendidas por Portugal), tem uma população praticamente igual à portuguesa, o que quer dizer, um território riquíssimo com uma população escassa. Podia ser o país mais rico e ode se vivia melhor do Mundo.
Achei interessante, e tirei
DAQUI
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QUANTO A MENTALIDADES

Quem tem acompanhado os meus relatos da minha infância no mato, vê que eu (e havia muitos angolanos brancos nas mesmas condições) tinha de ter uma perspectiva muito diferente do conflito armado porque conhecia aquele povo. Como em todo o lado, haviam brancos e pretos bons e brancos e pretos maus. A verdade é que a guerra não era entre brancos e negros. Muitos negros combateram ao nosso lado contra aqueles grupos de marginais e assassinos da UPA. O próprio MPLA, o único movimento politizado e com um projecto que abarcava o contributo de todos os angolanos (fossem brancos ou negros) combateu a UPA. Desses terroristas que espalharam o terror pelo norte de Angola é que surgiram o Holden Roberto da FNLA e o famigerado Savimbi da UNITA.

Custa-me a crer como é que tanto branco se deixou enganar pelas patranhas do Savimbe, quando ele em hambundo dizia precisamente o contrário do que declarava para os portugueses ouvirem, e mandava queimar e matar os brancos. Se não fosse aquela grande massa de portugueses que sempre estiveram com um pé em Angola e outro no Continente, e os nascidos em Angola que nunca saíram das grandes cidades e nem conheciam o povo angolano, talvez tivéssemos lá ficado todos e Angola hoje seria muito diferente.

As famílias portuguesas radicadas em Angola não tinham praticamente nada de seu e viviam do suor do seu trabalho. Os roceiros estavam quase todos endividados e nas mãos da Banca. A maioria nem tinha posses sequer para pagar as passagens de avião para o regresso, nem tinham absolutamente nada em Portugal. Sentiam-se presos àquela terra que consideravam sua, mas os portugueses que estavam de passagem, e que sempre que podiam mandavam o seu pecúlio para a metrópole, pensavam e agiam de outro modo.

A verdadeira exploração vinha do Continente que nos obrigava a consumir os produtos de má qualidade, e a preços exorbitantes, manufacturados nas empresas portuguesas. Em contrapartida o que era produzido em Angola seguia para Portugal pelos preços inflacionados feitos por Portugal e não por quem os produzia. Lembro-me de colegas meus, na Chianga, chegados de Portugal a protestarem pelos preços do calçado, roupas e bebidas em relação ao que estavam habituados em Portugal. Culpavam o comerciante angolano, mas a culpa era do exportador do continente que mandava os produtos que vendia a 100 em Portugal cobrando 600 ou 700, chegando a 1 000 às mãos do consumidor.Além disso as grandes empresas, com os seus monopólios, sugavam tudo. Portanto, o português nascido ou criado em Angola, bem como o português humilde que emigrava para Angola para fugir à miséria na metrópole, era tão explorado como os negros.

O que realmente terá desequilibrado tudo, foi o grande empurrão dado pelas Nações interessadas na riqueza de Angola, por intermédio dos partidos que dominavam no Continente. Eles cozinharam tudo, resolveram tudo, fizeram as suas partilhas enquanto nós, e os negros mais desgraçados que nós porque ficaram mergulhados numa guerra civil "provocada" , ou permitida, por Portugal que não soube assumir as suas responsabilidades na altura, lá íamos discutindo uns com os outros só para aquecer, plenamente convictos que teríamos alguma influência no desenrolar dos acontecimentos.

Depois da descolonização, quando as fábricas do Continente já não tinham clientes "forçados" a consumirem os seus produtos de baixa qualidade, e tiveram que entrar num mercado competitivo, não conseguiram sobreviver. Hoje, devido à mediocridade dos nossos empresários, com essa mentalidade ultrapassada e a incompetência dos nossos governantes, a situação ainda não foi ultrapassada e continuam a fechar empresas.
Querem produzir qualidade com mão-de-obra desclassificada e mal paga. Não há hipóteses. O profissional de "tarimba" já não tem lugar neste novo mundo global e muito menos os salários baixos para profissionais competentes.

A EXPLORAÇÂO DE ANGOLA

Este é um pequeno extracto das conclusões da Comissão Especial das Nações da O.N.U.


O capital estrangeiro, principalmente investido na indústria, detém direitos exclusivos de prospecção e disposição sobre os diamantes, minério de ferro e bauxite. Portugal reservou para si todos os direitos de propriedade sobre as imensas riquezas minerais de Angola – diamantes (5º produtor mundial), ferro, petróleo e manganês.

Os interesses económicos estrangeiros e o governo português são legatários de um sistema de recíprocas vantagens. De um lado, a sociedade mineira encontra uma mão-de-obra barata, procurada com assistência da administração, sendo aquela isenta de qualquer imposto, podendo exportar o produto mineral para a Grã-Bretanha, Alemanha Ocidental, EUA, França, Portugal.

Por outro lado, o lucro que a sociedade mineira deixa em Portugal, ajuda-o a manter o seu jugo e concorre para o financiamento das operações militares. Os interesses estrangeiros apoiam directa e indirectamente o colonialismo português, que permite desfrutar os recursos humanos e materiais deste território extorquindo lucros. Numa guerra, como a do Iraque por exemplo, aqueles que não beneficiavam desta exploração, acabam sempre por apoiar a parte contrária na mira de mais tarde as posições se inverterem. Passarão eles a beneficiar desses recursos, em "pagamento" da sua ajuda "desinteressada".

OS INTERESSES NÃO PORTUGUESES NA ECONOMIA de Angola e Moçambique:

Diamantes: Anglo-American Corporation of South Africa, Banco Morgan, Grupo Oppenheimer, De Burs, Gunggenheim, F.F. Ryan, Forninderl, Union Minère du Haut-Katanga, Garan y Trust Banc, Societé Genérale de Belgique.

Petróleo: Compagnie Finaciére Belge dês Petroles (Petrofina), Chase National Bank, National City Bank of New York, Cabinda Gulf Oil Company.
Alumínio: Pechiney (accionista de Alumínio Português – Angola).
Bauxite: Billinton Maatshappy.
Mica: Standar Oil (representada em Angola pela União Comercial de Automóveis).
Café: Banco Rallet (accionista da Companhia Agrícola de Cazenga, da Companhia Agrícola de Angola e da Companhia Angolana de Agricultura).
Açúcar: Ban Ton Mayhew & C. (accionista da Sociedade Agrícola da Cassequel).
Algodão: Societé General de Belgique (representada pela Companhia Geral de Algodões), Banque Belge d'Afrique, Compagnie Cotonière Congolaise, La Luinna – Societé Anonyme Agricole & Industrielle.
Palma: La Luinna – Societé Anonyme Agricole & Industrielle.
Pesca: Societé dÉxpansion Comerciale (accionista da Companhia da Baía Farta).
Comércio: Anglo-American Corporation (representada em Angola pela sociedade Luso-Americana), DEVON ESTATES, LUANDA TRADING C.º, ROBERT HUDSON and SONS, LA LUINNA.
Transportes: Anglo-American Corporation of South Africa, Westmins ter Bank, British South Africa Company, Cooper Brothers C.º, The Angola Coaling C.º, Tanganica Concessions.
Obras hidráulicas: Hidrotechning Corporation of New York.
Pesquisa Mineira: E.J. Longyer C.º, Remina, Aero Service Corporation, Bettlem Steel, Carbide, Mutual Securiut Agency.

Além disto, há uma complexidade de sociedades, cada vez mais intrincada e com ramificações por todo o mundo. Como é óbvio estas multinacionais tinham imenso poder persuasivo sobre os governantes portugueses, até ao ponto de algumas delas formarem, quase, um estado dentro do Estado, com completa autonomia em áreas reservadas em que as próprias autoridades portuguesas precisavam de um salvo-conduto para entrar. A "verdadeira" história, as manobras de bastidores e técnicas de persuasão, vou-te contando por e-mail, se estiveres interessado.
Um abraço.
Ruca

A exploração de Angola
Estratos do relatório da Comissão de Descolonização da O.N.U.

"… Em Angola os capitais estrangeiros são principalmente investidos na indústria. Empresas estrangeiras ou com participação estrangeira detêm direitos exclusivos de prospecção e de exploração de diamantes, petróleo e minerais de ferro e de bauxite. A DIAMANG detém até 1971 os direitos exclusivos de prospecção e exploração dos diamantes numa zona que ronda 1 milhão de quilómetros quadrados, podendo conservá-los mesmo depois dessa data: a PETRANGOL (dominada pela Petrofina) detém os direitos exclusivos de prospecção e de exploração do petróleo em amplas regiões de Angola, incluindo uma parte do subsolo continental, e a CABINDA GULF OIL COMPANY, americana, detém os mesmos direitos sobre uma parte de Cabinda. A Petrangol detém os mesmos direitos exclusivos de refinamento de petróleo. As SOCIEDADES DO LOBITO E LOMBIGE, que obtiveram a assistência financeira de um consórcio de que fazem parte a KRUPP, grupo alemão ocidental, e a sociedade JOJGAAD e SCHULTZ de Copenhague, detêm concessões exclusivas nas regiões dos mais importantes filões de ferro.

Estes interesses estariam conectados, tanto em Angola como em Moçambique, a outras sociedades internacionais que controlam várias actividades económicas nestes territórios e outras regiões. Entre elas, a ANGLO AMERICAN CORPORATION OF SOUTH AFRICA, e a DE BEERS, e a sua filial, a SOCIETÉ GENERALE DE BELGIQUE, a FOREMINÉRE DE BELGIQUE, o BANCO BURNAY, o BANCO NACIONAL ULTRAMARINO, a GULF OIL CORPORATION, americana, o trust francês PECHINEY e FRIED KRUPP, alemão ocidental.

O facto de a sociedade financeira sul africana FEDERAL MYMBON BEPERK, ligada à ANGLO AMERICAN CORPORATION, ter adquirido uma participação na industria petrolífera de Angola, e de a ANGLO AMERICAN CORPORATION, através da sua filial de BEERS CONSOLIDATED MINES, ter criado uma sociedade para a prospecção de diamantes em Moçambique é um índice da crescente influência da África do Sul no território administrado por Portugal.

Os principais beneficiários (concessionários) da terra são a Companhia de Açúcar de Angola, Companhia Angolana de Agricultura (CADA), Sociedade Agrícola da Cassequel, Companhia da África Ocidental Portuguesa, A Companhia de Cabinda e a Companhia Geral dos Algodões de Angola ".

Hoje, o panorama deve ser o mesmo, com algumas pequenas alterações, porque o novo Estado de Angola não tem meios materiais, saber ou quadros, para explorar directamente as suas riquesas, e ainda tem de "pagar" as ajudas que recebeu e recebe.

A única diferença é que no tempo da Administração de Portugal, a percentagem dos produtos saídos de Angola, eram pagos em Lisboa, que depois de se cobrar das taxas (elevadas) a que se achava no direito por ser a potência colonizadora, enviava o pouco que restava para a tesouraria da Província ao câmbio estipulado. Ou seja, esses escudos Portugueses que deveriam seguir para Angola ainda eram desvalorizados para o escudo Angolano.

Angola, hoje recebe directamente a percentagem devida por todas essas companhias que exploram a sua riqueza sem ter que a repartir com Lisboa.


Achei interessante, e tirei DAQUI
in Mzungue

Gente de Moçâmedes (finais da década de 50/princípios da década de 60)






1ª foto: Diogo Baptista, Marizette Veiga e filhos.

2ª foto: José Vicente Arvela, Olimpia Aquino Arvela e os filhos, José, Carlos e Filipe

3ª foto: Carlos Cristão (trabalhava na Sotrage como guarda-livros), mulher, filhos e nora.

4ª foto: Nesta foto, reconheço, entre outros, ao centro, o casal Noelma e Alfredo Esteves acompanhados dos filhos Raquel e..., e à dt. o casal Clotilde e Mário Romualdo Frota Tendinha, também acompanhados dos respectivos filhos, Mário e Ana Clara. O 3º casal e filhos, à esq., parece-me Manuel Esteves e a família, mas não tenho a certeza. Data provável: finais dos anos 50.

Quem em Moçâmedes não conheceu estes dois casais? Alfredo Esteves, um dos filhos de D. Assunção Esteves (Assunção padeira), viria a herdar a padaria da família, que ficava situada na Torre do Tombo, padaria onde comprei o pão da minha infância e juventude, e que ficava ali bem juntinho à sede do velho Ginásio. Alfredo, ainda hoje, 32 anos após a independência de Angola, ali continua, garantindo o fornecimento de pão à população, tal como fizera naqueles tempos em que após o êxodo dos brancos e não só, a cidade ficara esvaziada de infraestruturas.

Mário Romualdo Frota Tendinha, funcionário do Banco de Angola, era em 1974 gerente na agência daquele banco na cidade do Luso (Luena).