29 maio 2008

Gente de Moçâmedes nos jardins da Avenida da Praia do Bonfim (década de 50)



Nos jardins da Avenida da Praia do Bonfim, em Moçâmedes. Da esquerda para a dt. ?. 
Marizete Romão Veiga, Gina e  Mª Helena Gomes. 1955


Precisamente no mesmo local da foto anterio, o meu irmão Amilcar, em 1956. Repare-se no pormenor da fachada alterada do edifício que fica ao fundo. Ficava alí na época os Armazéns do Minho, loja de modas de que era proprietário Gouveia da Cunha. Mais  tarde  passou   estar  ali a  agência do Banco Pinto e Souto Mayor. Na década de 60 começaram a surgir os Bancos comerciais que retiraram o monopólio ao Banco de Angola.
 
  Trecho da zona  dos jardins da Avenida da Praia do Bonfim onde fica o tanque da água que veio substituir o velho e tradicional Coreto mandado demolir pela Câmara Municipal. Interrogo-me se ao destruir-se o velho e tradicional Coreto não se destruiu parte da História da cidade,  intimamente ligada aos seus primórdios,  para dar  à Avenida um ar mais moderno?. Que o diga a velha Inglaterra que graças à conservação da sua História em termos arquitectónicos, é  hoje considerada uma preciosidade para o turismo mundial. Há que tomar consciência disso!



A mesma zona da foto anterio., onde se pode ver à esq. o prédio de 1º andar de traça portuguesa onde até meados da década de 1960 funcionou o Banco de Angola. À dt. o prédio térreo, tembém de traça portuguesa, actualmente em ruinas,  onde ficada a empresa Duarte d' Almeida que representava a Compª Nacional de Navegação. A Rua perpendicular à Avenida, tinha o nome de Rª Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro e terminava na Rua da Fábrica. Sempre me fez confusão sobre qual o critério que teria levado as autoridades da época a darem o nome do chefe da 1ª colónia e fundador de Moçâmedes a um rua de somenos importância como esta, na qual podemos vislumbrar, convergindo para a Rª dos Pescadores,  à esq., a  Casa das Noivas, a Ouriversaria Moreira, e mais adiante, já de esquina, a TAP, e à dt. À dt. o edificio dois andares de João Duarte para onde se mudou o Banco de Angola, etc . Apraz registar aqui que ainda hoje as autoridades da cidade do Namibe mantêm o 4 de Agosto como o dia da fundação de Moçâmedes e continuam com a tradição das Festas do Mar.
  
Meninos e meninas de Moçâmedes, talvez regressadas da Praia das Miragens que ficava ali mesmo ali ao lado, posam junto a um dos tanque de água da Avenida da Praia do Bonfim, situado próximo do edifício dos CTT


Euzinha na plenitude da mina adolescência, nos Jardins da Avenida da Praia do Bonfim, em Moçâmedes. Trata-se da mesma zona da fo anterior junto do  edifício dos Correios. Na foto , por detrás do tanque de água, podemeos ver o prédio de 1º andar que outrora foi propriedade de Brian Bento. Estava-se em 1955, numa época em que ainda não existiam nesta Avenida as inúmeras palmeiras que que vieram ocupar o lugar de outras árvores, tais como oliveiras, acácias, etc




Não vem a respeito, mas como hoje encontrei na Net este belo, triste, e satírico poema, dedicado à cidade do Namibe, com o qual não me identifico plenamente, vou colocá-lo aqui.






NAMIBE

Cidade pequena
de gente que vai, de gente que fica ,
de gente que vem .

NAMIBE
deserto
tem pedra bonita , planta famosa ,
tem cabra de leque e triste muceque .

E tem...
pescador lutando ,
em barco de bimba ,
subindo , descendo ,
remando ,
morrendo no mar.

E tem...
loja cheiinha
de coisa bonita ,
gente comprando ,
vendendo , trocando ,
roubando ...

que fala , critica ,
gosta não gosta ,
da MISS bonita .

E tem...
igreja vazia ,
de portas abertas ,
igreja refúgio de mulher sozinha
que vive chorando a morte do filho,
que um dia ,
coitado ,
foi morto no mato .

Cidade tem gente ,
gente com santa ,
SANTA qu ' IRRITA ,
que deixa viver
miúdo no chão ,
dormindo à chuva
e chorando por pão .

E tem...

Turismo café
que serve jantar .
Cidade não tem mais nada que ver ,
Cidade não tem mais nada que dar .
Mas tem !

E tem...

Carro que anda
depressa de mais,
apanha miúdo,
miúdo gozão ,
que sai da escola
levando sacola ,
cai no asfalto ,
d' olhos abertos ,
bata rasgada ,
rosto sangrando ,
e livro na mão !


Sérgio de Oliveira
1973
.................
Nota: Será que este poema foi mesmo escrito em 1973?

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