07 junho 2008

Passeios à Praia Amélia no início da década de 50






























Passeio a uma pescaria nos arredores de Moçâmedes, a Pescaria de João Duarte, na Praia Amélia, praia a 5km/sul do centro da cidade.
Na 1ª foto, reconheço, no topo, ao centro, Elisa Romão Veiga. No 3º degrau a partir de cima, e da esq. para a dt: Noémia Bagarrão Pereira (Cócas), Violete Velhinho, e as três mais à dt., de chapeu, Marizette Veiga, Maria Enília Ramos e Olímpia Aquino, todas moradoras na altura, no Bairro da Torre do Tombo. Embaixo, à esq., reconheço apenas Rui Bauleth de Almeida, o 1º à esq., sentado no degrau.

Na 2ª foto, em 1º plano, Maria Emilia Ramos passeando de motorizada sobre as areias soltas da Praia Amélia. Ao fundo e à dt., de chapéu, sentada na areia da praia, reconheço Aninhas Gouveia. Mais ao fundo, a pescaria de João Duarte e respectivos giraus (tarimbas) onde secavam o peixe.


Era comum na época, em Moçâmedes, juntarem-se grupos de famílias e amigos no Verão, aos domingos, em almoçaradas na Praia Amélia. Logo pela manhã cedo partiam as carrinhas que carregavam na carroceria uma boa dúzia de pessoas, de pé, cabelos ao vento, por vezes mal acomodadas, mas felizes, na expectativa do dia agradável que as esperava. Descarregadas as panelas, tachos, pratos, talheres, toalhas, caixas com fruta, legumes, bebidas, etc., as manhãs eram destinadas a banhos de mar nas águas cristalinas e nem sempre calmas com que a Praia Amélia brindava os habitantes da terra. Estes passeios tinham o seu ponto alto à hora da reunião do grupo à volta da mesa para o almoço, que, na maior parte dos casos se traduzia numa boa caldeirada de peixe acabado de pescar pelos homens do grupo, alí mesmo por perto. A corvina prestava-se muito a este tipo de refeição, que muitas vezes levava, em vez de azeite, o óleo de palma, para além do imprescinsível piri-piri... O acompanhamento era à boa maneira africana, uma «piroada» de farinha de milho amarelo. Era de comer e chorar por mais! E se a caldeirada em vez de corvina, fosse de barbelas de corvina, tanto melhor. A variedade de peixes também era uma opção.

Esta prática já vinha de tempos idos, quando não existiam carros em Moçâmedes e o transporte eram as embarcações.
Escusado será dizer que havia gente que enjoava no caminho, e por vezes estragava a sua festa. A partir da década de 60, a prática das almoçaradas na Praia Amélia caiu em desuso, ficando delas a grata recordação de insquecíveis momentos de convívio que mobilizaram durante décadas gente todas as idades, familiares e amigos.

Gente de Moçâmedes: 1952




















Desta foto reconheço, da esq. para a dt. Álvaro Macedo, ? Codinha, Alice e Guilherme da Silva Jardim

06 junho 2008

Vila Arriaga (Bibala)







Fotos tiradas em Vila Arriaga - Bibala, onde podemos ver o centro da vila com o tradicional largo  com Coreto, à boa maneira lusa, e a Estação dos Caminhos de Ferro. Na 2ª  e 3ª fotos, a rua principal. Em 1º plano -administração - casa de funcionários -rua principal e comercios - deposito de máquinas dos CFM. Na 4ª foto um conjunto habitacional, e na 5ª, também em Vila Arriaga (Bibala), Ascensão Bacharel junto de um jovem  africano da população "quimbar" de Moçâmedes, e uma rapariga  que parece ser da etnia mucubal, residente na zona, já com o corpo escondido por detrás de panos, sintomas de um certo grau de assimilação da cultura europeia, o que não era muito comum na época  no seio deste povo resistente à integração.






Lista das Estações do CFM
  1. Mossâmedes
  2. QUIPOLA
  3. SACO
  4. RIO GIRAÚL
  5. GIRAÚL
  6. MIRAMAR
  7. CAMPO LIVRE
  8. RAPOZEIRA
  9. MONTEMOR
  10. DOIS IRMÃOS
  11. ele vai
  12. CUTO
  13. Cumieira
  14. relutância
  15. MUNBENGO
  16. ASSUNÇÃO
  17. GARGANTA
  18. maquinaria
  19. VILA ARRIAGA (Bibala)
  20. NUMBIA
  21. TOLUNDO
  22. forragem
  23. QU escritor
  24. SÁ DA BANDEIRA

A Vila Arriaga (Bibala) , povoação pequena, simpática situada no sopé da serra da Chela, a 180 km da cidade capital do distrito de Moçâmedes, actual Namibe,  era na o ponto obrigatório de passagem, para carros e para o comboio quando as gentes de Moçâmedes subiam a serra a caminho de Sá-da-Bandeira/ Lubango. 

Em Vila Arriaga fazia-se uma pausa para refrescar e para ganhar forças ,uma vez que a seguir, parando somente na Humbia, e antes de se chegar ao Lubango, tinha-se pela frente o maciço da Chela...

Embora pertencesse ao Distrito de Moçãmedes, Vila Arriaga (Bibala) fazia fronteira com o distrito da Huíla, hoje Lubango, de cuja cidade (Sá da Bandeira), ficava apenas a cinquenta quilómetros de distância.

Geralmente as pessoas que habitavam Vila Arriaga eram agricultores ou dedicavam-se à pecuária, para alem dos cargos administrativos. Era uma vila pequena, com apenas duas ruas e quatro transversais, mas muito interessante e com uma vida própria muito activa. Tinha uma administração por ser sede de concelho, com as respectivas casas do administrador, do secretário e dos demais funcionários, um posto veterinário com a respectiva residência do médico veterinário.


Sá-da-Bandeirara /Lubango era para nós que vivíamos nas duas cidades mais ao sul de Angola, Moçâmedes e Porto Alexandre o destino mais próximo e natural. Íamos de carro ou de comboio, normalmente por altura das Festas de Nossa Senhora do Monte. Os que iam de comboio, uma vez que levavam quase todo o dia a viajar, levavam farnéis constituidos por sanduíches,  bolos, fruta diversificada, água, laranjadas (made in Moçâmedes, na empresa do Pereira Simões) etc. etc. Sá-da-Bandeira ficava a 200 km de Moçâmedes, mas a viagem era tão demorada que mais parecia que íamos para o fim do mundo. Chamavam aos primeiros comboios o «Camacouve» precisamente devido à morosidade e lentidão do percurso.  Outros diziam que assim se chamava porque acumulava as funções de comboio de passageiros e de mercadorias e, como tal, possuía camas e transportava couves.... Tem alguma lógica!

Ao longo do trajecto  para a Vila Arriaga, avistava-se o Morro Maluco, que umas vezes surgia do lado esquerdo, podia ser avistado de vários ângulos... Ficava a uns 118 km de Moçâmedes (Namibe),
Mais tarde chegou o novos modelo de comboio, e as viagens passaram a ser efectuadas em menos tempo dada a maior rapidez das máquinas, tendo melhorado também a situação em termos de conforto. Foi em 1954, quando da visita a Portugal do Presidente da Repúblical, General Craveiro Lopes a Moçâmedes, que foi inaugurado o primeiro troço de Vila Arriaga (Bibala) até Moçâmedes (Namibe). Mais tarde as obras continuaram até Sá-da-Bandeira/Lubango e em seguida até à Matala, e mais e mais até Serpa Pinto (Menongue), mais ou menos 500 km para o interior. Subia-se para o Lubango através da serra da Chela, a serra por onde subiram a pé, de tipoia ou em carros de puxados por juntas de bois, os primeiros colonos chegados a Moçâmedes no navio «India»,  vindos da Ilha da Madeira, para ali se fixarem e se dedicarem à agricultura. Foram eles que ajudaram a construir  a bela cidade de Sá-da-Bandeira/Lubango.


Clube Desportivo de Vila Arriaga (Bibala), Angola (distrito de Moçâmedes), em 1952

Clicar AQUI para ver Vila Arriaga/Bibala e AQUI (viagem de comboio Moçâmedes/Lubango)

 Transcrevo do blogue de Carlos Cebolo:  "..Para servir a população local e do concelho, havia  no tempo colonial, também, um hospital com as respectivas casas do Médico e do enfermeiro. No centro da Vila situava-se a escola primária, a estação dos caminhos-de-ferro e várias casas destinadas aos seus funcionários, assim como uma oficina para a reparação das máquinas locomotivas; um Clube recreativo e um parque infantil. A linha do caminho-de-ferro dividia praticamente a Vila em dois lados. De ambos os lados da Vila havia várias casas comerciais, quase todas direccionadas ao comércio com os indígenas, mas havia duas que além deste comércio, também estavam preparadas para o comércio Geral.  Destas casas comerciais, a do Cardoso Dias e a do Lauro Gonçalves, talvez a mais importante fosse a casa Lauro Almeida Gonçalves, onde se podia encontrar um pouco de tudo. Tinha o sector agrícola, o sector de mercearia, a parte de roupas e tecidos, retrosaria, relojoaria e ourivesaria, papelaria, sapataria, louças, brinquedos e farmácia. Era na realidade um comércio multifacetado e único na região. Para além deste comércio, a Vila tinha ainda duas pensões e nos últimos tempos talho e peixaria. Todos os habitantes da Vila se conheciam e para além da amizade própria dos europeus e seus descendentes em África, havia também uma sã convivência com os naturais da terra, que fazia desta Vila uma comunidade familiar. O meu tempo de criança, de adolescente e de jovem adulto, foi passado nesse Vila, com excepção do tempo reservado aos estudos que foram passados ou em Moçâmedes (Preparatório) ou no Lubango (Secundário). Logo se vê que esta Vila marcou o meu tempo de juventude. Aos fins-de-semana havia baile no clube. As raparigas iam acompanhadas pelas mães ou a cargo de uma senhora casada que se responsabilizava por elas, era assim naquele tempo. Muito respeito, mas também muito divertimento. Não havia drogas, o álcool era controlado e não passava de umas cervejas; apenas e só o baile com música tocada a gira discos, animava as tardes e as noites. Eram tempos maravilhosos e os namoricos também existiam, mas tudo dentro do respeito da época. Durante as férias grandes, eram assim chamadas as férias de final de ano lectivo, os rapazes da Vila juntavam-se à noite para cumprir com um costume antigo, costume que já vinha dos nossos pais. Íamos ás capoeiras dos nossos próprios pais e “roubávamos” uma galinha para a patuscada nocturna. Juntávamo-nos todos no largo da pecuária e aí fazíamos a fogueira para assar os francos. Os pais no dia seguinte davam por falta das galinhas, mas ninguém levava a mal, pois era um costume antigo. Vila Arriaga era uma Vila pequena mas tão familiar que ainda hoje, passados trinta e poucos anos, posso mencionar os nomes das famílias mais antigas e que deram relevo à Vila. – A Família Adolfo de Oliveira; família António Duarte, família Rocha Pinto; família Cardoso Dias; família Madeiros; Família Simões(Canime); família Bastos; família Lauro Gonçalves; família Guardado; família Basílio; família Zé da Glória, família Alves Primo; família Raimundo; família Morais, família Baptista; família Filipe Cebolo; família Freitas, família Robalo; família João de Sousa; Família Daniel; família Gil do Espírito Santo; família Zé Teixeira, família Aníbal; família Amado; a famosa viúva Alice, famosa por ser avançada de mais para a época, sempre com o espírito jovem, apesar da sua já avançada idade, não faltando a um baile junto da juventude. Para além desta gente, havia outras que embora não fossem residentes permanentes na Vila, por lá passaram e deixaram a sua influência, como a família Amadeu Gonçalves, os Administrativos Sousa Álvaro (Administrador); Fausto Ramos (secretário) Pimentel Teixeira (secretário) Nazaré Gomes (médico) João Simões (funcionário veterinário) Jorge Alves (Chefe de Estação C.F.); Sousa (Chefe de Estação dos C.F.); Sebastião (enfermeiro); Rodrigues (enfermeiro) Os padres Espanhóis (Fidel, Jesus e Zé), Olímpio capataz dos C.F. e o Santos (capataz Geral dos C.F). Enfim, e muitos outros que vieram depois destes, dos quais destaco a família João Rodrigues que veio da Lola, uma povoação vizinha e pertencente ao mesmo concelho, radicando-se em Vila Arriaga. Grande parte deste pessoal já faleceu, mas ainda hoje, os vivos e os descendentes dos falecidos, quando se encontram é como se encontrassem um familiar, tal era a amizade entre as famílias. No mês de Junho dava-se lugar às célebres festas da Vila, em honra dos Santos populares, Stº. António, S. João e S. Pedro, que para além das várias barracas que se montavam com diversas actividades e do indispensável baile diário, também havia as tradicionais fogueiras em honra dos Santos populares. As festas duravam o mês inteiro e todos os dias haviam movimento próprio das festas que aos fins-de-semana era abrilhantado com um conjunto musical contratado para o efeito e com torneios de tiro ao alvo; tiro aos pombos e tiro aos pratos, além do Basquetebol e do futebol é claro. Em minha terra minha gente, não podia deixar de fazer esta retrospectiva saudosista da minha juventude. " Fim de citação

03 junho 2008

Equipa de hóquei em patins (infantis) do Sport Moçâmedes e Benfica : 1972

































1ª foto:
Nesta foto, tirada em 1972, podemos ver 2 equipas de hóquei em patins do Sport Moçâmedes e Benfica (juvenis), uma delas com camisola branca e calção vermelho, a outra com camisola vermelha e calção branco.
Da esq. para a dt.
Em cima: Aurélio Baptista, Mário Domingos, Lino, Filipe Pereira, Bordalo (treinador), Luis Nunes, Henrique Teles e Mocambicano??
Embaixo: Pinto Lopes, Mané Peixoto, Pedro Ilha, Armanso Silva, Sérgio Nunes, J. Duarte Mesquita e António Domingos


2ª foto: Nesta foto também tirada no ano de 1972, podemos ver a equipa de hóquei em patins (juvenis) do Sport Moçâmedes e Benfica, onde alinhavam:
Da esq. para a dt,

em cima: Jorge Mesquita, Filipe Pereira e Luís Nunes.
embaixo: Pedro Ilha, Armando Silva e Sérgio Nunes.

Importa aqui destacar
que os irmãos
Nunes, Luís e Sérgio, acabariam por vir a jogar ao mais alto nivel
, primeiro em Portugal no Campo de Ourique e no Sporting e mais tarde em Itália, Basano, onde ainda vive o Luís que também era conhecido pelo «Cenoura» devido à tonalidade do seu cabelo. O Sergio chegou a jogar no Oquei de Barcelos (foi campeão), e ainda jogaram na Selecção Nacional em campeonatos da Europa e do Mundo. Fotos gentilmente cedida por Pedro Ilha.
Sobre desporto em Moçâmedes, pode ver mais fotos aqui: http://memoriasdesportivas.blogspot.com


02 junho 2008

Recepção a Riquita, miss Portugal, à chegada a Moçâmedes, Angola (Namibe): Os mucubais. 1972










Celmira Bauleth (Riquita), a jovem moçamedense que aos 18 anos arrebatou em Portugal o título de Miss 1971, ao ser recepcionada  no regresso a Moçâmedes. Se à chegada a Luanda de Riquita tinha sido estrondosa, o regresso a Moçâmedes reservou outro tipo de surpresas. Infelizmente uma só foto pouco diz daquilo que foi a realidade. Riquita desfilou no Ford descapotável de Fernando Cabeça, foi entusiasricamente aplaudida pela população que veio para a rua para a saudar, participou em várias festas, numa delas vestida de mucubal, lado a lado com mucubais, e por eles foi também efusivamente aplaudida.












Riquita tinha desfilado no Casino Estoril com o traje dos mucubais, uma tribo nómada que se concentra sobretudo na zona Capangombe, onde a família tinha uma fazenda. Pela proximidade geográfica, muitos mucubais trabalhavam com os Bauleth e foram eles que forneceram os panos, ensinaram Riquita a envolver o corpo e emprestaram os colares e pulseiras untados com esterco de boi cedidos para o efeito por elementos daquele grupo étnico. Dizia Riquita: «Fiz questão de usar os adereços originais e, de cada vez que punha aquilo, toda a gente fugia com o cheiro nauseabundo. Quando me mudava para o vestido de noite tinha umas toalhas húmidas com que me limpava do cheiro».D e diferente, o soutien, que as mulheres mucubal não usavam. Solteiras, andam nuas das cintura para cima, casadas, amarram os seios com cordas como se pode ver pela foto abaixo.

Não admira, por isso, que os mucubais se tivessem sentido honrados em estarem presentes na noite da sua chegada, a Moçâmedes, na recepção efectuada no pequeno palco, junto das arcadas e do Casino, na Praia das Miragens, como podemos ver. Riquita apresentara-se vestida de «hot pants» e óculos Dior de enormes armações, e com madeixas brancas no longo cabelo.

Mais tarde, recordando estes dias diria: «Eu tive o privilégio de ser amada pelo povo de Angola. Poucas pessoas têm uma sorte semelhante. E referindo-se aos mucubais: «Fizeram 100 quilómetros a pé, com bois, cabritos, galinhas e maçarocas, não exactamente para me oferecerem, porque os mucubais não oferecem nada, só dão coisas em troca de outras. A explicação que encontro é que eles sentiram que eu os dei a conhecer a Portugal inteiro e que os representei. Aquilo que me estavam a entregar era o pagamento».

Durante dois anos, Riquita esteve ao serviço da organização do Miss Angola, ligada à revista «Notícias», a promover os concursos regionais de misses e a frequentar festas.

(partes de texto retirados de Expresso)
Video Deserto do Namibe

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A TUA VOZ ANGOLA

Nos tribos
E assobios
Dos pássaros bravios
Ouço a tua voz Angola.

Dos fios
Esguios
Em arrepios
De mulembas sólidas
Escorre a tua voz Angola.

Nas ondas calemas
Barcos e velas
Dongos traineiras
Âncoras e cordas
Freme a tua voz Angola.

Em rios torrentes
Regatos marulhentos
Lagoas dormentes
Onde morrem poentes
Brilha a tua voz Angola.

No andar da palanca
No chifre do olongo
No mosqueado da onça
No enrolar da serpente
Inscreve-se a tua voz Angola.

No acordar dos quimbos
Nos cúmulos e nimbos
Nos vapores tímidos
Em manhãs de cacimbo
Flutua a tua voz Angola.

Na pedra da encosta
No cristal de rocha
Na montanha inóspita
No miolo e na crosta
Talha-se a tua voz Angola.

Do chiar dos guindastes
Do estalar dos braços
Do esforço e do cansaço
Emerge a tua voz Angola.

No ronco da barragem
No camião da estrada
No comboio malandro
Nos gados transumantes
Ecoa a tua voz Angola.

Dos bongos e cuicas
Concertinas apitos
Que animam rebitas
Farras das antigas
Salta a tua voz Angola.

A flor da buganvilia
A rosa e o lírio
Cachos de gladíolos
O gengibre e a cola
Perfumam a tua voz Angola.

Ouve-se e sente-se e brilha
A tua voz Angola

Inscreve-se nos seres talha-se nas rochas
A tua voz Angola

Vai com o vento goteja com o suor
A tua voz Angola

Por toda a parte por toda a parte
A tua voz Angola

Que voz é essa tão forte e omnipresente
Angola?

Que voz é essa omnipresente e permanente
Angola?

É a voz dos vivos e dos mortos
De Angola
É a voz das esperanças e malogros
De Angola
é a voz das derrotas e vitórias
De Angola
É a voz do passado do presente e do porvir
De Angola
É a voz do resistir
De Angola
É a voz dum guerrilheiro
De Angola
É a voz dum pioneiro
De Angola.

Antero Abreu




Bailes e festas em Moçamedes: anos 60



free music






























Nota: A música que se ouve quando se abre este blog, através do Mozilla firefox, é cantada pelo moçamedense Reinaldo Bento (foto acima) . Se a não a quiser continuar a ouvir pode parar através de um clic na playlist verde que se encontra abaixo da foto.

1ª foto: Baile no Clube Nautico (Casino). Repare-se pela expressão corporal de alguns dos dançarinos, como já ia longe a época do pasodoble, do tango, do bolero, da rumba ou dos blues, em que se dançava agarradinho e que havia empolgado a minha geração... Embora com certo atraso, a época do rock do e do twist, iniciada naos finais da década de 50 nos EUA, chegara a Moçâmedes. Com a revolução cultural, outros tipos de dança começaram a espalhar-se por toda a parte. A moda passou a ser já não a de dançar agarradinho, mas a de soltar o corpo, dançar separados e com liberdade. Creio que é isso que podemos ver aqui, onde alguns dançarinos parecem dançar o TWIST, (espécie de rock and roll) em que se dança separados e quase parados, com as pernas meio arquedas e apoiadas sobre as pontas dos pés, movimentando o corpo para a frente e para trás de forma alternada e movendo ritmadamente os braços e os quadris. Não é fácil de entender, e muito menos de praticar, muito especialmente para aqueles e aquelas como eu, habituados ao ritmo dos tangos, dos pasodobles, blues, etc....

2ª foto: Reinaldo Bento canta acompanhado pela sua banda musical. À dt., o guitarrista Borda d`Água(?). Estas fotos foram colocadas por Teresa Carneiro in Sanzalangola.

3ª foto: Laurentino Jardim e Reinaldo Bento. Anos 60.

Também pode ouvir cantar e tocar um outro moçamedense, José Manuel Martins, (filho de Teresa Ressurreição e de Carlos Martins). Basta clicar AQUI, onde encontrará canções dedicadas ao Namibe, como
«Kizomba do Deserto», etc.
Aproveito para colocar aqui um video de Luanda acompanhado pela cantora angolana Miná Jardim