27 julho 2008

Gente de Moçâmedes: 1967


Nesta foto, que reune algumas pessoas que viveram em Moçâmedes até à independência de Angola, reconheço, entre outros:
Da esq. para a dt.
Atrás: Olimpio Aquino, ?,?, Abilio Lopes Braz, João Pinto, Abilinho Aquino Braz e Albino Aquino (Bio) com o filho no colo (à dt.).
Das senhoras apenas reconheço Graça M. Nunes de Sousa Aquino e Mariazinha Pinto e Olimpia Aquino Arvela, ao centro.
As crianças à frente são: Aquino e os irmãos Aquino Arvela, José, Carlos, e Filipe. Foto gentilmente cedida por Olimpia Aquino.

25 julho 2008

Video: Dinheiro de Angola até 1975



Clicar na seta acima para ver (video) c/música: «O dinheiro não chega» de Paulo Flores
e AQUI
OUTRO FILME (clicar também aqui)
E OUTRO
(clicar também aqui)
AQUI 
Angola pepel moeda desde 1861...

24 julho 2008

Pescarias de Moçâmedes: «Industrial Canjeque


  A zona pesqueira do Canjeque, a 4m a sul de Moçâmedes. e o peixe secando nas eiras (tarimbas) da pescaria de João Viegas Ilha em sociedade com António Vicente (
«Industrial Canjeque») . Foto de Pedro Ilha

A indústria de pesca em Moçâmedes até aos anos 1950: a arte da «sacada»



                                                    Uma baleeira de pesca de "sacada"

Uma baleeeira à vela, encaminha-se para uma das pescarias da zona conhecida por "Pedras". Ao fundo, o morro da Torre do Tombo, onde em tempos remotos foram escavadas grutas ou furnas na rocha branda, e foram encontradas com inscrições deixadas gravadas na rocha branda por piratas e por navegantes , que ao longo das suas viagens por ali passavam, ali descansavam e ali faziam "aguada" ,antes de prosseguirem viagem pelo vasto mundo .
                                             
 

No início eram os barcos à vela...

A foto que aqui vemos, tirada em finais da década de 1940, em plena faina no mar, representa uma das muitas baleeiras que se dedicavam à arte «sacada», e que na altura povoavam a baía de Moçâmedes. O local onde se desenrola a acção, é na zona então conhecida como «mar da Alemanha», entre a ponta do Pau do Sul e o Canjeque. Nesse dia o mar estava agitado. A foto, toda ela sugere acção e movimento: o baloiçar da embarcação, as ondas, a postura dos pescadores, o mastro que sustenta a vela, o erguer da rede, etc. etc. Como podemos ver, a vela, no momento em que a foto foi tirada já se encontrava recolhida na verga que lhe serve de suporte.


A «pesca de sacada» era efectuada em duas baleeiras de pequeno porte, uma com motor (a que carregava as redes), e a outra a reboque. Nesse tempo estas baleeiras navegavam à vela, e era interessante vê-las desfraldando as suas velas brancas ponteagudas ao vento, (vela latina) bolinando, ora para um lado, ora para outro, para poderem vencer o ventinho que soprava sempre em sentido oposto. A partir da década de 50, passaram a ser movidas a motor, facilitando substancialmente a navegação e a pesca em si.
 

Chegadas ao local escolhido, as baleeiras fundeavam, recolhiam as velas, e posicionavam-se lado da outra, com espaço suficiente entre si para se poder arrear a rede ao mar. A rede ficava presa a cada uma das baleeiras, à frente e atrás, através de cabos e chumbadas, em forma de saco. A operação seguinte consistia em atirar o engodo para o meio da rede, a fim de atrair os cardumes de peixe (de preferência cachucho, corvina, taco-taco, merma, etc.), e ao fim de algum tempo, com uma linha e anzol , verificava-se se havia peixe a picar. Em caso positivo, a rede era içada manualmente, através de uma operação que naturalmente, obrigava as baleeiras a se aproximarem uma da outra. Os primeiros cardumes eram despejados para uma das baleeiras, o 2º para a outra, uma vez que se voltava a arrear a rede ao mar.

A pesca de sacada era normalmente efectuada numa área que ia até ao «Três Irmãos», nome dado a três morros que se avistam do mar e que ficavam em pleno deserto, próximos da costa, no caminho para Porto Alexandre (actual Tombua).





                               A baía de Moçâmedes e as antigas pescarias, na década de 1940


 Eu, no morro da Torre do Tombo, nos tempos que anteciparam o desmantelamento das velhas pescarias de Moçâmedes
                               Alguns pescadores algarvios que se radicaram em Moçâmedes...
 


Nesse tempo a maioria das gentes dedicadas à pesca, eram pescadores/proprietários das suas pequenas embarcações, tinham os seus empregados mestres, motoristas, quimbares e pessoal contratado, etc. Os proprietários eram na maioria descendentes de algarvios que ali se tinham fixado e partir de 1860 e que prosseguiram a arte de seus pais e avós, sem  nunca terem enriquecido. Eram "patrões", mas a maioria trabalhava ao lado dos seus empregados, de mangas arregaçadas, pois o resultado final da pesca não dava para muito mais.  A arte mais difundida era a «pesca à sacada», e como a área da residência era geralmente a Torre do Tombo, não muito longe das pescarias onde laboravam, saiam de casa para a faina do mar pela madrugada, a pé, pois naquele tempo (até finais dos anos 1940, eram raros aqueles que possuíam carro).  









 
Todo o pessoal do mar reunia-se nas pescarias onde em instalações precárias umas, ou melhoradas, outras, se alojava o pessoal africano contratado, e alguns africanos aportuguesados desde há muito radicados na área, os "quimbares". Como nesta altura a rede de luz eléctrica ainda não estava instalada, ou estava a sê-lo em algumas zonas, mas não havia chegado à Torre do Tombo, era normal, para vencerem a escuridão, verem-se pescadores levando consigo pela mão um candeeiro   alimentado petróleo, tipo lampeão, apropriado para usar na rua, feito de metal e vidro com uma pega para transporte. Com a mesma finalidade se podiam usar lanternas alimentadas a pilhas. Era um tempo em que as habitações era iluminadas a candeeiros alimentados a petróleo (antes eram alimentados a azeite, incluso a óleo de peixe). Quantas crianças e jovens estudaram à luz desses candeeeiros, quantas familias jantaram, quantas donas de casa tricotaram à luz de tal iluminação! O surgimento dos petromax foi uma inovação. A luz produzida era muito clara e de grande intensidade.

A Torre do Tombo, bairro onde moravam as gentes dedicadas à arte da pesca, maioritariamente oriunda do Algarve, e que em outros tempos fora um ponto de encontro para onde confluía aos fins de semana gente de todos os cantos da cidade para se divertir nas festividades levadas a cabo no salão do sei Ginásio Clube, foi sempre descuidada pelas autoridades da terra, e a iluminação de algumas das ruas deste bairro só chegou na 1ª metade da década de 1950. Também foi tardia a asfaltagem das ruas nesta zona da cidade, que só veio a acontecer já no início da década de 60 e apenas beneficiando a rua principal que dá acesso à praia Amélia, ou seja, a então denominada Rua da Colónia Piscatória. É caso para pensar, como foi possível tanto atraso, ou tanto laxismo, em aspectos tão básicos de urbanização, num território tão rico como era Angola? E no entanto, apesar de desprezada a Torre do Tombo, com as suas pescarias, apesar das constantes crises que de quando em quando se abatiam sobre o sector pesqueiro, era um dos eixos que faziam girar a economia da terra! Eram as gentes da Torre do Tombo que do mar arrancavam o pescado que juntando-se às gentes do mar de outras praia e até de Porto Alexandre, etc  que ainda iam ajudar comparticipando com "malas" de peixe, obras efectuadas, como as do Clube Náutico, do edificio do Grémio,  Sede do Sporting, etc  etc. , montantes que lhes eram solicitados por via de gente influente como o Capitão do Porto, etc etc.






        João Viegas Ilha industrial do Canjeque  e sócio da Projeque junto ao pescado a secar em eiras ou jiraus


Quanto à vida dos homens do mar, se ainda hoje é dura, muito mais dura era naquele tempo. Chegados às pescarias, como a maioria delas não possuía pontes que penetrassem suficientemente o mar para que as embarcações pudessem atracar, era em «chatas», pequenos barcos a remos, que os pescadores se dirigiam para as baleeiras, a fim de partirem para a faina no mar.
As noites de inverno em Moçâmedes eram geladas, como gelada era a água do mar, para o que contribuía a corrente fria de Benguela que fazia parte da corrente marítima que vinha do sul da Argentina, passava pela Antártida, e subia ao longo da costa ocidental africana passando por Moçâmedes. Os pescadores tinham que se proteger com roupas grossas de lã, camisolas, calças e calcetas e botas altas de borracha. E nas noites de «cacimbo», com barretes enfiados na cabeça. O pessoal nativo, que era na altura contratado para trabalhar nas pescarias, através de angariadores, em zonas do interior de Angola, como Caconda, Guilengues, etc., usavam camisas feitas com as chamadas «mantas de papa», mantas grossas que possuiam um grau elevado de acumulação de calor, e calçavam botas de borracha para se protegerem do frio e da água do mar. Chegados a terra, o pessoal do mar ia descansar e o pessoal de terra começava a sua rotina, que era a de retirar o peixe das baleeiras, escalar, salgar e pô-lo a secar, e ainda, concertar as redes que amiúde rasgavam, quando ficavam presas a alguma rocha no fundo mar, ou devido ao peso dos lances de pescado, o que geralmente era feito, pelo dono da embarcação, o mestre, após algumas horas de descanso diurno.


Foi a partir da década de 50 que, primeiro lentamente, depois mais ousadamente, se deu um salto qualitativo na indústria piscatória no distrito de Moçâmedes, salto que ainda foi maior na década de 60, quando começaram a surgir as primeiras instalações fabris para a transformação do peixe em farinhas e óleos, já dotadas com tecnologias de ponta, como eram na época as norueguesas.




Antes de tudo era a pesca do arrasto...


 







                                      

Mas voltando ao período em causa, ou seja, até ao final da década de 40, as principais actividades piscatórias encontravam-se voltadas para a salga e seca de peixe, para a venda de peixe em fresco para consumo local e para a industria de conservas de peixe. As artes utilizadas, eram a «pesca de sacada», a «pesca de armação», a «pesca com rede de arrasto» e a «pesca à linha e à vara». Na «pesca de sacada» o peixe era fundamentalmente destinado a salga e seca, tendo como destino quer o consumo interno quer o externo através da exportação para Moçambique, Congo, etc., excepto quando vinham à rede peixes de qualidade (corvina e do cachucho) que eram vendidos em fresco para consumo local, uma vez que não existia ainda a rede de frio. Importa contudo referir que muitas vezes até estes peixes de qualidade acabavam por ser destinados também à salga e seca para exportação, no caso dos grandes lances que iam para além das necessidades do consumo local. A «pesca à linha», essa sim, era destinada ao mercado consumidor local, excepto quando se tratava de atum, sarrajão, sardinha.. era dirigido para a indústria de conservas. Para a indústria conserveira, era também dirigida a «pesca ao corrico», a «pesca à vara» , (esta fundamentalmente de tunídeos, atum e sarrajão), e também a «pesca de armação».

Quanto aos lucros proporcionados aos pescadores pelas artes em questão, nesta altura, havia abundante pesca, mas era baixo o valor do pescado. O peixe apanhado pelas sacadas destinado à salga e seca era encaminhados para o Sindicato dos Industrias de Pesca de Moçâmedes (mais tarde Grémio dos Industriais de Pesca de Moçâmedes) que se encarregava de o colocar nos mercados consumidores, quer de consumo interno em Angola, quer para consumo externo, em Moçambique, no Congo, etc., como aliás já fora atrás referido. Mas as condições em que se trabalhava não eram as melhores e o escoamento para os mercados não obedecia por vezes ao ritmo que seria necessário .


No seu livro “O Mar de Angola”, o Dr Carlos Carneiro, (1949), escreveu um artigo sob o título: “E assim nasceu, em Angola, a indústria de farinhas de peixe”, onde nos fala da grande crise da indústria de pesca em 1929, crise que afectou grandemente Moçâmedes, e acabaria por ser decisiva na construção das primeiras fábricas para a transformação de peixe em farinha e óleo. Numa passagem do mesmo podemos lêr:

...Em 1929 a indústria de pesca no sul de Angola atravessava a pior das crises. A produção de peixe seco era enormemente superior ao consumo”. O preço aviltava-se... “abandonavam-se na praia ou lançavam-se ao mar centenas de toneladas de peixe que apodrecia em armazém”. Nesse tenebroso período, um alemão, gerente da casa Weermonn, Brock & C.ª, em Moçâmedes solicitou-me autorização para exportar, para Hamburgo, peixe seco sem sal e com cabeça, para fins industriais”. “Como nada havia legislado sobre o assunto, autorizei a exportação... Mas o fim a que ele se destinava espicaçou-me a curiosidade”. Solicitei informações ao Departamento Científico e Técnico de Pescas Marítimas de França
e recebi vagas notícias sobre a utilização desses peixes na alimentação de animais, depois de beneficiados e farinados. Por essa época uma comissão de médicos veterinários elaborava o Regulamento Geral de Sanidade Pecuária e Industria Animal em Luanda e solicitava-me elementos para estabelecer doutrina sobre a fiscalização sanitária do peixe e seus sub-produtos. Assim aparece publicado e mantém-se em vigor, o “art. 134º: Fica autorizada a escala de peixe com cabeça e sem sal quando destinada a fins industriais” (Carneiro, 1949). Entretanto, com a preciosa colaboração do meu saudoso amigo Dr. Torres Garcia faço os primeiros ensaios de transformação do peixe em farinha. Sem maquinaria própria e sem ciência certa as primeiras amostras enviadas para a Alemanha não agradaram, como tanto era de desejar. Mas as indicações que de lá vieram permitiram produzir-se melhor e, em pouco tempo, o mercado germânico estava aberto a toda a farinha de peixe que Angola fabricasse. E assim se começaram a construir as primeiras instalações fabris e se adquiriram as primeiras fábricas para a transformação de peixe em farinha e óleo. Hoje, a costa de Angola tem ao serviço desta riquíssima indústria, 4 grandes fábricas e cerca de 60 fabriquetas que estão laborando, anualmente, largas centenas de toneladas de farinha de peixe....

A falta de autonomia  das colónias em relação à Metrópole reflectia-se ao nível de aspectos comezinhos, incluso um simples regulamento para a salga do peixe que até meados do século XX era feita em péssimas condições. Em 1915 de entre outras disposições o Governador de Moçâmedes instituia que os tanques ou tinas para salga deveriam ser em cimento, madeira ou ardósia. E estes deveriam obedecer a dimensões certas. Ou seja, obedeciam a uma largura mínima de 0,80 e máxima de 1, 60m e profundidade igual à largura. Isto para peixes de várias dimensões, que iam sendo colocados no fundo por serviçais que debruçados no bordo do mesmo, iam deitando-lhes por cima camadas de sal que se iam liquefazendo, para irem a secar em eiras ou jiraus  a seguir. 


Esta é uma pequena amostra daquilo que era a vida das gentes do mar neste periodo em Moçâmedes.Vida que, embora fosse possibilitada e garantida pela presença de pessoal africano contratado vindo do interior de Angola, quantas vezes objecto de exploração por parte de angariadores,  não poupava ninguém, incluso os próprios patrões que em grande parte eram proprietários-pescadores, e, lado a lado com seus empregados participavam na labuta do dia a dia. E se ganhavam algum a mais e amealhavam, era para investir na arte, melhorar as condições de trabalho, porque nem créditos bancários havia para lhes facilitar a vida. E com o Estado não podiam contar. 

Depois de uma vida feita de lutas e sacrificios, em meados de 1950, ficaram sem as suas pescarias que foram desmanteladas para que os respectivos terrenos dessem lugar ao novo cais comercial e à avenida marginal, ficando grande número na miséria.

Ficam mais estas recordações
 


MariaN.Jardim
Para mais informações, clicar AQUI
AS GRANDES CALEMAS DE 1955








No artigo 4.º trata o regulamento

das visceras e detriclos do peixe, que manda lançar no mar, a uma distancia não inferior a 300 metros

da praia, quando se não destinem a ser aproveitados para fins industriais

ou adubos, pClis que, •neste

caso, serão removid s para as fabricas

transformadoras ou terre· nos em que tenham de ser empre· gados. Não dõzem como serão re- movidos.

Não discutamos esta distinção

entre fins indus!rtais e adubos e,

visto que esta ideia do aproveita- mento dos detrictos, aparece pela

primeira vez na portaria 87 de 1910

Arte de Pesca em Moçâmedes: Pescarias do Canjeque

 
 No Canjeque, a caminho do rapa (pequena traineira) «Nidia Maria», propriedade de Virgilio Nunes de Almeida. Margareth, Nidia e um empregado da pescaria.



Nesta foto, é visível a pescaria da Sociedade da Ponta Negra. Ld., de que eram sócios, Virgilio Nunes de Almeida, António Bernardino e ? Matos. Mais tarde as instalações desta pescaria foi vendida à «Projeque»
 
 Canjeque

 Pescarias de Canjeque sul a serem fustigadas por uma grande calema (1955)

 Pescarias de Canjeque sul a serem fustigadas por uma grande calema (1955)

 Pescarias de Canjeque sul a serem fustigadas por uma grande calema (1955)


Sacada em plena faina

Pequena traineira (rapa)






Foi no Canjeque, entre a Praia Amélia e a Ponta do Pau do Sul, que em finais dos anos 1940, inícios de 1950 surgiu a 1ª pescaria, pertença da Sociedade Industrial da Ponta Negra Lda., cujos sócios eram Virgilio Nunes de Almeida, António Bernardino e Matos. Em seguida, com o desmantelamento das primitivas pescarias na Torre do Tombo, em plena baía de Moçâmedes, e a deslocalização das mesmas, transferiram-se para ali algumas delas , como foi o caso da pescaria de Eduardo (Aníbal) Nunes de Almeida, mais tarde vendida à sociedade Manuel Vicente e Joâo Viegas Ilha.

As instalações da Sociedade Industrial da Ponta Negra Lda, mais tarde desfeita, deu lugar à  «Projeque», Sociedade Anónima por Acções, de que faziam parte um grupo de industriais cujas pescarias  haviam sido desmanteladas por força da construção da avenida marginal e do porto de cais.

Numa primeira fase, a Projeque esteve voltada para a indústria de peixe seco, tendo porém evoluido para a industrialização de farinhas e óleos de peixe, para o que teria contribuido a entrada de novos associados, entre os quais António Gonçalves de Matos, José Cicorel, Lourenço, e outros que a memória não permite recordar.

A «Projeque», tendo à sua frente os administradores Carlos Manuel Guedes Lisboa e João Viegas Ilha, viria a ser um dos empreendimentos que obteve maior sucesso em Moçâmedes, reportando-me, é claro, às condições com que esta Sociedade fora criada, ou seja, por pequenos industriais deslocalizados e
sem qualquer ajuda do Estado, e tendo em conta que outros tantos deslocalizados que desta sociedade não quizeram fazer parte, acabariam por sucumbir ou por se dedicar, até ao fim dos seus dias, à pesca à linha e venda de peixe fresco destinado às peixarias.

Moçâmedes possuia várias industrias de pesca de sucesso , entre as quais seria de salientar a de Joâo Duarte e a Venâncio Guimarães, ambas na Praia Amélia e as de Torres e Irmão e de Patrício Lda. , ambas
no Saco do Giraúl, para além das muitas mais que existiam em todo o distrito que englobava Baía dos Tigres, Porto Alexandre (Tombwa), Pinda, Cabo Negro, Baia das Pipas, Mucuio, Mariquita, Chapéu Armado, Baba, São Nicolau (Bentiaba), Vissonga, Lucira.



Sobre pesca em Moçâmedes: clicar AQUI
Fotos (4ª, 5ª e 6ª) gentilmente cedidas por Pedro Ilha.

Arte de Pesca em Moçâmedes; Traineira Carlos Lisboa















Inauguração da Traineira da Projeque, a "Carlos Lisboa" , em Agosto de 1968. Foto gentilmente cedida por Pedro Ilha.

A arte de pesca em Moçâmedes: Traineiras de João Duarte































1ª foto : A traineira de João Duarte, «Maria Margarida» passando junto a um navio de passageiros, ancorado ao largo, na baía de Moçâmedes.

Desconheço a data desta foto, onde traineira e navio se encontram embandeirados, mas tudo indica que tenha sido tirada
no decurso da visita do Governador Geral de Angola, Tenente Coronel Horácio José de Sá Viana Rebelo, quando a inauguração do 1º troço do cais do porto de Moçâmedes, em 24.05.1957, cujas obras haviam sido iniciadas no dia 24.06.1954, por ocasião da visita do Presidente da República, General Francisco Higino Craveiro Lopes.

Para ver fotos sobre esta visita clicar AQUI
Para ver fotos sobre a visita a Moçâmedes do General Craveiro Lopes , clicar AQUI.

Esta foto encontrei In Mazungue

2ª foto: Outra traineira do mesmo proprietário, a «São João de Deus».



Moçâmedes era o distrito de Angola onde a população branca era em maioria. Isto acontecia porque ao chegarem ali os portugueses apenas encontraram duas pequenas tribos vivendo junto das várzeas dos rios Bero e Giraúl, dos sobas Mossungo e Giraul respectivamente, os restantes povos do Distrito viviam em regime nómade, seminómade  camcurreando o Deserto do Namibe, na busca de pastos para os seus bois. Eram todos eles avessos à integração,  havendo desde sempre grande dificuldade no recrutamento de trabalhadores para ajudarem na  agricultura e na arte da pesca. 

De início eram escravos recrutados no centro e norte de Angola, junto dos sobas, e chegaram a ser distribuidos por Moçâmedes escravos libertados de navios de tráfico negreiro para o Brasil e Américas que operavam na clandestinidade e iam sendo apresados clandestino após a entrada em vigôr do Decreto de abolição de Sá da Bandeira.  Por esta altura, o recurso era o contrato a tempo certo, geralmente por 2 anos, e o recrutamento era efectuado através de angariadores e da autoridade administrativa da zona em conjunto com o «soba», ou seja, a autoridade tradicional de cada região. Numa primeira fase o salário estipulado era-lhes pago no final de cada mês, a partir de determinada altura, parte do salário passou a ser depositado mensalmente pelo patronato na Administração do Concelho, para lhes ser entregue no final do contrato.

O contrato incluía alojamento, roupa de trabalho, cobertores, e uma base de ingredientes para a alimentação da sua preferência (tomate, farinha de milho, óleo de palma, peixe seco ou fresco (preferiam o seco), feijão, carne, limão,
batata doce. Os trabalhadores contratados podiam contar também com assistência médica e medicamentosa que era fornecida pelo médico e enfermeiros do Sindicato da Pesca do Distrito de Moçâmedes, ao qual os seus «patrões» estavam associados. Alguns desses trabalhadores no final do contrato e após terem regressado às suas terras, voltavam por sua conta para as pescarias, já sem qualquer contrato, e ali ficavam como capatazes, motoristas, etc, mas eram raros os que o faziam porque a maioria regressava aos seus «kimbos» de origem, no interior, onde se dedicavam à agricultura, criação de gado, pastorícia, etc. O gado era a sua maior riqueza e muitas muitas vezes acontecia chegarem às pescarias para trabalhar em regime de contrato, indivíduos cujos pais possuíam em gado uma pequena fortuna.

Os salários bem como o preço do pescado eram os estipulados pelos orgãos estatais, e, escusado será dizer que eram irrisórios, em consequência do regime de então que organizava e detinha o leme da sociedade, e porque a rentabilidade por vezes não dava para muito mais. Para além de que muitos dos «patrões» iam sobrevivendo sempre dependentes das crises cíclicas do pescado e do baixo preço a que o mesmo era colocado nos mercados.


«Quimbares»
, chamava-se assim, o povo de origem africana desde há muito enraizado em Moçâmedes, urbanizado e aportuguesado, que vivia na periferia da cidade, mas não totalmente integrado, porque na sua maioria eram iletrados, viviam na base da subsistência e nada preocupados em mandar os filhos à escola das missões que embora não cobrissem o território, já estavam bastante dissiminadas e  abertas aos não «assimilados».


23 julho 2008

Artes de Pesca em Moçâmedes: Taineiras de João Duarte na Praia Amélia






























1ª foto: Esta era uma das traineiras de Joâo Duarte, baptizada com o nome de «Zita Lourdes», a
filha mais velha do proprietário, e cujas instalações pesqueiras ficava na Praia Amélia, a 5 km da cidade de Moçâmedes. Ao fundo, podemos ver as instalações pesqueiras de Venâncio Guimarães: 1957

2ª foto: Esta é a 2ª traineira de João Duarte, baptizada com nome «Maria Margarida», em homenagem à filha mais nova do proprietário. Ao fundo, outra zona de pescarias, o Canjeque (na parte mais próxima à Praia Amélia).
Traineira construida nos estaleiros do Zé Alexandre, em Porto Alexandre.

Passarei a transcrever aqui uma passagem que encontrei in Mazungue
, escrita por um dos muitos netos de João Duarte:

«Bem este tema é muito importante porquanto umas das maiores riquezas de Angola eram os produtos naturais e derivados das pescas (peixe em conserva, peixe seco, peixe meia-cura, oleo de peixe e a farinha de peixe). Registe-se , de passagem que, Portugal foi (através de Angola), o 2º maior produtor mundial de farinha de peixe, logo a seguir ao Peru. As tecnologias usadas na fabricação da farinha de peixe era considerada (à época, anos 69/70) como tecnologias de ponta usadas e oriundas dos países e mais desenvolvidos do Mundo (por exemplo, a tecnologia norueguesa).
Por outro lado esta riqueza natural provocou a fixação de grande parte das colónias de portugueses que povoaram o litoral angolano - na maioria pescadores ou profissionais ligados à industria pesqueira oriundos das vilas pesqueiras de norte a sul de Portugal Continental. Daí que as cidades de Luanda, Lobito, Benguela, Moçâmedes e Porto Alexandre tivessem um desenvolvimento demográfico substancial .
Eu próprio vivi essa experiência através dos meus ascendentes - o meu avô, João Duarte, foi com 15 anos para Angola (Moçâmedes) e transformou-se num industrial de pesca, começando por comprar uma pequena embarcação a gasolina (baleeira ou sacada?), depois mais uma, mais outra e por aí adiante. Em 1968, quando faleceu tinha uma fábrica Praia Amélia -de farinha e óleo de peixe numa praia concessionada - a Praia Amélia -(junto a Moçâmedes) e três embarcações que garantiam a matéria prima - as traineiras São João de Deus, Zita Lourdes e Maria Margarida. Por outro lado o meu pai também comandou os destinos da fábrica mais moderna da Porto Alexandre - a SIAL - mandada construir por um consórcio de industriais de pesca de Moçâmedes e de Porto Alexandre.
Vão aqui algumas fotos das traineiras do meu avô e também da Praia Amélia onde estava localizada a sua fábrica e onde ele mandou erigir várias infraestruturas de betão que incluiam casas para os colaboradores qualificados e até uma pequena capela, abençoada pela sua Santa Padroeira - a Nossa Senhora dos Remédios (detenho um filme em 8 mm, agora em dvd, com a inauguração dessa capela!!!).

1ª Maria Margarida - havia uma grande preocupação em fotografar estes barcos quando vinham carregados de peixe, enterrados na água, não deixando descortinar todo o seu próprio esplendor marítimo...»

in Mazungue
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Jovens estudantes num baile no Atlético Clube de Moçâmedes : década de 60

.

Alunos da Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique: anos 60


1ª foto: Interessante foto, tirada nas traseiras da Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique, EICIDH, onde podemos os alunos e as alunas da referida Escola assistindo a um jogo de futebol. Eles, espalhados pelos terraços e campo de jogos da Escola, elas, espreitando a partir dos corredores do 1º e 2º andar da referida Escola ( à esq.).

2ª foto: Tirada no mesmo dia, esta foto mostra-nos mais de perto um grupo de estudantes da EICIDH, Escola Comercial e Industrial Infante D. Henriques a assitir ao jogo de futebol referido, enquanto um deles, Carlos Veríssimo, o mais vocacionado para estas coisas da rádio, faz o relato do acontecimento. Ao seu lado direito, de bigode, o Edgar Teixeira , radialista do Rádio Clube de Moçâmedes, o Márito Pereira (filho do Anatálio e neto do Mestre Alfredo) e o Beto Teles (filho do Teles da Farmácia).

Na foto, em pé, vê-se o professor Serrano, prof. de Ed. Fisica (de camisa escura), e mais recuado, também de pé, o sub-director da Escola, Dr. Campos (junto à coluna).

O jogo de futebol serviu para inaugurar o campo de futebol da Escola. Mobilizou os alunos e professores, e foi um acontecimento inesquecível, prova de que os alunos, quando mobilizados, são uma força do futuro. Este acontecimento só foi possivel, devido ao empenho pessoal do prof. Vitória Pereira, o "terrivel" MAC professor de Fisica e Quimica, professor exigente mas de uma sensibilidade fora do comum. Saíu do seu bolso o dinheiro para a compra das camisolas.

Fotos e descrições gentilmente cedidas por Carlos Veríssimo.

Gente de Moçâmedes na Praia das Miragens: anos 60?




























N 1ª foto tirada na Praia das Miragens, reconheço, da esq. para a dt. `frente: Carlos Jrdim, Arménio Jardim, Gulherme Jardim, Angelino Jardim, ? e Alvaro Jardim

2ª foto: Mais uma foto de frequentadores domingueiros da Praia das Miragens, em Moçâmedes. Desta vez, reconheço na 2ª foto, de pé, atrás, Angelino Jardim e sentado com uma criança, Guilherme Jardim. Por detrás, ao fundo, o Clube Nautico.


Excursão de estudantes da EICIDH de Moçâmedes: finais da década de 60


Gente de Moçâmedes: 1956


Da esq. para a dt, reconheço nesta foto, tirada num banco do jardim sa Avenida da Praia do Bonfim, Carlos Vieira Calão (2º), Olímpio Aquino (2º) e Amilcar de Almeida (3º).

22 julho 2008

Jovens estudanies de Moçâmedes desfilam num cortejo de carros realizado em finais dos anos 60
















Trata-se de um desfile ocorrido em Moçâmedes nos finais da década de 60, ontudo não se sabe bem de que desfile se trata. Inauguração em Março das «Festas do mar»? Cortejo de Carnaval?

Apenas se tem a certeza de uma coisa: que se de um grupo de jovens raparigas estudantes, e que foi no Verão! De facto o transporte parece-me uma das «camionetes» de recolha do lixo da Câmara Municipal de Moçâmedes (até tem o número), ou seja da entidade organizadora das «Festas, do Mar». Na foto, podemos ver também o edifício do Governo do Distrito, que fica a meio da então denominada Avenida Felner, a avenida sobranceira ao mar, que vai do Palácio do Governador até à Torre do Tombo.

Quanto aos nomes, o amigo que me enviou a foto, refere que reconheceu, entre outras, as seguintes raparigas : Tininha, Marzita, Fíló, Magda, Celly, Luisinha.

Foto gentilmente cedida por Carlos Veríssimo.

Jovens Vicentinos de Moçâmedes



Jovens Vicentinos de Moçâmedes.
Foto gentilmente cedida por Carlos Veríssimo.

Na fila de trás, da esq para a direita: Tota, Mendes, Helder Roló, Pio Riscado, o Sr. Osório (tesoureiro do Banco de Angola), ?, Quelhas, ?.
Na fila do meio: Neto, Jorge Brás, eCarlos Vríssimo e Padre Noronha.
Na fila de baixo: Quelhas (mais velho), ?. e Escaroupa.

21 julho 2008

Basquetebolistas do Ginásio Clube da Torre do Tombo em terras de Benguela: 1956































































































Basquetebolistas do Ginásio Clube da Torre do Tombo, campeãs do distrito de Moçâmedes em viagem para Benguela, tendo em vista a participação no torneio do sul de Angola: 1956

1ª foto: Celísia Calão a bordo do navio, à chegada a Benguela.

2ª foto: A equipa de basquetebol do Ginásio Clube da Torre do Tombo, à sua chegada a Benguela.
Da esq. para a dt.
Em cima: Fernando França Galvão, Francelina Gomes, Paula Ferreira, Manuela Bodião, Nidia Almeida e Emelina Galvão (mulher do treinador).
Embaixo: Ricardina Lisboa, Eduarda Bauleth de Almeida, Helena Gomes e Celísia Calão.

3ª foto: No Parque Infantil de Benguela:
Da esq. para a dt.
Ricardina Lisboa, Celísia Calão, Francelina Gomes e Nídia Almeida (eu). Embaixo, Amilcar Almeida.

4ª foto: Equipa de basquetebol feminino do Ginásio Clube da Torre do Tombo antes do início de um jogo em Benguela.
Da esq. para a dt.
Em cima: Celísia Calão, Frencelina Gomes, Paula Ferreira e Ricardina Lisboa.
Embaixo:
Nidia Almeida, Helena Gomes, Manuela Bodião e Eduarda Bauleth de Almeida.

5ª foto:
Basquetebolistas das equipas do Ginásio da Torre do Tombo e do Clube Feminino de Benguela, no decurso de uma visita à cidade:
Da esq. para a dt.
Rm cima:
Helena Gomes (Ginásio), Virginia Mendonça, Eteanete, ? Mendonça, Helena Soeiro ( todas do Feminino de Benguela), Francelina Gomes (Ginásio), Alexandra (Feminino de Benguela)ne Paula Ferreira (Ginásio)
De pé, à dt. e mais à frente: Celisia Calão (Ginásio), ?, Manuela Bodião (Ginásio) e Nidia Almeida (eu- Ginásio).
Embaixo
Eduarda Bauleth de Almeida (Ginásio), ?,?, Ricardina Lisboa (Ginásio) e Teresa ? (Feminino de Benguela)

6ªfoto:

Equipa (efectiva) do Ginásio Clube da Torre do Tombo:
Em cima
Nidia Almeida, Francelina Gomes e Helena Gomes
Embaixo:
Eduarda Bauleth de Almeida e Celísia Calão.

7ª foto:
As equipas do Ginásio Clube da Torre do Tombo e do Clube Feminino de Benguela:
Em cima:
Nidia Almeida, Paula Ferreira, Eduarda Bauleth de Almeida, Celísia Calão, Francelina Gomes, Helena Gomes e José Pedro Bauleth (treinador)
Embaixo: Gina Mendonça, Delfina, Eteanette, Edith Soeiro, ???Helena Morezo, Teresa..
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20 julho 2008

O padre Galhano na equipa de futebol (reservas) do Ginásio Clube da Torre do Tombo: 1955


Esta era a quipa de reservas do Ginásio Clube da Torre do Tombo, em 1955, momentos antes da realização de um jogo no campo de futebol da vizinha Porto Alexandre. Da esq. para a dt, em cima: Pedro Eusébio, Aires Domingos, ?, Fernando Peçanha, Abano, Joaquin Gregório e ? Embaixo: Pacheco, John Pereira, Padre Galhano, Fernando Pestana e Amilcar de Almeida. Foto tirada em 1955. Foto gentilmente cedida por Amilcar de Sousa Almeida. Repare-se nla figura do gentil homem de barbas e barrete negro. Trata-se do Padre Guilhermino Galhano, pessoa muito estimada em Moçâmedes, carola do Ginásio Clube da Torre do Tombo e do futebol, que ele próprio praticou, descontraidamente, lado a lado com os jovens daquele clube pioneiro. Aliás, o Padre Galhano era um padre moderno, no bom sentido do termo, que sabia chamar a si os jovens e as crianças da terra. Ainda recordo com a sua imagem, de longas barba, boina e meias negras, com sua batina branca esvoaçante, a jogar à bola com as crianças, no descampado que ficava entre a Igreja Paroquial de Santo Adrião e o Palácio do Governador. Ver tb:  Memórias Desportivas,

Moçâmedes, Ponta do Pau do Sul, Canjeque. 1956



A vista da cidade de Moçâmedes a partir da Ponta do Pau do Sul era um espectáculo digno de se ver embora esta foto, a preto e branco e tirada com máquinas antigas, não o mostre. Aqui estou eu e  as duas amigas do peito Betinha e Gracietinha Bagarrão...

Recordo como nesse dia e em outros mar azul de Moçâmedesme entrava nas profundezas da alma, a tal ponto que ainda hoje, passados que foram 32 longos anos, é a olhar o mar que me sinto bem.. O local é um autêntico miradouro sobre a cidade! Ano 1956


 

Amilcar Almeida e as manas Betinha e Gracietinha Ilha Bagarrão observam o mar de Moçâmedes, do topo da falésia,   numa zona entre a Ponta do Pau do Sul e o Canjeque...
 
 [Canjeque+e+P+Amelia.jpg]

Olhando do cimo da Ponta do Pau do Sul, para o mar e para a esq,  vemos o Canjeque... Esta era a zona onde o mar era mais calmo e excelente o fundeadoro..
http://2.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/SH4NX-Ta5vI/AAAAAAAAI1k/CbMhzIb5Txo/s400/Calemas%2BMo%C3%A7%C3%A2medes.jpg
Para além do Canjeque, a olhar a Praia Amélia, ter uma pescaria alí com ponte e as instalações de salga na base da falésia rochosa e em cima do mar, era uma ventura! Em 1955, data em que esta foto foi tirada, fustigantes "calemas" desmantelaram pontes e destruiram instalações...
 
 
Até 1950 quem subisse à falésia da Torre do Tombo, a caminho da Ponta do Pau do Sul, era esta a vista que tinha sobre a cidade...Em 1954  já todas estar pescarias haviam sido demolidas para darem lugar ao cais comercial...e à ARAN!
 
 
 
 
NAMIBE

Por tê-lo assim tão perto,
A areia deste deserto
Enamorou-se do mar.
E viver ardente, corada
Por sentir-se desejada
Desejada sem se dar.

Angola 1968

Concha Pinhão (Do livro de poemas «Sabor Amargo»