23 julho 2008

Artes de Pesca em Moçâmedes: Taineiras de João Duarte na Praia Amélia






























1ª foto: Esta era uma das traineiras de Joâo Duarte, baptizada com o nome de «Zita Lourdes», a
filha mais velha do proprietário, e cujas instalações pesqueiras ficava na Praia Amélia, a 5 km da cidade de Moçâmedes. Ao fundo, podemos ver as instalações pesqueiras de Venâncio Guimarães: 1957

2ª foto: Esta é a 2ª traineira de João Duarte, baptizada com nome «Maria Margarida», em homenagem à filha mais nova do proprietário. Ao fundo, outra zona de pescarias, o Canjeque (na parte mais próxima à Praia Amélia).
Traineira construida nos estaleiros do Zé Alexandre, em Porto Alexandre.

Passarei a transcrever aqui uma passagem que encontrei in Mazungue
, escrita por um dos muitos netos de João Duarte:

«Bem este tema é muito importante porquanto umas das maiores riquezas de Angola eram os produtos naturais e derivados das pescas (peixe em conserva, peixe seco, peixe meia-cura, oleo de peixe e a farinha de peixe). Registe-se , de passagem que, Portugal foi (através de Angola), o 2º maior produtor mundial de farinha de peixe, logo a seguir ao Peru. As tecnologias usadas na fabricação da farinha de peixe era considerada (à época, anos 69/70) como tecnologias de ponta usadas e oriundas dos países e mais desenvolvidos do Mundo (por exemplo, a tecnologia norueguesa).
Por outro lado esta riqueza natural provocou a fixação de grande parte das colónias de portugueses que povoaram o litoral angolano - na maioria pescadores ou profissionais ligados à industria pesqueira oriundos das vilas pesqueiras de norte a sul de Portugal Continental. Daí que as cidades de Luanda, Lobito, Benguela, Moçâmedes e Porto Alexandre tivessem um desenvolvimento demográfico substancial .
Eu próprio vivi essa experiência através dos meus ascendentes - o meu avô, João Duarte, foi com 15 anos para Angola (Moçâmedes) e transformou-se num industrial de pesca, começando por comprar uma pequena embarcação a gasolina (baleeira ou sacada?), depois mais uma, mais outra e por aí adiante. Em 1968, quando faleceu tinha uma fábrica Praia Amélia -de farinha e óleo de peixe numa praia concessionada - a Praia Amélia -(junto a Moçâmedes) e três embarcações que garantiam a matéria prima - as traineiras São João de Deus, Zita Lourdes e Maria Margarida. Por outro lado o meu pai também comandou os destinos da fábrica mais moderna da Porto Alexandre - a SIAL - mandada construir por um consórcio de industriais de pesca de Moçâmedes e de Porto Alexandre.
Vão aqui algumas fotos das traineiras do meu avô e também da Praia Amélia onde estava localizada a sua fábrica e onde ele mandou erigir várias infraestruturas de betão que incluiam casas para os colaboradores qualificados e até uma pequena capela, abençoada pela sua Santa Padroeira - a Nossa Senhora dos Remédios (detenho um filme em 8 mm, agora em dvd, com a inauguração dessa capela!!!).

1ª Maria Margarida - havia uma grande preocupação em fotografar estes barcos quando vinham carregados de peixe, enterrados na água, não deixando descortinar todo o seu próprio esplendor marítimo...»

in Mazungue
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