15 julho 2008

Jovens moçamedenses

Deste grupo de jovens, cinco dos quais de uma geração já nascida em Moçâmedes, e filhos de pais também ali nascidos no início do século XX, reconheço, da esq. para a dt.:
Julio Eduardo de Almeida (Juju), José Carqueja (Zeca), Manuel Dias Monteiro (Necas), Carlos Manuel Guedes Lisboa (Lolita), Amilcar de Sousa Almeida e Norberto Edgar Almeida (Ganguelas).

Júlio Eduardo Almeida (1ª), Manuel Dias Monteiro (3) e Amilcar de Almeida (5), partiam nesse dia a bordo do navio «Pátria» para a Metrópole, onde iam prosseguir os seus estudos, e onde se licenciaram em Engenharia, Medicina e Direito, respectivamente, acabando por não regressar à sua terra natal.
Apenas Júlio regressou a Luanda após a independência, onde foi governante e deputado. Estava-se em 1956, nesta altura, os jovens que viviam em Angola, se quisessem ingressar numa Universidade, tinham que o fazer na Metrópole (Lisboa, Coimbra ou Porto), uma vez que Salazar por nada deste mundo queria os habitantes de Angola «com os olhos muito abertos», cnem Angola economicamente muito desenvolvida, não fossem rienvindicar a independência do território...Foi apenas na década de 70 que surgiu em Luanda as Faculdades de Direito e de Economia.

Como refere Helder Ponte, no seu site: «Em Angola, embora os Estudos Gerais Universitários fossem fundados em 1962, a Universidade de Luanda em 1969, ministrava somente em Ciências, Engenharia, Medicina, e História, e era notória a falta em Angola de uma Faculdade de Direito e uma de Economia. O governo português era naturalmente adverso a esses desejos, e assim resistiu durante anos em autorizar que esses cursos fossem leccionados nas colónias. Contudo, em 1969, um grupo de alunos (que nós chamávamos Comissão Instaladora do Curso de Economia da Universidade de Luanda) finalistas do Liceu Salvador Correia (do qual eu fazia parte), de finalistas do Instituto Comercial de Luanda, e um número de alunos militares, resolveu concentrar energias no sentido de convencer o Governador Geral Coronel Rebocho Vaz e o Reitor da Universidade de Luanda Professor Ivo Soares da necessidade de se criar imediatamente uma faculdade de economia na Universidade de Luanda. Para nosso espanto, o nosso pedido foi ouvido, e em Agosto de 1970, o Curso Superior de Economia foi estabelecido em Luanda (e em Lourenço Marques (Maputo), Moçambique), e moldado segundo o modelo do Curso Superior de Economia da Universidade do Porto.» (1)


Em Portugal. os estudantes moçamedenses estiveram ligados à Casa dos Estudantes do Império,
na Avenida Duque d’ Ávila em Lisboa, Casa financiada pelo governo português que tinha a função de apoiar os estudantes vindos das colónias e ao mesmo tempo a de controlar as suas actividades. Fundada em 1944, a Casa dos Estudantes do Império para além de um refeitório, fornecia assistência médica e promovia actividades culturais e desportivas. Frequentada também por brasileiros, era, no entanto, o local onde se juntavam os estudantes das diversas colónias – (Cabo Verde e Guiné, S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Estado da Índia, Macau e Timor), com especial realce para os das colonias de África. A Casa dos Estudantes do Império cedo se converteu num autêntico alfobre de nacionalismo(s) africano(s) e foi definitivamente encerrada pela PIDE em Setembro de 1965, durante o período de férias.» /

(1)
in http://hffponte.blogspot.com/

Voz Minha

Oh! Voz minha não te cales,
pelo ardor do meu coração!
Que sejas Lança, sempre fales
- que me ilumines a escuridão!

De volta ao tempo clandestino,
voltou a "apagada e vil tristeza";
resta-me só a Lança da Pureza:
este puro coração de menino...

Já que a chama se apagou,
nesta jornada discreto vou,
e sigo à sombra dos anões...

Ficando nas trevas os dias,
fúteis vaidades e honrarias,
chegue a Lança aos corações!


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