20 julho 2008

Fábrica Africana Figueiredo e Almeida, Lda.





















Trata-se da primeira fabrica iniciada em Moçâmedes no ano de 1915 , a Fábrica Africana Figueiredo e Almeida, Lda. Desta Fábrica dizia-se, era proprietária a Companhia do Sul de Angola.

Esta fábrica foi
destinada de início a enlatados dos legumes cultivados nos vales dos rios “Bero” e “Giraul” (as célebres “Hortas de Moçâmedes”), carne de vaca ou de porco e de peixe em salmouras e escabeche ou mesmo algumas semi-conservas de charcutaria, conf. consta do apontamento histórico «Pescas em Portugal-Ultramar», de António Martins Mendes (Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa), citando a obra do Dr. Carlos Carneiro, então Director dos Serviços Veterinários de Moçâmedes.

No topo das janelas da Fábrica Africana , encontrava-se escrito os produtos enlatados que ali se produziam: conservas de carnes salgadas, conservas em azeite (
de atum, sarrajão, cavala, merma), conservas de fruta, conservas de escabeche, peixe fumado, etc., bem como símbolo da Fábrica, uma águia (fotos 7 e 8).

O peixe era transportado através de «vagonetas» sobre linha férrea que entravam em linha recta para dentro da Fábrica, onde era descarregado para ser escalado (1ª, 2ª e 6ª fotos) e cozido em grandes caldeirões (4ª foto). Em seguida era a fase do enlatamento (3ª foto).
No seu início esta Fábrica recrutou de Olhão pessoal feminino para trabalhar no sector de enlatamento das conservas, sector que mais tarde passou a ser ocupado por pessoal africano como aqui podemos ver.

Há indicações que na década de 20 e 30 exportava-se para o mercado italiano e para os Congos-Belga e Francês e o Gabão produtos de alta qualidade que rivalizavam com os de outras origens por serem mais baratos, o que levaria ao surgimento de novas conserveiras.

No livro Memórias de Angra do Negro- Moçâmedes, de António A. M. Cristão encontrei o nome do 1º colono se instalou numa fazenda na margem dt. do rio Bero, de nome Serafim Nunes de Figueiredo, accionista da Companhia de Moçâmedes, proprietária da fazenda. Não sei se tem alguma relação com o 1º proprietário da Fábrica Africana. Há uma referência no livro de Paulo Salvador «Era uma vez...Angola » a um Sr. de nome Santana como o proprietário da referida Fábrica (?).

Sobre a indústria conserveira de Moçâmedes, transcrevemos aqui uma passagem de um apontamento histórico
de Antonio Martins Mendes da Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa que encontrei na Net, subordinado ao tema «Pescas em Portugal - Ultramar- Um apontamento historico», onde o autor nos relata algumas passagens de um importante relatório do Carlos Carneiro, veterinário em Moçâmedes nas décadas de 20, e 30 do século passado, no qual

«... Estava-se em 1931, quando foi publicado o seu primeiro relatório de serviço (Carneiro, 1931). Nesse tra- balho começa por evocar o ano de 1921, ...«No seu importante trabalho o Dr. Carlos Carneiro aborda o estado da Industria de Conservas. Ficamos a saber que a construção da primeira fabrica fora iniciada em Moçâmedes no ano de 1915 e estava destinada aos legumes cultivados nos vales dos rios “Bero” e “Giraul” (as célebres “Hortas de Moçâmedes”), carne de vaca ou de porco e de peixe em salmouras e escabeche ou mesmo algumas semi-conservas de charcutaria. Preparavam também óleos de pescado que, depois de várias análises e melhoramento da técnica de fabrico, tinham colocação fácil nos mercados britânicos. A fábrica obedecia às exigências da época mas a I Grande-Guerra iria causar grandes dificuldades. A chaparia para o fabrico das embalagens, que era importada e litografada em Lisboa, faltou e a fábrica foi obrigada a fechar. A indústria viria a reanimar-se a partir de 1923, preparando conservas de atum, sarrajão, cavala, mermo, principalmente destinadas ao mercado italiano que tudo absorvia, mas exportava-se também para os Congos- Belga e Francês e o Gabão. Os produtos exportados eram de alta qualidade e rivalizavam com os de outras origens por serem mais baratos. Por isso fundaram-se outras conserveiras. » (...)

Enquanto Sociedade Oceânica do Sul (SOS), pertencia ao Capitão Josino da Costa, creio que até 1960
...........Olimpio Aquino era o gerente da parte fabril (anos 50).....

Na década de 60, e após um período aureo de grande produção como Sociedade Oceânica do Sul (SOS), esta fábrica deixou pura e simplesmente de produzir e, vendida a Gaspar Gonçalo Madeira, acabaria por se transformar num entreposto para exportação de peixe congelado para Moçambique.

MNidiaJardim


Créditos de Imagem
Fotos de ICCT (1 a 7)
foto Salvador (n.8).



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