04 agosto 2008

Alunos da Escola Pratica de Pesca e Comércio do Distrito de Moçâmedes: 1948









Naquele tempo havia a ideia de que o ensino público deveria estar ligado às actividades inerentes ao local em que os alunos residissem, partindo-se do pressuposto que não haveria a mobilidade territorial entre as pessoas. Moçâmedes, como terra essencialmente dedicada às coisas do mar, não deveria ter um Liceu, mas sim uma Escola de cariz profissional que melhor serviria as aspirações das suas gentes. E assim surgiu a Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes. Convém contudo recuarmos um pouco, até 1918  o ano exacto em que surgiu a primeira e fugaz tentativa de criação de uma  Escola de cariz prático, considerada adequada às necessidades da população, a Escola Marítima de Moçâmedes que no ano seguinte viria a ser substituída por um outro tipo de Escola, a Escola Primária Superior Barão de Moçâmedes. Esta Escola, criada em 1919, mas posta a funcionar penas em 1925, embora ostentasse a designação depreciativa de Escola Primária Superior, possuia um currículo de cariz literário que a demarcava de um ensino meramente profissional e primário, e a colocava a par de um ensino secundário. Os moçamedenses da época queriam muito mais do que um saber prático, numa altura em que as elites elegiam a instituição liceal como o paradigma do ensino secundário.
 
No ano de 1927, a Escola Primária Superior Barão de Moçâmedes, que nascera administrada pela Câmara Municipal, passou a ficar sob a alçada  do Estado, e a partir de 1930, passou a adoptar períodos lectivos idênticos aos dos liceus. Porém ainda não em termos de currículo, não obstante os  sonhos da população de a elevar a ctegoria superior na escala da classificação.

Em 1936, a Escola Primária Superior Barão de Moçâmedes foi extinta e deu lugar à Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes. Mas ainda aqui houvera uma tentativa de dar a esta Escola a designação de Escola Industrial Marítima de Moçâmedes. A Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, por sua vez foi substituída pela Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, em 1952 , que por por evolução natural, iria dar lugar, em 1960, à actual Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique, em novas e modernas instalações. O Infante de Sagres, o Navegador, um apaixonado pelas ciências náuticas, foi o seu Patrono. Ainda aqui parece ter-se mantido vivo o preconceito inicial, como pode depreender pela relação expressiva entre os dois nomes. No dia 21 de Outubro de 1961 foi criado o Liceu Almirante Américo Tomás em Moçâmedes
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 1ª foto:

Foto interessantíssima, gentilmente cedida por Antonieta Bagarrão Lisboa, através da qual podemos ver o conjunto de alunos e alunas que frequentava a Escola Prática de Pesca e Comércio do Distrito de Moçâmedes (1ª foto), do 1º ao 5º ano, no ano lectivo de 1949/50. Também podemos ver o corpo docente da altura. Clicar sobre a foto para ampliar.

Esta Escola acabaria por ser extinta em 1952, surgindo em seu lugar, nas mesmas instalações, no topo da Rua das Hortas, a Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, que alí continuou por mais uma década, até ser também extinta para dar lugar, em novas e modernas instalações, à Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique, criada por decreto de 13 de Agosto de 1960 e cuja inauguração foi integrada nas comemorações centenárias da morte do Infante de Sagres.

De baixo para cima e da esq. para a dt., reconheço, entre outros:

1º plano: Albino Aquino (Bio), Carlos
Pinho Gomes, ?, Manuel Dias Monteiro (Neca), ?, Amilcar Almeida, José Patrício, Arnaldo Van der Keller (Nado), ?, Carlos Manuel Guedes Lisboa (Lolita), Nito Abreu, Bajouca Zezinho Guedes Duarte, Manuel Rodrigues Araújo, António José Carvalho Minas e Norberto Edgar Almeida.

2º plano:
Carlos Calão, Isaac Aço, Rogério Silva, Geraldo, ???, Fernando Morais (o 7º, de camisa escura), ?,?,?, Licas Freitas (de pé, ao centro), Dito Abano, Jaime Custódio, Zezo Freitas, Carequeja, ?, Soares, ???, Beto de Sousa,?? , Albertino Gomes e?

3º plano:
Antonieta Bagarrão (Dédé), Mimi Carvalho (5ª), Maximina Teixeira (8), ???

4º plano: Fátima Abrantes, ?, Nelinha Costa Santos, Salete Leitão, Fátima Duarte, Malanie Sacramento, Carolina Mangericão, ?, Lucia Brazão Reis, ???, Raquel Martins Nunes, Orbela Guedes
, ?Carlitos Alves, Mário Bagarrão, Fernanda Vieira,..

5º plano: Francelina Gomes, Ermelinda, ??; Augusto Martins, ??, Padre Galhano, Viriato (prof. Desenho), Dr. Borges (Director), Dr Rodrigues (Calhau -prof. Matemática);?: Prof. Carrilho (Dactilog/Caligraf./Estenograf.), Adelaide Ernesto, Mária, Luzete de Sousa, Edith Pinho Gomes, e mais à dt, Bernardette Diogo, Tereza Duarte, Fernandina Peyroteu. Rui Bauleth de Almeida

2ª foto:
Tirada no mesmo ano, ano lectivo de 1949/50, estes seriam os finalistas.
Entre eles e elas reconheço
, da esq. para a dt.
Atrás: Padre Belarmino Galhano, Dr. Rodrigues, Dr. Brigitte, ?, Prof. Carrilho
A meio: prof. Emídio Cecílio Moreira, Dr. Elias Trigo (Veterinário), Dr. Domingos da Ressurreição Borges, Leonor Bajouca, ?, Lúcia Brazão e ?
À frente: João Carlos Duarte (Jinho), Ferreira, ?, Costa, Carlitos Alves, ?.


3ª foto: No regresso de uma aula prática desta Escola, decorrida na Praia Amélia , podemos ver da esq. para a dt., entre outros, Sereeiro, ?, o professor Cecilio Moreira, Cecília Victor, Maria Emilia Ramos, Edith Lisboa Frota,  Costa Santos (Carriço) e ?


4ª foto: o edifício onde funcionou a Escola Prática de Pesca e Comércio do de Moçâmedes, até ser extinta em 1960.

Dois anos depois,
em 17 de Março desse ano de 1952, esta Escola, que viera tomar o lugar da antiga Escola Primária Superior Barão de Mossãmedes, foi extinta, para dar lugar, em 1952, no mesmo edifício, sito na Rua das Hortas, à Escola Comercial de Moçâmedes. No dia 4 de Junho de 1952, foi determinado que entrasse em funcionamento o primeiro ano do ciclo preparatório elementar do ensino profissional, industrial e comercial.

Sobre o «ENSINO SECUNDÁRIO EM MOÇÂMEDES» consultar AQUI


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