31 outubro 2008

Conjunto Musical «Os Diabos do Ritmo»: década de 50




























1ª foto: Bio Aquino (Albino), o pianista e acordeonista do popular conjunto musical dos anos 50 em Moçamedes, «Os Diabos do Ritmo».

2ª foto: Albertino Gomes, o baterista do mesmo conjunto, aqui a tocar bandolim.

Sem dúvidas, duas figuras inesquecíveis para quem teve a sua juventude na 2ª metade da década de 50. Faltam aqui as fotos do Lito Baía com a sua guitarra,
do Marçal com o seu saxofone e do Frederico Costa e Serieiro com as suas maracas. Quantos bailes de Carnaval e «Reveillons» ficamos a dever a este grupo de talentosos amadores de música cheios de vivacidade e contagiante alegria!

O conjunto musical «Os Diabos do Ritmo» foi o grande animador das festas da minha juventude. Eram eles que animavam os bailes aos sábados à noite e as
matinées dançantes nas tardes de domingo nos Salões do Atlético Clube de Moçâmedes e do Clube Nautico (Casino). Os bailes prolongavam-se pela noite fora até ao raiar do dia, e as matinées dançantes, com grande pena nossa, acabavam impreterivelmente às 20 horas. A propósito, este excelente conjunto musical tinha por hábito fazer serenatas por volta da meia noite à porta das raparigas deslocando-se para tal em camionetas, de casa para casa, umas vezes por iniciativa própria, outras, a pedido de namorados que acompanhavam o grupo e ajudavam o côro.

Fica aqui mais uma recordação de gente que
marcou uma época na cidade de Moçâmedes, gente que de um dia para o outro deixamos de ver e que deixaram laços em nossos corações.
......................

Senhora do Monte

Aos colegas da EICIDH e do
Liceu de Diogo Cão


Nas Festas da Senhora do Monte
os Diabos do Ritmo foram tocar
ao Casino que ficava bem defronte
da grande piscina, (ou seria do lago?)
para onde os jovens iam namorar.

A noite fria bem pedia um afago
e eles, olhando o céu tão estrelado,
maldiziam a espectacular claridade
daquele superluar de mágico enleio
que iluminava a branca capelinha , lá no alto,
a cidade e o espaço que havia de permeio.

É o primeiro amor e vivem-no em sobressalto.
sentindo-o olhado, exposto e devassado.

Até eles chegavam acordes melodiosos
de um bolero e, os pares de namorados
que à volta do lago passeavam silenciosos,
acertam à melodia o passo e o abraço
apertado, beijando-se entre cada compasso.

No céu, milhões de estrelas dão vida ao espaço
e cintilam como se quisessem juntar a sua luz
ao fogo preso que sobre eles em mil cores explodia,
deixando ainda a noite mais clara que o claro dia.

O encanto dos festejos de Agosto, a todos seduz . . .

De tão encantado, o povinho nem o frio sentia,
e ria, e corria entre os Stands e barracas do arraial,
enchendo de vida e movimento carrosséis coloridos,
botequins e "roulottes" de comes-e-bebes, concorridos,
e até a barraquinha das rifas, das Irmãs da Caridade,
comprando tudo, para levar uma recordação desse dia
e das Festas daquele ano, do Lubango e da Cidade.

Como sempre acontecia, amanhã será o último dia.
O dia maior oferecia-nos provas de atletismo matinais;
hóquei, basquetebol e provas de natação. Torneios habituais.
e, à tarde, «Football», com o Estádio a rebentar de gente
que lá ia ver as duas Selecções. no eterno frente a frente.

Quem viera de carro levava-o já preparado e atestado.

Manifestações, antes da partida, só trazem confusões.
Assim, proibido estava quaisquer sinal das emoções
porque, em última instância, quem tudo depois pagava,
era a malta do velho e lento Comboio, de via estreita .

Seriam eles a apanhar do adversário que ficava à espreita.

Ai, meu Lubango, minha Cidade,
quanta distância, quanta saudade ...

Neco
2.06.2006

SAUDADES DE UM VALDEVINOS


Oh que saudade, Deus meu, que saudade
da minha juventude e dos amores que vivi,
que me abalam o coração se ainda penso em ti,
e em todas que amei. Deus meu, que saudade...

Que saudade dessa vida plena, alegre, e divertida,
dos Diabos do Rítmo, das serenatas, e churrascadas
em noites de luar... das capoeiras todas depenadas.
Ai que saudade, Deus meu, que belos tempos da vida...

Tempos, sem doenças, nem dores, que já vão longe,
entre parentes e malta amiga, louca e desavergonhada,
que nas ruas da Cidade mostrava uma alegria danada...

Tempos de férias de verão, sem Liceu nem Maconge,
só de suspiros e cantos d'amor até ao clarear da madrugada,
ao acordar na Praia com o calor do Sol e a pele queimada ...


NECO


19.05.2009

2 comentários:

Susana BRAZ disse...

passei toda a minha infancia a ouvir historias de moçamedes, muitas vezes ouvi historias do (meu tio) BIO e do que tocava. obrigado pela foto, uma vez que ate hoje ainda nao tinha visto nenhuma.

MARIANJARDIM disse...

Olá Susana. Obg pela visista. Tio Bio? Então é neta da minha boa amiga Olimpia?
Cumprimentos

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