24 novembro 2008

Gente de Porto Alexandre






Quem se lembra da primeira loja dos gémeos de Porto Alexandre, do Álvaro e do Eduardo Faustino?

Quem se lembra deste carro original e do seu proprietário?

Ao volante, Caciano, atrás, Taruca Pacheco + Álvaro Faustino...

18 novembro 2008

Desporto escolar em Moçâmedes (Namibe, Angola) no âmbito da Mocidade Portuguesa Feminina: entre fins 1969 e meados 1970



Cecílio Moreira (de gravata) rodeado por um grupo de alunos da Escola Prática de Pesca e Comércio 
de Moçâmedes, em finais dos anos 1940.  Reconheço, entre outros, Tito Gouveia (filho), em cima, à esq. Bento
?, Mário Rocha?, ?, e Amadeu Pereira?


A Mocidade Portuguesa e o Desporto em Moçâmedes

1. A Mocidade Portuguesa Masculina

Foi nos finais da década de 40 que tiveram inicio as aulas de Educação Física na Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, no âmbito da Mocidade Portuguesa, tendo como professor Emídio Cecílio Moreira.

Cecílio Moreira era ainda um jovem de faces rosadas quando, na década de 40 chegou a Moçâmedes ido da Metrópole, integrado na Marinha portuguesa e vinculado à Capitania do Porto Moçâmedes, tendo em seguida enveredado pela carreira docente como professor de Ginástica  e de Trabalhos Manuais da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes. 
Cecílio Moreira, na Metrópole, fora campeão nacional de box de peso médio, talvez este facto tivesse influenciado a  sua carreira profissional e ao mesmo tempo contribuido para a grande colaboração que prestou à cidade na expansão das actividades desportivas nos clubes locais. Foi o caso do Sport Moçâmedes e Benfica, que viria a criar as suas primeiras equipas de basquetebol nas classes masculina e feminina, na sequência de aulas de Ginástica por si ministradas aos atletas do clube.
 

 Uma equipa de voleibol da Escola Pratica de Pesca e Comércio de Moçâmedes
no início dos anos 1950. Em cima, e da esq. para a dt. Mário Luís Figueiredo, ? José Manuel Frota e Soares. Embaixo: Caetano, Fernando Morais e ?



Uma equipa representativa da MP nos campeonatos distritais, com elementos
recrutados das equipas daquela modalidade do Benfica e do Atlético de Moçâmedes

Mas as actividades da MPM,  primeiro na Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, mais tarde da Escola Comercial e Industrial de Moçâmede, e ainda mais tarde na Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique, não se limitaram à Educação Física (os tradicionais exercícios ginásticos). Elas também se estenderam a outras modalidades desportivas, como futebol, voleibol, basquetebol, o hóquei em patins, ainda que estas não passassem de experiências de curta duração, dado o grande número de clubes existentes em Moçâmedes que as praticavam. Levados a sério, sim, nesta época, e em épocas anteriores, e quase até aos momentos finais da colonização portuguesa, foram os desportos náuticos que tiveram o seu início na década de 40 (finais), primeiro na classe de «Sharpie e mais tarde, na década de 50 e 60, na classe de «Snipes», e cujos velejadores-estudantes pertenciam ao «Centro Nautico» da Mocidade Portuguesa. O instrutor desta modalidade, como não podia deixar de ser, era o professor Emídio Cecílio Moreira.



  Vela «sharps», em 1950.
A velejar Mário Guedes e António Martins Nunes (Cowboy).

 
  Perspectiva da Praia das Miragens com «snypes» e velejadores da Mocidade portuguesa. 
Finais da década de 50.


A vela foi outra das modalidades desportivas, esta sim, grandemente beneficianda com o concurso da Mocidade Portuguesa.
A baía de Moçâmedes tinha óptimas condições para a prática da vela devido aos ventos não muito fortes que facilitavam os treinamentos dos jovens estudantes, e pelas «regatas» que alí por vezes ocorriam, por ocasião das Festas anuais da Cidade, a «4 de Agosto», e mais tarde durante «as Festas do Mar», «regatas» que eram entusiasticamente acompanhadas pela população que se concentrava na Praia das Miragens. Aliás foi para Moçâmedes que veio o título mais honroso alcançado em 1956, em Luanda, em «snipes» por Fausto Ferreira Gomes, coadjuvado por Leonel Matos Mendes, numa regata em que participaram excelentes velejadores dos principais Centros de Vela angolanos da Mocidade Portuguesa: Luanda. Lobito, Benguela e Moçâmedes. 

Quanto à modalidade de «REMO» esta coneçou por ser praticada em Moçâmedes, nos velhos tempos da «guiga» do Ginásio Clube da Torre do Tombo, e foi perdendo o entusiasmo dos jovens uma vez que existiam somente dois barcos, para além da «guiga», um do Independente de Porto Alexandre, mais leve, quase sempre vencedor, um «Yolle» do Centro Nautico da Mocidade Portuguesa.
O desporto era fundamental para a Mocidade Portuguesa devido à disciplina que esta actividade implica. A Mocidade Portuguesa, criada em 19 de Maio de 1936 era uma organização juvenil que procurava enraizar uma nova mentalidade ao serviço do Estado Novo que defendesse a trilogia «Deus, Pátria e Família». Para isso era necessário estimular o desenvolvimento integral da sua capacidade física da juventude, a formação do carácter e a devoção à Pátria, no sentimento da ordem, no gosto da disciplina e no culto do dever cumprido. A ela deveriam pertencer, obrigatoriamente, os jovens dos sete aos catorze anos. A MPM encontrava-se dividida por quatro escalões etários: os lusitos (dos 7 aos 10 anos), os infantes (dos 10 aos 14 anos), os vanguardistas (dos 14 aos 17 anos) e os cadetes (dos 17 aos 25 anos).É evidente que a Mocidade Portuguesa não era inocente. Eram estruturas que de inicio serviam o sistema educativo e divulgavam doutrinas e princípios cujos objectivos eram o de formar consciências de acordo com ideologia do regime, identificada com a tradição, a obediência, o respeito pela autoridade, o patriotismo e a aversão à modernidade estrangeira, etc., etc.
De início a Organização abrangia toda a juventude escolar ou não, contudo acabou por recrutar quase exclusivamente os alunos dos ensinos primários e secundário, e com o pós Guerra (1939-1945)  foi perdendo o caracter  para-militar que detinha desde o seu início  sendo extinta após o 25 de Abril de 1974.

Na década de 1950  ainda que a juventude continuasse a ser  de certo modo politica e ideológicamente  manipulada, era-o subrepticiamente, e não tinha disso a consciência. O que  contava para a juventude, na Mocidade Portuguesa, era a parte lúdica, e nada mais. Através da MPM tinham acesso a muitas coisas gratuitas que os jovens de agora para as terem tem que as pagar a bom preço, e nesse aspecto a Mocidade Portuguesa era camaradagem, alegria, desporto, a oportunidade de viajar, de disputar campeonatos provinciais desportivos etc., etc. Através da MP ganhavam amigos, passavam momentos agradáveis, nos acampamentos, nos passeios, no desporto, ou seja, em actividades que as posses da maioria não permitiriam penetrar. E não creio que os objectivos de inculcação ideológico-políticos da MP tenham tido algum sucesso entre os jovens da minha terra. Em termos factuais, o que sei é que eles souberam aproveitar aquilo que era bom na MP, ou seja os já citados aspectos lúdicos; e que houve alguns que nos anos 60 se tornaram mesmo activistas contra o regime de Salazar e do Estado Novo quando tiveram que partir para a Metrópole para prosseguirem os estudos para níveis superiores, uma vez que na altura Angola não possuía uma Universidade. Curiosamente, todos eles faziam parte de uma segunda geração de brancos nascidos em Angola, todos eles , portanto, rotulados à nascença como euro-africanos ou «brancos de 2ª». Curiosamente também muitos deles estiveram ligados à Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa. Perduraram até à década de 60, normas que visavam distinguir os filhos de portugueses originários de Portugal (reinóis), dos brancos nascidos em Angola para lhes limitar os direitos civis, reflexo da desconfiança e suspeição em relação aos naturais das colónias. Estes não podiam, por exemplo, concorrer aos cursos das escolas de oficiais das forças armadas nacionais, desempenhar funções de chefia a nível superior na administração pública colonial, etc., etc. O próprio facto de não haver em Angola uma Universidade era significativo...  







Equipa de basquetebol feminino da Mocidade Portuguesa Feminina do Liceu 
de Moçâmedes
Anos 60.


 Equipas de Badmington.Mocidade Portuguesa Feminina do Liceu de Moçâmedes
 
Excursão à Metrópole da Mocidade Portuguesa Feminina. ECIIDH

  
A Mocidade Portuguesa Feminina foi Criada em Portugal, em 1937 com o objectivo de criar a nova mulher portuguesa: boa esposa, boa mãe, boa doméstica, boa cristã, boa cidadã, sempre pronta a contribuir para o bem comum, mas sempre longe da intervenção política deixada aos homens, ou seja, como veículos de transmissão dos valores e comportamentos ditados pelo regime de Salazar de acordo com os ditames da trilogia "Deus, Pátria e Familia". Assim descreve esta organização estudantil do Estado Novo a historiadora Irene Flunser Pimentel, que acrescenta, ser a MPF uma organização que dava indicações inclusivamente sobre o fato de banho oficial com decote pouco generoso e saia não muito curta, sobre a atitude a ter em casa com o marido, conselhos sobre livros fundamentais e outros proibidos aos olhos das jovens, e a aprendizagem das virtudes dos grandes heróis nacionais como D. Filipa, etc.

 
Naquele tempo os ideólogos do regime como veículo indispensável à prossecução do programa do Estado Novo. Aliás, no ano a seguir ao golpe do 28 de Maio de 1926 e à «ditadura militar», logo o Estado Novo se apressou a estabelecer através do regime jurídico algumas das obrigações em relação à mulher, tais como regime de separação de sexos nas escolas, a introdução da disciplina de Economia Doméstica incidindo nas tarefas de "coser, bordar, cozinhar, olhar pelo asseio da casa, talhar, cozer e conservar as peças de vestuário da sua família, considerar o valor da higiene, etc. E em 1931 se é reconhecido o direito de voto foi apenas àquelas que possuíam cursos superiores ou secundários, enquanto aos homens bastaria saber ler e escrever. Também o Código do Processo Civil de 1939 veio submeter ainda mais a mulher à tutela do marido, interditando-lhes o poder de afiançar, exercer comércio, viajar para fora do país, celebrar contratos e administrar bens sem a autorização escrita do marido.

Inserida neste contexto, a
Mocidade Portuguesa Feminina o objectivo prioritário de estimular nas jovens portuguesas a formação do carácter, o desenvolvimento da capacidade física, a cultura do espírito e a devoção ao serviço social no amor de Deus, da Pátria e da Família, tendo a biologia vinda em socorro da ideologia através da apresentação desse argumento infalível que é a capacidade da mulher gerar mais «filhos da Nação", de os educar assimilando para tal o programa instituído e dispensando toda e quaisquer pretensões de autonomia, fazendo lembrar o que passava noutros regimes ditatoriais europeus tais como a Alemanha de Hitler, a Itália de Mussolini, a Espanha de Franco.

Já na década de 1960, houve como que  um reoganizar da MP masculina e feminina. Existem fotos dos alunos do secundário de Moçâmedes e de Porto-Alexandre, tiradas na década de 60 e na década de 70,  que nos motram  como a MP see encontrava activa, mesmo mais activa que nunca, com especial empenho ao nível do desporto.

Quanto à Mocidade Portuguesa Feminina esta foi uma organização serôdia entre nós raparigas moçamedenses daquele tempo, veriicando-se como atrás foi dito uma grande actividade  nas décadas de 1060 e 1970.  Eu própria frequentei em Moçâmedes o secundário na segunda metade da década de 1950 e ao nível da Escola que frequentava, a Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, nunca me dei conta da existência de qualquer actividade feminina levada a cabo por aquela organização. Nunca vesti nem vi colegas minhas envergarem fardas, não obstante  tive acesso a fotos de finais dos anos 1940 que mostravam desfiles da MP feminina, em saudação olímpica, desfilando pelas ruas da vizinha de Sá da Bandeira. 

E em relação a actividades desportivas escolares, na segunda metade da década de 1940  chegaram a ter a disciplina de Educação Física, prática que  quando muito perdurou pelo menos até 1950, pois já não existia esta disciplina quando frequentei a Escola Comercial de Moçâmedes que veio substituir a Escola de Pesca.

Concluo que entre nós a MPF, excepto talvez nas décadas de 1940 e inicios de 1950, a MP masculina que frequentava o secundário, não demonstra objectivos de inculcação ideológica de que Irene Flunser Pimentel nos fala quanto à MP metropolitana, e que até aos finais do Império,  se encontrava reduzida à actividades desportivas e lúdidas. Aliás, segundo a própria história da MP, a partir de meados da década de 50, na Metróple, já a organização havia começado a perder o seu anterior carácter de obrigatoriedade e de otganização para-militar. Não obstante, o Curso de Formação Feminina, Disciplina de Lavores no Ciclo Preparatório, foi uma realidade defebdida peka MPF, veiculava pois a ideologia  do Estado Novo em relação à mulher.

Quanto ao resto,
imposição de
decote pouco generoso, saia não muito curta, etc. etc., só posso dizer que as jovens da minha geração não deram por isso. Seguiamos a moda que chegava a nós atravé da Revista BURDA. Praticavamos a modalidade de basquetebol com curtos calções e treinavamos nos nossos clubes jogando contra equipas constituídas por rapazes sem quaisquer dessas inibições de que nos fala a referida historiadora. Aliás, a década de 1950 foi entre nós de grande actividade  desportiv promovida pelos vários clubes da cidade, altamente ouganizadosm que pouco espaço deixavam à MP. 






Como referi nas décadas de 1960 até 1975, a MPF teve realmente um grande incremento entre os jovens estudantes de Moçâmedes, de ambos os sexos, tendo  chegado a organizarem-se torneios provinciais em algumas modalidades como basquetebol, badmington, e outros, realizados fora de portas, excursões incluso à Metrópole da Mocidade Portuguesa Feminina, tal como as fotos  testemunham. 

De qualquer modo, a verdade é que os jovens gostavam da MPM e da MPF pela camaradagem, alegria, desporto, a oportunidade de viajar, de disputar campeonatos provinciais desportivos etc., etc. que naquela organização encontravam. Quanto ao resto as mudanças que, entretanto, se foram verificando no  seio da Familia, a instituição basilar da sociedade portuguesa, tal como fora concebida por Salazar e pelo Estado Novo exigiam, nestas décadas já não tanto uma educação que formasse jovens apegadas ao ideal doméstico e ao futuro papel de boas esposas e boas mães capazes de transmitirem aos filhos os princípios ideológicos e os valores morais do Estado Novo, mas também jovens preparadas para se confrontarem com as mudanças que estavam surgindo em toda a parte, saudáveis e fortes para os embates e capazes de manterem uma prole sem degeneração. As décadas de 1950 e 1960, foram aquelas em que se verificou entre nós, a saída em massa das mulheres para o mundo do trabalho remunerador.

14 novembro 2008

Grupo de moçamedenses em amena confraternização numa festa de Carnaval















Grupo de moçamedenses em amena confraternização numa festa de Carnava.
Reconheço, ao fundo, entre outros, Lalai Jardim Baptista e Silvestre.

MOÇÂMEDES NAMORADEIRA

Moçâmedes namoradeira
Jóia de rara beleza
Eu canto á minha mneira
Os teus dotes de princesa
És uma cidade bela
Tão bela que os outros são
Desta Àfrica singela
Que trago no coração

Tens ruas tão lindas
Catitas para pessear
Moçoilas jovens bonitas
Que são de encantar
Assim sozinha no deserto
Formaste um condado
E a brisa do mar
Vem nos cantar
Um triste fado

Conversas amenas e alegres
Pelas esplanadas
E prédios tão lindos catitos
De lindas fachadas
Jardins que são uma saudade
E parques também
Tens a felicidade
De serem bem garrida
Como a Pátria Mãe

E a noite teu céu estrelado
Lembra o céu da minha terra
Do qual me vi separado
Ao ser chamado p'ra guerra
Tens assim a nostalgia
Da terra onde nasci
Se p'ra ti voltar um dia
Nunca me esqueço de ti...
............


12 novembro 2008

Inauguração do novo edifício do Grémio dos Industriais de Pesca de Moçâmedes (1957)



 

O novo e moderno edifício-sede do Grémio dos Industriais de Pesca e seus Derivados do Distrito de Moçâmedes, sito na Avenida da Praia do Bonfim em Moçâmedes, inaugurado em 24.05.1957.  O antigo edifício ficava situado na Rua dos Pescadores, com frente para a Praça Leal. Era era um edifício nobre de traça oitocentista e frontão triangular centralizado no alçado principal como era comum na época em edifícios públicos, e folgo em saber, que foi recentemente recuperado. 

 

A inauguração  deste edificio aconteceu com a presença do Governador Geral de Angola, Horácio José de Sá Viana Rebelo que se deslocara a Moçâmedes para presidir a varias cerimónias tais como a  inauguração do 1º troço do cais da cidade e a inauguracao do novo estadio do Benfica. Nesta foto o Governador Geral acabara de entrar no novo edifício-sede, para o acto de descerramento da placa comemorativa da sua inauguração. Presentes, para além do Governador Geral, o Governador do Distrito de Moçâmedes, Vasco Nunes da Ponte (2ª foto, à dt.), o Bispo da Diocese ( a entidade religiosa estava sempre presente a este tipo de inaugurações), elementos representativos das «forças vivas» da cidade, industriais de pesca do distrito, funcionários e convidados.. Foto do meu album.

 
No hall de entrada, aguardando o momento do acto solene. Reconhece-se, à dt., o Dr. Álvaro Barreto de Lara, advogado e notário em Moçâmedes, o Bispo da Diocese, o locutor do RCM, António José de Carvalho Minas e Oliveira (Maboque). Ao centro conversando com duas senhoras, Lourdino Tendinha (presidente do Grémio) e o industrial João Thomás da Fonseca. À esq., Raul Radich Júnior (vice-presidente da Câmara Municipal de Moçâmedes), Mário Guedes da Silva e Rui Duarte de Mendonça Torres. 

 

Reconhecem-se tambem,  na foto imediatramente acima, entre outros, da esq. para a dt: Artur Homem da Trindade, Norberto Edgar de Almeida (func.), Carlos Manuel Guedes Lisboa, (func.) João Carlos Guedes Lisboa e Carlos Vieira Calão (func.). Foto do meu album.

 

Lourdino Fernandes Tendinha, Presidente do Grémio (à esq.), João Thomás Senna da Fonseca (Director-tesoureiro), Isaías Gusmão Fradinho Graça (Director), o Governador Geral de Angola Horácio de Sá Viana Rebelo, Albérico Sampaio Nunes, Director (de óculos, à dt.) e Vasco Nunes da Ponte, o Governador do Distrito (à dt.) Foto do meu album.

 

 

Lourdino Fernandes Tendinha (Presidente do Grémio dos Industriais de Pesca e seus Derivados do Distrito de Moçâmedes) lendo o discurso ao Governador Geral de Angola que na mesa de honra se encontra ladeado pelo juiz da Comarca e o Governador do Distrito de Moçâmedes, Vasco Nunes da Ponte. Atrás, António José de Carvalho Minas, faz a transmissão do evento através do Rádio Clube de Moçâmedes.
Foto do meu album.


 O Governador Geral de Angola discursando no salão nobre do Grémio. À esq., de pe,  o Presidente do Grémio. Lourdino Fernandes Tendinha. Por detrás, António José de Carvalho Minas, faz a transmissão do evento através do Rádio Clube de Moçâmedes.
Foto do meu album.



O Governador Geral de Angola discursando no salão nobre do Grémio, ladeado, à esq. pelo juiz da Comarca e por Lourdino Tendinha, e à dt. (na foto) pelo governador Nunes da Ponte e uma entidade do Governo. De pé, Rui Bauleth de Almeida, comentador do Rádio Clube de Moçâmedes e o ajudante de campo do Governador Geral.Foto do meu album.

 
 

À cerimónia da inauguração seguiu-se um «beberete» no salão nobre do mesmo edifício em que estiveram presentes, para além das entidades acima descritas, dirigentes do Grémio, elementos representativos das forças vivas da cidade, associados ligados à Indústria da Pesca de todo o distrito, muitas senhoras da elite moçamedense, e alguns funcionários reformados e no activo, etc. Foto  cedida por conterrâneo.
Em representação dos industriais de pesca, João Martins Pereira e Anibal Nunes de Almeida que aqui vemos acompanhados das respectivas esposas, Noémia Bagarrão Pereira e Julia Rosa Almeida. A esq, o funcionario do Gremio, Fernando França Galvão. Foto cedida por conterrâneo.



A galeria dos «velhos pescadores», no edifício do Grémio dos Industriais de Pesca de Moçâmedes . Foto  cedida por conterrâneo.


Seguem alguns nomes de diversas pessoas que estiveram presentes nesta cerimónia que não se encontram representadas nas fotos acima:

Representantes das «forças vivas da cidade»: Mário Moreira de Almeida (Médico e Presidente da Câmara Municipal de Moçâmedes), Raul Radich Junior (Vice-Presidente da Câmara Minicipal de Moçâmedes),
Rui Duarte de Mendonça Torres, Abílio Gomes da Silva e Virgilio Carvalho de Oliveira (vereadores da mesma Câmara Municipal), Urbulo Antunes da Cunha (Presidente da Associação Comercial), Manuel João Tenreiro Carneiro (Advogado), João Martins Pereira (industrial de pesca e agricultura), Álvaro Barreto de Lara (advogado e notário), etc.

Industriais de Pesca associados do Grémio, reformados e no activo, entre os quais Aníbal Nunes de Almeida (industrial de pesca), João Martins Pereira (industrial de pesca e agricultor)...
lista em acrescentamento...
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fotos relacionadas AQUI
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O Grémio da Indústria da Pesca e seus derivados do Distrito de Moçâmedes  foi criado a 1 de Maio de 1949 por imposição legal,na vigência do Governador-Geral de Angola, José Agapito da Silva Carvalho, tomando o lugar do Sindicato da Pesca de Moçâmedes.


Primitivas nstalações do Sindicato dos Industriais de Pesca do Distrito de Moçâmedes,  na Rua dos Pescadores, zona junto da Praça Leal ou Praça de Táxis. Inicio dos anos 1950  Trata-se de um belo edifício de traça oitocentista e frontão triangular centralizado no alçado principal, como era comum na época em edifícios públicos. Folgo em saber que foi recentemente recuperado, como parece estar a ser recuperada a cidade do Namibe. Bem haja!


Sindicato dos Industrias de Pesca: funcionários na década de 50

Da esq. para a dt.
Em cima: Januário Tendinha (pai), Marques, Lili Coquenão Lemos, Etelvina Leitão, Lourdes Gomes, Fragata, Caeiro, Morgado, José Assis de Almeida e Alberto Silva. Embaixo: Carlos Manuel Guedes Lisboa (Lolita), Gouveia, Humberto Pinho Gomes, Américo Rodrigues (Leiria) e Fernando França Galvão. Foto cedida por conterrâneo.
 



O primeiro a ser criado foi o  Sindicato da Pesca de Moçâmedes... E só depois, com a sua extinção surgiu, para o substituir o Grémio Grémio dos Industriais de Pesca de Moçâmedes


O Sindicato da Pesca de Moçâmedes (de início designado Sindicato de Pesca e Comércio de Moçâmedes, foi criado em 1930, e teve a sua origem na grande crise da indústria de pesca em 1929 (1), que afectou grandemente Moçâmedes, com o fim de organizar a indústria de peixe seco e, posteriormente, a indústria de de farinhas e óleos de peixe, tendo concorrido decisivamente para a  construção das primeiras fábricas destinadas à transformação de peixe em farinha e óleo, protegendo ao mesmo tempo os pequenos industriais de pesca que até àquela data vegetavam ao sabor dos interesses de aventureiros e oportunistas. Até então, conforme apontamento histórico "Pescas em Portugal-Ultramar", de António Martins Mendes (Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa), trabalhava-se em "autênticas fabriquetas, sem um mínimo de condições, em concorrência com outras instalações modelares (para a época, naturalmente). O problema foi que elas permaneceram activas durante várias dezenas de anos, prejudicando a qualidade das farinhas de peixe angolanas"

Nunca é demais recordar a importante organização que foi o Sindicato da Pesca de Moçâmedes criado em 1930 com a designação de Sindicato da Industria e Comércio de Peixe como seu 1º Presidente o Dr. Torres Garcia.

Conheci por dentro as instalações deste Sindicato situadas no Bairro da Torre do Tombo, em Moçâmedes, e posso acrescentar que este Sindicato, cuja função primeira era a de comercializar e dar escoamento aos produtos pescados e transformados pelos industriais em todo o distrito, designadamente peixe seco, farinhas e óleos de peixe, era um organismo de tal ordem que, paralelamente, dispensava aos seus associados, familiares, e a todos os trabalhadores envolvidos na indústria de pesca, de origem portuguesa e de origem africana, livres e contratados, funções de assistência social de suma importância. Para o efeito, este Sindicato era detentor de um Hospital em Porto-Alexandre e de um posto médico com consultório e enfermaria em Moçâmedes, ambos munidos das respectivas farmácias onde se podia facilmente beneficiar de assistência médica e medicamentosa e de cuidados de enfermagem. Este Sindicato possuia ainda um sistema de seguros de conta própria que facilitava grandemente a vida aos pescadores e industriais.

Quanto ao conjunto das instalações, o amplo complexo do Sindicato da Pesca de Moçâmedes situado na Torre do Tombo, estendia-se desde a então denominada Rua da Colónia Piscatória (assim se chamava a rua que dava acesso à subida para a Praia Amélia) até à praia, e englobava uma enorme extensão de armazéns e um conjunto de pequenas casas enfileiradas destinadas ao pessoal contratado, para além de duas habitações destinadas a funcionários (onde habitaram durante muito tempo João Gomes e Alberto Ferreira da Silva), das pontes, telheiros, giraus, etc., etc.

Era nesses armazéns que os industriais de pesca da terra entregavam, avulso, o produto do seu pescado depois de seco e preparado, se procedia à selecção do mesmo, pesava e preparava os fardos ou «malas» de peixe para a venda e exportação. Era desses armazéns, servidos por uma grande ponte coberta, a maior ponte de cais da época na baía de Moçâmedes, que saia a mercadoria em embarcações que faziam a cabotagem ao longo de toda a costa até ao Congo, onde era descarregada para ser posteriormente dirigida para o interior. Cada qualidade de pescado tinha o seu preço, a corvina e o cachucho por exemplo, eram mais valorizados que o carapau ou a cavala, e por tal o peixe era seleccionado e emalado em separado, consoante a sua qualidade/preço. 

Na altura da exportação, o Sindicato recebia a visita da inspecção dos serviços Veterinários, uma vez que o produto a exportar era obrigatoriamente acompanhado de certificados de sanidade passados por aqueles Serviços que na década de 50 se encontrava sob a responsabilidade do Dr. Elias Trigo, o seu Director. A inspecção era obrigatória uma vez que os peixes gordos tendiam a criar ranço e a saponificarem devido às condições climáticas. Mais tarde quando surgiram as farinhas e óleos de peixe estes eram sujeitos a determinados parâmetros organolépticos e eram, para tal, objecto de análise laboratorial, sendo neste caso, os funcionários daqueles serviços que se deslocavam às pescarias. Quanto ao pagamento aos industriais do valor das entregas do pescado pelo Sindicato, este possuía fundos próprios que permitiam o seu adiantamento, e tudo fluía com rapidez e eficiência uma vez que a mercadoria também escoava com a mesma rapidez e eficiência para os seus destinatários.

Cabia também ao Sindicato a função de angariamento de pessoal contratado para que as pescarias pudessem funcionar, uma vez que o distrito de Moçâmedes sempre fora a esse nível carente de mão de obra . Moçâmedes talvez fosse o único ponto de Angola em que a população africana local, constituída essencialmente por «quimbares» era minoritária com relação à população de origem europeia, daí socorrerem-se da mão de obra de "contratados" a tempo certo (2 anos), findos os quais regressavam a sua casas.

A importância deste Sindicato foi de tal ordem que as suas estruturas iniciais foram aproveitadas pelo Grémio e mantiveram-se inalteradas no essencial até 1975, data que marca o ano da independência de Angola e o êxodo dos portugueses, incluindo o dos industriais seus associados.


Segundo o apontamento histórico «Pescas em Portugal-Ultramar», de António Martins Mendes (Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa), que melhor esclarece a evolução destes organismos, bem como as modificações que, por via dos mesmos se foram verificando na industria de pesca do distrito de Moçâmedes: (Texto completo AQUI)


"...Nos seus relatórios Carlos Carneiro descreveu os vários aparelhos e métodos de pesca que estavam sendo usados, acompanhando-os por um estudo crítico das explorações e das indústrias transformadoras existentes. Entregues a si próprios, trabalhando num campo em que era fácil conseguir lucros avultados com um mínimo de investimentos, dada a abundância da matéria- prima a explorar, não nos admira que Carlos Carneiro refira

"... O problema da qualidade do sal, tão fundamental para a boa conservação do peixe continuava por resolver, como continuava aguardando solução a secagem do pescado salgado, especialmente quanto às espécies gordas. Continuava-se a usar o sistema dos “giraus” mal situados ou desabrigados que facilitavam a conspurcação com as areias levadas pelos ventos. Naturalmente refere-se à desactualização da legislação aplicável ao sector. Não se tinha em consideração a utilização do peixe salgado/seco na alimentação humana, nem as na-urais exigências dos mercados consumidores, nem os centros de concorrência que já existiam. A legislação não se harmonizava com as necessidades da industria nem com as exigências dos mercados importadores. As autoridades centrais ignoravam que: “O problema de Angola é um problema de exportação”.

Carlos Carneiro, optimista, chegava a afirmar: “É inesgotável a fauna marítima da costa” o que infelizmente não era verdade. Seria inesgotável se houvesse uma gestão dos recursos piscatórios, que não havia, nem haveria tão cedo em Portugal ou no Ultramar Português. Pescavam-se por vezes grandes quantidades de pescado condenadas à destruição, por não existirem meios de conservação adequados, ou mesmo por outros motivos, como ainda acontece nos nossos dias, apesar das limitações das mais variadas ordens que actualmente existem para a conservação dos recursos naturais e da sua exploração racional.

"... Como sub-produtos do pescado fabricava-se: óleo e farinha de peixe, mas utilizando métodos absolutamente primitivos ou arcaicos. Então, surgiu em 1931 o Diploma Legislativo nº 283 (BOA, 1963) cuja introdução reconhecia mais uma vez, que a industria da pesca era um importante valor na economia da Colónia pois em 1930 o valor dos produtos derivados da pesca fora de 122 mil libras. O grosso das exportações era constituído por peixe seco, seguido depois pelo peixe em conserva, óleo de peixe, peixe em salmoura e outros produtos – ovas, peles e guano de peixes; na nota introdutória afirmava-se no documento referido ter havido, contudo, uma sensível desvalorização dos produtos da industria da pesca que o legislador atribuia à falta de selecção do pescado, ao descuido na preparação do produto - sobretudo quanto ao peixe seco, às defeituosas e heterogéneas embalagens, ao desconhecimento dos mercados consumidores, à desorganização dos produtores e tudo isso aliado a uma concorrência desordenada. Como medidas para inverter a situação preconizava-se: a) uma permanente e rigorosa fiscalização sanitária e comercial e b) agremiação da produção, comércio e exportação.
 
Pelo art. 1º do diploma eram criadas “... instituições profissionais sob a forma de sindicatos que abranjam a produção, industria e comércio de peixe e seus derivados, com a designação de “Sindicatos da Industria e Comércio de Peixe”. 

O mesmo Diploma criava em Luanda um “Conselho Especial de Consulta e Parecer, formado pelos: Directores dos Serviços Adu- aneiros, Pecuários e de Agricultura e Comércio, pelo Chefe da Repartição de Industria e Minas e pelo Chefe do Departamento Marítimo, onde baixarão todos os processos que respeitem aos Sindicatos de Industria e Comércio de Peixe e pelo qual transitam os recursos e propostas dos mesmos Sindicatos”. O Art.14º estabelecia que – “A fiscalização sanitária do peixe e derivados cabe, como estiver garantido e regulamentado, aos delegados de sanidade pecuária ou entidades que legalmente os substituam. Seguiam-se vários Artigos relativos à fiscalização sanitária e aos valores das taxas de fiscalização que deveriam ser cobradas pelos médi- cos-veterinários delegados de sanidade pecuária. Nesse mesmo ano os Serviços Veterinários publicaram um folheto de divulgação do colega Isidoro Martins dos Santos sob o título: “Sumárias instruções para secagem, defumação e congelação de peixes, com indicações sobre a legislação e conservação do mesmo produto” que rapidamente se esgotou (Santos, 1931).


Ao abrigo do Diploma Legislativo referido (BOA, 1931) organizaram-se os Sindicatos de Pesca de Moçâmedes e de Benguela e aprovaram-se os Estatutos respectivos, parecendo que tudo estaria resolvido de acordo com a orientação dada pelo diploma referido. Mas como a sindicalização não era obrigatória formou-se um grupo “auto-intitulado dissidente”, com algum poder económico, que procurou por todos os meios destruir os efeitos que se tinham em vista. Geraram-se assim dois grupos de industriais/ /exportadores que se guerreavam entre si (Sequeira, 1937) criando situações muito complicadas, com acumulação de dívidas, ac- ções em tribunais, etc. e o Conselho Especial de Consulta e Parecer, que o Diploma previa, transformou-se num tribunal de pequenos delitos, originando-se uma situação absolutamente insustentável com exportações arbitrárias, sem qualquer espécie de controlo. O desacordo entre o governo e o grupo dissidente acentuou-se até que os Sindicatos foram dissolvidos criando-se a Federação dos Sindicatos de Pesca. Então numa manobra de envolvimento económico os industriais/exportadores tomaram o controlo dos sindicatos e continuaram a exportar para o Congo. Foi quando o Governo Geral resolveu actuar decisivamente demitindo a direcção do Sindicato e nomeando em seu lugar uma Comissão Administrativa, presidida pelo Dr. Carlos Carneiro, que encontrou situações económicas gravíssimas que foram sendo pouco a pouco resolvidas por arranjos directos entre a Comissão e os devedores e credores do Sindicato, conseguindo-se normalizar a situação económica existente e beneficiar a grande massa dos pescadores e dos associados dos Sindicatos (Sequeira, 1937).

A partir desse momento entrou-se naquilo que se poderia considerar normalidade quanto à qualidade do pescado salgado/seco e do aumento sempre crescente da produção do produto refrigerado e congelado.»




Os primeiros ensaios de transformação do peixe em farinha

 

Sobre a indústria de farinha de peixe, o mesmo apontamento histórico «Pescas em Portugal-Ultramar», de António Martins Mendes (Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa) avança:


 ...«Como surgiu e se desenvolveu a indústria da pesca em Angola já o descrevemos. Além disso existia uma longa tradição de pescas e de pescadores em Portugal, mas como teria surgido a produção da farinha de peixe? Mais uma vez vou referir Carlos Carneiro pois é ele que no seu livro “O Mar de Angola” (Carneiro, 1949) escreveu, sob o título: “E assim nasceu, em Angola, a indústria de farinhas de peixe”. Vejamos portanto: 

"...Em 1929 a indústria de pesca no sul de Angola atravessava a pior das crises. A produção de peixe seco era enormemente superior ao consumo”. O preço aviltava- se... “abandonavam-se na praia ou lançavam-se ao mar centenas de toneladas de peixe que apodrecia em armazém”. Nesse tenebroso período, um alemão, gerente da casa Weermonn, Brock & C.ª, em Moçâmedes solicitou-me autorização para exportar, para Hamburgo, peixe seco sem sal e com cabeça, para fins industriais”. “Como nada havia legislado sobre o assunto, autorizei a exportação... Mas o fim a que ele se destinava espicaçou-me a curiosidade”. Solicitei informações ao Departamento Científico e Técnico de Pescas Marítimas de França e recebi vagas notícias sobre a utilização desses peixes na alimentação de animais, depois de beneficiados e farinados. Por essa época uma comissão de médicos veterinários elaborava o Regulamento Geral de Sanidade Pecuária e Industria Animal em Luanda e solicitava-me elementos para estabelecer doutrina sobre a fiscalização sanitária do peixe e seus sub-produtos. Assim aparece publicado e mantém-se em vigor, o “art. 134º: Fica autorizada a escala de peixe com cabeça e sem sal quando destinada a fins industriais” (Carneiro, 1949). Entretanto, com a preciosa colaboração do meu saudoso amigo Dr. Torres Garcia faço os primeiros ensaios de transformação do peixe em farinha. Sem maquinaria própria e sem ciência certa as primeiras amostras enviadas para a Alemanha não agradaram, como tanto era de desejar. Mas as indicações que de lá vieram permitiram produzir-se melhor e, em pouco tempo, o mercado germânico estava aberto a toda a farinha de peixe que Angola fabricasse. E assim se começaram a construir as primeiras instalações fabris e se adquiriram as primeiras fábricas para a transformação de peixe em farinha e óleo.

Hoje, a costa de Angola tem ao serviço desta riquíssima indústria, 4 grandes fábricas e cerca de 60 fabriquetas que estão laborando, anualmente, largas centenas de toneladas de farinha de peixe...”(Carneiro, 1949). A Carlos Carneiro sucedeu outro colega Dr. João Elias, a partir de 1938, provavelmente com ele estagiando e aprendendo, pois iria depois permanecer à frente dessa Delegação durante mais de 20 anos de inteira dedicação aos assuntos relacionados com o pes- cado: acompanhando, corrigindo, incentivando a in- dústria da Pesca e as dela derivadas, como nos dá nota em excelente trabalho que intitula: “Tese...etc.”(Elias, 1955). Uma vez remodelados e saneadas as dificulda- des económicas é ele quem afirma nesta mesma citação: A indústria, disciplinada pelo Sindicato, caminha firme até que o Governador-Geral José Agapito da Silva Carvalho criou os grémios dos industriais da pesca e seus derivados, pelo Diploma Legislativo nº 6 697 e respectiva Federação em Luanda.


O grémio dispunha de armazéns privativos para peixe seco em Porto Alexandre e em Moçâmedes que recebiam diariamente esse produto – submetendo-o à Inspecção Sanitária do Delegado de Sanidade Pecuária e seus agentes e dispondo de um bem apetrechado Laboratório Regional dos Serviços Veterinários e da Indústria Animal. 

Mas outros trabalhos do colega Elias merecem citação e es- tão publicados nos Anais dos Serviços de Veterinária e Industria Animal de Angola (Carneiro, 1943; Carneiro, s/a, Carneiro, 1955b).Sobre a criação do Instituto das Industrias de Pesca de Angola refere o mesmo apontamento :


«Em 18 de Agosto de 1960, o Decreto nº 43 123 (DG, 1960) diz: tendo presente a importância que as indústrias de pesca têm na economia da província de Angola e a necessidade de se proceder à sua coordenação; considerando a conveniência de que o exercício daquelas actividades em todo o ciclo de extracção e de trans- formação seja apoiado por uma estrutura económica e financeira que lhe proporcione os meios para melhor enfrentar as flutuações dos mercados externos; etc., etc. Artigo 1º - É criado o Instituto das Industrias de Pesca de Angola. Tinha a sede em Luanda (DG, 1960), junto do governo, mas distante das zonas de produção. Depois definiam-se os seus objectivos que seriam: orientar e fiscalizar a produção do pescado, a sua trans- formação e o comércio dos produtos fabricados; coordenar as indústrias de pesca e de transformação afins e, como não podia deixar de ser... desenvolver o espírito corporativo. O mesmo Decreto obrigava à revisão dos estatutos dos grémios e ao saneamento das respectivas situações financeiras, o que veio a suceder pela Porta- ria nº 14 254, de 12 de Março de 1966, que aprovava os Estatutos dos Grémios dos Industriais de Pesca de Angola (BOA, 1966). Julgo que o 1º director do Instituto das Pescas foi o Dr. João Benard da Costa Pereira, economista, vogal da comissão administrativa dos Grémios dos Industriais de Pesca (BOA, 1962) junto do Grémio de Benguela, sendo seu director adjunto o Dr. Agílio Leonardo Teixeira de Sousa e Andrade, licenciado em Ciências Ma- temáticas. Das consultas que fiz sobre estes primeiros tempos de vida do novo Organismo pareceu-me que a sua implantação e desenvolvimento foram lentos, fixando e cobrando receitas próprias, reorganizando as estruturas existentes, desenvolvendo uma intensa fiscaização junto dos industriais e exportadores, saneando enfim, as dificuldades económicas de uma estrutura ultrapassada, caduca, macrocéfala e incapaz de solucionar os problemas do sector. Mais tarde o director que se seguiu, capitão – tenente Luiz Gonzaga Reis recebeu um Serviço liberto de dificuldades económicas, de tal modo que em 1969 as receitas próprias do Instituto das Pescas de Angola atingiam a cifra de 22 571 000$00 no orçamento geral da Província (BOA, 1969) mas volte mos um pouco atrás. A sua orgânica previa também, talvez num plano secundário, a investigação e o primeiro investigador do Instituto foi o nosso colega Alberto Barreiros Saraiva da Costa -primeiramente como interino e depois ocupando o lugar do quadro (BOA, 1964; BOA, 1965), em comissão ordinária de serviço. Mais tarde, em 1968, um outro colega foi contratado como 2º Assistente – o Dr. Manuel Biker de Castro Pi- mentel (BOA, 1968). Ainda mais tarde, em 1973 foi contratado também como Investigador o Doutor Manuel Alfredo Teixeira Coelho. »


(1) A origem desta crise, de acordo com o apontamento histórico «Pescas em Portugal-Ultramar», de António Martins Mendes (Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa), ficou a dever-se «à desvalorização dos produtos atribuída à falta de selecção do pescado, ao descuido na preparação do produto - sobretudo quanto ao peixe seco, às defeituosas e heterogéneas embalagens, ao desconhecimento dos mercados consumidores, à desorganização dos produtores e tudo isso aliado a uma concorrência desordenada.»


Acrescente-se a este conjunto de memórias que:
 
- Em Moçâmedes, a criação do Instituto da Pesca levou consigo parte dos antigos funcionários do Grémio dos Industriais de Pesca, enquanto outros, saíram para trabalhar em Bancos, etc. Na altura da transição foi nomeado pelo Instituto da Pesca de Angola para director do Instituto da Pesca de Moçâmedes, o moçamedense Carlos Manuel Guedes Lisboa, industrial de pesca e funcionário do extinto Grémio da Pesca.

- Em vésperas da Independência de Angola (1974),, finalmente, o Grémio dos Industriais de Pesca de Moçâmedes exibia já 86 sócios incritos dedicados à industria da pesca, sendo a seguinte a relação em 31/12/74, conforme vem descrito no livro de Carlos Cristão «Memórias da Angra do Negro - Moçâmedes - Namibe (Angola), desde a ocupação efecriva, Lx 2005:


 

A Industrial, Lda. (Porto Alexandre)
A Industrial do Canjeque, Lda. (Moçâmedes / Canjeque)
A Industrial Conserveira do Sul, Lda. (Porto Alexandre)
A Industrial de Moçâmedes, Lda. (Moçâmedes)
A Mariquita, Ind. Lda. (Moçâmedes)
Leque & Coimbra, Lda. (Porto Alexandre)
Adérito Augusto Sanches, Lda. (Porto Alexandre)
Agripesca Ind. Lda. (Moçâmedes)
Alvaro Thomás Serra Fernandes (Moçâmedes)
Amadeu Gonçalnes e Neves, Lda. (Moçâmedes)
António Francisco Antunes (Porto Alexandre)
António Francisco Baraca (Herder) (Moçâmedes)
Antunes da Cunha, Lda. (Porto Alexandre)
Associação Industrial de Peixe Seco de Moçâmedes (Moçâmedes)
Barbosa & Santos, Lda. (Porto Alexandre)
Beira Mar, Lda. (Porto Alexandre)
Bento & Irmão, Lda. (Moçâmedes)
Cabrita, Lda. (Baía dos Tigres)
Carmo & Martins, Lda. (Porto Alexandre)
Carvalho Oliveira & Cª (Moçâmedes)
Compª de Pesca Angola, Lda. (Moçâmedes)
Compª Ind. e Com. de Pesca Angola, SARL. (Cipesca-Moçâmedes)
Compª Ind. Produtos do Mar, SARL (Porto Alexandre)
Compª Alexandrense de Produtos de Pesca (Porto Alexandre)
Cooperativa de Produtos do Mar (Porto Alexandre)
Costa & Silva, Lda.
Dafisilva - DA. Figueiras & Silva, Lda. (Moçâmedes)
Dídio Alceu Pimentel Pacheco (Porto Alexandre)
Duarte & Lourenço, Lda. (Porto Alexandre)
Empresa Ind. Farinha e óleo de peixe, Lda. (Porto Alexandre)
Empresa Ind. e Comercial de Pescas, SARL (Moçâmedes)
Empresa Ind. do Pinda. Lda. (Moçâmedes)
Empresa de Pesca do Sul, Lda. (Moçâmedes)
Ferreira & Filhos, Lda. (Moçâmedes)
Francisco Baptista (Porto Alexandre)
herda Dionísio Costa Tavares (Porto Alexandre)
Humberto Sena Tendinha (Porto Alexandre)
Industrial de Peixe Namibe Lda (Luanda)
J. Patrício Correia, Lda (Moçâmedes)
João Duarte Filhos, Lda. (Moçâmedes)
João Thomás da Fonseca & Cª (Moçâmedes)
Joaquim Conceição Camarinha (Moçâmedes)
José Dias Ferreira (Moçâmedes)
José Domingos da Conceição Martins (Porto Alexandre)
José Evangelista Aldeia (Moçâmedes)
José Joaquim Carreiro Correia (Porto Alexandre)
José Venâncio Delgado (Porto Alexandre)
Juventino Ferreira Graça, Lda. (Porto Alexandre)
Mamede sucessor, Lda. (Porto Alexandre)
Manuel Martins Ramos (Porto Alexandre)
Manuel Mendes Mamede, herdades. (Porto Alexandre)
Mário Lino Caldeira (Porto Alexandre)
Marques & Marques, Lda. (Porto Alexandre)
Mercantil Piscativa, Lda. (Porto Alexandre)
Olímpio Mário Aquino, Lda. (Moçâmedes)
Parceria de Pesca, Lda. (Moçâmedes)
Pescaria Algarve, Lda. (Porto Alexandre)
pescaria Namibe, Lda. (Moçâmedes)
Pestana e Carvalho, Lda. (Moçâmedes)
Rogério Napoleão Gonçalves (Porto Alexandre)
Sampaio (Irmãos), Lda. (Porto Alexandre)
Sancho e Arvela, Lda. (Porto Alexandre)
Sociedade Ango-Algarve, Lda. (Moçâmedes)
Sociedade Armadores das Pescas de Angola, SARL (aranha - Moçâmedes)
Sociedade congelador do Sul, Lda. (Porto Alexandre)
Sociedade de Conservas da luzir, Lda. (Moçâmedes)
Sociedade de Conservas Sagres, Lda. (Moçâmedes)
Sociedade Frigo Pesca do Sul, Lda. (Moçâmedes)
Sociedade Ind. Alexandrense, Lda. (Porto Alexandre)
Sociedade Ind. da Baía dos Tigres, Lda. (Moçâmedes)
Sociedade Ind. do Cabo Negro, Lda. (Moçâmedes)
Sociedade Ind. da Vissonga, Lda. (Luzir)
Sociedade de Pesca da luzir, Lda. (Luzir)
Sociedade piscatória dos Tigres, Lda. (Moçâmedes)
Sociedade piscatória do Sul, Lda. (Porto Alexandre)
Sopeixe Ind. SARL. (Porto Alexandre)
Somar, Sociedade de Produtos do Mar, SARL (Moçâmedes)
Sopesca, Sociedade Ang. de pescaria SARL. (Moçâmedes)
Sul Angolana, Lda (Porto Alexandre)
Tendinha & Irmãos, Lda. (Porto Alexandre)
Trocado & Irmãos, Lda. (Porto Alexandre)
Venâncio Guimarães e Compª. (Moçâmedes)
Venâncio Guimarães sobrinha, Lda. (Moçâmedes)
Veríssimo & Irmão, Lda. (Porto Alexandre)
........................
pesquiza e texto de MariaNJardim


Grande número das imagens que fazem parte de um  album que foram gentilmente oferecido à autora deste blog por Mário António Gomes Guedes da Silva



ANGOLA, PEIXES E PESCADORES

Já te contei a razão pela qual aos fardos de peixe seco lhe chamavam «malas de peixe». Acrescentarei que todas tinham o mesmo aspecto, a mesma forma, dimensões precisas e o peso líquido de 30 quilos. De um modo geral havia grande respeito pela qualidade e apresentação do produto, cuidado que não se notava noutras actividades industriais.

O peixe, sem cabeça, fosse corvina ou carapau, depois de seco e salgado, devia acomodar-se em camadas sobrepostas e em zig-zag simétrico, «cabeça com rabo, rabo com cabeça». Formava blocos compactos que deviam ser atados e contidos em esteiras feitas com fibra grossa de mateba. As malas de peixe ganharam tal popularidade e valor comercial no interior de Angola que, em 1950 e anos seguintes, se transformaram no principal produto de candonga interna do país.

Porque razão se contrabandeava peixe seco ? Simplesmente porque a secagem e o transporte estavam regulados e obedeciam a regras claras estabelecidas pelo Estado e aplicadas pelo Grémio dos Industriais de Pesca. Tudo isto tinha que ver com sanidade e impostos. Quem se desviasse destas regras era considerado marginal e perseguido. Mas o não cumprimento da lei dava lucro fácil e volumoso. Aos industriais e aos candongueiros que entravam no negócio ilegal, o que gerava intrigas, delações e lutas ferozes. Os camiões que transitavam clandestinamente ou seja, com cargas não fiscalizadas, deviam escapar-se a corta mato e tinham os seus caminhos exclusivos que atravessavam a vasta anhara de Benguela. Sobre a areia, as picadas estendiam-se e entrelaçavam num espectacular labirinto, cujas curvas e contra curvas eram dominadas, apenas, por duas categorias de camioneiros, os autenticos «candongueiros» e os «pecadores».

E não era candongueiro quem queria. A própria natureza do delito impunha duras condições. Dinheiro para o negócio, coragem e decisão para enfrentar tanto a polícia como os ladrões que faziam de polícias, boas armas, incondicionais ajudantes ou companheiros de viagem que fossem bons atiradores e, sobretudo, um camião novo, agil e rápido, para evitar encrencas. A partir daqui a mercadoria ou seja o «peixe seco» comprava-se em qualquer pescaria ou salga e havia muitas ao longo da costa, legais ou clandestinas, desde Benguela à Baía dos Tigres e todas dispostas a vender por «dinheiro doce» as malas de peixe que escondiam ou lhes sobravam.

Reconhecidamente, o grande entreposto situava-se na Baía Farta e praias dos arredores, especialmente a Caóta e Caótinha. O negócio era à vista e sempre de noite. Poucos se arriscavam durante o dia. Carregava-se o camião, tapava-se com lonas o melhor que se podia e no acto pagava-se a mercadoria, «cash» e mais barata do que a tabela oficial. Esse era o cerne do negócio, facilmente denunciado pelo cheiro nauseabundo e persistente do peixe seco, que deixava vestígio ou esteira odorífera durante quilómetros, depois da passagem do candongueiro. O cheiro não deixava ocultar a carga aos fiscais que andavam bem armados, ganhavam bem e ainda por cima recebiam metade do valor da multa. Fiscais eram polícias comuns ou guardas fiscais que se passeavam pelas entradas e saidas das cidades principais à caça da multa.

Uma vez em andamento o candongueiro não parava mais e não baixava dos cem quilómetros por hora, escapando-se. Escolhia o caminho como uma lotaria ou inventava novas picadas que só ele conhecia. Se, por acaso, se encontrava com a fiscalização, estavam em risco a carga, o camião e o modo de vida. Velocidade e tiros eram as armas que entravam em jogo. Era um vale tudo. A polícia atirava a matar e de cima dos camiões da candonga, os ajudantes também atiravam a matar.

Dessa guerra e da velocidade dependia a vitória da lei ou a sobrevivência do rico negócio de vender peixe seco na clandestinidade. Contudo, os fiscais não eram o único perigo que o candongueiro enfrentava na estrada. Havia também os falsos fiscais, que eram candongueiros ladrões. Diziam-lhes «pecadores», porque não só assaltavam os transportistas legais, como se encarniçavam sobre os candongueiros «bons», para lhes roubarem as cargas e completarem eles o negócio.

Todas as noites havia, em qualquer lugar do mato e sem testemunhas, estórias fortes de perseguições e roubos e tiros. Se alguém ficava no terreno, os leões ou os mabecos encarregavam-se de limpar o terreno... As malas de peixe e os transportes desapareciam por artes mágicas. Havia as máfias da candonga e as máfias da fiscalização e por vezes, associações das duas máfias. O peixe seco fazia parte obrigatória da ração dos contratados que deviam receber em cada dia uma caneca de fuba e um peixe seco, o salário da fome. A candonga dava resultado porque havia sempre comprador assegurado, o patrão do contratado.


Sebastião Coelho
ver tb
Cronicas do Candimba

Familias de Moçâmedes: Manuel Guedes da Silva e Lucinda























Prosseguindo a ideia de construção de genealogias de famílias que viveram em Moçâmedes até à data da Independência de Angola, em 1975...

FAMÍLIA GUEDES DA SILVA

Foto: o casal Manuel Guedes da Silva e Lucinda Antunes da Cunha.

Manuel Guedes da Silva
era filho de Joaquim Guedes da Silva (natural de Vila Real de Trás-os-Montes) e de Maria da Conceição Mota Guedes da Silva (natural de Peso da Régua). Do seu casamento com Lucinda
nasceram os seguintes filhos: Carlos Manuel, Mário, Fernando Humberto, Rui Alberto, Linda Maria. Manuel Guedes tinha como irmãos:

Joaquim (casado Olívia M. Nunes- Pachanita), de cuja união nasceram os seguintes filhos: Rui, Isabel Maria, Maria de Lourdes, Eduarda.
Maria da Conceição/Micas (casada com João Duarte, proprietário de uma pescaria na Praia Amélia), de cuja união nasceram os seguintes filhos: Norberto, João Carlos (Ginho), Joaquim, (Quim), Armando (Mandinho), José (Zézinho), Zita Lourdes, Helder, Mário Alexandrino, Maria Margarida (Guida), e Eduardo (Eduardinho).
João (casado com Maria João Ilha), de cuja união nasceram os seguintes filhos: Maria da Conceição (Micas), João António, Joaquim (Quim) e Carlos (Carlitos), Claudia Maria, Borberto (Beto).
António ( casado com Júlia Celeste Gomes) , de cuja união nasceram os seguintes filhos: Mário António e Maria Orbela.
Armando (casado do Otília Bagarrão). Não tiveram filhos.
Carlos (casado com Fernanda Almeida (Lila) , de cuja união nasceram os seguintes filhos: Carla, Fátima (Fatinha) Eduarda (Dadinha)
Isaura (nunca casou)
Felisbela (casada com António Cunha Velho, da Polícia de Segurança Pública), de cuja união nasceram duas filhas, Felisbela (Linda) e Maria do Carmo (Beleza).
Delfina (casada com João Lisboa) e tiveram os seguintes filhos: Carlos Manuel Guedes Lisboa (Lolita) e Ricardina da Conceição Guedes Lisboa (Ninita).


Grupo de moçamedenses














Deste grupo de jovens da «velha guarda», uma geração de moçamedenses que anda hoje à volta dos 75/80 anos de idade, reconheço, entre outros, da esq. para a dt. :
?, ?, Adriano Nascimento, Heitor Casinhas de Moura, Carlitos Oliveira, Adriano Parreira , Mário Bagarrão, Mário Tendinha, Alfredo Esteves, Caála, Artur Pinho Gomes, e Amadeu Pereira.
Esta foi uma geração interessantíssima de jovens irrequietos e cheios de iniciativa que surgiu em Moçâmedes na plenitude da sua força anímica em finais da década de 40, início da década de 50. Creio mesmo que a maioria eram filhos da terra.

Memórias de um caçador em África (Deserto do Namibe) -Victor Cabral

Victor Cabral

(Caçador-guia e promotor de safaris de caça)

Pelo interesse que estes textos representam para quem noutros tempos viveu/vive em Moçâmedes/Namibe, tomei a liberdade de colocar neste blog alguns dos reralhos das memórias de Victor Cabral:


RETALHOS DAS MINHAS MEMÓRIAS 12

Ao deixar o deserto Pit e eu nos fomos direitos a Sá da Bandeira, onde passámos o dia e a noite para sairmos demanhâ às seis da manhâ num aviâo que nos levaria às terras do fim do mundo.
Ás seis em ponto estávamos preparados para descolar, em direcçâo à cidade de Serpa Pinto, onde teríamos que aterrar e encher outra vez os tanques de gasolina, para continuar viagem até ao acampamento e para que o piloto pudésse regressar.
Era um aviâo Cessna, e a distância que íamos percorrer era mais ou menos de 1100 kilómetros. Demoraríamos quase 5 horas para chegar ao destino, mas valia mais isso que aguentar a viagem por terra que quase sempre demorava 30 ou mais horas.

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Quando durante o ano tivemos que fazer essa viagem, sempre conduzíamos duas pessoas por um período de duas horas cada um e assim chegávamos menos cansados. Enchemos os tanques e fomos até ao hotel Srpa Pinto para almoçar e depois de conversarmos com uns amigos que viviam naquela cidade, voltamos a subir-nos ao aviâo para dirir-nos ao acampamento, ao qual calculámos chegaríamos em duas horas e meia.
Chegámos ao acampamento conforme estava previsto. Meia hora antes de chegarmos, falámos por rádio e Noel veio buscar-nos ao campo de aviaçâo.
Carregado a bagagem e as armas de Pit no jeep, dirigimo-nos ao batelâo para passar para o "nosso" lado.
Como sempre os rapazes militares que estavam no aquartelamento foram ajudar-nos com o cabo do batelâo.
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Nesta foto está Pepe Godoy, um cliente espanhol que estava já caçando no nosso acampamento havia quase três semanas eu e vê-se um pouco de Mucungo um dos pisteiros camechequeres ou bushman).
Chegámos ao acampamento com bom tempo para dar-nos um banho quente, e jantar para que na manhâ seguinte retomássemos a continuaçâo do nosso safari, interrompido por dois dias de viagens. Começaríamos no acampaento do Sacaxai, para depois mudar-nos para o acampamento do Dirico, onde aí terminaríamos o safari.
Como isto sâo somente Retalhos das minhas memmórias falarei de alguns dos trofeus dos muitos que Pit adquiriu, neste safári que tiveram exito na apresentaçâo deles na Convençâo do Safari Club International.
Uma manhâ íamos devagar porque estava um frio que cortava, pois nâo sei se sabem mas o Sul de Angola nos meses de Julho e Agosto, sâo os lugares mais frios que existem em África. Ao deixarem um balde de água fora exposto ao frio da noite, havia noites que se transformava num bloco de gelo. Por isso andavamos sempre bem agasalhados até mais ou menos às 9 da manhâ; no Toyota levávamos um saco de lona para começar a meter as camisolas e os anoraks e casacos de pele, que tínhamos que usar demanhâ quando saíamos a caçar e, para as noites, quando regressávamos aos acampamentos.

Pois como dizia, íamos devagar e vimos entre a floresta aberta que íamos atravessando uma boa manada de Pala-Palas ou Palancas Pretas. Parámos o carro e caminhámos um pouco com o vento a nosso favor para ver se conseguíamos ver um macho que vaesse a pena como trofeu. Eu com os binóculos procurei entre mais de 30 animais e do outro lado da manada aí estava um macho imponente. Parecia "quase" uma Palanca Gigante, mais pequena, claro. Disse-lhe a Pit que nâo tirásse os olhos dela e que o seguisse com a lente da sua 270. Pit estava com a mâo apoiada numa pequena árvore vendo pelo óculo da espingarda. As Palancas estavam bastante tranquilas e iam caminhando devagar. Ouve um momneto que o macho parou e Pit nâo perdeu tempo. Um tiro e ouvi o "ploff" que soa como um tambor surdo, quando o animal é atingido. Vi a Palanca correr com uma grande velocidade e desaparecer no meio da floresta aberta.

Caminhámos pelas marcas das pegadas dos animais com Fombe e Mucungo adeante. Caminhámos 30 metros e Fombe fez aquele ruido típico com a lingua que fazem os caçadores que soa como um beijo seco e disse em sena: "chiropa", sim aí estava o sangue que ia soltando a Pala Pala, cada vez era mais. Era um sangue côr de rosa com borbulhas, tinha dado um tiro nos pulmôes. Caminhamos uns 5o metros mais lá estava a Palanca Negra no châo exalando o seu último suspiro.
Aproximámo-nos ao animal por trás e Oh surpresa era uma animal fantástico, mediu quase 46 Polegadas, faltava-lhe 1/4 para chegar às 46" era o que nós chamávamos "um monstro".

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Este Pit sim tinha sorte. Cada animal que caçava era o que nós na giria dos caçadores chamávamos "record class" Durante alguns dias continuámos o nosso safari, tentanto conseguir os melhores trofeus possíveis.
Todas as noites do meu quarto eu falava com os outros acampamento e especialmente com Sá da Bandeira, para ver como "iam as coisas" com a "transiçâo e entrega do território aos novos angolanos". Tinha estado a falar com o comandante do destacamento que estava do outro lado do rio e ele disse-me que em poucas semanas abandonariam o lugar para dirigir-se a Serpa Pinto e serem embarcados para Luanda de regresso a Portugal. Isso sim deu-me muito medo, e uma incerteza no meu futuro, que algumas vezes apesar do cansaço, nâo me deixava dormir.
Tínhamos que cumprir com os compromissos adquiridos com os nosso clientes e agentes. Somente pedia a Deus que me deixasse terminar esses safaris que tínhamos contratados, para no ano seguinte decidir o que faríamos com a nossa vida.

Continuarei..

Victor "Hunter"
...............................

RETALHOS DAS MINHAS MEMÓRIAS 11

Creio que todos os caçadores guias tiveram como eu, clientes que repetiram safaris ano atrás ano; alguns seguidos outros de dois em dois ano, e alguns que repetiram duas ou três vezes.

Eu tive a sorte de ter varios, especialmente de Espanha, varios casais que todos os anos as suas férias de Julho ou Agosto era para passar em África caçando e gozando das nossas praias e comidas. Era o caso dos bons amigos catalans Rosa e Federico Segura, Carmen e Amadeo Torrens, Maria e Enrique Jofre, Pilar e Jaime Mercader, estes da área de Barcelona e com quem até hoje mantenho contacto telefónico. Havia dois de Madrid, que infelizmente já nâo estâo conosco, que era o Arq. Fernando Moreno Barberá, e o meu quase irmâo Carlos Arrate Mendizabal.

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Carlos e eu éramos uns amigos incondicionais, degraçadamente um cancro de pulmâo matou-o, quando ele fez 49 anos.

Depois desta foto, nesse ano, Carlos foi operado e tiraram-lhe um pulmâo, acabando por morrer três anos depois. Eu estive ao seu lado, porque ele foi para mim o irmâo que nunca tive.

Havia em Sevilha o meu grande amigo Javier Mencos, Marquês de las Navas de Navarra, que mais tarde veio a ser meu tio político, pois casei com uma sobrinha sua. Esse repetia todos os anos, e até deixava parte da sua equipagem de caçador em minha casa para nâo ter que andar a carregar as coisas ano com ano.

Depois um grande amigo americano, Pit Sanders, que ia aonde eu estivesse e, fazia um safari cada dois anos, tambem Robert Eastman, nos seguia a todos os lados de África onde caçasse-mos. Houve muitos e se tivesse que mencionar a todos teria que escrever toda uma pagina para isso.

Pois aqui vou falar de Pit Sanders intercalando alguma das velhas fotos que ainda conservo. Com Pit fomos à Espinheira uns dias, logo que ele desembarcou em Sá da Bandeira. Eu tinha estado convidado na sua casa de Massillon, Ohio, e ele conserva até hoje os trofeus que o seu pai caçou e, aí vai juntando os adquiridos por ele. Sabia que ele queria um bom kudo do deserto, um klipspriger, aquele animalzinho que anda nas pedras, e uma impala de cara preta, mas infelizmente nâo se poude, porque tinham prohibido a caça a esse animal em Angola.No primeiro dia, caçamos uns springbucks para a cozinha e para deixar posto uma isca para o Hernani Espinha, que nuns dias viria com um cliente a caçar uma semana à Espìnheira.

Saímos uma manhà e fomos em direcçâo à serra que se via ao longe e para o lado do Rio Curoca, quando menos esperávamos o guia que sempre levava o do burro que encontrei nas dunas mostrou-me um bonito klipspringer, no alto de umas rochas, olhando para nós.

Sentía-se seguro na altura que estava. Para Pit era um tiro de precisâo, e eu como o conhecia, disse-lhe aí está o teu Klipspringer, queres tentar um tiro daqui? Sào mais de 250 metros, talvez 300. Pit Baixou-se do Toyota, e apoiando-se nas barras do rollover apontou a sua 270 Remington Magnum e vio espremer muito devagar a mâo e o dedo ao mesmo tempo e tiro que saiu e klipspringer morto. Ficou no alto da rocha. Foi necessário mandar os ajudantes subir até lá, o que demorou mais de meia hora, para poderem trazer-nos o trofeu.

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Era um record, pelo qual Pit no ano seguinte recebeu uma medalha do Safari Club International.

Buscámos e encontrámos vários kudos, mas nenhum que víamos era o que eu chamo interessante para a qualidade de caçador que é Pit. Saíamos muito cedo, antes do nascer do sol para ver se encontrávamos o grande, que buscávamos. Um dia chegámos quase à estrada que vai de Moçâmedes para Sá da Bandeira, lugar onde havia uma grande quinta que se dedicava a criar os borregos “caracul” que mais tarde ao fazerem os casacos para as senhoras, perdem o nome para chamarem-lhe “astracan”, os tais borregos que matam logo que nasce, e que chamam tambem “non-natos”.

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Demos a volta para regressar ao acampamento, e derrepente no meio de umas espinheiras, a uns 4 ou 5 kilómetros da quinta, vimos aquele kudo, estático, no meio de umas espinheiras, que se nâo fosse pelos olhos treinados que temos de tantos anos andar nisto, passaria despercebido. Mostrei-o a Pit e evidentemente um tiro e Kudo morto. Este Pit raramente falhava um tiro. Era dos bons.

O que tínhamos vindo fazer ao deserto, estava terminado, agora era tempo para regressar a Sá da Bandeira para que em dois dias voássemos às “terras do fim do mundo”, para continuar o nosso safari.

Victor “Hunter”

Nota: Estas fotos têm muitos anos e estâo em albuns velhos. A qualidade da fotografia nâo é boa, mas é o melhor que posso fazer.

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RETALHOS DAS MINHAS MEMÓRIAS 10

Tinhamos ficado na nossa viagem até ao Acampamento da Espinheira.Neste acampamento, dependia do mês, os Orixes ou Gemsbucks, podiam estar perto das dunas do Rio Curoca, onde nos abastecíamos de água, ou simplesmente metidos nos vales, que eram umas pequenas ondulaçôes no terreno onde havia uma
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grande quantidade de "pepinos do deserto", que eram alguns dos frutos com que eles se alimentavam, e tambem dos "melôes do deserto", que em alguns lugagres havia quantidades imensas,

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aparte de ramas de espinheiras e de alguns cactus. Provei os melôes do deserto e tinham um sabor horrível, mas muito sugosos, que lhe davam aos animais a água que necessitavam para o seu organismo.

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Se havia pepinos e melôes, os Orixes geralmente nâo andavam muito longe. Perguntarâo como é que um caçador que veio de Moçambique, onde nâo havia esses desertos, sabia dessas coisas e se movia pelo deserto como se fora o seu ambiente de toda a vida?

Pois bem, aí vai a história o mais curta que a possa contar.

Andava eu com o meu pessoal Sena de Moçambique, a "apanhar bonés", porque via springbucks a montôes, via pégadas de leopardos, avestruzes etc, mas de Orixes nada, até que um dia que andava perto das dunas, vi ao longe um rapaz que vinha baixando uma dessas dunas montado num burro. Primeiro perguntei-lhe para onde ia e que fazia por aquele lugar. Ao dizer-me que era da raça Curoca e que vinha de Porto Alexandre, e que ia para sua casa perto do rio onde tinha o seu gado, eu pensei: -este tipo tem que conhecer estas paragens bem para vir através das dunas- A seguinte pergunta, como nâo podia deixar de ser era, se tinha visto alguns Orixes? A resposta pronta do ràpaz foi: Senhor os Orixes neste tempo nunca andam aqui. Agora andam nas dunas do outro lado do rio e nas pedras do Curoca,

Sorte a minha, (sorte de caçador), este homem tinha sido o guia de um dos mais antigos caçadores que havia em Moçâmedes o Tendinha. Claro que foi imediatamente contratado, e o Fombe instruido para que lhe "sacasse" os "segredos" de caça que ele pudésse ter. A partir daquele dia nunca cliente algum se foi sem levar o seu Orix. Nesse lugar, mal chegávamos ao acampamento com algum cliente, a primeira coisa que fazíamos era matar um springbuck ou cabra de leque e por iscas para leopardo, porque nesse lugar havia-os por todos os lados. Talvez quem saiba um pouco de caça, pergunte: "Porquê tanto leopardo e no deserto?" Simples: aí há montanhas cde pedras que parecem que foram postas umas sobre as outras, com alturas que eu calculei com mais de 400 metros ou mais, nâo falando nas montanhas que nesse lugar eram imensas onde nunca fomos. Estes montes de pedras estâo povoados por milhares de "ratos das pedras" ou os Rock Hyrax (Procavia capensis), que dizem que é o ser vivo mais parecido ao elefante (?). Alimentam-se de tudo o que encontram: folhas, ervas, lagartixas, insectos, frutos e raramente bebem água. Pois ao haver tantos destes animais, os leopardos que por natureza sâo preguiçosos, como todos os gatos, tinham aí a mesa servida. Comiam três ou quatro destes animaizinhos, e nâo tinham que andar a cansar-se a correr atrás de alguma cabra de leque.

Ah! Mas quando lhe punhamos bem uma isca, entravam logo na primeira noite. A mim com um bom amigo de Barcelona que levei várias vezes de safari, o Sr. Amadeo Torrens, encontrámos dois a lutar pela isca que tínhamos posto. Como tanto ele como a sua esposa Carmen tinham licença, abateu os dois um atrás de outro.Esse safari que era composto por um grupo de casais catalans, ou catalanes, levei tambem uma noite ao meu bom a migo Federico Segura e a Rosa sua esposa, e abateram dois fantásticos leopardos.

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Até o Rei de Espanha, D. Juan Carlos, há muitos anos abateu com um tiro pèrfeito ao belo leopardo naquele lugar.

Como dizia havia-os por todos os lados. Igual que nas "terras do fim do mundo", o Mucusso.

Lembro-me que uma noite em que estávamos no acampamento do Chipuizi (Mucusso) e a esposa do Amilcar Jorge, apeteceu-lhe ir ao banho de noite, agarrou a lanterna e saiu da tenda, pois naquele tempo ainda nâo tínhamos o acampamento fixo, e a minha pobre amiga, deu um grito de arrepiar, porque viu um leopardo sentado a olhar para ela dentro do acampamento.

Pobre leopardo , deve ter-se assustado tanto, que somente deve ter parado a muitas milhas de distancia.

O susto foi para nós porque pensámos que alguma coisa lhe tinha sucedido.

Continuaremos

Victor "Hunter"
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RETALHOS DAS MINHAS MEMÓRIAS 9

Vou-lhes contar um safari como fazíamos em Angola.
Com esta descripçâo, ficarâo mais o menos com uma ideia como eram os safaris nessa ex-colonia portuguesa.
Faziamos safaris pequenos de 8 a 10 dias somente no deserto.
Depois vinham os safaris no Mucusso (terras do fim do mundo) que eram quase sempre de 21 dias, que era os que habitualmente fazíamos.
E finalmente o safari que eu chamava mixto que eram três semanas no Mucusso e uma semana no deserto.
Quando o cliente queria estar 10 dias a caçar no deserto, o que fazíamos era levá-lo primeiro ao que se chama propriamente deserto, onde a vegetaçâo é quase nula; alguma espinheira e alguns cactus, e de onde em onde uma das plantas mais raras do mundo as Velvichias mirabalis .

Depois de caçar nesse lugar os animais do deserto, ou sejam os Orixes, leopardos, springbucks, uma que outra zebra de montanha, seguíamos para outro acampamento que era o Chingo, onde aí dávamos caça às Impalas de cara preta, aos grandes Elands aos kudos que aí eram enormes, pois havia uma vegetaçâo já bastante densa, ainda que fora uma área semidesertica.
O deserto do Namibe é a continuaçâo do Deserto da Namibia, (nâo confundir um com o outro). Aí se encontram as maiores dunas do mundo, apresentadas centenas de vezes por a National Geographic, pelo Discovery e muitos mais documentários, apresentadas tambem em revistas e em muitas paginas da web.

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Sâo as únicas dunas no mundo que têm aqule cor vermelha alaranjada, pois a concentraçâo tâo grande de óxico de ferro, ao dar-lhe a luz, da-lhe imensas tonalidades dos vermelhos.
Aqui nesta regiâo há três grandes tribus. Os Mukubais, que nâo sâo mais que uma derivaçâo da maior tribú que é a Himba e que vive na fronteira da Angola e da Namibia, e os que se chamam Curocas, que sâo tambem uma rama dos Mukubais.
Ainda que todos venham da mesma raiz, e todos sejam criadores de gado, os do "nosso" lado sâo mais "civilizados", o que é uma pena porque "quase" acabaram com as tradiçôes tâo bonitas e, as mais puras que têm os Himbas, que é uma das raças que eu mais admiro.

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Note-se: a primeira mulher mukubal, veste-se com panos, e geralmente quando vê alguem tapa-se, mostrando a "vergonha" que le inculcaram, primeiro os missioneiros, e depois nós os portugueses.

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A mulher Himba que se vê na foto está muito orgulhosa da sua vestimenta de pele, toda "embadurnada" com uma argilha ocre misturada com mateiga de vaca.
Tèm uma pele que poderia dar inveja às modelos e artistas mais cotizadas, pois sente-se como veludo. Palavra de honra, que eu senti isso-jejejeje.
Sabem ser coquetas a sua forma e vivem num matriarcado.
Quase sempre saíamos de Sá da Bandeira, demanhâ bastante cedo, para poder chegar antes que o calor apertasse muito.
Ao Sair de Sá da Bandeira, começavamos a subir a Serra da Leba até à sua maior altitude, para depois começarmos a baixar do planalto para a zona árida num declive de 1.800 metros, por uma estrada tortuosa, que foi um dos grandes logros da engenharia portuguesa.

Depois de baixar a uns 20 kilómetros da base da Serra, encontrávmos uma picada de terra batida que nos levava ao acampamento da Espinheira.


(Continuarei com as minhas memorias até que digam que pare)

Victor "Hunter"
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RETALHOS DAS MINHAS MEMÓRIAS 4

Os nossos clientes que chegavam dos Estados Unidos, ao começarem a sua viagem na America, tinham que sofrer uma boa dose de tempo dentro dos aviôes. Primeiro do lugar donde vinham a Nova York, depois a Londres voando pela South Africa Airways, ou a Lisboa, para enlaçarem com qualquer vôo da TAP que fosse até Luanda. Chegar a Luanda e apanhar outro aviâo da DTA até Sá da Bandeira. Eram horas a fio para chegar até a essa cidade onde tínhamos a nossa base de operaçôes.
O Grande Hotel da Huila, era o melhor hotel da cidade e, onde os alojávamos geralmente durante um dia completo para fazê-los descansar e adaptar ao clima, depois de tâo longos vôos para poder chegar até a nós.
Tentávamos dar-lhes um tour pela cidade, que era uma cidade pequena, situada num planalto; Leválos de compras, aos mercados indígenas, onde podian adequirir madeira talhada, coisas de barro feitas pelos índigenas locais, e um sem número de artefactos.
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(na foto, uma boa amiga Mary Hoffman de Texas, comprando coisas para levar para os USA).
Sempre levávamos os clientes ao Miradoiro, donde se podia ver a muitos kilómetros de distância, e adivinhar o deserto do Namibe, numa diferença de altitude de 1.800 metros.
Havia um lugar em especial que se chamava a Tunda Vala, que era de uma beleza agreste impresionante.
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Lá ao longe na parte desertica do Namibe, tínhamos uma acampamento, que era a Espinheira, (foto Espinheira), onde alguns dos nossos clientes iriam durante uma semana a caçar os animais típicos do deserto que eram os Grandes Kudos, os Orixes, havia uma quantidade enorme de Leopardos, as Cabras de Leque ou Springbucks, as Zebras de Montaña e tambem as famosas Impalas de Cara Preta; havia uns Elands de impresionante tamanho, na parte mais encostada à serra, mas o que verdadeiramente atraia os clientes, era o rei das caçadas do deserto, os Orixes, que durante os meses de seca, deambulavam nas margens do Rio Curoca que fazia fronteira com o Parque Nacional do Iona.
O primeiro acampamento que tivemos nesse lugar, era o acampamento da GRUTA. Era uma gruta formada por uns monolitos de impresionante tamanho dentro dos quais, com um pouco de habilidade se construiu uma sala de jantar, com um bar, um quarto e, depois fora, umas casitas para alojar os clientes com toda a comodidade.
Como lhes disse atrás nâo foi facil, planear e executar todas estas operaçôes, mas quando um tem 30 anos e vontade de fazer as coisas tudo era possível, e por cima nos saía tudo bem. Ah! os fantásticos 30 anos, cheios de força e de uma vitalidade tâo impresionante, que nos creíamos indestructíveis, e pensávamos que nâo havia nada que nâo pudéssemos fazer
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Para baixar do planalto da Huila, até à parte desertica , já pertencente ao Distrito de Moçamedes (hoje Namibe) tíhamos que passar pela Serra da Leba, que até hoje é uma das estradas mais impressionantes que eu vi e digna de estar em qualquer compêndio de engenharia.

Victor "Hunter"
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Textos completos in «MEMÓRIAS DE VICABRAL»