05 Novembro 2011

O passeio domingueiro às "Hortas" em Moçâmedes (actual Namibe). A "Horta" do Torres



 
 Moçâmedes no início do século XX. Foto da família Antunes da Cunha por via de Lay Silva (Sanzalangola)


A "ida às Hortas" começou na Europa, como um hábito burguês cultivado nos finais do século XIX, que, com o decorrer do tempo se foi democratizando, e que, como tantos outros, penetrou em Portugal e foi transladado para África através dos colonos que iam chegando. Imaginemos as primeiras famílias que o cultivaram entre nós, deslocando-se em carroças puxadas por manadas de bois, munidas dos seus «comes-e-bebes» destinados aos piqueniques... Eis uma foto tirada no início do século XX, alí bem juntinho à então Avenida da República, em Moçâmedes,
que nos sugere isso mesmo. A preparação para uma ida às Hortas!
Não sou deste tempo, mas recordo-me bem dos anos 1950, em que estes piqueniques aconteciam no Verão, aos domingos, uma vez que naquele tempo o dia de sábado era dia de trabalho, pelo menos da parte da manhã. A minha preferida era a horta do Torres, na margem esquerda do rio Bero, antes da passagem da ponte sobre o rio Bero que um  registo jornalístico efectuado por ocasião da visita a Moçâmedes, em 1938, do Presidente Carmona, tão fielmente a descreve:

«Os terrenos, como todos os do vale daquele rio, são férteis, mas ali encontra-se a inteligência e  mão do homem a orientar e  trabalhar. A visita deixa uma magnifica impressão, pois ali mostram-se em interessante companhia as árvores de frutos tropicais e as que se dão na metrópole. Os talhões de cultura, de alinhamento impecável estão todos aproveitados. A água, que um grande engenho a vapor tira do sub-solo corre, abundante, pelas valas. As ruas, limitadas por filas de árvores de alto porte, são enormes, rectilíneas, circulando à vontade, por entre elas, os automóveis. O jardim, bem tratado, com lindas flores; as dependências, os estábulos de gado de raça, tudo, enfim, que constitui os elementos de uma fazenda agrícola, ali se encontra bem delineado, bem tratado, numa amplitude e num conjunto que prende e encanta.»  Boletim da agência geral das colónias : vol xiv : nº 162

Mas havia outras "Hortas" nas margens direita e esquerda do Bero, também agradáveis de se visitar, como as do Venâncio Guimarães (Benfica e Boavista, esta no Quipola), a do Costa Santos (Macala), a do Vaz Pereira (um pouco antes do Quipola), a do Martins Pereira (na margem direita do rio), etc.  As "Hortas" situadas na margem esquerda do Bero tinham a vantagem de facilitar os transportes, sobretudo em épocas  de cheias, antes da construção da ponte, devido às enxurradas que por vezes aconteciam, vindas do planalto que tornavam problemático atravessar rio.  (1).

 
           "Camioneta", era assim que entre nós era conhecido este tipo de veículo automóvel, de caixa aberta, destinado a transporte de mercadorias, mas que nestas ocasiões servia para transportar pessoas...

Quanto aos meios de transporte utilizados, se de início as pessoas eram transportadas para as "Hortas" em carroças puxadas por bois, lá para finais dos anos 1940, quando os veículos automóveis em Moçâmedes já eram uma realidade, mas ainda não abundavam,  juntavam-se grupos de familiares e amigos, quotizavam-se, e faziam-se transportar em «camionetas» de aluguer (foto acima).  Acontecia porém, que o trajecto para as Hortas era por vezes problemático. A estrada não era asfaltada, e muito pó se "comia" pelo caminho, sobretudo aqueles que viajavam na parte de trás das carrinhas de caixa aberta e nas camionetas.

 

A ida às"Hortas" constituiu-se, pois, num verdadeiro culto  que perdurou forte entre nós, pelo menos até finais dos anos 1950, altura em que começou a declinar, com a afirmação do modelo nuclear de família, mais autónoma e mais individualista, restringida praticamente ao pai, à mãe e a não mais que dois ou três filhos,  que já nada tinha a ver com a família extensa dos tempos que ficaram para trás, onde era grande o número de filhos e onde coexistiam 3 gerações, chegando a juntar-se à volta de uma  mesma mesa, em amena confraternização, avós, pais, filhos, netos, bisnetos, e até tios, primos, sobrinhos, compadres e amigos... Contribuiram também para o recuo dessas grandes reuniões de familiares que animaram os velhos tempos,  as novas e diversificadas formas de lazer e de  entretenimento que foram penetrando entre nós, e vieram  alterar  usos e costumes antigos como a "ida às Hortas", que em breve não passariam de gratas recordações em velhos albús e retratos de família.  

Sobre as novas formas de lazer, estou a lembrar-me dessa famosa década de 1950 em que num repente a pacata cidade de Moçâmedes (que desde há uns anos tinha passado a dispôr do seu Rádio Clube e do seu Cine Teatro), passou a contar com um grande número de pessoas,  homens e mulheres, jovens e adultos,  intensamente envolvidos em eventos sociais de toda a ordem: programas radiofónicos de variedades organizados pelo mesmo RCM;  "Programas da Simpatia" (o grande sucesso de Carlos Moutinho) que cativaram gente de todas as idades; passeios na Avenida, transformada numa espécie de "picadeiro",  após as sessões da tarde (matinées) no Cine Moçâmedes, onde altifalantes pendurados em frondosas árvores transmitiam para quem quizesse ouvir (e curiosos não faltavam), música a pedido,  entrevistas ocasionais, concursos infantis, etc, etc., tendo como epicentro o velho Coreto, onde de quando em quando bandas de música iam tocar... A década de 1950 foi também a década dos bailes e das matinées dançantes  aos fins de semana no Atlético e do Casino, e, no campo desportivo foi aquela em que se assistiu a uma autêntica  explosão de novas modalidades, com especial ênfase para o hóquei em patins e para o basquetebol feminino, com toda a juventude a participar, e gente de todas as idades e de ambos os sexos a acorrer aos campos de jogos para aplaudir os clubes e os atletas da sua preferência.  Outras modalidades se incrementaram a partir de então, como a vela (Sharps e Snypes), a pesca desportiva, a caça submarina, os automóveis e os rallyes, para não citar a partir dos anos 1960 a inauguração das animadas e deveras atractivas "Festas do Mar".  Dir-se-ia que o Verão de Moçâmedes em menos de uma década tornara-se curto para comportar tanta opção ao alcançe de uma pequena população  como era a daquele tempo. 

E foi assim que o passeio domingueiro às Hortas foi ficando para trás...Mas voltemos ao assunto que nos trás aqui.
 

Um «passeio às Hortas» era sempre motivo de grande um prazer e de muita alegria. Passeava-se, dançava-se, conversava-se, namorava-se, cantava-se, tocavam-se vários instrumentos (guitarra, bandolim e acordeão (se houvesse no grupo alguém vocacionado para tal), jogava-se às cartas, descansava-se e até se dormia a sesta (os homens mais velhos...), tudo isto à sombra de grandes àrvores carregadas de saborosas mangas, goiabas, uvas e de outros saborosos frutos de que o solo do Namibe era pródigo em oferecer.



Euzinha, quando tinha 11 anos e a minha tia Lídia Rosa de Sousa Alcario na Horta do Torres.



Grupo de amigas/os e familiares em dia de "passeio às Hortas". Da esq. para a dt., em cima: Maria Etelvina Ferreira, Fraciana Martins Nunes, Olimpia Aquino, Zete Veiga, Lizete Ferreira.Embaixo: Raquel Nunes, Violete Velhinho e Alberto Miranda. Foto cedida por Maria Etelvina Ferreira de Almeida

  António Gonçalves de Matos (Sopapo) e Maria do Carmo Paulo Matos (Carminha), junto de Maria da Purificação Vicente (Jiji) . À dt. Manuela Seixal (Nélita).
Embaixo: Alberto Miranda e Maria Lizete Ferreira. 1955. 
Nas escadas que davam acesso ao chalé da Horta do Torres, de cima para baixo: Euzinha, Maria Eduarda aos Santos Vicente, Maria Claudete Ilha Bagarrão (Dete) e Maria Elizabete Ilha Bagarrão (Betinha). 1954.


A hora da refeição representava um momento essencial porque reunia toda a família e amigos em volta da longa mesa onde eram estendidas várias toalhas e onde cada família colocava o seu «farnel», cada um melhor que o outro, onde nada faltava: croquetes, rissóis, bifinhos panados, pastéis de massa tenra, frangos corados, sandwiches variadas, queijo, fiambre, paio, bolos, pudins, queques, grades de refrigerantes da fábrica do Pereira Simões (gasosas), e mais adiante no tempo, as deliciosas carbo-cidrais e as coca-pinhas, para além das cerveja, vinhos, etc. Um nunca mais acabar de pequenas gulodices que faziam as delícias da garotada. Sem dúvida as mães de família da minha terra eram senhoras muito prendadas, eram elas que,  mesmo nas classes de menor poder aquisitivo, sabiam fazer de tudo um pouco, com organização e método, e faziam o dinheiro esticar como boas gestoras que eram do orçamento familiar. Estou a falar desse tempo em que as nossas mães eram donas de casa, inteiramente dedicadas à familia e ao lar.


Quanto à confecção das refeições,  por vezes estas eram levadas de casa já preparadas, outras vezes as famílias levavam consigo um pequeno fogão alimentado a petróleo e os ingredientes necessários, e era alí mesmo, a um cantinho, que se cozinhava algo delicioso que podia bem ser uma caldeirada de peixe fresquinho acabado de pescar do rico mar de Moçâmedes, ou uma outra de cabrito, encomendado de véspera para tal, num dos talhos da cidade, fornecidos por criadores do distrito. Terminada a boa e bem "regada" almoçarada, enquanto as mulheres mais velhas do grupo iam tratando da louça e da arrumação dos cestos, sem pararem por um momento de conversar, os mais jovens e as crianças esses divertiam-se à brava, corriam, saltavam, trepavam às àrvores, colhiam frutos com os quais se deliciavam, investigavam todos os recantos das hortas com a curiosidade natural e própria de uma idade que nada deixa escapar, banhavam-se nas água do tanque, davam os restos da comida aos animais do pequeno zoo, e desfrutavam a valer daqueles momentos de verdadeira «rédea solta».


 
Mas havia pessoas que optavam, na sua ida às "Hortas", pelos piqueniques tradicionais, feitos no chão, onde estendiam uma toalha, sobre a qual depositavam os comes e bebes, as guloseimas, etc, e à roda da qual  ficavam sentadas, e alí se mantinham, conversando e divertindo-se, com pausas para pequenos passeios e caminhadas, e assim perfaziam o tempo até que chegasse a hora de regressar a casa.
 
A entrada das Hortas do Torres, vista do interior, onde podemos ver uma elegante gazela e um guelengue que por alim andava e alguns dos muitos visitantes costumeiros embevecidos com os animais. à esq. parte do chalé do proprietário. Foto Salvador

A Horta do Torres foi a que melhor conheci. É pois natural que em relação a ela possua memórias mais vivifivadas.


 
 

Moçamedenses refrescando-se e divertindo-se no tanque de água da Horta do Torres, no início dos anos 1950. De frente para trás: Mavilde, Fernando Andrade Vieira (com a bola),  Dudu Carvalho, Costinha, Calila, ?, Mário Bagarrão, Maria Augusta Esteves, Carvalho (Caparula), Orlando Salvador (junto do muro),?,?, Na parte exterior do tanque, de frente para trás: ???, Celeste Barbosa, Fernanda Pólvora Dias, Carolina Mangericão, ?, ?, e Luzete Sousa. Foto Salvador


Recordo o tanque de água da Horta do Torres, que era para os mais jovens um grande atractivo. Destinado ao represamento de água doce para rega das plantações, que era efectuada através de um sistema de valas, etc, este tanque, com a sua forma rectangular, situado ao ar livre, convidava a malta feliz e contente, a umas banhocas e a uns mergulhos, qual piscina olímpica de tratasse.

Recordo como ficava deslumbrada com a diversidade de árvores de frutos -mangueiras, videiras, goiabeiras, macieiras, bananeiras, larangeiras, tangerineiras, etc. etc. -  que lançavam para o ar o seu agradável e característico odôr. 
 
Aliás, conforme o livro Memórias de Angra do Negro- Moçâmedes, de António A. M. Cristão "O distrito de Moçâmedes possuía uma rica flora nas terras humosas das margens do Bero e do Giraul: leguminosas, figos roxos, variadas árvores de fruto, videiras, oliveiras, tamarindeiros, goiabeiras, tangerineiras, mulembas ou figueiras, etc. Era contudo nas margens do rio São Nicolau, especiamente na margem esq, que se cultivaram as melhores àrvores de fruto de todo o sul do distrito. Na margem esq., eram os mamoeiros, os diospirios, as bananeiras ,as nespera-cereja-dendém, o palmeira de óleo palma., et., etc. A razão é que na margem esq., dada a inclinação do terreno e à presença de uma lage cerca 5 km , há curso de àgua permanente e à dt. apenas por infiltração. Na margem esq., o 1º colono aí se instalou foi o bacharel em medicina J. Duarte de Almeida tendo bastado construir uma vala para apoveitamento água do rio ao longo do qual instalou comportas que forneciam água necessária ao regadio das suas culturas agrícolas. Na margem dt., foi necessário a Serafim Nunes de Figueiredo, accionista da Companhia de Moçãmedes, proprietária da fazenda, abrir uns quantos poços para obter água que entretanto desaparecia tendo que a aguardar de novo por infiltração que as águas voltassem a ter o nível estático dos poços. Também a terramargem dt. necessitava de mais qualidade de matéria orgânica e adubos químicos, e até os próprios animais diferenciavam o seu aspecto, porquanto nas margens esq. os corvos eram totalmente negros e menos brilhantes e os da dt. a plumagem era negra, luzidia e com uma gola branca no pescoço. Mesmo as rolas e piriquitos tinham aspecto diferente, côr e tamanho. Havia no distrito 8 exemplares de alfarrobeira cidade a dar fruto e decorar rua cidade entre Administração do Concelho Civil do Concelho e a Escola Portugal e também pitangueiras e tamareiras a embelezar as propriedades e os jardins. Também nas ruas, havia a jubea trazida pelos colonos de Pernambuco, a gravílea ,a acácia, o jacarandá, a ravenela ou árvore dos viajantes, a buganvília as euforbiáceas, os hibiscus e tantas outras. Havia a paleira de leque «Ravenala» (urânia-soberba), que crescem margens Cunene, Cuando e Bero, descoberta em Madagáscar no século xvi e trazida para os jardins de várias cidades mundo…"

Voltando à "Horta" do Torres, recordo  o  bonito «chalé» (que se pode ver em parte na foto acima, à dt) e que aos meus olhos de criança, na primeira vez que o vi me parecia um palácio... . Esta Horta possuia ainda um pequeno zoo com alguns animais capturados no Deserto do Namibe (gazelas, olongos, bambis, guelengues, impalas, etc.) para além de macacos, viveiros com passarinhos, etc. E creio que cheguei a ver por alí, algures nos anos 1940, um velho leão enjaulado...
 

 Uvas de Moçâmedes. Foto da Agência Geral do Ultramar

Não deixarei de aqui abrir um parentesis para recordar o quanto a região de Moçâmedes, nas margens férteis dos rios Giraúl e Bero, poderia ter sido altamente rentável em vinha e oliveira, não fosse o proteccionismo exasperado que fazia a Metrópole em relação ao Ultramar, impedido a sua exploração. É que da Metrópole vinha o vinho e o azeite para as colónias, cujo consumo representava uma boa renda da qual os interessados não estavam dispostos a abdicar. 
A entrada para a Horta do Torres fazia-se através de um grande portão de ferro, datado do século XIX, que ficava aberto durante todo dia. Passando o portão, o visitante tinha à sua frente uma extensa rua a percorrer ladeada por frondosas árvores que proporcionavam uma sombra refrescante,  meia da qual ficava uma longa mesa servida de longos bancos corridos, preparada para almoços e piqueniques destinados a um elevado número de pessoas.  
 
Reconheço nesta foto, da esq. para a dt, de pé: Lalai Jardim, Nide e Claudete Figueiredo? Sentada reconheço Júlia Castro (a 3ª à dt). Tudo gente do Atlético Clube de Moçâmedes, basquetebolistas ou adeptas do clube.


Lá para finais dos anos 50 em diante, as "Hortas" passaram a ser um lugar de atracção para grupos de jovens, rapazes e/ou raparigas, que para ali se deslocavam de bicicleta, à guisa de exercício físico ou até mesmo para fazer um pequeno piquenique.  

  
Grupo de jovens estudantes, nos finais da década de 60 divertindo-se numa tarde de domingo nas Hortas. Entre eles, reconheço, à esq. Cidália Calão (1ª à esq.) e Miguel (Miguelito, o 4º à esq.. falecido ainda jovem), irmão de Fernanda Barata (Porto Alexandre/Moçâmedes).

A década de 50 foi aquela em que o sexo feminino começou a ter alguma autonomia  e liberdade de movimentos, década em que explodiu o número de raparigas frequentando o secundário em Moçâmedes, e se em algumas vezes estes passeios eram efectuados aos fins de semana, noutras, bem podia ser qualquer intervalo mais prolongado, no horário das aulas, em dia de semana.
 
O tanque de água da Horta do Torres, que já foi aqui ao de leve referido, era para os mais jovens um grande atractivo. Destinado ao represamento de água doce para rega das plantações, que era efectuada através de um sistema de valas, etc, este tanque, com a sua forma rectangular, situado ao ar livre, convidava a malta feliz e contente, a umas banhocas e a uns mergulhos, qual piscina olímpica de tratasse. 

Não posso terminar este texto sem deixar aqui um registo muito especial aos proprietários das "Hortas do Torres" que as disponibilizavam de tal modo que tinham sempre as suas portas totalmente abertas aos visitantes, e a tal ponto que nem havia necessidade de se pedir autorização para lá entrar. E mais, no regresso a casa, geralmente levávamos connosco sacos cheios de fruta que nos era oferecida, e enquanto ali, retirávamos quanta fruta quizéssemos das árvores para comer, sem quaisquer problemas. Não me lembro de ter saboreado tão deliciosas mangas como as pequeninas (manguitos) das Hortas de Moçâmedes!
 

Ficam mais estas recordações.

MariaNJardim

(1) Em Angola como sabemos chove no Verão. Em Moçâmedes, não obstante a baixa pluviosidade (não chovia  durante os 8 meses do ano),  de quando em quando aconteciam grandes enxurradas,  que aconteciam normalmente em Fevereiro ou Março, e prejudicavam o trajecto entre a cidade e as zonas para além rio, nesse tempo em que o leito do rio Bero não estava regulado como viera a acontecer mais tarde, nem havia ainda a ponte sobre o Bero. Quando tal acontecia, os abastecimentos diários de legumes e frutas às «quitandas» da cidade eram transportados, atravessando o rio em carroças puxadas por bois, cujas rodas facilmente enterravam na lama. Também enterravam na lama os pneus dos veículos automóveis que se atreviam à travessia.  Alturas havia em que os próprios comboios que vinham de Sá da Bandeira tinham que ficar no Saco do Giraúl, e as pessoas e mercadorias tinham que ser transportadas através de barcaças ou batelões para a cidade.  Salvava a situação, a escassez de chuvas e o facto do rio só possuir água noVerão, quando chovia.Era o atraso em que, intencionalmente, por esta altura, ainda se encontrava Angola!





1 comentários:

Kalaari disse...

Gostei muito de matar saudades com esta crónica. Tanto mais, que em miuda, também as minhas visitas de sábado, às Hortas dos Torres, para visitrar minha tia Maria Eduarda Torres Carmona, quando por lá andava pois radicou-se em Cascais e tive o prazer de lhe mostrar estas fotos, que ela adorou ver.
Um abraço
Vera Lucia

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