08 dezembro 2008

Famílias de Moçâmedes:a família Duarte e a pescaria da Praia Amélia





 João Duarte entre os  filhos Armando Guedes Duarte (Mandinho), à esq., e João Carlos Guedes Duarte (Jinho), à dt. À esq, Carlos Humberto Freitas de Sousa (Beto)




João Duarte era um bem sucedido industrial e comerciante,  proprietário de uma pescaria na Praia Amélia, a 5km do centro da  cidade do Namibe,  que foi durante muito tempo o local onde as famílias de Moçâmedes se juntavam em grupinhos, aos fins de semana, no Verão, para um dia bem passado, que incluia banhos de mar, pesca à linha do cimo da ponte, ou em pequenos botes a remos (chatas), junto ao canal, e que tinha o seu ponto alto numa animada almoçarada que se prolongava pela tarde fora, e que geralmente constava de uma caldeirada de peixe acabadinho de pescar, feita mesmo alí embaixo do telheiro da pescaria, ou seja, sob um amplo barracão onde ficavam os tanques de salga do peixe.

Estes passeios, importa referir, já vinham de um tempo em que os veículos automóveis em Moçâmedes eram inexistentes, e as pessoas se deslocavam para a Praia Amélia em baleeiras de pesca, à vela, a partir das pontes que ficavam mais à mão, a da Praia das Miragens, ou a partir das várias pontes das pescarias da Torre do Tombo, carregando consigo cestos com produtos alimentares destinados à ementa, cebolas, batatas, azeite, fruta, doces, sobremesas, refrigerantes, bebidas variadas, toalhas, etc., para além do carvão para combustivel ou de um fogão a petróleo , desses que foram vedeta na época, antes do surgimento dos fogões alimentados a gás.

João Duarte era considerado um homem rico para a época. A pescaria de João Duarte  na Praia Amélia, onde toda a gente era sempre bem recebida, encontrava-se nos anos 1960 apetrechada com uma fábrica de farinhas e óleos de peixe, totalmente automatizada, instalações para salga e seca para os peixes mais nobres, 3 traineiras de bom porte, uma ponte, várias casas para o pessoal e 1 capela.  João Duarte era também proprietário de algumas vivendas ocupadas por familiares, de um conjunto de casas antigas situadas na Torre do Tombo que ocupavam quase todo um quarteirão  junto à estrada que subia para a Praia Amélia, e ainda de um prédio de 4 pisos  num gaveto entre a Rua dos Pescadores e a Rua Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro,  arrendado ao Banco de Angola.  João Duarte era considerado um homem rico, mas naquele tempo, ser rico, nada tinha a ver com as rápidas e por vezes escandalosas fortunas que se estão a criar em Angola  nos dias de hoje.  É preciso que se saiba que ser industrial de pesca em Moçâmedes no tempo de João Duarte, podia ser um bom investimento, mas envolvia também muito trabalho e grandes riscos, uma vez que se tratava de uma actividade dependente das capturas de peixe.  Para que a industria de pesca fosse rentável, cada traineira tinha que pescar  no mínimo 5 mil toneladas por ano, e quem não pescasse essa quantidade de peixe tinha prejuízo pela certa. Bastava um ano de crise para de um momento para outro tudo ir por água abaixo. Foi o que aconteceu em 1957/58, com a  crise do pescado que avassalou os mares de Moçâmedes e  abalou muitas boas empresas de pesca do distrito, levando umas à falência,  outras ao total desaparecimento, e ainda outras a desistirem do sector pesqueiro e a ficarem-se pelo comércio, pela agricultura, e  pelo imobiliário. Lembro-me que desapareceram na voragem dessa crise do sector das pescas,  a "Casal dos Herdeiros de João Maria Inácio",  a "J. Patrício Correia, Lda" ,   a "Marcelino de Sousa, Lda", e todas as pescarias da zona da Lucira, valendo aos primeiros o grande número de bens imobiliários que detinham. Desapareceram a "Angopeixe, Lda", e a "Raúl de Sousa" , na Baía das Pipas. Desapareceram a "Conserveira do Sul de Angola, Lda", a  "Portela & Guedes Lda", a "Manuel Nunes de Carvalho & Filhos, Lda , todas em Porto Alexandre. No caso particular da "Conserveira do Sul de Angola, Lda", esta entrou na posse do Banco de Angola, como credor hipotecário, sendo depois vendida ao Dr Urbulo Cunha, em sociedade com ? Ferreira, a prestações mensais de 50 contos. Outras empresas como a "Sena & Ribeiro Lda" e a "Sampaio & Irmão Lda", de Porto Alexandre, também desapareceram como tal. Em Moçâmedes, a SOS,  "Sociedade Oceânica do Sul, Lda.", fábrica de conservas do Capitão Josino da Costa, encerrou a sua actividade industrial, sendo as instalações adquiridas por Gaspar Gonçalo Madeira. Desapareceu a "Sociedade Industrial da Ponta Negra Lda", no Canjeque, sociedade da qual faziam parte António Bernardino, Virgilio Almeida e Matos,  adquirida pela "Projeque, SCRL Lda", e foram abaladas por esta  crise a "Torres & Irmão, Lda" e  a "José Carvalho & Sybleras, Lda", do Saco,  bem como a "Venâncio Guimarães, Lda" da Praia Amélia,  e a "João Martins Pereira & Filhos, Lda", da Torre do Tombo. Por arrastamento, como seria de supôr a crise afectou também o comércio,  abalou empresas como por exemplo  a "Carvalho de Oliveira & Cª. Lda". Umas conseguiram recuperar porque se dedicavam paralelamente à actividade do comércio, como a "Antunes da Cunha, Lda", em Porto Alexandre. Como a "Torres Irmão, Lda"  que  ficou-se pela Horta, e com o imobiliário.




Este é um exemplo de como não era fácil ser-se industrial de pesca naquele tempo e naquelas paragens. E  para se fazer uma ideia da complexidade do problema e da relatividade do valor do produto, nesses anos bons nem sempre a capacidade de laboração das fábricas davam resposta à quantidade das capturas, e quando o pescado excedia, era vendido às outras pescarias, a 300 escudos a tonelada.





A empresa de João Duarte, na Praia Amélia também não escapou aos efeitos dessa grande crise de pescado.  A sua pescaria  chegou mesmo a ser vendida a uma empresa sul-africana, porém a sorte esteve ao lado do proprietário, pois a operação acabou por não se concretizar porque o Governo daquele país não autorizou o investimentos no estrangeiro, tendo os compradores acabado por perderem o sinal que tinham adiantado por via de contrato de promessa de compra e venda que haviam efectuado. A empresa de João Duarte conseguiu como poucas não apenas vencer a crise, como nos anos a seguir à crise conseguiu até modernizar em termos de maquinaria as suas instalações fabris, e  partir ainda  para a construção de um prédio, na Rua dos Pescadores, que veio a ser alugado ao Banco de Angola.

Estamos a falar dos estragos acontecidos nos finais da década de 1950.  Retenha-se que o grande "boom" piscatório em Moçâmedes veio a acontecer  a partir dos anos 1960, com a inovação de todo o mecanismo ligado à indústria de pesca, designadamente com a instalação de fábricas de farinhas e óleos de peixe totalmente mecanizadas, e o uso nas traineiras de sondas para captação de peixe e aladores mecânicos para carregamento do pescado.




João Duarte possuia um quarteirão quase inteiro de casas no bairro da Torre do Tombo, em Moçâmedes. Casas de traça colonial portuguesa, de grande valor em termos de património arquitéctónico, cultural e histórico para a cidade do Namibe, que, lamentavelmente, apresentam hoje em dia um avançado estado de degradação. E quanto a cidade teria a ganhar com a  recuperação deste património que ainda hoje faz a delícia de visitantes, sobretudo os estrangeiros, que não resistem em o fotografar...


Nasci e cresci numa casa mesmo ao lado da casa onde viveu a familia João Duarte, e embora tenham passado já 50 longos anos, tenho na memória recordações nítidas deste loca, que me foi familiar, e deste conjunto habitacional, que conheci por fora e por dentro, como às minhas mãos.

Tenho bem presente os momentos de alegres brincadeiras que partilhei com alguns dos filhos desta numerosa familia, sobretudo aqueles que mais se aproximavam da minha idade, a Zita Lurdes, o Zé, o Helder...  Os outros filhos de D. Micas e de João Duarte, os mais velhos, eram o Jinho, o Norberto, o Quim, e o Mandinho, e os mais novos, a Guida, o Mário e o Eduardo. O Norberto faleceu era ainda muito novo, cheguei a conhecê-lo. O Mandinho também faleceu relativamente jovem.

Recordo as bonecas de pano com as quais a Zita brincava, sentada na escadaria da entrada do casarão familiar. Eram confeccionadas pela D. Micas, que lhes colocava longas tranças feitas de lã amarela, e as vestia com  vestidinhos de chita estampada com flores colorida. E as bonecas feitas de papel de lustro colorido que a Zita guardava religiosamente no interior de uma caixinha de lata, munidas dos respectivos vestidinhos, sainhas, meias, sapatos, chapéus, etc.  Naquele tempo  não havia à venda a variedade de brinquedos que hoje em dia apresenta o mercado, e as nossas mães jogavam mãos às suas habilidades manuais para proporcionarem este tipo de brinquedo às suas filhas; as bonecas de pano com tranças de lã...

Ainda sinto o cheiro da água de colónia que a D. Micas, ela própria fazia, colocando num frasco uma porção de perfume ao qual adiciona água, talvez para suavizar o efeito sobre a pele. Era com este líquido, cuja mistura tomava a côr branca, que perfumava os filhos caçulas, a Guida, o Mário e o Eduardo após o banho diário.

Lembro-me dos "apetitosos" odores que emanavam daquela cozinha,  onde a azáfama diária não parava, desde manhã cedo até à hora de dormir, e onde D. Micas, mulher-mãe, esposa, dona de casa, educadora de seus filhos, embora ajudada por seus empregados, não declinava suas grandes atribuições em mãos alheias.

Recordo os "jogos de esconde esconde" e outras brincadeiras mais, que nós, garotada endiabrada, fazíamos por baixo do assoalho daquela casa, construído sobre uma caixa de ar, onde um dia encontrámos um saco com moedas antigas. Essa casa que surgia aos meus olhos criança como um enorme casarão

Moçâmedes era uma terra santa em termos de segurança. Lembro-me que o meu pai deixava à porta da nossa casa a carrinha de caixa aberta que possuia, uma Ford, com a chave na ignição. E que a porta da nossa casa ficava sempre aberta, excepto à noite. E à noite fechada apenas no trinco. No Verão, as janelas da rua também ficavam abertas de par em par. Como o mundo mudou neste aspecto. Hoje em qualquer cidade proliferam gradeamentos e não faltam policiamentos.
 
Naquele tempo brincávamos no meio da rua, em frente das nossas casas. A rua era o campo onde se jogava futebol, era o trajecto que se percorria quando se brincava às escondidas, era o palco onde se representava, era  terreiro onde se jogava à macaca e aos queimados. Rapazes e raparigas. Meninos e meninas. Tanto juntos como separados. Não havia casa da vizinhança que não lhes conhecessemos os recantos. Para brincar às escondidas devassávamos as imediações, saltando  de um lado para o outro da rua, entre a casa do João Duarte e a  casa do velho Reis e da Ritinha Seixal onde sobre terraços de quartos feitos com bordão punham a secar rodelas de batata doce,  as célebres "macocas",  que faziam a delicia da garotada.  Do grupo de rapazes faziam parte o Zézinho e o Helder Duarte, o Amilcar, o Monteiro (Necas), o Juju, o Aires Domingos e o irmão Vitor,  o Lolita Lisboa (às vezes), e quando se tratava de futebol também  o Zequinha Esteves e o Travão alinhavam na brincadeira.

Brincava-se muito naquele tempo. Escola da parte da manhã, brincadeira o resto do dia. Nada a ver com escolas-prisão dos tempos de hoje. Nossas mães estavam em casa, não trabalhavam, não havia essa coisa que hoje chamam os "deveres de casa", terminadas as aulas brincava-se até à hora do jantar, mais propriamente, até à hora da chegada a casa de João Duarte, na sua limousine cinzenta, Dodge, por volta das 20 horas.  Era o limite,  a hora do descanso do "guerreiro", a nossa hora do recolhimento a casa.

Uma coisa que João Duarte não dispensava, era o "encontro dos velhotes" até à hora do jantar, no "Quiosque do Faustino". Alí encontravam-se, diariamente, ao fim da tarde, para animada cavaqueira, o velho Cabral, de fato e lacinho;  o velho Ringue, de origem boer, tradutor de profissão e ex-cultivador de tabaco (Bibala); o velho Pimentel Teixeira acabadinho de chegar na sua bicicleta, vindo da Farmácia do Sindicaro da Pesca, depois Grémio, onde trabalhava; o sempre bem disposto Virgílio Gomes (do Armazém) ou Virgilio Russo, também conhecido carinhosamente, por "Virgílio aldrabão", devido às mirabolantes anedotas (*) que sempre tinha para contar, e outros mais que a memória e o tempo não permitem recordar. E outros mais que a memória, traiçoeira, não deixa lembrar...

João Duarte foi, pois, um exemplo da vontade, persistência e determinação de mais um português do Norte, simples emigrante, que um dia resolveu partir para Angola, ali fixar-se para sempre, nessa terra onde viveu, casou, teve filhos, teve netos, labutou, gerou riqueza, proporcionou trabalho e investiu o fruto desse trabalho, sem se preocupar em amealhar para si e para os seus algures em algum Banco na Europa. Hoje tende-se em Angola a confundir "colono" e "colonialista". Pior ainda, o "colono", simples emigrante, foi elevado a "bode expiatório" de todos os males do colonialismo. A perspectiva não irá mudar enquanto imperarem preconceitos que impedem uma visão mais clara e realista da história da ex-colónia. Uma coisa foi um projecto europeu de exploração económica e dominação política que aconteceu, dirigido por homens do poder encostados a homens de dinheiro, a partir das Metrópoles, os Oligarcas, outra  coisa são os "colonos", geralmente grupos humanos constituido de gente pobre e trabalhadora, dos quais os "colonialistas" se serviram, tal como se serviram dos povos colonizados, para levarem por diante os seus intentos sobre um território afastado do seu lugar de origem. Por vezes há "colonialismo" sem haver "colonização", aí os metropolitanos não se fixam, apenas desempenham cargos de funcionalismo, sempre a pensar no regresso. Quando há "colonização", como aconteceu em Angola, a camada de metropolitanos  fixa-se com carácter permanente na terra, onde lhes nascem os filhos, e onde, como refere Luiz Chinguar,  procuram o “ultimo refúgio na velhice, edificam uma casa com jardim à frente e horta e pomar no quintal..."  Em Angola onde houve "colonização" e houve"colonialismo". Era fácil distingui-los.  As leis não eram dirigidas para favorecer os colonos mas para favorecer colonialistas que delas beneficiavam. Ou seja, eram emanadas para benefício de uma oligarquia de Lisboa colada ao poder (detentora das grandes fazendas e de inúmeros privilégios e monopólios), que vivia em um execrável absentismo mas com um total poder de decisão, e que desde sempre desprezou a vontade dos colonos. Mas foi sobre estes que infelizmente recaiu o ónus das injustiças praticadas, enquanto as mais valias económicas e financeiras deste mau proceder ficavam para os oligarcas, que nunca deram a cara. Até na independência ficaram “assobiando para o lado”, acrescenta Chinguar. Angola teria beneficiado  imenso, se em vez de "descolonização" tivesse havido um "descolonialismo"! Este,sim, acabava com o colonialismo, principal causador do atraso cultural, económico e, principalmente, social.  Depois de 1974, em Portugal, não se procura a verdade, ou melhor, as verdades. Apenas o que é politicamente correcto. Oculta-se o passado através de uma imprensa controlada e ignorante, as consagradas “verdades” definitivas e oficiais. Aconselha uma consulta a : http://psitasideo.blogspot.pt/2009/06/os-ossos-da-colonizacao-1.html.

Símbolos positivos do fim do período colonial, estas pessoas, de que João Duarte é um exemplo, as que ali ganharam e alí investiram a totalidade do seu ganho, acabaram por ser a mais prejudicadas, porque Portugal, a potência colonizadora, que teve o direito de colonizar (de acordo com o direito internacional), não cumpriu o dever de descolonizar no tempo próprio. Rumando no sentido contrário da processo histórico, sem a mínima consideração pelos naturais e pelos europeus que alí labutavam e alí investiam o resultado do seu trabalho, optou por uma guerra sem fim à vista, que não podia ter outro resultado. E na hora da verdade, o Portugal de Abril foi obrigado a debandar pura e simplesmente do território, deixando aquelas gentes entregues a uma guerra fraticida, e oferecendo aos portugueses e aos seus descendentes, ali nascidos, e a uns poucos africanos vinculados ao Estado, como descargo de consciência e  única alternativa,  uma «ponte área» montada à pressa, e sem retorno. A juntar-se a isto, o "favor" de se poder trocar 5 mil escudos angolanos, por cinco mil escudos portugueses.

Estas pessoas regressaram às suas terras com as mãos mais vazias que nunca. Os que possuiam poupanças de uma vida depositadas em Bancos do dito Ultramar, tudo perderam. Sim, porque para nada valiam. Os outros, os tais Oligarcas, os grande empresários domiciliados na Metrópole, os protegidos do sistema, aqueles que desde sempre se serviram de Angola apenas para «sacar», e investir na Europa, sem vínculo afectivo que os ligasse àquela terra, nada perderam, porque tinham o seu pecúlio a bom recato!

Esperemos ao menos que a História consiga um dia separar o trigo do joio e finalmente fazer justiça àqueles que deram a Angola o melhor de si mesmos, e ainda hoje continuam escarnecidos e vilipendiados!

As lições da vida têm sido uma grande Escola para os angolanos! Sairam os portugueses, a guerra entre os movimentos de libertação arrastou-se até 2002, e tornou-se mais feroz que nunca. Acabada a guerra, foram-se os colonialismos, foram-se as ideologias, instalou-se o discurso do neo-liberalismo. Aliás hoje em dia, um pouco por toda a parte, assistimos, impotentes, ao surgimento de um tipo de Estado que já não controla a sua própria estrutura política, desprestigiado por agentes económicos sem ética, sem respeito pelos mais elementares direitos dos outros. Ali, aqui, acolá, e por toda a parte.

Angola é um país de futuro, apregoa-se. Oxalá um dia o seu povo possa vir, também a beneficiar das suas riquezas.




Algumas fotos de familia:



Aqui podemos ver a D. Micas (Maria da Conceição Guedes Duarte), esposa de João Duarte,  e os seus 8 irmãos, alguns dos quais trabalhavam na empresa da família Duarte. São: Isaura Guedes da Silva, Joaquim Guedes da Silva, João Guedes da Silva, António Guedes da Silva, Manuel Guedes da Silva, Armando Guedes da Silva, Delfina Guedes Lisboa e Carlos Guedes da Silva. 
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Aqui podemos ver o José Guedes Duarte (Zézinho para os familiares e amigos) e Teresa Banha enquanto namorados, no Parque Infantil de Moçâmedes.  José Duarte é um dos filhos de João Duarte e D. Micas. Os miúdos são o Ricardo (Kady), a irmã, Lena Duarte, e o Fernando Duarte que Deus Tem. Ao fundo o Colégio das Doroteias. São todos filhos do casal  Maria Helena Ramos Duarte e João Carlos Guedes Duarte (Jinho), portanto netos de João Duarte. Foto de finais doa anos 1950.

Acrescentarei ainda a esta postagem algumas fotos deste ramo alargado da familia Duarte, "roubadas" ao  Ricardo (Kady), neto de João Duarte:

João Carlos Guedes Duarte (pai), Maria Helena Ramos Duarte (mãe), com alguns dos seus 7 filhos: Lopo, São e Jorge e Lena, Mário, Fernando e Ricardo/Kady.



Familiares e amogos na ponte da pescaria da Praia Amélia. Da esq para a dt: Jorge Duarte, Kady Duarte, Lelito?, Marito Saavedra, Fernando Duarte, Lenita, uma prima de Sesimbra, Marito Duarte (o caçula), Lena Duarte (de óculos) menina de Porto Alexandre de Maria Cândida (Sial). Ao fundo duas traineiras e a ponta do Canjeque. Na foto a seguir: Lopo, São, Jorge. Embaixo; Lena, Márito, Fernando e Kady Duarte.
 


Interessante é o perfil que Kady traça de seu pai, o João Carlos Guedes Duarte, conhecido Jinho, que tinha enraizado em si o «bichinho» dos aviões e das corridas de automóvel...  Ei-lo:

"O meu pai João Carlos Guedes Duarte, também conhecido em Moçâmedes por "Jinho" começou a voar em 1956 e teve licença para pilotar aviões - o popular "brevet" - em 1958. A sua madrinha de vôo foi a Celísia Calão, uma senhora lindíssima, aliás lugar comum em Moçâmedes, pessoa que tive o prazer de reencontrar em Portugal continental, pois deu-se a feliz coincidência de a Celísia vir a ser colega da minha mulher na CGD em Lisboa. Foi a Celísia que deu o banho de baptismo de "brevet" ao meu pai com o tradicional balde de água pela cabeça abaixo.

"O meu pai começou por voar em Moçâmedes, com os aviões do Aero Clube local, tendo participado com boas classificações em diversos "ralis aéreos". Mais tarde acabou por adquirir um Tiger Mouth àquele Aero Clube com o qual fez inúmeras acrobacias aéreas e outras peripécias - desde aterrar na praia a colocar o passageiro a vomitar (diga-se situação um pouco incómoda até para o piloto) porque o Tiger "4 asas" não tinha carlinga e o passageiro viajava, por norma, no lugar da frente. Lembro-me do meu pai me contar que, de vez em quando perdia ferramenta e haveres, deixados por descuido dentro do cockpit, quando se punha a fazer "loopings" e "tonneaux".

 
João Carlos Guedes Duarte com Fragoso (aviador), o irmão Armando Guedes Duarte (Mandinho) e o Chefe do Posto Matos

João Carlos Guedes Duarte junto a um Auster da FAV com Fragoso, colega piloto.


"...Quem me lê conhece bem o meu pai e sabe do que ele era capaz de fazer de um avião. Quando cheguei a Portugal (em 1976) vivi por breves meses em Vidago e aí encontrei alguns ditos "retornados" que me contaram peripécias do meu pai com o Tiger que eram desconhecidas na família. Um desses senhores contou-me que o meu pai ia buscá-lo à Baía dos Tigres só para ele ir jogar futebol a Moçâmedes ao domingo e ele (futebolista) perdia mais peso na viagem (tais eram as acrobacias) do que durante todo o jogo!!! Na Baía dos Tigres os aviões aterravam na avenida principal e recolhiam-se ao pé da igreja, onde eram amarrados tal eram as ventanias e tempestades de areia. Como se sabe, os aviões levantam sempre contra o vento e nos dias de vento forte punham-se dois cipaios de cada lado das asas a segurar as mesmas enquanto o avião não tomava aceleração para não levantar antes do tempo!!!Esse Tiger Mouth (prateado) CR-LCN foi , mais tarde destruído em acidente tido pelo meu tio Mandinho (Armando Guedes Duarte) também ele piloto - fez um "cavalo de pau" e partiu a hélice e deslocou os apoios do motor. Vou "postar" aqui as poucas fotos que tenho de Moçâmedes (são só duas) mas prometo, para futuro breve divulgar aqui alguns filmes em 8mm, ou fotos deles extraídas, onde se podem apreciar os ralis aéreos com aviões do Aero Clube de Moçâmedes de outras cidades angolanas e alguma acrobacia aérea no Tiger Mouth.» ....

O «Tiger Mouth» de João Carlos Guedes Duarte com os filhos Lopo e Jorge


"...De 1957 a 1961 e nesse tempo de "vacas gordas" o meu pai andava nas corridas de automóveis e nas "brincadeiras" com avionetas do Aero Clube de Moçâmedes e até chegou a ser proprietário de uma pequena avioneta - um Tiger Moth de "4 asas". Há cá muita gente de Angola, que se lembrarão desses áureos tempos. »

 O casal João Carlos Guedes Duarte  e Maria Helena Ramos Duarte


Alguns elementos da familia Duarte, junto da sua moradia em Porto Alexandre, no dia 10 de Janeiro de 1976, já após a independência, momentos antes de abandonarem aquela cidade




Fica aqui mais uma recordação de gentes e factos ocorridos um dia, algures na nossa terra.




MNJardim 


Fotos/fonte - Blog Kadypress: clicar AQUI.
Aero Clube de Moçâmedes AQUI

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