01 fevereiro 2008

Gente de Moçâmedes 1947




 Pescarias da Praia Amélia em Moçâmedes

Grupo de moçamedenses no decurso de um passeio às Praias Amélia e Barreiras e a outras praias no ano 1945. Da esq. para a dt., reconheço: Beatriz Almeida Frota, Antenor Carranca, Madalena Trindade Frota, Marieta Trindade Frota, Maria Lizete Ferreira, ?,Maria Etelvina Ferreira, ? e Álvaro Frota. As meninas atrás: Pitula? e Carla Almeida Frota.

Nos armazéns, ainda em construção, de uma pescaria. Da esq. para a dt.,reconheço: Carla Almeida Frota, Maria Julia Maló de Abreu (Pitula), Beatriz Almeida Frota, Madalena Trindade Frota, Maria Etelvina Ferreira, Virginia Maló, Serafim Trindade Frota, Maria Lizete Ferreira e Marieta Trindade Frota. As três pequenitas, à frente: Lina Almeida Frota, Wanda Almeida Frota e Rogélia Maló de Almeida (Gélita). Ao fundo: Angelo Nunes de Almeida, Bento, ?, e Alvaro Frota. Sentados: Wanda Almeida Frota e Serafim Trindade.

Carreira de Sousa & Irmão trasportando desportistas para o Huambo: anos 60


































































































"Entre o mar e o deserto..."

Já vou a caminho...
A viagem é bem grande
mas vale pelo carinho
do nosso PORTO ALEXANDRE!!!

Não é sonho... é realidade!!!
A viagem podem iniciar...
Transportem-se na saudade
ao lugar onde queriam estar...

Atravessando o deserto
a carreira lá vai...ainda
segue o trilho...está perto...
Já se vê o alto do PINDA.

Olha a Isaura, o ToNy...
A carreira vai parar.
Vem... Ainda há lugar
Entra...entra...senta AKI...

Antes do BURACO parámos...
A MÃO DO OCtÁVIO ali vimos
Das MIRAGENS não escapámos...
com elas até nos iludimos.

Espreguiça-e bem perto o MAR.
A CALEMA... fá-lo tão grande!!!
A carreira já vai chegar...
AKI...já é PORTO ALEXANDRE!!!

Aileda in Mazungue

Gente e Porto Alexandre (décadas de 50 e 60)








foto: Sentadas neste banco de jardim, reconheço, da esq. para a dt:
Eduarda Carvalho, Manuela Costa e América Pisoeiro
Parque Infantil de Porto Alexandre. 1955

2ª foto: Parque Infantil de Porto Alexandre

3ª foto: Grupo de «motoqueiros» alexandrenses da época.

4ª, 5ª e 6ª fotos: Grupo de jovens alexandrenses posam para a posteridade junto aos jardins e pracetas do pequeno burgo de Porto Alexandre. Porto Alexandre, actual Tombwa, poderia bem chamar-se «cidade coragem», cidade conquistada ao deserto, às dunas de areia solta e aos ventos que as faziam mover
arrasando tudo à sua passagem e dificultando a fixação. Foi a persistência, o trabalho árduo e a ajuda das inúmeras de casuarinas que ali tiveram que ser plantadas desde a sua fundação, que permitiram a fixação. Os anos passaram, o milagre deu-se, e Porto Alexandre, nesta altura, até já ostentava os seus jardins com belos caramanchões, bem como os seus tanques e repuxos de água como se pode ver aqui.

Gente de Moçâmedes (1941/42)






















O Sr. André Alves, em 1942, ladeado por Agostinho (à esq.) e Arménio, à dt.

Romagem à capelinha do Quipola em Moçâmedes (Angola)



A Capela da Senhora da Conceição do Quipola, e o recinto devidamente engalanado onde anualmente, no dia  08 de Dezembro decorriam os festejos e a procissão.  Foto Salvador. Esta foto representa uma romagem ali efectuada algures no início do século XX. Repare-se as "charretes" encostadas à parede lateral da capela. Era em charretes e em carroças de estilo boer, puxadas por manadas de bois que naquele tempo os moçamedenses se deslocavam a locais mais ou menos distantes da vila como era o sitio do Quipola.  

Quanto à data exacta em que foi construida esta Capela não temos noticia, mas encontrámos o seguinte o texto que segue e que nos diz  que a mesma se encontrava projectada, ou até mesmo já em construção, em 1884 (1), porquanto decorrera na altura, na vila, uma subscrição entre moradores para o efeito, em que a filha do então Governador Sebastião Nunes da Mata, de nome Beatriz, deu a sua contribuição para a construção da mesma:


"...Em 3 de Outubro de 1884, efectuaram-se novas provas de exame em Moçâmedes.   Além das provas do ensino primário elementar, havia uma aluna que fazia o exame de Francês, e era exactamente a filha do Governador Sebastião Nunes da Mata, de nome Beatriz da Conceição da Mata. O prémio referido, de noventa mil réis foi dividido em quatro fracções, cada uma delas atribuída a um aluno. A filha do Governador também foi premiada. O Coronel Sebastião da Mata levantou-se e pediu licença ao júri e à Câmara Municipal para oferecer a importância do prémio concedido à sua filha à Capela de Nossa Senhora da Conceição do Quipola. Declarava que esta atitude não diminuía o seu reconhecimento às pessoas relacionadas com esse prémio, nem a satisfação que tivera por a sua filha ter sido distinguida, assim como não significava desacordo com qualquer das decisões tomadas. " Fonte deste texto

Como era comum acontecer em obras de cariz religioso e popular, subscrições entre a população eram o meio de as levar por diante, não se estranhe pois que a filha do Governador Sebastião da Mata, tivesse oferecido nesse longínquo 1884,  à Capela de Nossa Senhora da Conceição do Quipola, a importância em dinheiro de um prémio que recebera. 1884 foi também o ano em que o destino da África mudou, com Conferência de Berlim, a célebre Conferência que reuniu as potências europeias interessadas na "Partilha de África". Foi também o ano da chegada à Huila, do primeiro contingente de madeirenses. Portugal praticamente nunca tinha efectivamente colonizado, o interior estava por ocupar, e apressou-se a fazê-lo mais a sério perante pressões exteriores, e porque a faixa de Angola a sul de Moçâmedes era cobiçada por alemães.
"Quipola" era o nome de um dos sobas da região de Moçâmedes, cujo sobado se encontrava estabelecido junto das margens do rio Bero, onde tinham as suas cubatas e onde cuidavam das suas lavras e do pastoreio do gado, a sua maior riqueza.  Um pouco mais distante havia o sobado do Giraúlo que, cujo soba e as suas gentes habitavam uma zona junto ao rio Giraúl, onde levavam o mesmo estilo de vida. Foram os primeiros povos africanos que os portugueses contactaram quando chegaram a Moçâmedes, em 1849, oriundos de Pernambuco, Brasil, e desde logo estabeleceram com eles um pacto de amizade e cooperação, o mesmo é dizer de "vassalagem".

Acredita-se que desde o momento em que a Capela do Quipola foi erguida começaram as peregrinações.


Esta é a foto mais antiga que possuímos de uma romagem à capela da Senhora da Conceição do Quipola, pertencente a Antunes Salvador. A ter em conta a indumentária, pensamos que seja dos anos 1920. A foto sugere tratar-se de um grupo de famílias de classe média, pelo modo como se acham apresentadas. Abro aqui um parêntesis para referir que nesse tempo de escasso comércio em Moçâmedes, existia no rés do chão do edifício da família Torres, no gaveto entre a Rua dos Pescadores e a Rua 4 de Agosto, uma loja de modas onde as "elegantes" da terra podiam fazer as suas encomendas ao "Printemps", o famoso Armazém de Paris, via Congo francês. O armazém de Moçâmedes denominava-se "Armazém Primavera". Há uma foto desse tempo.



Se no início as pessoas deslocavam-se em carroças de estilo boer, bois-cavalo, e em charretes, neste caso como a foto acima comprova, mais tarde o Caminho de Ferro de Moçâmedes, inaugurado em 1907, passou a colaborar nas festividades pondo à disposição das gentes da terra o seu comboio. Na foto: Peregrinos chegando de comboio ao Quipola. Anos 1940. Na foto abaixo encontra-se já muita gente conhecida.
Foto Salvador.



Grupo de peregrinos posando junto do comboio que os transportou ao Quipola. (1949/50).
Foto Salvador.




De entre os peregrinos destacam-se alguns alunos das escolas de Moçâmedes, filiados na Mocidade Portuguesa e familiares. (A MP era uma instituição de cariz obrigatório ao nível das escolas, mos tempos do Estado Novo). Reconheço, em 2º plano:, e da esq. para a dt. Júlia Almeida,  Alice Freiras, Ilda Nunes, Idalinda Ferreira, Maria Etelvina Ferreira, Odete Maló de Almeida (a mais alta, à dt.) e Iolanda Freitas.  E em 1º plano, entre os jovens mocitários: Soares, Carlos Ferreira ( Carlitos Miroides), Pedro Gomes e João Luis Maló de Abreu (o mais alto).

Ainda nos finais da década de 1950, esta tradição que reunia grande número de  crentes e de não crentes, mantinha-se viva entre a população de Moçâmedes, sendo para tal posto à disposição  dos interessados um comboio que assegurava as idas e vindas, ajudando a impulsionar as festividades, uma vez que não eram muitos os habitantes da cidade que nesta altura possuíam meio de transporte automóvel. Ao comboio chamavam o «Camacouve», porque levava «camas» para os passageiros devido à morosidade dos percursos, e também transportava «couves». Ou seja, era misto, para pessoas e mercadorias.  A morosidade era tal  que demorava o dia inteiro para completar os 250 Km, do arrastado percurso de Moçâmedes a Sá da Bandeira.  Inaugurado em 1907, o Camacouve que só em 1923 trepou a Chela, já há muito se encontrava ultrapassado sim, mas era acarinhado, pois era  através dele que a população ia tendo acesso a distâncias mais ou menos longas, e  podia estar presente neste tipo de festividades sem necessitar de se fazer transportar nas incomodas carroças de bois, e nas morosas charretes.

Chegada ao Quipola, a população assistia  a «missa campal» seguida de procissão, e a festa prosseguia com um arraial em recinto de terra batida, enfeitado com mastros, bandeiras, dísticos, folhas de palmeiras,  etc, onde  eram erguidas barracas que vendiam de tudo um pouco, estatuetas, rifas, gulodices, bebidas, cigarros, etc. etc, e pavilhões onde se comia, bebia, dançava e confraternizava. Uma misturada à boa maneira portuguesa, entre sagrado e profano!


Na década de 1950 era o carismático e popular Padre Guilhermino Galhano, com a sua bata branca e sua longa barba negra quem ministrava a missa campal. Aqui podemos em pleno acto, como podemos vê-lo mais adiante em outra foto em meio à procissão que juntava peregrinos europeus e africanos, prova de que entre os portugueses e os africanos não havia apartheid. Foto Salvador.
 


Outro momento da preparação para a procissão junto da Capela de Nossa Sra da Conceição do Quipola. Foto Salvador. 
.

A procissão em andamento dirigida pelo Padre Galhano. Ao fundo o pavilhão onde decorriam os comes-e-bebes, o estrado para a dança e as barracas onde se vendiam vários artigos, rifas, guloseimas, bebidas, etc. Foto Salvador.


O ponto culminante da festa era como não podia deixar de ser, o baile, que decorria sobre um estrado em madeira, devidamente embandeirado e enfeitado com o que havia à mão, por exemplo, com  folhas de bananeira, onde gente de todas as idades se divertia ao som da velha concertina ou  do gramofone, que atirava para o ar através de  um altifalante pendurado em qualquer árvore, as modinhas dos tempos de então. E enquanto uns dançavam e rodopiavam, ali mais adiante outros disputavam  os mais variados jogos (tiro ao alvo, o jogo das argolas, dos cavalinhos, concursos de corridas do saco, da colher e do ovo, etc, etc). E ainda outros disputavam a subida ao cimo do  «pau ensebado»,  um elevado mastro ou poste de madeira impregnado de sebo no topo do qual era pendurada uma garrafa de bebida que desafiava  quem o ousasse subir para a ir buscar. Este concurso era sempre ganho por africanos quimbares (1), cuja estratégia era, para não escorregarem, levar areia nos bolsos das calças, de forma a que, de quando em quando pudessem esfregar as mãos e  subir um pouco mais, até alcançarem a garrafa de bebida. Tudo decorria ali mesmo ao lado da Capela.

 Acreditamos que as romarias começaram logo após a Capela construida. Sabemos que enquanto duraram, elas foram sempre bem vindas a uma população crente e carente de festas e distrações, e porque essa era a forma de quebrarem a rotina do quotidiano, tornando vida mais agradável e digna de ser vivida. Não esqueçamos  que nos finais dos anos 1940 muitas casas de Moçâmedes  eram  ainda iluminadas a petróleo, os "aparelhos de rádio" eram alimentados a bateria, e  às 9 horas da noite já toda a gente estava na cama. Como não aproveitar todas essas ocasiões?



Foto Criança africana junto a um nicho de pedra  com a imagem de Nossa Senhora. À esq. duas quadras gravadas sobre a pedra caiada dedicadas à Santa.

No decurso do Estado Novo as festividades religiosas, missas, procissões, etc, ganharam novo impulso. O poder político mantendo embora a separação do Estado/Igreja, estabelecida pela I República, não ignorou a realidade social e cultural, a crença e o culto predominantes entre os portugueses -a religião católica- o cimentado da tradição histórico-cultural e referencial da moralização social.


Mas o tempo não pára, e estas festividades, como tudo na vida,  tiveram a sua época, elas foram aos poucos perdendo o brilho  até que deixámos completamente de delas ouvir falar. A ida ao Quipola passou para o rol das nossas recordações, tal como passaram os "Passeios na Avenida", o nosso picadeiro, que marcaram, e de que maneira, a nossa infância e a nossa juventude.

Depois que chegou a luz eléctrica a Moçâmedes, nos anos 1940, e surgiu o Cine Teatro de Moçâmedes que veio tomar o lugar o velho Cinema Garret (onde se realizaram os primeiros filmes  a preto e branco e em cinema mudo),  multiplicaram-se as sessões cinematográficas, os saraus, as peças de teatro, de dança, etc, e já na década de 1950 surgiram os muito concorridos e apreciados "Programas da Simpatia", que esgotava plateias. Os bailes que antes decorriam  no salão do velho Ginásio Clube da Torre, passaram também a realizar-se no Aero Clube de Moçâmedes, e logo de seguida no Ferrovia, no Atlético, e no Nautico, cujos salões se enchiam de gente vinda de todos os cantos da cidade, gente de todas as idades e de ambos os sexos.  Novos ventos começaram a soprar... Com o fim da II Grande Guerra (1839-45) a população europeia alargou-se, os portugueses deixaram de ter a exigência das "cartas de chamada" para emigrar para as colónias de África,  e mais gente passou a viver em Moçâmedes bastante mais gente, constituindo  a década de 60 em relação às anteriores um  verdadeiro "boom". Paralelamente as práticas desportivas que antes se encontravam reduzidas praticamente ao futebol, diversificaram-se e expandiram-se através de novas modalidades com especial realce para o hóquei em patins, o basquetebol masculino e feminino, o andebol, desportos nauticos, etc etc. toda uma situação que arrastava aos fins de semanas inúmeros expectadores para os campos desportivos do Benfica, do Atlético, do Sporting, quando não para os salões de festas dos clubes , espalhados pela cidade.  Enfim, novos usos e costumes fizeram-se substituir aos antigos. Acabaram os passeios na Avenida, surgiram as "Festas do Mar", e,  no campo religioso, assistiu-se ao declínio das romarias que se realizavam anualmente à Capela de Nossa Senhora do Quipola.   Ficam recordações de um tempo que ficou para trás no tempo, e de uma realidade vivida algures num recanto do litoral ocidental de África, na bela cidade de Moçâmedes, erguida entre o deserto e o mar... 

Seguem alguns textos e poemas de conterrâneos encontrados na Net:

«...Senhora da Quipola
Eu lembro-me como se fosse hoje. Apanhamos o comboio, de carvão ainda! E quando finalmente chegamos trilhamos aquele terreiro de cor farrusca, onde o cheiro dos assados persistia a me abrir o apetite, mas era garoto e não tinha dinheiro! Passei lá uma tarde maravilhosa com os meus irmãos! Mais tarde a caminho de Moçâmedes a rapaziada entusiasmada cantava uma canção que só ouvi uma vez mas nunca mais esqueci:

Quem quiser ver
é só ir à Quipola.
Comer churrasco
e beber coca-cola!
Pergunta ao João
ele sabe a picada
ele sabe a morada
do meu barracão...
Pergunta ao João...
(paro por aqui... porque a emoção é bastante elevada!)
Estavamos em 1966 (penso)
tony araujo  in Mazungue


  ***


Em marcha lenta o comboio lá vai...  
Voltámos a Angola numa doce oração...  
aquecemos o coração com a Senhora do Quipola...  
A tal urbe abençoada, com fulgor, em romaria...
pede à Senhora do povo um esgar de calmaria...
  desejo de mundo novo!!!
Em marcha lenta o comboio lá vai...
Cada um faz a oração à benção do vinho e do pão...
  entre comes e bebes a Festa esquenta...
  tudo mais se inventa...
  bailarico p'ros imberbes há vivas ao mais folião...
há caçador de coração...  
estamos no Quipola...
a assentar a meninice a reunir a mocidade
  a rever a traquinice da tal palavra Saudade  
da Menina-Mãe ANGOLA!!!
em marcha lenta o comboio lá vai...


(recordando...)







Aileda (in Sanzalangola)



 





À  Sr.ª da Quipola


Dia da nossa Senhora da Quipola
Que Moçamedense não esquece
Passem lá os anos que passarem
O nosso coração nunca arrefece

Surgem lembranças bem marcantes
Recupera-se o tempo da mocidade
Revive-se cada ano a lembrança
E rola uma lágrima de saudade

Mesmo á entrada da Cidade
Numa simples casinha amarela
Nossa Senhora vai abençoando
Quem passa ou entra na Capela

Era repouso de cada visitante
Na alegria ou revés para louvar
Era fonte do peregrino sequioso
Quando Nela, se queria sedentar

Era a festa, a romaria a procissão,
A homenagem á Senhora nossa Mãe
Por te sabermos nossa protectora,
Nunca te esqueceremos também.  


     

Manuela Lopes





MariaNJardim



Créditos de imagem: algumas fotos de Antunes Salvador, outras cedidas por amigos de Moçâmedes

Gente de Moçâmedes: 1951



1ª foto: Nos jardins da Avenida da Praia do Bonfim, junto do edifício dos Correios e do Laboratório de Análises de Júlio de Mac-Mahon Victória Pereira, que se pode ver ao fundo, a «dona» deste blog, posa para a posteridade, já lá vão tantos anos...
Decada de 50.

2ª foto: Outra perspectiva da mesma Avenida da Praia do Bonfim, junto à subida da Fortaleza, onde podemos ver os caramanchões que sustentam as trepadeiras e que davam um bonito enquadramento ao conjunto. Década de 50.

3ª foto:
O aspecto luxuriante dos Jardins da Avenida da Praia do Bonfim na década de 50.

4ª foto:
Foto tirada junto a um tanque de água, nos belos jardins da Avenida da Praia do Bonfim. No prédio de esquina, ao fundo, à dt., onde se veêm duas janelas, ficava o Aero Clube de Moçâmedes. Este prédio foi mais tarde demolido para dar lugar a um edifício de vários andares propriedade de José Alves, onde passou a ficar, no rés-do-chão do mesmo, o Banco de Crédito Comercial.
Da esq. para a dt:

Em cima:
Malaguerra, ?, Graciana Matins Nunes, Dilia Martins Nunes e Irene Ilha.
Embaixo: Raquel Martins Nunes e Maria Etelvina Ferreira.


....

NAMIBE

Chamavam terras desertas
Ou terras do fim do mundo,
Tinham pessoas abertas,
Amizades boas, certas,
Que calavam cá bem fundo.

Ainda tenho saudades.
mas de lá, quem as não não tem,
Espaços de liberdade.
E de muitas amizades,
Traídas não sei por quem.

Por isso choro em tristeza,
Às vezes com emoção,
Por ver tamanha vileza.
Sem um resto de nobreza,
Existente na nação.

Terras nobres, boa gentes,
E por Deus abençoadas,
Não vais ficar indiferentes,
Vão olhar tudo de frente,
Apesar de mal tratadas.

E assim encontrarão
Quem acabe aquela guerra,
Vai nascer uma nação,
Já com alma e coração
Voltará a nossa terra.

João Gonçalves Costa
01.01.2002