20 julho 2008

O padre Galhano na equipa de futebol (reservas) do Ginásio Clube da Torre do Tombo: 1955


Esta era a quipa de reservas do Ginásio Clube da Torre do Tombo, em 1955, momentos antes da realização de um jogo no campo de futebol da vizinha Porto Alexandre. Da esq. para a dt, em cima: Pedro Eusébio, Aires Domingos, ?, Fernando Peçanha, Abano, Joaquin Gregório e ? Embaixo: Pacheco, John Pereira, Padre Galhano, Fernando Pestana e Amilcar de Almeida. Foto tirada em 1955. Foto gentilmente cedida por Amilcar de Sousa Almeida. Repare-se nla figura do gentil homem de barbas e barrete negro. Trata-se do Padre Guilhermino Galhano, pessoa muito estimada em Moçâmedes, carola do Ginásio Clube da Torre do Tombo e do futebol, que ele próprio praticou, descontraidamente, lado a lado com os jovens daquele clube pioneiro. Aliás, o Padre Galhano era um padre moderno, no bom sentido do termo, que sabia chamar a si os jovens e as crianças da terra. Ainda recordo com a sua imagem, de longas barba, boina e meias negras, com sua batina branca esvoaçante, a jogar à bola com as crianças, no descampado que ficava entre a Igreja Paroquial de Santo Adrião e o Palácio do Governador. Ver tb:  Memórias Desportivas,

Moçâmedes, Ponta do Pau do Sul, Canjeque. 1956



A vista da cidade de Moçâmedes a partir da Ponta do Pau do Sul era um espectáculo digno de se ver embora esta foto, a preto e branco e tirada com máquinas antigas, não o mostre. Aqui estou eu e  as duas amigas do peito Betinha e Gracietinha Bagarrão...

Recordo como nesse dia e em outros mar azul de Moçâmedesme entrava nas profundezas da alma, a tal ponto que ainda hoje, passados que foram 32 longos anos, é a olhar o mar que me sinto bem.. O local é um autêntico miradouro sobre a cidade! Ano 1956


 

Amilcar Almeida e as manas Betinha e Gracietinha Ilha Bagarrão observam o mar de Moçâmedes, do topo da falésia,   numa zona entre a Ponta do Pau do Sul e o Canjeque...
 
 [Canjeque+e+P+Amelia.jpg]

Olhando do cimo da Ponta do Pau do Sul, para o mar e para a esq,  vemos o Canjeque... Esta era a zona onde o mar era mais calmo e excelente o fundeadoro..
http://2.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/SH4NX-Ta5vI/AAAAAAAAI1k/CbMhzIb5Txo/s400/Calemas%2BMo%C3%A7%C3%A2medes.jpg
Para além do Canjeque, a olhar a Praia Amélia, ter uma pescaria alí com ponte e as instalações de salga na base da falésia rochosa e em cima do mar, era uma ventura! Em 1955, data em que esta foto foi tirada, fustigantes "calemas" desmantelaram pontes e destruiram instalações...
 
 
Até 1950 quem subisse à falésia da Torre do Tombo, a caminho da Ponta do Pau do Sul, era esta a vista que tinha sobre a cidade...Em 1954  já todas estar pescarias haviam sido demolidas para darem lugar ao cais comercial...e à ARAN!
 
 
 
 
NAMIBE

Por tê-lo assim tão perto,
A areia deste deserto
Enamorou-se do mar.
E viver ardente, corada
Por sentir-se desejada
Desejada sem se dar.

Angola 1968

Concha Pinhão (Do livro de poemas «Sabor Amargo»

Fábrica Africana Figueiredo e Almeida, Lda.





















Trata-se da primeira fabrica iniciada em Moçâmedes no ano de 1915 , a Fábrica Africana Figueiredo e Almeida, Lda. Desta Fábrica dizia-se, era proprietária a Companhia do Sul de Angola.

Esta fábrica foi
destinada de início a enlatados dos legumes cultivados nos vales dos rios “Bero” e “Giraul” (as célebres “Hortas de Moçâmedes”), carne de vaca ou de porco e de peixe em salmouras e escabeche ou mesmo algumas semi-conservas de charcutaria, conf. consta do apontamento histórico «Pescas em Portugal-Ultramar», de António Martins Mendes (Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa), citando a obra do Dr. Carlos Carneiro, então Director dos Serviços Veterinários de Moçâmedes.

No topo das janelas da Fábrica Africana , encontrava-se escrito os produtos enlatados que ali se produziam: conservas de carnes salgadas, conservas em azeite (
de atum, sarrajão, cavala, merma), conservas de fruta, conservas de escabeche, peixe fumado, etc., bem como símbolo da Fábrica, uma águia (fotos 7 e 8).

O peixe era transportado através de «vagonetas» sobre linha férrea que entravam em linha recta para dentro da Fábrica, onde era descarregado para ser escalado (1ª, 2ª e 6ª fotos) e cozido em grandes caldeirões (4ª foto). Em seguida era a fase do enlatamento (3ª foto).
No seu início esta Fábrica recrutou de Olhão pessoal feminino para trabalhar no sector de enlatamento das conservas, sector que mais tarde passou a ser ocupado por pessoal africano como aqui podemos ver.

Há indicações que na década de 20 e 30 exportava-se para o mercado italiano e para os Congos-Belga e Francês e o Gabão produtos de alta qualidade que rivalizavam com os de outras origens por serem mais baratos, o que levaria ao surgimento de novas conserveiras.

No livro Memórias de Angra do Negro- Moçâmedes, de António A. M. Cristão encontrei o nome do 1º colono se instalou numa fazenda na margem dt. do rio Bero, de nome Serafim Nunes de Figueiredo, accionista da Companhia de Moçâmedes, proprietária da fazenda. Não sei se tem alguma relação com o 1º proprietário da Fábrica Africana. Há uma referência no livro de Paulo Salvador «Era uma vez...Angola » a um Sr. de nome Santana como o proprietário da referida Fábrica (?).

Sobre a indústria conserveira de Moçâmedes, transcrevemos aqui uma passagem de um apontamento histórico
de Antonio Martins Mendes da Faculdade de Medicina Veterinária de Lisboa que encontrei na Net, subordinado ao tema «Pescas em Portugal - Ultramar- Um apontamento historico», onde o autor nos relata algumas passagens de um importante relatório do Carlos Carneiro, veterinário em Moçâmedes nas décadas de 20, e 30 do século passado, no qual

«... Estava-se em 1931, quando foi publicado o seu primeiro relatório de serviço (Carneiro, 1931). Nesse tra- balho começa por evocar o ano de 1921, ...«No seu importante trabalho o Dr. Carlos Carneiro aborda o estado da Industria de Conservas. Ficamos a saber que a construção da primeira fabrica fora iniciada em Moçâmedes no ano de 1915 e estava destinada aos legumes cultivados nos vales dos rios “Bero” e “Giraul” (as célebres “Hortas de Moçâmedes”), carne de vaca ou de porco e de peixe em salmouras e escabeche ou mesmo algumas semi-conservas de charcutaria. Preparavam também óleos de pescado que, depois de várias análises e melhoramento da técnica de fabrico, tinham colocação fácil nos mercados britânicos. A fábrica obedecia às exigências da época mas a I Grande-Guerra iria causar grandes dificuldades. A chaparia para o fabrico das embalagens, que era importada e litografada em Lisboa, faltou e a fábrica foi obrigada a fechar. A indústria viria a reanimar-se a partir de 1923, preparando conservas de atum, sarrajão, cavala, mermo, principalmente destinadas ao mercado italiano que tudo absorvia, mas exportava-se também para os Congos- Belga e Francês e o Gabão. Os produtos exportados eram de alta qualidade e rivalizavam com os de outras origens por serem mais baratos. Por isso fundaram-se outras conserveiras. » (...)

Enquanto Sociedade Oceânica do Sul (SOS), pertencia ao Capitão Josino da Costa, creio que até 1960
...........Olimpio Aquino era o gerente da parte fabril (anos 50).....

Na década de 60, e após um período aureo de grande produção como Sociedade Oceânica do Sul (SOS), esta fábrica deixou pura e simplesmente de produzir e, vendida a Gaspar Gonçalo Madeira, acabaria por se transformar num entreposto para exportação de peixe congelado para Moçambique.

MNidiaJardim


Créditos de Imagem
Fotos de ICCT (1 a 7)
foto Salvador (n.8).



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