28 dezembro 2009

Reveillon no Clube Nautico: anos 60



  O casal Diogo Baptista e Marizete Veiga Baptista, Teresa e Elizabete Bagarrão.



Dores, ? e o casal , Zette Veiga e Diogo

Moçâmedes e as suas gentes eram assim...

Uma pequena cidade onde as pessoas se conheciam, quadras festivas que eram aproveitadas para o divertimento que vinha quebrar uma pouco a monotonia de um quotidiano onde imperava, não a preguiça nem o laxismo, mas a labuta do dia a dia.

Este, foi um Reveillon decorrido em meados da década de 60  no  salão do Clube Nautico (Casino), o salão preferido das «elegantes» da época, que veio destronar o do Atlético Clube de Moçâmedes,de cariz mais popular, que fora na década de 50 o local onde decorreram animados bailes de carnaval, reveillons, bailes e matinées dançantes aos sábados e domingos, e onde se divertia a juventude moçamedense, e que acabaria por perder muito do seu antigo «brilho»

Em tempos mais atrás, era no salão do edifício do Aero Clube de Moçâmedes, na Rua da Praia do Bonfim, em frente à Avenida, o local onde decorriam animados bailes e matinées dançantes, como o integrado nas festividades do Centenário da cidade, em 1949, mas este edifício acabou demolido e no seu lugar construido um outro de vários andares, propriedade de José Alves, que veio estragar a harmonia do conjunto habitacional. Mas ainda mais atrás, tudo quanto era festa na cidade tinha lugar no velho Ginásio Clube da Torre do Tombo, o Clube pioneiro de Moçâmedes, onde foi durante muito tempo tradição, os «célebres» bailes da Pinhata.


Fotos gentilmente cedidas por Marizette Veiga

27 dezembro 2009

Conjunto Musical «Os Diabos do Ritmo»: década de 50



Os "Diabos do Ritmo"
Albino Aquino (Bio) ao acordeão, o professor de Canto Coral da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, Silva, ao piano, Albertino Gomes (bandolim), Frederico Costa (baterista), Jaime Nobre (violão).

Aqui podemos ver, da esquerda para a direita: Marçal (saxofone), Lito Baía, (violão e acordeão); O professor de Canto Coral da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, Silva (em substituição do pianista do conjunto, Bio Aquino, na época a cumprir o serviço militar obrigatório); Jaime Nobre, mestre de música, construtor de instrumentos de corda ( da guitarra clássica ao violino e aos xilofones), Cerieiro, instrumentista de rítmos (Maracas, Pandeiros, Banjos, Bandolins, e Reco-recos), Frederico Costa , instrumentista de rítmos ( Maracas, Pandeiros, Banjos, Bandolins, e Reco-recos), Abertino Gomes (o extraordinário e irrequieto baterista- animador, que também tocava banjo e bandolim e até acordeão). No casal em 1º plano, reconheço Amaral (para quem não se recorda, à época era proprietário de uma loja na Rua dos Pescadores, junto da Tipografia de José Trindade, em sociedade com um irmão mais velho que jogou futebol no Sport Moçâmedes e Benfica)

Recordemos mais uma vez, os Reveillons  da década de 1950, que decorriam nos salões do Atlético e Clube Nautico em Moçâmedes, animados pelo conjunto «Os Diabos do Ritmo». Como tocavam bem os «Diabos»! Quem poderá esquecer essas figuras inesquecíveis aos quais a minha geração ficou a dever os mais belos e animados momentos das suas vidas.

O conjunto musical «Os Diabos do Ritmo» foi o grande animador das festas da minha juventude. Eram eles que animavam os  bailes que aos sábados se prolongavam pela noite fora até ao raiar do dia, e  as matinées dançantes que, com grande pena nossa, acabavam impreterivelmente às 20 horas. Dançava-se sem parar, ao som dos mais diversos ritmos, que iam desde movimentadas marchinhas brasileiras que estavam muito em voga,  a pasodobles espanhóis, às remexidas rumbas, chá-chá-chá, congas e baiões, musica do Brasil e Caraíbas, não esquecendo os românticos tangos de Gardel, as  deslizantes valsas, e os suaves slows,  etc., géneros musicais daquele tempo, dos quais deixarei aqui alguns exemplos, bastando clicar para ouvir: La Cumparcita

A propósito, este excelente conjunto  tinha por hábito fazer serenatas por volta da meia noite à porta das casas das raparigas, deslocando-se para tal em carrinhas  e camionetas de caixa aberta, de casa para casa, umas vezes por iniciativa própria, outras, a pedido de namorados que acompanhavam o grupo e participavam no côro.

Quero recordar aqui aquele que foi o meu vizinho e amigo Albino Aquino (Bio), o talentoso pianista dos «Diabos do Ritmo», do qual tive a triste notícia que faleceu este ano.  Para mim, será sempre aquele rapaz simpático, que ria com os olhos, e tocava com grande  mestria. Fica aqui mais uma recordação de gente que marcou uma época na cidade de Moçâmedes,  e envolveu gente boa que de um dia para o outro deixamos de ver e deixaram laços em nossos corações.

MÚSICA LATINO-AMERICANA

Oiçam e percebam bem o porquê
de nenhum de nós poder esquecer
aqueles lindos bailes abrilhantados
pelos «Diabos do Rítmo», tão afamados,

nem daquelas jovens, as mais belas, já se vê,
que, coradas ouviam, cheias de felicidade,
aquelas juras que tão bem sabíamos fazer,
Naqueles anos doirados da nossa mocidade…

Oiçam esses boleros e a voz de cada cantor,
como eles vibram, nesse rítmo afro-cubano.
Eram mesmo os melhores a cantar e a compor.
Versos de amor, só cantados em castelhano…

Mas, ao som daqueles «Diabos-Mestres» a tocar,
quem não cantava bem, tendo-os a acompanhar
o ritmo do endiabrado Albertino, do Bio e Lito Baia,
Nobre, Marçal, Cerieiro e Neco, cada um como sabia…

Esquecer um grupo, como outro não houve nenhum,
seria sem dúvida de estranhar, de nunca acontecer.
Festas, Fins de Ano, Carnavais, Serenatas na cidade,
Inesquecíveis Bailes, os melhores das nossas vidas.

Quem alguma vez nos deu, Conterrâneos, mais alegria?
Quem, senão eles, tocava e só parava ao raiar do dia,
depois de um desafio que demorava horas seguidas,
em festas que sempre recordaremos com saudade…

Alguém poderá estranhar, algum de vós se espanta,
que ouvindo os Boleros que agora vos venho mandar,
para que possam recordar aqueles «Diabos» a tocar,
Ficasse eu de olhos húmidos a relembrar as juras
que fiz naquelas noites d’encanto e de felicidade,
dos anos mais lindos da nossa gloriosa mocidade,
que na mente se guardaram, inteiras e tão seguras
e, de coração acelerado, criasse um nó na garganta?

NECO MANGERICÃO.



Gente de Moçâmedes : passagem de ano no Clube Nautico (Casino) nos anos 60














Foto tirada numa passagem de ano em terras do Namibe,  esta, na década de 60, no Clube Nautico (Casino). Através dela tivemos o prazer de recordar mais alguns dos nossos conterrâneaos, a maioria vizinhos de bairro, amigos, e  até familiares, com os quais partilhámos momentos de nossas vidas, passadas naquele berço que nos foi comum, a bela e saudosa cidade do Namibe. São eles, da esq. para a dt.: Joaquim Guedes Duarte (Quim, gestor da empresa ligada à industria piscatória, da familia João Duarte) e Odete Lisboa Lopes Braz Duarte, Carlos Manuel Guedes Lisboa, (Lolita) e Antonieta Almeida Bagarrão Lisboa (Dédé), Iteldina Carvalho Frota (Tédina) e José Manuel Frota (bancário e talentoso radialista em Moçâmedes). De pé. à dt., Taruca. Foto gentilmente cedida por Antonieta Bagarrão Lisboa .
 
Não posso deixar de fazer uma referência muito especial, e sem desprestígio para os demais, ao amigo de infância e adolescência  que foi o  Carlos Manuel Guedes Lisboa (de óculos escuros, à esq.), o jovial, empreendedor e simpático moçamedense, cuja carreira fulgurante  começou imediatamente a seguir à conclusão dos seus estudos secundários na Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes. Carlos Lisboa ingressou no quadro do pessoal do Grémio dos Industriais de Pesca do Distrito de Moçâmedes, e alguns anos depois, quando da extinção do referido Grémio, foi nomeado Director Regional do Instituto da Indústria de Pesca de Angola. Pessoa dotada de elevada capacidade organizativa e trato afável, viria a liderar o processo da constituição da PROJEQUE (Sociedade Industrial do Canjeque, Lda.), da qual se tornou gestor. Paralelamente, dedicou-se também, de conta própria, à actividade comercial. A morte ceifou-lhe jovem. Viria a falecer, já em Lisboa, pouco tempo após a independência de Angola, em 1975, com apenas quarenta e poucos anos de idade.

Bailes no Clube Nautico (Casino) Finais dos anos 60, início de 70
















1ª foto: Baile no Casino

2ª foto: Banda de música constituida por jovens moçamedenses

3ª foto: Baile dos finalistas no Clube Nautico (Casino). Reconheço à esq. de óculos, Daniel Gavino (penúltimo gerente do Banco de Angola, em Moçâmedes),  à dt. Fragata, e ao centro da foto, de frente, Robalo. Se alguém reconhecer mais alguém, por favor, sirva-se dos comentários para nos dizer quem é, o que muito agradecmos.

08 dezembro 2009

Festa de Natal dos alunos da Escola Nº 49, de Moçâmedes, Angola. 1959


Clicar sobre as fotos para aumentar. Trata-se de uma cena de teatro  levada  a cabo pelos alunos da Escola Nº 49 de Moçâmedes,  Angola, no Natal de 1959. Repare-se no traje bem típico português que estava sempre presente nestas festinhas de Natal.

PAI-NATAL

Pai-Natal
Gorducho como és,
Com esse ventre obeso,
Como podes passar nas chaminés
Sem ficar preso?!

E como podes inda, sem perigo,
Com essas botas grossas, quando avanças,
Não perturbar o sono das crianças
Que adormeceram a sonhar contigo?!

Como podes passar,
Com essas barbas longas e nevadas,
Sem medo de assustar
Crianças que se encontram acordadas?!

Eu sei!
Eu digo-te a razão,
Embora se me parta o coração!

É que tu, risonho Pai-Natal,
Só entras em palácios de cristal,
Por chaminés de mármore e jade
Onde o rotundo ventre
Passe, deslize e entre,
Libérrimo, em perfeito à vontade!

Como podem as botas vigorosas
Rangerem um momento,
Se alcatifas caras, preciosas,
Se espreguiçam por todo o pavimento!

Nem podes assustar
Crianças que se encontram acordadas,
Porque tens o cuidado de tirar
Essas revoltas barbas já nevadas!

E, assim, é,
Risonho Pai-Natal de riso e gestos ledos,
Vais aos palácios ricos, por teu pé,
Vazar o grande saco de brinquedos!

Antes fosses, risonho Pai-Natal,
Na noite friorenta,
D portal em portal,
De tormenta em tormenta!

E descesses aos lares pobrezinhos
Onde há doridas mães talvez chorando,
Ao seio acalentando
Os pálidos filhinhos!

Ou fosses campo em fora, em longas caminhadas,
A descobrir crianças sem abrigo,
Adormecidas, nuas, regeladas,
E ainda a sonhar contigo!

Mas não são esses, não, os teus caminhos,
Tu que vestes veludos e arminhos!

Quando Jesus nasceu,
No rigoroso frio do Inverno,
Nu e natual,
Sem outra benção que o olhar materno,
Sem mais calor que um bafo irracional.
Onde é que estavas tu, oh!  Pai-Natal?!
Por onde andavas tu, oh!  Pai-Natal?!

Sei bem onde é que estavas!
Sei bem por onde andavas!

Andavas, entre risos e folguedos,
Já com as barbas brancas e os  bigodes,
A despejar  saco de brinquedos,
-Na chaminé de Herodes!

Angelino da Silva Jardim
Moçâmedes. Publicado em “O Namibe” e na revista “Notícia”, em Angola, 1964

Créditos de imagem: Salvador

04 dezembro 2009

Alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes, irmã doroteia, e elementos da JIC: 1950
















































































Da esq. para a direita e de baixo para cima:
1ª fila: Lizette Ferreira, Juvelina Sena, Augusta Bento, Noémia Van-der-Kellen, Madalena Trindade e Celeste Matos
2ª fila: Fernanda, Fátima Santos, Henriqueta Barbosa (Miqueta), Fernanda Pólvora Dias,  Rute Melero, Madre Fernandes, Raquel Nunes, ?, Maximina e Julia Jardim   
3ª fila: Ester Guerra, Maria Simão, Carolina Mangericão, Adelaide Ernesto, Calila, Dilia Martins Nunes?, Maria Ilda, Lucia Reis (Brazão), Fátima Cunha e Bia Mangericão.

Poderão ver mais fotos de alunas deste Colégio de Moçâmedes, até 1975, em postagens amteriores, e
também   AQUI

Grupo de alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes, no ano de 1950

















Grupo de alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes, vulgo «Colégio das Irmãzinhas», no ano de 1950. Em cima, da esq. para a dt.: Lúcia  Reis (Brazão), Taneta, Maria Lizete Ferreira, Isabel Valente, Júlia Jardim, Fátima Santos; Fernanda Anselmo Braz de Sousa, ?, Fátima Cunha, ?,?.
Embaixo: ?,?, Celeste Matos, Maria Júlia Maló de Abreu (Pitula), Maria Antonieta Almeida Bagarrão (Dédé); Maria Amália Freitas Bensabá Duarte de Almeida, Amélia Anselmo Braz de Sousa, ?,?.

24 novembro 2009

Jovens estudantes de Porto Alexandre (actual Tombwa)



in Mazungue foto de KadyPress 

INFÂNCIA PERDIDA
(para o Miau)

Nesse tempo, Edelfride,
Com quatro macutas
A gente comprava
Dois pacotes de ginguba
Na loja do Guimarães.

Nesse tempo, Edelfride,
com meio angolar
a gente comprava
cinco mangas madurinhas
no Mercado de Benguela.

Nesse tempo, Edelfride,
montados em bicicletas
a gente fugia da cidade
e ia prás pescarias
ver as traineiras chegar
ou então
à horta do Lima Gordo
no Cavaco
comer amoras fresquinhas.

Nesse tempo, Miau,
(alcunha que mantiveste no futebol)
nós fazíamos gazeta
da escola coribeca
e íamos os quatro
jogar sueca
debaixo da mandioqueira.

Era no tempo
em que o Saraiva Cambuta batia na mulher
e a gente gostava de ver a negra levar porrada.

Era no tempo
dos dongos da ponte
dos barcos de bimba
dos carrinhos de papelão

Como tudo era bonito nesse tempo, Miau!

Era no tempo do visgo
que a gente punha na figueira brava
para apanhar bicos-de-lacre e seripipis
os passarinhos que bicavam as papaias do Ferreira Pires
que tinha aquele quintalão grande e gostava dos meninos.

Era no tempo dos doces de ginguba com açúcar.

Mais tarde
vieram os passeios noturnos
à Massangarala
e ao Bairro Benfica.
E o Bairro Benfica ao luar
O poeta Aires a cantar
(meu amor da rua onze e seu colar de missangas...)
Tudo era bonito nesse tempo
até o Salão Azul dos Cubanos
e o Lanterna Vermelha - o dancing do Quioche.

Foi então que a vida me levou para longe de ti:
parti para estudar na Europa
mas nunca mais lhe esqueci, Edelfride,
meu companheiro mulato dos bancos de escola
porque tu me ensinaste a fazer bola de meia
cheia de chipipa da mafumeira.
Tu me ensinaste a compreender e a amar
os negros velhos do bairro Benfica
e as negras prostitutas da Massangarala
(lembras-te da Esperança? Oh, como era bonita
[essa mulata...)
Tu me ensinaste onde havia a melhor quissângua
de Benguela:
era no Bairro por detrás do Caminho de Ferro
quando a gente vai na Escola da Liga.
Tu me ensinaste tudo quanto relembro agora
Infância Perdida
sonhos dos tempos de menino.

Tudo isso te devo
companheiro dos bancos de escola
isso
e o aprender a subir
aos tamarineiros
a caçar bituítes com fisga
aprender a cantar num kombaritòkué
o varre das cinzas
do velho Camalundo.
Tudo isso perpassa
me enche de sofrimento.

Diz a tua Mãe
que o menino branco
um dia há-de voltar
cheio de pobreza e de saudade
cheio de sofrimento
quase destruído pela Europa.

Ele há-de voltar
para se sentar à tua mesa
e voltar a comer contigo e com teus irmãos
e meus irmãos
aquela moambada de domingo
com quiabos e gengibre
aquela moambada que nunca mais esqueci
nos longos domingos tristes e invernais da Europa
ou então
aquele calulu
de dona Ema.

Diz a tua Mãe, Edelfride,
que ela ainda me há-de beijar como fazia
quando eu era menino
branco
bem tratado
quando fugia da casa de meus Pais
para ir repartir a minha riqueza
com a vossa pobreza.
Diz tudo isso a toda a gente
que ainda se lembra de mim.
Diz-lhes. Diz-lhes
grita-lhes
aos ouvidos
ao vento que passa
e sopra nas casuarinas da Praia Morena.
Diz aos mulatos e brancos e negros
que foram nossos companheiros de escola
que te escrevo este poema
chorando de saudade
as veias latejando
o coração batendo
de Esperança, de Esperança
porque ela
a Esperança
(como dizia aquele nosso poeta
que anda perdido nos longes da Europa)
está na Esperança, Amigo.

Edelfride, você não chore
saudades do Castimbala
nem lhe escreva
cartas como essa
que são de partir
meu pobre coração.

Nesse tempo, Edelfride,
Infância Perdida
era no tempo dos tamarineiros em flor...

Ernesto Lara Filho
(O Canto de Martrindinde e Outros Poemas Feitos no Puto)
1964, Lisboa

Grupo de alunas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes nos jardins da Avenida da Praia do Bonfim




































Mais um elenco de jovens moçamedenses que na época (1956/7), frequentavam a  Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes.

Reconheço, da esq. para a dt.
Em cima: Maria João, Professora ? e  Rosália Bento
Embaixo, mais recuadas: ?, ?, Claudia Guedes, Teresinha Freitas e Laurinda Pereira
Embaixo, mais à frente: Maria José Gastão, ?, Maria Helena Braz de Sousa, Piedade, Leonilde (Nide),  ?Peixinho; Emilia Coelho de Oliveira (Mila) e Antonieta (Boneca)


Em cima, uma bela perspectiva da  Avenida da Praia do Bonfim, que se desenrola sob o «olhar» imponente de uma das duas gazelas que circundam a fonte luminosa, um dos ex-libris da cidade de Moçâmedes.

22 novembro 2009

Recordando gente da nossa terra, Moçâmedes: O Dr. Júlio Mac-Mahon Vitória Pereira



O Dr. Júlio de Mac-Mahon Vitória Pereira, analista, proprietário de um Laboratório de Análises Clinicas  e  professor de Fisico-Quimicas e Mercadorias, primeiro, no edifício antigo Escola Comercial e Industrial  de Moçâmedes e em seguida na Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique, com a extinção daquela,  foi uma das figuras mais carismáticas que Moçâmedes conheceu ao longo das duas últimas décadas da colonização portuguesa, quer como pessoa, quer como professor, tendo, neste aspecto, para o bem e para o mal,  marcado a vida de muitos estudantes.

«Anjo e demónio», Júlio Victoria Pereira ou  Mac-Mahon, como era conhecido,  tanto era capaz de dar uma classicação de 19 valores a um aluno, como de dar um «zero». E tanto era capaz de «dar a camisa» a qualquer aluno que necessitasse de ajuda, como de  mandar umas «galhetas» àquele outro que passasse das «marcas», que ele próprio estabelecia.

Dele, é com um misto de reprovação e de carinho, que assim falam, ainda hoje, alguns dos seus ex-alunos:

«... Só havia um professor por quem esperávamos depois do 2º toque - o Mac Mahon - se fossemos embora ele virava bicho e não se ensaiava nada em distribuir umas galhetas pelos alunos. Também não marcava falta a quem chegasse tarde. Entrávamos na sala só não podíamos dizer nem Bom Dia nem Boa Tarde - estávamos proibidos para não interromper a aula. O Mac era um homem tão bruto como bom. Tinha um coração de pomba. Se via um aluno com os sapatos rotos tirava dinheiro do bolso e mandava-o comprar uns sapatos apresentáveis. Gozava com os contínuos quando eles iam lá ler os comunicados da MP porque exprimiam-se mal. Dizia , lá vem um Kaitô ler uma folha de papel. Quando faltávamos às aulas dele ia-nos buscar de Mini Moke à praia - e ai de quem ousasse em recusar a boleia forçada!!! ....»

«....O "Mac" era um professor fantástico- um touro com coração de pardal - pagava-nos bilhetes para o cinema e vinha buscar-nos de Mini Moke à praia quando faltávamos às aulas...» By Kady Press in Mazungue

«O Dr. Vitória Pereira, de seu nome Júlio Mac Mahon Vitória Pereira foi o professor mais "sui generis" que eu tive. Quando qualquer aluno chegava tarde às aulas só tinha uma coisa a fazer:entrava na sala, não podia dizer nada e sentava-se no seu lugar. Nada de justificações, pois o Mac sabia ler as nossas mentiras. Não se podia era interromper a aula com palavras. De resto, o aluno atrasado não tinha qualquer problema. O Dr. Vitória Pereira tinha um laboratório de análises clínicas perto do antigo campo de futebol.» 
From:   Carlos Pereira in Sanzalangola

Ficou célebre um exame da cadeira de «MERCADORIAS»,  do Curso Geral de Comércio, na Escola Comercial e Induatrial de Moçâmedes, decorrido no início dos anos 1960, em que um aluno de nome Faroleiro foi «espremido até ao tutano» no decurso do mesmo  e no final mandado sentar. A seguir Mac-Mahon chamou a aluna  Manuela Faustino, e na primeira pergunta mandou-lhe descrever o «encadeamento das indústrias». Tomada pelo nervosismo e pela emoção Manuela começou a gaguejar, então o Mac-Mahon virou-se de novo para o  Faroleiro, que já tinha obviamente terminado o seu exame, e mandou-lhe descrever também o mesmo «encadeamento das indústrias». Assustado, o Faroleiro disse: - ó sôtor, eu já fiz o meu exame! Responde o Mac-Mahon:  olha que está a contar!... está a contar...  O que se passou a seguir, já seria de esperar, foi a debandada geral de todos os alunos que já tinham terminado os seus exames e que se encontravam na sala apenas a assistir aos restantes exames.

Mas ainda há mais...

«...lembro-me do Dr. Vitória Pereira ir connosco apanhar umas pedras ao deserto para fazermos os centros de mesa.Belos tempos! que saudades eu tenho de Moçamedes de Angola... (Bálita, Sanzalangola)

«... O Dr. Vitória Pereira, de seu nome Júlio Mac Mahon Vitória Pereira -não sei se está bem escrito - foi o professor mais "sui generis" que eu tive.Quando qualquer aluno chegava tarde às aulas só tinha uma coisa a fazer:entrava na sala, não podia dizer nada e sentava-se no seu lugar.Nada de justificações, pois o Mac sabia ler as nossas mentiras.Não se podia era interromper a aula com palavras.De resto, o aluno atrasado não tinha qualquer problema. O Dr. Vitória Pereira tinha um laboratório de análises clínicas perto do campo de futebol.
Carlos Pereira in Sanzalangola


 «...São ai nas dez da noite. Que estamos sentados no Café Avenida, não na esplanada porque está frio. Devem estar só uns 20 graus e um gajo num pode se constipar. Estamos disse eu porque como evidente não estou sozinho, senão dizia estou. Alem de eu mesmo está o Beto Amorim, filho do Sr. Alberto do Liceu, o Manel Vitoria Pereira e o Ferrão mais velho. 'Que fazem estes putos aqui no Avenida a esta hora?' Perguntou alguém que num sei quem foi. Estamos a aviar garrafas de Dão. O Radio Clube pagou o ordenado, eu invento que faço anos e vamos fazer festa. Duas garrafas chegou para ver que estavam oito na mesa. Mas tem giro é que tinha mesmo dois Betos, dois Ferrão e dois Manel. Como já éramos muitos fomos mesmo até no parque infantil. Eu agarrei uma palmeira e pedi namoro e ainda hoje num sei que foi que me respondeu ela. Melhor mesmo é irmos para casa. Vamos todos levar o Beto. Assim se houver maka somos muitos e vamos estudar. Se entra sem fazer barulho. Entrou todos os oito. Beto directo para o quarto. Entra mãe dele e pergunta:'que estás a fazer?' 'quero beber água fresca' responde ele enquanto tenta chegar ao puxador do guarda-fatos. Foi corrida em nós seis da casa para fora. E agora quem vai levar quem. Manel que é mais novo tem de ser levado a seguir. Passamos na Minhota e como estávamos com sede bebemos uma Nocal preta cada um. Transbordou. Quem aparece quando estamos sentados na avenida, debaixo do carramachão éramos seis ou se éramos mais? O Dr. Júlio Vitoria Pereira no MiniMoke. 'Entrem já todos para aí!' Nenhum dos seis hesitou. Maneles entraram na frente, eu e Ferrões no banco de trás. Direcção: Torre do Tombo. 'Vão apanhar ar nessas trombas'. Que sim. Ninguém mesmo podia dizer outra coisa, pois as palavras ficavam enroladas na boca e num queriam sair. 'Onde ficas?' 'Dr. fico aqui? O miniCaté amanhã e obrigado' mas depois é que vimos que estávamos atrás do campo de futebol, na rotunda. Nós os quatro, eu e Ferrões temos que ir a pé até em casa. Quem vai levar quem? Tá combinado. Vamos pelo Atlético, viramos na esquina do Dentista Francês, e seguimos até à casa do Ferrão. Ficou combinado. Ferrões agora têm de me levar a mim. 'E depois quem me trás a mim?' arrastou a s palavras um dos Ferrões. a ver se ainda parou eu sai por um lado e Ferrão por outro. '
Ainda hoje não sei como acordei em minha casa e na minha cama.
O que valeu mesmo foi que não estava a chover. »
Sanzalando, por JotaCê Carranca in RECORDAR (30)

Ficam mais estas recordações!

MariaNJardim

04 novembro 2009

Desporto em Moçâmedes, Angola: Quadrangular de Basquetebol feminino e de Hóquei em patins: 1956/7?



Francelina Gomes, Capitã da Selecção de Moçâmedes, dá os habituais «vivas», após ter recebido das mãos da esposa do Governador Vasco Nunes da Ponte,  Maria Carolina Nunes da Ponte a taça brilhantemente consquistada. Na pequena tribuna de honra do campo do Sporting Clube de Moçâmedes podemos ver, entre outros, o Capitão do Porto de Moçâmedes, o Governador de Sá da Bandeira, o Presidente da Associação dos Bombeiros de Moçâmedes, Sacadura  Bretes, e a esposa do Governador Vasco Nunes da Ponte.

Também nesta foto podemos ver algumas figuras conhecidas, tais como José Pedro Bauleth, o treinador da equipa do Ginásio da Torre do Tombo (embaixo, junto a Francelina Gomes), e mais à dt, embaixo, Júlia Castro, basquetebolista do Sporting Clube de Moçâmedes. De chapéu, à dt., e um pouco mais acima, Cabral Vieira, tendo por detrás Zeca Pestana.

Selecção de Moçâmedes
Em cima, da esq. para a dt.:Helena Gomes, Celisia Calão, Fátima Abrantes, Bernardete Tavares, Marlene Oliveira e Eduarda Bauleth. Embaixo: Francelina Gomes e Clarabela Trindade.





Arménio Jardim, capitão da selecção Moçâmedes, a equipa vencedora do Quadrangular da Huila de Hóquei em patins, recebe das mãos da esposa do Governador do Distrito, Maria Carolina Nunes da Ponte, a taça brihantemente conquistada. À esq, o Governador da Huila, à dt. o Governador de Moçâmedes, Nunes da Ponte.

Neste VIDEO que começa com a 1ª equipa de basquetebol feminino de Moçâmedes, a equipa do Sport Lisboa e Benfica, surgida no ano de 1949, podemos ver as diversas equipas de basquetebol feminino de Moçâmedes na década de 1950, a grande década desta modalidade desportiva em terras do Namibe. Os clubes eram então: o Ginásio Clube da Torre do Tombo, o Sport Moçâmedes e Benfica, o Sporting Clube de Moçâmedes, o Atlético Clube de Moçâmedes, mas também e embora por muito pouco tempo, surgiu a equipa do Clube Ferroviário de Moçâmedes. Saiba

AQUI pormenores.

Para ver mais: Moçâmedes Memórias Desportivas

30 outubro 2009

VIDEO ACTUAL DA CIDADE DO NAMIBE: ex-MOÇÂMEDES













Filme:interessante e recente da cidade do Namibe.      Apenas uma ressalva:  da Fortaleza de Moçâmedes nunca embarcaram escravos em navios negreiros para o Brasil e Américas. Esta Fortaleza foi erguida já numa fase  posterior ao decreto de Sá da Bandeira, que veio abolir o tráfico em 1836, Acredito que ali teriam estacionado


Fotos:  Museu etnográfico da cidade do Namibe  , fiel depositário dos «salvados» do Império...

Chefe da 1ª colónia de portugueses que, idos de Pernambuco (Brasil) para Moçâmedes (actual cidade do Namibe) na barca «Tentativa Feliz», fugidos da revolução praeeira, ali chegaram no dia 04 de Agosto de 1849, data que ficou a marcar a fundação da cidade.

2ª. O Governador Sebastião Nunes da Matta (1878)

3ª. Vista geral do Museu, onde se podem ver os vários bustos e quadros representativos de alguns dos primitivos Governadores do Distrito de Moçâmedes

4. Foto de Riquita Bauleth, Miss Angola 1971

5. Várias fotos antigas

6. Óleo onde se pode ver a baía de Moçâmedes, a Ponta do Pau do Sul, uma caravela e muito povo na praia...

Clicar AQUI para ver mais sobre este Museu situado no 1º andar do edifício do antigo Hotel Central

VEJA AQUI: PROJECTO NAMIBE

29 outubro 2009

Alunas do Liceu Américo Tomás em Moçâmedes: 1970

















Entre outras/os, ao centro, Riquita Bauleth (miss Portugal 1971) e Carlos Gavino. À dt. Lita (filha da cabeleireira Carlota). À esq., Céu Castelo Branco.
Para ver e saber mais sobre a eleição de Riquita, Miss Portugal 1971, clicar AQUI
AQUI
AQUI
AQUI
AQUI
AQUI
AQUI
AQUI

Entrevista a Riquita, miss Angola e Miss Portugal 1971: http://www.recordarangola.com/
Entrar
Seguidamente, clicar em "continuar"

depois, em "rádio"
depois, em "ouvir" (dia 03-10-2009)

 

Grupo de Alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima : 1952/3














Grupo de Alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima : 1952/3. Foto é grande; clicar sobre ela para aumentar . 

Entre outras que não recordo, estão: 
1ª foto, de baixo para cima e da esq. para a dt.:

1ªfila - Mimi Proença, ?,  Sónia, Magda e Vanda  Madeira, Lena e Conchita Moreira de Almeida, Lourdes Pessoa, Clara Bonvalot, Ruth Madeira; 
2ªfila - Stella Sena, Elsa Radich, Ana Grilo, Proença, Ineida, Lourdes Pessoa, Heloisa Leitão, Manuela Pessoa, Beta Passos Maruqes, Rosario Pacheco; 
3ªfila - ?,  Fati Leitão Almeida,  Margarida Duarte (Guida, com 2 laços), ?, Maria Adelina, ?, Julia Ferreirim (loira com franja), Emilia, Lourdes Russo, ????, Fati Morgado,  Minelvina, as 2 ultimas nao sei; 
4ªfila - Eduarda Astregilda, ?????,  Olimpia Moreira, Rosario Rosa (Bequito), ??? Fatima Pacheco,  Eduarda Almeida (Dada), ????, Eloisa Peixoto, as 7 ultimas nao sei; 
5ªfila - ????, Geninha Amado, ??,  Raquel Radich, Eloisa Trindade, ?, Teresa Carmona, Babisa, Rosa Diogo,???
6ªfila - ??????, Eteldina Carvalho (Tedina), ?, Manuela Faustino, ?, Marieta Madeira, ???

Foto gentilmente cedida por Vina Almeida



2ª foto:  Desfile das alunas do Colégio das Irmãs Doroteias na Rua Costa (paralela à Avenida da Praia do Bonfim), em Moçâmedes, passando ao lado dos Armazéns de Venâncio Guimarães, um dos homens mais ricos de Moçâmedes e de Sá da Bandeira, dedicado à agro-pecuária, à indústria de pesca e laticínios e ao comércio. Mais atrás,  o edifício da Capitania do Porto com a bandeira portuguesa hasteada, e ao fundo, a Fortaleza de S. Fernando.  

Para onde iriam estas meninas num dia de sol, com a estrada deserta? Repare-se no pormenor das irmãs da caridade com «sombrinhas» para se protegerrm do sol. Creio que em Portugal não havia este hábito e que  as ditas sempre e sómente funcionaram como «guarda-chuvas».  Em África davam  para a chuva e para o sol. 

À frente, reconheço Lúcia Camacho e logo atrás, à dt. ? Alves (filha de Hemitério Alves)



HINO DO COLÉGIO DE MOÇÂMEDES

Meu colégio tão querido
Meu vergel de pomos d'oiro
Meu canteiro preferido
Meu trigal ainda não loiro.

Somos as flores mimosas
Do jardim no areal
Só tu nos guardas viçosas
Do leste sopro do mal.

À frente o mar buliçoso
sempre de lá a acenar
Lá longe, ao largo é forçoso
Querer orar, trabalhar.

Bem perto além o deserto
mensagem nova lição
Vive em paz quem é discreto,
Guarda a língua e o coração.

Aprendi nos bancos teus
A lição que vou guardar
A Família, a Pátria e a Deus
Ama com amor sem par.

Quando te deixar um dia
Hei-de guardar em meu peito
Esta eterna melodia
De gratidão e respeito!


Ver também AQUI
AQUI 



(video do encontro, em 2008 das ex-alunas com a madre Moita)

Grupo de raparigas à porta do antigo Colégio de Nossa Senhora de Fátima: 1945/6

Grupo de alunas e catequistas do Colégio Nossa Semhora de Fátima de Moçâmedes, posam para a posteridade na escadaria do antigo colégio situado  à  numa zona próxima do antigo campo de futebol, ao fundo da Avenida da Praia do Bonfim. Já lá vão  quase 70 anos, e parece que foi ontem. Embora fosse mais nova, ainda me lembro de algumas. São elas, de cima para baixo, e da esq. para a dt:

1ªfila- (cima)- ???, Olimpia Aquino, ????,
Ludovina Leitão
2ª fila- ???, Élia Paulo,?, Maria Emilia Ramos
3ª fila- Didi Carvalho, Dina Ascenso, ????? Lurdes Ilha,?

5ª fila- ???, 6ª fila??? 7ª fila ????, Fernanda Anselmo Braz de Sousa, ??? Henriqueta (Miqueta) Barbosa ??
Hirondina Mangericão. Lena Freitas (Barata)
6ª fila-???, Néné Trindade, ???
7ª fila :(sentadas/frente)?, Fátima Cunha, Luzette Sousa, Odete, irmã da Luzette, Orbela Guedes e ??


(Clicar na foto para aumentar)
Dedico-vos esta bela canção: clicar AQUI

22 outubro 2009

Gente de Moçâmedes: familia Lopes

















No parque infantil de Moçâmedes:
Da esq. para a dt:
Em cima: Maria Lopes e Florinda Jardim
Embaixo: ?, Justino Lopes e irmã.

21 outubro 2009

Moçamedenses despedem-se de Porto Alexandre e de Angola: 10 de Janeiro de 1976

















Grupo de moçamedenses posando para a posteridade no dia em que tiveram que abandonar Porto Alexandre (Tombwa), a 10 de Janeiro de 1976. Da esq. para a dt., reconheço: Abilinho Aquino Brás, os irmãos Lopo Duarte, Ricardo Duarte,Fernando Duarte, Lena Duarte, Jorge Duarte, e Helder Duarte (tio).

Assim descreveu Ricardo Duarte (Kady) esse dia:

«
FUGA PARA A "SELVA" EUROPEIA (com breve passagem pelo apartheid)

- Janeiro de 1976, já quase não haviam amigos em Palex - todos se tinham ido embora, de carro, de barco ou de avião. As ruas de Palex, pejadas de mortos. O meu pai tinha que ziguezaguear para não os pisar. Era a caça ao homem. Nós que sempre acreditámos que ficaríamos, escorados nos dizeres do Saidi Mingas (assassinado pelo golpe nitista). O Saidi Mingas e o Kundi Paihama (que vivia em Palex e que era meu amigo) disseram ao meu pai - Sr Duarte, fique porque aqueles que sairem vão ter dificuldades em regressar. Infelizmente o Saidi e o Kundi não tinham razão. Hoje vai mais depressa para Angola um tuga que "não gosta de pretos", tal como os russos (e lá faz o sorriso amarelo para os explorar) do que um genuíno angolano como eu e vós leitores que amamos aquela terra.

Cronologia da "Fuga" de traineira e repatriamento de comboio, autocarro e avião - Janeiro de 1976 » Palex (dia 10) , Saco da Baleia (dia 11), Baía doa Tigres (dia 12), Cunene (dia 13), Walvis Bay (dias 14 a 23), Swakopmund (dia 23), Usakos (dia 24), Karibib (dia 24), Okahandja (dia 24), Whindoek (dia 24), Abidjan/Costa do Marfim (dia 24), Lisboa (capital da Selva, dia 25) .

PS1: ficam por contar os episódios inanarráveis da "Selva" e as catanas que tive de afiar para desbravar mato e sobreviver aqui no Puto, como se fosse um dos exploradores Serpa Pinto, Brito Capelo ou Robert Ivens quando se aventuraram no mato verdadeiro.

PS2: oportunamente ilustrarei alguns destes episódios angolanos neste blog .»


In Kadypress-Angola.blogspot

Esperemos que Ricardo continua a contar-nos as suas memórias...


Nota da autora do blog:

10 de Janeiro de 1976. Cidade Namibe. Na previsão dos graves combates de se avizinhavam entre guerrilheiros da UNITA e da FNLA (vingança da UNITA face a anterior matança de seus guerrilheiros), abandonaram a cidade nesse dia 1600 pessoas no tristemente célebre «Silver Sky», navio de cargueiro (cereais) que se encontrava na baía e, que após ter recebido os fugitivos, rumou para Welvis Bay, de onde estes foram encaminhados para Portugal. De Porto Alexandre a fuga foi em traineiras. E assim chegara ao aquilo que se pode muito bem denominar uma autêntica «limpeza étnica».

Encontra-se em preparação um texto ilustrado sobre a fuga dos moçamedenses no «Silver Sky». Se alguém quiser colaborar com relatos e fotos, é este o contacto: jardim.n@gmail.com

MariaNJardim

13 outubro 2009

Atletas do Ginásio Clube da Torre do Tombo. Moçâmedes, 1955.
















Atletas do Ginásio Clube da Torre do Tombo. Moçâmedes, 1955. São eles, da esq. para a dt.: Carlos Manuel Guedes Lisboa (Lolita), Amilcar de Sousa Almeida, Albino Aquino e Carlos Vieira Calão.
1953.

12 outubro 2009

Toninhas (golfinhos), focas, pinguins, alcatrazes, albatrozes... no mar de Moçâmedes



Diving II










Quando se cita a fauna angolana ignoram-se as famílias de toninhas ou golfinhos negros brincalhões (1ª e 2ª fotos) que de longe em longe visitavam a baía de Moçâmedes aproximando-se dos banhistas (na zona entre a jangada e a Praia das Miragens) exercitando desse modo seu costume de salvar náufragos, porque para elas, qualquer ser humano nadando junto à praia é um náufrago potencial que deve ser empurrado para terra e nem sempre com a delicadeza que seria necessária. Essas negras e volumosas toninhas ou golfinhos que, de salto em salto, vinham avançando até aos banhistas causando-lhes momentos de pavôr, delírio e admiração.


Quando se cita a fauna angolana ignoram-se as focas que surgem nos meses de Junho ou Julho sulcando as águas das baías do sul de Angola ou refastelando-se nas areias das praias, tomando banhos de sol como qualquer um de nós.

I
gnoram-se os pequenos e engraçados pinguins de «casca preta e branca» (foto 9), que de quando em quando vinham até nós, e que não raro eram levados por algumas crianças para os quintais de suas casas onde facilmente se aclimatavam, e de tal modo, que era vê-los a serem levados por elas com o seu passinho bamboleado e uma corda atada ao pescoço, rumo à Praia das Miragens para uma saudável banhoca... E os albatrozes, os alcatrazes e os garajaus que voavam baixinho à espera da companhia dos barcos que viajavam para sul ou se atiravam ao mar em mergulho picado à caça do peixe que do alto anteviam.

Toda esta fauna se deve à corrente fria de Benguela, modeladora do clima, modeladora da costa e das várias ilhas e penínsulas sedimentares que se localizam sempre a norte da foz dos grandes rios (Cunene/Baía dos Tigres).
Se o mar do distrito de Moçâmedes era e é um mar riquíssimo em pescado, este aspecto fica dever-se à corrente fria de Benguela que constitui um dos mais importantes factores de moderação climática da zona.

Como funciona este assunto?

De maneira bem simples. Um dos braços da corrente quente do Brasil que aparece sobre o Equador, avança para o Atlântico Sul e acompanha as costas do Brasil e da Argentina. Nos mares da Antártida choca contra as geleiras da região, apodera-se de icebergues e mistura-se com outras correntes de água fria. Então começa a desviar-se em direcção à costa ocidental de África e passa a denominar-se «corrente fria de Benguela».

Cada icebergue que se desprende é um zoológico ambulante que vai arrastando consigo grupos de focas e pinguins, muitos dos quais terminam a sua viagem nas praias da Baía dos Tigres, Porto Alexandre (actual Tômbua) e Moçâmedes (actual Namibe).

..................
Assim eternizou o poeta moçamedense, Angelino da Silva Jardim, o gesto vil que um dia, na década de 1950, fora perpetrado alí bem junto à Fortaleza e a praia, contra uma dessas focas que um dia a nós viera...



FOCA

Foi morta, a tiros vis, a foca, a Grande foca
Que, um dia, a nós viera,
Que deixara, no polo, a neve e a sua toca,
Seguindo uma quimera.

E que, depois, aqui, no centro do jardim,
Num tanque aprisionada,
Foi o enlevo, o riso, o mágico arlequim
De toda a pequenada!

Nostálgica do mar, sofreu a sua dor
Em paz e humildade,
Até que, um dia, um pobre sonhador
Lhe deu a liberdade!

Antes não fora assim, antes não fora,a morte
Rondava à beira-mar,
Toda incarnada em ti, homem de negra sorte
E de sinistro olhar!

A frio, sem tremer, sem uma hesitação,
O ente iluminado
Atira e atravessa, a rir, um coração
Ao seu sincronizado!

Guiou-lhe a mão letal o instinto assassino
Do homem das cavernas
Que a cabeça esconde em face do destino
E pensa com as pernas!

Nero era mau e vil, um ente sanguinário,
Um monstro matricida,
Que alimentava, em si, o sonho visionário
De destruir a vida!

Mas era simplesmente um bárbaro inculto,
Um cérebro doente
E a História, ao pesar o seu viver estulto,
Se queda indiferente!

Mas tu, filho da... luz, da civilização,
Que podes alegar
Se, um dia, a tua vil e criminosa acção
Alguém quiser julgar?!

Que foste previdente e a praia libertaste
De um animal feroz?
Ou que outra razão estúpida inventaste
Para o teu crime atroz?!
Para a sociedade és sempre o ilustre capitão,
Mas, para as crianças, tu... não passas de um papão
Que fere e que destrói a frio, sem piedade,
Sem alma, sem respeito e sem humanidade|!
Olha em redor, a vida é sonho e é grandeza
E tu vives também e és bicho com certeza!

Angelino da Silva Jardim

Poeta moçamedense


REZA DO CHACAL NA PRAIA DO NAMIBE

Sob o azul frio da rosa praia do esqueleto,
nesse deserto sem regresso e sem começo,
conhece a frágil foca cria o férreo preço
da estranha sede do chacal de dorso preto.

«Rego com o sangue da pequena foca triste
as dunas onde planto os ossos de gaivota,
e nesta horta a noite é dócil e derrota
o vento vil que contra o sonho não resiste.

Não chores, oh pequena foca triste, não
chores. Dos ossos da gaivota nascerão
caras de peixe, e dessas máscaras de mágoa,
sete ribeiros quais teus olhos doce água.»

Silêncio e noite no Namibe areal…
um oásis grita no uivo do chacal.


Autor: Mayyahk
(2002/01/01 23:55)

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Créditos das 5ª, 6ª e 7ªas fotos: Recordar Angola de Paulo Salvador

11 setembro 2009

Rui Duarte de Mendonça Torres, vencedor do 1º rally da Huila 1953



           Na foto: Rui Torres, vencedor do 1º Rally do Lubango em 1953, ostentando os seus troféus.

 

Foi no início da década de 50 que se deu o despontar o desporto automobilístico no Distrito de Moçâmedes. Nesses tempos participavam carros de turismo de diversas marcas e níveis de preparação, e até carrinhas de caixa aberta, todos disputando as provas e correndo juntos, sem distinção. Corria-se porque se gostava, por amadorismo, e os carros com que se corria eram os mesmos do dia a dia e até os pneus eram os mesmos, fosse qual fosse o seu piso. Mais tarde as pistas angolanas evoluiram com novas aquisições, entre as quais se salienta o Porsche 904 GTS adquirido por Henrique Ahrens de Novais etc., e na década de 70, as provas eram já divididas em "corridas" distintas de pilotos consagrados e de pilotos iniciados.

A Família Mendonça Torres




Se há famílias cuja história se encontra intimamente ligada à história da fundação da cidade de Moçâmedes, a família de Rui Torres é uma delas. Rui Torres, ou melhor, Rui Duarte de Mendonça Torres, fazia parte de uma 3ª geração dessa família  já nascida em terras de Angola.



Eduardo de Mendonça Torres (de branco), à dt. tendo à sua esq. Álvaro Vieira Ascenço. Foto tirada no     interior da "Casa Ascenso" gentilmente cedida por Telmo Ascenso


Filho de Eduardo de Mendonça Torres e de Maria Salles Lane, neto de António Florentino Torres e de Maria Júlia de Mendonça, Rui Duarte de Mendonça Torres era bisneto paterno de Manuel Joaquim Torres (1815-1882) e de Maria José da Costa Torres (1827-1912), um dos casais que, acompanhados de sua filha Amélia Torres, participaram da 2ª colónia de emigrantes que, chefiada por José Joaquim da Costa , partiu de Pernambuco (Brasil) no ano de 1850, fugindo à revolução praeeira, para se juntar à 1ª colónia chefiada por Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, que havia chegado a Moçâmedes, na Barca «Tentativa Feliz», no dia 04 de Agosto de 1849, para dar inicio à colonização do Distrito.

Rui Duarte de Mendonça Torres era casado com Maria Edith Serra, e tinha duas irmãs:
.Maria Antonieta de Mendonça Torres
.Maria Eduarda de Mendonça Torres
* 06.08.1917, casou com Clemente Agostinho Branco Carmona em Ang. Moss. 23.09.1939

Manuel Joaquim Torres e Maria José da Costa Torres (naturais da Ilha de S. Miguel- Açores)
já eram pessoas endinheiradas quando partiram do Brasil, e em Moçâmedes foram proprietários, entre outros, de uma fazenda na Várzea dos Casados. Seus restos mortais repousam em mausoléu  no Cemitério de Moçâmedes (Namibe), no qual se encontram gravados os seguintes dizeres: «Cidadão digno e soldado valente, derramou o seu sangue pugnando pelas liberdades pátrias nas lutas fratícidas de 1822». A filha que os acompanhou, Amélia Torres era casada com Manuel José Alves Bastos, componente da 1ª colónia, comerciante e proprietário que se dedicou ao comércio de marfim e gado, às actividades agrícola com plantações, e também à pesca e à exploração de salinas. Com João Duarte de Almeida, eram os dois homens mais ricos na época. Repousam em jazigo de Família, no cemitério de Moçâmedes.

Os avôs de Rui Duarte de Mendonça Torres, António Florentino Torres (+ Angola, Moçâmedes 27.08.1932) e Maria Júlia de Mendonça (Angola, Moçâmedes 21.06.1866), tiveram a seguinte descendência:

.Maria Adelaide Zuzarte de Mendonça Torres * 01.05.1886 , casada com José Augusto de Miranda Cayolla
.António de Mendonça Torres
.Eduardo de Mendonça Torres
+ Maria Salles Lane
.Beatriz de Mendonça Torres * 05.09.1887 + Francisco Alexandrino da Silva
.Manuel de Mendonça Torres .
.Maria Amélia de Mendonça Torres .
.Albertina de Mendonça Torres * 01.11.1900 , casada com Augusto Mendes Pereira Godinho
.Branca de Mendonça Torres, casada com Carlos Laidley Guedes Águas



A família Mendonça Torres foi durante muito tempo uma das famílias melhor posicionadas socialmente em Moçâmedes. O interior casa
de Manuel Joaquim Torres e de Maria José da Costa Torres, em 1885(?), uma das primeiras casas a serem ali construídas, mantinha as características dos lares das burguesias metropolitanas «aristocratizadas» da época, quer no mobiliário, quer na indumentária das suas femininas representantes. Ali não faltavam quadros a óleo, pratas e cristais cintilantes, o tradicional piano, instrumento que fazia parte da educação de uma menina prendada, e aos serões familiares as senhoras reunidas à volta de uma grande mesa, bordavam ao bastidor, coziam, faziam leituras em voz alta, tocavam, cantavam, etc. etc. (vidé foto e descrição, clicando AQUI).

O nobre edifício de linhas clássicas que foi propriedade desta família, situado no caveto das então Ruas dos Pescadores e 04 de Agosto, e que conheci já como Hotel Central alugado à família Gouveia, serve hoje de Museu na cidade do Namibe, onde repousam os «restos do Império».


O culto da arte de bem receber desta família esteve presente em 1932, quando por ocasião da visita a Moçâmedes do Presidente Óscar Fragoso Carmona, foi servido um almoço na residência de Eduardo Mendonça Torres e de sua esposa, Maria Sales Lane, na Fazenda «Nossa Senhora da Conceição», na zona do rio Bero, conforme se pode ler no Boletim da Agência Geral das Colónias : vol xiv : nº 162, pgs. 328 a 330:
 
«...Na residência, o Sr. Eduardo Mendonça Torres, sua esposa, Maria Sales Lane Torres, suas gentis filhas, Maria Antónia e Maria Eduarda e demais família, recebiam com extremos de gentileza. O almoço decorreu num ambiente encantador de respeitosa deferência para com o ilustre visitante, Sr. General Óscar Carmona, a quem acompanharam os Srs. Dr. Francisco Vieira Machado, coronel Lopes Mateus, capitão Ferreira de Carvalho e demais pessoas da comitiva.
A ementa fora «composta» sobre lindos cartões com fotografias de diversos aspectos da Fazenda e que constituíram uma interessante recordação do encantador local, daquela deliciosa festa íntima. O Sr. Eduardo de Mendonça Torres, agradecendo a subida honra que lhe dera o Sr. General Óscar Carmona visitando a Fazenda, disse:(vidé discurso pg, do mesmo Boletim) .
Por sua vez o Presidente da República erguendo-se, afirmou os seus melhores agradecimentos pelas atenções de que fora alvo, e referindo-se ao que na propriedade acabava de ver, disse todo o seu contentamento de português. Depois condecorou o Sr. Eduardo Mendonça Torres com a Ordem de Mérito Agrícola.

Quanto à impressão que causou aos visitantes a Fazenda desta família, fala por si a pena de um dos jornalistas que nessa altura a visitaram:
«Os terrenos, como todos os do vale daquele rio, são férteis, mas ali encontra-se a inteligência e mão do homem a orientar e trabalhar. A visita deixa uma magnifica impressão, pois ali mostram-se em interessante companhia as árvores de frutos tropicais e as que se dão na metrópole. Os talhões de cultura, de alinhamento impecável estão todos aproveitados. A água, que um grande engenho a vapor tira do sub-solo corre, abundante, pelas valas. As ruas, limitadas por filas de árvores de alto porte, são enormes, rectilíneas, circulando à vontade, por entre elas, os automóveis. O jardim, bem tratado, com lindas flores; as dependências, os estábulos de gado de raça, tudo, enfim, que constitui os elementos de uma fazenda agrícola, ali se encontra bem delineado, bem tratado, numa amplitude e num conjunto que prende e encanta.» (vidé mesmo Boletim)

No decurso dessa visita, Eduardo Mendonça Torres acompanhou o Presidente da República na tradicional caçada no deserto de Mossâmedes, onde, no Pico do Azevedo foi servido o pequeno almoço e no local onde faleceu o Dr. Luiz Carriço, - Os morros Paralelos – foi prestada homenagem à memória do professor e naturalista, tendo-se seguido a caçada propriamente dita, com o abate de várias gazelas e guelengues, enquanto operadores cinematográficos filmavam. Ao almoço o General Carmona ergueu um brinde a Eduardo Mendonça Torres, felicitando-o pelo «belo tiro certeiro».(vidé o mesmo Boletim) .

Outra figura de destaque desta família foi o Dr. Manuel Júlio de Mendonça Torres, cuja obra “O Distrito de Moçâmedes”, de sua autoria (edição da Agência-Geral do Ultramar, Lisboa, 1974 (reprodução fac-similada da edição de 1950), são dois volumes considerados o melhor e mais completo estudo sobre a história do Distrito de Moçâmedes, hoje Namibe. Manuel Júlio de Mendonça Torres, sabe-se também, foi um ardente apóstolo da causa que levou à inauguração da solene da «Escola Primária Superior Barão de Mossãmedes» (in “O Mossamedense”, (vidé nº. 46, de 31.05.1925 - 4ª. Série Director: Alberto Trindade-Editor: Joaquim Augusto Monteiro). Foi professor de Português e História nessa «famosa» Escola que ficava situada nuns prédios voltados para Avenida da República, paralela ao mar, e que preenchia toda a Rua transversal até à Rua dos Pescadores, onde leccionou desde princípios dos anos 20 até princípios dos anos 40(?), quando resolveu fixar-se em Lisboa, onde passou a escrever para os jornais e revistas oficiais, e se dedicou a escrever os dois volumes do seu belo livro sobre a História da nossa Terra (*). E onde veio a falecer nos anos 50.


As «Hortas» da família Torres, junto do terrenos férteis do Rio Bero, eram verdadeiro Oásis em pleno deserto do Namibe, e estavam abertas à visita de todos os moçamedenses que a quisessem visitar. Ali junto ao bonito «challet», onde se estendiam longas fileiras de mesas, à sombra amena de frondosas árvores de frutos tropicais e mediterrânicos: mangueiras, tangerineiras, laranjeiras, nespereiras, goiabeiras, videiras (em latadas), etc., etc., faziam-se piqueniques que ajudavam a preencher, agradavelmente, os fins de semana de muitas famílias, numa terra onde a luta pela vida era o pão nosso de cada dia. Nas «Hortas» da família Mendonça Torres sequer faltava um mini-zoo com vários animais do deserto, cabrinhas de leque, zebras, guelengues, etc., que faziam o encanto de adultos e crianças, sem esquecer o grande tanque cheio de água (bebedouro dos animais) que servia de piscina onde os mais novos se iam banhar. Alí não havia restrições, e as crianças podiam correr, saltar, brincar, trepar às àrvores à vontade, colher frutos, comê-los, e, na hora do regresso a casa, as famílias sempre podiam contar com a graciosa oferta de saborosos frutos. A exploração pecuária desta família situava-se na zona semi-desértica do Caraculo onde, recordo, a família possuíam uma casa de tipo colonial situada no topo de um enorme rochedo granítico.

O último gestor dos bens desta família foi Rui Duarte de Mendonça Torres
. Rui Torres também deu a sua contribuição para a vida associativa moçamedense, que foi vasta e diversificada. Esteve ligado, entre outros, à fundação do Rádio Clube de Moçâmedes, ao Corpo Directivo do Atlético Clube de Moçâmedes, ao Aero Clube de Moçâmedes, ao Clube Nautico de Moçâmedes, à vereação da Câmara Municipal da cidade, à Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Moçâmedes, à direcção do Grémio dos Industriais de Pesca de Moçâmedes e por último ao Instituto da Industria de Pesca.

Rui Duarte de Mendonça Torres era uma figura simpática e jovial, e foi , como já anteriormente foi aqui referido, o vencedor do 1º Rally do Lubango em 1953 conduzindo uma carrinha Ford de caixa aberta como podemos ver na foto acima , representativa desse tempo que foi o do arranque desta modalidade. Essa fora a primeira e a única vez que foi permitida a utilização desse tipo de veículos em rallys.


MariaNJardim

Alguma bibliografia:
«O Distrito de Moçâmedes» da autoria do Dr. Manuel Júlio de Mendonça Torres»

“O Mossamedense”, (vidé nº. 46, de 31.05.1925 - 4ª. Série Director: Alberto Trindade-Editor: Joaquim Augusto Monteiro
Boletim da Agência Geral das Colónias : vol xiv : nº 162, pgs. 328 a 330
GeneallNet
 Interligação:
Genealogia da família  Zuzarte de Mendonça in Geneallnet



Retirado de Geneallnet: 
Na relação dos colonos de 1850 vem, a pp. 483, a referência a "Manuel Joaquim Torres, casado com Maria da Costa Torres e sua filha Amélia" (sic). E, em extra-texto, entre pp. 378 e 379 vem publicada a fotografia de Maria José da Costa Torres, com os seguintes dizeres: " N. 1827 - f. 24 Jul. 1912, natural da ilha de S. Miguel, proprietária, componente da Segunda Colónia; foi esposa de Manuel Joaquim Torres, tambem componente da Segunda Colónia. Repousa, em jazigo de família, no cemitério de Moçâmedes" (sic).

Ora aquele Manuel Joaquim Torres (n. 1813) foi, segundo consta da Genea, casado com Maria José da Costa (n. 1827), tratando-se por conseguinte e provavelmente do mesmo casal, e aí (na Genea) se referindo que foram pais de António Florentino Torres.

Contudo, a tratar-se, como parece, do mesmo casal, resulta, mercê do que consta a citadas pp. 480, que o António Florentino Torres seria irmão da referida Amélia.

Aliás o António Florentino Torres foi casado com Maria Júlia de Mendonça Torres e tiveram 8 filhos, 5 raparigas e 3 rapazes (segundo a Genea), tendo a primeira filha nascido em 1886 e a última depois de 1900. E, percisamente o quinto filho vem aí identificado como Manuel de Mendonça Torres, mas será - creio - o Manuel Júlio de Mendonça Torres, autor do livro a que venho referindo-me. Acresce, curiosamente, que o casal António Florentino e Maria Júlia, de entre os 8 filhos tiveram uma filha (nascida em sexto lugar) de nome Maria Amélia de Mendonça Torres, provavelmente em homenagem à sua tia paterna de nome Amélia e que vem relacionada a citadas pp. 483. Esta foi casada com Manuel José Alves Bastos, componente da Primeira Colónia, e a sua fotografia vem publicada, em extra-texto, entre pp. 402 e 403 da obra em questão. De casada ficou com o nome Amélia Torres Bastos (cfr. ora citado extra-texto). By Fernando
  

 http://princesa-do-namibe.blogspot.com/2008/11/gente-do-meu-tempo.html#links



Ver também
 http://mossamedes-do-antigamente.blogspot.pt/2012_10_19_archive.html