30 março 2009

Himbas - Exotismo e Beleza no Deserto do Namibe














HIMBAS

No século XV, os Herero
sairam da Etiópia com os seus rebanhos, e deram início a uma extensa viagem para sudoeste em busca de pastos e sobrevivência, atravessaram a África até ao norte do actual território da Namíbia, onde se fixaram nos séculos XVII e XVII com as suas mulheres de invulgar beleza - os olhos amendoados e cintilantes, o sorriso enigmático, a cabeça enfeitada por artísticos penteados, e procederam sem delongas à conquista das áreas mais fecundas.

Os Himba, Ovahimba, que hoje vivem no Sul de Angola e no norte da Namíbia,
próximos ao Rio Cunene (rio que marca a fronteira entre os dois territórios e também no Botwana), são descendentes dos Herero.

Este povo manteve as tradições centenárias quase intactas, ainda que os que habitam a Namíbia tivessem sofrido a influência dos missionários e da voragem do progresso. Uma dessas tradições é o hábito das mulheres de cobrirem o corpo com um óleo avermelhado, mistura de banha de boi com uma pedra local, espécie de argila, que protege a pele do vento e do sol, bem como o dos penteados sumamente elaborados, enfeitados com peças de couro de metal, também eles untados com a mesma mistura, fazendo-as despender todos os dias várias horas a cuidar da sua beleza.

Peritas na arte do “coquetismo”, as himba comandam uma sociedade poligâmica, em que cada mulher pode ter vários homens.
Elas são a alma da tribo, porque mantêm a economia das suas casas e criam os filhos à sua maneira, com um carinho desvelado. São belezas africanas que muito teriam a ensinar aos entendidos, no campo da cosmética, quanto aos segredos de como possuir uma pele lisa, aveludada, e sem defeitos.

Os Mucubais e os Himbas, são praticamente a mesma raça. Ambos são povos negros bantos do Grupo Herero
que engloba vários subgrupos, incluindo o Himba, o Ovahimba, o Ovatjimba o Ovambanderu e os vaKwandu, grupos em Angola incluem o vaKuvale, vaZemba, Hakawona, Tjavikwa e Tjimba (herero pobres). Apesar de divididos em diversos subgrupos, estes povos possuem o mesmo idioma herero, além de português em angola, inglês em Botswana e inglês e africaner na Namíbia.

Secos, altivos e ferozmente independentes, e
les desconhecem fronteiras e circulam livremente entre os países e vagam pelo deserto como os leões e os elefantes, chegando a caminhar até 80 quilómetros em busca de água para o gado. Tanto esforço vale a pena: o gado bovino é o principal símbolo de status de uma família himba, e seu roubo é punido com a morte. A carne é reservada apenas para eventos especiais, como casamentos e funerais. Quando um himba morre, mata-se uma parte de seu gado e as cabeças são empilhadas ao lado da sepultura, para proteger o seu espírito. Nas aldeias himba, há sempre um curral no meio, vigiado pelo fogo sagrado chamado okuruwo. Os feiticeiros usam-no para comunicar com os ancestrais.

Presentemente estas belíssimas tribos em vias de extinção, fazem parte do roteiro turístico de quem visita o Deserto do Namibe e continua viagem até à foz do Rio Cunene e norte da Namíbia.

MariaNJardim

No livro "Revelacões da minha vida e memorias de alguns factos e homens meus" por Simão José da Luz Soriano podemos ler esta passagem: "...A duas ou tres legoas de distancia da Umpata, c na direcção de E., está o sobado da Huilla, paiz que igualmente tem ferteis terrenos, sendo cortado por muitas ribeiras e rios, cujas margens tem bellas pastagens, onde os indigenas pastoream bastantes manadas de gado vaccum. Ao sul da Huilla fica o sobado do Jau, cujos terrenos, apesar de mais extensos, são todavia de vegetação menos luxurienta, que os da Umpata e Huilla. Outros sobados se seguem ainda, como Mucuma, Hay e Gambos, sendo este um dos maiores em população. A E. dos Gambos encontramse as povoações de Mulondo, Camba e Humbe, na margem d'aquem do Cunene, que por estas terras corre n'uma curva, para ir desaguar no Oceano, pela bahia dos Tigres. O mais extenso e povoado dos sertões, além do Cunene, é o Coanhama, onde poucos brancos tem ido em procura do marfim, que alli se diz abundante. A E SE.
do Coanhama fica a terra do Donga, d'onde em distancia de 4 a 5 dias de viagem para o S. se encontram as grandes minas de cobre, que abastecem todos os sertões limitrophes. Deste metal, que os indigenas fundem, formam elles um vergalhão de um quarto de pollegada de grossura, com cinco palmos de comprido, de que fazem bracelletes para as mulheres, e que enrolado nos braços, a começar do pulso, vae em espiral até ao cotovello. http://archive.org/stream/revelaesdami00luzs...

archive.org



FILHA do NAMIBE

Filha do deserto,
da areia escaldante,
do horizonte
que não 'squeço,
do vento
que não 'spanto.


Filha do deserto!
Crestada p'las "nuances"
das miragens.
Surgida...
Envolta em neblinas.
Afagada pelo sol.


Filha do deserto!
Temperada de mar,
qu' ali tão perto,
se reflecte...
no teu olhar.


Filha do deserto!
Nada t'inibe.
Flor de welvitchia.
Filha do Namibe,
do Sol,
do Mar
dono do areal.
Filha do deserto
és tu...
Mucubal!



versos de aileda/adeliavaz
SOBRE HEREROS AQUI
VIDEO HIMBAS
Impacto colonização após anos 20 nas sociedades rurais do sul de Angola: Clicar AQUI
LIVRO

26 março 2009

Equipa tri-campeã de Angola de hóquei em patins (juniores) do Atlético Clube de Moçâmedes:






















Recepção à chegada a Moçâmedes da equipa de hóquei em patins juniores do Atlético Clube de Moçâmedes «Equipa Maravilha», após ter vencido o Campeonato de Angola em 1964, sagrando-se tri-campeã (já haviam ganho os campeonatos de Angola de 1962 e 1963). Uma autêntica proeza, caso único na história do hóquei em patins angolano!

Através das 2ª  e 3ª fotos podemos ver como era na época o nosso «aeroporto», um hangar, clássico da época, tipo grande barracão, de portas corrediças onde cabiam dakotas e friedships, ou ficavam as pessoas enquanto aguardavam a chegada  de alguma alta entidade pública de visita a Moçâmedes.

Moçâmedes era sem dúvida uma cidade hospitaleira que por vezes até se excedia em certas manifestações que não teriam a sua razão de ser, se a sua população estivesse na altura bem informada, ou politizada, sobre a realidade da situação que estávamos a viver. Porém, deste dia, não sei como nem porquê, um dia que deveria ser grandemente festejado pela população, este acontecimento passou quase desapercebido.


À chegada a Moçâmedes da «equipa maravilha» esperavam-na no Aeroporto nada mais que um grupo de «carolas» e dirigentes do clube (cerca de 70 pessoas) que, munidos de cartazes, manifestavam acaloradamente a sua satisfação por tão grande feito, m
as, volto a repeti-lo, foi uma homenagem demasiado simples para tão grande feito. Prefiro pensar que tal aconteceu porque o regresso ter-se-ia dado num dia de semana e no horário de trabalho, porque os CAMPEÕES mereciam muito mais!

Nessa altura o Atlético encontrava-se em grande luta pela sua sobrevivência, sem uma ajuda mínima do Governo Civil e da Câmara Municipal, e as forças vivas da cidade pareciam pouco ou nada sensibilizadas em relação ao desporto junior.
No entanto os nossos rapazes não desanimaram e continuaram a não permitir que os trunfos ficassem em «terra alheia». Como se não bastasse, em 1965, a «Equipa Maravilha» do Atlético Clube de Moçâmedes, já então como seniores, tornou a vencer o Campeonato de Angola. Infelizmente, em 1966, esta equipa viria a ser desfeita por força da incorporação militar dos seus elementos.

Consulte o blog MEMÒRIAS DESPORTIVAS para saber mais...







Nesta foto, a única desta série que não está legendada, tirada no final de um jogo, reconheço, da esq. para a dt.
Em cima:
Neco Mangericão, ?????, Hemitério Alves , Manuel Rios, Mário de Andrade, Artur Trindade, Congo (irmão do Xico Bamba), Arménio Jardim (Treinador do Atlético), Laurentino Jardim (jogador), Arménio Minas, Zequinha Cruz, Chibante, Orlando Saraiva dos Santos, Faustino, José Costa, Veiga, João Germano Códinha Fernandes, ???.
Embaixo:
?, Carlos Brazão ( jogador), ?, Orlando Santos (jogador), Chico Carmo, Camilo Costa , Pedro Costa (Caála), Daniel Couto, Costa (filho de Camilo Costa), Zé Adriano, Henrique Minas, Fernando Leonel Pita (Leona), Rui Mangerição, Laurindo Couto (Jogador), João Martins (Latinhas)...





Consulte o blog MEMÒRIAS DESPORTIVAS


25 março 2009

Caça ao elefante no Deserto do Namibe, Moçâmedes, Angola



O casal Caridade Ponteviane e Artur Homem da Trindade posando junto a um elefante abatido no Deserto do Namibe, em finais da década de 1950.(*) 

Conheci o  casal Caridade Pontevianne e Artur Homem da Trindade. Ela, mãe de uma amiga minha e colega de curso, Maria de Lurdes Pontevianne Infante da Câmara, era uma linda senhora, loura. elegante, simpática, que fazia lembrar uma artista de cinema. Ele, um génio na arte de projectar belos edifícios públicos e as mais lindas vivendas que ficaram para sempre a alindar a cidade de Moçâmedes, actual Namibe. Artur Homem da Trindade deixou a sua marca em edifícios de elevada qualidade estética, tais como os CTT, a Associação Comercial, etc, e em grande número de belas vivendas que alindam a cidade, tal como a mais bela de todas elas, a de Raúl Radich Jr., na Rua da Praia do Bonfim, frontal  à Avenida com o mesmo nome (antes, Avenida da República), zona do Espelho de Água e das gazelas.

Para se caçar no deserto do Namibe, em Moçâmedes tinha que se ter licença de caça e a devida autorização dos Serviços de Pecuária e Veterinária, e, cada caçador estava limitada a um certo número de espécie e a um número limitado de animais a abater.

No que diz respeito à fauna do Deserto  do Namibe, por esta altura era ainda imensa e variada, e podiam ser encontrados elefantes, olongos, impalas, zebras, leopardos, chacais, raposas, cabras de leque, olongos, guelengues, avestruzes, rinocerontes, elefantes, onças e até leões, para além de aves como perdizes, tuas, gegonhas, flamingos, pintados, avestruzes, etc. Como animais raros, havia a suricata, mamífero de 30 a 40 cm de altura que vive em buracos e adopta a posição erecta, apoiada nas patas traseiras e na cauda. Depois da saída dos portugueses em 1975, a caça furtiva e a guerra civil reduziram drasticamente a fauna abundante que um dia existiu... Como na maioria dos parques angolanos é incerta a população ou a quantidade de animais que sobreviveu a guerra... No Parque Nacional da Kissama, por exemplo, de 450 leões em 1950, restavam 5 em 1997, enquanto os elefantes tinham passado de 1.200 para 20.O sul de Angola até o paralelo 14 é, sensivelmente, a zona mais rica em fauna (http://www.girafamania.com.br).

Já sabiamos que no Deserto do Namibe havia elefantes, mas desconhecíamos terem ali existido dinossauros. Afinal, eram só animais contemporâneos da Welwitschia Mirabilis...

Eis a notícia: Dinossauros em Angola

Uma equipa de investigadores de Angola, E.U.A., Holanda e Portugal desenvolve uma campanha de estudos paleontológicos, com trabalhos de campo no Namibe entre 2005 e 2007. Descobriram o primeiro dinossauro angolano. [ler mais]


O Deserto do Namibe

Namib, na língua da tribo dos namas significa "região onde não há nada", expressão que faz referência ao aspecto extremamente árido e inóspito deste deserto que se estende por 1.900km x 50-160 km, numa faixa que corre ao longo da costa atlântica, no sudoeste da África, e que vai desde desde São Nicolau, hoje Bentiaba, no distrito de Moçâmedes (a actual província do Namibe), até ao Rio Olifants, na Província do Cabo, África do Sul, ficando a sua maior parte no Sudoeste Africano, a ctual Namibia. Ocupa uma plataforma rochosa entre o Oceano Atlântico e as escarpas do platô interior. Montanhas isoladas erguem-se do deserto e as enormes dunas de areia podem atingir 400 m de altura. O Deserto do Namibe, dos mais antigo do mundo, divide-se, pois, em três faixas: a região litorânea, muito estreita e sujeita a influências marinhas; o Namibe Exterior, que ocupa o restante da metade ocidental do deserto; e o Namibe Interior, que constitui a parte oriental. Uma linha de planaltos e maciços montanhosos separa o Namibe do deserto de Kalahari.

A aridez do Deserto do Namibe deve-se, em parte, à influência dos ventos do oceano e da corrente marítima de Benguela que temperam o seu clima costeiro, trazem vida às suas praias, permitem que os sedimentos depositados no oceano sejam transportados para o interior do deserto, formando, assim, as vastíssimas dunas do Namibe.

As dunas mais altas encontram-se na região de Sossusvlei, na Namíbia, e têm a cor vermelho-ferrugem devido à presença de óxido de ferro depositado nas suas areias, transportado durante milhares e milhares de anos, desde a foz do Rio Orange, pela Corrente Fria de Benguela, e são consideradas as dunas mais altas e mais antigas do mundo.

No Deserto do Namibe, uma das mais importantes fontes de humidade consiste em neblinas e nevoeiros que provêm do mar e que, durante a noite, penetram dezenas de quilómetros terra adentro, fenómeno que se deve à corrente fria de Benguela que, arrefecendo as águas, provoca o nevoeiro ao interagir com o ar quente - nevoeiro que representa vida e contribui para a sobrevivência das inúmeras pequenas criaturas das dunas.

Os acidentes geográficos, por pequenos que possam ser, dão à condensação da água dos nevoeiros e, assim, são depositadas pequenas gotas nas rochas, nas plantas e na superfície do solo. Quando essa condensação é em maior escala, os cactos e a vegetação que se adaptaram ao clima desértico podem germinar e se desenvolver. Devido ao nevoeiro, o teor de humidade existente ao longo da sua costa é muito elevado e as temperaturas na maioria baixas. Mais para o interior, cerca de 30 a 60 km, tanto a temperatura como a humidade variam drasticamente com o ar frio e húmido da manhã e a posterior situação quente e seca, durante o resto do dia. Quando sopra o vento quente e seco do Leste, o que geralmente acontece Abril e Agosto, as temperaturas podem disparar até aos 40 graus Celsius, ou mais, e os ventos, habitualmente fortes, transportam detritos (restos de plantas e insectos) provenientes do interior fornecem alimento aos seus pequenos habitantes e são essenciais para a conservação da vida.

A precipitação anual de chuva é muito reduzida e varia de 15 mm ao longo da costa a 100 mm nas escarpas. Todavia, essa média é por vezes alterada, podendo ser excedida em algumas centenas por cento, ao passo que, noutras ocasiões, poderá não haver qualquer registo de precipitação.

A vegetação do Deserto do Namibe é variada, mas escassa. Há três tipos de vegetação: anharas, dunas com arbustos e planície de savana com pequenos arbustos. Exclusiva da região, abunda a célebre Welvitschia mirabilis, o tumbo, planta de folhas gigantescas que se estendem pelo chão, como longos braços em busca de água, e pode atingir mais de mil anos de vida.

Um grande número de seres vivos desenvolveram métodos notáveis de sobrevivência. Um dos casos é, por exemplo, o de uma espécie de escaravelho que se coloca de cabeça para baixo nas zonas mais húmidas, a fim de que a humidade, ao condensar-se, deslize pela carapaça até à boca.

Como Zonas de Protecção Integral da Natureza, salienta-se o Parque Nacional de Iona, estabelecido como Reserva de Caça a 02-10-1937, e classificado como Parque Nacional, II, desde 26-12-1964, e o Parque Natural Regional do Namibe, estabelecido como Reserva Parcial por período limitado até a 31-12-1959, pelo Diploma Legislativo de 12-06-1957.

O Parque Nacional de Iona, classificado como Reserva Parcial, IV, desde 1960. estende-se das dunas de areia junto ao mar, até às montanhas Tchamalinde, é limitado a Norte pelo Rio Curoca, a Sul pelo Rio Cunene, a Oeste pelos Rios Cunene e Curoca e, a Leste, pelo Rio dos Elefantes. Ocupa a área 15.150 km². O centro do Parque é de planícies abertas, e possui trinta e uma fontes naturais no seu interior. Da vegetação fazem parte três tipos: anharas, dunas com várias espécies de arbustos e planície de savana com pequenos arbustos. Abunda a weltwitschia mirabilis. O antílope emblemático do Parque é a palanca negra gigante praticamente extinta, mas existem outros mamíferos como o elefante, olongo, leão, rinoceronte negro, onça, hiena, chacal, guelengue, gazela, e várias espécies de zebras.

O Parque Natural Regional do Namibe, localizado junto da cidade de Moçâmedes, a actual Namibe, ocupa área de 4.450 km², é limitado a Norte pelos rios Bero e Cubal até ao Muol, a Leste pelos rios Atchinque e Curoca, a Oeste pela linha da costa entre a Foz do Rio Bero e a Foz do Rio Curoca. Trata-se de uma área desértica com grandes dunas de areia, que termina em escarpas montanhosas. A temperatura média anual é de 20,6° C mas a escassa pluviosidade só permite a sobrevivência de plantas adaptadas ao deserto, como a welvitschia mirabilis. Apesar do meio ser pouco propício à manutenção de fauna, são observados elefantes, olongos, rinocerontes negros e zebras da montanha.

O Deserto do Namibe possui potencialidades turisticas de grande pendor, uma fauna e flora rica e diversa, vantagens naturais que permitem o desenvolvimento turismo, assim se estabeleçam
as infra-estructuras essenciais, como a construção hotéis, de um aeroporto internacional, de vias férreas modernas, e de um porto que possa receber cruzeiros turísticos. A província do Namibe a par da vizinha Namíbia surgem, pois, neste início do século XXI, como duas potencialidades que se completam, e que poderão num futuro próximo oferecer ao turista um mundo de aventura que se pode considerar impar.
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Caçadores que se distinguiram à época da formação do distrito de Mossãmedes

Recuando atrás, muito atrás, aos tempos da formação do Distrito, nunca é demais salientar os nomes de três caçadores que ficaram ligados a este vastíssimo e atraente Deserto, atraidos que foram pela abundância e variedade de animais que nele têm o seu habitat. Um deles foi Nestor José da Costa, filho do chefe da 2ª colónia chegada a Mossãmedes em 1850 proveniente de Pernambuco (Brasil), José Joaquim da Costa. Outro, foi José Anchieta, naturalista, que colheu no deserto do Namibe e enviou para o Museu Nacional de Lisboa milhares de exemplares entre os quais cerca de cinquenta novas espécies. Outro nome, é o do popular Dr. Lapa e Faro, facultativo da província, possuidor de um veículo que havia mandado construir para transportar pelos areais de Mossãmedes as pessoas de sua casa nas caçadas que habitualmente costumavam empreender. Tratava-se de um carro leve e comodo, que além de conduzir passageiros, servia também para o transporte de pessoas doentes ou fragilizadas.

Nota: Estas informações foram colhidas do Boletim da Sociedade de Geografia, 2ª série, nº1 de 1880, onde vem publicado um relatório da viagem de exploração efectuada pelo segundo tenente António Almeida Lima, de 1 de Janeiro de 1879.


EcoHaria: Parque Nacional do Iona

DESERTO DO NAMIBE por Newton da Silva

Clicar AQUI : DESERTO NAMIBE
Clicar AQUI ANIMAIS DE ANGOLA

24 março 2009

A Praia das Miragens no verão dos anos 50 e 60













Quatro perspectivas da Praia das Miragens na segunda metade dos anos 50 (a preto e branco) , e nos anos 60. Artigo sobre a Praia das Miragens publicado pelo Jornal de Moçâmedes «O SUL», a 4 de Agosto de 1945, dia da comemoração do aniversário da fundação da cidade de Moçâmedes.
(retirado de Sanzalangola/LaySilva)

15 março 2009

Excursão a Roma e Veneza de um grupo de alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes, em 1966

https://mail.google.com/mail/?ui=2&ik=c575f3a8c9&view=att&th=128224059248bd43&attid=0.4&disp=inline&zw




























Excursão a Roma e Veneza de um grupo de alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes, em 1966

1ª e 2
ª fotos
Ainda no navio, à chegada a Lisboa, podendo ver-se ao fundo, a Ponte sobre o Tejo.
Da esquerda para a direita:
Militar amigo, Nélinha Tendinha, ?, Céu Lã (em viagem até Lisboa), Marimília Inácio, Adelina, Paula Amem, Helena Alves de Oliveira (filha de Hemitério Alves de Oliveira), e Matilde Amem. Acrescente-se as irmas Doroteias (1, foto).


3ª foto : No interior de uma gôndola, em Veneza.

Imagine-se a euforia destas jovens, quando saídas do seu pequeno e pacato burgo, se viram projectadas nas concorridas ruas da majestosa Roma, o coração de um Império, que a História nos ensinou, ter sido alicerce daquilo que hoje somos ainda, e numa autêntica cidade museu, onde o belo se impõe a cada esquina, em pedras de magnitude milenares, estátuas magníficas, fachadas lindíssimas, pormenores encantadores, praças, ruas, villas, palácios, museus, catedrais, jardins, recantos, etc, num testemunho sem paralelo do quanto pode e é capaz a genialidade humana. Imagine-se visita à Praça de São Pedro, à Basílica, aos Museus Vaticanos, ( Download ) às Catacumbas, etc., as emoções vividas no encontro com o Papa Paulo VI e ante os magníficos afrescos do fabuloso tecto da Capela Sistina pintados por Michelangelo, e outros grandes artistas como Perugino, Ghirlandaio e Botticelli, entre outros artistas do Renascimento.

Imagine-se e excitação na visita a Veneza (2ª foto),
a bela e misteriosa Veneza, cidade das gôndulas e dos múltiplos canais transformados em ruas e em avenidas. Cidade cujas origens remontam aos tempos da queda do Império Romano e que no século XV foi a mais forte potência marítima do mundo. Cidade das pontes, das igrejas, dos museus, dos palácios ao estilo bizantino e renascentista, de Tintoretto, Ticiano e Tiepolo, das lendas e histórias de amor, das máscaras inspiradas nas tragicomédias, onde se festeja um dos mais turísticos Carnavais do mundo.

Esta seria a viagem que todos os jovens moçamedenses gostariam de fazer, mas que, infelizmente, não era acessível a todos, neste cantinho de África onde a vida, embora nesta altura já não fosse tão difícil como era dantes, não era tão fácil quanto, «romanticamente», se ouve ainda hoje por aí apregoar...


Fotos: Sanzalangola (Teresa Carneiro)

12 março 2009

Jovens da capital do Namibe (Moçâmedes) em desfile de beldades: 1970/71










1. foto: Moçâmedes apresentou as suas misses

2. foto: Esta foto foi publicada no Jornal «O Comércio» de Luanda do dia 4.8.1970, dia do aniversário da fundação da cidade de Moçâmedes, enquandrando um artigo intitulado: «A CAPITAL DO NAMIBE ÀS PORTAS DO ANO 2.000 COM OS PROBLEMAS DE SEMPRE. A PRIMEIRA AVENIDA MOÇAMEDENSE SER COMIDA PELAS CALEMAS?», sem que fosse feita qualquer alusão aos nomes das candidatas. Excepto a jovem que se encontra à esquerda e que me parece a Riquita Bauleth, e mais ao centro, vestida de branco com chapéu, Lita, não reconheço mais ninguém. .Alguém pode ajudar a encontrar os nomes destas candidatas?

Quanto ao artigo em causa, este manifestava a preocupação do então Presidente da Câmara Municipal, António Blanc de Sousa, face ao estado da Marginal de Moçâmedes, ainda não concluida e já a abater em alguns pontos por falta de determinadas obras... Referia-se também ao estado dos remates do passeio que, com as calemas poderiam levar ao desaparecimento do paredão da marginal em certos troços. Tudo por falta de verbas, a eterna questão ! Verbas que entretanto deveriam ter chegado, já que, 30 anos depois...a Avenida Marginal ainda lá está intacta




A seguir, três beldades moçamedenses, como não podiam deixar de ser: Paula Chalupa, Lita e Fernanda Lourenço.




PUNGUITAS (*)

São as Punguitas da minha Terra
Geradas e criadas no Sul
Bravias e Belas como o deserto
Exóticas sereias dum mar azul

Quer sejam brancas ou morenas
Todas têm beleza e sedução
Não importa a cor da pele
Mas a que trazem no coração

Graciosas como flores de Abril
E de dizer, fazem questão disso,
O mistério que a todas envolve
Não sei se é magia ou é feitiço

De olhos negros como a noite
O brilho como a luz das estrelas
Os lábios rubros de pitanga


E um sorriso no rosto delas

Mulher guerreira e valente
Como imbondeiro ou mucubal,
Singelas, mas a mais formosa,
Foi a Maior de Portugal

E como a música duma lira
São a poesia dos trovadores.
Elas são o cântico na alvorada
E do Namibe, os seus amores (*)

(*)Designação abreviada de Cabeça-De-Pungo,
assim chamados aos habitantes de Moçâmedes/Namibe

Manela Lopes 09SET2006

Desfile de Vestidos e Penteados no Clube Nautico , em Moçâmedes

 
Inserido no programas das Festas do Mar, de quando em quando surgia um Concurso de beleza (beleza de penteados, de vestidos, de vestidos de chita, etc). Passaram a acontecer a partir dos anos 1960, numa altura em que a demografia em Moçâmedes como em toda a Angola aumentou substancialmente e a cada dia caras novas faziam a sua aparição na cidade para alí se fixarem temporária (funcionalismo público) ou definitivamente. Este foi um desfile de Penteados realizado no palco do Impla Cine, promovido pelo salão «Sandra», em Moçâmedes, e inserido no pograma das Festas do Mar, por volta de 1970..
Outro Concurso de penteados, este realizado no Clube Nautico, tendo como patrocinador o Salão "Sandra"

Umbelina Maçanita exibindo-se em calções  num concurso de vestidos de chita (após ter tirado a saia) que completava a toilette. Anos 1960.
 
 
Vanda Frota foi a premiada com este belo vestido de baile ( Concurso de vestidos de Chita). Celeste Fonseca havia acabado de colocar a fita de vencedora ao peito de Vanda , enquanto se prepara para lhe entregar o prémio. Na foto anterior podemos ver junto de Vanda os organizadores Fernando Vilaça e António Rodrigues
 Tres Jovens moçamedenses da época no II Concurso de Vestidos de Chita realizado em 1970:  Paula Chalupa, Picola Trabulo e Paula Carvalho (Turra)


 Fernanda Conceição e Silva colocando a fita de vencedora em Paula Chalupa

Mas neste concursos (1970) chegaram a também participar  senhoras com alguma representatividade no meio, pelo facto de serem esposas de entidades representativas de altos cargos públicos ou empresariais (Governo do Distrito, Capitania do Porto, Camara Municipal, Capitania do Porto, Cª mineira, etc) .  Foi o que aconteceu neste concurso de vestidos de chita, em 1970 no edifício novo da Associação Comercial ?, também ele realizado  no contexto das "Festas do Mar". O grupo: Fernanda Conceição e Silva, Susete Blanc, Margarida Silva Machado, Nazaré Cunha e Amélia Montanha Rebelo e Suzete Salles de Brito.

Ainda aqui podemos ver a entrega dos prémios a Picola Trabulo por Susete Blanc, vendo-se à dt. outra premiada neste concurso de vestidos de chita, Paula Chalupa.
Fotos cedidas por vários conterrâneos


Moçamedenses em dia de Carnaval






















Imagem: Sanzalangola

11 março 2009

Jovens de Moçâmedes: década de 1960





Da esq. para a dt.: Lena Duarte, ?Costa Santos, Zé Pegado e Tininha Teles.
Créditos de imagem: in Mazungue (KadyPress). Data: 1971? 1972? : desfile automóvel à chegada a Moçâmedes de Riquita,após ter sido eleita miss Portugal? Ou à chegada à cidade de Lurdes Pinto, após ter sido eleita miss Angola ?






















Mais uma das nossas meninas bonitas de Moçâmedes daquela época, para quem se lembre: Picola, filha de Lili Trabulo. Nunca é demais mostar a beleza das jovens moçamedenses.
 


Sou da mesma terra que tu..
(Poema Africano)

Quando te disse
que era da terra selvagem
do vento azul
e das praias morenas...
do arco-iris das mil cores
do sol com fruta madura
e das madrugadas serenas...

das cubatas e musseques
das palmeiras com dendém
das picadas com poeira
da mandioca e fuba também...

das mangas e fruta pinha
do vermelho do café
dos maboques e tamarindos
dos cocos, do ai u'é...

das praças no chão estendidas
com missangas de mil cores
os panos do Congo e os kimonos
os aromas, os odores...

dos chinelos no chão quente
do andar descontraido
da cerveja ao fim de tarde
com o sol adormecido...

dos merenges e do batuque
dos muquixes e dos mupungos
ds imbondeiros e das gajajas
da macanha e dos maiungos.

da cana doce e do mamão
da papaia e do cajú...

tu sorriste e sussurraste
"Sou da mesma terra que tu!"

Ana Paula Lavado

10 março 2009

Num jogo de Hoquei em patins no campo do Sporting, em Moçâmedes:
































1ª foto: Reconheço no canto inferior esq., as duas irmãs Craveiro, o casal Lurdes Rodrigues Costa e Camilo Costa e Fernando Vilaça, que na altura era presidente do Atlético Clube de Moçâmedes. Por detrás de Camilo Costa, Alice Albufeira, ?, e Jorge Carrilho.

2ª foto: Reconheço no canto inferior esq., a senhora de preto, Adelaide Jardim.
Créditos de imagem: LaySilva in Sanzalangola

08 março 2009















Baile no Casino
Créditos de Imagem: Sanzalngola (LaySilva)

Lurdes Pinto, miss Moçâmedes e Miss Angola 1972



 O concurso de Miss Angola 1971,  em que venceu Celmira Bauleth (Riquita), não foi antecedido de concurso de  miss Moçâmedes. Foi tudo á ultima da hora, por indicação pessoal. Contudo em 1972 houve  eleição de Miss Moçâmedes  no Cine-Moçâmedes, em que foi eleita Lurdes Pinto. Foram "Damas de Honor", Ana Paula Carvalho (Paula Turra) e Maria Lídia Ferreira. As três estiveram presentes no "Miss"  Angola 1972 realizado em Luanda, no qual  foi eleita mais uma vez uma representante de Moçâmedes,  desta vez, Maria de Maria de Lurdes Pinto.


Ao Concurso de Miss Moçâmedes foram candidatas, por ordem do desfile:

1. Maria Dulce Pontes, 2. Conceição Cruz, 3. Elsa Maria...4.  Maria Isabel Gomes, 5. Maria de Fátima...,6. Elsa maria Formosinho, 7. Lidia Rosa Couto, 8. Orquidea Nabais, 9. Maria Eugénia Sena, 10. Maria Lidia Ferreira, 11. Elizabete Sena, 12. Orieta Bagarrão, 13. Elizabete Loureiro, 14. Ana Paula Carvalho, 15. Aura Maria Novo 16. Maria de Lurdes Pinto,  17. Alcina Loureiro, 18. Elizabete R. da Cruz, 19. Guida Bento César



Assim, se em 1971, foi Riquita (Celmira Bauleth) a menina bonita que conquistou  com mérito os títulos de Miss Moçâmedes e de miss Angola, em 1972, a proeza repetiu-se com Lurdes Pinto, eleita que foi Miss Moçâmedes, Miss Angola e Miss Público. Dá para dizer:


Todos ficaram sabendo
que assim mesmo é que isto é, contra as garotas do Mar
é remar contra a maré...

 


Outra foto com candidatas de Moçâmedes a "Miss Angola" : São Raposo, ?, Marezita Moreira, Dada Fernandes, Ani de Freitas, Isabel, podemos ver, também, Lidia Ferreira e Maria de Lurdes Pinto, à dt.
 
 


 


Maria de Lurdes Pinto junto da pista do aeroporto de Moçâmedes, preparando-se para seguir para Luanda a fim de disputar o título de Miss Angola, ainda que pareça estar a desfilar em pleno deserto do Namibe... À dt., a carrinha do Rádio Clube de Moçâmedes e alguém a filmar que não se consegue vislumbrar de quem se trata. Paula Turra acabaria por ser eleita, nesse mesmo ano, no Japão, miss Jovem Internacional. Dá para continuar dizendo:

Que as moças iam vencer
era aqui por nós sabido,
                             pois o Namibe jamais                               
em beleza foi vencido 
Maria de Lurdes Pinto, "Miss Angola" 1972, tendo por "Damas de Honor"  Ana Paula Carvalho (Paula Turra), à esquerda, e Maria Lídia Ferreira, à direita.


 


Se em 1972 foi Riquita (Celmira Bauleth) a menina bonita que após ter conquistado o título de Miss Angola, tornou-se, sem contestação, em 1972,  Miss Portugal, nesse mesmo ano a proeza repetiu-se  em parte com a eleição de Maria de Lurdes Pinto, Miss Angola.

 
 Miss Angola 1972 desfila em Luanda

Miss Angola 1972 desfila em Luanda,  vestida de mucubal,  o grupo étnico mais representativo do Distrito de Moçâmedes
Assistindo ao espectáculo. Entre outros, em 1º plano, o pai de Miss Angola 1971, a moçamedense Celmira Bauleth (Riquita)

Entre espectadores
 

Maria de Lurdes Pinto, Miss Angola 1972, com as damas de honor, Lídia Ferreira e Paula Turra . Paula Turra viria a ser eleita no Japão, miss Jovem Internacional



 
À chegada a Moçâmedes
 

Nestas fotos podemos ver  Lidia Ferreira com Henrique Minas (em cima) e com o então locutor 
do Rádio Clube de Moçâmedes, José Manuel Frota (embaixo)




Em capa de revista com Riquita, Miss Portugal 1971



AS GAROTAS DO MAR

Todos ficaram sabendo
que assim mesmo é que isto é,
contra as garotas do Mar
é remar contra a maré...

Vencemos em toda a linha!
Foi vitória das mais lindas,
pois nós ganhamos a todas,
Preciosas, Caraslindas...

Contra o que muitos pensavam
nós vencemos o despique,
pois entre ondas de beleza
não podemos ir a pique.

Que as moças iam vencer
era aqui por nós sabido,
pois o Namibe jamais
em beleza foi vencido!

Ninguém nos pode tirar,
cá nesta terra angolana
no campeonato das lindas
a posição soberana.

Todos queriam com bairrismo,
do fundo do coração,
neste Concurso famoso,
a bela repetição.

Lurdes tu és segunda
(Riquita foi a primeira)
e as Miragens do Deserto
hão-de indicar a terceira.

Em loucura colectiva,
no momento final,
a alegria sem limites
dominou a Areal.

Muitos cortejos de carros!
Bancos, pretos... Da cama,
homens, mulher's, crianças,
vêm pr'a rua de pijama!

As Welwistchias ajudaram,
com mil palmas prazenteiras,
que deram com frenezi,
as mil palmas das palmeiras!

E o bom Mar que é nosso Amigo,
em vozes portentosas,
bradou logo o mundo inteiro:
-São nossas as mais formosas!

(Autor desconhecido)



Ficam para a posteridade mais estas doces recordações...



Créditos de imagem: estas fotos, na sua maior parte, são pertença de Lurdes Pinto