30 outubro 2009

VIDEO ACTUAL DA CIDADE DO NAMIBE: ex-MOÇÂMEDES













Filme:interessante e recente da cidade do Namibe.      Apenas uma ressalva:  da Fortaleza de Moçâmedes nunca embarcaram escravos em navios negreiros para o Brasil e Américas. Esta Fortaleza foi erguida já numa fase  posterior ao decreto de Sá da Bandeira, que veio abolir o tráfico em 1836, Acredito que ali teriam estacionado


Fotos:  Museu etnográfico da cidade do Namibe  , fiel depositário dos «salvados» do Império...

Chefe da 1ª colónia de portugueses que, idos de Pernambuco (Brasil) para Moçâmedes (actual cidade do Namibe) na barca «Tentativa Feliz», fugidos da revolução praeeira, ali chegaram no dia 04 de Agosto de 1849, data que ficou a marcar a fundação da cidade.

2ª. O Governador Sebastião Nunes da Matta (1878)

3ª. Vista geral do Museu, onde se podem ver os vários bustos e quadros representativos de alguns dos primitivos Governadores do Distrito de Moçâmedes

4. Foto de Riquita Bauleth, Miss Angola 1971

5. Várias fotos antigas

6. Óleo onde se pode ver a baía de Moçâmedes, a Ponta do Pau do Sul, uma caravela e muito povo na praia...

Clicar AQUI para ver mais sobre este Museu situado no 1º andar do edifício do antigo Hotel Central

VEJA AQUI: PROJECTO NAMIBE

29 outubro 2009

Alunas do Liceu Américo Tomás em Moçâmedes: 1970

















Entre outras/os, ao centro, Riquita Bauleth (miss Portugal 1971) e Carlos Gavino. À dt. Lita (filha da cabeleireira Carlota). À esq., Céu Castelo Branco.
Para ver e saber mais sobre a eleição de Riquita, Miss Portugal 1971, clicar AQUI
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Entrevista a Riquita, miss Angola e Miss Portugal 1971: http://www.recordarangola.com/
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depois, em "rádio"
depois, em "ouvir" (dia 03-10-2009)

 

Grupo de Alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima : 1952/3














Grupo de Alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima : 1952/3. Foto é grande; clicar sobre ela para aumentar . 

Entre outras que não recordo, estão: 
1ª foto, de baixo para cima e da esq. para a dt.:

1ªfila - Mimi Proença, ?,  Sónia, Magda e Vanda  Madeira, Lena e Conchita Moreira de Almeida, Lourdes Pessoa, Clara Bonvalot, Ruth Madeira; 
2ªfila - Stella Sena, Elsa Radich, Ana Grilo, Proença, Ineida, Lourdes Pessoa, Heloisa Leitão, Manuela Pessoa, Beta Passos Maruqes, Rosario Pacheco; 
3ªfila - ?,  Fati Leitão Almeida,  Margarida Duarte (Guida, com 2 laços), ?, Maria Adelina, ?, Julia Ferreirim (loira com franja), Emilia, Lourdes Russo, ????, Fati Morgado,  Minelvina, as 2 ultimas nao sei; 
4ªfila - Eduarda Astregilda, ?????,  Olimpia Moreira, Rosario Rosa (Bequito), ??? Fatima Pacheco,  Eduarda Almeida (Dada), ????, Eloisa Peixoto, as 7 ultimas nao sei; 
5ªfila - ????, Geninha Amado, ??,  Raquel Radich, Eloisa Trindade, ?, Teresa Carmona, Babisa, Rosa Diogo,???
6ªfila - ??????, Eteldina Carvalho (Tedina), ?, Manuela Faustino, ?, Marieta Madeira, ???

Foto gentilmente cedida por Vina Almeida



2ª foto:  Desfile das alunas do Colégio das Irmãs Doroteias na Rua Costa (paralela à Avenida da Praia do Bonfim), em Moçâmedes, passando ao lado dos Armazéns de Venâncio Guimarães, um dos homens mais ricos de Moçâmedes e de Sá da Bandeira, dedicado à agro-pecuária, à indústria de pesca e laticínios e ao comércio. Mais atrás,  o edifício da Capitania do Porto com a bandeira portuguesa hasteada, e ao fundo, a Fortaleza de S. Fernando.  

Para onde iriam estas meninas num dia de sol, com a estrada deserta? Repare-se no pormenor das irmãs da caridade com «sombrinhas» para se protegerrm do sol. Creio que em Portugal não havia este hábito e que  as ditas sempre e sómente funcionaram como «guarda-chuvas».  Em África davam  para a chuva e para o sol. 

À frente, reconheço Lúcia Camacho e logo atrás, à dt. ? Alves (filha de Hemitério Alves)



HINO DO COLÉGIO DE MOÇÂMEDES

Meu colégio tão querido
Meu vergel de pomos d'oiro
Meu canteiro preferido
Meu trigal ainda não loiro.

Somos as flores mimosas
Do jardim no areal
Só tu nos guardas viçosas
Do leste sopro do mal.

À frente o mar buliçoso
sempre de lá a acenar
Lá longe, ao largo é forçoso
Querer orar, trabalhar.

Bem perto além o deserto
mensagem nova lição
Vive em paz quem é discreto,
Guarda a língua e o coração.

Aprendi nos bancos teus
A lição que vou guardar
A Família, a Pátria e a Deus
Ama com amor sem par.

Quando te deixar um dia
Hei-de guardar em meu peito
Esta eterna melodia
De gratidão e respeito!


Ver também AQUI
AQUI 



(video do encontro, em 2008 das ex-alunas com a madre Moita)

Grupo de raparigas à porta do antigo Colégio de Nossa Senhora de Fátima: 1945/6

Grupo de alunas e catequistas do Colégio Nossa Semhora de Fátima de Moçâmedes, posam para a posteridade na escadaria do antigo colégio situado  à  numa zona próxima do antigo campo de futebol, ao fundo da Avenida da Praia do Bonfim. Já lá vão  quase 70 anos, e parece que foi ontem. Embora fosse mais nova, ainda me lembro de algumas. São elas, de cima para baixo, e da esq. para a dt:

1ªfila- (cima)- ???, Olimpia Aquino, ????,
Ludovina Leitão
2ª fila- ???, Élia Paulo,?, Maria Emilia Ramos
3ª fila- Didi Carvalho, Dina Ascenso, ????? Lurdes Ilha,?

5ª fila- ???, 6ª fila??? 7ª fila ????, Fernanda Anselmo Braz de Sousa, ??? Henriqueta (Miqueta) Barbosa ??
Hirondina Mangericão. Lena Freitas (Barata)
6ª fila-???, Néné Trindade, ???
7ª fila :(sentadas/frente)?, Fátima Cunha, Luzette Sousa, Odete, irmã da Luzette, Orbela Guedes e ??


(Clicar na foto para aumentar)
Dedico-vos esta bela canção: clicar AQUI

22 outubro 2009

Gente de Moçâmedes: familia Lopes

















No parque infantil de Moçâmedes:
Da esq. para a dt:
Em cima: Maria Lopes e Florinda Jardim
Embaixo: ?, Justino Lopes e irmã.

21 outubro 2009

Moçamedenses despedem-se de Porto Alexandre e de Angola: 10 de Janeiro de 1976

















Grupo de moçamedenses posando para a posteridade no dia em que tiveram que abandonar Porto Alexandre (Tombwa), a 10 de Janeiro de 1976. Da esq. para a dt., reconheço: Abilinho Aquino Brás, os irmãos Lopo Duarte, Ricardo Duarte,Fernando Duarte, Lena Duarte, Jorge Duarte, e Helder Duarte (tio).

Assim descreveu Ricardo Duarte (Kady) esse dia:

«
FUGA PARA A "SELVA" EUROPEIA (com breve passagem pelo apartheid)

- Janeiro de 1976, já quase não haviam amigos em Palex - todos se tinham ido embora, de carro, de barco ou de avião. As ruas de Palex, pejadas de mortos. O meu pai tinha que ziguezaguear para não os pisar. Era a caça ao homem. Nós que sempre acreditámos que ficaríamos, escorados nos dizeres do Saidi Mingas (assassinado pelo golpe nitista). O Saidi Mingas e o Kundi Paihama (que vivia em Palex e que era meu amigo) disseram ao meu pai - Sr Duarte, fique porque aqueles que sairem vão ter dificuldades em regressar. Infelizmente o Saidi e o Kundi não tinham razão. Hoje vai mais depressa para Angola um tuga que "não gosta de pretos", tal como os russos (e lá faz o sorriso amarelo para os explorar) do que um genuíno angolano como eu e vós leitores que amamos aquela terra.

Cronologia da "Fuga" de traineira e repatriamento de comboio, autocarro e avião - Janeiro de 1976 » Palex (dia 10) , Saco da Baleia (dia 11), Baía doa Tigres (dia 12), Cunene (dia 13), Walvis Bay (dias 14 a 23), Swakopmund (dia 23), Usakos (dia 24), Karibib (dia 24), Okahandja (dia 24), Whindoek (dia 24), Abidjan/Costa do Marfim (dia 24), Lisboa (capital da Selva, dia 25) .

PS1: ficam por contar os episódios inanarráveis da "Selva" e as catanas que tive de afiar para desbravar mato e sobreviver aqui no Puto, como se fosse um dos exploradores Serpa Pinto, Brito Capelo ou Robert Ivens quando se aventuraram no mato verdadeiro.

PS2: oportunamente ilustrarei alguns destes episódios angolanos neste blog .»


In Kadypress-Angola.blogspot

Esperemos que Ricardo continua a contar-nos as suas memórias...


Nota da autora do blog:

10 de Janeiro de 1976. Cidade Namibe. Na previsão dos graves combates de se avizinhavam entre guerrilheiros da UNITA e da FNLA (vingança da UNITA face a anterior matança de seus guerrilheiros), abandonaram a cidade nesse dia 1600 pessoas no tristemente célebre «Silver Sky», navio de cargueiro (cereais) que se encontrava na baía e, que após ter recebido os fugitivos, rumou para Welvis Bay, de onde estes foram encaminhados para Portugal. De Porto Alexandre a fuga foi em traineiras. E assim chegara ao aquilo que se pode muito bem denominar uma autêntica «limpeza étnica».

Encontra-se em preparação um texto ilustrado sobre a fuga dos moçamedenses no «Silver Sky». Se alguém quiser colaborar com relatos e fotos, é este o contacto: jardim.n@gmail.com

MariaNJardim

13 outubro 2009

Atletas do Ginásio Clube da Torre do Tombo. Moçâmedes, 1955.
















Atletas do Ginásio Clube da Torre do Tombo. Moçâmedes, 1955. São eles, da esq. para a dt.: Carlos Manuel Guedes Lisboa (Lolita), Amilcar de Sousa Almeida, Albino Aquino e Carlos Vieira Calão.
1953.

12 outubro 2009

Toninhas (golfinhos), focas, pinguins, alcatrazes, albatrozes... no mar de Moçâmedes



Diving II










Quando se cita a fauna angolana ignoram-se as famílias de toninhas ou golfinhos negros brincalhões (1ª e 2ª fotos) que de longe em longe visitavam a baía de Moçâmedes aproximando-se dos banhistas (na zona entre a jangada e a Praia das Miragens) exercitando desse modo seu costume de salvar náufragos, porque para elas, qualquer ser humano nadando junto à praia é um náufrago potencial que deve ser empurrado para terra e nem sempre com a delicadeza que seria necessária. Essas negras e volumosas toninhas ou golfinhos que, de salto em salto, vinham avançando até aos banhistas causando-lhes momentos de pavôr, delírio e admiração.


Quando se cita a fauna angolana ignoram-se as focas que surgem nos meses de Junho ou Julho sulcando as águas das baías do sul de Angola ou refastelando-se nas areias das praias, tomando banhos de sol como qualquer um de nós.

I
gnoram-se os pequenos e engraçados pinguins de «casca preta e branca» (foto 9), que de quando em quando vinham até nós, e que não raro eram levados por algumas crianças para os quintais de suas casas onde facilmente se aclimatavam, e de tal modo, que era vê-los a serem levados por elas com o seu passinho bamboleado e uma corda atada ao pescoço, rumo à Praia das Miragens para uma saudável banhoca... E os albatrozes, os alcatrazes e os garajaus que voavam baixinho à espera da companhia dos barcos que viajavam para sul ou se atiravam ao mar em mergulho picado à caça do peixe que do alto anteviam.

Toda esta fauna se deve à corrente fria de Benguela, modeladora do clima, modeladora da costa e das várias ilhas e penínsulas sedimentares que se localizam sempre a norte da foz dos grandes rios (Cunene/Baía dos Tigres).
Se o mar do distrito de Moçâmedes era e é um mar riquíssimo em pescado, este aspecto fica dever-se à corrente fria de Benguela que constitui um dos mais importantes factores de moderação climática da zona.

Como funciona este assunto?

De maneira bem simples. Um dos braços da corrente quente do Brasil que aparece sobre o Equador, avança para o Atlântico Sul e acompanha as costas do Brasil e da Argentina. Nos mares da Antártida choca contra as geleiras da região, apodera-se de icebergues e mistura-se com outras correntes de água fria. Então começa a desviar-se em direcção à costa ocidental de África e passa a denominar-se «corrente fria de Benguela».

Cada icebergue que se desprende é um zoológico ambulante que vai arrastando consigo grupos de focas e pinguins, muitos dos quais terminam a sua viagem nas praias da Baía dos Tigres, Porto Alexandre (actual Tômbua) e Moçâmedes (actual Namibe).

..................
Assim eternizou o poeta moçamedense, Angelino da Silva Jardim, o gesto vil que um dia, na década de 1950, fora perpetrado alí bem junto à Fortaleza e a praia, contra uma dessas focas que um dia a nós viera...



FOCA

Foi morta, a tiros vis, a foca, a Grande foca
Que, um dia, a nós viera,
Que deixara, no polo, a neve e a sua toca,
Seguindo uma quimera.

E que, depois, aqui, no centro do jardim,
Num tanque aprisionada,
Foi o enlevo, o riso, o mágico arlequim
De toda a pequenada!

Nostálgica do mar, sofreu a sua dor
Em paz e humildade,
Até que, um dia, um pobre sonhador
Lhe deu a liberdade!

Antes não fora assim, antes não fora,a morte
Rondava à beira-mar,
Toda incarnada em ti, homem de negra sorte
E de sinistro olhar!

A frio, sem tremer, sem uma hesitação,
O ente iluminado
Atira e atravessa, a rir, um coração
Ao seu sincronizado!

Guiou-lhe a mão letal o instinto assassino
Do homem das cavernas
Que a cabeça esconde em face do destino
E pensa com as pernas!

Nero era mau e vil, um ente sanguinário,
Um monstro matricida,
Que alimentava, em si, o sonho visionário
De destruir a vida!

Mas era simplesmente um bárbaro inculto,
Um cérebro doente
E a História, ao pesar o seu viver estulto,
Se queda indiferente!

Mas tu, filho da... luz, da civilização,
Que podes alegar
Se, um dia, a tua vil e criminosa acção
Alguém quiser julgar?!

Que foste previdente e a praia libertaste
De um animal feroz?
Ou que outra razão estúpida inventaste
Para o teu crime atroz?!
Para a sociedade és sempre o ilustre capitão,
Mas, para as crianças, tu... não passas de um papão
Que fere e que destrói a frio, sem piedade,
Sem alma, sem respeito e sem humanidade|!
Olha em redor, a vida é sonho e é grandeza
E tu vives também e és bicho com certeza!

Angelino da Silva Jardim

Poeta moçamedense


REZA DO CHACAL NA PRAIA DO NAMIBE

Sob o azul frio da rosa praia do esqueleto,
nesse deserto sem regresso e sem começo,
conhece a frágil foca cria o férreo preço
da estranha sede do chacal de dorso preto.

«Rego com o sangue da pequena foca triste
as dunas onde planto os ossos de gaivota,
e nesta horta a noite é dócil e derrota
o vento vil que contra o sonho não resiste.

Não chores, oh pequena foca triste, não
chores. Dos ossos da gaivota nascerão
caras de peixe, e dessas máscaras de mágoa,
sete ribeiros quais teus olhos doce água.»

Silêncio e noite no Namibe areal…
um oásis grita no uivo do chacal.


Autor: Mayyahk
(2002/01/01 23:55)

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Créditos das 5ª, 6ª e 7ªas fotos: Recordar Angola de Paulo Salvador