28 dezembro 2009

Reveillon no Clube Nautico: anos 60



  O casal Diogo Baptista e Marizete Veiga Baptista, Teresa e Elizabete Bagarrão.



Dores, ? e o casal , Zette Veiga e Diogo

Moçâmedes e as suas gentes eram assim...

Uma pequena cidade onde as pessoas se conheciam, quadras festivas que eram aproveitadas para o divertimento que vinha quebrar uma pouco a monotonia de um quotidiano onde imperava, não a preguiça nem o laxismo, mas a labuta do dia a dia.

Este, foi um Reveillon decorrido em meados da década de 60  no  salão do Clube Nautico (Casino), o salão preferido das «elegantes» da época, que veio destronar o do Atlético Clube de Moçâmedes,de cariz mais popular, que fora na década de 50 o local onde decorreram animados bailes de carnaval, reveillons, bailes e matinées dançantes aos sábados e domingos, e onde se divertia a juventude moçamedense, e que acabaria por perder muito do seu antigo «brilho»

Em tempos mais atrás, era no salão do edifício do Aero Clube de Moçâmedes, na Rua da Praia do Bonfim, em frente à Avenida, o local onde decorriam animados bailes e matinées dançantes, como o integrado nas festividades do Centenário da cidade, em 1949, mas este edifício acabou demolido e no seu lugar construido um outro de vários andares, propriedade de José Alves, que veio estragar a harmonia do conjunto habitacional. Mas ainda mais atrás, tudo quanto era festa na cidade tinha lugar no velho Ginásio Clube da Torre do Tombo, o Clube pioneiro de Moçâmedes, onde foi durante muito tempo tradição, os «célebres» bailes da Pinhata.


Fotos gentilmente cedidas por Marizette Veiga

27 dezembro 2009

Conjunto Musical «Os Diabos do Ritmo»: década de 50



Os "Diabos do Ritmo"
Albino Aquino (Bio) ao acordeão, o professor de Canto Coral da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, Silva, ao piano, Albertino Gomes (bandolim), Frederico Costa (baterista), Jaime Nobre (violão).

Aqui podemos ver, da esquerda para a direita: Marçal (saxofone), Lito Baía, (violão e acordeão); O professor de Canto Coral da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, Silva (em substituição do pianista do conjunto, Bio Aquino, na época a cumprir o serviço militar obrigatório); Jaime Nobre, mestre de música, construtor de instrumentos de corda ( da guitarra clássica ao violino e aos xilofones), Cerieiro, instrumentista de rítmos (Maracas, Pandeiros, Banjos, Bandolins, e Reco-recos), Frederico Costa , instrumentista de rítmos ( Maracas, Pandeiros, Banjos, Bandolins, e Reco-recos), Abertino Gomes (o extraordinário e irrequieto baterista- animador, que também tocava banjo e bandolim e até acordeão). No casal em 1º plano, reconheço Amaral (para quem não se recorda, à época era proprietário de uma loja na Rua dos Pescadores, junto da Tipografia de José Trindade, em sociedade com um irmão mais velho que jogou futebol no Sport Moçâmedes e Benfica)

Recordemos mais uma vez, os Reveillons  da década de 1950, que decorriam nos salões do Atlético e Clube Nautico em Moçâmedes, animados pelo conjunto «Os Diabos do Ritmo». Como tocavam bem os «Diabos»! Quem poderá esquecer essas figuras inesquecíveis aos quais a minha geração ficou a dever os mais belos e animados momentos das suas vidas.

O conjunto musical «Os Diabos do Ritmo» foi o grande animador das festas da minha juventude. Eram eles que animavam os  bailes que aos sábados se prolongavam pela noite fora até ao raiar do dia, e  as matinées dançantes que, com grande pena nossa, acabavam impreterivelmente às 20 horas. Dançava-se sem parar, ao som dos mais diversos ritmos, que iam desde movimentadas marchinhas brasileiras que estavam muito em voga,  a pasodobles espanhóis, às remexidas rumbas, chá-chá-chá, congas e baiões, musica do Brasil e Caraíbas, não esquecendo os românticos tangos de Gardel, as  deslizantes valsas, e os suaves slows,  etc., géneros musicais daquele tempo, dos quais deixarei aqui alguns exemplos, bastando clicar para ouvir: La Cumparcita

A propósito, este excelente conjunto  tinha por hábito fazer serenatas por volta da meia noite à porta das casas das raparigas, deslocando-se para tal em carrinhas  e camionetas de caixa aberta, de casa para casa, umas vezes por iniciativa própria, outras, a pedido de namorados que acompanhavam o grupo e participavam no côro.

Quero recordar aqui aquele que foi o meu vizinho e amigo Albino Aquino (Bio), o talentoso pianista dos «Diabos do Ritmo», do qual tive a triste notícia que faleceu este ano.  Para mim, será sempre aquele rapaz simpático, que ria com os olhos, e tocava com grande  mestria. Fica aqui mais uma recordação de gente que marcou uma época na cidade de Moçâmedes,  e envolveu gente boa que de um dia para o outro deixamos de ver e deixaram laços em nossos corações.

MÚSICA LATINO-AMERICANA

Oiçam e percebam bem o porquê
de nenhum de nós poder esquecer
aqueles lindos bailes abrilhantados
pelos «Diabos do Rítmo», tão afamados,

nem daquelas jovens, as mais belas, já se vê,
que, coradas ouviam, cheias de felicidade,
aquelas juras que tão bem sabíamos fazer,
Naqueles anos doirados da nossa mocidade…

Oiçam esses boleros e a voz de cada cantor,
como eles vibram, nesse rítmo afro-cubano.
Eram mesmo os melhores a cantar e a compor.
Versos de amor, só cantados em castelhano…

Mas, ao som daqueles «Diabos-Mestres» a tocar,
quem não cantava bem, tendo-os a acompanhar
o ritmo do endiabrado Albertino, do Bio e Lito Baia,
Nobre, Marçal, Cerieiro e Neco, cada um como sabia…

Esquecer um grupo, como outro não houve nenhum,
seria sem dúvida de estranhar, de nunca acontecer.
Festas, Fins de Ano, Carnavais, Serenatas na cidade,
Inesquecíveis Bailes, os melhores das nossas vidas.

Quem alguma vez nos deu, Conterrâneos, mais alegria?
Quem, senão eles, tocava e só parava ao raiar do dia,
depois de um desafio que demorava horas seguidas,
em festas que sempre recordaremos com saudade…

Alguém poderá estranhar, algum de vós se espanta,
que ouvindo os Boleros que agora vos venho mandar,
para que possam recordar aqueles «Diabos» a tocar,
Ficasse eu de olhos húmidos a relembrar as juras
que fiz naquelas noites d’encanto e de felicidade,
dos anos mais lindos da nossa gloriosa mocidade,
que na mente se guardaram, inteiras e tão seguras
e, de coração acelerado, criasse um nó na garganta?

NECO MANGERICÃO.



Gente de Moçâmedes : passagem de ano no Clube Nautico (Casino) nos anos 60














Foto tirada numa passagem de ano em terras do Namibe,  esta, na década de 60, no Clube Nautico (Casino). Através dela tivemos o prazer de recordar mais alguns dos nossos conterrâneaos, a maioria vizinhos de bairro, amigos, e  até familiares, com os quais partilhámos momentos de nossas vidas, passadas naquele berço que nos foi comum, a bela e saudosa cidade do Namibe. São eles, da esq. para a dt.: Joaquim Guedes Duarte (Quim, gestor da empresa ligada à industria piscatória, da familia João Duarte) e Odete Lisboa Lopes Braz Duarte, Carlos Manuel Guedes Lisboa, (Lolita) e Antonieta Almeida Bagarrão Lisboa (Dédé), Iteldina Carvalho Frota (Tédina) e José Manuel Frota (bancário e talentoso radialista em Moçâmedes). De pé. à dt., Taruca. Foto gentilmente cedida por Antonieta Bagarrão Lisboa .
 
Não posso deixar de fazer uma referência muito especial, e sem desprestígio para os demais, ao amigo de infância e adolescência  que foi o  Carlos Manuel Guedes Lisboa (de óculos escuros, à esq.), o jovial, empreendedor e simpático moçamedense, cuja carreira fulgurante  começou imediatamente a seguir à conclusão dos seus estudos secundários na Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes. Carlos Lisboa ingressou no quadro do pessoal do Grémio dos Industriais de Pesca do Distrito de Moçâmedes, e alguns anos depois, quando da extinção do referido Grémio, foi nomeado Director Regional do Instituto da Indústria de Pesca de Angola. Pessoa dotada de elevada capacidade organizativa e trato afável, viria a liderar o processo da constituição da PROJEQUE (Sociedade Industrial do Canjeque, Lda.), da qual se tornou gestor. Paralelamente, dedicou-se também, de conta própria, à actividade comercial. A morte ceifou-lhe jovem. Viria a falecer, já em Lisboa, pouco tempo após a independência de Angola, em 1975, com apenas quarenta e poucos anos de idade.

Bailes no Clube Nautico (Casino) Finais dos anos 60, início de 70
















1ª foto: Baile no Casino

2ª foto: Banda de música constituida por jovens moçamedenses

3ª foto: Baile dos finalistas no Clube Nautico (Casino). Reconheço à esq. de óculos, Daniel Gavino (penúltimo gerente do Banco de Angola, em Moçâmedes),  à dt. Fragata, e ao centro da foto, de frente, Robalo. Se alguém reconhecer mais alguém, por favor, sirva-se dos comentários para nos dizer quem é, o que muito agradecmos.

08 dezembro 2009

Festa de Natal dos alunos da Escola Nº 49, de Moçâmedes, Angola. 1959


Clicar sobre as fotos para aumentar. Trata-se de uma cena de teatro  levada  a cabo pelos alunos da Escola Nº 49 de Moçâmedes,  Angola, no Natal de 1959. Repare-se no traje bem típico português que estava sempre presente nestas festinhas de Natal.

PAI-NATAL

Pai-Natal
Gorducho como és,
Com esse ventre obeso,
Como podes passar nas chaminés
Sem ficar preso?!

E como podes inda, sem perigo,
Com essas botas grossas, quando avanças,
Não perturbar o sono das crianças
Que adormeceram a sonhar contigo?!

Como podes passar,
Com essas barbas longas e nevadas,
Sem medo de assustar
Crianças que se encontram acordadas?!

Eu sei!
Eu digo-te a razão,
Embora se me parta o coração!

É que tu, risonho Pai-Natal,
Só entras em palácios de cristal,
Por chaminés de mármore e jade
Onde o rotundo ventre
Passe, deslize e entre,
Libérrimo, em perfeito à vontade!

Como podem as botas vigorosas
Rangerem um momento,
Se alcatifas caras, preciosas,
Se espreguiçam por todo o pavimento!

Nem podes assustar
Crianças que se encontram acordadas,
Porque tens o cuidado de tirar
Essas revoltas barbas já nevadas!

E, assim, é,
Risonho Pai-Natal de riso e gestos ledos,
Vais aos palácios ricos, por teu pé,
Vazar o grande saco de brinquedos!

Antes fosses, risonho Pai-Natal,
Na noite friorenta,
D portal em portal,
De tormenta em tormenta!

E descesses aos lares pobrezinhos
Onde há doridas mães talvez chorando,
Ao seio acalentando
Os pálidos filhinhos!

Ou fosses campo em fora, em longas caminhadas,
A descobrir crianças sem abrigo,
Adormecidas, nuas, regeladas,
E ainda a sonhar contigo!

Mas não são esses, não, os teus caminhos,
Tu que vestes veludos e arminhos!

Quando Jesus nasceu,
No rigoroso frio do Inverno,
Nu e natual,
Sem outra benção que o olhar materno,
Sem mais calor que um bafo irracional.
Onde é que estavas tu, oh!  Pai-Natal?!
Por onde andavas tu, oh!  Pai-Natal?!

Sei bem onde é que estavas!
Sei bem por onde andavas!

Andavas, entre risos e folguedos,
Já com as barbas brancas e os  bigodes,
A despejar  saco de brinquedos,
-Na chaminé de Herodes!

Angelino da Silva Jardim
Moçâmedes. Publicado em “O Namibe” e na revista “Notícia”, em Angola, 1964

Créditos de imagem: Salvador

04 dezembro 2009

Alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes, irmã doroteia, e elementos da JIC: 1950
















































































Da esq. para a direita e de baixo para cima:
1ª fila: Lizette Ferreira, Juvelina Sena, Augusta Bento, Noémia Van-der-Kellen, Madalena Trindade e Celeste Matos
2ª fila: Fernanda, Fátima Santos, Henriqueta Barbosa (Miqueta), Fernanda Pólvora Dias,  Rute Melero, Madre Fernandes, Raquel Nunes, ?, Maximina e Julia Jardim   
3ª fila: Ester Guerra, Maria Simão, Carolina Mangericão, Adelaide Ernesto, Calila, Dilia Martins Nunes?, Maria Ilda, Lucia Reis (Brazão), Fátima Cunha e Bia Mangericão.

Poderão ver mais fotos de alunas deste Colégio de Moçâmedes, até 1975, em postagens amteriores, e
também   AQUI

Grupo de alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes, no ano de 1950

















Grupo de alunas do Colégio de Nossa Senhora de Fátima de Moçâmedes, vulgo «Colégio das Irmãzinhas», no ano de 1950. Em cima, da esq. para a dt.: Lúcia  Reis (Brazão), Taneta, Maria Lizete Ferreira, Isabel Valente, Júlia Jardim, Fátima Santos; Fernanda Anselmo Braz de Sousa, ?, Fátima Cunha, ?,?.
Embaixo: ?,?, Celeste Matos, Maria Júlia Maló de Abreu (Pitula), Maria Antonieta Almeida Bagarrão (Dédé); Maria Amália Freitas Bensabá Duarte de Almeida, Amélia Anselmo Braz de Sousa, ?,?.