27 dezembro 2009

Conjunto Musical «Os Diabos do Ritmo»: década de 50



Os "Diabos do Ritmo"
Albino Aquino (Bio) ao acordeão, o professor de Canto Coral da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, Silva, ao piano, Albertino Gomes (bandolim), Frederico Costa (baterista), Jaime Nobre (violão).

Aqui podemos ver, da esquerda para a direita: Marçal (saxofone), Lito Baía, (violão e acordeão); O professor de Canto Coral da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, Silva (em substituição do pianista do conjunto, Bio Aquino, na época a cumprir o serviço militar obrigatório); Jaime Nobre, mestre de música, construtor de instrumentos de corda ( da guitarra clássica ao violino e aos xilofones), Cerieiro, instrumentista de rítmos (Maracas, Pandeiros, Banjos, Bandolins, e Reco-recos), Frederico Costa , instrumentista de rítmos ( Maracas, Pandeiros, Banjos, Bandolins, e Reco-recos), Abertino Gomes (o extraordinário e irrequieto baterista- animador, que também tocava banjo e bandolim e até acordeão). No casal em 1º plano, reconheço Amaral (para quem não se recorda, à época era proprietário de uma loja na Rua dos Pescadores, junto da Tipografia de José Trindade, em sociedade com um irmão mais velho que jogou futebol no Sport Moçâmedes e Benfica)

Recordemos mais uma vez, os Reveillons  da década de 1950, que decorriam nos salões do Atlético e Clube Nautico em Moçâmedes, animados pelo conjunto «Os Diabos do Ritmo». Como tocavam bem os «Diabos»! Quem poderá esquecer essas figuras inesquecíveis aos quais a minha geração ficou a dever os mais belos e animados momentos das suas vidas.

O conjunto musical «Os Diabos do Ritmo» foi o grande animador das festas da minha juventude. Eram eles que animavam os  bailes que aos sábados se prolongavam pela noite fora até ao raiar do dia, e  as matinées dançantes que, com grande pena nossa, acabavam impreterivelmente às 20 horas. Dançava-se sem parar, ao som dos mais diversos ritmos, que iam desde movimentadas marchinhas brasileiras que estavam muito em voga,  a pasodobles espanhóis, às remexidas rumbas, chá-chá-chá, congas e baiões, musica do Brasil e Caraíbas, não esquecendo os românticos tangos de Gardel, as  deslizantes valsas, e os suaves slows,  etc., géneros musicais daquele tempo, dos quais deixarei aqui alguns exemplos, bastando clicar para ouvir: La Cumparcita

A propósito, este excelente conjunto  tinha por hábito fazer serenatas por volta da meia noite à porta das casas das raparigas, deslocando-se para tal em carrinhas  e camionetas de caixa aberta, de casa para casa, umas vezes por iniciativa própria, outras, a pedido de namorados que acompanhavam o grupo e participavam no côro.

Quero recordar aqui aquele que foi o meu vizinho e amigo Albino Aquino (Bio), o talentoso pianista dos «Diabos do Ritmo», do qual tive a triste notícia que faleceu este ano.  Para mim, será sempre aquele rapaz simpático, que ria com os olhos, e tocava com grande  mestria. Fica aqui mais uma recordação de gente que marcou uma época na cidade de Moçâmedes,  e envolveu gente boa que de um dia para o outro deixamos de ver e deixaram laços em nossos corações.

MÚSICA LATINO-AMERICANA

Oiçam e percebam bem o porquê
de nenhum de nós poder esquecer
aqueles lindos bailes abrilhantados
pelos «Diabos do Rítmo», tão afamados,

nem daquelas jovens, as mais belas, já se vê,
que, coradas ouviam, cheias de felicidade,
aquelas juras que tão bem sabíamos fazer,
Naqueles anos doirados da nossa mocidade…

Oiçam esses boleros e a voz de cada cantor,
como eles vibram, nesse rítmo afro-cubano.
Eram mesmo os melhores a cantar e a compor.
Versos de amor, só cantados em castelhano…

Mas, ao som daqueles «Diabos-Mestres» a tocar,
quem não cantava bem, tendo-os a acompanhar
o ritmo do endiabrado Albertino, do Bio e Lito Baia,
Nobre, Marçal, Cerieiro e Neco, cada um como sabia…

Esquecer um grupo, como outro não houve nenhum,
seria sem dúvida de estranhar, de nunca acontecer.
Festas, Fins de Ano, Carnavais, Serenatas na cidade,
Inesquecíveis Bailes, os melhores das nossas vidas.

Quem alguma vez nos deu, Conterrâneos, mais alegria?
Quem, senão eles, tocava e só parava ao raiar do dia,
depois de um desafio que demorava horas seguidas,
em festas que sempre recordaremos com saudade…

Alguém poderá estranhar, algum de vós se espanta,
que ouvindo os Boleros que agora vos venho mandar,
para que possam recordar aqueles «Diabos» a tocar,
Ficasse eu de olhos húmidos a relembrar as juras
que fiz naquelas noites d’encanto e de felicidade,
dos anos mais lindos da nossa gloriosa mocidade,
que na mente se guardaram, inteiras e tão seguras
e, de coração acelerado, criasse um nó na garganta?

NECO MANGERICÃO.



Gente de Moçâmedes : passagem de ano no Clube Nautico (Casino) nos anos 60














Foto tirada numa passagem de ano em terras do Namibe,  esta, na década de 60, no Clube Nautico (Casino). Através dela tivemos o prazer de recordar mais alguns dos nossos conterrâneaos, a maioria vizinhos de bairro, amigos, e  até familiares, com os quais partilhámos momentos de nossas vidas, passadas naquele berço que nos foi comum, a bela e saudosa cidade do Namibe. São eles, da esq. para a dt.: Joaquim Guedes Duarte (Quim, gestor da empresa ligada à industria piscatória, da familia João Duarte) e Odete Lisboa Lopes Braz Duarte, Carlos Manuel Guedes Lisboa, (Lolita) e Antonieta Almeida Bagarrão Lisboa (Dédé), Iteldina Carvalho Frota (Tédina) e José Manuel Frota (bancário e talentoso radialista em Moçâmedes). De pé. à dt., Taruca. Foto gentilmente cedida por Antonieta Bagarrão Lisboa .
 
Não posso deixar de fazer uma referência muito especial, e sem desprestígio para os demais, ao amigo de infância e adolescência  que foi o  Carlos Manuel Guedes Lisboa (de óculos escuros, à esq.), o jovial, empreendedor e simpático moçamedense, cuja carreira fulgurante  começou imediatamente a seguir à conclusão dos seus estudos secundários na Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes. Carlos Lisboa ingressou no quadro do pessoal do Grémio dos Industriais de Pesca do Distrito de Moçâmedes, e alguns anos depois, quando da extinção do referido Grémio, foi nomeado Director Regional do Instituto da Indústria de Pesca de Angola. Pessoa dotada de elevada capacidade organizativa e trato afável, viria a liderar o processo da constituição da PROJEQUE (Sociedade Industrial do Canjeque, Lda.), da qual se tornou gestor. Paralelamente, dedicou-se também, de conta própria, à actividade comercial. A morte ceifou-lhe jovem. Viria a falecer, já em Lisboa, pouco tempo após a independência de Angola, em 1975, com apenas quarenta e poucos anos de idade.

Bailes no Clube Nautico (Casino) Finais dos anos 60, início de 70
















1ª foto: Baile no Casino

2ª foto: Banda de música constituida por jovens moçamedenses

3ª foto: Baile dos finalistas no Clube Nautico (Casino). Reconheço à esq. de óculos, Daniel Gavino (penúltimo gerente do Banco de Angola, em Moçâmedes),  à dt. Fragata, e ao centro da foto, de frente, Robalo. Se alguém reconhecer mais alguém, por favor, sirva-se dos comentários para nos dizer quem é, o que muito agradecmos.