Nesta foto de colegiais em Moçâmedes a Antonieta Almeida Bagarrão (Dédé) é a que está embaixo, precisamente no meio
Na segunda foto, já casadas e com os respectivos maridos.
Da esq. para a dt.: Ildete e Mário Augusto da Silva Lopes, Luísa e Pedro Rolão (casamento), Antonieta e Carlos Manuel Guedes Lisboa (Lolita). Década de 1960, em Moçâmedes
A Antonieta (Dédé) e marido, Carlos Manuel Guedes Lisboa (Lolita), familiares e amigos
O pai, Anibal Martins Bagarrão e um leão no Deserto do Namibe.
Aníbal percorria e conhecia o Deserto do Namibe como poucos, guiando o seu
«Ford de pontapé», ou mais recentemente o jeep «Land Rover» da
«Projeque», devidamente preparado por ele para as caçadas, com tanques
de água, suportes em verguinha de ferro para arrumar a tenda , caixas
debaixo dos assentos para acondicionar a carne a coberto dos olhares dos
fiscais. Era um exímio atirador, podendo-se dizer, como nos filmes
americanos do «far west», que onde punha o olho, punha a bala. Mas
previdente como todos os homens do mar, o rancho preparado só para ele
pela D. Lóló para a caçada de fim de semana, era tão profuso que dava
seguramente para alimentar a população inteira de Liechenstein, durante
igual período de tempo.
Anibal Martins Bagarrão adorava o deserto do Namibe
Anibal enquanto em Moçâmedes com a profissão de mecânico trabalhou na pescaria de João Thomás da
Fonseca, no Mucuio, na fábrica de conservas de peixe da firma
Pestana & Costa Lda, mais tarde na Praia Amélia para Venâncio Guimarães. Era um grande profissional e um homem bem disposto e adorável. Nasceu no dia 30 de Maio de 1911, em
Olhão (Algarve), um ano após a implantação da República Portuguesa. Era filho de Maria Inácia Libório, natural de Albufeira e de António
Bagarrão, natural de Olhão, tinha como irmãos António (o
primogénito), Arnaldo, Noémia e Otília Martins Bagarrão.
Partiu para Angola rumo a Moçâmedes no dia 21 de Fevereiro de 1925 a bordo do navio «Moçambique», na companhia de seu pai, António
Bagarrão, e de seus irmãos. Embarcaram numa viagem sem regresso, e chegaram a Moçâmedes no dia 24 de
Março do mesmo ano, ao fim de 32 longos dias de viagem. Logo no dia a seguir à
chegada começaram a trabalhar. O Aníbal, na pescaria de João Thomás da
Fonseca, no Mucuio, a cerca de 40 km a norte de Moçâmedes. Depois pai e filhos calcorrearam por quase todas as praias do distrito, num
afã imparável, montando redes de armações, aparelhando cercos e sacadas,
fazendo um pouco de tudo.
Foi mestre de traineira quando foi necessário fazer vingar a sua tese de que os aladores e a sondas magnéticas por ele montadas a bordo, implicavam a inerente redução da companha. Montou na Praia Amélia a 1ª fábrica automatizada de farinação de peixe e decantação de óleo importada da Alemanha. Foi condutor de camiões, levando e trazendo pessoal contratado dos planaltos da Huila e Huambo, por trilhos e picadas que só Deus sabe. Foi ainda co-proprietário de uma oficina, com tanto movimento como os devedores relapsos, a quem tinha vergonha de exigir o que lhe deviam. Pilotou avionetes pelo puro prazer de voa, ou pela sedução de superação das suas capacidades. Era teimoso no saber e no querer, quase sempre com razão.
Foi mestre de traineira quando foi necessário fazer vingar a sua tese de que os aladores e a sondas magnéticas por ele montadas a bordo, implicavam a inerente redução da companha. Montou na Praia Amélia a 1ª fábrica automatizada de farinação de peixe e decantação de óleo importada da Alemanha. Foi condutor de camiões, levando e trazendo pessoal contratado dos planaltos da Huila e Huambo, por trilhos e picadas que só Deus sabe. Foi ainda co-proprietário de uma oficina, com tanto movimento como os devedores relapsos, a quem tinha vergonha de exigir o que lhe deviam. Pilotou avionetes pelo puro prazer de voa, ou pela sedução de superação das suas capacidades. Era teimoso no saber e no querer, quase sempre com razão.
Foi num baile no Ginásio Clube da Torre do Tombo, que um dia, enquanto
dedilhava a guitarra, conheceu a jovem Antionieta (Loló, para a família e
amigos), uma adolescente de 14 anos bem desenvolvidos, rosto bonito e
envergonhado, filha de D. Rosário e de José dos Reis Almeida. Não tardou muito em pedi-la em namoro e, em seguida em casamento. Mas D. Rosário não permitiu que a sua filha casasse antes dos 18 anos, E foi no 31 de Julho
de 1937, na Igreja de Santo Adrião, em Moçâmedes, que o padre
Correia os casou. O casal foi morar para o Bairro da Torre
do Tombo, assim chamado porque ficava próximo do local onde em 1785 o
comandante de uma missão de reconhecimento portuguesa, Pinheiro Furtado
registou a presença de «inscrições» impressas na rocha branda por
mareantes e corsários que por alí passavam e ali faziam «aguada», quando
fazia uma visita à «Angra do Negro». Contava-se que ambos os pais da D. Lóló haviam
nascido a bordo de um barco, em Angola. D. Rosário, à chegada a
Benguela, e José, com Porto Alexandre à vista. José, sogro do Anibal, marido de D. Rosário, pai de D. Lóló e avô das minhas primas nasceu no final de 1894, a bordo de um caíque, quando este se aproximava de Porto Alexandre, oriundo de Lisboa. Maria de Jesus Frota (filha de José Martins Gaivota e de Ana da Piedade
Frota, os meus bisavós maternos) e mãe do José, ia acompanhada por António dos Santos Almeida, o marido, e por duas filhas de
tenra idade, a Leontina e a Isaura. Ia grávida de 7 meses. O caíque integrava um combóio de barcos
com o mesmo destino.
A viagem até Moçâmedes deveria levar pouco mais de
30 dias mas o caíque em que viajavam teve várias paragens em certos pontos da costa africana, devido a tempestades e a viagem acabou por durar 2 meses. Foi
assim que quando o barco chegava a Porto Alexandre, a Maria de Jesus viu-se acometida pelas dores de parto, e rodeada pelas suas companheiras de viagem deu ao mundo no
dia 6 de Janeiro de1895, o seu primeiro filho
varão, José dos Reis Almeida, assim chamado (Reis), por ter nascido no
Dia de Reis.
Em pleno período posterior ao 25 de Abril de 1974, não suportou mais os
desmandos e atropelos que se praticavam em Angola, terra que tanto ama e
que tinha já como sua. Depois de ter mandado a mulher para a Metrópole,
saudoso da família, tomou um dos últimos aviões da «ponte aérea»
montada por Portugal, com a ajuda dos EUA e outros países, e chegou a
Portugal no dia 26 de Outubro de 1975, 50 anos, 7 meses e 2 dias após
ter pisado pela primeira vez solo angolano.
Na velhice, para além da artrite que lhe tolhia os movimentos, e da dietas que lhe corrigem os excessos do passado, manteve a mesma clarividência e o mesmo discernimento, o mesmo perfeccionismo e a mesma competência que sempre teve. Os neurónios nele recusam envelhecer, estão-se nas tintas para o reumatismo, níveis de colesterol , ácido úrico e cirrose hepática. Pode-se transmitir o conhecimento, mas não a sabedoria. Esta, infelizmente não se perpetua através de genes ou cromossomas. Dava-nos tanto jeito que assim fosse. Este prolongar da prosa justifica-se, por ser da inteira justiça realçar os seus méritos, homenageando simultaneamente o Homem, o Familiar e o Amigo que há 30 anos conheci e me habituei a admirar.Assim se referia Mário Lopes ao seu sogro:
Ah!!! E sinto-me muito lisongeado por ele ser o Pai da minha mulher, o Avô dos meus filhos, o Bisavô da recém nascida Mariana.»
A Antonieta (Dédé) de pé, à esq. na Praia Amélia, por volta de 1948, na companhia de familiares e amigos: Eduarda Bauleth, Maria Emilia Ramos, Ni, Iolanda, Rui Bauleth e Fernando Pessanha. Embaixo Zeca Carequeja, Elizabete Pessanha e Lala
Belíssima esta foto, onde se juntam 5 gerações de uma mesma familia. D Rosário Almeida, D. Antonieta Almeida Bagarrão (Lóló), a A Antonieta (Dédé), a filha Joana e o netinho
Uma homenagem a esta familia linda à qual estou ligada por laços de família pelo lado materno, uma vez que a D. Rosário, a avó casou com um sobrinho da minha avó, o José dos Reis Almeida que nasceu
Foto: 5 gerações, 4 das quais nascidas em Moçâmedes. Foto tirada já em Lisboa (pos 1975) Joana e o pequenito João Pedro, à esq., com D. Rosária (trisavó), D. Antonieta/Loló (bisavó), Antonieta/Dédé (avó), Joana, a mãe da Mariana.
A MORTE DA GAZELA
Fui um dia convidado
Por gente escolhida a dedo
Para ir caçar um veado
Ao «Pico do Azevedo»
Por gente escolhida a dedo
Para ir caçar um veado
Ao «Pico do Azevedo»
Tudo «malta» conhecida
E por isso eu aceitei
No outro dia à partida
No grupo me incorporei.
Era o Virgílio e era eu
O Aníbal e o Zeca Assis
A carrinha percorreu
Todo o caminho num triz.
A carrinha percorreu
Todo o caminho num triz.
Ainda bem cedo chegámos
Junto à Pedra da Delfina,
E todos nos apeámos
Não esquecendo a carabina.
Junto à Pedra da Delfina,
E todos nos apeámos
Não esquecendo a carabina.
A essa hora do dia
O sol era abrasador
A «malta» já mal podia
Suportar tanto calor
O sol era abrasador
A «malta» já mal podia
Suportar tanto calor
Tinha a Pedra uma entrada
Que ia dar a um desvão
E a «malta» entrou encalmada
E deitou-se à fresca no chão.
Que ia dar a um desvão
E a «malta» entrou encalmada
E deitou-se à fresca no chão.
Quando o sol já descaía
Para as bandas do poente
A «malta» toda saía
Da Pedra alegre e contente.
Para as bandas do poente
A «malta» toda saía
Da Pedra alegre e contente.
Metemos pelo deserto
À procura das gazelas,
E logo ali mesmo bem perto,
Fomos encontrar com elas.
À procura das gazelas,
E logo ali mesmo bem perto,
Fomos encontrar com elas.
O Zeca Assis apontava
A arma que tinha na mão
E a gazela que pastava,
Tombou ferida no chão.
A arma que tinha na mão
E a gazela que pastava,
Tombou ferida no chão.
Todos nos precipitamos
Para a gazela atingida
Para a gazela atingida
E ao chegar verificamos
Que ela ainda tinha vida.
Com certeza nunca viste,
E eu não mais desejo ver
O olhar sereno e triste
Duma gazela a morrer
S. João do Estoril, 16/10/96 ROBAIAL
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