22 agosto 2010

Moçâmedes cidade desporto: a contribuição do Sport Moçâmedes e Benfica



















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Em Moçâmedes, podemos afirmar sem receio de errar, a adesão às lides desportivas foi um fenómeno de massas que envolveu várias gerações de atletas, adeptos e espectadores.

De início foi o futebol, com a formação ao nível da cidade e distrito, do Independente Clube de Porto Alexandre, seguido de imediato pelo Ginásio Clube da Torre do Tombo, em 1919. Depois, vieram outras associações desportivas, como o Atlético, o Sporting e o Benfica, este último já em 1936.

A seguir ao futebol, vieram, a partir da década de 1940, outras modalidades desportivas: basquetebol masculino, basquetebol feminino, voleibol e  hóquei em patins. Não podemos ignorar também outras modalidades desportivas mais ou menos personalizadas,  que muito cedo começaram a surgir na cidade, como o ténis (low ténis) e o ténis de mesa, o remo e  a avela, a natação, o ciclismo, a ginástica, o ballet, o box, a esgrima, a pilotagem aérea, e o automobilismo. (vidé: Memórias Desportivas)

Mas o que nos traz aqui hoje,  é o basquetebol feminino, modalidade surgida em Moçâmedes na segunda metade da década de 1940 pelas «mãos» do dinâmico e irrequieto Sport Moçâmedes e Benfica,  modalidade que teve a sua década de ouro nos anos 1950.

Debrucemo-nos então sobre o Sport Moçâmedes e Benfica e sobre as suas gentis basquetebolistas que, a par outras adversárias, fizerem vibrar, durante mais de uma década,  plateias a abarrotar de espectadores, sem distinção de sexo,  idade, e côr desportiva.








As pioneiras

Estava-se nos finais da década de quarenta (1947-1948). No mundo do pós II Grande Guerra tudo estava aceleradamente a mudar: usos, costumes, mentalidades...
Quem diria uns anos antes que estas raparigas estariam aqui? O desporto, dizia-se ainda nos anos 40, era prejudicial à maternidade, e a mulher nasceu para ser mãe! E para os mais puritanos, desporto feminino era puro exibicionismo e um perigo para a «pureza» e o «pudor» femininos, as qualidades mais apreciadas numa mulher.
Mas o mundo não pára e as gerações das raparigas do pós-guerra 1939/1945,  jamais voltariam a ser como as suas mães e como as suas avós... E essas mudanças estavam também a acontecer em Moçâmedes...

O Sport Moçâmedes e Benfica que  foi o último clube da cidade de Moçâmedes a formar-se,  foi na modalidade de basquetebol, mais uma vez, o  primeiro a arrancar com a criação de duas equipas de basquetebol feminino que se disputavam entre sí, na ausência de equipas competidoras, uma envergando camisolas vermelhas com números brancos, outra envergando camisolas brancas com números vermelhos.


A foto acima guarda para a posteridade a imagem e a memória de algumas das nossas basquetebolistas pioneiras:

Foram elas, de cima para baixo e da esq. para a dt: Ofélia Nascimento, Hélia Paulo (a minha tia), Maria Amélia Gouveia, (Tito), Esmeralda Figueiredo e Maria Guerra? Embaixo: Maria Augusta Gouveia (Tito), Olga Coquenão e Ana Liberato. 

Mas outras, por não se encontarem aqui não deverão por isso ser esquecidas, tais como Semi Amaro, Luzia Cabral, Néné Cabral, Ivete Campos...

Mas essas equipas depressa se esboroaram por falta de competitividade e porque nesta altura eram ainda muito poucas as jovens cujos pais consentiam em as deixar enfileirar em actividades desportivas. Tiveram que passar mais alguns anos, para que as mentalidades mudassem um pouco mais e a modalidade começasse a ser praticada por outros clubes da terra, então com redobrado vigôr e grande entusiamo.

Esses tempos de transição, ficariam também marcados pelo modo como as raparigas se apresentavam equipadas, não com calções como posteriormente  viria a acontecer, mas com short´s até ao joelho, como mandavam as regras de «decência» e os «bons costumes» na época.

2. O regresso em força do Sport Moçâmedes e Benfica na década de 1950, a
década de ouro do basquetebol feminino moçamedense

Após a primeira experiência em finais da década de 1940, o desporto em Moçâmedes ficou bastante tempo sem esta modalidade feminina, até que, em 1952, com a chegada à cidade de Madame Sybleras vinda do Congo Belga, a senhora francesa passou a ministrar aulas de Ginástica no salão da velha sede do Benfica, na Rua Governador Calheiros, ao lado do edifício da Câmara Municipal de Moçâmedes. Das aulas de ginástica ao basquetebol feminino, foi um salto, e Madame Sybleras , talvez por se tratar de uma mulher, trouxe um novo incremento à modalidade que começou de facto a ganhar cada vez mais aderentes. 

O Sport Moçâmedes e Benfica, clube aguerrido e feito de muita «carolice», seria de novo o primeiro a formar uma equipa de basquetebol feminino, tendo a orientá-la , nesta altura, e por bastante tempo mais, o treinador Arménio Lemos. Foram muitas as jovens que na altura se inscreveram. Aliás, o Benfica sempre foi o clube da terra com um maior número de jovens no seu elenco de atletas.

Eis uma das composições dessa época de transição ainda bem assinalada pela presença dos shorts na indumentária, tal como era moda em  finais dos anos 1940.  































Exibindo taças e galhardetes. Em cima, da esq. para a dt:  Fernandina Peyroteu, Maria de
Gouveia (Tito), Virginia Uria, Marlene Oliveira e Maria Augusta de Gouveia (Tito). Embaixo: Gina Trindade, Clarabela Trindade (Bela), Celeste Ornelas e Fátima Abrantes. 






 















Aqui estamos perante uma composição idêntica à anterior nos seus elementos principais, porém já sem a presença de 3 atletas, Fernandina Peyroteu, Maria Gouveia (Tito) e Virginia Uria. Verifica-se uma nova presença, a de Bernardete Diogo.

[PDVD_243.JPG]
Este foi o 1º encontro entre o Sport Moçâmedes e Benfica e uma equipa de fora. Trata-se da equipa de basquebol feminino do Futebol Clube do Lubango (nome estranho na medida em que se trata de basquetebol, mas era mesmo assim). Nessa altura quem treinava a equipa do Lubango era António Inácio dos Santos que pouco tempo depois veio criar a primeira equipa de basquetebol feminino do Ginásio, radicando-se em Moçâmedes para onde foi transferido pelos CFM.

Em cima, da esq. para a dt.:
Ramiro Reimão de Castro (Dirigente do FCL) e Manuel Inácios dos Santos (treinador do FCL). Das atletas do Benfica: Gina Trindade, Maria Augusta de Gouveia, Celeste Ornelas, Bernardete Diogo. à esq. o dirigente do Benfica, Djialme Bernardinelli. Embaixo. Das atletas do Benfica: Clarabela Trindade (Bela), Fátima Abrantes, Marlene Oliveira e Oliveira (Maboque), dirigente do Benfica. 


 

















Aqui, a equipa do Benfica surge composta pelas seguintes desportistas: Em cima, da esq. para a dt: Fátima Abrantes, Minelvina Cruz, Fernandina Peyroteu, Marlene Oliveira e Lurdes Teixeira. Embaixo: Gina Figueiredo, Clarabela Trindade, Gina Trindade e  Irene Amado.
















 



Nesta foto referente ao mesmo ano da anterior, reconhecemos, em cima, e da esq. para a dt: Fernandina Peyroteu, Minelvina Cruz, Julia Vilhena, Lurdes Teixeira, Lena Peyroteu, e Irene Amado. Embaixo: Marlene Oliveira, Clarabela Trindade, Fátima Abrantes Gina Trindade. Em 1951, como se pode ver, ainda usavam shorts, mas em breve as coisas iam mudar....





 















Esta composição bem mais numerosa, conta com as seguintes atletas:
Em cima: Lurdes Teixeira, Fátima Abrantes, Madame Sybleras (prof Ginástica), Gina Trindade, Marlene Oliveira e Minelvina Cruz e Arménio Lemos (Treinador). Embaixo: Julia Vilhena, Gina Figueira Fernandes, Clarabela Trindade (Bela), e Stela Trocado.










 









Foto de 1954, onde podemos ver, da esq. para a dt. , em cima: Luisa (gémea), ?, Lurdes Teixeira, Júlia Minas? e Gina Fernandes. Embaixo:  Edith Pinheiro, Graciete (Gémea), Lurdes e Clarabela Trindade.






















Outra foto de 1954. Aqui o Benfica alinha com:
Em cima e da esq. para a dt: Minelvina CrUz, Marlene Oliveira, Bernardete Tavares, Lurdes Teixeira e Esmeralda
Embaixo: Fátima Abrantes, Lurdes Tavares, Clarabela Trindade e Luisa (gémea).
 
[benfica.jpg]
Foto tirada em 1955. Nesta composição estão representadas as seguintes atletas, de cima para baixo e da esq. para a dt: Minelvina Cruz, Gina Trindade, Lurdes Teixeira, ? e Marlene Oliveira. Embaixo: Gina Fernandes, Clarabela Trindade, Piedade e Esmeralda.


















Em Benguela: Troca de galhardetes em Benguela, entre Clarabela, a capitã da equipa do Benfica e Alexandra Sampaio Nunes, a capitã da equipa do Feminino de Benguela





Chegou-se ao final da década de 1950, e o imparável Benfica continuava activo, apresentando um elevado número de atletas que o clube aglutinava, contudo já não possuindo nesta altura equipas competidoras à altura. Em cima, da esq. para a dt: Guida Tavares, Manuela Sena Costa,  Lurdes Teixeira, Lurdes Tavares e Carla Almeida Frota. Embaixo: Céu Martins, Marilia Cavaco, ?Teixeira, Lina Almeida Frota e Elsa Bernardino.























Nesta foto o Benfica alinha com:
Da esq. para a dt.
Em cima: ?Aguilar,?Teixeira, Manuela Costa e Carla Almeida Frota.
Embaixo: Elsa Bernardino, Carolina Frota (Lina) e Manuela Leitão.
















Eis como se encontrava formada  a equipa do Sport Moçâmedes e Benfica em 1960:
Da esq. para a dt. Em cima: Minelvina Cruz (veterana), ?, Margarida Tavares e Ivone Bernardino?
Embaixo: Xana, ?,?,?, Teixeira?

















 Seguem as duas irmãs Trindade, Gina e Clarabela.

Outro agrupamento, este em 1961. São (em cima): Manuela Faustino, Marísia Pestana, ??? . Embaixo: ?? Costa Santos?,... Quem será capaz de dar uma ajuda na identificação total destas atletas?  
















Novas atletas foram chegando com a entrada na década de 1960. Para algumas os papás que não haviam deixado as manas mais velhas praticarem a modalidade, foram agora mais permissivos, deixando as caçulas mais à vontade. 

Os anos 60 foram de facto de revolucionários ao nível dos costumes por toda a Europa e Estados Unidos, e os moçamedenses, bem lá quase nos confins da África, embora a passos ligeiramente mais lentos em relação às duas meninas, não deixaram de se enquadrar nos novos tempos. E as jovens eram tantas a aderir ao desporto, que, como nos primórdios da modalidade o Benfica apresentava agora duas equipas, uma equipada  com brando e vermelho e outra com vermelho e branco, no que diz respeito a camisolas e calções.




[PDVD_263.JPG]



A equipa do Benfica de 1962. Em cima, da esq. para a dt: Minelvina Cruz (veterana), Xana, Amélia Castro e ? Embaixo: Elsa Bernardino,?, Mª Elizabete Ilha Bagarrão (Betinha) e ?. Também aqui seria necessário uma ajuda na identificação das atletas...



 














O Benfica em Nova Lisboa. Da esq. para a dt.: Em cima: Elsa Bernardino, Xana, ? e Elizabete Bagarrão (Bétinha). Embaixo: Minelvina (veterana), Marísia Pestana, Amélia Castro e ?
 



 
 

Estas foram as fotos relativas a esta modalidade e a este Clube Desportivo que consegui aglutinar. Muitas mais haveriam não fora o modo como toda esta gente teve que abandonar Angola, em 1975, deixando ao abandono os seus álbuns de recordações.

Para terminar, não  quero deixar de recordar os nomes dos treinadores que, mais se evidenciaram ao longo de pelo menos duas décadas ao cuidarem da formação destas equipas de basquetebol feminino:do Benfica: Arménio Joaquim Lemos,Madame Sybeleras, Artur Pinho Gomes e  Orlando Ferreira Gomes. Que me perdoem se por a memória me atraiçoar, deixei aqui de citar outros nomes, tanto das basquetebolistas como dos seus treinadores.

Fica mais esta recordação!
MariaNJardim

Quanto 1ª foto, dos espectadores, reconheço, entre outros:

1º plano : Mestre Alfredo Pereira, Dr. Álvaro Barreto de Lara,  ????????
2º plano: ???, 
3º plano: ??, Januário Tendinha, ???, Manuela Costa, ?, Isabel Costa, ???
4º plano: ? Jesus (enfermeiro), ??, Rodolfo Ascenso, Orlando Salvador, ??, Branca Gouveia, Ludovina Leitão, ???
5º plano:  ???
???


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11 agosto 2010

Gente de Moçâmedes: Dr. Júlio Mac-Mahon de Vitória Pereira




 
Julio Mac-Mahon de Victória Pereira




Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique, de Schiappa de Campos. Foto de ICCT



Professores e alunos finalistas nas escadarias da Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique. à frete, em 1972.
O Dr. Júlio Mac-Mahon de Vitória Pereira ,  professor de Físico-Quimicas e Mercadorias, é o 4º da dt para a esq., à frente (com bata branca).



Professores e alunos finalistas nas escadarias da Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique. O imprevisível Dr. Júlio Mac-Mahon de Vitória Pereira, professor de Físico-Quimicas e Mercadorias, à frente, com uma peruca na cabeça.


 Professores e alunos finalistas nas escadarias da Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique. O Dr. Júlio Mac-Mahon de Vitória Pereira à dt.

Professores e alunos finalistas nas escadarias da Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique. à frete, em 1972. Entre  outros, reconheço: Bonvalot, o 6º da dt. para a esq. (em cima), e à  frente, Lito Abreu. Na 1ª fila, à esq.: a Dra Isabel Serrano, o Dr.  Balsa, o Dr. Júlio Mac-Mahon de Vitória Pereira (de bata branca),  professor de Físico-Quimicas e Mercadorias.



      Júlio Mac Mahon Vitória Pereira no seu Mini-moke
Júlio Mac Mahon Vitória Pereira no seu Mini-moke




O Dr. Júlio de Mac-Mahon Vitória Pereira, analista, proprietário de um Laboratório de Análises Clínicas na Avenida da Praia do Bonfim, frente aos CTT, e  professor de Fisico-Quimicas e Mercadorias, primeiro, na antiga Escola Comercial e Industrial  de Moçâmedes e em seguida na Escola Comercial e Industrial Infante D. Henrique, foi uma das figuras mais carismáticas que Moçâmedes conheceu ao longo das duas últimas décadas da colonização portuguesa, quer como pessoa, quer como professor, tendo, neste aspecto, para o bem e para o mal,  marcado a vida de muitos estudantes.

Júlio Victoria Pereira ou   Mac-Mahon, como era conhecido,  tanto era capaz de dar uma classicação de 19 valores a um aluno, como de lhe dar um «zero». E tanto era capaz de «dar a camisa» a qualquer aluno que necessitasse de ajuda, como não se ensaiava em mandar umas «galhetas» àquele outro que passasse das «marcas», que ele próprio estabelecia.

Dele, é com um misto de reprovação e de carinho, que ainda hoje recordam alguns dos que foram seus ex-alunos, como poderemos lêr a seguir, através destes dados colhidos  da Net:




«... Só havia um professor por quem esperávamos depois do 2º toque - o Mac Mahon - se fossemos embora ele virava bicho e não se ensaiava nada em distribuir umas galhetas pelos alunos. Também não marcava falta a quem chegasse tarde. Entrávamos na sala só não podíamos dizer nem Bom Dia nem Boa Tarde - estávamos proibidos para não interromper a aula. O Mac era um homem tão bruto como bom. Tinha um coração de pomba. Se via um aluno com os sapatos rotos tirava dinheiro do bolso e mandava-o comprar uns sapatos apresentáveis. Gozava com os contínuos quando eles iam lá ler os comunicados da MP porque exprimiam-se mal. Dizia , lá vem um Kaitô ler uma folha de papel. Quando faltávamos às aulas dele ia-nos buscar de Mini Moke à praia - e ai de quem ousasse em recusar a boleia forçada!!! ...
O "Mac" era um professor fantástico- um touro com coração de pardal - pagava-nos bilhetes para o cinema e vinha buscar-nos de Mini Moke à praia quando faltávamos às aulas...» By Kady Press in Mazungue


«O Dr. Vitória Pereira, de seu nome Júlio Mac Mahon Vitória Pereira foi o professor mais "sui generis" que eu tive. Quando qualquer aluno chegava tarde às aulas só tinha uma coisa a fazer:entrava na sala, não podia dizer nada e sentava-se no seu lugar. Nada de justificações, pois o Mac sabia ler as nossas mentiras. Não se podia era interromper a aula com palavras. De resto, o aluno atrasado não tinha qualquer problema. O Dr. Vitória Pereira tinha um laboratório de análises clínicas perto do antigo campo de futebol.»                    
From:   Carlos Pereira in Sanzalangola


«Anjo e demónio»,  Mac Mahon tanto era  capaz de dar uma classicação de 19 valores como um «zero».  Ficou  célebre um exame da cadeira de «Mercadorias» do Curso Geral de Comércio, na Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, decorrido no início dos anos 1960,  em que um aluno de nome Faroleiro foi «espremido até ao tutano» no decurso do mesmo  e no final mandado sentar. A seguir o Mac-Mahon chamou a aluna Manuela e na  primeira  pergunta mandou-lhe descrever o «encadeamento das  indústrias». Tomada pelo nervosismo e pela emoção Manuela começou a gaguejar, então o  Mac virou-se de novo para o  Faroleiro, que já tinha obviamente  terminado o seu exame, e mandou-lhe descrever também o mesmo  «encadeamento das indústrias».  Assustado, o  Faroleiro disse: - ó sôtor, eu já fiz   o meu exame! Responde o Mac-Mahon: - olha que está a contar... está a contar...     Foi a debandada geral de todos os alunos que já tinham terminado os   seus exames e que se encontravam na sala apenas a assistir aos  restantes  exames. No entanto, Mac-Mahon era um professor capaz de «dar a  camisa» a  qualquer aluno que necessitasse de ajuda... 
Uma questão de ser  e estar !

Mas ainda há mais...

«...lembro-me do Dr. Vitória Pereira ir connosco apanhar umas  pedras ao deserto para fazermos os centros de mesa.Belos tempos!  que  saudades eu tenho de Moçamedes de Angola... (Bálita, Sanzalangola)




 «...São ai nas dez da noite. Que estamos sentados no Café Avenida, não na esplanada porque está frio. Devem estar só uns 20 graus e um gajo num pode se constipar. Estamos disse eu porque como evidente não estou sozinho, senão dizia estou. Alem de eu mesmo está o Beto Amorim, filho do Sr. Alberto do Liceu, o Manel Vitoria Pereira e o Ferrão mais velho. 'Que fazem estes putos aqui no Avenida a esta hora?' Perguntou alguém que num sei quem foi. Estamos a aviar garrafas de Dão. O Radio Clube pagou o ordenado, eu invento que faço anos e vamos fazer festa. Duas garrafas chegou para ver que estavam oito na mesa. Mas tem giro é que tinha mesmo dois Betos, dois Ferrão e dois Manel. Como já éramos muitos fomos mesmo até no parque infantil. Eu agarrei uma palmeira e pedi namoro e ainda hoje num sei que foi que me respondeu ela. Melhor mesmo é irmos para casa. Vamos todos levar o Beto. Assim se houver maka somos muitos e vamos estudar. Se entra sem fazer barulho. Entrou todos os oito. Beto directo para o quarto. Entra mãe dele e pergunta:'que estás a fazer?' 'quero beber água fresca' responde ele enquanto tenta chegar ao puxador do guarda-fatos. Foi corrida em nós seis da casa para fora. E agora quem vai levar quem. Manel que é mais novo tem de ser levado a seguir. Passamos na Minhota e como estávamos com sede bebemos uma Nocal preta cada um. Transbordou. Quem aparece quando estamos sentados na avenida, debaixo do carramachão éramos seis ou se éramos mais? O Dr. Júlio Vitoria Pereira no MiniMoke. 'Entrem já todos para aí!' Nenhum dos seis hesitou. Maneles entraram na frente, eu e Ferrões no banco de trás. Direcção: Torre do Tombo. 'Vão apanhar ar nessas trombas'. Que sim. Ninguém mesmo podia dizer outra coisa, pois as palavras ficavam enroladas na boca e num queriam sair. 'Onde ficas?' 'Dr. fico aqui? O miniCaté amanhã e obrigado' mas depois é que vimos que estávamos atrás do campo de futebol, na rotunda. Nós os quatro, eu e Ferrões temos que ir a pé até em casa. Quem vai levar quem? Tá combinado. Vamos pelo Atlético, viramos na esquina do Dentista Francês, e seguimos até à casa do Ferrão. Ficou combinado. Ferrões agora têm de me levar a mim. 'E depois quem me trás a mim?' arrastou a s palavras um dos Ferrões. a ver se ainda parou eu sai por um lado e Ferrão por outro. '
Ainda hoje não sei como acordei em minha casa e na minha cama.
 O que valeu mesmo foi que não estava a chover. »
Sanzalando, por JotaCê Carranca in RECORDAR (30)

Ficam mais estas recordações!

MariaNJardim
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