11 março 2011

Famílias de Moçâmedes (hoje Namibe) em Angola: a família Lã

Em cima: José Lã,  esposa e filho,  Adelino Lã 
Embaixo:  Céu Lã (filha do casal), ladeada pelas primas Nelinha Pintassilgo e Eduarda Pintassilgo
A família Lã estabeleceu-se em Moçâmedes no sector da pastelaria/doçaria em finais dos anos 1940, início da década de 1950, tendo aberto a sua fábrica na Rua Costa, a rua que partindo do início da subida da Fortaleza, corre perpendicular às Ruas da Praia do Bonfim, Pescadores e Hortas e Calheiros.
                                      
Até então, em Moçâmedes os bolos eram confeccionados em casas particulares por algumas senhoras da cidade que,  para ajudarem o orçamento familiar faziam da doçaria profissão, e os punham a vender  na rua através de quitandeiros (empregados africanos), que os transportavam  muito bem acondicionados e  cobertos por um naperon branco  bordado  no interior de uma caixa de madeira com tampa, que os vendedores carregavam ao ombro,  presa por uma alça de lona. Os quitandeiros vestidos de branco, e impecavelmente limpos, corriam a cidade, do campo de futebol à Torre do Tombo, da Praia das Miragens à Estrada da Circunvalação,  campeavam nas imediações das Escolas da cidade, nas redondezas dos clubes desportivos, iam ao Bairro da Facada,  ao Bairro Maria da Glória, e só regressavam a casa das "patroas" quando o último bolo fosse vendido.  Eram bolos deliciosos que faziam o encanto da miudagem gulosa: suspiros, bêbados, canudos, doces de ginguba, fatias de torta recheadas com goiabada,  etc, que a D. Zica Martins e Castro, a D. Malila Ferreira, a D. Maria Amélia confeccionavam com grande mestria.

Seguem uns versos retirados  de uma composição dedicada a Moçâmedes onde a  Pastelaria do Lã é evocada com saudade:

Saudades da árvore gigante,  
frente ao prédio do Brian,
saudades das noites de Natal,
dos bailes de Carnaval,
e da Pastelaria do Lã.


Retirado DAQUI 

Fica mais esta recordação.

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