05 abril 2011

Festas populares , teatro e bailes em Moçâmedes (Namibe, Angola) nos finais dos anos 1930 ao início dos anos 1950. O Ginásio Clube da Torre do Tombo



Foto interessante que nos remete para o ano de 1938, por ocasião da   visita do Presidente da República, General Óscar Fragoso Carmona a Moçâmedes.  Reconheço, entre outras, em cima e da esq. para a dt:  Dina Ascenso (3ª), Rosalina Ilha (4ª),mais tarde casada com Armindo Gonçalves Bento; Ruth Gomes  (15ª), mais tarde casada com José Adriano Borges, e Rosete Ilha (17ª). Embaixo,  Regina Peixoto (à esq. de casaco branco), e a penúltima à esq. Iolanda Freitas (filha de Cesaltina Seixal e José Gomes de Freitas, mais tarde casada com Teixeira Homem). Créditos de Imagem: Foto do blog Ex-libris, de Francisco Teixeira Homem, filho de Iolanda.

Trata-se, pois, de um grupo de meninas e de senhorinhas da época, cujas sobreviventes são hoje respeitáveis octagenárias e até nonagenárias.

Moçâmedes  nunca passou de uma pequena cidade, mas nesta altura era ainda bem mais pequena, pois resumia-se a umas quantas famílias (1), sendo a maior parte destas meninas e senhorinhas que aqui vemos, algumas das quais respeitáveis octagenárias e até nonagenárias de hoje, descendentes de primitivos colonos que ali se estabeleceram  a partir do último quartel do século XIX. 

Como se sabe o desenvolvimento de Angola enquanto colónia esteve paraticamente estagnado até finais dos anos 1940,  por causas várias, como a crise pela qual passou a I República,  sendo grande a carência de meios, ainda mais agravada no século XX, com o envolvimento de Portugal na I Guerra Mundial (1914-1918), para além do laxismo das autoridades metropolitanas, etc. etc. 

Por esta altura, como já referido, tinha visitado Moçâmedes, sendo recebido com grande aparato, o Presidente da Republica portuguesa, General Carmona, e estas crianças tinham sido chamadas a participar nas festividades: desfile de alunos das escolas do distrito na Avenida da Répública (mais tarde Avenida da Praia do Bonfim), pequenas peças de teatro, danças populares, etc.   Era então o Ginásio Clube da Torre do Tombo  a associação desportiva animadora da cidade (décadas 1920/30/40) . Clube pioneiro, as suas actividades excediam as desportivas (futebol, remo, vela, natação, ping-pong, etc) e estendiam-se também a actividades lúdicas e recreativas. Falemos um pouco deste clube, fundado em 1919, que marcou uma época na cidade de Moçâmedes nesse tempo em ainda se escrevia com dois "ss".

Outras festas organizadas pelo Ginásio Clube da Torre do Tombo, eram os arraiais de S. João, na quadra dos Santos Populares, em Junho de cada ano. Estes decorriam em plena rua, no local em frente à sede do clube, onde geralmente erguiam um estrado de madeira, rodeado de mastros engalanados com flores de papel, folhas de palmeiras, arquinhos e balões. E enquanto sobre o estrado  decorria o bailarico, um pouco mais ao lado, rapazes e raparigas de mãos dadas cantavam cantigas de roda à volta de uma enorme fogueira que ateavam, feita de barris ardendo em pilha, e adultos jovens tentavam trepar até ao cimo de um pau encebado onde uma garrafa de uma qualquer bebida como prémio do seu esforço, esperava por eles.







Mais abaixo, outro grupo infantil de teatro que à época participava em espectáculos promovidos pelo Ginásio Clube da Torre do Tombo, em Moçâmedes. Reconheçe-se  Maria Augusta Esteves (4ª em cima), Maria Etelvina Ferreira (à dt. em cima), e Manuel Esteves embaixo, à dt. Fotos e informação gentilmente cedidas por Etelvina Ferreira




das sobreviventes


Os Santos Populares foram sempre festejados em Moçâmedes e o hábito das fogueiras às portas das casas, ainda que fossem progressivamente perdendo intensidade, perdurou até quase ao fim da permanência portuguesa em terras de África, ou seja, até Junho de 1975. Eram estes usos e costumes, transladados pelos portugueses da terra mãe para aquele cantinho de África, que iam sendo consecutivamente alimentados pelos recém chegados àquelas paragens, e iam suprindo a nostalgia da distância. Junto de gente daquele tempo pude apurar alguns nomes de alguns "carolas" associados do Ginásio Clube da Torre do Tombo que naquele tempo organizaram bailes e bailaricos, levaram à cena teatros, festas e arrai, tais como António Martins (Latinhas), Luís da Piedade, Campos..., para além de outros nomes mais que as brumas da memória não permitem recordar,


Mas o velho clube da Torre do Tombo, antes de ser destronado pelo Atlético e pelo Clube Nautico (Casino) como local de eleição que era para a organização de festas de festa, bailes, peças de teatro, etc,  era também o ponto de encontro dos homens do bairro, na maioria gente ligada ao mar, que diariamente, ao fim do dia de trabalho, para ali convergiam na busca de  agradável convívio até à hora do jantar, ao mesmo tempo que jogavam à sueca, à bisca, aos dados e ao dominó, quando não ao ping-ponge e ao bilhar. Faziam-no na sala anexa ao salão de festas, onde existia uma mesa para bilhar, outra para ping-pong, umas quantas mesas de jogos de cartas  e um pequeno Bar onde se vendiam bebidas, tabaco e algumas gulodices, para além do referido palco  Mas havia também nos anos 1940 o Aero Clube de Moçâmedes (cuja sede ficava num bonito prédio, térreo, de arquitectura portuguesa, em frente à Avenida, de esquina com a Praça Leal (táxis), onde foi mais tarde construido um edificio de vários andares, propriedade de José Alves). Foi no salão do Aero Clube, por ser mais central e se encontrar junto da Avenida, local previlegiado da cidade onde se realizavam todos os eventos, que se realizaram animados bailes quando a cidade de Moçâmedes se engalanou para receber a visita do Chefe do Estado, General Carmona em 1938 e também em 1949, quando do Centenário de Moçâmedes. 

Ficam mais estas recordações.
MariaNJardim

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