17 julho 2011

Cine Teatro de Moçâmedes

O Cine Teatro de Moçâmedes. Foto Salvador, anos 1950






O CINE TEATRO DE MOÇÂMEDES

Dotado de uma traça arquitectónica que fez dele, talvez, o primeiro exemplar de arquitectura  arte deco (1) na cidade do Namibe, o Cine Teatro de Moçâmedes - o popular "Cinema do Eurico"  nasceu em meados da década de 1940 em local privilegiado da então Rua da Praia do Bonfim, onde outrora existiu o  Jardim da Colónia,  para atender a uma população que clamava por um lugar onde fossem realizadas as mais diversas manifestações culturais e artísticas, quer locais quer vindas de fora,  e veio preencher auma lacuna aberta pela demolição do primitivo Cine Teatro Garrett,  a bela sala de espectáculos de Raúl de Sousa, situada na Rua Calheiros, onde os moçamedenses viram correr os primeiros espectáculos de teatro e de revista e as primeiras sessões cinematográficas, grande parte dos quais em cinema mudo.

Com a demolição do Cine Teatro Garrett para dar lugar ao edifício-sede do Atlético Clube de Moçâmedes (2), o glorioso Royal Atlético Clube, a cidade ficou temporariamente sem sala de espectáculos, até que surgisse o Cine Teatro de Moçâmedes, e, nesse interim, era no pequeno palco do edifício-sede do Ferrovia, clube recreativo e beneficiente, sito na Rua Serpa Pinto, que sob a exploração do mesmo Raúl de Sousa, decorriam as sessões, sem grandes condições de acomodamento, e sem nunca atingirem o grande público, até porque muitos pensavam que somente os sócios poderiam frequentar aquele espaço.

Eram proprietários do Cine Teatro de Moçâmedes, Eurico Martins, António Pedro Bauleth, Gaspar Gonçalo Madeira e António do Nascimento Marques.

    O "Jardim da Colónia", no local onde foi construído o Cine Teatro de Moçâmedes

A denominação "Cine-Teatro" surgiu porque no decorrer da década de 1920 o "teatro de revista" começou a ser adotado para divertir as platéias dos "Cinemas" de todo o mundo, nos intervalos da projecção dos filmes. É sempre bom esclarecer que nesse tempo a projecção era interrompida para se trocar o "rolo" do filme, o que dava obrigatoriamente lugar a um maior intervalo.

Com o avanço para a década de 1950, o Cine Teatro de Moçâmedes rapidamente se transformou num importante espaço de sociabilidade, ponto de encontro das gentes do pequeno burgo, passando de início a proporcionar sessões bi-semanais a partir das 21:00 horas, progredindo para sessões diárias, também a partir das 21:00 horas, além, é claro, das "matinées" de sábado e domingo, às 17:00 horas, muito concorridas pelo público jovem e infantil. Mais tarde passou a ter também sessões aos fim de semana, às 15:30, frequentadas pelos mais novos. E com o aumento da população a partir de meados dos anos 1950, e sobretudo após 1960, quem não chegasse com a devida antecedência ou reservasse o seu bilhete, já não encontrava lugar! Daí o surgimento, nessa década, de uma 2ª sala de espectáculos, o Cine Esplanada Impala, de traça mais arrojada e modernista, e alguns anos ainda mais tarde, a construção de um novo cinema, o futuro "Arco Íris", que nunca chegaria a ser inaugurado, devido ao êxodo da população branca e dos seus proprietários em consequência do alastramento dos confrontos entre os movimentos de independentista em vésperas da independência de Angola. Este, de traça futurista, fazia lembrar uma nave espacial pousada nos areais do Namibe.
O Cine Teatro de Moçâmedes foi sem dúvida o grande animador da cidade, nas décadas que decorreram entre meados dos anos 1940 e meados dos anos 1970, a par dos salões de festas do Atlético Clube de Moçâmedes e do Clube Náutico (Casino), onde decorriam aos fins de semana animados bailes e matinées dançantes, e dos campos desportivos onde se disputavam renhidos encontros de futebol, de hóquei em patins, voleibol e basquetebol masculino e feminino,  que faziam levantar de emoção bancadas repletas de espectadores.

Foi neste Cine Teatro, o cinema da minha infância, que as crianças do meu tempo, assistiram aos seus primeiros filmes de bonecos animados, aos imortais Pato Donald, Rato Mickey, Gato das Botas, Popey, filmes onde os animais falavam, e onde todos podiam pensar e agir, nem que fossem pedras... E outros baseados em contos maravilhosos de reis, rainhas, príncipes, princesas, fadas e bruxas, como os amoráveis  Branca de Neve e os 7 anões, Cinderela , a Bela e o Monstro,  a Bela Adormecida, etc. etc. Filmes  que incorporavam elementos mágicos que fascinavam pela graça das suas histórias, onde era marcante a diferença entre o Bem e o Mal, onde o Bem era uma constante através da presença de figuras exemplares, e sempre terminavam com a punição dos maus e o triunfo dos bons, funcionando como método educativo de transmissão de valores. Era um tempo em que próprio realizador acreditava que o crescimento da criança se fazia no respeito pelas étapas, sem pressas de passar à étapa seguinte, mas onde as crianças descobriam uma multiplicidade de perspectivas que as ajudava a crescer: o fantástico, o maravilhoso, mas também a realidade.

Foi neste Cine Teatro, o cinema da minha adolescência, local de risos e de lágrimas, de encontros e desencontros, de apertos de mãos e de suspense, onde carícias furtivas e beijos adolescentes eram roubados em plena projecção, aproveitando a ausência da luz, que muitos namoricos tiveram o seu início, e muitos noivados se consolidaram, nesse tempo em que as «meninas» eram ansiosamente guardadas pelas suas mamãs, e que seria um escândalo dá-los à luz do dia...

Foi neste Cine Teatro que a juventude do meu tempo teve contacto com os primeiros filmes românticos em que mostravam  as mais belas declarações de amor, rapazes apaixonados que entregavam flores, surpresas românticas e declarações apaixonadas debaixo de chuva..., ou ainda grandes musicais e westeren's (vulgo filmes de cowboyadas), filmes de pirataria, históricos,  etc. etc,  que marcaram essa fase das suas vidas: A Princesa e o Plebeu, Ama-me ou esquece-me, Férias em Roma, Sissi, a jovem Imperatriz, E tudo o Vento Levou, Escola de Sereias, Capitão Morgan,  Gavião dos Sete Mares, Zorro, Tarzan, A Múmia, Frankenstein,  Homem Lobo, as Mil e uma noites, a Lâmpada do Aladino, a Máscara de Ferro, David e Golias, 10 Mandamentos,  etc. etc. Os artistas principais transformavam-se quase sempre nos nossos heróis e nas nossas heroinas, e até em modelos a imitar... Os "heróis" da minha adolescência e juventude eram o Errol Flyn, o John Weissmuller, o Tyrone Power, o Gary Cooper, o John Wayne, o Glen Ford, o Alan Ladd, o Clarck Douglas, o Victor Mature, o James Mason, o Humphrey Bogart, o Robert Taylor, o Clark Gable, o Fred Astaire, o Frank Sinatra, etc, etc. As "heroínas", eram a Betty Davis, a Elizabeth Taylor, a Ava Gardner, a Olívia d' Havilland, a Ginger Rogers, a Ingreed Bergman, a Dorothy Lamour, a Ester Williams, a Vivien Leigh, a Rommy Schnneider, etc. etc. Alguns destes "heróis" e destas "heroínas" funcionavam como autênticos ídolos, e encontravam-se representados através de enormes fotos, a preto e branco, que decoravam as paredes que acompanhavam as escadarias que nos conduziam ao 1º andar deste Cine Teatro, onde ficavam os balcões e os camarotes, esses pequenos espaços especialmente reservados para os seus proprietários, e onde se alojavam algumas familias de algum modo ligadas às "forças vivas" da cidade.


Grupo de finalistas da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, junto de um Cartaz publicitário do filme "Romance Sensacional",com Ester Williams e Van Jonhson.  São eles: Maria Emilia Ferreira Ramos, Francisco José Magalhães Monteiro,
 Albano Pestana da Costa Santo (Carriço), Humberto dos Santos Pinho Gomes e Maria Edith Lisboa Frota. Era o tipo de filme que sempre agradava, um musical romântico. As nossas jovens eram tão belas que se podiam confundir com artistas de de Hollywood. E eles, pelo que se vê, não lhes ficavam atrás!




Filmes houve que passaram pelo Cine Teatro de Moçâmedes, cujos musicais que os acompanharam marcaram a sua época, como o  Filme ANNA em que Silvana Mangano canta e dança «El Negro Zumbón». Recordo como de imediato o nosso jovem, irrequieto e popular conjunto musical «Os Diabos do Ritmo» incluiu no seu reportório este género musical que todo o mundo começou a dançar com grande habilidade e graciosidade nos bailes e matinées dançantes dos salões do Atlético Clube de Moçâmedes e do Clube Nautico (Casino). A letra: «Ya viene el negro zumbon, Bailando alegre el baion Repica la zambomba. Y llama a la mujer Tengo gana de bailar el nuevo compass Dicen todos cuando me ven pasar "¿ Dhica , donde vas?" "Me voy a bailar, el baion!"... O ritmo, uma mistura de rumba e baião. Silvana Mangano tinha o crédito de cantora, tanto no filme quanto no disco, mas quem cantava era Flo Sandon, cantora italiana. A partir desse filme, espalhou-se entre nós, raparigas de então, a moda das "calças à Anna". Eram calças justinhas até ao joelho que terminavam com 2 botões no lado de fora. A música El Negro Zumbón, do compositor, pianista e director de orquestra Perez Prado. foi feita para este clássico filmado em 1951 e dirigido por Alberto Lattuada. Contracenaram com Silvana Mangano, Vittorio Gassmann e Ralf Vallone.

Em finais da década de 1950 e de acordo com a ideologia do Estado Novo os filmes eram previamente passados pela "comissão de censura", e muitos deles  interditos a menores de 17 anos. Foi o caso do  inofensivo  «O Monte dos Vendavais.»   , baseado no romance de Emily Bronte, publicado por volta de 1846, um clássico da literatura inglesa. Um dia aconteceu, neste Cine Teatro, que estava um grupo de adolescentes assistindo a este filme, incluindo eu, acompanhada de meus pais, e a determinada altura fomos pura e simplesmente convidados a sair pelo porteiro, apesar da sessão estar já próxima do intervalo, e termos pago o bilhete. Isto, porque a meio da sessão um elemento da  referida "comissão de censura" entendeu, tarde e a más horas, considerar o filme impróprio para a nossa idade. Cenas destas aconteciam  porque sendo diversos os censores distritais, não obstante recebessem instruções genéricas quanto aos temas a censurar,  tudo dependia da capacidade com que cada um interpretava uma cena como mais ou menos "perigosa", ou mais ou menos revolucionária,  daí que uns fossem exageradamente repressivos e outros mais permissivos ao ponto de deixarem, por vezes, passar conteúdos considerados abertamente subversivos para o regime. Neste caso especifico foi tardiamente que o censor se apercebeu da cena a censurar. O «Monte dos Vendavais» contava a historia de um casal que no decurso de uma viagem resolvera adoptar uma criança orfã cigana, adopção que  suscitara nos seus dois filhos naturais sentimentos intensos e antagónicos de amor e ódio, emoções passionais incontroláveis, humilhação, frágilidade, etc, redundando num enredo trágico tipo Romeu e Julieta  passado na época vitoriana que ia contra os princípios morais estabelecidos pelo Estado Novo para a educação da juventude. Em contrapartida, não havia mal algum que crianças  assistissem a western's onde se massacravam índios e onde indios escalpizavam europeus, ou onde  cristãos eram impiedosamente atirados às feras, e outros que tais. E ninguém se questionava sobre o impacto nas crianças de filmes como "O Lobo Mau" no qual o feroz animal comia a avózinha...  É claro, reclamámos e recebemos de volta o dinheiro do bilhete. Por outro lado, apesar da "censura", não eram exigidos à entrada aos jovens os bilhetes de identidade, situação que corria a favor das raparigas que geralmente crescem e amadurecem mais cedo, e lhes dava a possibilidade de através de uma toilette mais senhoril "enganarem" o porteiro, que, na dúvida, não se atrevia a interpelá-las sobre a a idade,  deixando-as  entrar. (Para saber mais sobre Censura no Estado Novo, clicar AQUI)
 
O Cine Teatro de Moçâmedes. Foto Salvador, anos 1950






Através destas fotos podemos verificar a grande afluência que tinha o Cine Teatro Moçâmedes nas sessões da tardes aos domingos, em meados da década de 1950, normalmente frequentadas por uma população de maioria europeu, mas também por alguns africanos (1). Estas sessões contavam com  grande número de adolescentes e crianças que ali se deslocavam acompanhadas dos pais e avós, e escolhiam  a 2ª plateia, onde os preços eram mais baratos, enquanto os adultos ficavam na 1ª plateia, ou nos balcões. Às sessões da tarde (matinées), aos sábados e aos domingos, eram as preferidas das nossas avózinhas, para poderem recolher mais cedo a casa. Eram também frequentadas por jovens africanos que trabalhavam como domésticos. Na 2ª plateia por vezes a algazarra da garotada incomodava. Quando se tratava de um wester'n (género específico americano que explora marcos históricos como a conquista do oeste, a guerra de secessão e o combate contra os índios, ou melhor, peles vermelhas, com cenas de acção e aventura que envolviam cowboys e xerifes, vulgo filmes de cowboyadas), para além da algazarra, todos, europeus e africanos, batiam palmas sempre que  a 7ª cavalaria defendia as caravanas quando estas eram atacadas, ou reagiam manifestando indignação, quando os índios ou peles vermelhas arrancavam os «escalpes» aos cowboys e faziam deles trunfos de guerra. É que os índios nos western's americanos da época eram sempre os maus da fita, os selvagens e os inimigos, sendo os americanos as vítimas. Mais tarde, já nos anos 60, esta perspectiva suavizou-se com a nova vaga de produtores mais voltados para os aspectos sociais, e o "índio" passou a ser abordado de forma mais humana, e até mesmo surgindo como vítima dos americanos. Era aqui que o "Cinema" revelava na sua feição de grande manipulador de massas...



E quando a sessão cinematográfica chegava ao intervalo, enquanto os adultos iam apanhar ar, fumar, tomar uma bebida, ou socializar para o bar ou para as alas e corredores laterais, do 1º andar ou do rés-do-chão, a garotada corria ao Quiosque do Faustino, em busca de gelados (para nós, sorvetes), de refrigerantes (as excepcionais coco-pinhas, carbo-sidrais, etc), chiclets, tremossos, amendoins, chocolates, caramelos, etc., para satisfazerem a gulodice.  Outra alternativa, era "Minhota", a pastelaria dos irmãos Oliveiras,  onde se podiam comprar as famosas bolas de Berlim. E lá para o início dos anos 1960, também o "Café Avenida", de Mário Martins, que abriu as portas alí mesmo ao lado do Cine Moçâmedes.

 

Bilhetes do Cine Teatro de Moçâmedes, um ano antes da independência


Mas aconteciam por vezes situações desagradáveis neste Cine Teatro, quando um ou outro miúdo tentava entrar à "boleia", tentando ludibriar o porteiro, era apanhado e posto fora. Moçâmedes não era uma terra de gente rica e ociosa, mas de gente trabalhadora e "remediada" (1), contando-se o número de "ricos" pelos dedos das mãos. Para além de que o conceito "rico" nesse tempo, nada tinha a ver com o conceito de rico de hoje. Isto para referir que também havia entre nós, no seio da comunidade branca, gente que vivia com sérias dificuldades, e daí ocorrer este tipo de situações, já que os miúdos se sentiam, como outras crianças, no direito de assistir ao seu filme, e as suas famílias não se encontravam em condições de os poder satisfazer. Era aqui que entrava o espírito benfazejo de alguns moçamedenses que, de quando em quando se condoiam e lhes ofereciam alí mesmo o bilhete. O exemplo mais evidente era o da veneranda D. Aninhas de Sousa, esposa de Raúl de Sousa, o ex-proprietário do Cine Teatro Garret (1º Cinema de Moçâmedes), e mãe de Raúl de Sousa Jr (Lico de Sousa), que foi vereador do pelouro do Turismo, na Câmara Municipal de Moçâmedes. Raúl ed Sousa que tinha alugado o salão de festas do Clube Beneficente Ferroviário de Moçâmedes, sito na Rua Serpa Pinto, onde continuou o negócio, fazendo ali passar as suas sessões de cinema, às quais D. Aninhas nunca podia faltar. D. Aninhas era uma pessoa muito religiosa e caritativa, e a garotada, bem informada, sabendo de tudo isso e das qualidades da senhora, ficava em grupo, concentrada à porta, aguardando sofregamente pela sua chegada. E lá entravam todos à "boleia" acobertados pela caridosa senhora.

Como  Cine Teatro que era, o Cine Teatro de Moçâmedes oferecia ao espectador espectáculos variados tais como peças de teatro, actos de variedades, espectáculos de revista à portuguesa, teatro de comédia, espectáculos de bailado, etc. etc., para além das sessões cinematográficas.  Ali cantaram Alberto Ribeiro, Tony de Matos, Horácio Reinaldo, Luís Piçarra, Marisol  (que podemos, vestida de brando, ao centro da foto acima), Carlos do Carmo, Trio Odemira, Duo Ouro Negro, Nelson Ned, Marisol, e tantos outros grandes cantores e cantoras que a voragem do tempo não deixa recordar. Ali declamou o grande João Villaret, alí actuaram  Humberto Madeira,  Octávio de Matos (que foi pai da nossa conterrânea Octávia de Matos), o Orfeão Académico de Coimbra (que de visita a Moçâmedes fizera também uma serenata nas escadarias do Palácio da Justiça-Tribunal), etc etc. Ali, enfim, exibiram seus shows de variedades, plenos de luz e de côr, elegantes coristas vindas da Metrópole que fizeram perder de amores alguns sedentos corações masculinos...
 
Cocktail oferecido pelo Municipio a Marisol quando da sua passagem 
por Moçâmedes. Foto Salvador
 
 Cocktail  no Clube Nautico  oferecido ao conjunto musical
Duo Ouro Negro, após a sua actuação em Moçâmedes. Foto Salvador

 Octávio de Matos, actor-ilusionista, também actuou em Moçâmedes


Nélinha Costa Santos cantando "Avé Maria de Schubert. num "Programa da Simpatia". FotoSalvador

E lá mais para o início dos anos 1960 é a vez de Helena Rocha,  menininha ainda, mas já com uma voz forte e bem timbrada que enchia o palco do Cine Teatro de Moçâmedes, e que se revelou fora de portas com o  «Calhambeque», canção na época lançada por Roberto Carlos com grande sucesso.


 


 Helena Rocha e o "Calhambeque". Imagem retirada DAQUI
Uma referência especial para um tipo de espectáculo que fez sucesso na famosa década de 1950, em Moçâmedes: os concorridos «Programas da Simpatia», patrocinados pelo Rádio Clube e organizados pelo talentoso radialista e chefe de produção que foi Carlos Moutinho, com colaboração do famoso conjunto "Os Diabos do Ritmo" e de vários artistas moçamedenses.

 Carlos Moutinho, chefe de produção do RCM e realizador do "Programa da Simpatia",  casaria em Moçâmedes com  Cecília Victor, então locutora.


Iniciados às 17 horas da tarde, durante anos sucessivos, aos fins de semana, no Verão, os  "Programas da Simpatia"  constituiram-se num dos maiores êxitos de bilheteira de todos os tempos no Cine Teatro de Moçâmedes. Alí se disputaram concursos de canto e de dança, e outros  que incluiam testes de conhecimentos gerais, etc. Alí  se revelaram  com êxito tantas e tantas vozes, algumas das quais delirantemente aplaudidas pelos espectadores que passo a citar: Nélinha Costa Santos (soprano,  com a sua Avé Maria de Schubert -  ver foto acima), Fernanda Braz de Sousa (música clássica),  Isabel Maria Sena Costa,   Maria Lídia,  Maria José Camacho (com a bela canção «Moçâmedes nasceu à beira mar...»), Adriano Parreira (tenor e locutor do RCM , o Mário Lanza do Namibe), Jerónimo Ribeiro (tenor),   José Patrício (tenor), Armando Duarte de Almeida (fados de Coimbra), Mário Cantor (com a canção «Amor dou-te o meu coração...»), etc.etc.

Moçâmedes em matéria de divertimentos e distrações, desde os tempos mais recuados, ninca deixou os seus créditos em mãos alheias. Estou a lembrar-me de um período anterior aos "Programas da Simpatia" e ao surgimento do conjunto "os Diabos do Ritmo", em que ocorreram alguns espectáculos de variedades, ora levados para o ar pelo Rádio Clube de Moçâmedes, ora levados à cena no Cine Moçâmedes,  no início dessa famosa e badalada década de 1950, que mobilizou toda uma população desde os mais jovens até aos de meia idade. É desse tempo a "orquestra do Rádio Clube de Moçâmedes", organizada pelo fotógrafo e músico amador, José Antunes Salvador, saxofonista e chefe da orquestra; é desse tempo a participação em espectáculos das pianistas Rosa Bento e Arminda Alves de Oliveira, dos violinistas Santos César e Fernando Osório (do Banco de Angola), do acordeonista, Raul Gomes Filho (que também tocava guitarra e viola), dos bateristas Firmo Bonvalot e Albertino Gomes, do trompetista Anselmo de Sousa e de outros participantes como Afra Leitão, Martins da Alfândega, Noelma de Sousa (Velim), Maria Emilia Ramos (que se destacou no dia em que cantou La vien Rose), Octávia de Matos com as suas marchinhas brasileiras (a Carmen Miranda do Namibe), Júlia Gomes (a fadista do Namibe filha do Raul Gomes, o guitarrista "oficial" da cidade) que nos surprendia em todas as actuações acompanhadas à viola pelo seu irmão "Baía" e pelo seu pai, à guitarra, Lili Trabulo com o seu cantar lânguido, Néne Evangelista "Boneca" , o romântico José Luis da Ressureição com o reportório do saudoso Francisco José, e o sentido fado, com música e letra do juiz da Comarca Dr. Marques Mano, intitulado "Namibe", ao qual se entregava de alma e coração cantando  ao estilo "Coimbrão".

No Cine Teatro de Moçâmedes actuaram também em vários espectáculos, na década de 1950, o grupo "Boa Vontade" levado à cena por Dina Chalupa, a Escola de Ballet e dança rítmica dirigida por  Mme. Sibleyras (Senhora francesa que, vinda da Argélia, que passou a residir na cidade nessa mesma década), finalistas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, concursos de trajes de Carnaval, etc.etc.

Seguem algumas fotos de um sarau realizado neste Cine Teatro, em 1956, no qual participu a escola de ginástica rítmica e de ballet de Madame Sibleyras e o grupo coral e de teatro da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes ( festa dos finalistas).

O grupo de ballet de Madame Sibleyras, em 1957/8, no Cine Moçâmedes
Foto Salvador
Nesta foto encontram-se entre outras, Maria Eduarda Almeida (Dada), Raquel Radich, Rogélia Maló de Almeida (Gélita), Elsa Radich, Eloisa Trindade. Foto Salvador .   



Finalistas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, 1956: Noémia Girão Rosado,
Susete Alves de Oliveira, Antonieta Rodrigues (Boneca), Guida Frota, Teresa Freitas e
Mª Graça Nunes de Sousa. Foto Salvador 

 Finalistas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, 1956:  Eduarda Bauleth de Almeida, Ildete Bagarrão,
Lurdes Faustino, Mª Augusta Neves Almeida, Aurora Vieira, Cacilda, Violete Velhinho, Daniel Santos, Geny Guerra,
José Fernando Soares, Jorge Carrilho e Rui Coelho de Oliveira, no decurso de um espectáculo realizado neste Cine, em 1956, do qual participei.  Foto do meu álbum

 
 O mesmo espectaculo dos finalistas no  Cine Mocamedes

Grupo Boa Vontade em actuação
 
 
 
 
 


A peça de teatro "Frei Luis de Sousa", representada nas fotos a seguir, um original de Almeida Garrett, em 07 de Agosto de 1956 organizada pela Juventude Operária Católica (JOC), em colaboração com as Festas da cidade. Entre os artistas amadores, participaram: Maria Adelaide S. Silva, José Sacadura Bretes, Maria Olimpia Moreira, Luis Carlos Garcia de Castro,  Braz Domingo, Jerónimo Ribeiro,  Aurélio José da Silva e Rui Bauleth de Almeida. Figurantes:  José Augusto Fernandes Rodrigues,  António Flórido Bajouca, Joaquim Marques Saraiva,  Abel João Rodrigues Duarte,  Joaquim Lopes Baltazar.Efeitos de Luz de Mário Pereira.  Ponto: Francisco Silva. Contra regra: Eurico Martins Junior. Música: Arminda Alves. Ciro dos Frades de S. Francisco pelo filiados da JOC de Moçâmedes, sob a orientação do Padre João Luis Antunes de Almeida.










Recordamos também que na década de 1950, quando terminavam as matinées de domingo,  toda a juventude da terra acorria em peso para o troço da Avenida da República, transformado em "picadeiro",  que tinha como epicentro o Coreto do Jardim, onde aos domingos bandas de música iam tocar, e onde se podiam ver, com sedutores vagares, ranchinhos perfumados de jovens meninas, cruzando olhares fugidios com os pretendentes, em cenas discretas que as correspondentes famílias (a mãe, o pai, os avós, os manos mais velhos) patrulhavam a prudente distância, enquanto do cimo das arvorezinhas  pendiam instalações sonoras, cujos altifalantes  lançavam para o ar, incessantemente,  os êxitos musicais da época (Francisco José, Amália Rodrigues, Tristão da Silva, Alberto Ribeiro, Maria Clara, etc),  ouvia-se a Casa Portuguesa, o Nem às Paredes Confesso, a Fonte das Sete Bicas, mas também soavam alegres marchinhas e requebrados baiões brasileiros, românticos blues e tangos plangentes de Carlos Gardel, como o  "Caminito" e a "Comparcita", que traziam aos crepúsculos sul-angolanos uma muito romântica sugestão argentina. Só muito depois vim a saber que o desditoso Carlos Gardel, o mais famoso dos cantores de tango argentino, falecido em 1935, estava desse modo embalando, muitos anos depois de partir, o começo de muitos e tórridos amores moçamedenses...

Mas o Cine Teatro de Moçâmedes também teve os seus momentos de grande dramatismo. O pior aconteceu com a grande tragédia que abalou o pequeno burgo (fins de 1950, inícios de 1960), quando num fatídico dia em que decorria o filme «Amanhã será tarde», a casa dos filmes, no 1º andar, começou a arder após uma explosão que apanhou algumas pessoas pela frente, projectando outras pelas janelas fora. Morreram bombeiros, morreu Jorge Madeira (sobrinho do industrial e comerciante, Gaspar Gonçalo Madeira), jogador de futebol do Benfica e defesa central da selecção de Moçâmedes. Jorge nem sequer tinha ido ao Cinema. Tinha regressado de um treino, e ao passar junto ao Cine Moçâmedes foi apanhado quando alguém na bilheteira lhe pediu um lenço para se proteger do fumo. Foi precisamente no momento em que acabara de entregar o lenço, quando se volta de costas, que uma grande explosão fez a casa das filmagens ir pelos ares, e arrastou-o consigo. As queimaduras e os danos que Jorge Madeira sofreu foram de tal ordem que veio a falecer oito dias depois. Nessa explosão Dina de Sousa Chalupa, a concorrente feminina que ficou conhecida pela sua particpação nos 1ºs. rallies das Festas do Mar, e participou em várias provas automobilistas, na década de 1950, foi projectada pelos ares e não morreu por um triz.

Importa ainda referir que em tempos mais atrás também aconteceu na cidade de Moçâmedes um outro acidente que colheu para sempre um dos braços de um dos proprietários, Eurico Martins, apanhado que foi pela correia do gerador, enquanto trabalhava. Por essa altura era num barracão ao lado deste Cine Teatro, que ficava o dito gerador, barracão que, com a chegada da electricidade à cidade acabara por ser demolido e dar lugar ao novo e moderno edifício onde, nos finais da década de 50 se instalou a Pastelaria Avenida.

Não poderei deixar de registar aqui que este Cine Teatro foi palco de um animado comício político por ocasião da campanha eleitoral do General Humberto Delgado que despertou em todo o Portugal um enorme entusiasmo, e tornara bem evidente o descontentamento que pairava em relação à política do Estado Novo.  Mariano Pereira Craveiro, o empreendedor presidente da Sociedade Cooperativa «O Lar do Namibe» (2) era um republicano de raiz maçónica, oposicionista do regime, e fez parte, juntamente com Carlos Martins Cristão e outros moçamedenses, desta campanha a favor do General nas eleições presidenciais realizadas no ano de 1958, contra o Almirante Américo Tomás. Recordo ainda o discurso arrebatador proferido por Carlos Martins Cristão que, sentado ao lado de Pereira Craveiro, junto a uma mesa colocada no palco do Cine Teatro de Moçâmedes, com a sua forte e bem timbrada voz dizia, referindo-se ao regime vigente: «Eles é que têm as armas...eles é que têm os canhões, nós só temos os braços para trabalhar...». Em Moçâmedes, Humberto Delgado teve 665 votos, e Américo Tomás, 790. Escusado será dizer que os resultados oficiais das eleições deram a vitória ao candidato Américo Tomás, que se foi mantendo na Presidência da República até 1974. De facto a candidatura do General Humberto Delgado motivou uma forte mobilização da oposição em Angola tendo-se aqui registado a única vitória distrital do general em todo o espaço eleitoral, quero dizer, em Benguela, com 2599 votos contra os 1296 de Américo Tomás. As anteriores candidaturas da oposição eram forçadas a desistir por força das pressões e perseguições decorrentes da próprio regime e da falta de condições para a liberdade da votação. Foi o caso do general Norton de Matos, de Arlindo Vicente, etc., não foi o caso de Humberto Delgado que galvanizou o País inteiro e cujo comportamento público surpreendeu toda a oposição ao regime, pela clareza, firmeza e frontalidade com que se ia pronunciando. O general Humberto Delgado o “General Sem Medo” contestou as eleições e afirmou sempre a sua vitória. A sua derrota foi atribuída à viciação dos cadernos eleitorais e não ao controlo das urnas de voto pela oposição. A sua ousadia viria a custar-lhe a suspensão do serviço activo, em Janeiro de 1959, e anos mais tarde, a própria vida, quando, ao procurar manter activa a oposição ao regime, caiu numa cilada e foi brutalmente assassinado pela Pide, no dia 13 de Fevereiro de 1965, em Villanueva del Fresno, Espanha. Dir-se-ia que as eleições haviam sido uma armadilha. Ver tb AQUI

O Cine Teatro de Moçâmedes, tal como as salas de espectáculos de todo o mundo, não era apenas um espaço de lazer ou um local de evasão ao fim de cada semana de trabalho.  A "máquina dos sonhos" contribuiu  para uniformizar corpos, generalizar estilos de vida, influênciar posturas, modas, penteados, e também para moldar até os próprios sonhos dos espectadores. O Cinema foi de facto responsável pela educação sentimental das gerações, oferecendo modelos alternativos ao contecto socio-cultural predominante.  Mas também funcionou como agente difusor do modelo sócio-cultural do Estado Novo, sobretudo través dos documentários propagandísticos com que iniciava as suas sessões, e da censura que recaia sobre os filmes que ali passavam. E porque nada pode parar o "processo histórico", também contribuiu para essa mudança de mentalidades que se verificou em todo o mundo a partir da 2ª Grande Guerra (1939-45). E tanto mais em Moçâmedes, pequena cidade entre o deserto e o mar plantada, onde por muito tempo os modelos se mantiveram-se perenes... Todos aprendíamos algo de novo em cada sessão, os mais cultos e os menos cultos, e neste caso o Cine Teatro de Moçâmedes contribuiu  para reduzir a diferença de conhecimentos entre pessoas, ao proporcionar à população filmes e programas culturais que de outro modo lhes estariam interditos.

Com a aproximação de finais da década de 1960 e a entrada nos anos 1970, fruto dessas mudanças que se iam introduzindo ao nível das mentalidades, este Cinema Teatro passou a exibir filmes mais de acordo com o novo modo de fazer Cinema.  Fossem americanos, franceses ou italianos, os filmes passaram a ser mais espectaculares, mais realistas, e passaram a contemplar, preferencialmente, temas sociais como a Guera do Vietnam, a revolução hippie, o Maio de 1968, etc. etc., e já nenhum jovem de sã consciência perdia o seu tempo a assistir a um épico hollyoodesco que na década de 50 fazia vibrar os corações apaixonados. Com a morte de Salazar, em 1968,  abrira-se aos portugueses a "Primavera Marcelista" que veio acompanhada de um abrandamento da "censura".

Desde que me ausentei de Moçâmedes, em  Junho de 1975, não voltei mais a entrar neste Cine Teatro, mas guardo comigo, com saudade, mas sem saudosismos, todas estas recordações de um tempo que já lá vai e que não volta mais, tempo da minha infância, da minha adolescência saudável e irrequieta, e da primeira década da minha entrada na idade adulta, memórias que venho procurando neste blog registar. E só faz sentido fazê-lo, porque como tantas outras, na imensa Angola daquele tempo, fomos uma comunidade que num repente se esfumou, e que dela, hoje dispersa pelo mundo, só restam recordações ténues, que imagens e textos vão ajudando a recordar.   

                               

(ass) MariaNJardim

Nota: Este texto encontra-se protegido por direitos de autor,  caso seja daqui retirado algo, agradece-se referencia à sua origem


E porque esta reportagem ficaria incompleta sem uma referência  à 1ª sala de espectáculos de Moçâmedes, o Cine Garrett, ela aí vai:


Ainda sobre o primitivo Cine de Moçâmedes o Cine Teatro Garrett

Como já havia referido, a primitiva sala de espectáculos de Moçâmedes foi o Cine Teatro Garrett, situado na Rua Calheiros, da qual era proprietário Raúl de Sousa. Era a melhor e a mais bonita sala de espectáculos da colónia. Foi ali que até meados dos anos 1940 os moçamedenses viram correr os seus primeiros filmes, grande parte dos quais ainda em cinema mudo, e assistiram  às primeiras peças de teatro e de revista. Este CineTeatro, todo forrado a madeira trabalhada, com as suas frisas, camarotes, plateia e cortinados de veludo vermelho, ornamentado com espelhos e mobiliario Luis XV,  diz quem o conheceu que possuia um requinte interior que, salvo as devidas proporções, fazia lembrar o  S. Luiz de Lisboa. Contudo, também se sabe que acabou demolido, para dar lugar à construção da sede do Atlético Clube de Moçâmedes numa fase em que a madeira que o recobria já se encontrava corroida. Como Cine Teatro que era acumulava a função num único espectáculo exibições  de Teatro e Cinema, porque demorava-se muito tenpo a mudar a fita e nos intervalos funcionavam as peças teatrais e de revista. Testemunhos orais escritos revelam que foram alí levadas à cena, peças de Teatro e de Revistas tanto levadas a cabo por residentes como  por Companhias de Teatro e Revista metropolitanas, que nas suas digressões por Angola e Moçambique, se faziam acompanhar, inclusive, pelas respectivas orquestras. As imagens abaixo mostram-nos dois recortes de jornal e um folheto publicitário referindo a peças de teatro «O Cão e o Gato», um acto de variedades com a "Orquestra Zíngara de Lisboa" e outro sob o título "Tirolilo".




Esta peça segundo as mesmas fontes, acabaram por deixar no ar uma cantiguinha que andava de boca em boca e que chegou aos meus tempos de criança, e  cuja letra era mais ou menos assim:

"...Cá em cima está o tiro-liro
Lá embaixo está o tiro-liro-ló
Juntaram-se os dois à esquina
A tocar a concertina
  E a dançar o sol e dó...

Comadre, minha comadre,
gosto muito da sua afilhada,
É bonita, apresenta-se bem e
parece que tem,
a face rosada...
etc...





Mas ao palco do Cine Teatro Garrett também subiram artistas da nossa terra, crianças, jovens e adultos., muitas figuras que hoje são nossas mães, avós e até bisavós, umas ainda vivas e já com a avançada idade de 80  e mais anos, outras já falecidas.  É  o caso  de Zélia Pimentel Teixeira, que ensaiou e levou à cena, nos anos 1940, no Cine Teatro Garrett, integrando a Revista "Coração ao Largo", o seu grupo de ballet constituido por dezenas de garotas de Moçâmedes, que incluia, entre outras cenas  o  "Bailado das Horas".


O "Bailado das Horas"  era desempenhado por 24  bailarinas de diferentes idades, que dançaram magistralmente, e que eram distribuidas por 4 grupos, consoante as idades, representando as mais novinhas, as madrugadas; as da idade seguinte,  as manhãs; as mais cresciditas, as tardes e as  mais velhas, as noites. O acompanhamento ao piano teve a gentil colaboração de  Eduarda Torres.



 


Programa da Revista "Coração ao Largo" 


A Revista "Coração ao Largo" , em dois actos  e cinco quadros, um original de A. Portela Junior, foi um espectáculo promovido pelo Atlético Clube de Mossâmedes (assim se escrevia então), levado à cena ainda no antigo Cine Teatro Garrett, que esgotou sucessivas bilheteiras. Muito ovacionada, foi no final de  cada sessão sempre aplaudida de pé pelos espectadores.  O preço da entrada eram variados conforme se tratava de camarotes, frizas, plateia e geral (desde 102,50 a 5,50).

Faziam parte desta Revista os seguintes quadros:  1. Mossâmedes à vista 2. No Quisque do Faustino 3. Coisas e Losas 4. Beija-me muito 5. Cenas de Rua. Era uma Revista em 2 actos e 5 quadros, um original de A. Portela Junior. Eram  "compéres", ou seja, aqueles que sem abandonarem o palco, permanentemente conduziam a apresentação das cenas,  Zé topa tudo-Norberto Gouveia (Patalim) e  Manuel Chibia - António Martins ( António Latinhas).


De entre os participantes da Revista "Coração ao Largo" que recordamos aqui os nomes de Rosa Bento e de sua irmã Madalena, das irmãs Mercedes e Ivete Campos, das irmãs  Salete e Lurdes Leitão, das irmãs Lurdes, Noelma e Zilda Sousa Veli,  das irmãs Lizete e Branca Gouveia, das irmãs Edith e Odete Serra, das irmãs Nide e Lurdes Ilha, Aida de Jedsus, Octávia de Matos, Maria Adelina,  Alexandrina Ascenso,  Odete Serra,  Odilia de Jeses,  Aline Gomes, Ana Liberato, Alina Campos, Ruth Gomes, Aida e Odilia de Jesus, Maria Adelia, Alexandrina Ascenso. Wilson Pessoa, Norberto Gouveia (Patalim), Henrique Meneses, Rui Meneses,  Mário Rocha,  José Pestana,  José Manuel R. Santos ,  Hugo Maia,  Carlos Everdosa,  Augusto Costa, Armando Campos,  Joaquim Lemos Loução e  Artur Caleres. A parte musical  esteve a cargo de  La Salette Leitão e Ivete Campos, ao piano,  e de A. Portela Jr (saxofone) e  Anselmo de Sousa (trompete).  Outra peça que talbém sibia à cena no Cine Teatro Garrett, foi  a "Gioconda".  A parte musical esteve a cargo de Maria de La Salette Leitão e de Ivete Campos (piano), e ainda de A. Portela Junior (violino), Anselmo de Sousa (trompete) e Firmo Bonvalot (jazz).