29 outubro 2011

José Trindade e familia, o jornal «O Namibe», a poesia, a descolonização, etc...



 




Na foto: José Trindade, a esposa e os 3 filhos mais velhos, Gina (à esq.), Clarabela (à dt.), e Roberto (ao colo). Todos os filhos eram naturais de Moçâmedes. Esta foto foi tirada em 1940. Uma nota curiosa para lembrar que as duas meninas, Gina e Clarabela foram ambas, na década de 1950, basquetebolistas do Sport Moçâmedes e Benfica. 


Eis aqui mais uma família de Moçâmedes. A família Trindade, cujo «chefe» José Trindade era  proprietário da Tipografia e do Jornal «Namibe», situada na Rua dos Pescadores, e não apenas era proprietário como ele próprio escrevia muitos dos artigos que eram publicados, os quais assinava tanto como J. Trindade, como Carlos Alberto, ou ainda como REX. Para além disso, dominava também a arte de versejar, faceta da sua vida pouco desconhecida de quantos habitavam a cidade de Moçâmedes. Para que outros possam conhecer esta faceta, seguem dois dos seus poemas que me foram enviados, juntamente com a foto acima, pelo seu filho e meu colega de escola, Roberto Trindade.


Eis o 1º poema:



Moçâmedes e o Mar



Entre as águas azuis do mar uivante
e a areia fulva do deserto agreste
- como presa nos braços de um gigante-
foi, Princesa, que tu aqui nasceste!

Nasceste em terra dura e ressequida
E tens mesmo a welwitschia por irmã,
e, à força de viveres esta vida.
conquistaste a coragem de um titã!

Venceste as bravas ondas turbulentas,
enfrentaste as garrôas do Deserto,
e, após tremendas lutas bem cruentas,
mudaste a rota a um destino incerto!

Tornaste natural o que era estranho
ao dominar os fortes elementos:
nas areias fizeste o seu amanho
e ao Mar foste colher os alimentos:

Consumidos cem anos em batalhas,
és tão pobre como eras no começo,
mas, rica em fidalguia, tu trabalhas
p`r atingir as estradas do Progresso!

Agora, à custa desse teu Namibe
e da formosa Praia das Miragens
como quem ao olhar do Mundo exibe
belezas naturais, raras imagens -

Tu voltaste de novo a triunfar!
fazendo de ambos um cartaz berrante,
passaste a festejar o velho Mar,
companheiro do povo navegante.


Carlos Alberto
 


José Trindade, mais conhecido por «Zé Côco» tinha uma outra faceta. Era um fumador inveterado. Enquanto escrevia e orientava os trabalhos na sua Tipografia,  fumava cigarro atrás de cigarro, até virar «beata» a queimar-lhe a ponta dos dedos...


Eis um poema que José Trindade escreveu numa altura em que, devido à seca, a indústria tabaqueira angolana passava por uma grave crise, e, em consequência, faltou tabaco nos locais de venda em Moçâmedes, situação que agitou os ânimos dos viciados no tabaco...


Não há tabaco!


(Referência alegre à cruciante à tragédia tabaqueira ocorrida há dias)

 
As armas e os barões assinalados
que os tempos vão maus, muito envinagrados!
Não há tabaco e estamos desgraçados!
A seca foi atroz e foi completa
de deixar um parceiro mui pateta!

Desta vez não houve contemplações:
não fumaram pobres, ricos e ladrões!

Conheço fumadores consagrados
que agora apenas ... chucham rebuçados!
Conheço até uma Domingas ,
que é minha lavadeira e confidente.
Sei que adora o tabaco e as boas pingas.

E, como continua sorridente,
indaguei da maneira que ela usava
pr´enfrentar o problema. E essa avis-rara
disse: - Eu não perdi tempo , e sem mangonha
fui comprar umas doses de cangonha!...

A situação tristonha e angustiosa
veio pôr a cidade em polvorosa.
Os cigarros de filtro e os tais sem ponta
são luxo com que a gente já não conta:

Não há Deltas, Marinas, Francesinhos
e até Negritos já não têm os barzinhos!
Fumar é vício lindo que morreu
e, p´ra vida ser feita de veludo,
vamos fumar p´la ponta de um canudo,
recordando a beata que já ardeu!

E como um bom charuto custa caro,
Não fumes disso, ó meu judeu avaro!


José Trindade

 

Estas eram algumas marcas de tabaco que se vendia em Angola.
JORNAIS DE OUTROS TEMPOS EM MOÇÂMEDES: (Namibe): Jornal de Mossamedes (1881), Almanach de Mossamedes (1884), O Sul de Angola (1892), A Tesoura (1892), A Tesourinha (1892) e A Bofetada (1893).


Do "Jornal Namibe" apresentamos a seguir um derradeiro artigo, publicado em 1975, quando Portugal se preparava para pôr a funcionar, com a ajuda de potências estrangeiras, uma «ponte aérea» sem retorno que haveria de promover o repatriamento massivo dos portugueses do território de Angola, numa autêntica "limpeza étnica".


 


  

Clarabela e Gina, as duas meninas de José Trindade já rapariguinhas,
em 1951/2? envergando a camisola do Benfica , 
"o clube de sempre" das duas manas Trindade

Clarabela, era a alma da equipa, aquela que, com a rapidez dos suas esquivas jogadas e os infalíveis lances de bola ao cesto, fazia vibrar moçamedenses e adeptos benfiquistas que não cessavam de a ovacionar. Ver Memórias Desportivas AQUI



 Roberto Trindade, meu colega de turma tal como todos os outros, pode ser visto aqui, de pé, à esq. Este era o grupo masculino dos finalistas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, em 1956. Ver AQUI


Para terminar vou lembrar uma situação que se passou entre José Trindade e a Câmara Municipal de Moçâmedes, que revela o quanto às vezes as pessoas que detêm algum poder são levadas a actos prepotentes, mesmo em situações em que os ventos não correm a favor dos organismos que representam.

Eis a situação:

José Trindade era há já um tempo credor daquela Câmara por trabalhos prestados pela Tipografia que não havia meio de serem pagos. Cansado de esperar, tomou uma decisão: ele que fora sempre cumpridor das suas contas resolveu pura e simplesmente deixar de pagar a água e a luz eléctrica que a Câmara fornecia à Tipografia. Resultado, logo no dia seguinte lá estava o funcionário municipal a cortar o fornecimento de água à Tipografia. Quanto ao resto apenas sei que o problema levantou grande celeuma, que José Trindade fez barulho, protestou, e que pelos vistos o problema acabou resolvido, pois a Tipografia, da qual dependia não apenas o seu sustento como o da sua família, bem  assim como o sustento de mais algumas famílias de pessoas que alí trabalhavam, lá continuou a funcionar. Aliás, pensando bem, lidar com o jornalismo numa época em que a censura do Estado Novo estava activíssima, não devia ser uma missão  nem muito fácil, nem muito agradável...
 




É com carinho que deixo aqui mais esta recordação.
MariaNJardim 



Em tempo:

Aproveito para recordar aqui outros jornais que no século XX foram editados em Moçâmedes:.
1.O Sul de Angola, semanário independente de Moçâmedes, fundado em 1921 e dirigido por Mário Trabullo, seu proprietário.
2.Correio de Angola, de Moçâmedes, dirigido por José Manuel da Costa.
3.Mossâmedes, semanário dirigido por Joaquim Augusto Monteiro.
4.O Académico, de Moçâmedes, dirigido por José Pestana.
5.Sport de Moçâmedes, quinzenário, dirigido por A.A. Torres Garcia.



20 outubro 2011

M.A. Manuel Augusto de Pimentel Teixeira: palestra "Mossâmedes e o seu Feriado" radiodifundida pela Emissora Nacional, em 4 de Agosto de 1939

Manuel Augusto de Pimentel Teixeira

“Mossâmedes e o seu Feriado”
(palestra radiodifundida pela Emissora Nacional em 4 de Agosto de 1939)
por
M.A. de Pimentel Teixeira


Completam-se hoje 90 anos que um punhado de esforçados portugueses aportou a Mossâmedes, risonha cidade do Sul de Angola, que escolheu êste dia para o seu feriado nacional, em justiceira homenagem áquele minguado grupo de seus autênticos fundadores.


É hoje ali o dia da FESTA DA CIDADE à qual a Emissora Nacional gostosamente se associa, começando por lembrar as palavras do falecido Governador daquele distrito, sr. José Pereira Sabrosa, que assim escrevia em Janeiro de 1934:

“As colónias representam a continuação da Pátria, a projecção dos factos nacionais, o prolongamento da acção cultural, cívica e económica, e são difusão das instituïções, dos costumes, das idéias, da língua e do sangue da Nação.

Mossâmedes é verdadeiramente uma Colónia, onde o poder de reprodução e multiplicação do nosso povo e a sua fôrça de expansão se manifestam como triunfo assinalado das nossas qualidades colonizadoras e supremo e eficaz argumento contra monstruosos e insolentes detractores que desconhecem que só os povos espiritualmente grandes, são aptos para efectivar missão civilizadora como a realizada neste querido pedaço de Portugal.

O esplendor inescurecível de que se reveste a obra civilizadora realizada neste distrito, provém de que nela germina e floresce aquêle préstimo positivo que fêz Chailley-Bert chamar às colónias “escolas de heroïsmo” em que os caracteres se retemperam, em que o espírito de iniciativa se aviventa e onde cada indivíduo pode mostrar o que vale.

Fêz-se aqui uma fixação definitiva e exclusiva da nossa raça; plantou-se neste distrito há quási um século – e é já definitivamente consolidado – o mais essencial elemento de soberania, a comprovar a nossa admirável adaptabilidade e a desafiar aspirações e perigos de absorção, por mais poderosos que sejam êsses perigos, por mais insaciáveis que se mostrem tais aspirações!

Centro de almas retinta e insofismàvelmente patriotas, população que na terra e no tempo criou raízes fortes, projecção longínqua da Pátria e continuação dos seus lares, fonte de energia lusíada, o maior e o melhor centro de colonização fixa do Império, o distrito de Mossâmedes, é bem um natural prolongamento do território nacional, a garantir a possibilidade da nossa expansão, a afirmar que Angola é verdadeiramente fonte de prestígio e do poder da Nação”.

Prestada assim, também, uma justa homenagem à memória de José Pereira Sabrosa, distinto funcionário que à obra do Estado Novo, à Colónia de Angola e ao Distrito de Mossâmedes dedicou o melhor dos seus proficientes esforços, vamos apresentar aos nossos prezados ouvintes uma evocação do passado sôbre a acção dêsse minguado número de portugueses que a 4 de Agosto de 1849 ali desembarcou da barca “Tentativa Feliz” que viera comboiada pelo brigue “Douro” da Armada Portuguesa.

O Brasil emancipara-se, proclamara a sua independência que, a breve trecho, o próprio Portugal reconhecia.

Nação pujante que nascia para o Mundo, almas sedentas de liberdade, território imenso em que cada estado abarcava uma área superior à das grandes nações da Europa, cada um dêles chegou a querer para si uma independência absoluta.

Idealistas e visionários, como autênticos descendentes dum país de sonhadores, aqui com um caudilho, ali com outro, depressa surgiram sedições e revoltas a que o Poder Central mal podia acudir, assim se enlutando por largos anos o território brasileiro.

Nem todos os portugueses ali residentes simpatizaram com a nova nacionalidade e até qualquer fútil pretexto lhes servia para, de armas na mão, protestarem contra essa independência em que êles veriam uma diminuïção do prestígio pátrio, um cerceamento de território ao domínio de Portugal, que o seu esfôrço e o de seus maiores tinha desbravado e povoado.

Envolvidos, decerto, nessas lutas fratricidas, logo que sufocada, em 1848, a última revolta em Pernambuco que tinha em mira proclamar a independência da Federação do Equador, é natural que sôbre os portugueses se desencandeassem os maiores ódios e malquerenças!

Tornou-se-lhes, portanto, necessário abandonar o Brasil, onde eram olhados como elementos de desordem, como inimigos, como estrangeiros, senão como traidores!

E visionaram então noutro ponto do Globo um novo Brasil em que mais uma vez demonstrassem ao Mundo que, para o ânimo português, não há desalentos que lhe amorteçam a energia, nem sonhos que o seu esfôrço não saiba e posso converter em realidades!

Se os seus maiores se tinham ontem aventurado “por mares nunca dantes navegados”, porque não iriam êles desbravar terras nunca dantes conhecidas?

E olhando o mapa de Angola, abandonando a terra que entenderam madrasta e lhe pretendia roubar a nacionalidade de que tanto se orgulhavam, aportaram a 4 de Agôsto de 1949 à então chamada Angra do Negro.

Seduziu-os – quem sabe? – a sua vasta baía, as suas águas calmas espraiando-se dolentes em ligeiras ondulações.

Não lhes quebrantou o ânimo a imensidade do areal onde se não descortinava a mais insignificante mancha de verdura!

Mar deserto como a terra, terra deserta como o mar, que importava isso à sua Fé!

E sonham, talvez, melancólicos pinhais, laranjeiras em flôr cobrindo as areias sem fim, a cujas sombras virão um dia cantar suas alegrias ou carpir suas mágoas em versos saüdosos da Pátria distante!

Seu ânimo é arrojado, sua Fé é grande, e bem poderão, pelo seu trabalho, transformar montes em planícies, derrubar milenárias florestas lá para o interior, para delas surgirem vergeis floridos, profundar a terra virgem para nela lançarem as sementes de longe trazidas como tesoiros!

Transformar o humus em pão e com êle criar energias que os conduzam à vitória, tal seria o sonho dêsse punhado de obscuros heróis cujos nomes e esfôrço a Pátria mal relembra!

Tarefa grandiosa que levaria anos, iniciada por êles cheios de ardor e entusiasmo, seguros de que à sua geração outras se haviam de suceder, encontrando no seu exemplo fonte perene de sãs energias que lhes dariam o alento necessário para mais alongarem as fronteiras da Pátria estremecida.

E, semelhando fugitivas caravanas diante do invasor triunfante, êles aí vão, areais em fora, caminhando, caminhando sempre, em procura duma veiga de terra onde possam construir uma choupana e lá, no mais alto do cêrro, firmar tôsco mastro onde hastear a bandeira bi-color com suas quinas e castelos.

Pegureiros do Progresso, missionários da Paz, arautos do Trabalho, olhos incendidos em Fé, corações trasbordando esperanças, ei-los se fixam nos vales dos rios Bero e Giraúl, seguindo os mais audazes em busca doutros oásis que finalmente encontram nas margens do Munhino.

Por ali se espalham êsses paladinos do Trabalho, pois que para além o horizonte se cerra com os contrafortes inacessíveis da Chela, ciclópica muralha natural com suas cristas emergindo das núvens!

Por ali se ficam, êsses modestos colonizadores, sob um calor esbrazeante de 40º à sombra, tão insensíveis às catadupas que dos céus se despenham, como ao rugir das feras que da selva os ameaçam!

Fortes na sua missão, não se acovardam perante o rigor dos elementos nem perante o incógnito que por tôda a parte os rodeia e breve surge a cabana coberta de colmo, a geira de terra desbravada onde começam a verdejar os legumes e os cereais!

Dois..., três anos de labor e luta, e a geira desdobra-se em longas campinas onde a cana sacarina ondeia ao vento os seus longos penachos, ou em várzeas sem fim, em que os casulos de algodão branquejam quais flocos de neve em tapetes de verdura!

Depois, desaparece a cabana e surge o amplo casario de paredes fortes como muralhas, porque era necessário estarem preparados para resistir aos ataques do gentio tantas e tantas vezes repetidos com sucessivos insucessos!

Fortalezas, talvez, mas retintamente casas de aldeia portuguesa, milagrosamente transportadas para terras de degrêdo, com sua pequena loja para o negócio, celeiros e arribana, e lá mais ao longe a eira lageada com longa alpendurada, onde, nas horas cálidas, se acolhem os gados e cães de guarda, tal como em Portugal!

Em baixo, a casa do trapiche, as cubas de fermentação, o alambique e até rudimentar aparelhagem por êles feita, para o fabrico do açúcar!

Longas coberturas de telha mourisca, amplos portados de bom granito ou de tijolo vermelho destacando-se no alvadio das paredes, tudo surgira do seu porfiante trabalho!

De vez em quando, lá descem à vila, atravessando areais sem água, carreando o que a enxada e o arado tinham arrancado à terra e que eles enviam para Lisboa em troca de produtos que as suas geiras lhes não podiam fornecer.

Foi assim que por volta de 1875, Mossâmedes chegou a exportar anualmente 800 toneladas de algodão, ao passo que em 1932 – 57 anos depois – a exportação de tôda Angola apenas atingiu 585 toneladas!

Cheios de Fé, lá regressavam aos seus novos lares, às suas terras, sempre na esperança dum ano mais fértil, “a-pesar-do último não ter sido mau”, como êles uns aos outros diziam para mutuamente se animarem.

Mas, que haveria por detrás daquela gigantesca muralha que ainda hoje se chama a Serra da Chela?
Pimentel Teixeira




Do site de Aida Saiago


About Manuel Augusto de Pimentel Teixeira

Tendo frequentado o liceu de Santarém (1888 a 1895) e encalhado no latim e nas “cachopas”, enveredei para o curso de farmácia que vim a completar em 25 de Junho de 1898, na Escola Médico-Cirurgica do Porto com a classificação de 13 valores. Em 18 de Junho de 1898 fui para Vilar de Paraíso como Director Técnico da Farmácia Moura, mas como tinha um especial azar á “arte de farmácia” vim para Mossâmedes, (Angola) tendo embarcado no vapor ZAIRE, chegando aqui a 19 de Maio de 1902, trazendo no bolso a importante quantia de 3810 reis, 55 quilos de peso e ... esperançosos sonhos. Afinal, protegido por meu primo Serafim Simões de Figueiredo, UM GRANDE AMIGO, tive que montar a Pharmácia Moderna que abri aos 12 de Junho de 1903, a qual por questões políticas locais fui forçado a vender em 1913. Do que se seguiu e está seguindo falarão a ... histórias. Casei com ... minha mulher, D. Berta Pinto Coelho, senhora da minha grande consideração e amizade, que me presenteou com seis filhos, isto é, três filhas e três filhos, um dos quais (Manuel , 1º de nome) veio a falecer em 2 de Maio de 1912 com 14 meses incompletos. (auto-biografia escrita em 1923). In GeneallNet



Acrecento ainda a página que segue de "Publicações Periódicas Portuguesas" existentes na Biblioteca Geral,Universidade de Coimbra:




Pode consultar também:
http://princesa-do-namibe.blogspot.pt/2011/10/gente-de-mocamedes-vera-lucia-pimentel.html


Talentos do Namibe (ex Moçâmedes) : a poetisa Vera Lúcia Carmona Antunes




Foto de http://infinitokalahari.blogspot.com/


Vera Lúcia Carmona Antunes (Vera Lúcia Kalahari),  natural de Moçâmedes, actual cidade do Namibe, filha e neta de mãe e avó moçamedenses,  bisneta de Manuel Augusto Pimentel Teixeira,  o velho  jornalista moçamedense (já falecido), o maçon  natural de Alvaiázere, Maçãs de D. Maria,  Manuel Augusto Pimentel Teixeira  que se radicou em Moçâmedes, onde exerceu funções de farmacêutico, e onde em 1913  foi proprietário do Jornal "A Pátria",  Jornal literário e político, orgão do Partido Republicano Português que defendia "que tínhamos (nós, os brancos) de arranjar em cada "gentio" um amigo se quiséssemos ter uma Angola para todos...».(1)

Vera Lúcia teria herdado deste seu bisavô a veia jornalistica, uma vez que  desde muito cedo começou a dedicar-se à escrita e tornando-se mais tarde jornalista profissional, tendo trabalhado para os jornais “O País”, “O Dia” e “Diário de Notícias”, e para as revistas “África Hoje”, “Família Cristã”, “Gazeta das Aldeias” e “País Agrícola”. Foi também copywriter no Departamento Comercial da Rádio Renascença (Intervoz). 

Hoje, no seu “refúgio” na aldeia de Sortelha, conselho de Sabugal, Vera Lúcia dedica-se à poesia e à literatura, sobretudo à literatura juvenil, onde, em ambiente pleno de serenidade e misticismo se inspirou para escrever o romance A Casa do Vento que Soa que concluiu recentemente. Terminou também a série juvenil Os Primos (O Diamante Real, O Incendiário Tenebroso, O Quadro Misterioso e O Enigma da Aldeia das Broas). O "O homem que falava de paz" foi o seu primeiro livro

(1) CLICAR AQUI
 1913/14, conf. Jornal literário e político – Órgão do Partido Republicano Portuguêz

Ano de início da publicação: 15/11/1913 Local: Mossamedes Diretor, proprietário e editor: M. A. De Pimentel Teixeira. Observações: tablóide, papel jornal, 4 páginas. Há poucos exemplares arquivado


Seguem alguns poemas de Vera Lúcia. São poemas que falam de ideais e de sonhos destroçados, cujas raízes se afundam em Angola. 



 


ORIGENS

 

Eu vim da terra dos traídos
Vim dum monte de sonhos destroçados
Vim de cidades em ruinas
Dum bando de famintos revoltados.
Amei os pobres, as crianças, as mães amarguradas.
Fui choro, fui pranto de muitos lares,
Fui o ro�ar de facas, de chibatadas.
Entrei nos templos, p'ra achar pureza,
Desci às ruas, p'ra conhecer tristeza.
Fui bandeira branca, desfraldada,
Fui lágrima de noiva abandonada.
Fui grito de dor, brado de morte,
Fui brinquedo morrendo com um menino.
Fui solidão e fui miséria
Fui flor de sangue derramado.
Eu vim da terra dos traídos...
Da terra sem lares, ou maternas mãos...
Sem portos, sem ruas, sem amores,
Sem Credos, sem Deus, sem alvoradas...
Vim dum bando de crianças inocentes
Que esperavam com fé pela madrugada,
Que não conheciam ódios raciais
E tinham direito à sua sobrevivência.
Eu sou a que está convosco, incompreendidos,
Que não querem curvar-se ao cativeiro,
Que querem ser livres, encontrarem-se,
E acreditam que num futuro aurifulgente,
Num mundo sem ódios, nem concessões,
Tudo será melhor, será diferente.

Vera Lúcia




A VISÃO


Eu vi,
Corpos negros dançando
Num bailado sem fim…
Vi corpos requebrando ao vento
Como coqueiros  arqueados.
Era algo de profundo e magnífico…
Vi panos coloridos
Desnudando corpos,
Esvoaçando e brilhando,
Azuis, roxos, negros…
Vi  risos e cantos e tambores
Ressoando ao sol
Numa sinfonia sem fim…
Ran…Tan…Tan…
E vi a minha terra toda,
Meus avós, num bater frágil de asas,
Num canto inesquecível, superior à poesia,
Surgindo, surgindo,
De milhões de palmas, das fontes do eterno frio…
Deus… Que futuro imenso para esta terra,
Onde o lodo se tornará cristal,
E onde a liberdade há-de chegar…
Glória a todos os que morreram por ti,
Orgulhosos do seu fim,
Acreditando num mundo melhor…
Quem somos nós para duvidar
Que esse tempo tem que chegar?

Vera Lúcia




O MEU CREDO


Creio
No cristal límpido
Em que se hão de transformar
Os pensamentos lodosos.
No sorriso iluminando rostos
Nos trajes luminosos que hão-de cobrir os homens:
Os trajes da liberdade.
No vinho doce que há-de embriagar
Mentes enlouquecidas…
No tropel de gente esperançada
Que há-de correr, chorando,
Para o Bom Deus, temendo chegar atrasada.
E vós
Que olhais sem verdes nada
Que fechais a alma à esperança,
Que tiritais ao frio da nortada
Esperai, por favor, pelo sol ardente
Que vos virá aquecer…
Porque, crede: O tempo sem violência de que vos falo,
Virá…Terá que vir…Acreditai.

Vera Lúcia


***


CÂNTICO DOS CÂNTICOS


Queria ter confiança na eternidade
E na terra da verdade…
Queria nunca m’esquecer
Que volta sempre a primavera
Qu’entre pedras faz nascer rosas…

Queria deixar de ser este mar morto
Mar sem ondas e sem portos…
Queria deixar de mendigar
No silêncio das noites escuras
Caminhando por ermas estradas
Sem saber p’ra onde vou.

Queria saber quem me roubou minha coroa de rainha
Quem pisou minhas ilusões desfolhadas…
Queria ser a manhã qu’apaga estrelas
E encontrar amor em todas elas…

Queria ser a perdida, a que não s’encontra
Aquela que ninguém conhece,
A rutilante luz dum impossível…

Queria deixar de segurar nas mãos
O bem que nunca é meu
E encontrar no caminho o meu bordão d’estrelas…

Queria encontrar a água que procuro e de que estou sedenta
Queria não pensar nos que andam descalços pela vida…
Nos que choram em insanas guerras…
Nos que mentiram e nos que mentem…
Não ter pena dos que em má hora nasceram…

Queria ter asas para voar e ser na fé
Na agonia dum moribundo…

Queria ser tudo…e não sou nada.

Vera Lucia
***



AMOR SACRÍLEGO

No meu negro pretérito já passado
Há a sombra triste dum amor imenso.
Imenso mas cruel por ter deixado
O perfume doce do seu incenso.

Amei-o, sim, em doce chama
Meu coração de menina lhe concedi.
Perdi a fé, a paz, perdi a alma,
E era um sacrilégio amar assim.

Era um sacrilégio, mas no seu todo,
Nosso amor era um raro sortilégio…
Criamo-lo neve e era lodo,
Criamo-lo santo e era sacrilégio.

Esse amor, esse amor, foi todo meu.
Em mim, seus laços ficaram impressos.
Nosso amor era luz e era sombra
E eram prantos e risos os nossos beijos.

E foi um sacrilégio e foi loucura
Foi loucura de amor, foi um lamento,
Como um hino imenso de amargura 
Como um imenso, lento tormento.

Vera Lúcia

 ***



SONHO PAGÃO

De noite, 
Nessas noites mornas e lentas, 
Iluminadas pela lua sensual, 
Quando as flores se abrem languescentes, 
De corolas abertas, carnais,
 Como corpos que se entregam 
Vou, como uma deusa pagã em desvario, 
De narinas dilatadas,
 Procurar o excitante odor da tua pele. 
A boca sedenta, quer beber-te no ar em brasa… 
Ávido o olhar, busco encontrar-te  
Nas trevas que m’envolvem… 
Vejo-te em cada sombra que se adensa… 
Ouço no canto das fontes, 
A tua voz, que desconheço… 
Tem o langor deste desejo que voa até ti…
 Quebro de raiva os ramos que me ferem, 
sôfrega dos teus beijos…

Piso…Mastigo as folhas secas que m’acolhem 
Com a ilusão de morder-te a carne ardente… 
Depois, caída na realidade da minha solidão,
 Clamo por ti…
 Berro na noite teu nome d’amor… 
Aperto em meus braços a forma do teu corpo
 E mergulho meus lábios nessa imagem, 
Soltando uivos de prazer e desespero…

Vera Lucia
***


Disseste que voltavas
E eu esperei…
Mandei que as acácias rubras
Florissem só para ti.
Que as casuarinas desgrenhadas
Se vestissem com mantos de nívea espuma.
Mandei que as rosas
Se abrissem só para ti…
Que juncassem de flores
As pedras de cada rua…
Que tocassem batucadas
Na noite luarenta…
Qu’acendessem fogueiras
Em todas as esquinas…
Tu não voltaste.
Murcharam as acácias
A florirem numa ansiedade vã…
Curvaram-se as casuarinas
Com lágrimas d’espuma
Caindo na praia escura…
Calaram-se os cantos nos beirais.
Parados quedávamos
Tentando o som dos teus passos escutar…
Calou-se o menino de barriguinha inchada
Qu’esperava por ti para o salvares…
Que fazias que não voltavas?
Que fizemos p´ra não voltares?
Tu que trouxeras a fé e a crença
A este povo descrente
Eras agora uma voz …
Uma voz…nada mais.

Vera Lúcia


DESEJO FINAL

Quando eu morrer
Não quero rosas,
Não quero prantos.
Quero flores de buganvílias rubras,
De ouro e sangue…
Quero ventos…
Os que mordem as areias do deserto…
Os que curvam os corpos dos coqueiros desgrenhados,
Arrojados para o azul,
Sim…
Quando eu morrer,
Não quero rosas,
Não quero prantos.
Quero o ressoar dos tambores
Atroando os ares…
Ran-tan-tan-tan-ran …
Quero o óleo doce do denden…
Quero tudo …tudo da terra…
Que m’importam rosas?
Que m’importam cantos?
Quero beber as ondas do mar…
O marufo ardente…
Quero sentir o tumulto da terra
A alegria do Povo…
Por isso tragam-me tudo…
Para ter a ilusão,
De ainda viver.

Vera Lúcia 


Ainda sobre Vera Lúcia:
A sua vivência perto da guerra (em Angola naturalmente), deu-lhe a conhecer os obscuros bastidores dos negócios ligados aos conflitos internacionais, um mundo desconhecido da maioria público que envolve comércio de armamento e outros flagelos, operações financeiras por agências especializadas, Companhias de Seguros, etc, etc., em negócios que rendem milhões e milhões e milhões de dólares.

Humanista e livre pensadora, Vera Lúcia ousou trazer a público um assunto que tem vindo a ser, intencionalmente ou não, silenciado pelos fazedores de opinião,  rotulado de "teoria da conspiração", e que a ser verdade já está afectando, e mais  ainda afectará a vida de todos nós.  Trata-se do Clube de Bilderberg, algo que se assemelha a um filme de ficção científica e que, como refere Vera Lúcia, "analisando o que se está a passar diariamente no nosso planeta, parece-nos que a máquina já está em pleno movimento, rumo ao objectivo para a qual foi concebida: Globalização! A autora vai mais longe, aponta para a  "Nova Era", a era da "Escravidão Total" que envolverá as futuras gerações... 

Clicar AQUI se estiver interessado em ler o artigo de Vera Lúcia a este respeito, cujos detalhes são sem dúvida esclarecedores.

Para conhecer melhor seus trabalhos, clicar AQUI

GENEALOGIA 



18 outubro 2011

Gente de Moçâmedes (Namibe, Angola) a brilhar no vasto Mundo: Ana Paula Carvalho / Paula Turra, eleita Miss Jovem Internacional. Japão em 1972


Ana Paula Carvalho (Paula Turra) eleita "Miss" Jovem Internacional, no Japão
Se em 1971 foi Riquita (Celmira Bauleth), a menina bonita que após ter conquistado o título de "Miss" Angola, tornou-se, sem contestação, Miss Portugal,  a proeza repetiu-se, em parte, em 1972, com a eleição de Maria de Lurdes Pinto, "Miss Angola", tendo por "Damas de Honor", Ana Paula Carvalho (Paula Turra) e Maria Lídia Ferreira. Ana Paula Carvalho foi eleita Miss Jovem Internacional, e Lidia Ferreira, "Miss" Imprensa. Seria caso para dizer, "não há duas, sem três"!


AS GAROTAS DO MAR


Todos ficaram sabendo
que assim mesmo é que isto é,
contra as garotas do Mar
é remar contra a maré...

Vencemos em toda a linha!
Foi vitória das mais lindas,
pois nós ganhamos a todas,
Preciosas, Caraslindas...

Contra o que muitos pensavam
nós vencemos o despique,
pois entre ondas de beleza
não podemos ir a pique.

Que as moças iam vencer
era aqui por nós sabido,
pois o Namibe jamais
em beleza foi vencido!

Ninguém nos pode tirar,
cá nesta terra angolana
no campeonato das lindas
a posição soberana.

Todos queriam com bairrismo,
do fundo do coração,
neste Concurso famoso,
a bela repetição.

Lurdes tu és segunda
(Riquita foi a primeira)
e as Miragens do Deserto
hão-de indicar a terceira.

Em loucura colectiva,
no momento final,
a alegria sem limites
dominou a Areal.

Muitos cortejos de carros!
Bancos, pretos... Da cama,
homens, mulher's, crianças,
vêm pr'a rua de pijama!

As Welwistchias ajudaram,
com mil palmas prazenteiras,
que deram com frenezi,
as mil palmas das palmeiras!

E o bom Mar que é nosso Amigo,
em vozes portentosas,
bradou logo o mundo inteiro:
-São nossas as mais formosas!

(Autor desconhecido)

Ver também AQUI
Créditos de imagem: Sanzalangola (LaySilva)
 Sessão fotográfica no Japão

Na Polinésia
Ana Paula Carvalho, elegante e bela foi, com todo o mérito, eleita "Miss" Jovem Internacional. Aqui podemo-la vêr, ao centro, entre outras concorrentes


Maria de Lurdes Pinto, "Miss Angola", tendo por "Damas de Honor", Ana Paula Carvalho (Paula Turra), à esquerda e Maria Lídia Ferreira.
 
Ana Paula Carvalho (Paula Turra) desfilando em Luanda

Ana Paula Carvalho (Paula Turra) desfilando em Luanda com as
tradicionais vestes de mucubal. Moçâmedes dava a ver mais uma vez  à Metrópole e ao Mundo a existência  no sul Angola, em pleno século XX, de um sistema tribal resistente à integração: o MUCUBAL

O beijo paterno da vitória. À dt. Lurdes Pinto, Miss Angola 1972
O beijo materno
Com Iris Maria, Miss Portugal (Moçambique) 1972

Vestida de Mucubal, com Raúl Indipwo entre outros 
Outras fotos:
 
Moçâmedes agradece a Paula tão alto feito com este baile
ocorrido no Salão da Associação Comercial. 
Ao fundo, os locutores do RCM, José
 Manuel Frota e Arlete Pereira
Foto tirada em Luanda para o "Notícias", Angola




  Moderna, elegante e bela, o visual da moçamedense Ana Paula de Carvalho, eleita em 1972 "Miss" Jovem Internacional, no Japão, confundir-se-ia com o de uma jovem dos dias de hoje, e já lá vão 40 longos anos...

Foi assim que tudo começou, com a apresentação das candidatas de Moçâmedes a "Miss Angola" 1972 : São Raposo, ?, Marezita Moreira, Dada Fernandes, Ani de Freitas, Isabel, podemos ver, também, Lidia Ferreira e Maria de Lurdes Pinto, Paula Turra...(na foto)
Ao Concurso foram candidatas, por ordem do desfile:

1. Maria Dulce Pontes, 2. Conceição Cruz, 3. Elsa Maria...4. Maria Isabel Gomes, 5. Maria de Fátima...,6. Elsa maria Formosinho, 7. Lidia Rosa Couto, 8. Orquidea Nabais, 9. Maria Eugénia Sena, 10. Maria Lidia Ferreira, 11. Elizabete Sena, 12. Orieta Bagarrão, 13. Elizabete Loureiro, 14. Ana Paula Carvalho, 15. Aura Maria Novo 16. Maria de Lurdes Pinto, 17. Alcina Loureiro, 18. Elizabete R. da Cruz, 19. Guida Bento César



Tomei a liberdade de publicar  neste blog que é de todos nós, estas fotos de Ana Paula Carvalho, a popular Paula Turra.
"Turra", era  a alcunha de Artur Paulo de Carvalho, o pai de Paula, à época concessionário de uma bomba de gasolina Texaco em Moçâmedes, junto aos CTT, e  guia de caça no Deserto do Namibe, (No Deserto, tinha um ajudante da etnia mucubal, caso raro,  mas não único, dado que os mucubais não tinham por hábito, por tradição e cultura, trabalhar a tempo inteiro para quem quer que fosse. Apenas em anos de crise e mais recentemente vinham a Moçâmedes procurar trabalho temporário na estiva).  O local de descanso nas digressões pelo Deserto era a célebre gruta conhecida  por  "gruta do Turra". Não sei se terá alguma ligação com outro ponto  de acolhimento no roteiro turístico do Deserto do Namibe, conhecido por Omahua Lodge).

  Paula, ao tornar-se "Miss" por Moçâmedes passou a ser indispensável neste blog. Obrigada Paula por ter facultado estas tão belas fotos, na Net, através do facebook.
MariaNJardim


Créditos de imagem: Ana Paula Carvalho / Paula Turra
Os outros concursos vencidos pelas moçamedenses lá fora e lá dentro (hiperligações):
Miss Portugal 1971:
Celmira Bauleth (Riquita),
IDEM
Lurdes Pinto, "Miss" Angola 1972
Miss Mar: Paula Chalupa

15 outubro 2011

Finalistas do meu ano na Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes (Cursos Geral de Comércio e Curso de Formação Feminina): 1956/7



 



Nas escadarias da Escola Portugal. Clicar sobre esta espectacular foto para aumentar. Foto cedida por uma conterrânea


Reconheço de entre estes alunos e alunas da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, que posam para a posteridade nas escadarias da Escola Portugal,  em 1947  (de cima para baixo, e da esq. para a dt) : 1º degrau. Beto de Sousa, Mário Guedes, ?,?, José Carlos Guedes Lisboa (Lolita),?,?,?,?,? Manuela Bajouca, Fátima Duarte, ?,?,?,?,?,?,?,3º degrau: 5. ?,?,?, Salete Bráz, Isabel Ferreirim,?,?, 4º degrau: .?,?,? Aninhas Gouveia, Luzete de Sousa,?, ?, 5º degrau: 3. ?,?,?,?, ?, ?,?, 6º degrau: 2. Fernanda Pólvora Dias, ?,?,?,?,?, Maria Emilia Ramos, ? 7º degrau: Maria Helena Ramos, ?, ?, Raquel Martins Nunes, ?, Maria Orbela Gomes Guedes da Silva, Maria Augusta Esteves Isidoro, ?,?, Maximina Teixeira, Salette Leitão, ?, Elizete Costa ...







 Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes. O corpo docente e alunos
Da esq para a dt. Em cima: Cecílio Moreira (mestre de Ginástica, Construção Naval e Trabalhos Manuais), ?, Dr Borges (Director), Padre Galhano (Moral),  ?.?. professor Carrilho. As alunas: Leonor Bajouca, Ilda Silva, Lúcia Brazão, ?Mangericão. Mais à frente, Fátima Duarte e Salete Leitão.. Os alunos: ?, Ferreira, ?,?, Carlitos Alves e?



 

 

 




 Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes
 


 Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes
 

 


 Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes
 
Orlando Salvador e Humberto Pinho Gomes

 Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes



 

Alunos e alunas da Escola Prática de Pesca e Comércio do Distrito de Moçâmedes, em 1948. Este era o quintal interior para onde desembocava, as salas de aula da dita Escola, já em péssimas condições de conservação como se pode ver. Clicar sobre a foto para aumentar. É grande.

Esta interessantíssima foto, gentilmente cedida por Antonieta Bagarrão Lisboa, permite-nos ver o conjunto de alunos/as que frequentavam esta escola do 1º ao 5º ano, nesse ano lectivo de 1948/49. Actualmente já na casa dos 70 anos e mais , felizmente a maioria ainda vivos e cheios de vitalidade, talvez reflexo da boa alimentação que tiveram na infância em Moçâmedes /Angola), terra do bom peixe rico em omega3 etc etc. Vêem-se alguns dos professores que na altura leccionavam nesta Escola, a única escola secundária do distrito. Reconheço, entre outros, de baixo para cima, e da esq. para a dt: 1. Albino Aquino (Bio), Carlos Pinho Gomes, ?, Manuel Dias Monteiro (Neca), ?, Amilcar de Sousa Almeida, José Patrício, Arnaldo Van der Keller (Nado)?, Carlos Manuel Guedes Lisboa (Lolita, Nito Abreu, Bajouca, José Duarte (Zézinho), Manuel Rodrigues Araújo, António José de Carvalho Minas (Tó Zé) e Norberto Edgar Neves de Almeida (Nor). 2. Carlos Vieira Calão, ??????, Fernando Morais (7º de camisa escura), ???, Licas Freitas (de pé, ao centro), Dito Abano, Jaime Custódio, Zezo Freitas de Sousa, Carequeja,?, Elisio Soares, ???, Beto de Sousa, ??, Albertino Gomes, e?. 3. Antonieta Almeida Bagarrão (Dédé), Mimi Carvalho (5ª) Maximina Teixeira (8º),???. 4. Fátima Abrantes, ?, Nélinha Costa Santos, Salete Leitão, Fátima Duarte, Melanie Sacramento, Carolina Mangericão,?, Lucia Brazão Reis, ???, Raquel Martins Nunes, Mª Orbela Gomes Guedes da Silva, ???, Fernanda Vieira,... 5. Francelina da Costa Gomes, ???, Augusto Martins (func. da Escola), ??, Padre Guilhermino Galhano, Dr Domingos Borges (Director da Escola), ??, Professor Carrilho (Dact/Caligraf/Estenograf.), Luzete Sousa, e mais à dt, Bernatdete Diogo, ?, e Fernandina Peyroteu. Estas são algumas das fotos mais antigas sobre escolas e estudantes de Moçâmedes que consegui até agora reunir. Referem-se aos anos 1940. Presume-se que no tempo das nossas mães (anos 1920/30) não estivesse muito divulgada entre nós a arte de fotografar que o fotógrafo Antunes Salvador veio revolucionar, reunindo um estraordinário espólio, pois estava presente em todos os eventos sociais, a todos os actos públicos, levados a cabo da pacata Moçâmedes de então, quer por iniciativa própria (para fotografar e ganhar algum...), quer por solicitação dos habitantes.


Moçâmedes: O  Ensino Secundário e a sua História



1. A primitiva Escola Márítima

O seu curso preparatório tinha a duração de dois anos e pretendia ministrar aos alunos o ensino primário complementar, o que só pode conceber-se se soubessem já ler e escrever correntemente e efectuar as operações aritméticas. Estava previsto que, além da parte literária propriamente dita, aprendessem outras coisas, como ginástica educativa, exercícios paramilitares, natação, remo, trabalhos de velame, cordoaria e calafate. Deveriam estudar também os acidentes geográficos litorais de Angola, sobretudo os da costa do distrito de Moçâmedes, a influência e orientação predominante dos ventos, correntes, etc.. Eram ainda ministradas aos alunos noções relacionadas com a História da Colonização do Sul de Angola.

O curso especial, que durava também dois anos, consistia no estudo de Aritmética e Geometria, Físico-Química, Ciências Histórico-Naturais, Legislação, Contabilidade, Escrituração Comercial, Desenho, Indústrias Marítimas, Construções Navais, etc.. A parte prática do curso obrigava a aprender a fazer sondagens, medir a força das correntes, treino na caça à baleia, fabricação de óleos, guanos e colas, curtume de peles. etc..

Pode dizer-se que, em boa parte, esta escola foi transformada, como já mencionámos atrás, na Escola Primária Superior Barão de Moçâmedes (1), criada em 23 de Agosto de 1919, vindo em 30 de Novembro de 1936 a dar a Escola Prática de Pesca e Comércio, que por natural evolução passou a ser, mais adiante, a Escola Industrial Marítima e Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique. ...» (2)

(1) Sabe-se, conf. Leonel Cosme seu "Nova Lisboa Nova Lisboa, capital de Angola", que em 1919 Filomeno da Câmara ousou criar, à revelia do Poder Central, o Liceu de Luanda e duas Escolas Primárias Superiores, em Sá da Bandeira e Moçâmedes, que seriam regulamentadas, três anos depois, por Norton de Matos.



SEGUEM MAIS ALGUNS TEXTOS ILUCIDATIVOS SOBRE A HISTÓRIA DO ENSINO SECUNDÁRIO EM MOÇÂMEDES :


"...Referimo-nos já, em diversos lugares deste trabalho, à determinação de 23 de Agosto de 1919, do visconde de Pedralva, Francisco Coelho do Amaral Reis, quando criou em Luanda uma escola comercial e uma escola industrial, que deveriam funcionar anexas ao liceu, e concedeu autorização aos governadores dos distritos de Benguela, Huíla e Moçâmedes para criarem e fazerem funcionar em cada uma das suas capitais as respectivas escolas primárias superiores. Em Moçâmedes, demorou bastante tempo para que a medida fosse aplicada e a resolução concretizada. Só em 30 de Março de 1925 foi decidido que a Escola Primária Superior de Moçâmedes entrasse em funcionamento, no ano lectivo que ia iniciar-se. Simultaneamente, era aprovado, publicado e entrou em vigor o respectivo regulamento.

No dia 23 de Maio do mesmo ano era-lhe atribuído como patrono o conhecido e prestigioso governador-geral de Angola cujo nome de certo modo já a cidade ostentava — José de Almeida e Vasconcelos Soveral de Carvalho da Maia Soares de Albergaria, vulgarmente conhecido por Barão de Moçâmedes. Segundo o que dispunha a portaria de 17 de Junho de 1927, a Escola Primária Superior Barão de Moçâmedes passou a ser directamente administrada pelo Estado, visto que a Câmara Municipal não reunia condições para continuar a manter o encargo de sustentá-la, pois lhe faltavam recursos monetários. Os seus professores estavam sem receber os vencimentos desde Novembro do ano anterior, por falta de verba com que pudessem ser pagos. Ora esta situação não podia manter-se indefinidamente, não se antevendo qualquer hipótese de solução, qualquer possibilidade de resolver o impasse, a não ser a que foi executada, dando assim remédio àquele embaraço.

A partir de 10 de Julho de 1930, a Escola Primária Superior Barão de Moçâmedes passou a adoptar períodos lectivos idênticos aos dos liceus, fazendo coincidir as férias com as destes estabelecimentos de ensino. Tal como acontecera em Sá da Bandeira, sonhava-se com a promoção e transformação da escola, elevando-a a categoria superior na escala da classificação. Os respectivos professores não deixavam de salientar por todos os meios de que dispunham que se tratava de uma escola de ensino secundário, pugnando para que assim fosse considerada. O decreto de 30 de Novembro de 1936, que tinha em vista organizar em moldes novos o orçamento dos territórios ultramarinos, pondo em prática os princípios já experimentados em Portugal, extinguiu a Escola Primária Superior Barão de Moçâmedes, do distrito e cidade deste nome, e criou em sua substituição a Escola Prática de Pesca e Comércio. O diploma legislativo de 9 de Janeiro de 1937, tendo em consideração os diversos problemas levantados com a extinção daquele estabelecimento e a criação deste, de categoria que se não considerava exactamente igual nem superior, determinou que os exames finais dos alunos a frequentá-lo, chamados também exames de saída, seriam realizados no decorrer desse mês de Janeiro, sendo o júri constituído pelos professores em exercício. O director da escola e o único professor efectivo que nele trabalhavam transitariam, sem mais exigências, para o quadro do recém-criado estabelecimento de ensino. Havia um texto legal que defendia que o ensino ministrado em cada meio social fosse o mais adaptado possível ao seu ambiente e às suas necessidades. Por isso entendeu-se que, sendo Moçâmedes terra de pescadores, a nova escola deveria ter esta característica e, portanto, relacionar-se com as actividades marítimas e o sector piscatório.

No dia 3 de Abril de 1937, foi aprovado o Regulamento da Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes. Segundo o que este diploma legal determinava, o ensino teria a organização seguinte:

Sexo masculino

—Mestre de pesca e carpinteiro-calafate;

Sexo feminino

—Costura e bordados;

Os dois sexos

—Curso geral do comércio. No curso de mestre de pesca, os alunos estudariam Português, Francês, Ciências Geográfico-Naturais, Matemática, Desenho e Trabalhos Manuais, e Educação Moral e Cívica. Tomariam contacto com os trabalhos de construção e reparação de barcos; treinariam nas actividades da navegação e pilotagem; atenderiam aos trabalhos da pesca e conserva do peixe; seriam iniciados na reparação dos instrumentos de bordo e outras tarefas afins. Os alunos do curso de carpinteiro-calafate estudariam as mesmas disciplinas e ainda Desenho de Projecções, Desenho Profissional e Estilos, e Tecnologia; nas oficinas, aprenderiam o que dizia respeito à construção e reparação de barcos. As alunas de costura e bordados estudavam as mesmas disciplinas e tinham trabalhos práticos, de cuja amplitude não podemos aperceber-nos, pois o texto legal não é suficientemente claro. No curso comercial, estudavam-se as mesmas matérias acrescidas de Inglês, Elementos de Direito Comercial, Economia Política, Noções Gerais de Comércio, Contabilidade e Escrituração Comercial, Caligrafia, Dactilografia e Estenografia. Continuava a prestar-se atenção a tudo o que dizia respeito à pesca e conserva de peixe, construção e reparação de barcos. A Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes era considerada, mesmo no aspecto burocrático e estrutural, como uma escola de ensino técnico secundário, pois havia em Angola pelo menos uma escola de ensino técnico elementar, criada em 5 de Junho de 1930, a que fazemos referência no lugar próprio. Podemos chegar à mesma conclusão se atendermos ao ensino literário nela ministrado. Todavia, não chegou a criar tradição que a prestigiasse, esbatendo-se no panorama da escolaridade que temos vindo a analisar.

«...Em 17 de Março desse ano de 1952, registaram-se as seguintes realizações e alterações no campo pedagógico:—A Escola Prática de Pesca e Comércio, de Moçâmedes, foi convertida na Escola Comercial de Moçâmedes;

No dia 4 de Junho de 1952, foi determinado que entrasse em funcionamento o primeiro ano do ciclo preparatório elementar do ensino profissional, industrial e comercial. (...) A zona de influência de cada estabelecimento ficou assim definida:
(...)
—Escola Industrial e Comercial de Sá da Bandeira — distritos de Huíla e Moçâmedes, sendo neste apenas para o ensino profissional industrial;

—Escola Comercial de Moçâmedes — distrito de Moçâmedes.

(...) Estava-se em maré de alargar os cursos técnicos por essa Angola fora. (...)

Por decreto de 13 de Agosto de 1960, o respectivo estabelecimento de ensino de Moçâmedes passou a designar-se por Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique. Tivera com antecessora a Escola Prática de Pesca e Comércio, tendo a sua conversão sido feita em 1952, como sabemos. Por isso se dizia ser a mais antiga de Angola, no seu grau. Tinha sido construído um edifício apropriado e a sua inauguração integrava-se nas comemorações centenárias da morte do célebre personagem da História de Portugal, que tão importante papel desempenhou na expansão ultramarina e na gesta dos descobrimentos. Completaram-se, efectivamente, em 13 de Novembro desse ano quatro séculos sobre a data da sua traspassação. A cidade de Moçâmedes foi considerada sempre como essencialmente voltada para as coisas do mar; o Infante de Sagres, o Navegador, foi um apaixonado pelas ciências náuticas, pelo que se viu relação expressiva entre os dois nomes.

(...)


RECORDANDO O ENSINO SECUNDÁRIO EM MOÇÂMEDES: PREPARAÇÃO PROFISSIONAL



Naquele tempo havia a ideia de que o ensino público deveria estar ligado às actividades inerentes ao local em que os alunos residissem, partindo-se do pressuposto que não haveria a mobilidade territorial entre as pessoas. Moçâmedes, como terra essencialmente dedicada às coisas do mar, não deveria ter um Liceu, mas sim uma Escola de cariz profissional que melhor serviria as aspirações das suas gentes.

Assim surgiu em 1918 a primeira e fugaz tentativa de criação da Escola Marítima de Moçâmedes que no ano seguinte viria a ser substituída por um outro tipo de Escola, a Escola Primária Superior Barão de Moçâmedes.

 http://mossamedes-do-antigamente.blogspot.pt/2007/12/escola-primaria-superior-barao-de.html

Criada em 1919, mas posta a funcionar penas em 1925, esta Escola, embora ostentasse a designação depreciativa de Escola Primária Superior, possuia um currículo de cariz literário que a demarcava de um ensino meramente profissional e primário, e a colocava a par de um ensino secundário.

Em 1927, a Escola Primária Superior Barão de Moçâmedes, que nascera administrada pela Câmara Municipal, passou a sê-lo pelo Estado, e a partir de 1930 passou a adoptar períodos lectivos idênticos aos dos liceus, ainda que não em termos de currículo, não obstante os sonhos, já nesta altura, de transformação da escola, elevando-a a categoria superior na escala da classificação.

Em 1936, a Escola Primária Superior Barão de Moçâmedes foi extinta e deu lugar à Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes. Mas ainda aqui houve uma tentativa de dar a esta Escola a designação de Escola Industrial Marítima de Moçâmedes.
A Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, por sua vez foi substituída pela Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, em 1952 , que por por evolução natural  iria dar lugar, em 1960, à actual Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique, em novas e modernas instalações. O Infante de Sagres, o Navegador, um apaixonado pelas ciências náuticas, foi o seu Patrono. Ainda aqui parece ter-se mantido vivo o preconceito inicial, como se pode depreender pela relação expressiva entre os dois nomes.  

No dia 21 de Outubro de 1961 foi criado o Liceu Almirante Américo Tomás em Moçâmedes .



Portaria n.º 17899:

"A Escola Industrial e Comercial de Moçâmedes é a mais antiga da província de Angola entre as do grau de ensino a que respeita, pois resulta da conversão decretada em 1952 da anterior Escola de Pesca e Comércio. Para a sua instalação definitiva foi construído edifício próprio, de aspecto condigno, e que pela sua situação domina a importante e laboriosa cidade a que pertence, bem como a vasta baía que lhe fica adjacente.

A inauguração da nova sede é um dos actos que na província hão-de constituir a comemoração do centenário da morte do infante D. Henrique, como participação da patriótica população de Angola em tão solene preito de justiça e reconhecimento de todo o País à memória gloriosa daquele excelso português.

Dado que as actividades características da cidade de Moçâmedes se associam aos trabalhos do mar ou em grande parte são deles resultantes, é do maior acerto que nele fique alguma coisa a recordar esta quadra comemorativa. Nada mais expressivo poderá haver, para esse efeito, do que invocar como patrono para a escola que ali prepara os trabalhadores mais graduados o nome do infante navegador. Nesse sentido se manifestou o Governo-Geral da província. Pelo que: Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Ultramar, que à Escola Industrial e Comercial de Moçâmedes seja dada a denominação de «Escola Infante D. Henrique».  Ministério do Ultramar, 13 de Agosto de 1960. - O Ministro do Ultramar, Vasco Lopes Alves. Para ser publicada no Boletim Oficial de todas as províncias ultramarinas. - Vasco Lopes Alves. "
                           
    Alunos e alunas da Escola  Comercial de Moçâmedes por ocasião da visita de um alto dignatário ...






           Quando chegava a Moçâmedes um alto dignatário era assm, para abrilhantar a recepção...


No ano lectivo 1955-56. os meus colegas finalistas do  curso na Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes posam para a posteridade junto da professora Albertina, nos jardins da Avenida de Moçâmedes. Da esq. para a dt. Em cima: Roberto Trindade, Daniel Santos, Leitão, Clélio Cunha, Rui Almeida Barbosa, António Pessoa, Rui Coelho, Fausto Gomes, Claudino Alhinho (Joldino). Embaixo: ?, Geni Guerra, professora Albertina, Jorge Carrilho e José Fernando Soares.






Eu e as meus colegas finalistas no ano lectivo 1955-56, do  curso na Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes. Nesta foto, em cima/atrás: Claudino Alhinho, Fausto Gomes, Daniel Santos, Portela, Rui Coelho de Oliveira, Geni Guerra, Leitão, José Fernando Soares, António Pessoa, Jorge Carrilho,  Clélio Cunha, Roberto Trindade, e ' ... (perdoa-me, colega, esqueci o teu nome!) Em cima, à esq: Violete Velhinho, Cacilda e Mª de Lurdes Infante da Câmara. Mais abaixo:  Fernanda Neves Almeida, Lurdes Faustino (Pitorinha), ?, Ildete Bagarrão, Eduarda Bauleth de Almeida, Mª do Rosário Gabriel dos Santos e Aurora Vieira. Mais à frente: Ricardina Guedes Lisboa, Mª Nídia Almeida (eu) e Celísia Vieira Calão.

Nesse dia, as raparigas combinaram vestirem-se todas de negro e os rapazes combinaram colocar laço ou gravata preta.  Preto, símbolo de nostalgia, num presente que começávamos a sentir já, como passado... Influência das capas negras coimbrãs ? Na realidade já na época, no Liceu Diogo Cão em Sá da Bandeira, os estudantes usavam capas negras...



Eu e as minhas colegas finalistas, a maior parte do Curso de Formação Feminina , no mesmo ano e fazendo parte da mesma Escola. Da esq. para a dt. Em cima: Teresinha Freitas, Lili Salvador, Guida Frota, Mª de Lurdes Infante da Câmara, Maria Antonieta Rodrigues (Boneca), Lili Carrilho Martins (Eurico), Laurete, ?, Maria do Carmo Domingos, Susete Alves e Mª de Lurdes Faustino (no cnto dt., de perfil) Atrás : Da esq. para a dt: ?, Nidia Almeida (eu), Lena Brás de Sousa, ?? Mitsi Aboim (de óculos escuros), ?? 



Eu e as minhas colegas do Curso de Formação Comercial e do Curso de Formação Feminina (curso novo inspirado no conceito de mulher cultivado pelo Estado Novo) da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes. Em cima e da esq. para a dt.: Noémia Girão Rosado, Maria do Rosário Gabriel dos Santos, ?, Maria José, Gastão, Maria de Lurdes Faustino (Pitorrinha), Rosalina Nunes, Mistsí Aboim, Margarida Frota (Guida), Maria de Lurdes P. Infante da Câmara, Lili Salvador, Laurinda Pereira e Mª Nídia Almeida (eu).  Embaixo: Helena Brás de Sousa (Lena), ? , Boneca, Violete Velhinho, Cacilda, Maria da Graça Nunes de Sousa, Suzete Alves de Oliveira , Maria do Carmo Domingues, Ildete Almeida Bagarrão e Celísia Calão. O professor que se encontra nesta foto é o prof. de História, Olimpio Nunes, recente aquisição da nossa Escola que nos veio encher de satisfação. Era uma pessoa charmosa, simpática, educada, que nos tratava com muita educação. Uns meses depois assumiria o lugar de Director da Escola, com a saída do Dr. Domingos da Ressurreição Borges e com grande satisfação para todos nós.  Foto do meu álbum.




Eu e as minhas colegas de curso, na Escola e no mesmo ano lectivo:  Em cima e da esq. para a dt.: Madalena?, M. Carmo Domingues, Suzete Alves de Oliveira,  Ivone Serra, M. da Graça Sousa, Álvaro Jardim/Chamenga (por detrás),Guida Frota, Lili Salvador, Fausto Gomes e Aldorindo (por detrás) , Luisa (gémea). Segue-se o corpo docente, de entre os quais reconheço Dra. Isabel Serrano (Inglês), o Dr Mário da Ressurreição Borges (Director cessante),o professor  Carrilho (Dactilografia),?, no topo, o novo Director, Dr Olimpio Nunes, o professor de Contabilidade, o Professor Silva de Canto Coral e ?.   Embaixo, de entre alunas do curso Comercial e do Curso de Formação Feminina, reconheço, da esq. para a dt.: M. Nídia Almeida (eu), M. Lurdes Infante da Câmara,  Lurdes Tavares, Mitsi Aboim, e Graciete (gémea) Do grupo de rapazes à dt, reconheço, da esq. para a dt., de pé: Ferreira da Silva (Cocas), ?????  De joelhos: Mouzinho,Patrício, Ferreira da Silva (Dudu), Carapanta, Calão (Miga) e José Fernando Soares.


Cerimónia da despedida ao Dr. Domingos da Ressurreição Borges, o Director cessante da  Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes. A ler o discurso de despedida, na foto, o novo Director, Dr. Olímpio Nunes, ladeado pelo corpo docente da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes.  Do corpo docente e outros, reconheço entre outros, à dt. do novo Director: Robalo (da União Nacional), Dr  Borges (director cessante), ?,Prof. Marques (Escola Portugal). À sua esq.: Augusto Martins (Latinhas), func. da ECIM, prof. Minga, prof. Cecílio Moreira, prof. Carrilho. De costas os grupo masculino da Mocidade Portuguesa de então (1956).Foto do meu álbum.


Eu e colegas  no ano lectivo da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes (Curso de Formação Comercial), à saida de uma aula. Elas com as tradicionais batas brancas como era hábito na época (Só elas, porque seria? ).Da esq. para a dt. Em cima: Violete Velhinho, Eduarda Bauleth de Almeida, Celísia Calão, José Fernando Soares. Em baixo: Ildete Bagarrão, Ricardina Lisboa e Nídia Almeida (eu). Foto do meu álbum.

 

Eu e colegas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, no mesmo ano lectivo (1956). Aqui estávamos em plena escapadela até à praia, devido a um «furo» do horário escolar... Ainda não estávamos no tempo do Dr. Vitória Pereira que ia de jeep buscar os alunos à praia de retorno às aulas, caso o professor se tardasse e estes se pisgassem...Em cima: Lurdes Faustino (Pitorrinha), Maria da Graça Nunes de Sousa e Rosalina Nunes. Embaixo: Lurdes Tavares, Ricardina Lisboa, Maria do Rosário e Nídia Almeida. (eu) Foto gentilmente cedida por Ricardina Lisboa. Ao fundo, ponte da Praia das Miragens.
Foto do meu album 





O nosso baile dos finalistas do Curso Geral de Comércio da Escola Comercial de Moçâmedes do ano lectivo de 1956/7, realizado no salão do Atlético Clube de Moçâmedes (Namibe, Angola). Ao todo 14 raparigas e 4 rapazes! Dá para interrogar: onde estão os rapazes que faltam? É que os restantes não sabiam dançar...e pura e simplesmente não apareceram....Em cima e da esq. para a dt: Maria do Rosário Antunes, Noémia Girão Rosado, Ricardina Guedes Lisboa, Maria de Lurdes Ponteviane Infante da Câmara, Maria Augusta, Aurora Vieira, Violete Velhinho, Cacilda, Lurdes Faustino (Pitorrinha), Rosalina Nunes, Maria Eduarda Bauleth de Almeida, Celísia Vieira Calão, Nídia Almeida (eu)e Ildete Almeida Bagarrão. Embaixo, da esq. para a dt: Rui Coelho de Oliveira, Eugénio Guerra (Geni), Daniel Santos e Jorge Carrilho. Foto do meu álbum.


Colegas e director no Baile dos finalistas, no mesmo ano lectivo (1956) da mesma Escola (Curso de Formação Comercial, no salão do Atlético Clube de Moçâmedes, o famoso salão e grande animador da década. Quantos casamentos se arranjaram neste amplo salão, mas não sei porquê, nenhum deles entre colegas de Escola nem de ano. Da esq. para a dt., são: Rui Alberto Coelho de Oliveira, Aurora Vieira, Geni Guerra, Violete Velhinho, Dr. Olímpio Nunes (Director e professor de História), Celísia Vieira Calão e Daniel Santos. Fotos do meu álbum.




Colegas finalistas (Formação Comercial e Formação Feminina) posando junto ao corpo docente, no baile dos finalistas, no salão de festas do Atlético Clube de Moçâmedes, em 1957. Nesta foto, as raparigas marcam uma presença total. Entre o corpo docente, da esq. para a dt. , reconheço entre outros, o Dr Campos, o professor Minga , o professor Cecílio Moreira e o professor Carrilho ...
Quanto àa alunas, em baixo, e da esq. para a dt: Luisa (gémea), M. Graça de Nunes de Sousa, Ivone Serra, Graciete (gémea), Suzete Alves Oliveira, Mitsi Aboim, Lili Salvador, Guida Frota, M. Lurdes Infante da Câmara , Maria do Carmo Domingues e M. Lurdes Tavares.




Colegas dos Cursos de Formação Profissional e Formação Feminina, no baile dos finalistas da mesma Escola e dos mesmos cursos.  Em cima, da esq. para a dt., são: Mouzinho, Virgilio Couto, Geni, Graciete (gémea), Ivone Serra, Luisa (gémea), ?, Maria do Carmo Domingues, Lili Salvador, Mitsi Aboim, Guida Frota, Carlitos Guedes (por detrás), Lurdes Infante da Camâra, Lurdes Tavares e Fausto Gomes. Embaixo: António Carrilho, Marmelete, Alhinho ll, ?, Nunes, Cocas Silva, Carapanta, Patrício, Dudu Silva, ?, Luis Dolbeth e Costa e Aldorindo.

 Sarau no Cine Moçâmedes integrado na festa dos finalistas da Escola Comercial de Moçâmedes, do ano lectivo
 1955-6.


 

 Sarau no Cine Moçâmedes integrado na festa dos finalistas da Escola Comercial de Moçâmedes, do ano lectivo
 1955-6.
 

 Sarau no Cine Moçâmedes integrado na festa dos finalistas da Escola Comercial de Moçâmedes, do ano lectivo
 1955-6.



Foi de facto uma despedida da vida estudantil em cheio que culminou com um sarau no Cine Teatro de Moçâmedes (o popular Cinema do Eurico), onde estiveram também presentes os grupos de ballet e de ginástica rítmiva de Mme Sibleyras, entre outros. Aqui cinco colegas (Noémia Rosado, Susete Oliveira, Antonieta Rodrigues (Boneca), Guida Frota, Lili Salvador e Maria da Graça Nunes de Sousa) declamam Camões. Na foto anterior, a apresentação dos alunos finalistas. Da esq. para a dt: Eduarda Bauleth, Ildete Bagarrão, Lurdes Faustino (Pitorrinha) Fernanda Neves Almeida, Aurora Vieira, Cacilda, Violete Velhinho, Daniel Santos, Geni Guerra, José Fernando Soares, Jorge Carrilho e Rui Alberto Coelho de Oliveira. As raparigas mais atrás, à esq. encontram-se encobertas.
Fez parte do espectáculo uma cena de teatro na qual José Fernando Soares sentado numa secretária imitava o Dr Ressurreição Borges no seu modo de lidar com os alunos, cena muito bem interpretada e muito aplaudida.


Após 1975, a dispersão foi total, e salvo algumas excepções, passamos a saber muito pouco uns dos outros... Uma separação à qual se seguiram décadas até que alguns de nós  nos encontrámos de novo, no decurso de uma ou outra viagem pelo país, em encontros anuais nas Caldas da Rainha, etc, etc.
 Todas estas fotos, creio que tiradas por Antunes Salvador, pertencem ao meu album pessoal.

MariaNjardim



 Alunas da Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes

 



 

Como ficou dito atrás, a Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, por sua vez foi substituída pela Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes, em 1952 , que por por evolução natural  iria dar lugar, em 1960, à actual Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique, em novas e modernas instalações. O Infante de Sagres, o Navegador, um apaixonado pelas ciências náuticas, foi o seu Patrono. Ainda aqui parece ter-se mantido vivo o preconceito inicial, como se pode depreender pela relação expressiva entre os dois nomes.  
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                                                               Alunos do curso industrial
 






         Parecem-me as velhas instalações da Escola Pratica de Pesca e Comércio de Moçâmedes


O Estado Novo obrigava a juventude masculina a filiar-se na Mocidade Portuguesa, organização que ganhou má fama no seu início, ligada à ditadura, e chegou mesmo a ser comparada com juventude hitleriana,  mas que eu já conheci como um espaço de confraternização, desporto e laser para a juventude da terra.