14 outubro 2011

Outras "casas de espectáculos" em Moçâmedes (Namibe, Angola) : os "Cine Esplanada Impala" e "Arco Íris" inacabado

Impala Cine

Impala Cine
Impala Cine
Impala Cine


Várias perspectivas da fachada e do interior do Impala Cine, em Moçâmedes, actual cidade do Namibe, desenhado pelo Arquitecto Botelho Pereira. Este Cine Esplanada  tomou o nome do antílope africano, um dos simbolos da cidade.



O aspecto feérico do moderníssimo Cine Esplanada Impala, numa noite de verão 








Outra pespectiva do interior do Cine Esplanada Impala

A parte de trás do Cine Esplanada Impala






A parte de trás do Cine Esplanada Impala e o Bar

O Impala em dia de inauguração





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O Governador Sales de Brito a ser cumprimentado pelo Dr Balsa (?). À esq, Artur Homem da Trindade. Este Sr. foi o desenhador de algumas das vivendas e edifícios dos mais bonitos da cidade. Penso que foi ele que projectou o Impala.








O Governador Sales de Brito, ao centro, e à dt. o Capitão do Porto, Marrecas Ferreira?




O Gov Sales de Brito esposa e...?




Algumas caras conhecidas.. Reconhece-se da esq. Alfredo Esteves, ao centro Rogério de Sousa




Assistindo a um espectáculo

 Assistindo a um espectáculo



Assistindo a um espectáculo. Foto cedida por Ascensão Bacharel. Na 4. fila a partir da frente, elementos da familia Bento. De óculos, Armindo Bento. tendo à sua esq. as duas filhas e genros, e à dt. Jorge Carilho. Na 2ª fila,: Geninha Amado e o marido, Moinhos; Raúl de Sousa Junior (Lico), Ascenção e Gonzaga Bacharel.



Pais e filhos à saída de um desfile infantil de trajes de carnaval, no Cine Impala. Reconheço, entre outros, Mário Lisboa Frota (Mariúca), no centro da foto, tendo à sua esquerda a esposa, Luzete Sousa Frota.




Três  moçamedenses junto da sala de espectáculos do Cine Impala: Isabel Maria Correia Nunes, Ana Cristina Nunes Leitão Pisco e Raquel Maria Nunes Leitão Pisco. Foto gentilmente cedida por Isabel Nunes. 1974. Foto cedida por Isabel Maria Correia Nunes
 
 De vez em quando Moçâmedes era palco de espectáculos de artistas vindos do exterior. Neste caso trata-se de Marisol, a jovem cantora e actriz espanhola que aqui vemos no centro desta foto, vestida de branco e rodeada por gente jovem da cidade, por ocasião de um cocktail oferecido pela Câmara Municipal no Impala Cine Esplanada. À esq. de Marisol, podemos ver Mitzi Aboim (na altura funcionária da Câmara Municipal), e à dt. Anita Ribeiro, Anita Corado e Maria do Rosário Salavessa (na altura, também funcionária da Câmara Municipal).






Na esplanada do Impala, em foto cedida por um amigo, podemos ver algumas caras conhecidas: (da esq para a dt): Lopes, Santos, Amadeu Pereira, Fernando Miranda, ?, Santos (do Sindicato dos Motoristas), John Pereira, Saturnino, ?. Pinto.




Outro grupo de habituais frequentadores do bar do Impala, entre os quais, Baptista (de óculos escuros) e mais à esq, Rodrigues Costa e Mário Ferreira, à direita.



E mais outro grupo...







O IMPALA CINE


Já nos referimos, neste blogue, ao Cine Moçâmedes, vamos hoje falar do Impala Cine, a segunda casa de espectáculos surgida em Moçâmedes na década de 1960, numa época em que a população da cidade havia dado um salto, e justificava-se plenamente a sua abertura.


Enquadramento na época


Sem dúvida Moçâmedes cresceu naquela década,  aumentou substancialmente a sua população, e embora continuasse uma pequena cidade, já nada tinha a ver com aquele tempo que eu conheci, em que na cidade todos nos conhecíamos, e todos éramos primos e primas...  A entrada de portugueses em Angola foi muito lenta até à década de 1950, submetida à exigência de "cartas de chamada" pelo Estado Novo, que obrigavam os interessados a terem trabalho garantido no local de destino. A partir dessa década, a população europeia de Moçâmedes cresceu, mas nada que se aproximasse do "boom" que veio a acontecer após 1961, a seguir aos massacres levados a cabo  no Norte de Angola, pela UPA.  Moçâmedes passou a ser a cidade de Angola onde a população africana fixa era em número inferior à europeia.
Por essa altura (1960) caminhávamos para a chamada "Primavera Marcelista" que veio a seguir à morte de Salazar (1968),  acompanhada de uma maior abertura do regime de partido único em que vivíamos.  Muita coisa no Mundo tinha mudado, incluso o modo de fazer Cinema, que já era outro. Longe estávamos já dos musicais açucarados e dos épicos hollywoodescos que faziam vibrar plateias nos anos 1950.   Nos aos 1960 o Cinema conheceu  uma nova geração de produtores mais jovens, mais realistas, mais abertos e mais críticos em relação aos problemas políticos e sociais, e passou a abordar temas quentes,  como a miséria nas grandes cidades, o racismo, a violência, a corrupção, a droga, o sexo, etc, enfim, tudo  quanto rolava  nesses agitados anos em que o assunto lá fora que corria de boca em boca era a Guerra do Vietnam, a contestação juvenil, o movimento hippie a agitar a sociedade americana, os Beatles a revolucionarem a música inglesa, o Maio de 1968 em França, etc etc... Obviamente para nós, muitos filmes que nos poriam em sintonia com  nosso tempo, passaram ao largo, fruto da "censura" do regime, exceptuando aqueles que veiculavam princípios morais contra a violência, a corrupção, etc, e ainda os musicais (música pop,  "rock and roll", etc.) tão do agrado das novas gerações. Sobre política, tínhamos os documentários sobre a situação no mundo português, as mais recentes realizações em obras de fomento, a guerra no ultramar, etc. Obviamente vinculados às posições governamentais. Era a propaganda sempre presente do regime...  Nesses tempos de censura prévia, da dependência de um censor, aquilo que íamos ver dependia muitas vezes do seu estado de espírito, da sua perspectiva. Daí que por vezes escapavam filmes que se anteviam censuráveis...

                                                                      
Era este o contexto quando surgiu em Moçâmedes, em 1960, o Cine Impala,  a 2ª sala de espectáculos da cidade cujos proprietários eram Norberto Gouveia e Artur Pinho Gomes.

Dotado de uma arquitectura modernista, de espaços abertos à penetração do ar livre, bem adaptada a climas quentes, o Cine-Esplanada Impala, era  apetecível no Verão, mas no Inverno as noites frias levavam muita gente  a preferir  o  Cine Teatro de Moçâmedes.  Outro aspecto era aquele que João Viana nunca se esqueceu na sua experiência no Impala Cine de Moçâmedes: "As sessões começavam ao final da tarde, e o projeccionista e os espectadores tinham de esperar que chegasse a noite para o filme começar..."

Tal como o Cine Teatro de Moçâmedes o Impala também acolheu os mais diversos espectáculos, para além dos cinematográficos, ou seja concursos de trajes de Carnaval,  sessões de ballet e dança rítmica, etc. etc.

Frequentavam diariamente o Impala grupinhos masculinos que ali ficavam em agradável cavaqueira na esplanada do bar deste Cinema. Dispondo de recantos agradáveis envolventes, com os seus bares que trabalhavam durante o dia independentemente das sessões de cinema, este estilo de cine-esplanadas foi introduzido por Ribeiro Belga em Angola. Foi o Miramar em Luanda primeiro, a seguir o do Lobito e o de  Moçâmedes (este foi projectado pelo Arquitecto Botelho Pereira). O Cine Esplanada Impala  tomou o nome do antílope africano, um dos símbolos da cidade.

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 Bilhete de entrada no Impala Cine (note-se, datado de 1 de Julho de 1975, valor de 23 escudos, incl. selo de povoamento e de assistência). Estava-se a 4 meses e meio da Independência de Angola



O CINEMA INACABADO


Quando se deu a independência de Angola, em 11 de Novembro de 1975, uma nova casa de espectáculos, cuja arquitectura futurista fazia lembrar um OVNI, com as suas "garras" fincadas à terra,  estava em fase adiantada de construção, e não iria faltar muito tempo para ser inaugurada, testemunho vivo do quanto estávamos actualizados, pois na verdade nada do género vimos construído, na época, em território português.

Segundo uns,  tal como o Cinema de Sá da Bandeira, esta nova casa de espectáculos iria chamar-se "Arco Íris", segundo outros, seria o Cine Welwitschia.  Desconhecemos qual era o nome que lhe estava destinado, e se os proprietários seriam de facto os mesmos do Cine Teatro de Moçâmedes, ou gente ligada ao "Arco Iris" de Sá da Bandeira, O que sabemos é que esta casa de espectáculos ainda hoje se encontra por acabar, mais de 30 anos após a independência de Angola, o que é de lamentar, atendendo àquilo que de facto esta obra representa.



O novo Cinema "Arco Íris"



Este Cinema, o Impala Cine e o Mercado Municipal, são as três construções que representam a penetração em Moçâmedes (Namibe), da corrente de arquitectura futurista e espacial. Muitos arquitectos portugueses metropolitanos, impedidos pelo Estado Novo de  dar asas à sua imaginação, e seguir a corrente modernista internacional, acabaram por emigrar para as Áfricas portuguesas, onde inspirados na arquitectura brasileira, deixaram verdadeiros exemplares que testemunham esse tempo de mudanças na estética dos edificios.

Seguem algumas fotos deste Casa de Espectáculos, do seu exterior e interior em estado ameaçado de degradação..



  Foto de Filipe Brandão


É linda a perspectiva da plateia e da  abóbada  ornamentada com a figura do Sol esplendoroso que abraça a sala e lhe transmite um ambiente a um tempo, confortável, etéreo e celestial.  Uma pena estar ao abandono.


"Ruína Moderna 7": http://www.flickr.com/photos/mustha/5333695795/in/photostream E a foto "Ruína Moderna 5" http: em Outras "casas de espectáculo" em Moçâmedes (Namibe, Angola) : os "Cine Esplanada Impala" e "Arco Íris"

 

 São belos e sugestivos estes pormenores do corredor interior que contorna o edifício


  
Ampliado o painel da foto anterior permite ver figuras em baixo relevo  (europeias e já por si mesmas, históricas) que remetem para o ambiente da Praia das Miragens na época colonial 

 
   Outra perspectiva. Foto de Alfred Weidinger

Em outro painel com figuras africanas em baixo relevo. Há também decorações geométricas interessantes. Não conseguimos desvendar as figuras dos restantes quadros em relevo que percorrem os corredores deste Cine, mas acreditamos que outras surpresas nos estariam reservadas.

Outra perspectiva. Foto de Alfred Weidinger




Este Cinema é sem dúvida alguma um monumento de incalculável valor, enriquecedor do património histórico, cultural, arquitetónico e turístico da cidade do Namibe. Assim o saibam recuperar e preservar!

São recordações de um tempo que já lá vai e não volta mais, cujas memórias venho procurando neste blogue registar. E só faz sentido fazê-lo, porque como tantas outras, na imensa Angola daquele tempo, fomos uma comunidade que num repente se esfumou, e que dela, hoje dispersa pelo mundo, só restam ténues recordações que imagens e textos como este vão ajudando a lembrar.

Para ver mais fotos do estado actual desde edifício abandonado daquela que foi uma bela e promissora sala de espectáculos:

1. fotos de Alfred Weidinger, clicar AQUI  
2. fotos de Filipe Brandão,    clicarAQUI 

MariaNJardim..






Ver também: Cine Teatro de Moçâmedes

Devo lembrar ao visitante desta página que, pelo facto de estarem disponíveis online não significa  estas fotos possam daqui ser retiradas por pessoas que não façam parte da nossa comunidade, e que possam ser usadas sem o respeito pelas condições em  que normalmente são licenciadas (Creative Commons - Attribution, Noncommercial, Share Alike). Significa que qualquer pessoa não as pode usar excepto se referir o autor da foto, e que o uso da foto não seja comercial.

1 comentário:

Youtubetv Namibe disse...

é triste. sem comentártios

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