13 dezembro 2011

Poetas moçamedenses: poema a "Casa do Monte" de Angelino da Silva Jardim


 Saco do Giraúl em Moçâmedes
algures em finais do século XIX


A CASA DO MONTE


Puseram a casa
No cimo do monte,
Sem telha nem brasa,
Nem brasa nem fonte!

E alí vive gente
Que pensa e que fala, 
Que fala e que sente,
Que sente e se cala!

O pão é escasso
E escassa a alegria!,
E a vida, um cansaço,
Maior, dia-a-dia!

Doridos os braços, 
Gretados os pés,
As almas, sargaços
Dum mar sem marés!

O mundo é fechado, 
Escuro, o horizonte,
No metro quadrado
da casa do monte!

Angelino da Silva Jardim
(natural de Moçâmedes/Angola)
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