Para além da grande evacuação que se processou por via da ponte aérea entre Luanda e Lisboa, montada por Portugal com a ajuda de potências internacionais, foram várias as saídas de brancos e não só, para fora de Angola, a partir de Moçâmedes, Porto-Alexandre e Sá-da-Bandeira, nesses meses que mediaram entre Junho a Novembro de 1975, e se prolongaram mesmo até aos primeiros meses da independência de Angola, precipitadamente preparada, e inadiavelmente marcada para 11 de Novembro de 1975. Uns partiram em traineiras com destino a Luanda e daí para a Metrópole; outros, partiram em traineiras através de Porto Alexandre, Baía dos Tigres, até Walvis Bay (Namíbia), para em seguida rumarem na direcção do Rio de Janeiro e finalmente a Portugal (durante nove meses); outros ainda, partiram em caravanas de automóveis, atravessaram o deserto do Namibe até à foz do Cunene, atravessaram o rio em jangada construida para o efeito, e prosseguiram para Walvis Bay através da perigosíssima Costa dos Esqueletos, uma das zonas mais inóspitas do globo, tendo-se perdido vários carros e embarcações no decurso dessas viagens.
A população de Moçâmedes, cidade litorânea do sul de Angola, desde sempre geograficamente afastada de zonas de conflito, viveu em completa calmaria até Julho de 1975, mas viu a sua situação mudar e deteriorar-se a partir de momento em que, após a expulsão de Luanda pelo MPLA, da UNITA e da FNLA, os confrontos entre os movimentos começaram a alastrar a todas as cidades de Angola. Em Moçâmedes, foi desde então e só a partir de então que o pânico começou a apoderar-se das pessoas, pois excepto uns poucos mais temerosos de suas vidas, e mais preocupados em acautelar seus bens, a maioria da população branca, de boa fé, e na mais completa ignorância daquilo que realmente se estava a passar, ia-se deixando estar, embora se mantivesse expectante e receosa ante o desenrolar dos acontecimentos. Ninguém sabia, por ex. que a partir de Julho de 1975 os soldados cubanos apoiados por material de guerra russo pesado e sofisticado (tanques e mísseis), tinham começado a entrar em Angola, o que não admira, pois mesmo na Metrópole se desconhecia-se em absoluto estes factos, porque a Informação (imprensa, rádio e TV) à época considerada "a mais livre do mundo", simplesmente os ocultava. Aliás, de Julho até à independência de Angola, a 11 de Novembro de 1975, Portugal vivia o período agitado do seu "verão quente", perpassado de tensões crescentes entre grupos de esquerda e de direita, que só viria a acalmar com o 25 de Novembro de 1975.
Através dos videos acima, Rogério Amorim conta-nos como se processou a fuga a partir de Moçâmedes, Porto Alexandre e Sá da Bandeira, de um grupo de familias em pânico, incluindo a sua, que resolveram partir rumo a Walys Bay (Namibia), através da foz do Rio Cunene e da já referida Costa dos Esqueletos. Fizeram-no, integrando uma caravana constituida por 61 veículos automóveis de todo o tipo, carregados com bagagens que não eram mais que o pouco que puderam juntar, tendo que atravessar a fronteira numa jangada feita propositadamente para tal fim, e prosseguir a marcha durante 16 dias sempre junto ao mar, entre o deserto e o mar, aproveitando-se da maré vazia e da areia molhada.

Ver também: FUGA DA CIDADE DO NAMIBE NO SILVER SKY: 10.01.1976

















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