Foto: Algures nos finais do século XIX, inícios do século XX, um pequeno grupo de europeus mascarados (à esq.) desfila numa das ruas da então vila de Moçâmedes, a Rua dos Pescadores, observados de perto por uma avalanche de "kimbares" que ocupam toda a rua e passeios laterais, e por europeus, a partir das janelas de suas casas, protegidos do sol com guarda-sóis ou sombrinhas abertas, como era comum em África, no Verão.
Foto: Grupo de "quimbares" num Carnaval em Moçâmedes, algures em finais do século XIX , início do século XX. Este grupo, apenas composto por elementos do sexo masculino, exibe indumentárias muito europeias... ligadas à Marinha... Repare-se nos instrumentos musicais...onde se pode ver a harmonica ou concertina, lado a lado com o reco-reco, o tambor e a pandeireta ... Estas são as fotos mais antigas que conseguimos arranjar sobre o Carnaval em Moçâmedes
Recordando alguns Carnavais em Moçâmedes (hoje cidade do Namibe) até 1975
Nada melhor do que a aproximação da quadra carnavalesca para colocarmos aqui algo que nos remete para o modo como os Carnavais foram acontecendo em Moçâmedes (hoje cidade do Namibe), ao longo dos tempos.
Havia gente que era levada a pensar ter o Carnaval sido introduzido pelo africanos, mas foi precisamente o contrário, o Carnaval tem origem europeia, e o Carnaval angolano tem origem no Carnaval português. Recebeu é certo influências de elementos africanos, do mesmo modo como, por via dos europeus, os portugueses receberam a influência das "mascaradas" italianas.
Foto: Quimbares, mbális, mbalis, vimbalis, ovimbalis ensaiam passos de dança em Moçâmedes
O Carnaval, levado para Angola pelos portugueses, desembarcou em Moçâmedes nos anos 1849 e 1850, levado pelos colonos idos de Pernambuco (Brasil) 1, que fugindo às hostilidades nativistas, fizeram-se acompanhar de seus serviçais africanos, livres e escravos, que transportaram consigo uma cultura própria, cristianizada, eivada de usos e costumes lusos que haviam adquirido nas terras de Santa Cruz, no contacto com os seus patrões, nas relações de trabalho. Vestiam panos da cintura para baixo, com pequenas blusas cobrindo o busto (as mulheres), calças e camisas (os homens) e andavam descalsos. Não andavam, pois, nús nem semi-nús, como os povos nómades e semi-nómades que foram encontrar deambulando pelo Deserto do Namibe, vivendo da caça, do gado e do pastoreio, nem como os que habitavam as margens dos rios Bero, Giraúl e Coroca, e que, não obstante os contactos e a proximidade que passaram a ter com os recém chegados ali residentes, e com outros que vieram a seguir, tinham a sua cultura própria, com as suas danças e seus rituais, e recusavam-se a deixar-se assimilar por outra diferente 2.
A este primitivo grupo vindo do Brasil para a Moçâmedes, que foi o motor significativo de um certo abrasileiramento cultural, vieram juntar-se outros grupos por força da implantação da agricultura de exploração e do sector das pescas em Moçâmedes. Eram escravos libertados de navios de tráfico negreiro apresados, enviados de Luanda para Moçâmedes para prestar serviço nas fazenda agrícolas e nas pescarias do distrito, nesses tempos de abolição e de luta contra o tráfico de escravos para o Brasil e Américas, e de grande carência de mão de obra, em que se pretendia enveredar para um novo paradigma colonial, de povoamento e desenvolvimento do território.
Estava assim criado o nucleo populacional africano designado por "quimbar" 3 a que estas primeiras imagens de Carnavais realizados em Moçâmedes referem, que podia ser encontrado tanto em Moçâmedes bem como espalhados pelas várias povoações pesqueiras e agrícolas do distrito, entre Benguela e a Baía dos Tigres, e entre Moçâmedes e o Lubango, Humpata e Chibia, resultante da misceginação de indivíduos oriundos de várias etnias e de diferentes proveniências, que, deslocados do seu meio, sem radicação étnica nem uma língua única, passaram a adoptar a cultura "quimbar", que era já uma mistura de costumes afro-europeus. Com o desenrolar da colonização também alguns povos oriundos das margens do Bero, Giraúl e Curoca, entre os quais os Cuisses, Curocas e Hereros, ou mesmo os mais distantes Nhanecas-Humbes, Ambós e Ganguelas (W) (estes não tanto), por terem atingido um certo grau de aculturação no contacto com os brancos e com os "quimbares", adoptaram a cultura "quimbar", passando inclusive, com o rodar dos tempos, a mandar os filhos à escola oficial.
Estava assim criado o nucleo populacional africano designado por "quimbar" 3 a que estas primeiras imagens de Carnavais realizados em Moçâmedes referem, que podia ser encontrado tanto em Moçâmedes bem como espalhados pelas várias povoações pesqueiras e agrícolas do distrito, entre Benguela e a Baía dos Tigres, e entre Moçâmedes e o Lubango, Humpata e Chibia, resultante da misceginação de indivíduos oriundos de várias etnias e de diferentes proveniências, que, deslocados do seu meio, sem radicação étnica nem uma língua única, passaram a adoptar a cultura "quimbar", que era já uma mistura de costumes afro-europeus. Com o desenrolar da colonização também alguns povos oriundos das margens do Bero, Giraúl e Curoca, entre os quais os Cuisses, Curocas e Hereros, ou mesmo os mais distantes Nhanecas-Humbes, Ambós e Ganguelas (W) (estes não tanto), por terem atingido um certo grau de aculturação no contacto com os brancos e com os "quimbares", adoptaram a cultura "quimbar", passando inclusive, com o rodar dos tempos, a mandar os filhos à escola oficial.
Passemos à comunidade branca que se instalou em Moçâmedes desde 1849, da qual, a este respeito pouco sabemos. Sabemos contudo que, com o avanço da povoação e com a chegada lenta mas progressiva dos algarvios a Moçâmedes a partir de 1862, o Carnaval sob a forma de "Entrudo", festa pagã absorvida pelos católicos com um significado muito ligado à liberdade, começou a ser festejado com várias diversões que incluiam os tradicionais combates de carro para carro (de início entre carroças de tracção animal), numa verdadeira luta em que as armas eram os ovos, cocotes de farinha ou fuba, água de chafariz, água de cheiro, etc. etc. Mas também com desfiles de trajes carnavalescos pelas ruas da povoação, festas em casas particulares, e, à noite, depois do jantar, como era costume entre algarvios, com a saída à rua das "mascarinhas", em que grupos de pessoas de várias idades, disfarçadas com trajes improvisados no momento que podiam ir do simples lençol, no qual rasgavam dois buracos redondos na direcção dos olhos, simulando fantasmas, com um cajado na mão, calcorreavam as ruas, batiam de porta em porta, entravam e saiam, falavam com vozes disfarçadas, gesticulavam ou simulavam um qualquer defeito físico, tendo a brincadeira como objectivo o desafio ao reconhecimento dos mascarados, que de modo algum se davam a conhecer. Num tempo em que não havia à venda as requintadas máscaras dos dias de hoje, a improvisação era a saída. Eram paródias nocturnas e diunas que se foram perdendo conforme se avançava para meados do século XX.
Com o correr do tempo, o Carnaval em Moçâmedes passou a insinuar-se, também, no interior dos salões dos clubes desportivos que iam surgindo, tais como o Ginásio Clube da Torre do Tombo, o clube pioneiro, onde a partir dos anos 1920 passaram a ocorrer animados bailes de máscaras, que canalizavam para aquele bairro, gente de todos os cantos da cidade. Estou imaginando os primeiros bailes de Carnaval alí organizados, numa época em que o ritmo da dança passou a ser ditado pelas valsas, os tangos, o charleston, essa dança vigorosa em que as mulheres agitam os vestidos, balançando os longos colares e ondulando as plumas e os leques, cruzando e descruzando as mãos sobre os joelhos... mas também as marchinhas inspiradas pela cadência rítmica dos ranchos populares...
Foto gentilmente cedida por Maria Etelvina Ferreira de Almeida datada de 1938, numa festa realizada no Ginásio em Moçâmedes.
Mas aconteciam também no Ginásio Clube da Torre do Tombo concursos de máscaras carnavalescas infantis e juvenis, para além de recitais, momentos de teatro, etc, que decorriam no pequeno palco da sala anexa ao salão de baile. Na foto um grupo de crianças que no início dos anos 1930 participaram numa dessas festas.
Foto gentilmente cedida pelo Dr. Farrica. Anos 1940.
Durante os três dias de Carnaval tudo servia de paródia em Moçâmedes, inclusive imitar A ou B, ou seja, a imitar a silhueta de alguém, demasiado gordo ou demasiado magro, capaz de desencadear o riso que a quadra suscitava. Na foto, a moçamedense Regina Peixoto (proprietária da Papelaria Regina, na Rua da Praia do Bonfim) num Carnaval algures na década de 1940, vestida com o fato do Dr. Novais que há época era o director do Hospital de Moçâmedes. A seu lado, a esposa do Dr Farrica.
Fotos de Florinda Jardim
As danças do Forte de Santa Rita e do plateau da Torre do Tombo, nos anos 1950. Fotos do meu album pessoal.
Avancemos até aos anos 1950, e voltemos ao Carnaval tal como era festejado entre os africanos. Por essa altura eram quatro as «danças» indígenas carnavalescas de rua em Moçâmedes, a do plateau da Torre do Tombo, a do Forte de Santa Rita, a do Benfica e a da Aguada. A concentração das "danças" do "Forte de Santa Rita", do "Benfica" e da "Aguada" começava cedo, e fazia-se no interior dos muros do antigo campo de futebol de terra batida, situado ao lado da Estação dos Caminhos de Ferro de Moçâmedes. Era dalí que as danças partiam, desfilando pelas ruas de Moçâmedes durante os três dias em que decorria o Carnaval, lideradas pelos seus reis e pelas suas rainhas, que trajavam carnavalescamente à guisa dos reis e rainhas europeias, aos quais não faltavam as respectivas corôas e os ceptros reais, corôas que nas rainhas eram colocadas em cima de véus que vinham até ao chão, fazendo lembrar as santas dos altares nas igrejas católicas.
Quimbares na década de 1950 festejando o Carnaval em Moçâmedes
Fotos de Florinda Jardim
O Dominguinhos ceguinho, poeta muito conhecido e acarinhado em Moçâmedes, que aos sábados percorria a cidade de ponta a ponta em busca de esmolas, era quem compunha a música e a letra da «dança» do Forte de Santa Rita. O cozinheiro do ti Óscar Almeida, era sempre o rei da «dança» do plateau da Torre do Tombo. As letras continham críticas sociais, apontavam para assuntos na ordem do dia, como o alcoolismo, o endividamento, as mulheres de mau porte, os amores perdidos, achados, frustados e maculados, mas também a crítica velada ao sistema político vigente era tema para canções.
As danças ao desfilarem pelas ruas da cidade paravam em determinadas portas e faziam a sua exibição que terminava com uma vénia cortês do líder, que recebia um «matabicho», gratificação em dinheiro, ou uma garrafa de vinho e algo para comer, o que vinha a calhar sobretudo quando a fome e a sede começavam a apertar... E a festa terminava em apoteose, quando ao fim do dia, no regresso a casa, já bem bebidos e excitados, fruto da colheita de vários donativos conseguidos pelas "danças" no decursos das exibições efectuadas às portas das casas, os componentes de grupos rivais se encontravam frente a frente, lá para os lados do Cemitério, e do encontro redundava numa autêntica batalha campal de luta corpo a corpo, que obrigava à intervenção da polícia.
Cumprindo «rituais de iniciação» no antigo campo de futebol. Foto do livro de Paulo Salvador
Voltemos ao Carnaval, tal como era vivido no seio da comunidade europeia. Esta era a "juventude rebelde" de Moçâmedes por volta de finais dos anos 1940, início de 1950, destemidos, provocadores, mas cujo comportamento se transformava radicalmente, quando, ao anoitecer, começavam as matinées dançantes nos clubes da terra, Aero, Atlético ou Clube Nautico, sabendo ser romântica, quando as circunstâncias convidavam a tal... Entre outros, à esq. para a dt: José Adriano Borges, Amadeu Pereira, Norberto Gouveia (Patalim), Caála, ??, Mário Bagarrão, Helder Cabordé, Renato Sousa Veli, Artur Paulo Carvalho (Turra), ?? .
Batalha de "cocotes" entre Bilibaus e Tragateiros, em frente ao Quiosque do Faustino, em plena Avenida da República, no ano 1954. Fotos de Florinda Jardim
Mas o Carnaval na sua forma semi-entrudesca atingia o seu clímax em Moçâmedes com as fustigantes "batalhas de cocotes" entre grupos "rivais", como mostra esta foto, tirada em 1955 nos jardins da Avenida da República, alí bem juntinho ao "Quiosque do Faustino".
Estas "batalhas" tanto se desenrolavam no terreno, corpo a corpo, como a partir do cimo de camionetas de caixa aberta alugadas para o efeito e enfeitadas com folhas de bananeiras, que se deslocavam ao longo da Avenida, e ao se cruzarem davam origem a violentos e cruzados "bombardeamentos" de cocotes. Para tal, cada grupo de véspera começava a confeccionar os ditos «cocotes» colocando pequenas porções de farinha de trigo dentro de quadrados de fino papel de seda de várias cores, e atando-os com linha de forma a produzirem pequenas bolas, prática possivelmente herdada dos chavaris medievais que incluiam zombarias, pancadarias simbólicas, enfarinhadas, seringadas e molhaças que decorriam nas ruas das cidades. Esta a memória de um tempo que nos apraz aqui registar, um tempo que não volta mais, o tempo da nossa adolescência, da nossa juventude descontraída, despretensiosa e alegre, em que as ditas "batalhas" deixavam durante três dias a cidade irreconhecível, tendo a Câmara Municipal de Moçâmedes que, logo pela manhã, mandar proceder à limpesa daquele local, que era o epicentro da cidade.
Bilibaus e Tragateiros. Foto do livro de Paulo Salvador
1955. "Bilibaus" e Tragateiros" antes das "batalhas de cocotes" . Da esq. para a dt., em cima: Leão da Encarnação, Mário de Figueiredo, ?, António Ferreira (Penha), Amadeu Pereira, Fernando Peçanha, Anatálio Pereira, ?, ?, ?, Norberto Gouveia e António Barbosa. Embaixo: Albertino Gomes, José Adriano Boorges, João Bernardinelli, Wilson Pessoa, Edgar Aboim, ?, João António Guedes, ? , Renato Sousa Veli, Artur Paulo de Carvalho (Turra) e Mário Júlio Peyroteu...
Foto do meu album pessoal. 1955. Outro grupo da "batalha de cocotes", este do bairro da Torre do Tombo
No topo: Zequinha Esteves, ? e Amilcar Almeida. De pé: Arménio Jardim, José Patrício (aviador), ?, Nelinho Esteves, Bulunga, Eduardo Faustino (gémeo) Lopes, Fernando Pessanha, Armando Esteves (Trovão), José Carlos Lisboa (Lolita), Manuel Cambuta, João António Bagarrão Pereira (John), Mário Ferreira e Gabriel. De joelhos: ?, Pedro Eusébio, Joaquim Gregório, Bernardino (Noca), Zeca Carequeja, ?, Eugénio Estrela, Dito Abano e Rui Carapinha. À frente ?.
Foto do meu album pessoal
A evolução do Carnaval permitiu um novo tipo de exibição: o desfile de carros alegóricos que em Moçâmedes foi inaugurado nesse fabuloso ano de 1955, e que decorreu, como não podia deixar de ser, ao longo da longa Avenida da República. Nesta foto, podemos ver o grupo conhecido pelos "Tragateiros" empurrando (sobre rodas), uma enorme pipa de vinho.
Foto do meu album pessoal
Esta foto mostra-nos o carro representativo do Bairro da Torre do Tombo passando junto do edifício dos Correios. Integravam o desfile, neste carro, Osvaldo Correia, Óscar, José Duarte, Eurico, Nidia Almeida, Eduarda Bauleth Almeida, Celisia Calão, Ricardina Lisboa, Manuela Bodião, Salete Braz e Francelina Gomes (elas, quase todas, da equipa de basquetebol do Ginásio Clube da Torre do Tombo). Neste Corso participaram mais de uma dezena de carros, que poderão ser vistos, mais pormenorizadamente, clicando Aqui . Do cimo dos "carros", grupos de foliões, rapazes e raparigas, em brincadeira animada, com os que observavam ou acompanhavam a pé o cortejo, trocavam confetis, serpentinas, flores, etc. Foi o Corso possível, nesses tempos em que só o engenho e a arte podiam suprir a carência de materiais disponíveis no mercado, fruto da reprovável política de import/export então prosseguida pela Metrópole em relação a Angola. A verdade é que este Corso ficou para sempre na memória daqueles que na época viviam em Moçâmedes, nesses tempos anteriores a 1960 e à explosão populacional que a partir de então se verificou em toda a Angola, quando ainda todos se conheciam e "todos eram primos e primas".
Três perspectivas do carro alegórico representativo do Grupo Desportivo do Banco de Angola, o mais requintado e por via disso, o vencedor.
Este carro alegórico representava a firma João Pereira Correia, Lda. (de João Pereira Correia e José Duarte), representantes em Moçâmedes das máquinas de costura Oliva.
Momento da eleição dos reis de Carnaval num baile realizado em Moçâmedes em 1955
Recordar os bailes de Carnaval em Moçâmedes é recordar momentos inesquecíveis de grande animação passados nos salões do Ginásio Clube da Torre do Tombo ou do Aéro Clube (até finais de 1940), nos salões de festas do Atlético Clube de Moçâmedes e do Clube Nautico (Casino), após 1950. E alguns até no velho Ferrovia. É recordar as histórias contadas pelas nossas avós de um tempo em que não existiam clubes nem salões e as festas decorriam ao ar livre, dançando-se em cima de estrados de madeira montados para tal, ou em casas particulares e no interior de antigos barracões. Um dos momentos culminantes destes bailes era o momento da eleição do Rei e a da Rainha da festa, recaindo a escolha, infalivelmente, nos mais divertidos da noite.
Eram bailes onde todos se divertiam em conjunto, pais, filhos, tios e primos, e até avós. A década de 1950 foi uma década de transição entre duas épocas, não obstante se dançasse ainda, e muito, os clássicos e muito solicitados tangos e valsas (como «Comparcita», «Caminito», Danúbio Azul, Valsa dos Patinadores, etc.), também se dançavam baiões, marchas, passodobles, rumbas, slows, boleros, etc., não obstante já terem entrado em cena modernos rock-and-roll e twist. Mas eram sobretudo as marchinhas brasileiras, os animados baiões, os passodobles e as rumbas que nos Carnavais predominavam. Uma marcha que nunca podia faltar nos bailes de Carnaval em Moçâmedes, sobretudo nesses tempos em que actuavam os "Diabos do Ritmo", era a marcha brasileira "Você pensa que cachaça é água...". Era com ela que geralmente encerravam os bailes de Carnaval. E também passodobles... A «Comparcita» de Carlos Gardel era o tango eleito pelos namorados, pelo prazer da proximidade física poi instantes socialmente tolerado, e pelo romantismo que os tangos acarretam. "por instantes socialmente tolerado", sim, porque nos anos 1950 ainda as raparigas eram alvo fácil para críticas muitas vezes demolidoras que punham em causa a sua reputação... A verdade é que ninguém parava até ao raiar do dia, e quando o baile chegava ao fim, toda a gente pedia mais uma musiquinha... Ninguém saia dalí cansado! Terminado o baile, era comum os rapazes sairem daqui directamente para uns refrescantes mergulhos na Praia das Miragens. E a partir das 17hs do novo dia, lá estavam todos de novo, caidinhos, para a matinée dançante! Acontecessem no Casino ou no Atlético, nos Carnavais ou Reveillons de passagem de ano, ou em outras quaisquer datas, a lotação das mesas sempre esgotava, restando aos mais jovens, do sexo masculino, ficarem de pé junto ao átrio de entrada do salão, enquanto as raparigas, as senhoras e os casais mais idosos ocupavam o conjunto de mesas que rodeavam os salões.
O conjunto musical os «Diabos do Ritmo» era nesta década e início dos anos 1960, o grande animador das festas da cidade de Moçâmedes, pelos animados bailes que proporcionou, que se prolongavam pela noite fora até ao raiar do dia, bem como pelas matinées dançantes, aos domingos à tarde, que acabavam impetrivelmente às 20 horas. Segue um poema dedicado por Neco Mangericão a este conjunto por um moçamedense:
"DIABOS DO RITMO
Às meninas do meu tempo
Acabei de ouvir a história dum violão
Uma coisa tão linda assim,
trouxe-me a velha recordação
de um grupo folião e seresteiro,
de malta pobre e sem dinheiro
mas com muita, muita vocação.
Ai que saudade sinto em mim
desse tempo pioneiro
em que vos tiravam da cama
acordes que subiam em chama
numas canções apaixonadas,
tocadas e em coro e cantadas
pelo Jaime Nobre, o Albertino
pelo Neco, o Cerieiro, o Bino (*)
e o Lito Baía, viola fenomenal,
e, ainda, pelo barbeiro Marçal
Assim passávamos o verão,
entre capoeiras assaltadas,
serenatas e churrascadas,
ou caranguejadas e afins,
lá na Aguada, no Martins,
que as fazia, a troco de nada.
E o tempo tudo levou.
Tudo passou e acabou
Aquela malta boa e temerária
seus instrumentos arrumou,
eu já não tenho o meu bandolim,
e a nossa voz p'ra sempre voou,
tal como também se acabou
aquela Banda extraordinária
que "Diabos do Ritmo" se chamou,
e que o nosso grupo formou.
Não se voltou a ver outra assim...
Quem se lembrará hoje dela?
(*) Desculpa lá Bio, pus Bino só para rimar NECO
(João Manuel Mangericão)
Muita gente conhecida nesta foto, para além de Maria Lidia e Arlindo Cunha (pequeno comerciante pa praça), os reis do Carnaval 1954, no Atlético. Entre outros, da esq. para a dt, por detrás dos eleitos: Renato de Sousa Veli, ?, Tó Zé Carvalho Minas, Carlos Moutinho (chefe de produção do RCM), Jesuina Almeida Carvalho, Carla Almeida Frota, Beatriz Almeida Frota, Alvaro dos Santos Frota e José Adriano Borges (o popular tio Alegria dos programas infantis das manhãs de domingo no RCM, e treinador, fundador e jogador de hóquei em patins do Atlético Clube de Moçâmedes) .
Mais um animado baile de Carnaval ocorrido na cidade de Moçâmedes, este no Salão do Clube Nautico, em 1954. E como não podia deixar de ser, foi também abrilhantado pelos famosos "Diabos do Ritmo". Através da foto podemos ver o acto da coroação do Rei e da Rainha da festa, ou seja, de Maria Lídia e de Arlindo Cunha, os mais dados à paródia. Maria Lídia foi em 1954 a merecida «Rainha» deste baile de Carnaval, senhora de uma vivacidade contagiante, para além disso cantava lindamente e emanava uma simpatia que não podia deixar de prender aqueles que com elas tiveram o privilégio de contactar. Arlindo Cunha, o «Rei», marcava pela seu modo de ser e de estar, pela sua simplicidade e boa disposição, era um homem apaixonada pelas coisas de que gostava, dinâmico e empreendedor, e um grande amigo e mecenas do Atlético Club de Moçâmedes.
Foto do meu album pessoal
Esta foto foi tirada nesse mesmo baile de Carnaval de 1954, no Clube Nautico (Casino). Foi o meu primeiro baile! Entre outros, da esq. para a dt, Rui Bauleth de Almeida (RCM) e a inesquecível e irrequieta Octávia de Matos, Nídia e Arménio Jardim (hoquista), Marta e Gabriela, Antunes Salvador (fotógrafo) e Justina Salvador, à esq. Um pouco atrás, à esq., Monteiro, Cristão (Quitólas) e Artur Homem da Trindade (desenhou as vivendas e os edifícios mais bonitos de Moçâmedes).
Foto do meu album pessoal. Grupo de "assaltantes" mascarados de Rochester's. 1959/1960
Havia ainda os "Assaltos de Carnaval" levados a cabo por grupinhos organizados e devidamente mascarados, que combinavam fazer a festa em uma garagem ou casa particular, é claro com tudo previamente autorizado pelos os moradores. Deste grupo, imitando os «Rochester's», conjunto norte-americano de sapateado, muito em voga, faziam parte, na sua maioria, hoquistas de Moçâmedes na época: Rui Mangericão, Álvaro Jardim, Edgar Aboim, Álvaro Ascenso, Carlos Jardim , Rui Coelho de Oliveira, e de outros como Chico Carmo, Victor (foto Rotiv).
Fotos cedidas por Alvaro Faustino
Por esta altura (anos 50/60), na vizinha Porto Alexandre (actual Tombwa), a sua juventude não deixava em mãos alheias as festividades do Carnaval. Para além dos animados bailes de salão, podemos ver aqui, como no seio daquela comunidade europeia, à semelhança das danças indígenas, aconteciam também "danças de rua". Era como que uma interpenetração de culturas que se desenhava, fenómeno deveras interessante.
Em Porto Alexandre, Carnaval sem Gigantones e cabeçudos não era Carnaval...
As fotos de Porto Alexandre foram-me gentilmente cedidas por Elizabete e Álvaro Faustino
Divertidos como era os alexandrenses, também os bailes do Recreativo (anos 50, 60, 70...) eram inigualáveis, pela alegria e pela camaradagem com que se desenrolavam. Aliás o que se poderia esperar de uma festa onde o casal Álvaro Faustino e Elizabete Pessanha estavam sempre presentes? Paródia, paródia e mais paródia!
Mas o Carnaval em Moçâmedes tinha outras facetas que não devem ficar esquecidas. Eram os concursos de máscaras de Carnaval dedicados aos mais novos que decorriam quer no Cine Teatro de Moçâmedes, quer mais tarde no Cine Esplanada Impala, ou ainda nos salões do Atlético e do Clube Nautico (Casino).
No Clube Nautico em 1960, crianças num concurso de máscaras infantis: Fernanda Alves, ?, ?, Graciete Vaz Pereira e Tita Vaz Pereira
Nesta foto, Bellany Veiga Baptista faz a sua apresentação no Clube Nautico?, vestida de nazarena. À dt. Albertino Gomes (a dt.), o "endiabrado" baterista do conjunto musical "Diabos do Ritmo»
Foto da Leninha Jardim
Leninha Jardim Vilaça, vencedora num dos Concursos Infantis de Carnaval realizado no Impala Cine, no incio dos anos 1970Outro Concurso Infantil, onde se evidencia, vestida de "boneca" no interior de uma caixa de papelão, a pequenita Carla Branco Câmara (Caly). 1970. Foto da Caly
O Carnaval de rua teve o seu grande "apagão" em 1961, ano do início da luta armada do "exército português" contra os movimentos de libertação, em consequência dos massacres cobarde e selvaticamente perpretados pela UPA (União dos Povos de Angola, mais tarde FNLA), não contra os ditos "colonialistas" exploradores do povo angolano, mas contra gente trabalhadora e indefesa, brancos e negros, que ganhavam o seu pão nas fazendas do norte de Angola. A partir de então, com a proibição de ajuntamentos e manifestações de rua, acabaram as "danças indígenas" que durantes três dias desfilavam, cantando e batucando pelas ruas da cidade. Acabaram as exibições de máscaras, e até as animadas batalhas de «cocotes» que deixavam a Avenida da República e as ruas laterais todas desarrumadas e cobertas de farinha chegaram ao fim. O Carnaval, grande festa do povo acabou, abruptamente. Até deixámos de ver desfilar na Avenida os corsos de carros alegóricos, uma prática recente patrocinada pelos clubes e pelos jornais da terra, que dava oportunidade para competições e fazia jus a prémios patrocinados por casas comerciais aos carros melhor ornamentados, imprimindo à festa as caracteristicas de um Carnaval europeu. A quadra carnavalesca a partir de 1961 perdeu a graça e a alegria que havia proporcionado durante décadas à juventude da nossa terra, e a todos quantos na festa se queriam incorporar. Durante o interregno que se seguiu, o qual foi mais prolongado em Moçâmedes, as festas passaram a ser realizadas no interior dos salões dos Clubes desportivos da cidade e em casas particulares, através de bailes e «assaltos» de Carnaval, ou de um ou outro concurso de máscaras juvenis, e pouco mais. Tenha-se em conta , porém que, com o início das comemorações das "Festas do Mar" em 1961, muito do brilho do Carnaval foi desviado para as ditas festas, cujas datas eram muito próximas.
Mas a grande festa do povo acabaria por regressar às ruas de Moçâmedes. Não tão rapidamente nem com o deslumbramento como em cidades como Luanda Lobito, que apresentavam já com uma certa organização, regulamentos próprios e um novo tipo de promoção, e que incluia desfiles cada vez mais grandiosos, transformando-se em cartaz turístico.
Saltemos então uns anos adiante. Eis-nos em 1974, mês e meio antes do golpe militar de 25 Abril em Portugal, e a pouco mais de ano e meio da independência de Angola. As tradicionais "danças indígenas" tinham voltado em força às ruas de Moçâmedes. Cantando, dançando e batucando, o Carnaval possibilitava de novo o extravazar de emoções por demasiado tempo contidas na alma do povo... Viviam-se então os momentos finais da "primavera marcelista" que haviam sido acompanhados de alguma abertura. Algumas semanas depois, dar-se-ia na Metrópole o golpe militar do 25 de Abril que veio depôr o Estado Novo, e instaurar a democracia em todo o Portugal!
Das várias "danças" que desfilaram nesse Carnaval de 1974, umas apresentavam um cariz mais genuinamente africano nas suas raízes, mais popular, mais primitivo, como que sobrepujando o formalismo "pomposo" do desfile de um carnaval à europeia...
Outras, menos primitivas, mais organizadas, mais coloridas, muito africanas, mas onde traços da cultura africana e europeia se fundiam numa cultura carnavalesca de tipo "abrasileirado" que apontava já para os Carnavais do futuro...
Fotos cedidas por um amigo
A par das "danças de rua" nesse derradeiro Carnaval de Moçâmedes assistiu-se a um desfile em torno da Avenida da República que teve a participação de jovens africanas e europeias como estas duas fotos testemunham, umas brasileiramente vestidas, com sedas e setins alaranjados, brincos, colares, turbantes, etc., outras exibindo trajes que evocavam usos e costumes da cultura greco-romana, raiz da cultura europeia, onde não faltava o coche, símbolo do poder monárquico dos séculos XVII e XVIII. Mas também desfilarem carros alegóricos que transportavam em sí outras mensagens, como o da JAEA (Junta Autónoma de Estradas de Angola), a sugerir a nova Angola progressiva e multirracial que se pretendia para o futuro...
Por esta altura, fruto da nova política de assimilacionismo acelerado, levada a cabo pelo Estado Novo, já muitos africanos ocupavam lugares de destaque um pouco por toda a Angola, sobretudo no funcionalismo público. Mas todas as medidas visando recuperar o tempo perdido revelaram-se tardias demais...
Este foi, pois, como que um derradeiro encontro de culturas a encerrar o ciclo dos carnavais coloniais em Moçâmedes, a grande festa do povo levada pelos portugueses, que durou quase um século. Mas o derradeiro Carnaval foi mesmo o de 1975, a poucos meses da independência de Angola.
1975, no recindo do Ferrovia. Foto gentilmente cedida pelo casal Faustino
Segundo informações recolhidas, estas fotos foram tiradas em 1975, portanto no "último Carnaval" festejado em Moçâmedes. Ainda aqui, a situação mantinha-se calma nas cidades litorâneas do sul de Angola, e nada parecia perturbar a vontade das gentes de Moçâmedes e, neste caso o grupo de Porto Alexandre, de ficar e de se divertir.
Contudo, por esta altura em Luanda a situação começava a complicar-se. A proibição de entrada de forças militares não era respeitada pela FNLA nem pelo MPLA, que continuam a introduzir na capital homens e armamento, o que redundou no confronto urbano. O governo tripartido que se pretendia de transição não avançava e havia mesmo a infiltração de militares zairenses entre os elementos da FNLA, sendo constantes as violações do Acordo do Alvor por parte dos movimentos, enquanto o Alto Comissário português achava-se incapacitado para dominar a situação. As delegações, os escritórios e os quartéis dos três Movimentos haviam-se multiplicado pelos subúrbios de Luanda e ao longo de vias importantes da capital, como as avenidas do Brasil ou dos Combatentes, de quando eclodiam os confrontos transformavam-se em autênticos alvos das armas que desenfreadamente eram disparavam, num desprezo completo pelos milhares de pessoas inocentes que viviam por perto, enquanto os saques, os ajustes de contas, as detenções arbitrárias e os maiores atropelos à integridade física individual se sucediam, perpetrados indiscriminadamente por guerrilheiros militantes, bandos de marginais ou simples cidadãos comuns, estes últimos tentados pela impunidade que o fragor dos combates lhes conferia. Na tarde de 9 de Julho de 1975, em Luanda, a fuzilaria irrompeu, infernal. Era a chamada "batalha de Luanda" que levou à expulsão pelo MPLA da FNLA e da UNITA. Em finais de Julho a FNLA que tinha concentrado no Norte um forte exército, ocupa os distritos do Zaire e do Uíge, enquanto a UNITA domina o planalto central expulsando as forças do MPLA e da FNLA dos distritos do Huambo e do Bié. Parecia caminhar-se para a balcanização de Angola, enquanto as forças militares portuguesas espalhadas pelo território iam sendo concentradas nas principais cidades para evitar o envolvimento nos conflito. Na Metrópole vivia-se um processo revolucionário, e para os partidos não era prioridade o problema de Angola onde milhares de portugueses e não só, completamente desprotegidos corriam o risco de perda da vida, para não falar na total perda dos seus bens. Ao pedido de reforços a Lisboa, apenas é disponibilizada uma companhia de pára-quedistas (cerca de 120 homens). E enquanto na Metrópole, se estudava, em termos de direito internacional, o problema da suspensão parcial do Acordo de Alvor, o conflito internacionalizava-se com o Zaire, a África do Sul e Cuba a apoiarem os diferentes movimentos. O colapso do império português e a perspectiva de um governo negro em Angola e em Moçambique de raiz marxista causou enorme preocupação em Pretória. Em Agosto de 1975 dizia-se que forças militare sul-africanas tinham penetrado em Angola em auxílio da aliança FNLA-UNITA e ocuparam as instalações hidroelectricas de Ruacaná e outras no rio Cunene.
Enquanto issio, em Moçâmedes a situação começou a deteriorar-se entre os movimentos, e a 23 de Agosto após
luta renhida, o MPLA desaloja da cidade a coligação UNITA/FNLA, que
se rende cerca das 19 horas, e passa a controlar a cidade que já se encontrava despojada de uma pequena parte da sua população branca. Em 28 de Agosto partia do porto de Moçâmedes, rumo a Luanda, o navio «Ngola»,
transportando refugiados, para evacuação aérea com destino a Portugal. Entre a população branca de Moçâmedes na maioria sem qualquer partido, havia um certo número de simpatizantes divididos pelos 3 movimentos, sendo os mais próximos do MPLA, os nascidos em Angola, alguns dos quais descendentes de 3 gerações já alí nascida. Com apenas um movimento a dominar, diz um testemunho, que a cidade passou por um curto periodo de relativa acalmia, no decurso do qual se realizaram algumas reuniões no Governo do Distrito, que incluiam negros, mestiços e alguns brancos simpatizantes daquele movimento, que em conjunto faziam um esforço para pôr a cidade a funcionar, preparando uma divisão de pelouros. Entretanto, a 04 de Outubro parte mais um barco de
cabotagem cheio de refugiados, rumo a Luanda, para ali apanharem a
ponte aérea que os levaria a Portugal. A 12 de Outubro o navio «Lobito» partiu com o mesmo rumo. Entre os
elementos da população branca que deixaram a cidade nessa altura,
contavam-se alguns simpatizantes da UNITA e da FNLA que fugim a
retaliações por parte do MPLA.
Entretanto, a 23 de Outubro, uma força de mercenários sul-africanos brancos a 28 de Outubro, manhã
cedo, entraram em Moçâmedes, vindos de Sá da Bandeira.
Vinham acompanhados de tropas do ELP/FNLA, portugueses de Angola e «mukankalas», comandados por um general australiano, enquanto o MPLA se punha em debandada, destruindo o material de guerra que não conseguiram transportar, ficando adolescentes e mucubais a resistirem aos invasores. A
tomada de Moçâmedes pelos ELP/FNLA e sul-africanos, contada por quem assistiu, foi algo de espectacular, com tanques, camions de
apoio, infantaria, grande aparato bélico, progredindo pelas ruas da
cidade, palmo a palmo, enquanto ao largo, na baía, submarinos estrategicamente
estacionados, faziam regressar a Moçâmedes barcos em fuga
que trasportavam familias e guerrilheiros do MPLA que se escapavam para
Benguela. Sabe-se que os sul-africanos não molestaram a população civil, e que até os poucos simpatizantes brancos do MPLA que permaneceram em Moçâmedes foram poupados. De Moçâmedes prosseguiram rapidamente para o
norte através de Benguela e Novo Redondo tendo chegando a 100 quilômetros de Luanda em vésperas da independência, enquanto, vindos do Zaire as colunas acoluna do FNLA integrando mercenários
portugueses, derrotadas na batalha do Kifandongo.
Paralelamente o MPLA aumento o fluxo de suprimentos militares
soviéticos e Cuba enviou para Angola milhares de homens para defesa do de Luanda então na posse do MPLA. Por outro lado, os Estados Unidos apoiavam as mesmas facções que o
regime do Sul Africano. Assim chega-se às vésperas da independência de Angola com o MPLA/Cubanos a resistiram e com capital permaneceu em poder do MPLA. A
destruição da ponte sobre o rio Queve impediu o avanço dNo final da tarde do dia 10 de Novembro restou ao Alto Comissário a leitura de uma
proclamação em nome de Portugal, reconhecendo a Independência de Angola, com a entrega da soberania ao povo
angolano, e
após o a descida e recolha da bandeira e com comitiva embarcaram numa
fragata da Marinha de Guerra Portuguesa às zero horas de dia 11 de Novembro de 1975 afastando-se das águas
territoriais angolanas, e navegando rumo a Portugal, enquanto
Agostinho Neto proclamava em Luanda, solenemente, a República Popular de Angola, e a FNLA e A UNITA proclamavam no Uíge, no Huambo, em Sá da Bandeira, Moçâmedes a República
Democrática de Angola, sem sucesso.
Completamente desprotegidos, e transformados nos "bodes expiatórios" do "colonialismo", quando na verdade, na sua maioria não eram mais que simples trabalhadores por conta de outrem que lutavam para que os tostões chegassem ao fim do mês (enquanto os "colonialistas" instalados lá fora, exploravam e fruiam), os brancos de Angola não tinham mais condições para alí ficar (4). A onda racista e extremista que rapidamente se alastrou a todo o território, suscitara ódios recalcados de séculos que remontavam, incluso a um tempo em que sequer havia "colonos". Abro aqui um parêntesis para afirmar que, apesar dos erros dos sucessivos regimes que prejudicaram a população africana e acabariam, ao fim e ao cabo por prejudicar a todos, brancos e negros, no seio da população quimbar, nunca um laivo de ódio foi por mim sentido ou pressentido.
As
hostilidades começaram na véspera, de tarde, tendo o Banco de Angola,
por motivo de segurança das pessoas que lá se encontravam, encerrado a
Agência. Na impossibilidade de se circular pela cidade, passámos essa
noite, bancários e clientes, no segundo andar daquelas instalações,
reservadas aos Administrardores do Banco.
A 11 de Novembro de 1975
tornava-se independente um grande território que, para que se
mantivesse grande e resguardado nas suas fronteiras em face da cobiça
estrangeira, levara, entre outras medidas, melhores ou piores, ao
povoamento branco de Moçâmedes inaugurado com o envio de uma colónia de
portugueses idos de Pernambuco, Brasil e alí chegados a 04 de Agosto de
1849 e 1850, a que outras se seguiram.
Os portugueses partiram. A guerra continuou durante 27 anos, desumanamente alimentada e financiada por potências estrangeiras, cujo fito eram, não o povo angolano, mas as riquezas do novel rico país. Após uma curta e atribulada experiência (que mal chegou a ser...) "socialista", Angola enveredou por um esquema de Estado neo-liberal e neo-capitalista subordinado aos programas das multinacionais.
Os portugueses partiram, a sua cultura ficou. Passaram quase 40 anos, e o Carnaval continua a ser festejado em Angola com a dimensão que merece, como a grande festa do povo. Ao arrepio dos erros das sucessivas governações, desde um passado remoto, e a despeito da vontade de pseudo-nacionalistas que ainda hoje em Angola defendem e alimentam o tribalismo com objectivos dúbios, o povo angolano herdou dos portugueses para além de uma grande país com fronteiras definidas, inúmeros usos e costumes que hoje fazem parte da sua cultura. Angola herdou acima de tudo, uma língua, factor de unificação, mensageira de paz, num país desde há muito ocupado por uma multiplicidades de grupos étnicos-linguisticos.
Hoje apercebo-me que do modo como a governação na Metrópole encaminhou desde o início a "colonização" não seria de esperar nada de bom para os portugueses que incentivaram a emigrar. Se em 1842 as caravelas tinham chegado Angola com intuito de levar àquelas terras longínquas o contacto amigável a outros povos, logo a ambição de meia duzia de aventureiros aliada a uma má administração e aos interesses de alguns portugueses e brasileiros a transformou por vários séculos num deposito execrável de escravos para enriquecimento das Américas. Seria de concluir que um dia esses espinhos viessem à tona, de pouco servindo todo o esforço daqueles que por meios pacíficos ajudaram a erguer Angola, quando, a partir de meados do século XIX, em consequência da queda do absolutismo em Portugal e da penetração de novos ideias, se deu finalmente a abolição do tráfico, e portugueses pobres, remediados, ricos e miseráveis foram incentivados a apostar na viabilidade do povoamento branco e desenvolvimento colónia, transformada numa continuidade do território nacional.
Para terminar, falemos um pouco da História do Carnaval, que começou há mais de 4 mil anos antes de Cristo, no antigo Egipto, com determinados rituais de cariz religioso e agrário na época das colheitas, tais como as festas de culto a Ísis. Desde então as pessoa pintavam os rostos, dançavam, bebiam, divertiam-se, libertando tensões acumuladas. Há também indícios que o Carnaval tem origem em Roma em festas pagãs, rituais de orgia e danças em homenagem ao Deus Pã e Baco. Eram as chamadas Lupercais e Bacanais ou Dionísicas. Com o advento da Era Cristã, a Igreja para conter os excessos decidiu-se pela inclusão do período momesco no calendário religioso, e o Carnaval ficou sendo uma festa que termina em penitência na quarta feira de cinzas. Mas estas acentuavam no período que antecedia a Terça-feira Gorda (o último dia em que os cristãos comiam carne antes do jejum da quaresma), no decurso do qual haveriam que ter també abstinência de sexo e até mesmo das diversões, como circo, teatro ou festas. De acordo com o calendário gregoriano, o Carnaval é uma festa móvel cuja data é indicada pelo domingo de Páscoa, também para que não coincida com a páscoa dos judeus. regra,segundo a qual o domingo de Carnaval cairá sempre no 7º domingo que antecede à Páscoa.
Na Idade Média, predominavam os jogos e disfarces. Em Roma havia corridas de cavalos, desfiles de carros alegóricos e divertimentos inocentes como a briga de confetes pelas ruas. O baile de máscaras foi introduzido pelo papa Paulo II, no século XV, mas ganhou força e tradição no século seguinte, por causa do sucesso da Commedia dell'Arte. As mais famosas máscaras era e ainda são as confeccionadas em Veneza e Florença, muito utilizadas pelas damas da nobreza no século XVIII como símbolo máximo da sedução.
Na Europa um dos principais rituais de Carnaval foi o Entrudo, termo latino que significava a abertura da Quaresma, existente desde 590 d.C., quando o carnaval cristão foi oficializado. O povo comemorava comendo e bebendo para compensar o jejum. Mas, aos poucos, o ritual foi se tornando bruto e grosseiro e atingiu o máximo de violência e falta de respeito em Portugal nos séculos XVII e XVIII, com homens e mulheres a atirarem água suja e ovos das janelas dos velhos sobrados e balcões, enquanto nas ruas havia guerra de laranjas podres e restos de comida e se cometia todo tipo de abusos e atrocidades.
Este seria, pois, o substrato básico da cultura carnavalesca vivida em Moçâmedes no periodo apontado, em que se assistiu a uma contaminação de culturas, entre africanos e europeus que nada nem ninguém jamais poderá derrubar!
Não há culturas puras. Bastaria para tal verificarmos que dentro de cada um de nós existem culturas diversas. O multiculturalismo é muito mais antigo do que pensamos. Ser europeu, por exemplo, já é um produto histórico com muitas misturas!
Ficam mais estas recordações.
1. A colonização efectiva do interior só se inicia no século XIX, após a Independência do Brasil (1822) e o fim do tráfico de escravos (1836-42), mas não da escravatura. O território de Angola era habitado por povos pré-bantos (Khoisan, Cuepes e Cuisses) e os povos bantos ( Bakongo, Ambundo, Lunda-Quioco, Ovimbundo, Nganguela, Nhaneca-Humbe, Ambó, Herero e Xindonga) que num movimento migratório que durou seis séculos vieram alí estabelecer-se, bem como o grupo híbrido aqui referido, os "Quimbares" da região de Moçâmedes (Namibe), resultante da misceginação de indivíduos oriundos de grupos étnicos diferentes que foram atraídos para trabalhar na agricultura e na indústria da pesca. A ter em conta as sociedades crioulas compostas de mestiços que resultaram do cruzamento genético e sincretismo social e cultural entre os povos tradicionais africanos e os Portugueses ao longodo tempo.
2 António Francisco Nogueira, africano de origem, componente da segunda colónia vinda de Pernambuco, em 1850, no seu livro «A Raça Negra», aponta para povos de índole insubmissa que viviam no interior no Deserto do Namibe, que não se deixavam levar para fora de suas terras por outros povos como prisioneiros de guerra: "do mesmo modo, os luso-brasileiros chegados a Moçâmedes não podiam contar com eles, nem como "escravos" nem como trabalhadores livres para as suas fazendas e pescarias". Referia-se aos Ba Cuvale e aos Ba Semba, e quando nos revela «em Mossamedes não há escravos" presume-se que quizesse com isso dizer que os escravos que nessa altura ali trabalhavam para os luso-brasileiros não eram povos da zona, mas sim vindos de fora, fossem os escravos retornados do Brasil, fossem os libertados dos navios negreiros dedicados tráfico e para alí enviados pelo governo provincial na condição de semi-escravos. E ainda: "Assisti ás danças dos Mundombes executadas por diversos grupos: — eram copia fiel umas das outras. Reunem-se sete ou oito mulheres, e formam um circulo, entoando uma cantiga de uma monotonia capaz de fazer morrer de spleen lodos os collaboradores do «Charivari;» acompanham este canto batendo as mãos, e levantando ora um pé, ora o outro. Ao cabo de cinco minutos pouco mais ou menos, e quando começam a electrisar-se, entra uma d'ellas para o centro, e desata a saltar como endemoninhada, fazendo passos e gestos incríveis, que vão crescendo conforme a approvaçao dos assistentes. As mais velhas são as que mais se saracoteiam ; não é difíicil acreditar, que são ellas também as que apresentam contracções de physionomia mais horrendas no delirio a que se entregam." In "Quarenta e cinco dias em Angola", de autor que optou pelo anonimato. 1862.
3 Também designados de mambari, bimbadi, yimbali, ou simplesmente mbali e mbari. O padre Carlos Estermann chamou aos quimbares de "poliglotas", pois para além do quimbundo e do umbundo, sabiam falar português e criaram uma língua própria, o olimbali, para cuja formação contribuiram decisivamente o quimbundu e o umbundu, bem assim como, em menor escala, o português e algumas línguas do sudoeste de Angola. Aliás, na língua dos cuanhamas o termo que os define quimbar, bali, lwimbali ou vimbali, significa, literalmente, "aqueles que andam com os brancos". Aos primitivos quimbares Lopes Cardoso designaria de "Mbalis próprios", enquanto aos do segundo grupo designaria de"Virados".
Alguma bibliografia consultada:
1. "45 Dias em Angola", por autor desconhecido, editado em 1862
2. "Raça Negra", por Francisco Nogueira
Fuga de Moçâmedes no "Silver Sky"
MariaNJardim
Poderá ver também:
Quimbares/Ongaia
Os portugueses partiram. A guerra continuou durante 27 anos, desumanamente alimentada e financiada por potências estrangeiras, cujo fito eram, não o povo angolano, mas as riquezas do novel rico país. Após uma curta e atribulada experiência (que mal chegou a ser...) "socialista", Angola enveredou por um esquema de Estado neo-liberal e neo-capitalista subordinado aos programas das multinacionais.
Os portugueses partiram, a sua cultura ficou. Passaram quase 40 anos, e o Carnaval continua a ser festejado em Angola com a dimensão que merece, como a grande festa do povo. Ao arrepio dos erros das sucessivas governações, desde um passado remoto, e a despeito da vontade de pseudo-nacionalistas que ainda hoje em Angola defendem e alimentam o tribalismo com objectivos dúbios, o povo angolano herdou dos portugueses para além de uma grande país com fronteiras definidas, inúmeros usos e costumes que hoje fazem parte da sua cultura. Angola herdou acima de tudo, uma língua, factor de unificação, mensageira de paz, num país desde há muito ocupado por uma multiplicidades de grupos étnicos-linguisticos.
Hoje apercebo-me que do modo como a governação na Metrópole encaminhou desde o início a "colonização" não seria de esperar nada de bom para os portugueses que incentivaram a emigrar. Se em 1842 as caravelas tinham chegado Angola com intuito de levar àquelas terras longínquas o contacto amigável a outros povos, logo a ambição de meia duzia de aventureiros aliada a uma má administração e aos interesses de alguns portugueses e brasileiros a transformou por vários séculos num deposito execrável de escravos para enriquecimento das Américas. Seria de concluir que um dia esses espinhos viessem à tona, de pouco servindo todo o esforço daqueles que por meios pacíficos ajudaram a erguer Angola, quando, a partir de meados do século XIX, em consequência da queda do absolutismo em Portugal e da penetração de novos ideias, se deu finalmente a abolição do tráfico, e portugueses pobres, remediados, ricos e miseráveis foram incentivados a apostar na viabilidade do povoamento branco e desenvolvimento colónia, transformada numa continuidade do território nacional.
Para terminar, falemos um pouco da História do Carnaval, que começou há mais de 4 mil anos antes de Cristo, no antigo Egipto, com determinados rituais de cariz religioso e agrário na época das colheitas, tais como as festas de culto a Ísis. Desde então as pessoa pintavam os rostos, dançavam, bebiam, divertiam-se, libertando tensões acumuladas. Há também indícios que o Carnaval tem origem em Roma em festas pagãs, rituais de orgia e danças em homenagem ao Deus Pã e Baco. Eram as chamadas Lupercais e Bacanais ou Dionísicas. Com o advento da Era Cristã, a Igreja para conter os excessos decidiu-se pela inclusão do período momesco no calendário religioso, e o Carnaval ficou sendo uma festa que termina em penitência na quarta feira de cinzas. Mas estas acentuavam no período que antecedia a Terça-feira Gorda (o último dia em que os cristãos comiam carne antes do jejum da quaresma), no decurso do qual haveriam que ter també abstinência de sexo e até mesmo das diversões, como circo, teatro ou festas. De acordo com o calendário gregoriano, o Carnaval é uma festa móvel cuja data é indicada pelo domingo de Páscoa, também para que não coincida com a páscoa dos judeus. regra,segundo a qual o domingo de Carnaval cairá sempre no 7º domingo que antecede à Páscoa.
Na Idade Média, predominavam os jogos e disfarces. Em Roma havia corridas de cavalos, desfiles de carros alegóricos e divertimentos inocentes como a briga de confetes pelas ruas. O baile de máscaras foi introduzido pelo papa Paulo II, no século XV, mas ganhou força e tradição no século seguinte, por causa do sucesso da Commedia dell'Arte. As mais famosas máscaras era e ainda são as confeccionadas em Veneza e Florença, muito utilizadas pelas damas da nobreza no século XVIII como símbolo máximo da sedução.
Na Europa um dos principais rituais de Carnaval foi o Entrudo, termo latino que significava a abertura da Quaresma, existente desde 590 d.C., quando o carnaval cristão foi oficializado. O povo comemorava comendo e bebendo para compensar o jejum. Mas, aos poucos, o ritual foi se tornando bruto e grosseiro e atingiu o máximo de violência e falta de respeito em Portugal nos séculos XVII e XVIII, com homens e mulheres a atirarem água suja e ovos das janelas dos velhos sobrados e balcões, enquanto nas ruas havia guerra de laranjas podres e restos de comida e se cometia todo tipo de abusos e atrocidades.
Este seria, pois, o substrato básico da cultura carnavalesca vivida em Moçâmedes no periodo apontado, em que se assistiu a uma contaminação de culturas, entre africanos e europeus que nada nem ninguém jamais poderá derrubar!
Não há culturas puras. Bastaria para tal verificarmos que dentro de cada um de nós existem culturas diversas. O multiculturalismo é muito mais antigo do que pensamos. Ser europeu, por exemplo, já é um produto histórico com muitas misturas!
Ficam mais estas recordações.
MariaNJardim
2 António Francisco Nogueira, africano de origem, componente da segunda colónia vinda de Pernambuco, em 1850, no seu livro «A Raça Negra», aponta para povos de índole insubmissa que viviam no interior no Deserto do Namibe, que não se deixavam levar para fora de suas terras por outros povos como prisioneiros de guerra: "do mesmo modo, os luso-brasileiros chegados a Moçâmedes não podiam contar com eles, nem como "escravos" nem como trabalhadores livres para as suas fazendas e pescarias". Referia-se aos Ba Cuvale e aos Ba Semba, e quando nos revela «em Mossamedes não há escravos" presume-se que quizesse com isso dizer que os escravos que nessa altura ali trabalhavam para os luso-brasileiros não eram povos da zona, mas sim vindos de fora, fossem os escravos retornados do Brasil, fossem os libertados dos navios negreiros dedicados tráfico e para alí enviados pelo governo provincial na condição de semi-escravos. E ainda: "Assisti ás danças dos Mundombes executadas por diversos grupos: — eram copia fiel umas das outras. Reunem-se sete ou oito mulheres, e formam um circulo, entoando uma cantiga de uma monotonia capaz de fazer morrer de spleen lodos os collaboradores do «Charivari;» acompanham este canto batendo as mãos, e levantando ora um pé, ora o outro. Ao cabo de cinco minutos pouco mais ou menos, e quando começam a electrisar-se, entra uma d'ellas para o centro, e desata a saltar como endemoninhada, fazendo passos e gestos incríveis, que vão crescendo conforme a approvaçao dos assistentes. As mais velhas são as que mais se saracoteiam ; não é difíicil acreditar, que são ellas também as que apresentam contracções de physionomia mais horrendas no delirio a que se entregam." In "Quarenta e cinco dias em Angola", de autor que optou pelo anonimato. 1862.
3 Também designados de mambari, bimbadi, yimbali, ou simplesmente mbali e mbari. O padre Carlos Estermann chamou aos quimbares de "poliglotas", pois para além do quimbundo e do umbundo, sabiam falar português e criaram uma língua própria, o olimbali, para cuja formação contribuiram decisivamente o quimbundu e o umbundu, bem assim como, em menor escala, o português e algumas línguas do sudoeste de Angola. Aliás, na língua dos cuanhamas o termo que os define quimbar, bali, lwimbali ou vimbali, significa, literalmente, "aqueles que andam com os brancos". Aos primitivos quimbares Lopes Cardoso designaria de "Mbalis próprios", enquanto aos do segundo grupo designaria de"Virados".
Alguma bibliografia consultada:
1. "45 Dias em Angola", por autor desconhecido, editado em 1862
2. "Raça Negra", por Francisco Nogueira
Fuga de Moçâmedes no "Silver Sky"
MariaNJardim
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Quimbares/Ongaia







































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