01 outubro 2013

O Desporto em Moçâmedes: Futebol e outras modalidades tais como o ténis, desportos nauticos, ciclismo, ginástica, box, esgrima, bilhar, automobilismo...






Este era o primitivo "campo de futebol"  ou "estádio municipal", como queiramos chamar, em terra batida, sem relva (esta ainda não se usava), situado ao fundo da Avenida da Avenida da Republica, tendo por detrás a Casa Santa Filomena onde a reverenda senhora D. Alina ensinava às crianças e adolescentes da terra,  o catecismo. Próximo ficava tembém o Matadouro Municipal


O Desporto em Moçâmedes


UM POUCO DA HISTÓRIA DOS PRIMÓRDIOS DO FUTEBOL EM MOÇÂMEDES

 
O gosto pelo desporto no distrito de Moçâmedes começou a surgir no decurso de competições entre grupos de bairro que se rivalizavam entre si, na modalidade de futebol, sendo de salientar os renhidos confrontos entre os grupos do Bairro da Torre do Tombo e  os do centro da cidade, que ficaram a marcar esses primeiros tempos que antecederam os anos 1920 do século passado. 



O Ginásio Clube da Torre do Tombo 


Não foi pois, por acaso, que os primeiros clubes a avançar, com equipas de futebol no distrito de Moçâmedes, fossem o  Ginásio Clube da Torre do Tombo e o Independente Sport Clube de Porto Alexandre, ambos fortemente apoiados numa população que tinha nas lides do mar o seu sustento, e que fazia desta modalidade um escape nas horas de lazer.

O Ginásio foi fundado em 24 de Junho de 1919, por iniciativa de abnegados moçamedenses, como Óscar Duarte de Almeida, Maurício da Silva Brazão, João Duarte, Manuel Brazão, José de Sousa, Francisco Brito, Álvaro Ferreira, Rogério Viegas Ilha e Evaristo Fernandes. O Ginásio, à semelhança do Futebol Clube Belenenses, clube ao qual mais tarde  veio a filiar-se, dadas as suas afinidades com o mar, tinha como símbolo o dragão flamejante e as cores azul e branca .

O Ginásio Clube da Torre do Tombo foi também a primeira agremiação desportiva do distrito de Moçâmedes a adquirir sede própria, com actividades desportivas e recreativas que incluiam para além do futebol e do remo, bailes de Carnaval, Pinhata, Reveillons e outras festividades que se desenrolavam no seu amplo, na altura bem frequentado por gente de toda a cidade que ali procurava divertir-se nos fins de semana. 

  
Uma das primeiras equipas do Ginásio Clube da Torre do Tombo.
Em cima, da esq. para a dt.: Melquíades, Edmundo Seixal, Joaquim Monteiro, ?, Armando Guedes da Silva, Carlos Guedes da Silva e João Seixal. Embaixo: João Martins Pereira, João Estrela (Pombinha), Andrade, Aníbal Almeida e  

 

Veteranos do Ginásio da Torre do Tombo, nos finais de 1940?, grande parte dos quais haviam passado para o Sport Moçâmedes e Benfica quando  da fundação deste clube, em 10 de Setembro de 1936. Da esq. para a dt: Em cima: Edmundo Viegas Seixal, José Pereira, António Guedes da Silva, Arnaldo Martins Bagarrão, João Viegas Seixal e Henrique de Sousa. Embaixo: Aníbal Nunes de Almeida, Carlos Guedes da Silva, Armando Guedes da silva, João Martins Pereira Jr. e João da Silva Estrela (Pombinha)



Mas se o Ginásio Clube da Torre do Tombo nos seus primórdios conseguira reunir o dinamismo e a coerência necessários à sua projecção e evolução, na década de 30, com a evolução demográfica, viu-se perpassado por uma grande crise provocada pelo desentendimento entre dirigentes e os atletas, que redundou no abandono de grande número dos seus melhores jogadores que constituiu um verdadeiro «rombo» para o clube.


Tudo começou, quando Armando Guedes da Silva e Júlio de Andrade encabeçando um processo de desvinculações, não só abandonaram o Ginásio, como levaram atrás de si para o novo clube, o Sport Lisboa e Benfica, posteriormente denominado Sport Moçâmedes e Benfica, formado em 9 de Setembro de 1936, outros tantos jogadores, ou seja Edmundo Seixal, Aníbal Nunes de Almeida, Arnaldo Nunes de Almeida, João da Silva Estrela, Artur da Silva Estrela, Carlos Guedes da Silva, João Viegas Seixal e João Martins Pereira Jr., facto que representou uma verdadeira catástrofe para o velho clube pioneiro azul e branco. Após esta dissenção que se constituiu numa longa inactividade, para o Ginásio, este clube, inda assim, conseguiu recuperar e ganhar em 1946 o Campeonato Distrital de Futebol, sem uma derrota, caso unico futebol Moçâmedes. Foram Jogadores: João da Silva Estrela, João Viegas Seixal, Antonio Baraço, João Cachopa, Eugénio da Silva Estrela, Artur da Silva Estrela, Antonio Gonçalves de Matos (Sopapo), Abilio Lopes Braz, Eduardo Lopes Braz , Lumelino Trindade e Manuel dos Santos (Caboco). 

De entre as vitórias obtidas pelo Ginásio Clube da Torre do Tombo, no final da década de 1920, conta-se a obtida contra o fortíssimo time do Sporting de Luanda, por 2-1, tendo alinhado com os seguintes jogadores: João da Silva Estrela (o popular Pombinha), António Guedes da Silva, José dos Santos Frota, Júlio de Andrade, Aníbal Nunes de Almeida e outros... 

Entre os futebolistas do Ginásio no decurso das épocas, destacaram-se: Avelino Gonçalves (o mais destacado), Maurício Brazão (estrela),Aníbal Nunes de Almeida, Arnaldo Nunes de Almeida, Armando Guedes da Silva, Júlio de Andrade, António Calão,Mário dos Santos Frota, José dos Santos Frota, Antonio Guedes da Silva, Irmãos Peyroteu, Abílio Lisboa Lopes Braz (estrela), Eduardo Braz, João Viegas Seixal ,Cabral Vieira, António Gonçalves de Matos (Sopapo), João Viegas Ilha, Manuel dos Santos (Cabouco) Arnaldo Bagarrão, Mário Telmo Lisboa Frota (estrela), Rui Bauleth Almeida, Carlos Manuel Guedes Lisboa, Carlos Vieira Calão, Artur da Silva Estrela, Eugénio da Silva Estrela e João da Silva Estrela (Pombinha 1929-1950), este último um brilhante jogador.

Nos últimos anos da colonização portuguesa, o Ginásio que nos anos 50 havia recebido uma lufada de ar fresco com a formação da sua aguerrida e simpática equipe de basquetebol feminino, esmoreceu e praticamente apagou-se.





 O Independente Sport Clube de Porto Alexandre foi campeão por 
                                                          três anos sucessivos (1969, 1970 e 1971)


 

O Independente Sport Clube de Porto Alexandre




O Independente Sport Clube de Porto Alexandre, o segundo mais antigo do Distrito, nascido imediatamente a seguir ao Ginásio, era o único clube desportivo representativo da cidade mais a sul de Angola, Porto Alexandre (actual Tombwa). Simbolizado pelas cores vermelho e negro, e mais tarde após a sua fundação filiado no Olhanense, foi não só o único Clube do distrito de Moçâmedes a ganhar o Campeonato de Futebol de Angola como a vencê-lo por três anos sucessivos :1969, 1970 e 1971, tendo ficado na posse da «monumental taça «Cuca»,  uma vitória estrondosa que ficou a dever-se ao esforço abnegado dos seus jogadores e do seu jogador-treinador, Manuel Gancho e de dirigentes tais como Rui Filipe Barreto de Lara e Manuel Trocado. Dessa equipa tri-campeão de Angola rfizeram parte: Gavino, Ganchi l (treinador e capitão), Gancho ll, Fernando, Cardeal, Quicas, Estrela ll, Estrela l, Osvaldo Bastos, Armandinho, Mário José, Castro, Agostinho e Neto.

Destacam-se ainda outros jogadores que no decurso dos anos deram o seu contributo ao Independente Clube de Porto-Alexandre, como Celestino Carvalho, Tica Peleira, Mário Peleira, Manuel Santos Viegas, Manuel Trocado, Ermelindo Pacheco, Rodrigues, Teofilo, Baraço I, Baraço II, Chiloango, Ernesto Ribeiro, Elisio Alves, Armindo Alves, Hipolito Freitas, Carlos Lopes Alves Oliveira, Evaristo, Agostinho, Viena, Rolando Cunha, Júlio Cruz, João Faustino, Amaral, Parente, José Armando, Carvalho, Eduardinho, Coimbra, Ambrósio (Cicorel), Segismundo de Sousa, Domingos, Armandinho, Mário José, Castro, Capala, Lino, ...

Apesar do Independente ter sido, juntamente com o Ginásio Clube da Torre do Tombo, um dos clubes pioneiros no desporto do Distrito, durante muito tempo viu bloqueadas as suas aspirações de ir mais além, na medida em que não possuia instalações, e o campo que passou a dispôr para os treinos de futebol, a partir de 1953, reduzia-se a um areal nas traseiras da antiga Delegação Marítima. E também, porque as deslocações semanais a Moçâmedes para participar nos campeonatos distritais exigiam um grande espírito de sacrificio aos seus jogadores, dado a morosidade e penosidade dos percursos até à década de 50, tendo que atravessar o deserto em incómodas camionetas que chegavam a demorar 4 ou mais horas para percorrer apenas 100 km. Seria caso de nos interrogarmos: o que seria então o Independente, se este clube pudesse disponibilizar aos seus desportistas as condições existentes hoje nos países avançados?


 No início da década de 1950. Em cima e da esq. para a dt: Rui Torres (dirigente), Mário Leitão, Mário de Andrade Vieira, Mário Rocha, Norberto Gouveia(estrela), João Seixal e... Embaixo: ?? Roberto Martins (Latinhas)??: João Pinto


O Atlético Clube de Moçâmedes

O 3º Clube a surgir no distrito de Moçâmedes, foi o «Aristocrata Clube» em 14 de Junho de 1922, designação algo pomposa e logo em seguida substituida por «Royal Atlético Club», designação não menos pomposa, e esta, por sua vez, por impedimento legal, definitivamente substituida por «Atlético Clube de Moçâmedes», com estatuto aprovado em 14 de Julho de 1922, data oficial da fundação. Recorde-se que nesta altura vivia-se na vigência da 1ª República Portuguesa (1910.26), que em 1910 havia derrubado a monarquia...

A fundação do Atlético ficou a dever-se aos seguintes desportistas: Eduardo Brazão, Anastácio Gomes Coelho, António da Costa Carvalho Jr. Celestino de Freitas, Cristiano Reis, Domingos Parente da Silva,Fernando Quartim Assunçãoo, Gilberto Gato, João de Jesus Falcão, Manuel Honrado, Sérgio Reinaldo Melim e Segismundo Sampaio Nunes. Porém, segundo refere Mério António Gomes Guedes da Silva no seu livro Memórias Desportivas do Distrito de Moçâmedes - Angola, pg. 2, último parágrafo, «...os auto-intitulados aristocratas foram impotentes para debelar as várias crises por que o Clube passou, devendo-se a sobrevivência do Atlético « prolongada dedicação de alguns dos seus sócios, entre os quais se evidenciam os nomes de Arlindo Cunha, António da Rocha Minas e Raúl Radich Junior.»

Para algum dos futebolistas referenciados acima, vestiram também a camisola do Atlético, Raul Radich Jr., Jorge Radich, Norberto dos Santos, Abel Vaz Pereira, Hugo Vaz Pereira, Sérgio Reinaldo Melim, Gilberto Gato, Domingos Parente da Silva, Cristino dos Santos Reis, Álvaro S Peyroteu, Mário S. Peyroteu, Carlos de Abreu , Fernando Seixas Peyroteu (estrela), Espinha, João de Sousa , Mário Rocha, Mário de Andrade (estrela), Mário Leitão (estrela) , Norberto Gouveia(estrela), João Martins (Latinhas), Roberto Martins (Latinhas) (estrela), José Serreeiro. China, Orlando Teixeira, João Pinto, José Dolbeth e Costa, Joaquim João da Silva (Mangueta) Rui Mendonça Torres, Mário Seixal Almeida, Leovegildo Varandas, Jaime Viana, Fernando Andrade Vieira, Francisco Melo etc. De os mais destacados, destaca-se Fernando S Peyroteo um dos mais brilhantes jogadores de Angola que marcou 700 golos ao longo carreira como avançado centro, tendo alinhado 20 vezes na seleccão. Falecido no ano de 1978, Peyroteo, que se iniciou no futebol na equipe do Atlético Clube de Moçâmedes, e com 15 anos de idade foi seleccionado ,continua a ser invocado como um dos «cinco violinos» do Sporting. e o seu nome invocado como um dos maiores do futebol português.   
 

Como ficou atras dito, o Atletico de Mocamedes foi o 3º Clube a surgir no distrito de Moçâmedes, em 1922, e quando mais tarde recebeu uma carta do Atletico de Luanda a convidar este clube a filiar.se a ele, Eduardo Brazao, o seu Presidente respondeu que a ter que filiar/se seria o Atletiso de Luanda ao de Mocamedes, pela maior longevidade.








O Sporting Clube de Moçâmedes

Nesse mesmo ano de 1822, a 1 de Julho surge um 4º Clube no distrito de Moçâmedes: o «Sporting Club Leitão» formado por um grupo de funcionários da casa Rogado Leitão, de cuja Direcçãoo constavam os seguintes nomes: Francisco Lopes Braz (Presidente), Arménio Rocha Mangericão (Secretário), José Carlos de Freitas Jr. (Tesoureiro), Pedro Parente da Silva, Henrique Sena Jr e Jossé Augusto Quadros (Vogais), sendo o Conselho fiscal preenchido por António Parente Albuquerque e António Leitão Oliveira. Este clube passou a denominar-se Sporting Clube de Portugal em 2 de Agosto de 1822, e no ano seguinte em Assembelia Geral de 22 de Maio de 1923, passou definitivamente a denominar-se Sporting Club de Moçâmedes, tendo como o Sporting Clube de Portugal, do qual se tornaria a 9ª filial, adoptado como símbolo a águia e as cores branco e verde às riscas. Seria injusto não deixar aqui expressos os nomes de tantos outros jogadores sportinguistas que ainda que não fazendo parte destas foto, ao longo de tantos anos deram o seu esforço em prol do Sporting, tais como: Júlio S, Peyroteo (estrela), Emelino Abano, Joaquim Guedes da Silva, Telmo Vaz Pereira (estrela), António Pedro Bauleth, Angelo Nunes de Almeida, Eduardo Sampaio, Pedro Paulo, Rogério Pompeu da Silva, Fernando Vilares, Mário Frota Tendinha, Carlos Maria Inácio (estrela), Alfredo Sales Esteves, Hugo Bento Maia, José Pedro Bauleth (estrela), Adriano Nascimento Jr. (estrela), Carlos Lopes Alves de Oliveira, (estrela), José Costa, Pedro Costa, Manuel Maria Inácio, Pinto, Renato de Sousa, Justo Monteiro, Honorato Monteiro, Francisco de Freitas, Eugénio Alípio, Manuel Veli de Sousa (estrela), José Esteves Isidoro (estrela) etc, etc.. O Sporting foi o único Clube que conquistou quatro campeonatos distritais consecutivos, sendo muitos dos seus atletas dessa época convidados para integrar a selecção. De entre os jogadores do Sporting que mais realce tiveram contam-se: Júlio Seixas Peyroteu, Telmo Vaz Pereira, Carlos Lopes Alves de Oliveira, Manuel Veli de Sousa. Entre os nomes que figuraram nas suas direcções, destacamos: José Carlos de Freitass, Comandante Fragoso de Matos, Arnaldo Sanches Osório e por último, João Thomaz Sena da Fonseca.



 

Foi esta equipa praticamente em peso que abandonando o Ginásio Clube da Torre do Tombo, fundou o Benfica de Moçâmedes. Em cima, da esq. para a dt.: Melquíades, Edmundo Seixal, Joaquim Monteiro, ?, Armando Guedes da Silva, Carlos Guedes da Silva e João Seixal. Embaixo: João Martins Pereira, João Estrela (Pombinha), Andrade, Aníbal Almeida e 


O Sport Moçâmedes e Benfica

Finalmente a 10 de Setembro de 1936, a partir do desentendimento acima referido entre alguns jogadores do Ginásio Clube da Torre do Tombo e a sua Direcção, surge o último clube a ser criado no distrito de Moçâmedes : o Sport Lisboa e Moçâmedes, nome em seguida alterado para Sport Moçâmedes e Benfica, tendo por sómbolo águia altaneira e as cores vermelho e branco. Da sua Comissão organizadora fizeram parte nomes como: Caetano José de Almeida, (popularmente conhecido como Cabo Almeida, pertencente ao então corpo da Guarda Fiscal), Júlio Andrade, Armando Guedes da Silva, João Guedes da Silva e João de Almeida. Da 1ªa Direcção do Sport Lisboa e Benfica (1937/1938) fizeram parte: Armando de Freitas Campos, Luciano da Cruz Coquenão, Francisco Antunes da Cunha, Manuel Ferreira Barbosa, António Guedes da Silva, Óscar Duarte de Almeida, Hemitério Alves de Oliveira e Alberto Ferreira da Silva.
Com a formação do Sport Moçâmedes e Benfica, outros tantos jogadores do Ginásio passaram-se para esta equipe deixando o Clube azul e branco completamente desfalcado, enquanto o Benfica ia alcançado retumbantes vitórias, tendo ganho inclusive a Taça Inauguração.

Resta salientar aqui nomes de outros tantos jogadores que nas diferentes épocas contribuiram para engrandecer o futebol do Sport Moçâmedes e Benfica: Vitor Fernandes, Mário França, João Rodrigues Trindade Jr., José Braga, Américo Viveiros, Joaquim dos Santos João de Almeida, Alcino Quintino, Adelino Correia, José Ferreira Rangel, Ernesto Ribeiro, Renato Silva, Manuel de Oliveira Leitão, Cachiço. João Teixeira da Silva , Manuel Sales Esteves, Digialme Bernardinelli, José Costa Santos, Camilo Costa, Jaime Ferreirim, Carlos Alberto Trindade Abreu (Nito), Mário Eugénio Freitas de Sousa (Zezo), Vitorino Simão, David Proença, Clélio Cunha, João António Guedes da Silva, Mário António G. Guedes da Silva, Orlando Ferreira Gomes, Ernesto da Luz Gonçalves, Sérgio Nunes da Silva (estrela), João Teixeira da Silva (estrela), Luis Ferreira Rangel (estrela), Narciso Cruz (estrela), Carlos Robero Freitas de Sousa (Beto) (estrela), Jorge Madeira, José Andrade, José Paiva, Casimiro Figueiredo Jorge, Emilio Teixeira, Jorge da Silva Loures, etc

Nota: Texto elaborado a partir da leitura do livro «Memórias Desportivas do Distrito de Moçâmedes - Angola», de Mário António Gomes Guedes da Silva.




OUTRAS MODALIDADES DESPORTIVAS EM MOÇÂMEDES

1. Ténis (Lown-Ténis):




Fotos:
1ª foto: Rogério Trindade, campeão de Angola em 1937

2ª foto: Torneio de ténis no complexo desportivo do Benfica integrado nas Festas do Mar e, Março de 1970. Rogério Ferreira Trindade, campeão o Torneio recebendo a respectiva taça das mãos do Encarregado do Governo do Distrito de Moçâmedes, acompanhado do Presidente da Câmara Municipal de Moçâmedes.

3ª foto: Jorge Ressurreição Rocha, ex-tenista moçamedense e ex-campeão de Angola, homenageado em Março de 1970, estando presentes o Encarregado do Governo do Distrito de Moçâmedes, acompanhado do Presidente da Câmara Municipal da cidade.


Levava-se a sério em Moçâmedes a prática desta modalidade, principalmente até à década de quarenta (século XX), pressupostamente por a cidade estar dotada de alguns «courts de ténis» apropriados, e , crê-se, por não existirem outras alternativas desportivas senão o futebol. Ali foram formados vários campeões, reconhecidos não só em Angola mas também internacionalmente, para gaudio dos seus apaixonados adeptos. A dedicação e a determinação dos respectivos atletas levava-os à concretização dos sonhos de uma jovem cidada com justificadas ambições em todos os campos.
Fascinados pela elegância deste desporto e pela inclusão da modalidade nos jogos olímpicos, desde 1896, com acompanhamento entusiástico, alguns jovens da geração de ouro (décadas de trinta e quarenta) preparavam-se intensamente, até ao desejável conquista do pódio. Por ser uma modalidade considerada selecta, o número de atletas praticantes foi sempre reduzido, comparado com os desportos colectivos. Eram frequentes os torneios de «singulares» e de «duplos», de ambos os sexos, e não eram poucos os torcedores que extravasavam as suas emoções.

 

 


Após a criação da Federação Internacional de Ténis - FIT, em 1928, e a consequente profissionalização, em Moçâmedes continuou existindo o amadorismo puro, não obstante o somatório de sucessos dos seus tenistas.

No ano de 1939 o campeonato de Angola integrou alguns tenistas procedentes de Portugal, Domingos D'Avillez, António Calém, Nicolau de Almeida e Eduardo Ricciardi, figuras de relevo no ténis português. Neste ano os representantes do Continente evidenciaram inegável superioridade, tendo sido finalistas Avillez e Ricciardi, que este ganhou com mérito.

Destacamos alguns destes mitos e pioneiros, todos naturais de Moçâmedes-Angola, de geração de ouro, imortalizados pelas suas retumbantes e memoráveis vitórias:



ARTUR TRINDADE venceu os dois primeiros campeonatos de Angola, nos anos de 1934 e 1935 em singulares. Também vitorioso noutros torneios importantes e lider desta modalidade em várias épocas. Na variante de «pares» ganhou algumas competições destacadas, fazendo parceria com o irmão Rogério Trindade.

MARY MOTA, igualmente a primeira campeã de Angola e vencedora de muitos torneios em algumas épocas.

JORGE RADICH, um dos principais valores de ténis angolano - 4 vezes campeão de Angola em pares mistos, 7 vezes vencedor da «Taça Bulock». Vencedor de 29 troféus e considerado o tenista angolano com o maior número de campeonatos ganhos.

ROGÉRIO FERREIRA TRINDADE, nasceu em Moçâmedes no ano 1919 e começou a praticar ténis com 15 anos de idade, tendo recebido ensinamentos básicos, de técnica e táctica, da parte do seu irmão Artur, então praticante de excelente nível. Campeão de Angola uma vez, em 1937, além de detentor de títulos em competições relevantes realizadas naquele território, inclusivé na variante de «pares», de parceria com o seu irmão Artur Ferreira Trindade.

JORGE DA RESSURREIÇÃO ROCHA, campeão de Angola no ano de 1946 e também de outros torneios importantes. Sobre este atleta, correcto e de enorme valia, o comentarista, Carlos da Cruz Almeida, ao serviço da Radio Difusora do Lobito - CR 6 AA-, disse em 1947: «Desportista-Tipo é o homem de porte correcto e hábil na prática desportiva, espécie rara em Angola». Aqueles que o conheceram como desportista polivalente, na prática de futebol (No Lobito Sport Clube e no Sport Lisboa e Luanda), ténis, atletismo, natação e outras, sabem bem o quanto é merecedor dos elogios patenteados, pois este desportista sempre conservou imaculado o ideal em prol do desporto do Desporto, na perfeita acepção da palavra.

Outros tenistas, como RAUL RADICH JÚNIOR, EDUARDO FERREIRA TRINDADE, MAURÍCIO DE ANDRADE, MÁRIO DA RESSURREIÇÃO ROCHA, entre outros, também honraram o ténis moçamedense, com a grandeza das suas brilhantes actuações e vitórias.

A homenagem a todos estes desportistas moçamedenses dedicados ao «ténis», não é um mero agradecimento pelos sucessos desportivos consagrados Terra onde nasceram, mas sim a perpetuação dos seus nomes como gloriosos filhos que a honraram,
é um dever fazê-la!

Esquecendo sério Renegá-los!


O TÉNIS DE MESA

O invento deve-se ao inglês James Gigg no ano de 1898. Foi no ano de 1900, entretanto, que em Inglaterra, com intuito comercial uma empresa implantou um «brinquedo» que proporcionou às crianças divertimento e encantamento, constituido por uma mesa, uma rede ao meio, uma pequena bola ôca de celuloide e duas raquetas. Este brinquedo, a que foi dado a designação de «ping-pong» pelo som repetido produzido pela bola ao bater sobre a mesa, caiu em graça junto dos respectivos utentes e daí a imediata proliferação deste desporto, que passou a denominar-se «ténis de mesa» pela semelhança com o «lown-ténnis».

Rapidamente começou a ser praticado dos Estados Unidos da América, já em 1901, tornando-se extensivo a outros países dos Continentes Europeu e Asiático.

A Federação Portuguesa de Ténis de Mesa, foi fundada há sessenta anos, em 1944, quando a Federação Internacional já existia em 1926.

Até meados do século XX foi a Hungria a maior potência internacional desta modalidade e a partir daí dominaram os países asiáticos, especialmente a China que conquistou treze das dezasseis medalhas de ouro disputadas. Foi em Seul (Coreia) que se realizou o primeiro certame olímpico, em 1988.

Em Moçâmedes (Angola),foram organizados torneios de tenis de mesa a partir da decada de quarenta, em consequência da influência de Abílio Gomes da Silva, filho da terra, que tinha no seu palmarés o título máximo português de campeão nacional. Era brilhante, esquerdino, invencrível! Conseguiu formar um elenco extraordinário, representando o Sporting Clube de Moçâmedes, constituido pelo próprio, por Carlos Lopes Alves de Oliveira e Renato de Sousa; Roberto Martins do Atlético; Sousa Marques e Humberto Pinho Gomes, do Benfica, todos praticantes de bom nível.

Sendo uma modalidade restrita, seduziu apenas uma dezena de seguidores em Moçâmedes e, portanto, como seria de esperar não arrebatou o público, este mais afecto ao desporto colectivo. É que o ténis de mesa sempre foi tido como parente distante do lawn-ténnis...

ABÍLIO GOMES DA SILVA foi o marco inesquecível do ténis de mesa no distrito de Moçâmedes, respeitado por antagonistas angolanos e nacionais.

OS DESPORTOS NÁUTICOS




A "Guiga" do Ginásio Clube da Torre do Tombo  a ser recolhida na Praia das Miragens pelos remadores: Edmundo Ramos de pé, com remo), Mário António Guedes da Silva, João Carlos Guedes Duarte, António Martins Nunes (Cowboy), e Eugénio da Silva Estrela.
A "Guiga" do Ginásio e seus remadores, na Praia das Miragens no início dos anos 1950,  rodeada de remadores  amantes desta modalidade e curiosos. Entre eles, da esq. para a dt.: António Martins Nunes (Cowboy), Eduardo Lopes Braz, José Ferreira, João Viegas Ilha, Velhinho, Mário Lisboa Frota (Mariuca), Virgilio Gonçalves de Matos e António Gonçalves de Matos (Sopapo). De pé, à esq. Olimpia Aquino, Marizete Veiga e em 1. plano, Raquel Martins Nunes. Junto da ponte, sobressai por detrás dos ocupantes da guiga e junto ao guindaste da ponte, a vela de um "sharpie".Ao fundo a Fortaleza de S. Fernando e a ponte de embarque e desembarque com seu guidaste

Um "sharpie" da Mocidade Portuguesa, na baía de Moçâmedes, em 1946. Velejadores: Mário António Guedes da Silva e Mário Telmo Lisboa Frota (Mariuca).



O REMO E  A VELA
 



Falando um pouco deste desporto, pela pena de Mário António Guedes da Silva:


A navegação, tanto da parte dos primeiros colonos que do Brasil atravessaram o Atlântico corajosamente, na barca "Tentativa Feliz" e no brigue "Douro", em meados do século XIX, em 1849, como dos emigrantes algarvios que em barcos frágeis percorreram o caminho marítimo para Angola, para se fixaram no Oásis de Moçâmedes e aí angariarem o sustento de suas famílias, na segunda metade do século, marcou profundamente todos os que fizeram desta terra o seu habitat.

A pesca foi desenvolvida incomensuravelmente e os barcos de pesca, com as suas velas desfraldadas ao vento na baía circular da Angra do Negro, transmitiram seguros ensinamentos a uma população crescente, na sua maioria dedicada às  lides piscatórias.

Portanto, a prática do desporto, na vertente VELA foi de fácil assimilação , obviamente, trazendo para o Distrito alguns títulos, tanto da classe de "sharpie 9m." , numa primeira fase (década de quarenta), como da classe "Snipes", numa segunda fase (décadas de 50 e 60...).

Os respectivos velejadores desportivos pertenciam ao Centro Náutico da Mocidade Portuguesa, instituição nacional, patriótica, cujo regulamento foi aprovado em 4 de Novembro de 1936 por decreto N. 27301. Eram estudantes vinculados à  Escola Prática de Pesca e Comércio do Distrito de Moçâmedes, estrelas de uma constelação imorredoura, tendo por instrutor, o líder dedicado, Emidio Cecílio Moreira.

As regatas eram normalmente realizadas na baía de Moçâmedes, com ventos moderados, nomeadamente aquando dos festejos tradicionais comemorativos da fundação da cidade, assistidas por numerosa população apaixonada, que se perfilava ao longo da Praia das Miragens.

Nas primeiras regatas, antes da utilização de sharpies e de snipes, defrontavam-se baleeiras de pesca não são de Moçâmedes como de Porto Alexandre. Alguns timoneiros destas evidenciaram saber e experiência, destacadamente Aníbal Nunes de Almeida, Virgilio Nunes de Almeida, João Lisboa, mas foi Virgilio o que mais títulos conquistou, na baleeira Laura.

No concernente ao sharpies, destacaram-se velejadores como Rogério Gomes Ilha, António Artur Ferreira (Penha), Mário José Sequeira de Melo, Cassiodoro Sequeira de Melo, Adélio, Mário António Gomes Guedes da Silva, Armando Guedes Duarte, Armando Ferreira Gomes e outros. São referidos, a seguir, os velejadores de snips primeiramente de madeira e depois de fibra,: Fausto Ferreira Gomes, Leonel Matos Mendes, Fernando Matias, Heider Guedes Duarte, Mário Alexandrino Guedes Duarte e outros.

Mas o título mais honroso para Moçâmedes foi o alcançado no ano de 1956, em Luanda, em snipes, por Fausto Ferreira Gomes, um assíduo vencedor, coadjuvado por Leonel Matos Mendes, numa regata em que participaram excelentes velejadores dos principais Centros de Vela angolanos - Luanda. Lobito, Benguela e Moçâmedes.

Na prática deste desporto foram sempre mantidas as vincadas dedadas do passado, apesar das mutações qualitativas dos equipamentos. impostas em nome do progresso. A virtude sempre imperou!

Relativamente à modalidade REMO, o entusiasmo decrescia, já que existia somente três barcos, um do Independente de Porto Alexandre, mais leve, quase sempre vencedor, uma "guiga" do Ginásio Clube da Torre do Tombo e um "Yolle" do Centro Nautico da Mocidade Portuguesa.

Embora musculosos os respectivos remadores, a insuficiência de treinamentos adequado impediu o pleno sucesso das equipas respectivas, contudo, a rivalidade entre eles foi sempre notória, sob manifestações populares de simpatia.

Não havia condições, obviamente, de participar em grandes competições intra-muros, que eram então lideradas por tripulações do Lobito e de Luanda.






A NATAÇÃO

 
Na foto, tirada em 1946, alguns dos nadadores moçamedenses. Em cima e da esq. para a dt.: António Martins Nunes (Cowboy) e Mário Lisboa Frota (Mariuca). Embaixo: Mário António Guedes, António Artur Ferreira (Penha) e António da Silva Braga (Braguinha). Como treinador, Joaquim Pereira Bajouca.

Escreveu um dia, jornalista credível e isento, que Moçâmedes é senhora da melhor praia de Banhos de Angola, absolutamente isenta dos indesejáveis tubarões, praia bastante movimentada durante a época balnear, que se prolonda de Novembro a Abril temporada mais fértil em animadas diversões do que muitas praias de Portugal. Moçâmedes e Porto Alexandre têm mar calmo e condições de tanta segurança que têm servido para amaragem de hidroavião. (...)

Assegurava, portanto, as condições ideias para aprendizagem de natação, na vasta extensão de praias de areia prateada (...) Por isso não era surpresa para os visitantes turistas que crianças de sete anos de idade já soubessem nadar, mergulhando das várias pontes (...) e até da parte superior do guindaste existente no cais da alfândega usualmente utilizada do embarque e desembarque de cargas.

Ali se "fabricavam" promissores nadadores!


Mas os ténues recursos financeiros dos clubes da terra, aliados à realidade de então, da inferior rentabilidade resultante da utilização de eventual piscina, custa construção implicaria um custo elevado, compatível portanto, não incentivaram nunca, a realização desse desiderato. Além disso, a "Praia das Miragens" pela amplitude da sua natural plateia, melhor acolheria o público representado por milhares de espectadores, entusiásticos e emotivos. As prioridades recairam noutros investimentos, da parte da autarquia e das direcções dos Clubes...

E assim foi protelada, ano após ano, a construçãoo de uma piscina olímpica onde se pudesse praticar provas, visando melhorar os índices já conseguidos.

Independentemente disso, os Clubes locais não possuiam nas suas sessões de natação um técnico-preparador à altura, que pudesse ministrar ensinamentos apropriados, visando tirar o máximo de proveito desta modalidade, configurado no aumento da capacidade respiratória, na flexibilidade da coluna e no fortalecimento do sistema nervoso. Cada um nadava a seu belo prazer, sem disciplina nem método, apenas preocupado em atingir os percursos no menor tempo possível.

Em casa de ferreiro, espeto de pau!
 

O mar estava à porta de casa desses nadadores incansáveis e era indiscutível a sua habilidade e apetência.
Isso bastaria, presumia. Todavia, eram atingidas boas marcas, considerando que as provas eram realizadas em "mar aberto" sem a protecção e os cuidados adequados que uma piscina e um bom técnico poderiam proporcionar.

A NATAÇÃO como desporto olímpico, está em evidência desde o ano 1896, tendo evoluido bastante no número de modalidades e estilos. Até 1908, ano em que foram construidas as primeiras piscinas, as provas vinham sendo realizadas em mar aberto, ou mesmo em rios como aconteceu no "Sena", em 1900. Moçâmedes ainda enfermava desse mal, de não ter dado as mãos  à evolução desde 1908!

Em diversas gerações destacaram-se alguns nadadores, atletas de eleição, que a seguir são lembrados:

a) Classe feminina (100 metros livres)
Ruth Gomes, Semi Amaro, Hélia Paulo e outas.

b) Classe masculina:
- De fundo : Da praia do Cano à Praia das Miragens - 1000 metros-
António Braga, Manuel dos Santos (Cabouco), ambos do Ginásio Clube da Torre do Tombo
Renato Nunes da Silva e Sérgio Nunes da Silva, ambos do Sport Moçâmedes e Benfica
José Dolbeth e Costa (Chuva), do Atlético.
-De curtas distancias -100 metros-
António Martins Nunes (Cowboy), do Ginásio
Porfírio Ferreira, do Sporting
Rogério Gomes Ilha, do Sporting
Mário Andrade Vieira, do Atlético
Norberto do Vale Gouveia, do Atlético
Vicente Ferreira, do Benfica
Artur Paulo de Carvalho, do Sporting
Ermelindo da Costa Pacheco, do Independente
Angelino França, do Benfica
-Saltos acrobáticos:
Porfírio Parreira, do Sporting
Túlio Parreira, do Sporting
Romualdo Parreira, do Sporting

José Luis Pinto, do Sporting

 




1ª imagem: José Luís Ferreira Pinto, Albertino Marreiros e Gomes Luís, ciclistas do Sport Moçâmedes e Benfica, que se deslocaram a Portugal em representação da cidade de Moçâmedes, para participar em provas de ciclismo. (Foto: 2.10.1953). 2º foto: Corridas Em 14.09.1952. José Luís Pinto e Francisco do Carmo ainda lideravam a corrida nesta altura. 3ª foto: Corridas Em 14.09.1952. Emocionante chegada à meta, com o triunfo de Albertino Marreiros num sprint aplaudido pelos espectadores.


 
O CICLISMO :

No início da década de cinquenta, o Benfica de Moçâmedes foi o natural precursor na formação de uma equipa de ciclismo. para o que contou com a orientação assegurada por dois experientes algarvios de Tavira - José Diogo Cavaco e António Cavaco - além do entusiasmo, trepidante embora, de alguns adeptos da modalidade.
Após um periodo razoável de preparação, realizou-se o «Primeiro Circuito de Moçâmedes», que galvanizou a cidade, saindo vitorioso o ciclista Albertino Marreiros, seguindo-se-lhe o promissor e polivalente desportista José Luis Pinto e Francisco do Carmo, inscritos no Sport Moçâmedes e Benfica, clube organizador.

Deu-se continuidade das competições internas de ciclismo, o suficiente para o amadurecimento daqueles atletas e de outros, com vista a posteriores eventos de mais destacada craveira. A oportunidade chegou célere, com a realização de uma corrida inter-cidades com partida de Sá da Bandeira e meta final em plena cidade de Luanda, num percurso superior a mil quilómetros. A poucas etapas do termo da corrida, a equipa moçâmedense já conquistara a vantagem de duas horas sobre os seus mais directos adversários. quando surpreendentemente foi noticiado o abandono desses atletas, sob decepção geral.

Ardeu Tróia! Até então quase toda a população acompanhava a evolução dos ciclistas da Terra, aplaudindo-os, já que era impensável o malogro. Mas o ciclismo moçamedense não foi denegrido, não obstante o sucedido. Teve continuidade durante alguns anos mais, mas a cicatrização da ferida demorou até que supervisores e corredores se cansaram, em consequência da quebra de apoios. E faltou força motivadora, diga-se em abono da verdade. A marca do ciclismo de Moçamedes ficou personalizada naqueles dois primeiros excelentes atletas: MARREIROS E PINTO.





 

A GINÁSTICA

A Ginástica que advém da expressão grega «Gumnos» e significa «nu», é comprovadamente essencial para a obtenção progressiva de resistância à fadiga, para aperfeiçoamento dos movimentos naturais e para o fortalecimento da musculatura, tendo em vista o apoio à prática de qualquer modalidade desportiva, quer por atletas do sexo masculino quer do sexo feminino.

Moçâmedes beneficiou, quase sempre, de bons professores de cultura física, a que corresponderam os seus desportistas voluntariosos.


No campo da «Educação Física» há que enaltecer a grande figura do Professor ÂNGELO MENDONÇA, diplomado pelo Ginásio Clube Português, por ter contribuido, indelevelmente ,para a valorização desportiva moçamedense. Partiu deste Homem a criação da primeira Escola de Cultura Física na cidade, vinculada ao Atlético Clube de Moçâmedes, na década de trinta, ministrando ensinamentos de grande valia às classes sob a sua supervisão. Foi mentor, igualmente, de várias modalidades, a que se dedicou entusiásticamente no decurso de muitos anos. Com a sua partida de Moçâmedes, os desportistas do Atlético não o esqueceram.

Durante algum tempo a lacuna deixada não foi preenchida, até que no ano de 1939, foi criada uma nova escola de «ginástica artistica», de excelente nóvel por AUGUSTO QUENTAL DE MENESES, também formado no Ginásio Clube Português, em Lisboa, e cuja fixação em Moçâamedes se deveu à influência de seu pai, que então exercia o cargo importante de Intendente do Distrito de Moçâmedes.

Este era o arauto do perfeccionismo, especialmente no exercício do trapézio, e, outrossim, noutras modalidades afins, como barra fixa, argolas, cavalo com alças, barras paralelas simétricas, assimétricas e trave de equilíbrio. A classe que orientava, cuadjuvado pelos irmãos Henrique, Rui e Armando, também experientes ginastas, abrangia homens e mulheres, em número elevado crescente, tendo atingido valor exponencial alto. Organizou saraus inesquecíveis, que mereceram rasgados elogios dos críticos e aplausos inesgotáveis da própria população, muito interessada no melhor desenvolvimento da sua prole. Este professor ,«gentleman» mas impecável, - Augusto Quental de Meneses de seu nome - chegou mesmo a formar uma equipa de basquetebol masculino para defrontar a do Sport Moçâmedes e Benfica, na altura treinada por Cecilio Moreira, de quem se desertar. a seguir.

Ainda Jovem, EMIDIO CECILIO MOREIRA, então vinculado à Marinha Portuguesa, com destino à Capitania do Porto de Moçâmedes, campeão nacional de box, de peso médio, «aportou» em Moçâmedes no limiar da década de quarenta, ainda com acentuadas rosetas na face, indício indesmentível da sua proveniência, a Metrópole, como se dizia.

Em obediencia às exigências do «Desporto» no seio da «Mocidade Portuguesa» foi indigitado para monitor da instituição local, mormente na orientação das das diversas classes de ginástica de apoio s escolas oficiais da ainda jovem e progressiva cidade.

O sucesso alcançado motivou a expansão da sua actividade, agora junto do Sport Moçâmedes e Benfica, como professor de ginástica das classes jovens - feminina e masculina- , por diligências do que foi Presidente consagrado do Clube, Luciano da Cruz Coquenão. Daí resultou a criação das equipas de basquetebol, inseridas nas classes já referidas, afectas à ginástica.

Dinâmico que era, Cecílio Moreira, conseguiu encetar novas secções dentro do clube, aproveitando a evolução do estado físico dos ginastas a seu cargo e adequando-os a cada modalidade. A imaginação daquele jovem instrutor foi persistentemente focalizada pela massa associativa do lube, que o respeitava pela sua personalidade, dedicação e proficiência, reflectidas nos resultados dos embates com equipas antagonistad de então.

No limiar da década de cinquenta, o Sport Moçâmedes e Benfica tomou a feliz iniciativa de implementar uma classe feminina de «ginástica no solo», com a proficiente direcção da professora «MADAME SIBLEYRAS», de origem francesa, com inscrição inicial de vinte atletas, mas com crescimento contínuo à medida em que os êxitos eram alcançados.

Madame Sibleyras chegou a acrir outra sala, de «ginástica ritmica», de sua própria iniciativa, em face das preferências de muitas jovens moçamedenses, tendo chegado a exibir-se, repetidamente, no palco do Cine Teatro de Moçâmedes. Este facto deu lugar a destacadas referências, numa conferência do médico, Dr. Rui Ferreira Coelho, e, 1955, na sede do Independente Sport Clube de Porto Alexandre, consagrada à «medicina desportiva». Insuperável dedicação desta competente professora, que a imortalizou!

Em Porto Alexandre, ento uma vila piscatoria, a preparação dos rapazes e raparigas intensificou-se a partir do ano de 1955, com aulas regulares de boa ginástica, aos olhos de Rui Ferreira Coelho, médico conceituado, ministradas pelo professor VIRIATO MARQUES. Foi notória a elevação da qualidade do desporto alexandrense, em consequência da seriedade com que se cumpria o programa de ginástica no solo, com obervação e apoio dos dirigentes daquela prestigiosa colectividade.

A pluralidade de opções da juventude do Distrito - ginástica no solo, ginástica artística e ginástica ritmica - muito favoreceu o desenvolvimento do desporto na região.

Afinal, a ginástica é indubitavelmente o artífice da graciosidade dos movimentos no concernente ao sexo feminino, como generoso gerador do desenvolvimento do corpo masculino.

Por último, após ter-se tratado o cenário que a Moçâmedes diz respeito, é oportuno dizer algo sobre a «GINÁSTICA» no âmbito dos jogos olímpicos, a título meramente informativo, para se aquilatar da sua real importância:

- A ginástica é o motor das cerimónias de abertura dos Jogos Olímpicos, sem carácter competitivo, reconhecida como fundamental pela criatividade, plasticidade e expressão corporal aliada à sincronização de extenso número de participantes, enfim, pelo virtuosismo que encena.

- A "ginástica artística" tornou-se desporto olímpico em 1896, há 108 anos, são para a classe homens, com a hegemonia das escolas alemães. porém, foi no ano de 1928 extensível às mulheres. Apenas a partir de 1952 é que as atletas do sexo feminino puderam exibir-se em todas as modalidades, já que anteriormente apenas tinham acesso aos exercícios combinados individuais, o salto sobre o cavalo, e exercícios no solo.

-Em 1952, a Russia evidenciou o seu poderio na modalidade, através do seu ginasta Viktor Chukarin, especielmente, que venceu quatro medalhas de ouro. No tocante à participação feminina, foi a russa Larissa Latynina, que obteve recorde absoluto de medalhas ( nove de ouro, cinco de prata e quatro de bronze).

-A "ginástica ritmica" desportiva, com bola, corda, arco e fitas, teve início em 1922, apenas para atletas do sexo feminino.

-Há dezasseis anos que Portugal não conseguia acesso aos jogos olímpicos, na "ginástica artística", regressando no ano 2004 através do ginasta Filipe Bezugo, nascido na Ilha da Madeira.

O somatório de êxitos de "DESPORTO" é devido à ginástica, sobretudo. Há que render-se homenagem a "GUMNOS"!




O BOX E  A ESGRIMA

Ao contrário do que sucedeu com a esgrima, a longevidade do box em Moçâmedes foi mais consistente.~~Nas décadas de vinte e trinta, já o box era praticado na bela cidade de Moçâmedes, ainda que empiricamente, pondo em pulvorosa os muitos adeptos fervorosos.

Esta modalidade esteve integrada nas sessões desportivas do Ginásio Clube da Torre do Tombo. Os boxeadores que mais entusiasmaram o público foram OCHOA e FAQUINHAS, na modalidade de pesos super pesados, correspondente a mais de 91 quilos. Era técnica com força...

As respectivas sessões eram realizadas no palco do vetusto mas lindo Teatro Garrett, que na altura já albergava mais de quinhentos espectadores, entre plateia, camarotes e frisas.

Ochoa, experiente lutador, e Faquinhas, homem corpulento e impetuoso, eram adversários temíveis. Este último demonstrava a sua brutalidade colocando um barril com vinho (100 litros) sobre o balcão da tasca que habitualmente frequentava. O primeiro prélio estava anunciado, e poucos eram os que acreditavam numa derrota de Faquinhas. Era visível o receio de Ochoa, mas confiante e concentrado entrou no ringue, sob as cordas. O gongo tocou! Punhos fechados, olhos nos olhos, os primeiros toques eram de ensaio. O truculento Faquinhas quase derrubara o adversário na primeira tentativa a sério. Ochoa protegeu-se, fitando-o. o que se repetiu nas seguintes investidas de Faquinhas. O público aplaudia freneticamente. a casa estava lotada. Terminara o primeiro assalto, o segundo, e no terceiro Faquinhas já evidenciava sinais de cansado. Foi quando Ochoa desferiu o golpe de misericórdia. Faquinhas tombou! KO impressionante. Foi um delírio!

A desforra foi aceite por Ochoa e no novo combate realizado algum tempo depois, antes que se repetisse a sua consideração de vítima. Faquinhas derrubou o antagonista de forma visivelmente irregular. Imperou a truculência! Terminou tacitamente a luta!

Entretanto, na década de quarenta, de novo pela iniciativa do Sport Moçâmedes e Benfica, foi criada uma sessão de box supervisionada por Emídio Cecílio Moreira, ex-campeão nacional de peso médio. Muitos Foram os que se apresentaram aos primeiros treinamentos, mas, apenas uma filtragem consciente foram seleccionados os que melhores considerações revelavam, técnicas e físicas. Dos que realizaram combates, são destacados os seguintes:

-Pesos leves (60 quilos)
Carlos Cachiço
Wilson Pessoa
-Pesos médios (75 quilos)
Ninica
Fernando Oliveira
Jaime Nunes de Carvalho
Tiago Costa

Foram levadas a efeito exibições memoráveis no recinto do clube, com razooável frequência, entre os executantes asima e outros eventuais desafiados, de outras procedências. Tiago Costa e Fernando Oliveira atingiram níveis técnicos relevantes, deslocando-se até, a outras regiões angolanas para disputa de títulos, também inesquecíveis.

Emidio Cecilio Moreira e José Pedro de Oliveira Júnior (Maboque) arbitraram alguns dos combates realizados.
 

Entretanto, com a ausência do treinador Emidio Cecilio Moreira verificou-se crescente desânimo, até que se deu a extinção total, já na década de cinquenta.

Moçâmedes tinha vocação para o desporto, mas o Box, tal como a Esgrima não sairam vitoriosos quando foi necessário esgrimir com outras modalidades desportivas colectivas. Foi irresistível!

O box foi introduzido nas Olimpíadas no ano de 1904. Em 1912, quando a Suécia foi anfitreão dos Jogos Olímpicos, proibiu a integração da modalidade, além de ter tentado essa restrição, em vão, realativamente aos futuros eventos.

O BILHAR


Os clubes desportivos proporcionaram aos seus sócios e atletas a prática de jogos de bilhar, mas sem o carácter de competição inter-clubes.

No entanto, muitos foram os bilharistas que revelaram condições excepcionais ao "bilhar russo", entre os quais se destacavam; José de Mendonça Teles, Humberto Teles, Carlos Roberto Freitas de Sousa, Abílio Lisboa Lopes Braz, António Patrício Correia e outros.

Aos efeitos de suas tacadas, as bolas obedeciam como por magia!

Apenas por mera curiosidade, acrescenta-se qie em meados do século XIX já se praticava este desporto. Originalmente as bolas eram de marfim, muito caro, considerava-se na época. Por isso, em 1869 o norte-americano Junh Wesley Hiatt, de Nova Iork, substituiu-as por outras de material económico, de sua produção, a celuloide. Contudo tal plástico possuia nitrocelulose (algodão, pólvora explosiva), que originava explosão quando batidas entre si com violência. Voltou-se ao uso do mármore, finalmente substituido por plástico do tipo não explosivo


 Rali do Caraculo


Rui Duarte de Mendonça Torres

  O AUTOMOBILISMO


As décadas de 40 e 50 d0 século XX foram férteis no âmbito desportivo moçâamedense, em função do progresso económico do Distrito. A criação de um "sector desportivo" no âmago do Rádio Clube de Moçâmedes, especialmente dedicado ao desenvolvimento ao "automobilismo" e aproveitando-se das qualidades da Terra, trouxe muitos momentos de júbilo, independentemente dos reais benefícios para o turismo do Sul de Angola.

O primeiro campeonato de automóvel de Moçâmedes realizou-se em 1955, com inexcedível entusisamo, atribuindo-se tres classes -A,B,C-, de acordo com a cilindragem dos automóveis concorrentes, em número de dezasseis.

A classificação final ficou assim ordenada, exclusivo duas desistências dos concorrentes, Artur Ferreira Trindade e Eng. Ventim Neves:
Classe A:
1. Fernando Veloso de Oliveira
2. Mário Baptista de Sousa
3. Rui Duarte de Mendonça Torres
4. Rogério Baptista de Sousa
5  José Martins Cristão Junior

Classe B:
1º Gaspar Gonçalo Madeira
2º Fernando Pereira Cabeça
3º Mário António Trabulo

Classe C:
1º Artur Homem da Trindade
2º Dr. Mãrio Moreira de Almeida
3º Dr. Garcez Palha
4º Alberto Ferreira da Silva
5º Engº Romero Monteiro
6º Firmino José Parrança

Classificação final global (por índice de aproveitamento):
1º Artur Homem da Trindade
2º Engº Romero Monteiro
3º Gaspar Gonçalo Madeira
4º Artur Ferreira da Silva
5º Fernando Veloso de Oliveira
6º Fernando Pereira Cabeça
7º Dr. Garcez Palha
8º Mário Baptista de Sousa
9º Firmino José Parrança
10º Rui Duarte de Mendonça Torres
11º José Martins Cristão Júnior
12º Dr. Mário Moreira de Almeida
13º Mário António Trabulo
14º Rogério Baptista de Sousa

Foi o primeiro passo da modalidade, nomeadamente «puzle», «rallys», em especial integradas nas Festas do Mar, cada vez mais equilibradas e com melhor qualidade dos respectivos carros.

O perfil do centro da cidade de Moçâmedes prestava-se a estas provas, mas anualmente os circuitos beneficiavam de justificadas e oportunas correcções.


                            Henrique Ahrens de Novais, entre Dina Chalupa e Jaime Lúcio dos Santos

O circuito das «Festas do Mar», em Moçâmedes, em 30 de Março de 1969, em que participaram os melhores «volantes» angolanos, foi ganho pelo moçamedense Henrique Aharens de Novaes, em 2º o corredor Corte Real e em 3º Silveira Machado.

O primeiro «Rallye» foi concretizado no ano de 1958, a que se deu o nome de «Rallie do Caraculo», com organização impecável, tendo sido a directório da prova confiada a José Martins Cristão.

A representaçãoo de Moçâmedes em provas de velocidade realizadas noutras localidades de Angola, passou a estar nas mãos do corredor Henrique Ahrens de Novais, especialmente, e de António Costa e Silva (Moinhos), eventualmente, que somaram alguns alguns êxitos.

Fica aqui o registo do panorama e dos que deram impulso a este desporto de elite, cativante de uma populaçãoo animada e alegre, atenção ao derradeiro momento da presençaa portuguesa em Angola.

Exultamos todos aqueles, também anónimos, que muito trabalharam durante alguns anos, voluntariamente, na organizaçãoo e realização deste inesquecível evento, que celebrizou as «Festas do Mar».


Retirado do livro «Memórias Desportivas do Distrito de Moçâmedes- Angola Autor: Mário António Gomes Guedes da Silva



 Para ver outras modalidades desportivas:

Basquetebol feminino  AQUI 
AQUI 
Basquetebol feminino e hóquei em patins  AQUI 

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