24 julho 2017

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18 julho 2017

Famílias antigas de Moçâmedes: a família de João Thomás da Fonseca e a pescaria do Mocuio

João Thomás da Fonseca

 
Foto: João Thomás da Fonseca junto da esposa, D. Celeste Sena Fonseca, e a filha de ambos, a pequena Celeste (Celeste Fonseca Robalo), por volta de 1914


Foto: Quem conheceu João Thomás da Fonseca (pai), o fundador da pescaria do Mocuio não esquece a sua postura, com bigode de ponta retorcida, casaco de bom talhe, paletó, corrente de relógio suiço no bolso, indumentaria em conformidade com sua posição de industrial de pesca  bem sucedido.  Na foto, rodeado de amigos, entre os quais Manuel Vaz Pereira (vestido de branco). Data provável: 1920


Foto: Os irmãos Álvaro e João Thomás da Fonseca (filho), filhos do patriarca do Mocuio, com Mocuio à vista...



Tudo começou nos tempos críticos  que antecederam a implantação da lª República, em finais do século XIX, quando João Thomás da Fonseca (pai), algarvio, natural de Tavira, resolveu emigrar para Angola, onde esteve ao leme de um veleiro que operava por toda a costa, até que um dia resolveu, com as facilidades governamentais obtidas,  e  o dinheiro amealhado, estabelecer-se no Mocuio.  E foi ali, naquela praia deserta pequena e inacessível, situada a sul de Benguela, no distrito de Moçâmedes,  perdida nas escarpas do deserto do Namibe, onde vales secos foram no rodar dos tempos substituindo  rios que ali iam desaguar,  que João Thomás da Fonseca (pai) ergueu a sua pescaria, requisitou pessoal indígena, comprou os primeiros barcos à vela e a remos,  montou duas armações que necessitavam no mínimo de 4 barcos para efectuarem a pesca à valenciana (1), pagou mestres de terra algarvios que mandou vir da Metrópole,  e depressa prosperou e fez-se ganhar respeito e influência no meio industrial limitado da Moçâmedes de então.

A pescaria Mocuio era sem dúvida uma importante pescaria, que nos seus tempos áureos possuía salinas,  fábrica de farinha de peixe e de conservas,  um pequeno estaleiro, uma traineira de 80 toneladas, 2 sacadas (só para a pesca do cachucho e da garoupa), e mais de 20 embarcações pequenas. Da fábrica de conservas de peixe chegaram a ser exportadas  para o nordeste americano, em latas de 2,5kg, conservas de merma e atum, com respectivos rótulos. A pescaria dedicava-se  também à salga e seca de peixe, e a uma pequena congelação.

Apesar dos condicionalismos de toda a ordem, e do isolamento a que obrigava, o Mocuio foi evoluindo ao longo do tempo, e já no início do século XX, João Thomás da Fonseca (pai) mandou construir,  com todo o conforto, o seu bonito chalet cor-de-rosa, em pleno areal da praia, onde nada faltava, inclusive um sistema de aquecimento e de canalização de água ligado à  parte exterior, onde ficavam a casa de banho e a cozinha,  duas guaridas (uma para o guarda, outra para aquecimento central), e  um mirante  a partir do qual podia, sentado de frente a olhar o oceano, a praia e as instalações da sua pescaria, observar  os galeões que entravam e saiam da baía,  fazendo o transporte de mercadorias para o norte de Angola, Cabinda, Gabão e Golfo da Guiné, levando dali ovas, peixe seco, barbatanas de tubarão, recebendo em troca,  bordão, madeiras preciosas, e outros produtos mais, e ao mesmo tempo controlar a azáfama da laboração pesqueira.

No Mocuio sequer havia água potável, a água ia de Moçâmedes em enormes pipas, de início transportada por barcos de pesca e por carros puxados por manadas de bois, e mais tarde em camiões. Conta-se que morreu gente no Mocuio, devido à tubagem de cobre das canalizações.

A pescaria do Mocuio deu origem à fixação de inúmeros  europeus e africanos na zona, estes entre contratados e livres, uma comunidade que se desfez após a independência de Angola, em 1975.



 
Foto: Estas são duas das mais recentes fotos do Mocuio, através da qual podemos ainda ver, 35 anos depois, a pescaria de João Thomás da Fonseca (Herds), e o elegante chalet, sua imagem de marca. Na continuidade do Mocuio, navegando para norte, ficam a Mariquita, o Chapéu Armado, S. Nicolau, Lucira, Vissonga e o Bába. E a sul do Mocuio, a Baía das Pipas, Moçâmedes, Porto Alexandre e a Baía dos Tigres.


Foto: A pescaria do Mocuio nos  tempos áureos. Nada aqui foi construído por acaso. Dá para apreciar a estética da organização espacial e não só, do complexo pesqueiro que nesta altura parecia intocável...



Foto: João Thomás da Fonseca (filho) e o gerente, Faria que ali trabalhou durante 50 anos. Data provável: 1942.  Em 1º pano giraus ou tarimbas de peixe seco. Atrás as instalações fabris.



Foto: João Thomás da Fonseca (pai)  rodeado de amigos e de algumas personalidades, incluindo  representantes da Marinha portuguesa, quando faziam uma paragem para descanso, no decurso de uma viagem ao Mocuio, onde possuía a sua pescaria.  Data provável, talvez anos 1920, a ter em conta a indumentária das senhoras. Lembro aqui que foi em Moçâmedes, que nos anos 1914 e 1915 desembarcou grande parte do efectivo militar português, destinado a operações terrestres, face ao receio de uma ofensiva vinda do Sudoeste Africano (hoje Namibia) sobre a região planáltica, e sobre Moçâmedes e de Porto Alexandre,  por destacamentos alemães, bem como a submeter populações nativas sublevadas, factos que agitaram sensibilidades e puseram a região em polvorosa. Em consequência,  o porto de Moçâmedes como porto de desembarque e de evacuação, e estação depósito, desempenhou um importante papel. 

Olhando para esta foto, podemos facilmente reparar que à falta de cadeiras, as senhoras estão sentadas sobre pequenos caixotes de madeira, devidamente rotulados. Acontece que naquele tempo, e até 1950, a gasolina era importada dos Estados Unidos da América, em latas de 20 litros acondicionadas em caixotes, mas o precioso combustível também chegava a Angola em tambores de 200 litros. E porque nesse tempo fora das cidades não existiam de bombas de gasolina para abastecimento, os proprietários dos escassos transportes automóveis que existiam, tinham que levar consigo, nas suas deslocações, alguns desses caixotes com as respectivas latas para se abastecerem pelo caminho, quando o depósito do veículo esgotava. Aliás, os mais antigos recordam ainda as bombas manuais  que existiam nesse tempo, nas principais cidades de Angola, e em certas povoações do mato, que, com um pouco de sorte, eram oferecidas pelos produtores de petróleo do Texas aos potenciais importadores. Estas bombas eram constituídas por um carrinho, de duas rodas que fazia lembrar as quadrigas romanas, só que em vez do Ben Hur (condutor) estava um tambor de 200 litros. A quadriga tinha uma "torre" de 2,5 m de altura, que terminava em dois reservatórios de 5 litros, para onde era elevada a gasolina através de uma bomba manual de êmbolo, num sistema de vai-vem. Enquanto se esvaziava um reservatório para o carro, por gravidade, bombeava-se a gasolina para o outro reservatório, e assim sucessivamente, em golfadas de 5 litros. As latas e os tambores vazios eram depois aproveitados para transporte de água. Uma água que, por vezes, durante algum tempo, apresentava um certo sabor a gasolina ...

Em África, naquele tempo era assim!  Ver em  OS ESQUELETOS NOS ARMÁRIOS

Mocuio, outrora uma progressiva pescaria, hoje um destino para turistas? 
Ficam estas recordações da gesta dos portugueses em Angola.

Pesquisa e texto de MariaNJardim



(1) Os barcos mantinham as redes no fundo do mar, geralmente com vista a capturar espécies migratórias nas suas rotas, e estas eram levantadas, por duas vezes , durante o dia, para retirar o pescado, e apenas eram retiradas para manutenção.


Algumas destas fotos foram publicadas no Facebook por João Thomás da Fonseca (neto). Que me perdoe o primo João por as ter tirado para o nosso blog! Não resisti!

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Um pouco de História alusiva ...


Recuando na História, a primeira pescaria instalada em praias do Distrito de Moçâmedes/Namibe foi fundada pelo algarvio Fernando Cardoso Guimarães, em 1843, na sequência de um acordo com "sobas" da região para instalação de colonos, Em 1840  havia sido fundado o Presídio. Mas tal como outras feitorias fundadas a seguir, não obstante as actividades exercidas e as exportações efectuadas, também esta não teve continuidade.Uns anos após a rainha D. Maria enviava a graça de 1000 anzóis para Moçâmedes, por constatar que era terra de muito peixe...


Na Metrópole, já com séculos de presença portuguesa em terras de Angola, era praticamente desconhecida toda região litoral a sul de Benguela bem como o Interland. A colonização na zona teve início apenas em meados do Século XIX, com a fixação paulatina de famílias portuguesas, a começar com a primeira "leva" de colonos vindos de Pernambuco (Brasil), fugidos da onda revolucionária que emergiu em Pernambuco e colocava em perigo as suas vidas. Estes pioneiros embora dedicados essencialmente à agricultura  nos vales férteis dos Rios Bero e Giraul, chegaram a montar pequenas pescarias nas praias a norte de Moçâmedes, que se encontravam  entregues a serviçais indígenas (quimbares) que  pescavam em pequenos barcos, enquanto os proprietários continuavam a a residir em Moçâmedes. O pescado destinava-se a consumo da escassa população.

A seguir aos luso-brasileiros, no início da década de 1860, começaram a chegar a Moçâmedes os primeiros algarvios vindos de Olhão, viajando de conta própria e servindo-se nas suas viagens de caiques, palhabotes e outros barcos à vela.  Moçâmedes era o porto de chegada, mas logo se dispersaram por  tudo quanto eram praias e enseadas desérticas preferencialmente a sul de Moçâmedes, onde montaram as suas pescarias.  Importa referir contudo que, segundo relatórios oficiais,  a pesca no Mocuio e na Baia das Pipas foi licenciada em 1854, ainda antes dos olhanenses se fixaram.   Em 1857 há referências que havia em  Moçâmedes, e em mais 4 praias a norte até à Lucira, 16 pescarias com 40 escaleres, onde trabalhavam 280 escravos.   

Estranha-se que estes dados sejam para a história da região pouco considerados, uma vez que quase todos os escritos apontam o arranque da industria de pesca, em 1861, com a chegada dos primeiros algarvios de Olhão às costas de Moçâmedes,

Assim, o ponto de chegada  era de início Moçâmedes, mas logo a fixação passou a fazer-se também em Porto Alexandre, e alguns anos após, em 1865, a Baía dos Tigres. A notícia da fartura de pescado na Baía dos Tigres foi dada aos nossos pescadores pelos tripulantes dos baleeiros americanos que demandavam a zona a partir da Ilha de Santa Helena e que frequentavam a costa de Moçâmedes onde se iam abastecer de frescos e para comerciar cera e marfim.

Convém salientar que a fixação de famílias portuguesas no distrito de Moçâmedes, é posterior à publicação do decreto de Sá da Bandeira que em 1836 aboliu o tráfico de escravos, ainda que o mesmo tráfico se tivesse mantido na clandestinidade por décadas e fosse definitivamente abolido 1869. Durante este período a costa angolana esteve sob vigilância, patrulhada  por navios das marinhas portuguesa e inglesa, e as áreas económicas do distrito, então em formação, essencialmente a agricultura e pescas,  viram-se preteridas do acesso à necessária mão de obra indígena, dado que os serviçais livres ou escravos, ao aperceberem-se do que estava a passar, escapavam-se para as suas terras de origem à primeira oportunidade. Foram os algarvios de Olhão que vieram colmatar essa falta, ajudando-os lusobrasileiros nesses tempos de crise. 

Diz-se que com a o decreto da abolição e a proibição dos embarques a partir de Luanda e de Benguela por onde escoava o tráfico para o Brasil e Américas, os mesmos passaram a fazer-se clandestinamente a partir do Ambriz e a norte de Moçâmedes. Acreditamos que assim fosse, aliás há referências de que o nome "Baía das Pipas" provem do facto de em 1842 a estação naval portuguesa ter queimado ali, onde estavam armazenadas, grande número de pipas destinadas a embarque em navio negreiro.

Os algarvios em relação à pesca tiveram uma adaptação mais feliz que os luso-brasileiros que se dedicavam essencialmente à agricultura.  A vida era difícil, mas era compensada pela abundância de peixe que era capturado, salgado e seco, e que apesar das difíceis condições, era exportado para algumas colónias africanas, ainda que de início muitas toneladas de produto fossem destruídas, ainda em Angola, devido às condições de tratamento, infiltração de areias, etc. A adaptação dos algarvios foi ao ponto de se fixarem com êxito em praias onde não existia água doce disponível, e sequer se vislumbrava um ponto verde no horizonte. O exemplo da Baía dos Tigres, povoação actualmente abandonada, é crucial. Aliás o próprio estado português tardou em dar-lhes o apoio de que necessitavam por se entender que aquela zona não tinha as condições suficientes para a sobrevivência digna. O apoio chegou bastante mais tarde.

Com o rodar dos tempos, a indústria pesqueira no distrito de Moçâmedes foi-se desenvolvendo e transformou-se numa indústria próspera. Surgiram fábricas de enlatados, conseguiam preparar óleo e farinha de peixe que exportavam sendo valiosa a ajuda dos Serviços Veterinários que se instalaram em Moçâmedes, veio o negócio do peixe refrigerado e congelado, que era transportado para os consumidores  por caminho-de-ferro.  Em meados do século XX, o grosso das exportações era constituído por peixe seco, seguido pelo peixe em conserva, óleo de peixe, peixe em salmoura e outros produtos – ovas, peles e guano de peixes.

Em 1929  o Sindicato da Industria da Pesca de Moçâmedes  foi criado com o nome de Sindicato de Pesca e Comércio de Moçâmedes, tendo como 1º Presidente o Dr. Carlos Alberto Torres Garcia. Tentava-se com a sua criação debelar a crise que se instalara no sector, na década anterior, devido à crise de mercados de consumo que fizera paralisar o escoamento do peixe que se acumulava nos armazéns, ao ponto de ter sido deitado de novo ao mar. Chegara-se ao ponto do Sindicato ter que dar senhas de crédito aos pequenos industriais/pescadores possuidores de sacadas para pagamento do peixe que lhes ia sendo entregue. Contudo, julgava que com o Sindicato das Pesca os problemas estaria resolvido, não foi isso que aconteceu. Logo após a sua formação geraram-se dois grupos, de industriais/ /exportadores que se «guerreavam» entre si, criando situações complicadas, com a acumulação de dívidas, acções em tribunais, etc. De acordo com a orientação dada ao Sindicato, este não obrigava à sindicalização, e o Conselho Especial de Consulta e Parecer, que o Diploma previa, transformou-se num tribunal de pequenos delitos, originando-se uma situação absolutamente insustentável com exportações arbitrárias, sem qualquer espécie de controlo. O desacordo entre o governo e o grupo dissidente acentuou-se ao ponto de os Sindicatos serem dissolvidos criando-se a Federação dos Sindicatos de Pesca e os industriais//exportadores tomaram o controlo dos sindicatos e continuaram a exportar para o Congo até que o Governo Geral acabou demitindo.
 
Com o aumento das actividades pesqueiras e da importância económica da sua indústria, o Sindicato da Pesca e Comércio de Moçâmedes, criado no ano da grande crise da indústria pesqueira que a todos afectou e que foi decisiva para construção das primeiras fábricas de transformação de peixe em farinha e óleo, foi extinto, e criado em seu lugar, em 1 de Maio de 1949, o Grémio da Indústria da Pesca e seus derivados do Distrito de Moçâmedes, com o fim de organizar a indústria de peixe seco e farinhas e óleos de peixe, que até àquela data, como referia um Relatório, vegetavam ao sabor dos interesses de aventureiros e oportunistas.
 
O Grémio dos Industriais de Pesca viria a extinguir-se também, por força plano da reestruturação da Indústria de Pesca de Angola e a criação do  Instituto das Industrias de Pesca de Angola, com sede em Luanda (DG, 1960), junto do governo, mas distante das zonas de produção, com o fim de orientar e fiscalizar a produção do pescado, a sua transformação e o comércio dos produtos fabricados, coordenar as indústrias de pesca e de transformação afins.

Por sua vez, o Instituto da Pesca de Angola , que teve o Dr. Andrade como 1º Presidente, em 1970 criou as suas «secretarias» regionais, ou seja, Institutos da Pesca nas capitais de distrito dedicados à pesca, tais como Benguela, Porto Amboim e Luanda. facto que levou os industriais do distrito de Moçâmedes a se organizarem, através da criação da Associação dos Industriais de Pesca, só que agora alguns, poucos, ficaram preferivelmente de fora, isolados, como foi o caso de Gaspar Gonçalo Madeira, que exportava individualmente tendo para tal aberto uma empresa independente em Lourenço Marques (finais de 50). peixe seco meia cura e ultimamente congelado.

Em Moçâmedes, a criação do Instituto da Pesca levou consigo parte dos antigos funcionários do Grémio dos Industriais de Pesca, enquanto outros, saíram para trabalhar em Bancos, etc. Na altura da transição foi nomeado pelo Instituto da Pesca de Angola para director do Instituto da Pesca de Moçâmedes, o moçamedense Carlos Manuel Guedes Lisboa, industrial de pesca e funcionário do extinto Grémio da Pesca

Finalmente, Moçâmedes exibia já em vésperas da Independência de Angola (1974), 86 sócios inscritos dedicados à industria da pesca, sendo a seguinte a relação em 31/12/74, conforme vem descrito no livro de Carlos Cristão «Memórias da Angra do Negro - Moçâmedes - Namibe (Angola), desde a ocupação efectiva, Lx 2005:

No seu livro «Memórias da Angra do Negro - Moçâmedes - Namibe (Angola), desde a ocupação efectiva», Lx 2005, Carlos Cristão refere que em vésperas da independência de Angola, em 31/12/74, era a seguinte a relação das empresas industriais dedicadas à pesca em todo o distrito de Moçâmedes, entre as quais figura a de João Thomás da Fonseca & Cª:


A Industrial, Lda. (Porto Alexandre)

A Industrial do Canjeque, Lda. (Moçâmedes/Canjeque)

A Industrial Conserveira do Sul, Lda. (Porto Alexandre)

A Industrial de Moçâmedes, Lda. (Moçâmedes)

Um Mariquita, Ind. Lda. (Moçâmedes)

Abano & Coimbra, Lda. (Porto Alexandre)

Adérito Augusto Sanches, Lda. (Porto Alexandre)

Agripesca Ind. Lda. (Moçâmedes)

Alvaro Thomás Serra Fernandes (Moçâmedes)

Amadeu Gonçalnes e Neves, Lda. (Moçâmedes)

António Francisco Antunes (Porto Alexandre)

António Francisco Baraço (Herds) (Moçâmedes)

Antunes da Cunha, Lda. (Porto Alexandre)

Associação Industrial de Peixe Seco de Moçâmedes (Moçâmedes)

Barbosa & Santos, Lda. (Porto Alexandre)

Beira Mar, Lda. (Porto Alexandre)

Bento & Irmão, Lda. (Moçâmedes)

Cabrita, Lda. (Baía dos Tigres)

Carmo & Martins, Lda. (Porto Alexandre)

Carvalho Oliveira & Cª (Moçâmedes)

Compª de Pesca Angola, Lda. (Moçâmedes)

Compª Ind. e Com. de Pesca Angola, SARL. ( Cipesca-Moçâmedes)

Compª Ind. Produtos do Mar, SARL (Porto Alexandre)

Compª Alexandrense de Produtos de Pesca (Porto Alexandre)

Cooperativa de Produtos do Mar (Porto Alexandre)

Costa & Silva, Lda.

Dafisilva - DA. Figueiras & Silva, Lda. (Moçâmedes)

Dídio Alceu Pimentel Pacheco (Porto Alexandre)

Duarte & Lourenço, Lda. (Porto Alexandre)

Empresa Ind. Farinhas e Oleos de Peixe, Lda. (Porto Alexandre)

Empresa Ind. e Mercantil de Pescas, SARL (Moçâmedes)

Empresa Ind. do Pinda. Lda. (Moçâmedes)

Empresa de Pesca do Sul, Lda. (Moçâmedes)

Ferreira & Filhos, Lda. (Moçâmedes)

Francisco Baptista (Porto Alexandre)

Herds Dionísio Costa Tavares (Porto Alexandre)

Humberto Sena Tendinha (Porto Alexandre)

Industrial de Peixe Namibe Lda (Luanda)

J. Patrício Correia, Lda (Moçâmedes)

João Duarte Filhos, Lda. (Moçâmedes)

João Thomás da Fonseca & Cª (Moçâmedes)

Joaquim Conceição Camarinha (Moçâmedes)

José Dias Ferreira (Moçâmedes)

José Domingos da Conceição Martins (Porto Alexandre)

José Evangelista Aldeia (Moçâmedes)

José Joaquim Carreiro Correia (Porto Alexandre)

José Venâncio Delgado (Porto Alexandre)

Juventino Ferreira Graça , Lda. (Porto Alexandre)

Mamedes Sucessores, Lda. (Porto Alexandre)

Manuel Martins Ramos (Porto Alexandre)

Manuel Mendes Mamedes, Herds. (Porto Alexandre)

Mário Lino Caldeira (Porto Alexandre)

Marques & Marques, Lda. (Porto Alexandre)

Mercantil Piscativa, Lda. (Porto Alexandre)

Olímpio Mário Aquino, Lda. (Moçamedes)

Parceria de Pesca, Lda. (Moçâmedes)

Pescaria Algarve, Lda. (Porto Alexandre)

Pescarias Namibe, Lda. (Moçâmedes)

Pestana e Carvalho, Lda. (Moçâmedes)

Rogério Napoleão Gonçalves (Porto Alexandre)

Sampaio (Irmãos), Lda. (Porto Alexandre)

Sancho e Arvela, Lda. (Porto Alexandre)

Sociedade Ango-Algarve, Lda. (Moçâmedes)

Sociedade Armadores das Pescas de Angola, SARL (ARAN - Moçâmedes)

Sociedade Congeladora do Sul, Lda. (Porto Alexandre)

Sociedade de Conservas da Lucira, Lda. (Moçâmedes)

Sociedade de Conservas Sagres, Lda. (Moçâmedes)

Sociedade Frigo Pesca do Sul, Lda. (Moçâmedes)

Sociedade Ind. Alexandrense, Lda. (Porto Alexandre)

Sociedade Ind. da Baía dos Tigres, Lda. (Moçâmedes)

Sociedade Ind. do Cabo Negro, Lda. (Moçâmedes)

Sociedade Ind. da Vissonga, Lda. (Lucira)

Sociedade de Pesca da Lucira, Lda. (Lucira)

Sociedade Piscatória dos Tigres, Lda. (Moçâmedes)

Sociedade Piscatoria do Sul, Lda. (Porto Alexandre)

Sopeixe Ind. SARL. (Porto Alexandre)

Somar, Sociedade de Produtos do Mar, SARL (Moçâmedes)

Sopesca, Sociedade Ang. de Pescarias SARL. (Moçâmedes)

Sul Angolana, Lda (Porto Alexandre)

Tendinha & Irmãos, Lda. (Porto Alexandre)

Trocado & Irmãos, Lda. (Porto Alexandre)

Venâncio Guimarães e Compª. (Moçâmedes)

Venâncio Guimarães Sobrinho, Lda. (Moçâmedes)

Veríssimo & Irmão, Lda. (Porto Alexandre)


Origem do Nome. Escreve-se MOcuio ou MUcuio? 

Considera-se que a denominação Mocuio tenha provindo do facto de, no local, existir árvores do Género Ficus sp. Conforme Raul D’ Oliveira Feijão - autor do Elucidário Fitopatológico - ed. do Instituto Botânico de Lisboa, o nome vulgar daquele género botânico é Mocuio. O Dicionário Cândido de Figueiredo, ed. 1913 refere Mucuio, como “árvore angolense”. É exacto que, em vários dialectos de Angola, a dita árvore denomina-se “Mucuio”. Como os termos escritos em dialecto ou com natureza de dialecto, não passam de uma mera locução estabelecida na loquela local e, por definição e determinação filológica, não desfrui de regra transponível para as normas e formas da Língua portuguesa, um Idioma distinto, independente e soberano. Aliás, em português, os nomes próprios, apenas são traduzíveis ou modificados, quando provêm de idioma para idioma - exemplo: [Lisbon (em idioma inglês) para Lisboa (idioma português) ou vice-versa], e jamais de dialecto para idioma [Mucuio (dialecto do sul de Angola) para Mocuio (idioma português)]. Se ocorrer tradução advém uma grosseira corruptela, por modificação e adulteração inapropriada dos vocábulos, tanto mais que linguisticamente, qualquer dialecto não tem, nem preceitos, nem ordem, apenas semântica e a Língua portuguesa tem-nos bastante consistentes, estáveis e inflexíveis.
Relembro que a 1ª menção, que se conhece a “ Mocuio” (região) consta de 7 de Outubro de 1785 e, já na época, era assim documentadamente redigido. Averiguemos até, confiramos ainda e confirmemos também que escrituras, diplomas, declarações e demais documentos oficiais, bem como textos literais em português figurar Mocuio. Perante o exposto inferir-se-á que em português não se deverá escrever Mucuio, mas sim Mocuio. Conf informação de João Carlos Robalo (neto do fundador do Mocuio)
a quem muito agradecemos.

Na foto, o prato de loiça de um dos serviços do Chalet onde se pode ver  gravado MOCUIO com “O” e não “U”. Todas as peças de loiça detinham esta estampagem de personalização com a nomenclatura Mocuio ou então, com um entrelaçado com as iniciais do seu nome JTF. Conf informação de João Carlos Robalo (neto do fundador do Mocuio) a quem muito agradecemos.

Algumas destas informações foram recolhidas do livro "Baia dos Tigres".

Fotos cedidas por um familiar.


VER VIDEO MUCUIO HOJE


Ver também o blog Tropicália: http://afmata-tropicalia.blogspot.pt/2010/01/1-viagem-de-exploracao-maritima-da.html