17 agosto 2018

Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro

                                               
                                
 

Simão da Luz Soriano

Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro                    António Sérgio de Sousa 





 

«Em 13 de julho de 1848, um dos portugueses fixados em Pernambuco, Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, dirigiu um memorial ao governo de Portugal descrevendo a situação dos seus compatriotas aqui e informando que muitos deles estavam interessados em transferir-se para outro sítio, onde fundassem uma colônia. Era então ministro do Ultramar o historiador Simão José da Luz Soriano que se interessou em atender o pedido, indicando a região de Moçâmedes, no Sul de Angola, como local para se fixarem. De Portugal foram mandados, para garantir os portugueses do Recife, dois brigues de guerra, Douro e Vila Flor, e instruções para facilitar a transferência e o estabelecimento dos emigrantes naquele lugar. O Diario de Pernambuco de 31 de janeiro de 1849 publicou um edital, datado de 29, pelo qual o Cônsul de Portugal, Joaquim Batista Moreira, como presidente de uma comissão especial (criada no Recife em 26.XII.1848 e composta de B. F. F. de Abreu e Castro, Ângelo Francisco Carneiro, Bernardo de Oliveira Melo e Miguel José Alves, secretário), comunicava que o governo concedia as seguintes facilidades a todos os que se quisessem transferir para a África : passagem e sustento à custa do Estado, inclusive às famílias; transporte para móveis e objetos pessoais; "instrumentos artísticos ou agrícolas e de quaisquer sementes"; terrenos na colônia a ser fundada e uma mensalidade durante os 6 primeiros meses após a chegada ali. Pouco depois foi nomeado (19.1V.I849) em Portugal o Capitão de fragata António Sérgio de Sousa (depois Visconde de Sérgio de Sousa, avô do ilustre escritor Antônio Sérgio), governador da Colônia a ser esta
belecida em Moçâmedes. Aqueles dois brigues portugueses prestaram inúmeros serviços durante o ataque ao Recife pelas forças do Praieiro (2.II.1849), recolhendo a bordo, os seus oficiais, sem distinção de nacionalidade, muitas pessoas que e tão surpreendidas de susto e de terror buscavam auxiliar-se ali, ou na sua aflição iam, inda que a seu pesar, precipitar-se nas ondas que banham as praias e cais desta cidade", diz um agradecimento de J. A. S., no Diario de 10.II, seguido de vários outros, no mesmo jornal de 15 e 16.II.1849. Do brigue "Douro", conserva-se o "livro de quarto" referente a 1848-49, no Arquivo Histórico Ultramarino de Lisboa, Arquivo de navios, códice 1.192, que não me consta tenha sido aproveitado, como aliás muitos outros documentos a respeito, existentes naquele Arquivo.


O ataque ao Recife apressou a partida dos emigrantes. No Diario de Pernambuco de 27.II.1849 começaram a aparecer notícias de pessoas que partiam (exigência da Polícia para permissão de embarque). No Diario de 27 são 7 os nomes; no de 19.III são 10; no de 2.IV são 22; no de 12.IV são 23 e no de 4 são 16. No dia 15 de maio apareceu o de Abreu e Castro: "Retira-se para Moçâmedes o cidadão português Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, levandoem sua companhia 3 criados. Qualquer conta que deva na praça pode ser apresentada no seu escritório da rua da Cadeia Velha n. 3... e aqueles que lhe devem contas, mesmo ainda do tempo que dirigiu o colégio Santo Antônio, querendo pagá-las, ali podem dirigir-se".

Fonte: MELLO, José Antonio Gonsalves de. Diario de Pernambuco. Recife, 15 abr., 1956.




Em tempo:

Supresas por vezes nos esperam quando resolvemos aprofundar a verdade dos factos. Veja aqui quem foi Ângelo Francisco Carneiro:

"DE TRAFICANTE DE ESCRAVOS A VISCONDE DE LOURES: A TRAJETÓRIA ATLÂNTICA DE ANGELO FRANCISCO CARNEIRO1 Aline E. De Biase Albuquerque

"...Em agosto de 1842, o cônsul inglês em Pernambuco informava ao ministro Lord Palmerston que um traficante se organizava para desafiar a Inglaterra por ter tido um de seus navios negreiros apreendido. Na carta, ele dizia que o “Sr. Angelo”, o tal negociante, “era o mais bem sucedido e notório traficante de escravos do norte do Brasil” e que planejava pedir indenizações após a volta da barca Ermelinda ao Recife. Esse navio tinha sido apreendido em 1841, mas foi absolvido na Comissão Mista em Serra Leoa, até então, lugar certo de condenação pelos ingleses de navios engajados no tráfico ilegal de escravos. Por causa do notável desfecho, o armador e provável dono do barco se articulou para não só pedir indemnização pela “injusta captura” e estrago da carga, mas também enviar um outro navio à Costa da África com o sugestivo nome de Ermelinda Segunda e um objetivo específico de ser apreendido pelos ingleses. Com a embarcação Segunda, o “Sr. Angelo” pretendia ganhar indemnização duas vezes da Inglaterra pelos danos causados as suas negociações negreiras.3 O ousado traficante protagonista desse episódio era Angelo Francisco Carneiro, comerciante português estabelecido no Recife e futuro visconde de Loures. Dono de uma das maiores fortunas de Pernambuco, Angelo Francisco Carneiro foi comendador da Ordem de Cristo, gerente do consulado dos Estados Pontifícios e financiou os projetos de urbanização do Recife na década de 1840.4 O caráter negreiro dos seus negócios era de domínio público e foi alvo de comentários de estrangeiros como o citado agente inglês e o engenheiro francês Louis Vauthier. Sua carreira atlântica, iniciada antes mesmo da lei antitráfico de 1831, estruturou-se em redes negreiras que abrangiam e interligavam, principalmente, Recife, Angola e Rio de Janeiro.  (continua...)


  http://www.escravidaoeliberdade.com.br/congresso/index.php/E-X/7/paper/viewFile/161/71

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