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06 novembro 2010

Corso Carnavalesco em Moçâmedes (Namibe- Angola): 1955


O Carnaval de 1955 em Moçâmedes (Namibe-Angola) foi especial. Nesse ano até houve um desfile de carros alegóricos (Corso), no qual participaram mais de uma dezena de carros, como se pode pelas várias fotos aqui colocadas.




Este foi o que apresentou mais bonito, e por tal, foi premiado (1ª foto). Representa o Grupo Desportivo do Banco de Angola. Repare-se no requinte dos enfeites floridos, nos tufos de papel de seda, na espécie de trono onde as raparigas se encontram sentadas, nas figuras da frente, etc, etc...

 

 


Até o simpático conjunto musical «Os Diabos do Ritmo» participou, prestando maior brilhantismo e animação ao desfile, como podemos ver  na 1ª foto., onde se encontram: Lito Baía, Frederico Costa, Albertino Gomes e Marçal, o Albino (Bio) Aquino (pianista) e o Sereeiro. Das senhorinhas  participantes pelo Banco de Agola apenas reconheço Maria Amália Duarte de Almeida e Lita Ventura, sentadas atrás na espécie de trono. 





Aqui podemos ver o carro representativo do Ginásio Clube da Torre do Tombo passando junto ao edifício dos CTT de Moçâmedes. Por curiosidade, este carro, em forma de peixe, foi construido na Torre do Tombo, na garagem da casa de Olímpio Aquino, de que era proprietário o industrial e comerciante João Duarte,  sita na Rua da Colónia Piscatória, a  que termina no ponto em começa a subir para a Praia Amélia. Na sua construção colaboraram, entre outros, Eurico e José Arvela.  



Aqui o nosso grande peixe faz a sua passagem junto ao edifício do Banco de Angola, na rua da Praia do Bonfim, podendo ver-se alguns curiosos à janela. De entre as raparigas que se encontram neste carro, na sua maioria pertencentes ao time de basquetebol feminino daquele clube, reconhece-se, da esq. para a dt: M. Nídia Almeida, Eduarda Bauleth de Almeida, Ricardina Lisboa, Celísia Calão, Manuela Bodião, Salette Braz (não jogadora) e Francelina Gomes. De entre os rapazes, reconhece-se : Osvaldo Correia, Óscar, Armando Sena, José Guedes Duarte (Zézinho), Eurico...


Foi de facto para mim uma surpresa, quando, ao fim de 35 anos fui abrir uma mala que a minha sogra trouxera de Angola, e encontrei  últimas 9  fotos. Que bela recordação!




Geralmente estes eventos tinham por detrás os Clubes desportivos da cidade, a Câmara Municipal e contavam com a colaboração e até participação de casas Comerciais, industrias, Banco de Angola, etc., que se faziam representar corso. É o caso deste carro, que parece inspirado nas  ameias da Fortaleza de S. Fernando, representativo da Firma Antunes da Cunha Lda., fundada em 1917, que ostenta não apenas figuras representativas das suas actividades, como também a designação das localidades por onde estas se encontravam espalhadas: Moçâmedes, Porto Alexandre, Pinda,  no Mariquita, etc.



 
Outro carro alegórico alusivo ao mar. Parece representar um «Gasolina», que era na época, antes da inauguração do cais acostável, o tipo de barco que transportava as pessoas, visitantes e passageiros, da ponte para os navios que ficavam fundeados na baía, e vice-versa, quando escalavam Moçâmedes, no decurso nas suas idas e vindas entre Lisboa e Moçambique.




Até nem faltou no Corso um tanque de guerra «americano», excrescência da 2ª Guerra Mundial, que o imaginário do seu autor (Chico da Conceição?) procurou materializar simbolicamente, neste Carnaval de Moçâmedes ...




Este carro alegórico representa a firma João Pereira Correia, Lda. (de João Pereira Correia e José Duarte). Eram os representantes em Moçâmedes dos produtos aqui representados: máquinas de costura Oliva, produtos Nestlé, vinho do Porto da Real Vinícola, para além de toda  uma  série de  artigos  que eram vendidos nas duas lojas da Rua das Hortas (mercearia, modas, etc. ).





Três gentis senhorinhas, romanticamente vestidas, desfilam neste carro que ostenta no cimo dois cisnes brancos, desconhecendo-se porém qual a actividade que o mesmo representa.






Este foi o desfile de carros alegóricos dos mais novos. Interessante e trabalhoso este carro que ostenta um cisne e que suscitou grande curiosidade na população, europeus e africanos. Reconhecemos, entre outros, os irmãos Álvaro Andrade Vieira e Fernando Andrade Vieira (junto do cisne), tendo por detrás, Lurdes Rodrigues Costa. Ao centro, a meio da foto, Angelino da Silva Jardim e Mário de Andrade Vieira.

Fica mais esta recordação de um tempo em que, não havendo ainda à venda em Angola  determinados materiais já disponíveis nos mercados da Metrópole, procurava-se suprir a carência através da imaginação e do engenho, tendo que se recorrer ao material que havia à mão quando se pretendia organizar um evento como este. Portugal, através de medidas proteccionistas,  garantia por um lado o fornecimento de matérias primas à Metrópole, e assegurava, através delas, mercados consumidores para os produtos metropolitanos. Daí que Angola estivesse demasiado tempo com a sua industria condicionada, para além de não interessar ao regime o surgimento de um operariado nas colónias.

Fica mais esta recordação.
MariaNJardim

26 fevereiro 2010

Equipa de Basquetebol Feminino do Sport Moçâmedes e Benfica: 1964

















Da esq. para a dt.
Em cima: Elizabete Ilha Bagarrão (Betinha), a veterana Minelvina Cruz, Amélia Castro, Costa Santos, ?,
Embaixo: Graciete Ilha Bagarrão. ?, Elsa Bernardino e?

Há inúmeras fotos sobre Desporto em Moçâmedes que podem ser vistas clicando AQUI

03 agosto 2009

Desporto motorizado em Moçâmedes (actual Namibe)-Angola: 1962

 
Mazungue. Foto: Pedro Ilha.



Moçâmedes era um pequeno e simpático burgo que sempre primou pela sua juventude apegada às práticas desportivas.
Recordo com saudade as décadas de 50, 60 e parte da década de 70,  décadas fantásticas em que parecia não haver ninguém entre os 12 e os 35 anos de idade que não estivesse mobilizado para qualquer tipo de modalidade, fosse futebol, basquetebol, andebol, hóquei em patins, vela, remo, ténis, ténis de mesa, caça submarina, pesca desportiva, ciclismo, desporto automóvel, motociclismo, etc. etc. Já dedicamos neste blogue, e no nosso outro blogue dedicado ao desporto moçamedense, as diferentes modalidades desportivas, cabe agora a vez do motociclismo e do ciclismo.

Na 1ª foto estão representados os "Valentinos Rossis, cabeças de pungo". Trata-se do
1ª circuito de velocidade de motorizadas que tinha a meta no Colégio das Madres, totalizando 15 voltas. Foi realizado em Moçâmedes, em Março de 1963.  São eles: "Júlio Pereira (pau)", "Zeca Chalupa", "Jorge Maló", "João Dinis", "Mário Monteiro (o maria do kiko)", "António Pedro "(Bolacha)", o vencedor; este o team Lusolanda. Por detras, conf. refere Bolacha in Mazungue : «que me perdoe, não me recordo o nome, era o "P-15" que corria em honda». Por detrás de Jorge Maló encontra-se Dolbeth e Costa (Lanucha), mais tarde General do exército angolano.
Créditos: Mazungue. Foto: Pedro Ilha.

A foto que segue chegou até mim com com a referência Moçâmedes.


 
Mazungue. Foto: Pedro Ilha.

Seguem algumas fotos tiradas já na década de 1970, em pleno Deserto do Namibe, ainda verde, naturalmente após o período das chuvas... Lembro aos nossos conterrâneos que este blogue é aberto à vossa colaboração.

 

 Fotos: Pedro Ilha in  Mazungue.



Corrida de bicicletas, realizada no decurso das festividades do "4 de Agosto" , no início da década de 1950, no qual salientaram Marreiros e Pinto (relojoeiro) Mazungue. Foto Salvador


21 julho 2009

Grupo de jovens de Moçâmedes




Mais um grupo de jovens moçamedenses posando para a posteridade junto a um dos tanques do vasto jardim da Avenida da República, a sala de visitas de Moçâmedes.  Ao fundo o prédio onde esteve nas décadas de 40/50, os Armazéns do Minho e nos anos 60 um Banco Comercial.

Quem são?
Da esq. para a dt.: Carapanta
, Júlio Victor, Wanda Madeira e os irmãos Ferreira da Silva (Cocas e Dudu). Data provável: 1957
.........................


Jovens da nossa terra que o destino separou!

Dedico-lhes esta crónica escrita pela nossa conterrânea, poetisa e jornalista Vera Lúcia :

CRÓNICA

Cada homem já foi menino. Já teve um cavalo de fogo, galopando pelos céus, até paragens sem nome. Um cavalo de sol, sem arreios, sem crinas, galopando, hoje, para o sul, amanhã para o norte, numa ânsia louca de aventuras, numa busca esperançosa de algo. De quê? E com o decorrer dos anos, em cada galopada, qualquer coisa ficava pelo caminho. O corcel das nuvens, viajando sem destino, era os sonhos, o terrífico sabor da procura do desconhecido.

Mas o menino foi crescendo. E o cavalo de fogo, passou a ser um simples cavalo de pau, de olhos desbotados de cartão e crinas desfiadas…Era o fim da sua história. O ‘nunca mais’ de cada infância. Porque cada menino que cresce, chama-se homem. E embora todos os homens tivessem sido meninos, tivessem galopado em cavalinhos de pau, esquecem-se de tudo isso. Perdem todas as recordações. Delas nada fica: nem um cheiro, um ruído, uma cor, um sonho. Separam-se como folhas secas soltas ao vento. Seguem, errantes e indiferentes, sem olhos para ver o sol ou a lua, sem mãos para se estenderem a quem passa, imersos numa névoa que os separa.

Porém para lá da bruma, que ficará? Crinas desfraldadas em galopadas sem direcção? Corridas por valados e banhos em ribeiras escondidas? Que importa, afinal, sabê-lo?

Porque na hora de o sabermos, já os homens têm as mãos feridas pelos espinhos, já seguiram separados, levando na alma cicatrizes que lhes ficaram pelos caminhos andados.

É pena que o menino cresça. E como um vento furioso, a vida sacuda as raízes da sua alma, da alma onde outrora morava um cavalo de fogo. Um cavalo magoado que foi morrendo, como um lírio de paixão, negro como um céu sem estrelas. O cavalo de todos os meninos, o cavalo das ilusões.


(Vera Lúcia de Pimentel Teixeira Carmona,
escritora e poetisa moçamedense, )

03 junho 2009

Carnaval no Recreativo de Porto Alexandre (actual Tombwa)



Carnaval 1961 no Recreativo de Porto Alexandre.
Na 1ª foto:
Os quarto amigos inseparáveis, sempre prontos para a paródia : Eduardo Faustino, Manuel da Silva, Abel Lopes e
Álvaro Faustino.Ver mais AQUI

Na 2ª foto, reconheço entre outros, Manuela Lopes e Jorge Maló de Almeida (em 5º e 6º, em cima), à dt., Arlete Pereira. Embaixo, à dt. João Cabral Coimbra.

Se alguém reconhecer mais alguém, agradecia que entrasse em contacto através de «comentários». Muito obrigada.

30 março 2009

Himbas - Exotismo e Beleza no Deserto do Namibe














HIMBAS

No século XV, os Herero
sairam da Etiópia com os seus rebanhos, e deram início a uma extensa viagem para sudoeste em busca de pastos e sobrevivência, atravessaram a África até ao norte do actual território da Namíbia, onde se fixaram nos séculos XVII e XVII com as suas mulheres de invulgar beleza - os olhos amendoados e cintilantes, o sorriso enigmático, a cabeça enfeitada por artísticos penteados, e procederam sem delongas à conquista das áreas mais fecundas.

Os Himba, Ovahimba, que hoje vivem no Sul de Angola e no norte da Namíbia,
próximos ao Rio Cunene (rio que marca a fronteira entre os dois territórios e também no Botwana), são descendentes dos Herero.

Este povo manteve as tradições centenárias quase intactas, ainda que os que habitam a Namíbia tivessem sofrido a influência dos missionários e da voragem do progresso. Uma dessas tradições é o hábito das mulheres de cobrirem o corpo com um óleo avermelhado, mistura de banha de boi com uma pedra local, espécie de argila, que protege a pele do vento e do sol, bem como o dos penteados sumamente elaborados, enfeitados com peças de couro de metal, também eles untados com a mesma mistura, fazendo-as despender todos os dias várias horas a cuidar da sua beleza.

Peritas na arte do “coquetismo”, as himba comandam uma sociedade poligâmica, em que cada mulher pode ter vários homens.
Elas são a alma da tribo, porque mantêm a economia das suas casas e criam os filhos à sua maneira, com um carinho desvelado. São belezas africanas que muito teriam a ensinar aos entendidos, no campo da cosmética, quanto aos segredos de como possuir uma pele lisa, aveludada, e sem defeitos.

Os Mucubais e os Himbas, são praticamente a mesma raça. Ambos são povos negros bantos do Grupo Herero
que engloba vários subgrupos, incluindo o Himba, o Ovahimba, o Ovatjimba o Ovambanderu e os vaKwandu, grupos em Angola incluem o vaKuvale, vaZemba, Hakawona, Tjavikwa e Tjimba (herero pobres). Apesar de divididos em diversos subgrupos, estes povos possuem o mesmo idioma herero, além de português em angola, inglês em Botswana e inglês e africaner na Namíbia.

Secos, altivos e ferozmente independentes, e
les desconhecem fronteiras e circulam livremente entre os países e vagam pelo deserto como os leões e os elefantes, chegando a caminhar até 80 quilómetros em busca de água para o gado. Tanto esforço vale a pena: o gado bovino é o principal símbolo de status de uma família himba, e seu roubo é punido com a morte. A carne é reservada apenas para eventos especiais, como casamentos e funerais. Quando um himba morre, mata-se uma parte de seu gado e as cabeças são empilhadas ao lado da sepultura, para proteger o seu espírito. Nas aldeias himba, há sempre um curral no meio, vigiado pelo fogo sagrado chamado okuruwo. Os feiticeiros usam-no para comunicar com os ancestrais.

Presentemente estas belíssimas tribos em vias de extinção, fazem parte do roteiro turístico de quem visita o Deserto do Namibe e continua viagem até à foz do Rio Cunene e norte da Namíbia.

MariaNJardim

No livro "Revelacões da minha vida e memorias de alguns factos e homens meus" por Simão José da Luz Soriano podemos ler esta passagem: "...A duas ou tres legoas de distancia da Umpata, c na direcção de E., está o sobado da Huilla, paiz que igualmente tem ferteis terrenos, sendo cortado por muitas ribeiras e rios, cujas margens tem bellas pastagens, onde os indigenas pastoream bastantes manadas de gado vaccum. Ao sul da Huilla fica o sobado do Jau, cujos terrenos, apesar de mais extensos, são todavia de vegetação menos luxurienta, que os da Umpata e Huilla. Outros sobados se seguem ainda, como Mucuma, Hay e Gambos, sendo este um dos maiores em população. A E. dos Gambos encontramse as povoações de Mulondo, Camba e Humbe, na margem d'aquem do Cunene, que por estas terras corre n'uma curva, para ir desaguar no Oceano, pela bahia dos Tigres. O mais extenso e povoado dos sertões, além do Cunene, é o Coanhama, onde poucos brancos tem ido em procura do marfim, que alli se diz abundante. A E SE.
do Coanhama fica a terra do Donga, d'onde em distancia de 4 a 5 dias de viagem para o S. se encontram as grandes minas de cobre, que abastecem todos os sertões limitrophes. Deste metal, que os indigenas fundem, formam elles um vergalhão de um quarto de pollegada de grossura, com cinco palmos de comprido, de que fazem bracelletes para as mulheres, e que enrolado nos braços, a começar do pulso, vae em espiral até ao cotovello. http://archive.org/stream/revelaesdami00luzs...

archive.org



FILHA do NAMIBE

Filha do deserto,
da areia escaldante,
do horizonte
que não 'squeço,
do vento
que não 'spanto.


Filha do deserto!
Crestada p'las "nuances"
das miragens.
Surgida...
Envolta em neblinas.
Afagada pelo sol.


Filha do deserto!
Temperada de mar,
qu' ali tão perto,
se reflecte...
no teu olhar.


Filha do deserto!
Nada t'inibe.
Flor de welvitchia.
Filha do Namibe,
do Sol,
do Mar
dono do areal.
Filha do deserto
és tu...
Mucubal!



versos de aileda/adeliavaz
SOBRE HEREROS AQUI
VIDEO HIMBAS
Impacto colonização após anos 20 nas sociedades rurais do sul de Angola: Clicar AQUI
LIVRO

26 março 2009

Equipa tri-campeã de Angola de hóquei em patins (juniores) do Atlético Clube de Moçâmedes:






















Recepção à chegada a Moçâmedes da equipa de hóquei em patins juniores do Atlético Clube de Moçâmedes «Equipa Maravilha», após ter vencido o Campeonato de Angola em 1964, sagrando-se tri-campeã (já haviam ganho os campeonatos de Angola de 1962 e 1963). Uma autêntica proeza, caso único na história do hóquei em patins angolano!

Através das 2ª  e 3ª fotos podemos ver como era na época o nosso «aeroporto», um hangar, clássico da época, tipo grande barracão, de portas corrediças onde cabiam dakotas e friedships, ou ficavam as pessoas enquanto aguardavam a chegada  de alguma alta entidade pública de visita a Moçâmedes.

Moçâmedes era sem dúvida uma cidade hospitaleira que por vezes até se excedia em certas manifestações que não teriam a sua razão de ser, se a sua população estivesse na altura bem informada, ou politizada, sobre a realidade da situação que estávamos a viver. Porém, deste dia, não sei como nem porquê, um dia que deveria ser grandemente festejado pela população, este acontecimento passou quase desapercebido.


À chegada a Moçâmedes da «equipa maravilha» esperavam-na no Aeroporto nada mais que um grupo de «carolas» e dirigentes do clube (cerca de 70 pessoas) que, munidos de cartazes, manifestavam acaloradamente a sua satisfação por tão grande feito, m
as, volto a repeti-lo, foi uma homenagem demasiado simples para tão grande feito. Prefiro pensar que tal aconteceu porque o regresso ter-se-ia dado num dia de semana e no horário de trabalho, porque os CAMPEÕES mereciam muito mais!

Nessa altura o Atlético encontrava-se em grande luta pela sua sobrevivência, sem uma ajuda mínima do Governo Civil e da Câmara Municipal, e as forças vivas da cidade pareciam pouco ou nada sensibilizadas em relação ao desporto junior.
No entanto os nossos rapazes não desanimaram e continuaram a não permitir que os trunfos ficassem em «terra alheia». Como se não bastasse, em 1965, a «Equipa Maravilha» do Atlético Clube de Moçâmedes, já então como seniores, tornou a vencer o Campeonato de Angola. Infelizmente, em 1966, esta equipa viria a ser desfeita por força da incorporação militar dos seus elementos.

Consulte o blog MEMÒRIAS DESPORTIVAS para saber mais...







Nesta foto, a única desta série que não está legendada, tirada no final de um jogo, reconheço, da esq. para a dt.
Em cima:
Neco Mangericão, ?????, Hemitério Alves , Manuel Rios, Mário de Andrade, Artur Trindade, Congo (irmão do Xico Bamba), Arménio Jardim (Treinador do Atlético), Laurentino Jardim (jogador), Arménio Minas, Zequinha Cruz, Chibante, Orlando Saraiva dos Santos, Faustino, José Costa, Veiga, João Germano Códinha Fernandes, ???.
Embaixo:
?, Carlos Brazão ( jogador), ?, Orlando Santos (jogador), Chico Carmo, Camilo Costa , Pedro Costa (Caála), Daniel Couto, Costa (filho de Camilo Costa), Zé Adriano, Henrique Minas, Fernando Leonel Pita (Leona), Rui Mangerição, Laurindo Couto (Jogador), João Martins (Latinhas)...





Consulte o blog MEMÒRIAS DESPORTIVAS


06 março 2009

Henrique Ahrens Novais, o «campeonissimo» em Circuitos das Festas do Mar e nas pistas da Província




    


Henrique Ahrens Novais no pódio, após ter vencido o circuito automóvel das Festas do Mar 1969. A seu lado Corte Real Pereira e Silveira Machado, os dois pilotos que ficaram em 2º e 3º lugar.



As décadas de 50 e 60 foram sem dúvida as mais férteis no âmbito do automobilismo na cidade de Moçâmedes, o que se ficou de certo modo a dever-se ao progresso económico do distrito e ao facto de ter sido criado um sector desportivo dedicado a esta prática no âmbito do Rádio Clube de Moçâmedes. 





Aguardando os resultados do 1º Rallye do Caraculo.Entre outros,Gaspar Gonçalo Madeira, ao centro,

 O primeiro campeonato automóvel da cidade realizou-se no ano de 1955, disputado por 16 concorrentes distribuídos em três classes de automóveis de acordo com a respectiva cilindrada, tendo saido vencedor na classe A, Fernando Veloso de Oliveira, na classe B, Gaspar Gonçalo Madeira, na classe C, Artur Homem da Trindade. Participaram neste 1º campeonato, além destes, Mário Baptista de Sousa, Rui de Mendonça Torres, Rogério Baptista de Sousa, José Martins Cristão Jr., Fernando Pereira Cabeça, Máro António Trabulo, Dr. Mário Moreira de Almeida, Dr. Garcez Palha, Alberto Ferreira da Silva, Firmino José Parrança, Engº Romero Monteiro. 

Segundo Mário António Guedes da Silva, no seu livro «Memórias Desportivas do Distrito de Moçâmedes/Angola» este foi um primeiro passo, seguindo-se outras competições, nomedamente «puzzles», «rallys», em especial, integradas nas Festas da Cidade. O 1º Rallye ocorreu em 1958, o «Rallye do Caraculo» e teve como director de prova, o moçamedense José Martins Cristão.

No circuito das «Festas do Mar» em Março de 1969, já participaram os melhores volantes de Angola, e como referido acima, saiu vencedor o representante de Moçâmedes, Henrique Aharens de Novais, que foi imediatamente seguido de Corte Real e de Silveira Machado (foto acima).


Aharens de Novais passou a ser o alto representante de Moçâmedes nos rallyes angolanos, tendo honrado com os seus triunfos o nome da cidade e o seu próprio nome, que ficará para sempre ligado a esta modalidade desportiva.
  A seu respeito, assim escreveu Luis Bacharel in Mazungue

«O campioníssimo Novais era uma "bandeira" do automobilismo Moçâmedense. Desde o inicio com um Volkswagen, passando por um Volvo 544 (emprestado), Porsche 356, Lotus Elan e finalmente no lindo Porsche 904 GTS, fazia as delicias dos Cabeças de Peixe. Lembro-me dele ainda no inicio em provas efectuadas na avenida junto aos correios, com partida dada um a um com determinado tempo de diferença para que no final se podesse achar o vencedor. Mais tarde já com o Porsche 356 num circuito que passava pelo parque infantil e onde vi pela primeira vez o Eng.Eurico Lopes de Almeida com um Cooper de cor amarela, o Zé Caputo também em Cooper e o "boca de Sapo" de Amilcar Machado, penso que era de Sá da Bandeira, e julgo que também nesta prova o Volvo 122 de José Luis da Ressurreição. Isto para se ver que no inicio qualquer carro servia para fazer as delicias de quem assistia e de quem participava. Depois com o Lotus Elan começaram as provas onde as máquinas se começavam a equiparar. Lembro-me da decepção que foi facto do Lotus Elan de Ferreira Pires ter ficado completamente destruido por um incendio numa prova que prometia uma luta cerrada entre os dois. Finalmente o Porsche 904 com o qual começou a espalhar o seu "perfume" por toda a Angola começando aí a ganhar o respeito e admiração não só de quem assistia, mas também dos seus próprios adversários. É para mim inesquecivel, numa prova onde apareceram o Nicha e o Carlos Santos em Luanda, a foto do Novais sentado junto á trazeira do 904 com a cabeça entre os joelhos e a ser confortado pelo seu amigo e mecanico se sempre, Abel. Muito mais havia para se dizer deste pioneiro do automobilismo angolano que chegou a ser apelidado de "dragão da regularidade" não só por fazer volta a volta com tempos muito aproximados, mas também por fazer as passagens de caixa precisamente nos mesmos sitios.

Com esta minha homenagem a esse grande senhor do nosso automobilismo venho dar o meu contributo para semana "Ahrens de Novais".»



...«Quando vivi em Moçâmedes não perdia uma corrida. Eu e o meu pai ficávamos na Fortaleza e viamos ao longe a recta da meta (a avenida marginal). Depois os carros viravam à esquerda, subiam uma grande rampa, muito inclinada, novamente à esquerda, passavam em frente à Igreja de Sto Adrião, o "S" do tribunal, sempre a descer ... curva à esquerda, capitânia,.... e novamente recta da meta. Adorava ver aquelas corridas. Velhos tempos dos Coopers, NSU TT, Ford Capri, Lotus, etc, etc. A grande disputa era entre o Novais (um moçâmedense de "gema") e um "forasteiro" chamado Herculano Areias. O Novais tinha um Lotus Elan S3 e o Herculano Areias um Lotus .. , um louts ..., bem era diferente, mais potente, mas o Novais algumas vezes ganhou ao Herculano Areias. O ppl de Moçâmedes torcia pelo "nosso" Novais. Era o nosso fã. E nas corridas que faziamos com carrinhos "Dicky Toys" lá tinha que haver um Novais. O problema era que todos queriam ser o Novais. Escusado será dizer que havia uns amassos, mas chegava-se a acordo, que um seria o Novais e os restantes, os outros. ....» 
CarlosPGomes, in Sanzalangola

Ahrens Novais foi indubitavelmente o melhor piloto angolano quer na modalidade de rallyes, quer nos circuitos automóveis, e a sua imagem traz à recordação todas as alegrias que este desporto de elite deu aos moçamedenses ao volante de um carro raro e lindíssimo: o Porsche Carrera Gt Henrique Ahrens Novais, como se vê, teve uma predilecção pela máquinas saídas do génio dos Ferdinand Porsche. Também correu com um 356.

Na «SEMANA AHRENS NOVAIS» do site Mazungue, Camões Araújo refere:

«Nome inesquecivel no automobilismo angolano. Na fase de puro amadorismo foi realmente o maior e melhor corredor angolano.Refiro-me aos anos de 60/70 ,portanto antes do aparecimento das equipes patrocinadas pela BMW e Alfa..
Começou num simples VW que deixava todos os outros carros a KM de distancia..Foi o 1º carro que vi meterem umas pastilhas nos cubos das rodas de traz só para alargar o rodado ,o que lhe dava uma estabilidade incrivel para a altura.Assim com tambem foi o 1º a aparecer com as bocas do escape mais largas.Nada disso hoje é relevante mas para a epoca era revolucionario.Correu em varios carros:o VW,um LOTUS ELAN,um MGA que era lindissimo,um PORCHE antiquissimo que ja nem me lembro do modelo e depois em varios PORCHES por fim no belo PORCHE 904 GTS.Esta marca era a paixão dele.Aliás foi num belissimo 911 que teve o enorme desastre eque pôs fim a sua carreira.Morreu em Setubal em Fevereiro de 1996.»


Novais acabaria por ser vitimado por um desastre automóvel quando se encontrava em passeio na região da Huíla, tendo a partir daí se afastado denitivamente das lides automobilísticas nas vésperas da descolonização de Angola. Morreu em Setubal em Fevereiro de 1996.

Uma menção também para a participação de António Costa e Silva (Moinhos).

Ainda sobre provas automobilísticas em Moçâmedes


Foto: Novais e Jaime Lúcio dos Santos, um dos pioneiros na modalidade, preparando-se para a volta da consagração.




Ahrens Novais no seu Lotus Elan fazendo a curva para a marginal num dos circuitos das Festas do Mar em Moçâmedes. Foto retirada de Mazungue.
 
Ahrens Novais com o malogrado Dr. Castro Pereira.





LUANDA Maio de 1968: IX Circuito da Fortaleza



Muito público assistiu a esta edição do Circuito da Fortaleza que viu 23 carros à partida de uma única manga onde se misturaram carros de Turismo e de Sport. O favorito ao triunfo era o Porsche 904 GTS de Ahrens de Novais, na época o melhor carro que corria na antiga Província Ultramarina de Angola. Durante algum tempo acalentou-se a esperança de que chegasse a tempo o Lotus 47 que Fausto de Figueiredo tinha adquirido no Continente a Mané Nogueira Pinto, mas gorada essa expectativa, o interesse da corrida passou a centrar-se na disputa do segundo lugar da geral, visto o primeiro estar por suposta antecipação entregue ao piloto do 904 GTS.


E de facto assim sucedeu, pois Ahrens de Novais arrancou à frente e não mais deixaria o comando até ao final das 100 voltas ao circuito de 1832 metros. A seguir ao Porsche ficaram os dois Lancia Fulvia preparados na fábrica, de Silveira Machado e de Corte Real Pereira que acabaram por se impor aos Lotus Elan (que viriam a desistir por problemas mecânicos) e aos Alfa Romeo GTA.



Partida: Ahrens de Novais impôs a maior potência do Porsche e afastou-se rapidamente do enquadramento da foto. Na imagem podemos ver o Lotus Elan S2 de Francisco Barbosa, tendo atrás de si o Ford Cortina Lotus de António Lacerda. Mais à esquerda, na primeira linha da grelha (cada linha tinha 4 carros) vemos o BMW 1600 de Victor Rodrigues, o Alfa Romeo GTA de Fernando Pinhão (vindo da segunda linha da grelha), o Lancia Fulvia 1.3 HSR de Silveira Machado (um carro preparado na fábrica) e, mais atrás, o BMC Cooper S de Carlos Conde e o Abarth 1000 Corsa de José Teixeira.



O Porsche 904 GTS de Ahrens de Novais, vencedor do Circuito da Fortaleza de 1968
_______________________________________________________

Texto: RG a partir da reportagem do Jornal Motor, da colecção de Fernando Pereira
sportscar_portugal@hotmail.com




 
HISTORIAS DO AUTOMOBILISMO ANGOLANO:Aqui vai uma historia de 1959,imaginem os anos passados!!!!

JORNAL DE ANGOLA,Dez.59.TITULO:
1º RALLYE AUTOMOVEL DE BENGUELA,reuniu o maior numero de "volantes" de quantos se realizaram já em ANGOLA e foi presenciado por milhares de benguelenses,constituindo o maior e mais emocionante acontecimento desportivo que a cidade viveu já!.(Um aparte para dizer que este rallye coincidiu com a inauguração do HOTEL MOMBAKA,onde ficarm hospedados todos os concorrentes de fora de Benguela)Inscreveram-se 61 concorrentes e a classificação final foi.

1º AHRENS de NOVAIS (Moçamedes)-WOLKSWAGEN
2º M.M.FRAGOSO (Sa da Bandeira) -VOLVO Marreco
3º OLIMPIO RESENDE (Sa da Bandeira)-FORD
4º ALTINO FRAGA (Lobito) -WOLKSWAGEN
5º CAMÕES ARAUJO (Sá da Bandeira)-FORD V8
6º SERGIO GARCÊS (Benguela) -MG
7º EURICO L.ALMEIDA ( Benguela)-WOLKSWAGEN
8º SANCHO SANTOS (Benguela)-SAAB
9º JOSE L:ALEXANDRE (Benguela)-OLDSMOBILE
10ºJOSE PEDRO BAULETH (Moçamedes)-FIAT 1200.

Apenas mais uma historia para a HISTORIA DO AUTOMOBILISMO ANGOLANO » In Sanzalangola posted by Camões Araujo


 



 Página do Jornal «Motor no Ultramar» fazendo alusão a Henrique Ahrens Novais, o vencedor do IX Circuito da Fortaleza de Luanda1ª foto: 6 Horas do Huambo-1972.


 

 


 




Circuito de Moçâmede 1973 e VIII Circuito das Festas do Mar 1974. Fotos retirada de www.sanzalangola.com

http://www.youtube.com/watch?v=wp7dlZvyQ6A&feature=related