Era aqui a sede da Cooperativa de Habitação «O Lar do Namibe»,
Grande nr de casas em Moçâmedes tinham na parede o distintivo da Cooperativa
Elementos da direcção da Cooperativa de construção «O Lar do Namibe»,
do livro «Recordar Angola» 2. vol.
Cooperativa «O Lar do Namibe»
Nesta foto podemos ver elementos da direcção da Cooperativa de habitação «O Lar do Namibe» reunidos em casa de Mariano Pereira Craveiro, o seu fundador e presidente, em Moçâmedes. Da esq. para a dt: João dos Santos (polícia Santos). Luís de Sousa Simão, Mariano Pereira Craveiro, Maria de Lurdes, José G. Henriques de Freitas, Arménio Matos, Maria Isabel Cardador, António Rodrigues Tavares e por detrás destes, José Antunes Salvador e José Alves.
De entre todas estas figuras que deram o seu esforço e saber àquela que foi a nossa grande «Cooperativa o Lar do Namibe», salienta-se, sem desprestígio para os demais, a extraordinária figura que foi Mariano Pereira Craveiro (à esq. de camisa branca e óculos). Mariano Pereira Craveiro foi um dos espíritos mais empreendedores, se não mesmo o mais empreendedor, a quem a cidade de Moçâmedes, hoje cidade do Namibe muito ficou a dever. Foi graças a esta Cooperativa, nascida na década de 1940, e a Mariano Pereira Craveiro, que as gentes de Moçâmedes que na sua maioria vivia do vencimento único do chefe de família, puderam, finalmente, aceder ao velho sonho de ter casa própria, através de reduzidas quotizações mensais que iam ali depositando, sendo a aquisição do direito de construção efectuada através de dois sistemas, um, por sorteio mensal entre os associados, outro por número de ordem de antiguidade (número de ordem também ele efectuado por sorteio, na fase de arranque da referida Cooperativa). Foi assim que na cidade de Moçâmedes começaram a surgir bonitas vivendas e moradias, o que permitiu à cidade modernizar-se, alindar-se, e ir vencendo as areias do deserto, transformando-se na bela cidade que um dia tivemos a infelicidade de ter que abandonar...
Mas a actividade da «Cooperativa o Lar Namibe» não se limitou apenas à cidade que a viu nascer, ela acabou por se estender, numa primeira fase, à cidade de Porto Alexandre (hoje Tombwa), em seguida à cidade de Serpa Pinto (hoje Menongue), acabando por se expandir por toda a Angola e restantes ex-províncias ultramarinas, chegando mesmo à Metrópole da época (Portugal) onde já havia associados, uma vez que não existiam à data, em Angola, financiamentos bancários à habitação própria.
Faço aqui uma referência especial à cidade de Serpa Pinto que estava a ser praticamente urbanizada pela «Cooperativa o Lar do Namibe», que a transformou de uma vilazinha do interior numa cidadezinha bonita e moderna à base de lindas vivendas, em cujas fachadas ainda hoje se pode ver o azulejo com o distintivo desta Cooperativa. Infelizmente toda esta obra acabaria por ser interrompida, com grande perda para as cidades de Angola e não só.
Em 1972 ou 1973, Mariano Pereira Craveiro, vogal ("deputado") à Assembleia Legislativa de Angola por SErpa Pinto (Actual Menongue) queria impressionar o Engº. Santos e Castro. Nessa altura, fez deslocar ao Caraculo, umas dezenas de empregados, sócios e dirigentes da Cooperativa e fez colar disticos de "O Lar do Namibe" em dezenas de carros particulares que acompanharam a caravana do então Governador-Geral até ao interior da cidade de Moçâmedes (Namibe). Foto de José Fragata, testemunho de José Ascenso.
A vida em Angola, pelo menos até à década de 1960, só era facilitada para muito poucos, e se não fossem homens como Mariano Pereira Craveiro, em termos de habitação, Moçâmedes seria pouco mais que uma aldeia, e cidades como Serpa Pinto não existiam como tal à hora da independência.
De entre todas estas figuras que deram o seu esforço e saber àquela que foi a nossa grande «Cooperativa o Lar do Namibe», salienta-se, sem desprestígio para os demais, a extraordinária figura que foi Mariano Pereira Craveiro (à esq. de camisa branca e óculos). Mariano Pereira Craveiro foi um dos espíritos mais empreendedores, se não mesmo o mais empreendedor, a quem a cidade de Moçâmedes, hoje cidade do Namibe muito ficou a dever. Foi graças a esta Cooperativa, nascida na década de 1940, e a Mariano Pereira Craveiro, que as gentes de Moçâmedes que na sua maioria vivia do vencimento único do chefe de família, puderam, finalmente, aceder ao velho sonho de ter casa própria, através de reduzidas quotizações mensais que iam ali depositando, sendo a aquisição do direito de construção efectuada através de dois sistemas, um, por sorteio mensal entre os associados, outro por número de ordem de antiguidade (número de ordem também ele efectuado por sorteio, na fase de arranque da referida Cooperativa). Foi assim que na cidade de Moçâmedes começaram a surgir bonitas vivendas e moradias, o que permitiu à cidade modernizar-se, alindar-se, e ir vencendo as areias do deserto, transformando-se na bela cidade que um dia tivemos a infelicidade de ter que abandonar...
Mas a actividade da «Cooperativa o Lar Namibe» não se limitou apenas à cidade que a viu nascer, ela acabou por se estender, numa primeira fase, à cidade de Porto Alexandre (hoje Tombwa), em seguida à cidade de Serpa Pinto (hoje Menongue), acabando por se expandir por toda a Angola e restantes ex-províncias ultramarinas, chegando mesmo à Metrópole da época (Portugal) onde já havia associados, uma vez que não existiam à data, em Angola, financiamentos bancários à habitação própria.
Faço aqui uma referência especial à cidade de Serpa Pinto que estava a ser praticamente urbanizada pela «Cooperativa o Lar do Namibe», que a transformou de uma vilazinha do interior numa cidadezinha bonita e moderna à base de lindas vivendas, em cujas fachadas ainda hoje se pode ver o azulejo com o distintivo desta Cooperativa. Infelizmente toda esta obra acabaria por ser interrompida, com grande perda para as cidades de Angola e não só.
Em 1972 ou 1973, Mariano Pereira Craveiro, vogal ("deputado") à Assembleia Legislativa de Angola por SErpa Pinto (Actual Menongue) queria impressionar o Engº. Santos e Castro. Nessa altura, fez deslocar ao Caraculo, umas dezenas de empregados, sócios e dirigentes da Cooperativa e fez colar disticos de "O Lar do Namibe" em dezenas de carros particulares que acompanharam a caravana do então Governador-Geral até ao interior da cidade de Moçâmedes (Namibe). Foto de José Fragata, testemunho de José Ascenso.
A vida em Angola, pelo menos até à década de 1960, só era facilitada para muito poucos, e se não fossem homens como Mariano Pereira Craveiro, em termos de habitação, Moçâmedes seria pouco mais que uma aldeia, e cidades como Serpa Pinto não existiam como tal à hora da independência.
A economia de Angola lutava com falta de capitais, e não havia onde os obter. O Banco de Angola não proporcionava crédito a longo prazo e não pagava juros, nem à grandes nem às pequenas poupanças. As pessoas arranjaram “esquemas” habilidosos, mas éticos, para contornarem o vazio de moeda. Os comerciantes conseguiam solver os seus compromissos através de letras e sucessivas reformas. Ter-se uma letra protestada (que não foi paga dentro do prazo) era uma enorme vergonha. Havia a prática dos livros de débitos e, especialmente dos vales, onde se tomava nota da dívida e o devedor colocava a sua assinatura e a data, e assim podia levar a mercadoria. Quanto ao pagamento isso às vezes, tardava a chegar, e muitas vezes era desdobrado em prestações.
Se o atraso de Angola já vinha de séculos atrás, no século XX, até ao termo da II Grande Guerra (1939-1945), foi a passos lentos que a economia cresceu, devido a barreiras intencionalmente erguidas ao desenvolvimento da colónia. Salazar temia que o progresso de Angola viesse a apressar a sua independência, pondo em causa a própria sobrevivência de Portugal. O resultado foi retirar à colónia toda e qualquer autonomia, desenvolvê-la o "quanto baste", levando-a a obedecer cegamente e integralmente às ordens que vinham do Terreiro do Paço, de acorso com os interesses de uma burguesia Metropolitana instalada e colada ao poder, sem quaisquer preocupações com os reais interesses dos angolanos e frequentemente aos dos próprios brancos metropolitanos instalados na colónia.
Mariano Pereira Craveiro era um republicano, oposicionista do regime, fez parte juntamente com Carlos Martins Cristão, Pimentel Teixeira e outros mais, da campanha do General Humberto Delgado, na cidade de Moçâmedes. Pela primeira vez na ditadura, a oposição concorria a eleições. e o facto fez despoletar a curiosidade e o ânimo de certos sectores da população para este tipo de acontecimento, antes proibido. Ainda me lembro do discurso arrebatador de Carlos Martins Cristão, no palco do Cine-Teatro de Moçâmedes, em finais de Maio de 1958, por ocasião da campanha para as eleições presidenciais contra o Almirante Américo Tomás. Carlos Cristão, tendo Mariano Pereira Craveiro a seu lado, com a sua forte e bem timbrada voz, dizia, referindo-se ao regime vigente: "Eles é que têm as armas...eles é que têm os canhões, nós só temos os braços para trabalhar...
O que veio a acontecer a Humberto Delgado foi o que já se fazia esperar: acabou perdendo as eleições, apesar das retumbantes vitórias alcançadas, e a reacção de Salazar ao General viria algum tempo depois a culminar num bárbaro assassinado, quando o General, refugiado desde há algum tempo em Espanha, atravessara a fronteira, em Villanueva del Fresno): http://www.youtube.com/watch?v=r9vSy1S0J6U
![[0044vu.jpg]](http://3.bp.blogspot.com/_QN04x6AzKRw/RlOM7pL3AuI/AAAAAAAAB8g/YRP3wmGsI44/s1600/0044vu.jpg)
Fica a minha humilde homenagem à memória do grande «patrono» que foi MARIANO PEREIRA CRAVEIRO, figura que merecia ser erguida das brumas do esquecimento e ser para sempre lembrada pelo povo da cidade do Namibe.. Mariano Pereira Craveiro mereceria, por exemplo, ter o seu nome ligado ao único largo totalmente construído por casas da «Cooperativa o Lar do Namibe»: o ex.bairro "Heróis de Mucaba"! Afinal, em boa parte, melhor que o Namibe herdou de Moçâmedes, em termos de parque habitacional deve-o também ao espirito empreendedor de Mariano Pereira Craveiro!
Ficam enfim, mais estas recordações de um tempo passado em Angola e em Moçâmedes, hoje cidade do Namibe. Um tempo que decorreu de forma que o mundo desconhece, e porque desconhece muitas vezes são praticadas graves injustiças através da pena de alguns autores, contra a memória dos que ali viveram, ali trabalharam, ali se sacrificaram, pouparam, investiram, e ajudaram a erguer aquela terra e aquele maravilhoso país.
MariaNJardin



