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29 outubro 2008

O complexo desportivo do Sport Moçâmedes e Benfica: uma obra arrancada a ferros...




































































1ª foto: O Complexo Desportivo do Sport Moçâmedes e Benfica em fase de construção.

2ª foto: Mário António Guedes da Silva (Tesoureiro) e Lourdino F. Tendinha (Presidente da Assembleia geral) expõem ao Presidente do Conselho Provincial de Educação Física, major Fausto Simões, o plano de obras para o novo complexo desportivo do Sport Moçâmedes e Benfica. Foto tirada em 08.11.1959.


3ª foto: Os abnegados dirigentes do Sport Moçâmedes e Benfica, Luís de Sousa Simão, João Maurício, João R. Trindade e Mário António Guedes da Silva - que convictamente procuraram levar para a frente o projecto da construção do seu Complexo Desportivo - cumprimentam o então Governador Geral de Angola, Horácio de Sá Viana Rebelo que no decurso de uma visita ao Distrito aproveitara para se inteirar do andamento das obras. (foto tirada em 13.03.1959).

4ª foto: O campo de jogos do Complexo Desportivo do Sport Moçâmedes e Benfica (foto actual).


5ª foto: o aspecto exterior do Complexo Desportivo do Sport Moçâmedes e Benfica (foto actual).


O Complexo Desportivo do Sport Moçâmedes e Benfica em fase de constução, uma construção «arrancada a ferros» por falta de disponibilidade financeira. Em consequência, o ambicionado projecto de um punhado de benfiquistas «ferrenhos» ficou por terminar, incluindo a parte que iria constituir a sede directiva e administrativa do clube. Estas tiverem que passar a funcionar, provisoriamente e à espera de melhores dias, nos espaços inferiores das bancadas que foi aproveitado para o efeito.

Apesar da riqueza de Angola, e do mito da «árvore das patacas», só com muito esforço, muita luta e muita dedicação por parte de dirigentes e atletas, os Clubes desportivos conseguiam subsistir. Sem quaisquer subsídios por parte do Estado nem das Câmaras Municipais, os Clubes mantinham-se financeiramente através das pequenas quotizações dos seus associados, do precário produto dos jogos, e pouco mais. Neste contexto, era sempre uma aventura, para os dirigentes dos clubes, enveredarem por quaisquer melhoramentos que os viesse a beneficiar, bem como ao Desporto e à Cidade em geral, uma vez que não possuíam uma base financeira estável.

Foi por uma destas aventuras que enveredou a Direcção do Sport Moçâmedes e Benfica, quando,
no ano de 1957, a 11 de Março, após várias reuniões levadas a cabo para o efeito, a sua Direcção resolveu empossar uma «Comissão Pró-Sede e Parque de Jogos» constituída pelos seguintes elementos: Intendente José da Silva Vigário (Presidente), Gaspar Gonçalo Madeira (Vice-Presidente), Mário António Gomes Guedes da Silva (Secretário), João Soares (Vogal), Arménio Joaquim Lemos (Vogal), Ernesto do Oliveira (Vogal), José Alberto Pereira Monteiro (Vogal) e Pedro Lopes da Silva (Vogal). O Benfica não possuía nem uma sede nem um campo de jogos com as condições minimamente aceitáveis e muito menos de acordo com a excelência dos seus atletas, como ficara comprovado no ano de 1956, com as vitórias alcançadas nas modalidades de basquetebol feminino e masculino

Criada a Comissão, em seguida, e por deliberação de 22 de Março de 1957, são iniciadas diversas campanhas tendo em vista a angariação de fundos entre a população, industriais e comerciantes. Outras resoluções se seguiram quanto à aquisição do terreno, projectos, cálculos de betão, exposição ao Governador Geral de Angola solicitando a comparticipação no investimento, etc., etc.. Foi assim que começaram a surgir os primeiros fundos e foi possível arrematar o terreno com cerca de 4900 mts 2 por 16.802$10 à Câmara Municipal de Moçâmedes e partir para a elaboração do projecto que incluía o parque de jogos e o edifício-sede, da autoria do desenhador-técnico, António Coelho. A Câmara Municipal da cidade apenas ofereceu as primeiras carradas de areia, e Gaspar Gonçalo Madeira, membro da «Comissão Pró-Sede e Parque de Jogos» prontificou-se a assegurar a cobertura dos camarotes e a fornecer todo o ferro necessário para a respectiva construção a preço do custo. O produto das subsequentes angariações de fundos permitiu erguer as paredes de todo esse complexo. O sonho dos benfiquistas de um estádio completamente circundado de bancadas e camarotes com a capacidade de cerca de 4 mil pessoas sentadas, estava finalmente em marcha... Faltava, porém, para que a obra pudesse avançar o subsídio do Governo Geral, e foi perante essa necessidade que Mário António Guedes da Silva foi levado a deslocar-se a Luanda para angariar também alí donativos, tendo regressado com a quantia de 20 mil escudos que foi imediatamente aplicada.

Esgotados todos os recursos, e com a obra em risco de parar,
em 19.11.1957 foi apresentada uma 2ª exposição ao Governo Geral de Angola, desta vez despachada favoravelmente, tendo sido atribuído um subsídio de 150 mil escudos. Como refere Mário Guedes no seu livro «Memórias Desportivas do Distrito de Moçâmedes - Angola»: «trilhava-se diariamente os caminhos da fé para se chegar à ilha dos sonhos»...

No ano de 1958, perante o reconhecimento dos esforços efectuados, o Governo Geral de Angola acabaria por reforçar a verba inicial com mais 1o0 contos, perfazendo um total de 250 mil escudos. Contudo esta verba era ainda insuficiente e não permitia avançar para a conclusão do empreendimento, e no ano de 1959,
no decurso da visita do Governador Geral de Angola a Moçâmedes e ao complexo desportivo a 13.03.1959, uma 3ª e última verba foi concedida, no valor de 150 mil escudos, face ao reconhecimento dos trabalhos já executados.
Esta verba permitiu a conclusão do campo de jogos, porém não permitiu a total concretização do sonho:
a construção da Sede, integrada no complexo. Faltava ainda uma nova etapa bem como verbas mais elevados, situação que daí para a frente se tornara ainda mais difícil para o Benfica. Era com estas mentalidades que se vivia na época. Se alguma coisa era feita, era, como neste caso, graças ao esforço de um punhado de abnegados dirigentes que conseguiram o complexo, inacabado embora, mas funcional e mais de acordo com as aspirações dos seus atletas, afinal os grandes inspiradores deste projecto!

Entretanto
os tempos mudaram...
Ficam mais estas memórias para a história da nossa cidade!

(texto elaborado a partir da leitura do livro «Memórias Desportivas do Distrito de Moçâmedes», de Mário Guedes da Silva. Imagens do mesmo livro (as 3 últimas)

Para ver mais sobre Desporto em Moçâmedes, até 1975:
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Créditos de imagem: As três primeiras fotos: livro
«Memórias Desportivas do Distrito de Moçâmedes - Angola» de Mário António Guedes da Silva
As 4ª e 5ª fotos foram gentilmente cedidas por Telmo Ascenso.

07 outubro 2007

Alexandrenses festejam na rua a vitória do Independente: 1971







Duas fotos que mostram bem a alegria dos alexandrenses que vieram para a rua festejar a conquista pelo Independente Clube de Porto Alexandre, da monumental taça CUCA .

Na 2ª foto reconheço o conhecido casal de foliões, Àlvaro Faustino e Elizabete Pessanha Faustino, que ainda hoje, mais de 36 anos depois, animam com à sua maneira de ser e de estar, alegre e divertida, muitos dos bailes realizados em salões e hotéis algarvios, sobretudo da cidade de Portimão, onde residem.
Da equipe vencedora do campeonato de futebol de Angola por três anos sucessivos (1969, 1970 e 1971), contavam: Gavino, Gancho l (treinador e capitão) , Fernando, Cardeal, Quicas, Estrela ll, Estrela I, Osvaldo, Bastos, Armandinho, Mário José, Castro, Sancho ll, Agostinho e Neto.


Originalmente escrito por zezasancadas

INDEPENDENTE,GANHOU O CAMPEONATO,
MOSTROU,QUE ERA VALENTE,
FORTE E BATALHADOR,
CHUTANDO A BOLA,CORRENDO PRA DEFESA,
FEZ JOGOS COM DESTREZA,
COM ALMA E COM AMOR.

Ó VALENTE, INDEPENDENTE,
SÓ TU ÉS A NOSSA ADMIRAÇÃO,
DO DISTRITO,COM GALHARDIA,
TU ÉS O CAMPEÃO.

16 abril 2007

E assim nasceu o pavilh campo de jogos do Sport Moçâmedes e Benfica...






As duas primeiras fotos mostram-nos uma jovem equipe de hóquei em patins do Sport Moçâmedes e Benfica (por volta dos anos 70), já no novo (na altura) Pavilhão desportivo daquele Clube, podendo ver-se também o emblema da águia ao fundo. Na 2ª (foto recente), gentilmente cedida por Telmo Ascenso, o campo de jogos apresenta-se vazio, mas permite ver o seu bom estado de conservação, após mais de 30 anos. Bem haja!

3º foto: Nesta foto, os dirigentes do Sport Moçâmedes e Benfica, Luís de Sousa Simão, João Maurício , João R. Trindade e Mário António Guedes da Silva recebem o então Governador Geral de Angola Horácio de Sá Viana Rebelo, de visita ao novo complexo desportivo, como se pode ver, já em construção (foto tirada em 13.03.1959).

 
Esta é a foto do dia do inicio das obras do Pavilhão


4ª foto: O complexo desportivo do Sport Moçâmedes e Benfica ainda em construção (vista aérea).



 


 5ª foto: Mário António Guedes da Silva (Tesoureiro) e Lourdino F. Tendinha (Presidente da Assembleia geral) expõem ao Presidente do Conselho Provincial de Educação Física, major Fausto Simões, o plano de obras para o novo complexo desportivo do Sport Moçâmedes e Benfica. Foto tirada em 08.11.1959.


Apesar da riqueza de Angola, só com muito esforço, muita luta e muita dedicação por parte de dirigentes e atletas, os Clubes desportivos conseguiam subsistir. Sem quaisquer subsídios por parte do Estado nem das Câmaras Municipais, os Clubes mantinham-se financeiramente através das pequenas quotizações dos seus associados, do precário produto dos jogos, e pouco mais. Neste contexto, era sempre uma aventura enveredar por quaisquer melhoramentos que viessem beneficiar os Clubes, o Desporto e a Cidade em geral, uma vez que não possuíam uma base financeira estável. Foi por uma destas aventuras que enveredou a Direcção do Sport Moçâmedes e Benfica, quando no ano de 1957, a 11 de Março, após várias reuniões levadas a cabo para o efeito, a sua Direcção resolveu empossar uma «Comissão Pró-Sede e Parque de Jogos» constituída pelos seguintes elementos: Intendente José da Silva Vigário (Presidente), Gaspar Gonçalo Madeira (Vice-Presidente), Mário António Gomes Guedes da Silva (Secretário), João Soares (Vogal), Arménio Joaquim Lemos (Vogal), Ernesto do Oliveira (Vogal), José Alberto Pereira Monteiro (Vogal) e Pedro Lopes da Silva (Vogal). O Benfica não possuía nem uma sede nem um campo de jogos com as condições minimamente exigidas e muito menos de acordo com a excelência dos seus atletas, como ficara comprovado no ano de 1956 com as vitórias alcançadas nas modalidades de basquetebol feminino e masculino

Criada a Comissão, em seguida, e por deliberação de 22 de Março de 1957, são iniciadas diversas campanhas tendo em vista a angariação de fundos entre a população, industriais e comerciantes. Outras resoluções se seguiram quanto à aquisição do terreno, projectos, cálculos de betão, exposição ao Governador Geral de Angola solicitando a
comparticipação no investimento, etc., etc.. Foi assim que começaram a surgir os primeiros fundos e foi possível arrematar o terreno com cerca de 4900 mts 2 por 16.802$10 à Câmara Municipal de Moçâmedes e partir para a elaboração do projecto que incluía o parque de jogos e o edifício-sede, da autoria do desenhador-técnico, António Coelho. A Câmara Municipal da cidade ofereceu as primeiras carradas de areia, e Gaspar Gonçalo Madeira, membro da «Comissão Pró-Sede e Parque de Jogos» prontificou-se a assegurar a cobertura dos camarotes e a fornecer todo o ferro necessário para a respectiva construção a preço do custo. O produto das subsequentes angariações de fundos permitiu erguer as paredes de todo esse complexo. O sonho dos benfiquistas de um estádio completamente circundado de bancadas e camarotes com a capacidade de cerca de 4 mil pessoas sentadas, estava finalmente em marcha... Faltava, porém, para que a obra pudesse avançar o subsídio do Governo Geral, e foi perante essa necessidade que Mário António Guedes da Silva foi levado a deslocar-se a Luanda para angariar também alí donativos, tendo regressado com a quantia de 20 mil escudos que foi imediatamente aplicada. Esgotados todos os recursos, e com a obra em risco de parar, em 19.11.1957 foi apresentada uma 2ª exposição ao Governo Geral de Angola, desta vez despachada favoravelmente, tendo sido atribuído um subsídio de 150 mil escudos. Como refere Mário Guedes no seu livro «Memórias Desportivas do Distrito de Moçâmedes - Angola»: «trilhava-se diariamente os caminhos da fé para se chegar à ilha dos sonhos»... No ano de 1958, perante o reconhecimento dos esforços efectuados, o Governo Geral acabaria por reforçar a verba inicial com mais 1o0 contos, perfazendo um total de 250 mil escudos. Contudo esta verba era ainda insuficiente e não permitia avançar para a conclusão do empreendimento, e no ano de 1959, no decurso da visita do Governador Geral de Angola a Moçâmedes e ao complexo desportivo a 13.03.1959, uma 3ª e última verba foi concedida, no valor de 150 mil escudos, face ao reconhecimento dos trabalhos já executados. Esta verba permitiu a conclusão do campo de jogos, porém não permitiu a total concretização do sonho: a construção da Sede, integrada no Complexo. Faltava ainda uma nova étape bem como verbas mais elevados... o que daí para a frente se tornara mais difícil. E foi assim que o Sport Moçâmedes e Benfica conseguiu o seu complexo desportivo, inacabado embora, mas funcional e mais de acordo com as aspirações dos seus atletas, afinal os grandes inspiradores deste projecto! Entretanto os tempos mudaram...
(texto elaborado a partir da leitura do livro «Memórias Desportivas do Distrito de Moçâmedes», de Mário Guedes da Silva. Imagens do mesmo livro (as 3 últimas).
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26 março 2007

Inauguração do Estádio Municipal de Moçâmedes (actual Namibe): Estádio Municipal Telmo Vaz Pereira no ano de 1972




Foto: Esta foto eterniza o momento da abertura de portas para a cerimónia da inauguração do Estádio Municipal


No dia 26 de Novembro de 1972, finalmente, Moçâmedes, passou a dispor de um novo Estádio Municipal: o Estádio Municipal Telmo Vaz Pereira, no local chamado «furnas de Santo António».  Este local, perto do antigo campo de aviação, que se adaptou perfeitamente àquela construção, foi aproveitado para o efeito por se tratar de um baixio, onde ficavam as ditas «furnas».

 
Foto: Descerramento da tradicional placa comemorativa da inauguração do Estádio Municipal, pelo então governador do distrito de Moçâmedes


Foto: Desfile dos atletas e das modalidades desportivas do distrito de Moçâmedes (vale a pena ver esta bonita foto aumentada).
A seguir a este desfile seguiu-se o desafio de futebol entre o Independente de Porto Alexandre e o Varzim Sport Clube da Metrópole.

Este dia, para além da cerimónia tradicional de descerramento da placa comemorativa pelo então Governador do Distrito de Moçâmedes, foi marcado por um desfile de atletas de todas as modalidades desportivas e ainda por um jogo de futebol disputado entre o Independente de Porto Alexandre e o metropolitano Varzim Sport Clube.




Foto: Bancada de honra, onde pode ver-se, atrás, da esq. para a dt.- Governador do Distrito de Moçâmedes, Luís Gonzaga Bacharel (Presidente interino da Câmara Municipal de Moçâmedes), Engº Alípio Pinheiro da Silva e Lourdino Tendinha (Presidente da Câmara de Porto Alexandre). à frente, da esq.para a dt.: esposa do Governador, Ascenção Bacharel e esposa de Alípio Pinheiro da Silva

Foto:  À saída do Estádio, no final das cerimónias de inauguração. Ao centro, o Governador do Distrito de Moçâmedes e Luís Gonzaga Bacharel (Presidente interino da Câmara Municipal de Moçâmedes). À esq., a esposa do Governador e Ascenção Bacharel. À dt. Sousa Jr. (Lico), vereador da Câmara Municpal de Moçâmedes e o Secretário do Governador.
                                                            

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Finalmente Moçâmedes tinha conquistado o direito de ter um Estádio Municipal moderno e mais de acordo com o tempo que se estava a viver em Angola, e com  as necessidades crescentes da sua população.

Para trás ficara o velho campo de terra batida e sem condições onde até então se efectuavam encontros de futebol, próximo do edifício dos Caminhos de Ferro, com bancadas e balneáreos rudimentares inadequadas  ao tempo, mas que durante décadas e décadas fora para a população um local de encontros e reencontros, de aplausos e de ovações, onde se reunia não apenas aplaudir enebriadamente os clubes e os seus atletas da sua preferência, mas também para assistir a festivais de ginástica, desfiles de toda a ordem, corridas de motorizadas, puzzles, gincanas,  etc, e até sessões polítícas de esclarecimento como as que vieram a acontecer já em em 1975, tempo de descolonização. 

Nunca é demais lembrar que do velho campo de futebol de terra batida sairam «vedetas» que foram alimentar o desporto desta modalidade noutras paragens longínquas, levando consigo o nome de Moçâmedes e de Angola, como foi o caso de Fernando Peyroteo, conhecido por «o pé de canhão», que fez parte dos célebres «cinco violinos» do Sporting Clube de Portugal e da Selecção Nacional e que figurou entre os melhores do desporto português de todos os tempos, chegando a ser seleccionador nacional o ano de 1961. Fernando Peyroteo era natural da Humpata-Angola e inciou-se no futebol em 1832, aos 14 anos, no Atlético Clube de Moçâmedes. 

Lembremos também os pioneiros do futebol moçamedense, que partiram para estas lides, adquirindo equipamentos com o seu próprio dinheiro, que suportaram todos os sacrifícios e limitações,  em péssimas condições e que nunca se deixaram vencer, fazendo rejubilar de alegria uma cidade inteira.  

Deixo ainda aqui uma referência a esse punhado de «carolas»  dedicados que, com engenho e improvisação permitiram a planificação de recintos desportivos, a aquisição de equipamenos e tantas coisas mais, e a todos quantos, industriais e comerciantes da Moçâmedes de então contribuiram com sua preciosa ajuda para as salutares lides desportivas que em Moçâmedes conquistaram lugar de eleição. Recordo, entre outros o empenhamento de João Patrício Correia, o grande mecenas que possibilitou a construção da sede e do rink de patinagem do Atlético Club de Moçâmedes nos finais da década de 40, no local onde se encontrava instalado o antigo Teatro Garrett, que na época era considerada a mais bela sala de espetáculos em toda a Angola e que foi radicalmente transformada.

Os clubes no distrito de Moçâmedes, sem quaisquer subsídios por parte do Estado e das Câmaras Municipais, foram até ao fim da colonização portuguesa sempre carentes de recursos materiais e iam sobrevivendo na dependência das quotizações dos seus sócios, das poucas receitas dos jogos que se iam efectuando e de outros mecanismos como o bingo (quino), festas, etc... Restava pois o esforço e empenhamento dos atletas, a «carolice» e dedicação de uns quantos moçamedenses que nas horas de lazer se dedicavam à causa clubista, bem assim como  o incentivador calor dos aplausos da gentes de Moçâmedes no momento dos jogos.

Para se ter uma ideia da precaridade de meios,  bastaria lembrar quão difícil foi o processo de captação de donativos para a construção do mais recente complexo desportivo da cidade, o complexo do Sport Moçâmedes e Benfica. Obra inacabada é certo, mas na qual se empenharam até à exaustão «carolas» benfiquistas, para levar para a frente o seu propósito, e a mesma viesse a ser, como foi,  inaugurada em Novembro de 1960; incluso, deslocando-se a Luanda para junto do Governo Geral procurar sensibilizar as autoridades para a concretização do sonho, isto porque os apoios conseguidos junto da Câmara Municipal de Moçâmedes, de comerciantes e industriais do pequeno burgo, e através de petições junto da população em geral, não dava para mais. 





texto de MariaNJardim


Fotos gentilmente cedidas por Ascenção Bacharel.

25 março 2007

Espectadores de oquei em patins no campo do Benfica de Moçâmedes ( actual Namibe) : anos 60












De todos estes espectadores de um jogo de oquei em patins, apenas reconheço alguns elementos da família Ascenso, no canto sup. esq.. De facto, Moçâmedes, de uma pacata cidade onde todos se conheciam, onde todos eram primos e primas, a partir de meados da década de 60 cresceu bastante em população, e eu que a vi crescer, que vi abrirem as primeiras valas para a colocação da energia eléctrica, que vi colocarem o asfalto nas ruas, fazerem os aterros para a marginal e o porto comercial, que vi enfim, chegar muita gente nova ..., estou aqui impotente, sem conseguir descobrir caras conhecidas! Alguém me pode ajudar?

15 março 2007

Fotos das equipes de basquetebol feminino do Atlético, Benfica, Ginásio e Ferrovia: década de 50



1ªfoto:
Equipe feminina de basquetebol do Sport Moçâmedes e Benfica, no ano de 1953
. Da esq. para a dt., em cima: Fernandina Peyroteu, Maria Gouveia (Tito), Virginia Uria, Marlene Oliveira. Em baixo: Gina Trindade, Clarabela Trindade (Bela), ...e Fátima Abrantes

2ª foto:
Equipe feminina de basquetebol do Atlético Clube de Moçâmedes, rodeada por alguns dirigentes e adeptos daquele Clube. Da esq. para a dt:

Em cima: Guilherme de Almeida, ?, ?, Eduardo, ?, Claudete Figueiredo, Suzete Freitas, Diogo e Eduardo Brazão filho (o poeta Mossungo)
Em baixo: Costa, Júlia Jardim, Leonilde Sousa (Nide), Emilia Alves (Milocas) e Herique Minas.

3ª foto:
Equipe feminina de basquetebol do Ginásio Club da Torre do Tombo, no ano de 1954. Da esq. para a dt. Em cima: Paula Ferreira (Paulita), Lena Gomes, Fernando França Galvão (treinador), Frencelina Gomes e Lena Santos. Em baixo: Nídia Almeida, Celísia Calão e Eduarda Bauleth


4ª foto:
Equipe feminina de basquetebol do Ferrovia de Moçâmedes em 1955. Em cima e da esq. para a dt., para além treinador, ???) Figueiredo, ? Pinha, (a completar). Em baixo: Claudia Guedes, Emilia Alves (Milocas), Boneca e Manuela Alves...
Nota: Para ver centenas de fotos sobre desporto em Moçâmedes, consulte também:
http://www.flickr.com/photos/mocamedes_desporto

O hóquei em patins em Moçâmedes nas decadas de 1954 a 1969


Independente de Porto Alexandre. 1952. Em cima, da esq para a dt.: Humberto Tendinha, Mário Lopes, Álvaro Faustino, Hernani Silva e Zéquinha Carvalho. Embaixo: Parente, Venâncio e Abel Lopes.
Atlético Clube de Moçâmedes. Da esq. para a dt, em cima: Rui Coelho, Arménio Jardim, Tolentino Ganho e Geny Guerra. Embaixo: José Adriano Borges, Alvaro Jardim (Chamenga) e Henrique Minas . Mascote, Laurentino Jardim.  1954
Sport Moçâmedes e Benfica.  Da esq. para a dt. Em cima: Rui Coelho Oliveira, António Cardoso Alves (Gargalinhos), Emílio Teixeira e Edgar Aboim. Embaixo: António Rodrigues Araújo, Bento, Abrantes e José Fernando Soares. 1955

Da esq para a dt. Em cima:  Zeca Castro Alves e Ascenso. Emxaixo: Nono Bauleth,  Amável, e os irmãos Quim e Carlitos Guedes.

 
1. O SURGIMENTO DO HÓQUEI EM PATINS EM MOÇÂMEDES


Foi tardiamente que a modalidade de hóquei em patins surgiu no distrito de Moçâmedes. Já no período pós guerra, a selecção portuguesa havia sido tetra-capeã mundial de oquei em patins nos anos de 1947-1948-1949-1950, e Angola contava há bastante tempo com essa modalidade nas cidades de Luanda, Lobito, Benguela e Nova Lisboa, enquanto Moçâmedes, (que desde 1919 avançara noutras modalidades, como o futebol, com as equipes do Independente de Porto Alexandre e o Ginásio Clube da Torre do Tombo) se deixara atrasar por razões de ordem económica. Os clubes em permanente crise financeira e sem apoios das instituições oficiais, não possuiam fundos suficientes para partir mais cedo para a construção de «rinks», nem para e aquisição de equipamentos. Restava a «carolice» de alguns adeptos e o esforço e dedicação dos seus atletas, aos quais se deve o imparável desenvolvimento desta modalidade no início da década de 50.


O surgimento da modalidade de oquei patins de Moçâmedes em 1950, ficou a dever-se fundamentalmente a duas grandes individualidades personalizadas por José Adriano Borges, o popular, e Raul Radich Júnior. Zé Adriano, figura inegualável, amante do desporto, que ele próprio praticou, nas modalidades de futebol, ciclismo e hóquei em patins, trouxe o «bichinho» do hóquei em patins, do Lobito, onde praticou a modalidade, para Moçâmedes. Raul Radich Júnior, o mecenas que não só contribuiu monetariamente com a totalidade do custo do equipamento (patins sticks caneleiras e joelheiras) para que o Atlético tivesse uma secção de hóquei em patins, como contribuiu para o surgimento da modalidade em Moçâmedes. Infelizmente Raul Radich Júnior, dado o seu prematuro e inesperado falecimento, não viria a gozar os frutos da sua dádiva, ou seja, as alegrias proporcionadas pelo oquei do Atlético Clube de Moçâmedes, que culminaram com a conquista de nada menos que 7 campeonatos se Angola, 3 campeonatos de Angola de júniores e 4 de séniores, os primeiros nos anos 1962, 1963 e 1964 e os segundos nos anos 1965, 1967, 1969 e 1971. Uma verdadeira proeza, com realce para o facto de o campeonato de 1975 ter sido ganho pela célebre e extraordinária «Equipa Maravilha», no ano da sua estreia na classe de seniores.


2. PIONEIROS DO HÓQUEI EM PATINS EM MOÇÂMEDES (seniores): Atlético Clube de Moçâmedes


Como já atrás ficou dito, a história do óquei em patins em Moçâmedes começou com o Atlético Clube de Moçâmedes, por volta de 1950/51, quando José Adriano Borges, transferido dos Caminhos de Ferro do Lobito para os Caminhos de Ferro de Moçâmedes resolveu criar ali uma equipe de hóquei em patins. Zé Adriano não perdeu tempo. Habituado que estava às lides desportivas na cidade do Lobito, e envolvido que se encontrava naquela modalidade, começou a treinar a 1ª equipe pioneira de oquei em patins na classe de seniores do distrito, na qual para além do próprio Zé figuravam os seguintes elementos: Zico Cristão, Faquica Guerra, Henrique Minas , James, José Manuel Frota, António Minas (Tonico).

A escolha recaiu no Atlético talvez por ser na altura o único clube da cidade a possuir um campo de jogos disponível para o efeito, talvez por inclinação pessoal do Zé. Contudo, esta primeira tentativa de constituição de uma equipe foi sol de pouca dura, porque logo após a realização de um primeiro jogo contra a equipe do Lobito, no campo de jogos do Atlético, logo se esboroou por falta de competição. Na altura o campo de jogos do Atlético não estava vocacionado para o basquetebol e para que esse 1º jogo pudesse realizar-se tiveram que ser improvisadas tabelas com blocos de cimento de construção civil, colocados à volta do campo.


3. PIONEIROS DO HÓQUEI EM PATINS EM MOÇÂMEDES (juniores): Atlético Clube de Moçâmedes

Com a desaparecimento precoce da 1ª equipe séniores do Atlético, mais uma vez Zé Adriano não perde tempo. Desta vez (1951) volta-se para um grupo de miúdos com cerca de 12 anos de idade que andavam a patinar no campo do Atlético com vulgares patins winshester (patins de rodas finas, sem botas, ajustados aos sapatos com engates e com uma correia sobre o peito do pé), e que tinham por «heróis» oquistas portugueses como os primos Jesus Correia e Correia dos Santos, da selecção nacional, que na altura ganhara vários campeonatos do mundo seguidos, e cujos relatos, difundidos pela emissora nacional, seguiam atentamente. Eram eles o Nico Maló de Abreu (mais tarde guarda-redes na Académica de Coimbra), o Arménio Jardim, o Rui Mangericão, o Leston Martins, o Tolentino Ganho , Chiquinho Ganho, Rui Frota, e o Pierino. Deste grupo nasceu a equipa pioneira de hóquei em patins júniores do Atlético Clube de Moçâmedes e do distrito, usando os patins e equipamento da fugaz equipa pioneira de seniores.

Em seguida (1952) é criada a equipe de júniores do Sporting Clube de Moçâmedes, com os irmãos Quim e Carlitos Guedes, os irmãos Castro Alves, o Nono Baulleth, o Artur Trindade, o Alvarinho Ascenso, e ainda o Rui Mangericão e o Maló de Abreus que entretanto haviam saído do Atlético para a esta equipa.

Quase ao mesmo tempo, surge a equipe de hóquei em patins juniores do Independente de Porto Alexandre, com Venâncio, Parente, Mário Lopes, Hernâni Silva, Baptista, Faustino, Zequinha Carvalho e Humberto Tendinha. Nessa altura nenhum clube possuia equipe de hóquei sénior.


3. O PRIMEIRO JOGO (juniores)
O 1.ª jogo de hóquei em patins no distrito de Moçâmedes foi efectuado entre o Independente de Porto Alexandre e Atlético Clube de Moçâmedes, na classe de júniores e no campo de jogos do Independente, tendo saído vencedor o Atlético. Sobre este jogo vou deixar aqui uma curiosidade: Porto Alexandre nessa altura ainda não possuia luz eléctrica e os jogos tinham que ser efectuados antes do anoitecer. A equipe do Atlético saira de Moçâmedes rumo a Porto Alexandre às 7 manhã com tempo de sobra para chegar a horas ao jogo, marcado para as 4 hs da tarde. Chegada a hora, com o campo apinhado de gente, os jogadores ainda não haviam chegado. A carrinha de caixa aberta que os transportava na carroçaria por aquela estrada de terra solta, comendo pó o caminho todo partira o veio de transmissão e só chegara a Porto Alexandre 12 hs mais tarde, era já noite. No campo de fronte à Igreja e junto à praia, ninguém havia arredado pé, e este 1º jogo acabou por decorrer à luz de candeeiros de petromax o que obrigava a que de vez quando o jogo tivesse que parar para se dar à bomba nos referidos candeeiros. Nesta época, uma viagem de Moçâmedes a Porto Alexandre (100 km), em estrada não asfaltada, demorava cerca de 3 /4 horas, e se fosse efectuada na carreira da empresa de Zé de Sousa (Sousa & Irmão), chegava a levar 6/7 horas. Curioso era também o método como se efectuava o contacto telefónico em pleno deserto entre a carreira e a respectiva oficina Sousa e Irmão em Moçâmedes: o motorista, na passagem pelo «Buraco» (zona a meio do caminho onde o terreno faz uma depressão), saía da carrinha com um telefone na mão, subia ao tejadilho e ligava-o à linha telefónica! Estava o assunto resolvido.

Nesse 1º jogo alinharam pelo Atlético: Leston Martins, Henrique Minas, Arménio Jardim, Tolentino Ganho e Pierino Nobrega, e pelo Independente de Porto Alexandre: Venâncio, Parente, Mário Lopes, Hernâni Silva, Zequinha Carvalho, Humberto Tendinha, Abel Lopes e Alvaro Faustino

4. A primeira equipa de Moçâmedes a jogar fora de portas



A primeira equipa de Moçâmedes a jogar fora de portas foi a equipe de júniores do Atlético Clube de Moçâsmedes, em Nova Lisboa (Huambo), no ano de 1953, onde foram mais uma vez os ganhadores. Antes haviam vencido o Independente de Porto Alexandre tanto em Moçâmedes como naquela vila. A equipa do Atlético era contituida por Leston Martins, Henrique Minas, Arménio Jardim, Tolentino Ganho e Pierino. 
5. A NOVA EQUIPE DE SENIORES DO ATLÉTICO CLUBE DE MOÇÂMEDES


De um ano para outro e por falta de regulamentação adequada, estes miúdos deram um salto em altura, e passaram de júniores a séniores, passando a equipe de Atlético a ser assim constituída: na baliza, Alvaro Jardim (Chamenga) em substituição de Leston Martins que se ausentou da cidade, Henrique Minas (defesa), Arménio Jardim (médio), Tolentino e Pierino (avançados).

O primeiro jogo de hóquei em patins séniores desta equipe deu-se entre o Atlético Clube de Moçâmedes e uma equipe representativa da cidade de Sá da Bandeira, tendo vencido o Atlético. Sá da Bandeira possuía vários Clubes e alguns elementos desses clubes como Zeca Araújo e Calota Fontoura encontravam-se em Moçâmedes em férias balneares, reuniram-se, formaram uma equipe (espécie de selecção), e jogaram não só contra o Atlético Clube de Moçâmedes mas também contra o Sporting. No jogo contra o Atlético foi este o clube vencedor.

Os tempos decorridos de 1954 até 1960, época em que começaram os campeonatos de Angola de hóquei em patins foram tempos interessantes em que se viveram momentos gloriosos desta modalidade na cidade de Moçâmedes. As equipas do Atlético, do Sporting e até do Benfica aproximavam-se muito umas das outras e mantinham um alto nível de competição que dava gosto ver, recheadas que se encontravam de magníficos oquistas, sobretudo nos dois primeiros clubes, e os encontros rodeavam-se sempre de forte emotividade. Os campos do Atlético e do Sporting enchiam-se de adeptos, gente de todas a idades, homens e mulheres que afluiam em massa para ovacionarem as suas equipes preferidas. Eram apenas jogos particulares entre equipes moçamedenses, numa época em que actividade desta modalidade não durava mais que três meses em cada ano, e em que os jogadores de hóquei praticavam também basquetebol e até futebol para estarem sempre envolvidos.

Os hoquistas de Sá da Bandeira, na altura, consideravam-se os senhores do oquei em patins do sul Angola e ficaram admirados com a habilidade e o nível alcançado pelos jovens de Moçâmedes. Desta época transcrevo aqui um texto de um dos melhores oquistas de Sá da Bandeira, o Zeca Araújo (...)

A modalidade de hoquei em patins do Independente Clube de Porto Alexandre durou muito pouco tempo com ida de Mário Lopes, Hernâni Silva para o Liceu Diogo Cão em Sá da Bandeira para prosseguirem os estudos, uma vez que aquela vila, nessa altura, sequer possuía o secundário e Moçâmedes não possuía ainda a instituição liceal. A velha ideia de que a escola deveria estar em consonância com as actividades comerciais e industriais das cidades, prejudicou as suas gentes. Na óptica do lesgislador as vilas e cidades dedicadas à industria da Pesca, não precisariam de doutores…mas sim de profissionais mais ou menos aptos para tudo quanto andasse à volta de ramos como o comércio e a indústria. Mas voltemos ao assunto que interessa, o oquei em patins.

Em 1960 dá-se o 1º campeonato de seniores de Angola, em Luanda. Nesse 1º campeonato coube ao Sporting Clube de Moçâmedes a representação da cidade do Namibe, com uma equipe constituida por Calo, Briguidé, Carlitos e Quim Guedes, Rui Sampaio e Rui Mangericão. Participaram nesse campeonato as equipes da Casa do Pessoal do Porto do Lobito e do Hóquei Clube do Huambo. O clube vencedor foi o Benfica de Luanda no qual alinharam Fernando Cruzeiro, Roque (baliza), Marques (defesa) Fernando Cruzeiro (Médio) Arménio Jardim e Filipe (avançados).

Nessa altura o Atlético Clube de Moçâmedes estava sem equipe com os primos Jardins, Carlos, Alvaro e Arménio na tropa, o 1º em Nova Lisboa a alinhar pelo Benfica daquela cidade 2º em Luanda a alinhar pelo Benfica, e com o afastamento pura e simples de Henrique Minas e Zé Adriano. Aliás, o periodo que decorreu entre 59 /60/61, foi um período em que o hóquei seniores moçamedense praticamente desapareceu com a ida para a tropa da maioria dos jogadores dos três clubes da cidade, como foi também o caso dos jogadores do Sporting Quim Guedes, Carlitos Guedes, Mangericão, Briguidé, e Rui Sampaio e do Benfica....

Na tropa em Nova Lisboa Rui Mangericão e Alvaro Jardim, passaram a alinhar pelo Benfica daquela cidade e mais tarde em Luanda, Mangericão pelo Maianga e Alvaro pelo.... E quando a tropa acabou, a maioria não regressou à sua terra, como foi o caso de Rui Mangericão, Chamenga, ... e os que regressaram como foi o caso de Quim Guedes afastaram-se definitivamente.

Entretanto começa a surgir uma nova «fornada» de futuros jogadores...




 
 
5. OS NOVOS VALORES: A "EQUIPA MARAVILHA"

O Atlético Clube de Moçâmedes mais uma vez descobre um grupo de miúdos que andavam a patinar pelas pelas ruas da cidade fazendo corridas com patins e que tinham como seus 'heróis' os hoquistas bons do Atlético e no Sporting Clube de Moçâmedes. Este grupo coeso conseguiu reunir todas as condições que motivaram o aparecimento da célebre equipa "MARAVILHA", sobre a qual irei relatar vários episódios.

Esta equipe do Atlético Clube de Moçâmedes ganhou 4 campeonatos seguidos, de 1962 , 1963 e 1964 como júniores. A equipe de júniores era constituida pelos seguintes jogadores: Laurindo Couto, Laurentino Jardim (Tininho), Carlos Chalupa, Eloy Craveiro, Mário Grauna, Rui Minas, Raul Jardim (Baía), Carlos Brazão (Touro) e Orlando Santos (Camona), salientando-se Couto, o capitão da equipe, Chalupa e Tininho. Arménio Jardim e Henrique Minas foram dois dos treinadores da «equipe maravilha» e ainda José Adriano Borges, Rui Coelho, Álvaro Ascenso e Chibante. Foi de facto uma proeza digna de rasgados elogios,o facto desta equipa ter chegado ao fim de tantas competições sem ter sofrido uma única derrota, o que revelava uma esmagadora superioridade sobre as restantes equipas. O Atlético encontrava-se bem preparado e com um grande espírito de equipa. Os briosos rapazes eram o orgulho da cidade. À sua chegada inúmeras pessoas aguardavam no aeroporto onde dispensaram uma calorosa recepção, tendo em seguida, em várias viaturas, percorrido as ruas da cidade, onde os foram saudados e aclamados. Uma singela homenagem para um feito tão elevado! Não porque os Tri-Campeões não merecessem mais, mas porque porque o pouco que foi feito era já muito em relação às disponibilidades do Clube. Já foi dito aqui neste blog, como sobreviviam os clubes desportivos nessa Àfrica, que de longe era vista com um lugar onde nascia a «àrvore das patacas»... E os Tri-Campeões de Angola, desportistas na verdadeira acepção da palavra, sabiam reconhecer isso! E ficaram satisfeitos à mesma, como se homenagens fora do vulgar lhes houvessem sido prestadas.

Abro aqui um parentesis para referir que em 1962 enquanto a equipe de Júniores do Atlético Clube de Moçâmedes vence o campeonato de Angola, a equipe de oquei seniores do Atlético fica em 2º lugar no Campeonato de Angola Séniores de Hóquei em Patins. Que no ano de 1963 esta equipe do Atlético sobrevivia com alguns dos seus jogadores como Arménio Jardim e alguns elementos recém chegados como Arménio Minas, Guto, .... E que em 1964 esboroa-se totalmente com a transferência de Arménio Jardim para o Banco de Angola em Luanda, onde passa a alinhar pelo Maianga. Nesta fase, como referido atrás, é a «equipe maravilha» a equipe de júniores do Atlético Clube de Moçâmedes que brilha, ganhando 4 campeonatos seguidos, de 1962 , 1963 e 1964.

No ano de 1965, os júniores subiram a séniores e ganharam com grande brilho e autoridade o quadrangular das Festas do Mar, goleando fulminantemente todos os adversários.

Casa Pessoal Porto do Lobito 16 - 3
Ferroviário de Nova Lisboa 8 - 1
Sporting da Maianga -Luanda 6 - 2
Marca total 30 - 6 Média por Jogo 10---2
 
Os hoquistas júniores de Moçâmedes, considerados os melhores de Angola, pretendiam exibir-se na Metrópole a disputar o Campeonato Nacional (ou taça de Portugal), onde as equipas vencedoras de Angola e de Moçambique deveriam estar presentes. Contudo, pr essa altura toda a «equipe maravilha» ia partir para tropa. Uma situação que a Direcção do Atlético se esforçou por contornar, tendo sido para tal feita uma exposição ao Ministro do Ultramar que mereceu a sua concordância. Porém, e infelizmente ,a TAP não dispunha de vagas nos seus vôos, e o Ministro, para compensar, prometeu que a equipe que vencesse em Lisboa iria a Moçâmedes jogar contra o Atlético, o que e facto aconteceu em 1965, coma ida da equipe de Moçambique, o Malhangalene, vencedora em Lisboa. 
 

Escusado será dizer que a jovem equipa do Atlético foi mais uma vez a vencedora, e agora pelo esmagador resultado contra a equipa moçambicana, de ...

No ano de 1966 com o seu ingresso em massa no Serviço Militar, a jovem «equipa maravilha» acabaria por se desmantelar para sempre, ficando dela e destes jovens para sempre, a triste recordação de uma carreira que acabaria por ter tanto de fulgurante como de demasiado rápida. E o Atlético Clube de Moçâmedes deixou de ter qualquer representatividade na modalidade de hóquei em patins. Foi o Sporting Clube de Moçâmedes quem representou Moçâmedes no Campeonato de Angola séniores.
 
 
 
De novo, a equipa do Atlético Clube de Moçâmedes com Arménio, Laurentino, Zé Adriano (treinador), Camacho, eEmbaixo: Alvaro Ascenso, Psico, Briguidé e Carlos Chalupa.
 
 
Entretanto, em 1967, a equipe Atlético é totalmente transformada. Da nova equipe passam a fazer parte: Briguidé, Álvaro Ascenso, Carlos Chalupa ( o único sobrevivente da «equipe maravilha» que se manteve no serviço militar em Moçâmedes), Arménio Jardim e Rui Sampaio, tendo como suplentes, Magareth, Psico e.... É esta equipe que vai a Nova Lisboa (Huambo) disputar o campeonato de Angola em que o Atlético Clube de Moçâmedes volta de novo a ser campeão, proeza efectuada após uma meia dúzia de treinos.

Em Lourenço Marques... em 1967  a equipa de hóquei em patins seniores do Atlético Clube de Moçâmedes começou a renascer das cinzas e vence o Campeonato de Angola, e vão ao Campeonato Nacional de Hóquei realizado em Lourenço Marques (Moçambique).
Da esq. para a dt. Em cima: Arménio Jardim, Dirigente, Álvaro Ascenso, Laurentino Jardim e Carlos Chalupa. Um pouco atrás, Rui Sampaio.

Equipa de Hóquei em Patins do Atlético Clube de Moçâmedes, campeã de Angola 1967, no Nacional de Hóquei realizado em Lourenço Marques (Moçambique).
Da esq. para a dt:Em cima: José Adriano Borges (treinador), Álvaro Ascenso, Arménio Jardim, Eloi Craveiro e Argentino Matos.
Embaixo: Carlos Chalupa, Carlos Brazão,(Touro) Briguidé e Rui Sampaio.
 
Em 1967 que a equipa de hóquei em patins seniores do Atlético Clube de Moçâmedes começou a renascer das cinzas e vence o Campeonato de Angola, e vão ao Campeonato Nacional de Hóquei realizado em Lourenço Marques (Moçambique).
Da esq. para a dt:
Em cima: Arménio Jardim, Dirigente, Álvaro Ascenso, Laurentino Jardim e Carlos Chalupa. Um pouco atrás, Rui Sampaio.

 
 
 
 
 
 
É também nesse ano (1967), que o Atlético Clube de Moçâmedes vai disputar pela 1.ª vez o Campeonato Nacional em Lourenço Marques, tendo alinhado como suplente, Laurentino Jardim ( outro sobrevivente da «equipe maravilha», então de licença do serviço militar que estava a fazer no Lubango). Ganhou o Sport Lisboa e Benfica.

A partir 1968 os Campeonatos de Angola mudam de metodologia. Até 1967, eram normalmente disputados em Luanda, Lobito e Nova Lisboa, com prevalêcia e vantagens para Luanda, ficando Moçâmedes sempre de fora e em desvantagem. A partir de 1968 passaram a ser disputados em duas mãos, um jogo em casa, outro fora. Foi a partir daí que os Moçamedenses começarm a ver o Atlético jogar com equipes de fora na sua terra, tais como o BCA, o Sport Luanda e Benfica, o Ferrovia, etc., e passaram a viver a glória do oquei em patins.

No ano de 1968 a equipe do Atlético recompõe-se com Arménio, os sobreviventes da antiga de júniores «equipe maravilha» reduzida à dupla Chalupa e Laurentino Jardim..., e irá alternadamente ganhar, nos anos de 1969 e 1971, os campeonatos Angola. Finalmente, em 1972, com a partida de Carlos Chalupa e de Laurentino Jardim para Luanda para as equipas do Banco Comercial e do Benfica, enquanto o veterano Arménio retira-se, chegam ao fim dos tempos áureos do Atlético e do hóquei patins de alto nível em Moçâmedes.
 
 

Arménio Jardim, o capitão da equipa do Atlético, seguido dos seus companheiros, faz a entrada no campo de jogos, passando entre alas formadas pelos hoquistas da equipa adversária, a equipa da casa do Pessoal do Porto do Lobito.
 
No final do Jogo entre a Casa do Pessoal do Porto do Lobito e o Atlético Clube de Moçâmedes em que o Atlético se sagrou Campeão de Angolade Hóquei em patins 1969 . Este jogo teve a particularidade de no decurso do jogo a orquestra "Diabos do Ritmo", instalada no cimo de um camarote, sempre que o Atlético metia um golo arrancavam uma música....
 
 Arménio Jardim, capitão da equipa do Atlético a ser entrevistado por José Manuel Frota, do Rádio Clube de Moçâmedes, no final do jogo que deu a vitoria à equipa do Namibe. Por detrás Guilherme Jardim, e à direita, Fernando Vilaça, na altura Presidente do Atlético Clube de Moçâmedes.
 
 
A equipa do Atlético Clube de Moçâmedes exibindo as campeonissimas faixas, posa para a posteridade no final do jogo que lhe deu a vitória neste Campeonato de Angola de 1969...
Da esq. para a dt. Em cima:Fonseca (Direcção), Laurentino Jardim, Nito Gomes Freitas, Vasco Luz, Camacho, Arménio Jardim e José Adriano Borges (treinador). Embaixo: Ginho Chalupa. Moura (Psico),Leonel Oliveira (Briguidé), Carlos Chalupa e Alvaro Ascenso.
 
MariaNJardim