08 julho 2007

Lembrando gente da nossa terra: finais dos anos 60

À esq: Nicky (mulher do Hernani Nunes), Otilia, Ferreira do Saco (de pé), ?,?,?,?. Mguelito e avô.
Não posso deixar de referir aqui que Ferreira do Saco, como era conhecdo o Sr. que se encontra de pé, à esq., reconhecido por toda a gente como uma boa criatura, foi mais uma das muitas vítimas daqueles momentos de grande instabilidade que se seguiram à independência e Angola. Tendo optado por ficar, Ferreira foi cobardemente morto à pancada tendo o seu corpo aparecido na Praia Amélia. Afinal, para quê tanta atrocidade cometida gratuitamente?

A propósito desta foto, de gente serena, à mesa, lembrei-me de uns versos escritos por Júlio Gomes de Almeida (Lx 1978):
NO NOSSO TEMPO

Havia tempo,
Sem contratempo...
I
No nosso tempo:
havia «musunguê»,
«muambá»,
e «funge»,
farinha de «bombó»
«pirão» e pão-de-ló.
II
No nosso tempo:
havia visitas
informais.
«merengues»;
«rebitas» com calôr,
mas sem questões de côr...
III
No nosso tempo:
havia «batuques»,
«fogueiras»
e «gongo»
«cachipembe» ou vinho,
«gindungo» e carinho.
IV
No nosso tempo:
havia fartura,
vontade,
trabalho
nos campos e cass,
«churrasco» nas brasas.
V
No nosso tempo:
havia Carnaval
p'ra todos,
dançado
nas ruas e salões,
com luzes festões.
VI
No nosso tempo:
havia muita Fé,
procissões,
com salmos,
e a visita Pascal
-sempre, sempre NATAL!
VII
NO NOSSO TEMPO,
HAVIA TEMPO,
A TODO O TEMPO,
SEM CONTRATEMPO...
lX 1978
Júlio Gomes de Almeida

Desportos nauticos: «Sharpie» e Remo: década de 40 e inícios da de 50











































































































1ª e 3ª. fotos: Após um treino na modalidade de «remo», a tripulação da «guiga» do Ginásio Clube da Torre do Tombo, posa na Praia das Miragens para a posteridade (inícios da década de 50). Da esq.para a dt., reconhecemos: António Martins Nunes (Cowboy), Eduardo Lopes Braz, Laranja, João Viegas Ilha, Velhinho, Mário Telmo Frota (Mariuca), António Gonçalves de Matos (Sopapo) e José Viegas Ilha (Zeca). Os elementos femininos aqui presentes são: Olimpia Aquino (de pé e atrás), Marizete Veiga (Zete) e Violete Velhinho, à dt. Ao fundo, a falésia da Torre do Tombo, e à esq. , a velha ponte e o guindastre. Foto gentilmente cedida por Marizette Veiga.

2ª foto: Tirada durante um treino de «sharpie» da «Mocidade Portuguesa», nos finais da década de 40. Velejando na baía de Moçâmedes, podemos ver Mário Guedes da Silva e Mário Telmo Frota (Mariuca)



4ª foto: Em local próximo da Praia das Miragens e do Clube de Vela da MP, reconheço, da esq. pada a dt., em cima: António José Carvalho Minas (Tó Zé, João Germano Códinha Fernandes, Martins, Prof. Cecílio Moreira e João Inácio Tavares. Embaixo ?, Eugénio Ferreira da Silva (Cocas), Aguilar e Alan (belga).
..................

Sobre a modalidade de «remo» em Moçâmedes, refere Mário António Guedes da Silva no seu livro «Memórias Desportivas do Distrito de Moçâmedes Angola»: «Relativamente à modalidade «Remo», o entusiasmo decrescia, já que existiam somente três barcos, um do Independente de Porto Alexandre, mais leve, quase sempre vencedor, uma «guiga» do Ginásio Clube da Torre do Tombo e um «Yolle» do Centro Náutico da Mocidade Portugesa. Embora musculosos os respectivos remadores, a insuficiência de treinamentos adequados impediu o sucesso das equipas respectivas, contudo a rivalidade entre eles foi sempre notória, sob manifestações populares de simpatia. Não havia condições, obviamente de participar em grandes competições extra-muros, que eram então lideradas por tripulações do Lobito e Benguela, digo, de Luanda». Mas Moçãmedes para além da modalidade de remo, tinha também a modalidade da vela, não tivesse sido a navegação o agente impulsionador que em 1849 levou os emigrantes algarvios a atravessarem o Atlântico a caminho de Angola em barcos de pesca, e os primeiros os barcos de pesca, também, barcos à vela. Na década de 40 surgiu a classe de «Sharpie 9m» e mais tarde , na década de 50 e 60, a classe de «Snipes», cujos velejadores, estudantes, estavam vinculados quer à Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, quer mais tarde à Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes e pertenciam ao «Centro Nautico da Mocidade Portuguesa», sendo o instrutor o professor Emídio Cecílio Moreira.
A baía de Moçâmedes, com ventos moderados, facilitava os treinamentos dos jovens estudantes e as «regatas» que ocorriam por vezes na baía, por ocasião das Festas anuais da Cidade, a «4 de Agosto» e mais tarde durante «as Festas do Mar» eram entusiasticamente acompanhadas pela população que se concentrava na Praia das Miragens.

Não poderia concluir, sem referir aqui as primeiras «regatas» efectuadas na baía, no tempo em que ainda não haviam «sharpies» nem «snipes», e as competições eram efectuadas através de baleeiras à vela (velas triangulares), propriedade de industriais de pesca de Moçâmedes e Porto Alexandre. Refiro os nomes de alguns timoneiros, cujo saber de experiência feito os fez destacar nesta modalidade, tais como Aníbal Nunes de Almeida, João Lisboa e Virgílio Nunes de Almeida, este último, sem dúvidas, aquele que mais títulos conquistou com a sua baleeira «Laura» na década de 40.

Texto elaborado a partir do livro de Mário António Guedes da Silva: «Memórias Desportivas do Distrito de Moçâmedes Angola»

Acrescentarei aqui alguns nomes que recordo de velejadores moçamedenses na classe de sharpies desde a década de 40 até aos anos 70:

Rogério Gomes Ilha, Antonio Artur Ferreira (Penha) , Mário José Sequeira de Melo, Cassiodoro Sequeira de Melo, Mário António Guedes da Silva, Armando Guedes Duarte, Orlando Ferreira Gomes, João Patrício, Arménio Jardim, Peter Van der Kellen, Maio Luís Figueiredo, ...
Apesar de não haver praticamente competição desportiva inter-cidades que incentivasse os nossos jovens a irem mais além, no ano de 1956, Fausto Ferreira da Silva coadjuvado Lonel Matos Mendes conseguiram alcançar o titulo mais honroso numa regata em Luanda, onde participaram excelentes velejadores de Luanda, Lobito, Benguela e Moçâmedes.
E na classe de «snipes»: Fausto Ferreira Gomes, Leonel Matos Mendes, Fernando Matias, os irmãos Hélder e Mário Alexandrino Guedes Duarte, ...

30 maio 2007

Riquita, Miss Angola e Miss Portugal, nas Festas da Senhora do Monte e no Tchivinguiro, Lubango 1971

Riquita (Celmira Bauleth), Miss Angola e Miss Portugal 1971, ladeada pelos radialistas Alexandre Caratão (RCHuila), José Manuel Frota, (RCMoçâmedes), Carlos Meleiro, (RComercial de Angola) e Pereira Monteiro ( RCHuila), no decurso de um espectáculo integrado nas Festas da Senhora do Monte (Lubango/Sá da Bandeira). Este espectáculo contou com a participação da cantora Tonicha, cujo nome podemos lêr ao fundo.
Créditos de imagem:http://www.geocities.com/dpmonteiro/radioangolafotos.htm





1ª foto:
Riquita (Celmira Bauleth), Miss Angola e Miss Portugal 1971, ladeada pelos radialistas Alexandre Caratão (RCHuila), José Manuel Frota, (RCMoçâmedes), Carlos Meleiro, (RComercial de Angola) e Pereira Monteiro ( RCHuila), no decurso de um espectáculo integrado nas Festas da Senhora do Monte (Lubango/Sá da Bandeira). Este espectáculo contou com a participação da cantora Tonicha, cujo nome podemos lêr ao fundo.
Créditos de imagem:http://www.geocities.com/dpmonteiro/radioangolafotos.htm


2ª e 3ª fotos: Riquita cofraternizando com alunos da Escola de Regentes Agrícolas do Tchivinguiro (Huila

Sobre uma das fotos desta postagem, talvez a 3ª,  recebi a seguinte mensagem de Mário Fraga: "É o Foca, o Lambão, o Garção e outros velhos tempos!! Eu sou Mário Fraga."

05 maio 2007

Aero Clube de Moçâmedes






A tradicional cerimónia do banho de iniciação. A receber o banho, Rui Duarte de Mendonça Torres, à esq. Santos César. Foto gentilmente cedida por Mélita Parreira da Cruz

 

 Tenho por norma, não colocar aqui fotos individuais, mas apenas de grupos, mas não consegui resistir à publicação desta foto que representa a primeira mulher em toda a Angola, a tirar o brevet no ano de 1938, portanto uma figura pioneira, numa época em que a mulher portuguesa, até então condicionada a determinadas tarefas e papéis sociais, começava a alargar espaços, na senda da sua emancipação... Trata-se de Júlia Brito Pestana (Julinha), preparando-se para levantar vôo, pilotando uma avioneta do Aero Club de Moçâmedes, nos princípios dos anos 50. Ainda se pode ler, Mossâmedes, escrito com ss. Julinha teve como instrutor, Guilherme de Carvalho que era também piloto da DTA (Divisão de Transportes Aéreos). Foto do livro «Era uma vez Angola» de Paulo Salvador.


Elementos da Escola de pilotagem de Moçâmedes. Entre outros reconheço: Em cima e da esq. para a dt: Jaime Lúcio Ferreira dos Santos, ?, José Luís Pinto, Domingos Alves Figueiras, Ferreira da Silva (instrutor), ?, Guilherme de Almeida, ?, Tiago Costa e Bento Padrão. Embaixo:
?,?, Armando Guedes Duarte (Mandinho), Alfredo Esteves, ?;?;?;?.
Foto do livro de Mário António Guedes da Silva: «Memórias do Desporto de Moçâmedes/Angola».

Em cima, da esq. para a dt. Bento Padrão, ? , ?, Jaime Lúcio dos Santos, Rui Maqueiro, Rui de Mendonça Torres, ?, ?, ?, Armando Martins, António Parreira da Cruz. Em baixo:?, ?, Matos,?, ?, ?,Fragoso, Armando Guedes Duarte/Mandinho (mais tarde instrutor) João Carlos Guedes Duarte (Jinho). Foto gentilmente cedida por Mélita Parreira da Cruz (à dt.).

 Aéro Clube de Moçâmedes : Matos, Alfredo Esteves, José Luís Pinto, ?,  ?,', Dr Carneiro, Tiago Costa, Rui (maqueiro), Orlando Teixeira da Silva, ?, Bento Padrão e  Domingos Figueiras. Embaixo: ?, Armandinho Duarte, Fragoso,, Marilia Cavaco, ?, Fernanda Almeida, Jaime Lucio Santos e ?.

Recorte do Jornal O Namibe

A aviação evoluiu ao longo do século XX em várias vertentes, humanitária, desportiva, comercial, e até militar... Após 1920 a aviação ligeira teve primordial importância no desenvolvimento dos territórios menos evoluídos, mormente em Angola, e consequentemente no Distrito de Moçâmedes, nos âmbitos humanitário e desportivo. Foi em 14 de Março de 1923 que se deu a 1ª ligação aérea em monomotor entre as cidades de angolanas do Huambo, Benguela, Moçâmedes e Lubango , acontecimento a que a imprensa na altura fez grande eco, por ser considerado um feito arrojado e espectacular.

A celeridade com que evoluíram os rumos da navegação aérea civil, levou à criação, em Luanda, do Aero Clube de Angola, em Maio de 1936, seguindo-se a criação de várias delegações na principais cidades da colónia, entre as quais a de Moçâmedes. 

O Aero Clube de Moçâmedes, como todos os aero clubes, surgiu na sequência da criação do Aero Clube de Angola, em Maio de 1936,  como clube associativo sem fins lucrativos, considerado instituição de utilidade pública, dedicado o ensino, à prática, e à divulgação da aeronavegação, através de  «escolas de pilotagem», que se ofereciam  gratuitamentequando disponíveis, para completarem determinado número de horas de vôo, incentivando a tirarem o "brevet".

A primeira avionete, à qual foi dado o nome de "Moçâmedes" foi adquirida por subscrição pública, e o seu baptismo decorreu no campo de aviação onde começava a crescer sólida construção que mais tarde passou à posse do Estado, e a DTA transformou num magnifico angar, considerado época dos melhores da colónia.  Existia então uma pequena pista natural no plateau de Moçâmedes. situado a cerca de 2 km da cidade (o campo de aviação), um pouco acima do local conhecido por «Furnas de Santo António», onde se acreditava poder-se aterrar e levantar vôo em segurança fosse Inverno ou Verão, dado a consistência do piso, por ser imune às lamas. Era considerada ainda uma aventura, colocar naquela época um piloto no «cockpit» de um pequeno aparelho, mas  quando isso acontecia em viagens de pequeno curso, as pistas ficavam inundadas de curiosos que os ia aplaudir.   

No início era o Aero Clube de Moçâmedes que dispensava a sua avionete, alugando-a, quando havia necessidade, por exemplo, de fazer deslocar um técnico a uma localidade mais distante ou de difícil acesso, no interior ou litoral do distrito. 








O Aero Clube de Moçâmedes levava a efeito «escolas de pilotagem», sendo os seus cursos bastante frequentados, tendo formado 16 aviadores, 6 dos quais brevetados, alguns dos quais se tornaram profissionais, nesse tempo de euforia dos pilotos-amadores. A necessidade de formação de novos pilotos para reforço dos pequenos quadros já existentes, levou à aprovação, em 20 de Março de 1940, e promulgação de um «Regulamento das Escolas de Pilotagem do Aero-Clube de Angola», abrangendo as suas delegações. Antes porém, em 1938, foi uma mulher a consegui-lo em Angola: Júlia de Brito Pestana, tendo como seu seu instrutor o piloto Guilherme de Carvalho, também ao serviço da DTA, Divisão dos Transportes Aéreos. Cedo a aviadora se tornou conhecida pelas exibições que fazia aos fins de semana, naquele pedaço de deserto infinito, proezas que incluíam vôos rasantes sobre o hangar do aeroporto, que eram efusivamente aplaudidos.

No âmbito desportivo muitos foram os rallies aéreos organizados pelo Aero Clube de Moçâmedes nas décadas de 50 e 60, em que participaram os brevetados da sua Escola de Pilotagem, provas essas que se revestiam de especial importância, na medida em que permitiam potenciar as qualidades dos respectivos pilotos.


Os Aero clubes, também se dedicaram ao desenvolvimento da aviação voltada para o turismo e para o desporto. Neste aspecto, muitos foram os rallies aéreos organizados pelo Aero Clube de Moçâmedes nas décadas de 50 e 60, em que participaram os brevetados da sua Escola de Pilotagem, provas essas que se revestiam de especial importância, na medida em que permitiam potenciar as qualidades dos respectivos pilotos. 

O Aero Clube de Moçâmedes teve  a sua 1ª sede num edifício térreo, de traça antiga portuguesa, que já não existe, e que ficava situado na Rua da Praia do Bonfim, na esquina com a Praça Leal (Praça de Táxis), onde na década de 1960 foi erguido o primeiro edifício de grande porte da cidade, propriedade de José Alves. Possuía um grande salão de festas que foi, desde a sua fundação e até aos finais dos anos 1940, o local privilegiado da cidade, onde a população se divertia com bailes e matinées dançantes, bailes de máscaras pelo Carnaval, Reveillons, etc. Durante a semana dirigiam-se para a sede do Aero Clube, após o horário de trabalho, associados, aficcionados da aero-navegação, e  muitos elementos masculinos da população, que ali ficavam até à hora do jantar, matando o tempo a jogar ao quino, às cartas, incluso o "pocker" a dinheiro (tradicional "batota"), ou matando o tempo em simples e animada cavaqueira.

Com a chegada dos Táxis Aéreos do Sul de Angola, estes tiveram um papel importante no auxilio às populações, que viviam em pequenas povoações, quer do litoral quer no interior, e muitos foram os pilotos que colaboraram activamente na prestação de serviço social ao nível de socorros realizados em todo o distrito de Moçâmedes, desde a Lucira à Baía dos Tigres, sendo o serviço prestado por todas as Delegações, mormente a de Moçâmedes, considerados de utilidade pública. Também coube ao Aero Clube de Moçâmedes a vigilância da costa no período  crítico mas curto do início da luta armada contra os movimentos de libertação, em 1961, em que corriam "boatos" de que a costa estava sendo visitada por submarinos russos. 

Destacam-se os nomes dos pilotos lançados pela Escola de Pilotagem da Delegação de Moçâmedes do Aero Clube de Angola, bem como dos seus instrutores, muitos dos quais prestaram relevantes serviços à causa da aviação:

1. Presidente João Marques Pequito, que durante longos anos liderou o Aero Clube de Moçâmedes
2. Pilotos pioneiros: Júlia de Brito Pestana, (1938-1945), António Augusto Martins Cristão (1939, brevetado em 1945), António de Almeida Varela (1939), Jorge Branquinho Arruda (1939), Waldemar Gama Lobo (1939), Manuel Reis Pires (1939), Mário Ribeiro (1939), Henrique Pessoa (1939), Manuel Carlos Pessoa (1939), José Gomes de Carvalho (1939).
3. Pilotos das décadas seguintes: João Nunes Cunha (John), Pedro Cabral, Eduardo de Brito Pestana, José de Mendonça Teles, João Carlos Guedes Duarte, Armando Guedes Duarte (Mandinho), José Luís Pinto, Jaime Lúcio Ferreira dos Santos, Orlando Teixeira da Silva, Guilherme de Almeida, António Arvela, António Parreira da Cruz, Domingos Alves Figueiras, Alfredo Sales Esteves, Bento Padrão, Tiago Costa

Instrutores: Guilherme de Carvalho, Rosa Maçarico, Ferreira da Silva, João Carlos Guedes Duarte, Armando Guedes Duarte

Assistentes de aeronave: Tito Gouveia, João Firmino Bonvalot

Acrescendo ainda outros nome que de momento me ocorrem: Jacob, Germano, Patrício, Isaías Graça, Manuel dos Santos, Fernando Rodrigues Ferreira, Galvão de Melo, André Correia, todos estes brevetados já após as década de 40 e 50.

Ainda sobre os trabalhos prestados pelo Aero Clube de Moçâmedes, que dispensava a sua avionete, alugando-a, quando havia necessidade, por exemplo, de fazer deslocar um técnico a uma localidade mais distante ou de difícil acesso, no interior ou litoral do distrito, contava-se que no inicio da década de 1960 foi necessário enviar à Baía dos Tigres um mecânico para reparar o motor do sistema de captação de águas vinda da foz do Cunene, e que foi Guilherme de Almeida, então funcionário do Banco Pinto & Souto Mayor, que foi levar o irmão do Mário Cruz, o Bolé, que era então mecânico do Caminho de Ferro de Moçâmedes. Decorria o vôo, quando a determinada altura do percurso o Bolé mexeu num dos botões da avionete e Guilherme de Almeida,  aflito, teria dito: Eh pá, mexeste, agora diz-me lá "of" é aberto ou é fechado?


 
 

Uma vez que a matéria aqui abordada proporciona-se aproveito para deixar aqui  estas fotos onde se pode ver, entre outros Tito de Gouveia , em 1948, quando da peregrinação da Imagem de Nossa Senhora de Fátima, vinda da Cova da Iria para terras de África.

Aproveito também para lembrar que na época colonial, o Deserto do Namibe, -- no seu ponto mais a norte, não o deserto de areia mas um deserto com formações deliciosas, mas na zona de transição entre planícies verdejantes a perder de vista e montes e planícies secas--, foi palco de uma tragédia que fez vibrar a população. Dois jovens, filhos de pessoas conhecidas do Lobito, foram dar uma passeata de avionete e acabaram por ali de despenhar. Sobreviveram durante mais de 30 dias e escreveram um diário, onde relataram a sua experiência até ao dia final. Se tivessem caminhado em direcção ao mar ter-se-iam porventura salvo, mas preferiram ficar junto aos destroços do avião, na esperança de virem a ser localizados - o que só aconteceria muito tempo depois de a morte os ter visitado, apesar das buscas desesperadas e diárias.  Isto aconteceu nos primeiros anos da década de 1950.

Ficam mais estas recordações.

Pesquisa e texto de MariaNJardim

Ver também: A aviação civil em Angola – 1938

Eventos na nossa terra: baile de finalistas no Palácio do Governo do Distrito de Moçãmedes (actual Namibe) 1972





























1ª foto: Baile de Finalistas na Associação Comercial de Moçâmedes. Ao centro, pode ver-se Lurdes Pinto, a representante de Moçâmedes que foi miss Angola 1972 (um ano após Riquita, natural de Moçâmedes, ter vencido os títulos de miss Angola e miss Portugal).

2ª foto: Edifício-Sede da Associação Comercial de Moçâmedes e edifício das Finanças.

Repare na decoração da sala alusiva ao mar, dizia-me uma das alunas que me facultou esta foto. As paredes do salão foram decoradas pelos alunos e pela professora de desenho na ECIIDH, Maria do Carmo. o Dr. Vitória Pereira também colaborou indo com alguns alunos apanhar pedras ao deserto para com elas fazermos os centros de mesa. Nós, as raparigas, teríamos que ir todas de vestido comprido e branco e os rapazes de fato e gravata. Era manhã quando acabou o baile. Foi maravilhoso!