11 julho 2007

Gente de Porto Alexandre (anos 60)































1ª e 2ª fotos
3ª foto: ........Na festa da Senhora da Conceição, padroeira da terra, era tradição as traineiras e canoas engalanadas, tal como em algumas povoações piscatórias de Portugal, encostarem as proas à praia, onde um estrado improvisado de madeira servia de púlpito em cima do qual, perante quase toda a população a assistir, o padre rezava a missa e em seguida pedia a benção da Santa protectora para os barcos, para o mar que não é só dos pescadores mas de todos os que ganham a vida nele e dos que nele. Ao acabar a missa campal, os barcos faziam soar as suas sirenes e entre a população estalejavam foguetes.

4ª foto: nesta foto, tirada entre a Pescaria de Coimbra e Silva e as dunas de Porto Alexandre que se podem ver ao fundo, encontram-se, entre outros, Fernanda Barata (eª a partir da esq.), os pais e o irmão Miguelito, José Gouveia (mecânico), José Boucinha, ?, e Júlio Gordo, figura muito conhecida da terra.

5ª foto: Aqui está representada a família Baptista, família alargada, muito conhecida em Porto Alexandre, entre os quais se reconhece. José, Júlio, Óscar,... Arménio,
Chico (com o copo na boca), Isilda, Lizete, Walter, Profícua (de pé). Era assim a vivência entre as pessoas naquele tempo em que as famílias viviam praticamente nas mesmas cidades e vilas e as pessoas tinham o privilégio de estarem sempre juntas. Com o rodar dos anos este modelo de família se esboroou. A vida das pessoas complicou-se sobretudo nas grandes cidades, as famílias tornaram-se mais pequenas, os seus membros dispersaram-se por várias cidades e este tipo de convívio, naquele tempo tão frequente, passou a pertencer ao passado, ou no melhor dos casos, a dias especiais de festa como os Natais e pouco mais.
Fotos gentilmente cedidas por Fernanda Barata.



O Curoca agora vai seco.
Não admira, é Setembro...

Um pouco mais a Sul
há ventos de areia
cercando a cidade
de cabeleiras protectoras,

por todo o lado
corre um cheiro intenso a peixe.
Esta é a terra dos cabeças-de-pungo!

Entre cacimbo que passa e vento que sopra
o tempo espreguiça-se sobre dunas.
Há peixe seco e cheiro intenso de peixe
secando escalado ao sol e ao sal do deserto.

Sobre as eiras longas estendidas solarengas
secam farinhas de peixe e guano.
O tempo em Tombua, mangonheiro sem igual,
corre, assim, ao sabor,
ao odor de peixe-mar-vida.

E sobre as eiras vazias mangonheiras
- estendidas nos frios do entardecer -
um vento cruel atira às pernas nuas dos miúdos
pequenos grãos de tempo-nada que magoam.


Namibiano Ferreira
Curoca - Rio da província do Namibe, só leva agua no período das chuvas.
Cabeças-de-pungo - o mesmo que cabeças-de-peixe, nome que se da aos naturais da cidade de Tombua (Porto Alexandre) mas também aos da cidade do Namibe (Moçâmedes).
Mangonheiro - Preguiçoso.

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=45048

Lembrando lugares da nossa terra: Praia das Conchas

[000.jpg]






































MAR DESFEITO
Na Praia das Conchas, fito
O mar revolto, infinito,
Bater nas rochas, desfeito...
E, olhamo-nos tanto, tanto,
Que suas ondas são pranto,
Que vem bater no meu peito...

Angola, 1968
CONCHA PINHÃO
(Vencedora do 1º prémio dos jogos florais das «x Festas do Mar», com o poema «Imbondeiro» . 1971)

Esta é a Praia das Conchas, para lá do Saco do Giraul , já em plena costa, Praia que de praia não tinha nada. Praia rochosa, nela tinhamos que andar com muito cuidado para não escorregarmos e nos magoarmos, rochas que picavam os pés, com um banco no mar idêntico ao da Praia Amélia mas mais próximo de terra, que provocava uma forte rebentação. Esta praia, no entanto, apesar de pedregosa e incapaz para banhos de mar, era um atractivo que levava muitas famílias a se deslocarem alí aos fins de semana. O que atraia então as pessoas que aos fins de semana iam passear até alí?

Umas, iam pura e simplesmente contemplar o espectáculo da rebentação do mar nas rochas, as altas ondas e a branca espuma, a fúria deslumbrante da natureza, outras, iam fazer caça submarina, ainda que a rebentação sobre as rochas as obrigasse a entrar no mar na zona entre Praia Conchas e o Barambol ( é o caso dos nossos mais fanáticos mergulhadores que elogiavam a beleza dos recortes rochosos submarinos da zona); outras ainda, sobretudo mulheres e crianças, apanhavam búzios, burriés, pequenos caranguejos, ostras, mexilhões, e finalmente outros (sobretudo homens) pescavam à cana e à linha do cimo das rochas uma imensa variedade de peixe, (garoupas, pargos, sargos, canelas, meros, moreias, etc.) que davam para encher o frigorífico para toda a semana. Afinal valia mesmo a pena ir até à Praia das Conchas!
Uma curiosidade: na «Praia das Conchas», como em algumas outras praias como a do Chiloango, etc., era comum verem-se grandes ossaturas de baleias, que alí haviam «encalhado» trazidas pelas correntes desde a Praia Amélia (*), em tempos mais para trás (década de 1920/30), uma vez que durante essa década existiu naquela praia, a 6 km a sul do centro da cidade de Moçâmedes, uma grande empresa norueguesa que alí se instalou, vocacionada para a industrialização de carne e gordura desses cetáceos.
(*) O nome Praia Amélia foi dado a essa praia a 5 km da cidade de Moçâmedes
, pelo facto de alí ter naufrado, em meados do século XIX, a escuna «Amélia», da Marinha de Guerra portuguesa.

MariaNJardim

1ª foto: Herondina Mangericão, Zete Veiga e ?
2ª foto: Pesca à vara sobre um rochedo da Praia das Conchas.
3ª foto: Os irmãos Belany e Paulo Veiga Baptista na Praia das Conchas. 2ª e 3ª fotos gentilmente cedidas por Marizette Veiga Baptista.

08 julho 2007

Lembrando gente da nossa terra: finais dos anos 60

À esq: Nicky (mulher do Hernani Nunes), Otilia, Ferreira do Saco (de pé), ?,?,?,?. Mguelito e avô.
Não posso deixar de referir aqui que Ferreira do Saco, como era conhecdo o Sr. que se encontra de pé, à esq., reconhecido por toda a gente como uma boa criatura, foi mais uma das muitas vítimas daqueles momentos de grande instabilidade que se seguiram à independência e Angola. Tendo optado por ficar, Ferreira foi cobardemente morto à pancada tendo o seu corpo aparecido na Praia Amélia. Afinal, para quê tanta atrocidade cometida gratuitamente?

A propósito desta foto, de gente serena, à mesa, lembrei-me de uns versos escritos por Júlio Gomes de Almeida (Lx 1978):
NO NOSSO TEMPO

Havia tempo,
Sem contratempo...
I
No nosso tempo:
havia «musunguê»,
«muambá»,
e «funge»,
farinha de «bombó»
«pirão» e pão-de-ló.
II
No nosso tempo:
havia visitas
informais.
«merengues»;
«rebitas» com calôr,
mas sem questões de côr...
III
No nosso tempo:
havia «batuques»,
«fogueiras»
e «gongo»
«cachipembe» ou vinho,
«gindungo» e carinho.
IV
No nosso tempo:
havia fartura,
vontade,
trabalho
nos campos e cass,
«churrasco» nas brasas.
V
No nosso tempo:
havia Carnaval
p'ra todos,
dançado
nas ruas e salões,
com luzes festões.
VI
No nosso tempo:
havia muita Fé,
procissões,
com salmos,
e a visita Pascal
-sempre, sempre NATAL!
VII
NO NOSSO TEMPO,
HAVIA TEMPO,
A TODO O TEMPO,
SEM CONTRATEMPO...
lX 1978
Júlio Gomes de Almeida

Desportos nauticos: «Sharpie» e Remo: década de 40 e inícios da de 50











































































































1ª e 3ª. fotos: Após um treino na modalidade de «remo», a tripulação da «guiga» do Ginásio Clube da Torre do Tombo, posa na Praia das Miragens para a posteridade (inícios da década de 50). Da esq.para a dt., reconhecemos: António Martins Nunes (Cowboy), Eduardo Lopes Braz, Laranja, João Viegas Ilha, Velhinho, Mário Telmo Frota (Mariuca), António Gonçalves de Matos (Sopapo) e José Viegas Ilha (Zeca). Os elementos femininos aqui presentes são: Olimpia Aquino (de pé e atrás), Marizete Veiga (Zete) e Violete Velhinho, à dt. Ao fundo, a falésia da Torre do Tombo, e à esq. , a velha ponte e o guindastre. Foto gentilmente cedida por Marizette Veiga.

2ª foto: Tirada durante um treino de «sharpie» da «Mocidade Portuguesa», nos finais da década de 40. Velejando na baía de Moçâmedes, podemos ver Mário Guedes da Silva e Mário Telmo Frota (Mariuca)



4ª foto: Em local próximo da Praia das Miragens e do Clube de Vela da MP, reconheço, da esq. pada a dt., em cima: António José Carvalho Minas (Tó Zé, João Germano Códinha Fernandes, Martins, Prof. Cecílio Moreira e João Inácio Tavares. Embaixo ?, Eugénio Ferreira da Silva (Cocas), Aguilar e Alan (belga).
..................

Sobre a modalidade de «remo» em Moçâmedes, refere Mário António Guedes da Silva no seu livro «Memórias Desportivas do Distrito de Moçâmedes Angola»: «Relativamente à modalidade «Remo», o entusiasmo decrescia, já que existiam somente três barcos, um do Independente de Porto Alexandre, mais leve, quase sempre vencedor, uma «guiga» do Ginásio Clube da Torre do Tombo e um «Yolle» do Centro Náutico da Mocidade Portugesa. Embora musculosos os respectivos remadores, a insuficiência de treinamentos adequados impediu o sucesso das equipas respectivas, contudo a rivalidade entre eles foi sempre notória, sob manifestações populares de simpatia. Não havia condições, obviamente de participar em grandes competições extra-muros, que eram então lideradas por tripulações do Lobito e Benguela, digo, de Luanda». Mas Moçãmedes para além da modalidade de remo, tinha também a modalidade da vela, não tivesse sido a navegação o agente impulsionador que em 1849 levou os emigrantes algarvios a atravessarem o Atlântico a caminho de Angola em barcos de pesca, e os primeiros os barcos de pesca, também, barcos à vela. Na década de 40 surgiu a classe de «Sharpie 9m» e mais tarde , na década de 50 e 60, a classe de «Snipes», cujos velejadores, estudantes, estavam vinculados quer à Escola Prática de Pesca e Comércio de Moçâmedes, quer mais tarde à Escola Comercial e Industrial de Moçâmedes e pertenciam ao «Centro Nautico da Mocidade Portuguesa», sendo o instrutor o professor Emídio Cecílio Moreira.
A baía de Moçâmedes, com ventos moderados, facilitava os treinamentos dos jovens estudantes e as «regatas» que ocorriam por vezes na baía, por ocasião das Festas anuais da Cidade, a «4 de Agosto» e mais tarde durante «as Festas do Mar» eram entusiasticamente acompanhadas pela população que se concentrava na Praia das Miragens.

Não poderia concluir, sem referir aqui as primeiras «regatas» efectuadas na baía, no tempo em que ainda não haviam «sharpies» nem «snipes», e as competições eram efectuadas através de baleeiras à vela (velas triangulares), propriedade de industriais de pesca de Moçâmedes e Porto Alexandre. Refiro os nomes de alguns timoneiros, cujo saber de experiência feito os fez destacar nesta modalidade, tais como Aníbal Nunes de Almeida, João Lisboa e Virgílio Nunes de Almeida, este último, sem dúvidas, aquele que mais títulos conquistou com a sua baleeira «Laura» na década de 40.

Texto elaborado a partir do livro de Mário António Guedes da Silva: «Memórias Desportivas do Distrito de Moçâmedes Angola»

Acrescentarei aqui alguns nomes que recordo de velejadores moçamedenses na classe de sharpies desde a década de 40 até aos anos 70:

Rogério Gomes Ilha, Antonio Artur Ferreira (Penha) , Mário José Sequeira de Melo, Cassiodoro Sequeira de Melo, Mário António Guedes da Silva, Armando Guedes Duarte, Orlando Ferreira Gomes, João Patrício, Arménio Jardim, Peter Van der Kellen, Maio Luís Figueiredo, ...
Apesar de não haver praticamente competição desportiva inter-cidades que incentivasse os nossos jovens a irem mais além, no ano de 1956, Fausto Ferreira da Silva coadjuvado Lonel Matos Mendes conseguiram alcançar o titulo mais honroso numa regata em Luanda, onde participaram excelentes velejadores de Luanda, Lobito, Benguela e Moçâmedes.
E na classe de «snipes»: Fausto Ferreira Gomes, Leonel Matos Mendes, Fernando Matias, os irmãos Hélder e Mário Alexandrino Guedes Duarte, ...

30 maio 2007

Riquita, Miss Angola e Miss Portugal, nas Festas da Senhora do Monte e no Tchivinguiro, Lubango 1971

Riquita (Celmira Bauleth), Miss Angola e Miss Portugal 1971, ladeada pelos radialistas Alexandre Caratão (RCHuila), José Manuel Frota, (RCMoçâmedes), Carlos Meleiro, (RComercial de Angola) e Pereira Monteiro ( RCHuila), no decurso de um espectáculo integrado nas Festas da Senhora do Monte (Lubango/Sá da Bandeira). Este espectáculo contou com a participação da cantora Tonicha, cujo nome podemos lêr ao fundo.
Créditos de imagem:http://www.geocities.com/dpmonteiro/radioangolafotos.htm





1ª foto:
Riquita (Celmira Bauleth), Miss Angola e Miss Portugal 1971, ladeada pelos radialistas Alexandre Caratão (RCHuila), José Manuel Frota, (RCMoçâmedes), Carlos Meleiro, (RComercial de Angola) e Pereira Monteiro ( RCHuila), no decurso de um espectáculo integrado nas Festas da Senhora do Monte (Lubango/Sá da Bandeira). Este espectáculo contou com a participação da cantora Tonicha, cujo nome podemos lêr ao fundo.
Créditos de imagem:http://www.geocities.com/dpmonteiro/radioangolafotos.htm


2ª e 3ª fotos: Riquita cofraternizando com alunos da Escola de Regentes Agrícolas do Tchivinguiro (Huila

Sobre uma das fotos desta postagem, talvez a 3ª,  recebi a seguinte mensagem de Mário Fraga: "É o Foca, o Lambão, o Garção e outros velhos tempos!! Eu sou Mário Fraga."